domingo, 22 de abril de 2018

Buscar Deus e o seu Reino de justiça e misericórdia


O Papa concluiu as suas atividades da manhã do dia 21 de abril, no Vaticano, com a receção, na Praça de São Pedro, de cerca de 13 mil peregrinos das dioceses de Bolonha e Cesena, que vieram, com os respetivos Pastores, retribuir a visita apostólica que ele fez às suas comunidades em outubro do ano passado.
Na saudação que dirigiu aos numerosos presentes – Bispos, autoridades civis, sacerdotes, pessoas consagradas e fiéis leigos e enfermos –, o Santo Padre disse que “não esqueceu o acolhimento que lhe foi dispensado e os encontros de fé e de oração” realizados nas duas cidades italianas. E vincou:
Graças ao dom da Providência pude confirmar e revigorar a vossa fé e pertença à Igreja, que se concretizam com atitudes e gestos de caridade, especialmente em relação às pessoas mais frágeis. Logo, exorto-vos a continuardes, com coragem, no caminho de renovação e compromisso eclesial.”.
Em Cesena, como recordou o Papa Francisco, foram comemorados, na ocasião, o III centenário de nascimento do Papa Pio VI e a memória do Papa Pio VII – oportunidade propícia para refletir sobre a ingente obra de evangelização e as metas missionárias, sob o exemplo destes grandes Pastores.
Em Bolonha, Francisco destacou a conclusão do Congresso Eucarístico Diocesano, que reuniu numerosos fiéis em torno de Jesus Eucarístico.
Agora, a este respeito, citou a sua recente Exortação Apostólica “Gaudete e exsultate”, sobre a vocação de todos à santidade: “Partilhar a Palavra e celebrar juntos a Eucaristia torna-nos mais irmãos e transforma-nos em comunidade santa e missionária”. E frisou:
A Eucaristia, de facto, compõe a Igreja, agrega-a e une-a no vínculo do amor e da esperança. Jesus instituiu-a para que permanecêssemos com Ele, formando um só corpo e tornando-nos mais unidos e irmãos. A Eucaristia reconcilia-nos e une-nos, alimenta a vida comunitária e gera gestos de generosidade, perdão, confiança e gratidão: significa ação de graças, educa-nos para a primazia do amor e para a prática da justiça e da misericórdia.”.
Assim, convicto de que os homens e as mulheres do nosso tempo precisam de encontrar Jesus Cristo no seu verdadeiro e múltiplo rosto, Francisco assegurou que Ele é o caminho que nos conduz ao Pai, que Ele é o Evangelho da esperança e do amor. Por outro lado, no cumprimento alegre da nossa importante missão, Ele exige generosa disponibilidade, renúncia a si mesmo e abandono confiante à vontade divina. É este – diz o Pontífice – o nosso itinerário de santidade.
Depois, o Papa fez a seguinte exortação aos peregrinos de Bolonha e Cesena:
Encorajo-vos a fazer ressoar em vossas comunidades o chamamento à santidade, que envolve todos os batizados, em qualquer condição de vida. Na santidade consiste a plena realização da aspiração do coração humano. Trata-se de um caminho que deve ser trilhado com o acolhimento concreto do Evangelho. Este compromisso missionário proporciona novo impulso à evangelização.”.
E concluiu:
Não cesseis jamais de buscar a Deus e o seu Reino e de prestar o precioso serviço aos irmãos, sempre com fraternidade e simplicidade”.
Na verdade, o dinamismo do Reino configura o espaço da justiça de Deus entendida à luz da misericórdia e do amor. Na prática, ilumina-se, em rota de oração, com a Palavra do senhor, alimenta-se e revigora-se na Eucaristia e abre-nos ao serviço aos irmãos. E este serviço aos irmãos presta-se pela proximidade e acompanhamento, pela promoção económica, espiritual e cultural e pela formação e incremento da comunidade. O promotor do Reino, enquanto profeta de Deus e testemunha do drama humano, tem se ser orante, apóstolo e missionário, imerso nas realidades humanas, tantas vezes chamuscadas (ou mesmo queimadas) pelo fogo destruidor do espírito mundano. Por isso, se lhe pede continuidade, coragem e trilho persistente do caminho de renovação.
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A busca de Deus e do seu Reino implica amor fiel a Deus e serviço humilde aos irmãos.
Na verdade, ao receber em audiência, na manhã do mesmo dia 21, os seminaristas da Comunidade do Venerável Colégio Inglês de Roma (um grupo de 50 pessoas), na Sala do Consistório, Francisco disse que era bonito ver jovens que se preparam para assumir um compromisso estável com o Senhor que dure para a vida inteira e sublinhou que “isso é mais difícil” para eles do que foi para ele, Papa, “por causa da ‘cultura do provisório’ de hoje em dia”. Advertindo que, “na vida cristã há um só obstáculo relevante diante de cada um de nós: o medo”, acertou que “podemos superá-lo com o amor, a oração e o bom humor”. Nestes termos, espera que os seminaristas “não tenham medo das dificuldades e das provações e da luta incessante contra o pecado”.
E, quanto à necessidade de superar os medos, o Pontífice instou à coragem e evocou o exemplo do padroeiro do Colégio, São Tomás de Cantuária, dizendo:
Encorajo-vos a não terdes medo de vós mesmos. Tomando o exemplo do vosso celeste Padroeiro, São Tomás de Cantuária – que não permitiu a seus pecados passados e aos limites humanos de servir a Deus até ao fim –, não somente sereis capazes de superar os vossos medos, mas ajudareis também os outros a superar os próprios.
No início de seu discurso, ao dar as boas-vindas aos superiores e aos alunos do referido Colégio Inglês, o Santo Padre recordou que este ano se celebram vários aniversários significativos na vida da Igreja na Inglaterra e Gales e disse querer partilhar com eles algumas palavras de encorajamento.
Sobretudo, disse rezar por eles a fim de que possam crescer aprofundando cada vez mais a relação com o Senhor e a atenção para com os outros, especialmente os mais necessitados. “Amor a Deus e amor ao próximo” – disse – são “o marco da nossa vida”.
Primeiro, o amor a Deus. Deus está efetivamente acima de tudo e merece a assunção do compromisso estável por toda uma vida, com que não se compadece a cultura do provisório, cada vez mais instalada. Assim, Francisco discorreu perante aqueles seminaristas:
Para superar esse desafio e para ajudar-vos a fazer uma autêntica promessa a Deus, é vital durante estes anos de seminário alimentar a vossa vida interior, aprendendo a fechar a porta da vossa cela interior a partir de dentro. Desse modo, o vosso serviço a Deus e à Igreja resultará reforçado e encontrareis aquela paz e felicidade que somente Jesus pode dar”.
Com a mira naquela paz e felicidade que só Jesus pode dar, mais facilmente se passará à segunda vertente do mandamento, o amor ao próximo. Com efeito, continuou o Pontífice, “não somos testemunhas de Cristo para o bem de nós mesmos, mas para os outros, em constante serviço”. Assim, “nós buscamos oferecer este serviço não por um simples sentimento, mas por obediência ao Senhor, que se ajoelha para lavar os pés dos discípulos”. E, apontando para o cariz comunitário do discipulado em que se cultiva o amor ao próximo, vincou:
Nem mesmo o nosso discipulado missionário pode ser vivido no isolamento, mas sempre na colaboração com outros sacerdotes, religiosos e leigos, homens e mulheres”.
Sabendo que muitas vezes é difícil amar o próximo, nem por isso estamos dispensados do cumprimento deste preceito. Diz o Papa:
Às vezes é difícil amar o próximo, e é por isso que, a fim de que o nosso ministério seja eficaz, temos constantemente necessidade de ‘permanecer centrados, firmes, em Deus que ama e dá força. A partir dessa firmeza interior é possível suportar (os outros) com paciência e constância no bem’.
Por fim, apelou ao cultivo de boas amizades e relações sadias, esclarecendo:
Cultivando as amizades, as boas e sadias relações que vos ajudarão no vosso futuro ministério, estou certo de que reconhecereis os vossos verdadeiros amigos, que não são simplesmente aqueles que concordam convosco, mas são dons do Senhor para ajudar-nos a caminhar rumo àquilo que é justo, nobre e bom”.
E concluiu oferecendo-lhes estes pensamentos de encorajamento ao amor fiel daqueles seminaristas a Deus e ao serviço humilde aos irmãos e às irmãs.
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E o apelo à busca de Deus e do seu Reino é dirigido pelo Papa aos jovens cubanos, na linha do amor a Jesus e à pátria.

Numa videomensagem aos jovens cubanos por ocasião do Encontro dos responsáveis pela Pastoral juvenil local, exorta: “Bons patriotas, amai a vossa terra, amai a vossa pátria”.

O predito evento realiza-se na Casa Sacerdotal de Havana, a capital cubana, e é organizado pela Comissão nacional da Pastoral juvenil, presidida por Dom Alvaro Julio Beyra Luarca, Bispo de Bayamo y Manzanillo.
O Pontífice encoraja os jovens cubanos a apaixonarem-se por Jesus e a terem um empenho sempre mais concreto ao serviço da Igreja “nesta Cuba concreta de hoje, sem medo de ouvir o chamamento de Deus nas situações que se apresentam todos os dias”.
Por outro lado, convida a juventude cubana a ser generosa e abrir seu coração ao Senhor, congraçando cabalmente esta generosidade e abertura de coração com o patriotismo e o amor à terra, à pátria.
Francisco faz votos para que os esforços dos jovens não sejam somente em vista da próxima Jornada Mundial da Juventude no Panamá e a da Jornada local, em Santiago, mas que possam ir além, que esta seja uma oportunidade para aprofundar os processos de fé e que possam também continuar a construir a Igreja cubana de hoje e de amanhã, a Pátria cubana de hoje e de amanhã, conscientes de que não estão sós.
E o Papa conclui encorajando-os e convidando-os a irem sempre avante, olhando para a frente, amando a sua terra, amando a Jesus – para o que implora a proteção de Nossa Senhora.
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Foram três momentos de diálogo papal, proporcionados por diferentes circunstâncias e com destinatários diferentes, mas em que o denominador comum é a busca de Deus, o seu amor e a outra face do preceito, o amor ao próximo, mesmo que tenha de se começar pelo próximo que vive na própria pátria ou mesmo que seja difícil amar o próximo e superar a cultura do provisório. Estamos a mergulhar no ser e na missão da Igreja, presente onde estão as pessoas.
Amor Christi urget nos! (2Cor 5,14).
2018.04.22 – Louro de Carvalho

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