segunda-feira, 30 de abril de 2018

Obama falará no Porto de alterações climáticas por cerca de 500 mil euros


Eu também faria isso e com um desconto, mas tenho pouca sorte, pois a mim não me convidam. Não sei se pensam que não sei falar sobre alterações climáticas ou que não sei receber nem gastar meio milhão de euros.
Confesso que não criei nenhum programa sobre o clima na modalidade de aquecimento global ou na genérica de alterações climáticas. No entanto, não ignoro o facto, as suas causas e as medidas essenciais para a minoração do problema. Quanto a não saber aceitar e gastar o meio milhão, também não sei se sei, dado que não tenho experiência nem formação financeira bastante, embora garanta que não faria a figura de um ex-ministro da Economia que ora enche as bocas do mundo, primeiro, porque não era capaz, segundo, porque não disporia de nenhum “salgado” financiamento e terceiro, porque não sei onde fica a Universidade de Columbia.  
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Segundo o que avançam alguns órgãos de comunicação social, a Advanced Leadership Foundation, fundação norte-americana que visa promover a criação de uma rede global de futuros líderes mundiais, está a organizar, para o dia 6 de julho, no Coliseu do Porto, a conferência “Climate Change Leadership Porto 2018 Summit”, dedicada ao tema das alterações climáticas. E configura um evento importante, mas aberto à participação, apenas por convite, de parceiros da iniciativa. Sabe-se que uma das intenções da organização é, durante a cimeira, lançar o “Porto Protocol”,
A fundação em referência é uma organização sem fins lucrativos com escritórios em Washington (EUA), Madrid (Espanha) e uma representação no Porto (Portugal), presidida por Adrian Bridge. E tem desenvolvido ações no âmbito da economia verde e lançado vários projetos destinados a novas gerações.
A Conferência ou Cimeira tem como objetivo central encontrar soluções práticas e testadas, umas a curto, outras a longo prazo, destinadas a contribuir para que o setor agrícola consiga encontrar defesas para as consequências das mudanças climáticas. É, pois, um objetivo muito centrado nas alterações climatéricas, até pelo seu impacto na evolução das sociedades.
Os organizadores consideram indispensável lançar esta discussão, desde logo pelas consequências para a economia e as estruturas de produção, com particular incidência na agricultura. Há efetivamente, neste momento, uma grande preocupação no setor agrícola, desde logo porque as mudanças de clima estão a desencadear alterações significativas nas temperaturas médias, na precipitação ou a provocar episódios cada vez mais recorrentes de extremos climáticos.
Expresso apurou que a organização da Cimeira vai custar cerca de um milhão de euros, sendo que metade do orçamento será para pagar a Barack Obama, que estará no Porto apenas durante algumas horas, para participar na Conferência, não devendo dar entrevistas.
Na verdade, o ex-Presidente norte-americano é o convidado como principal orador ou será, como querem alguns, a estrela desta cimeira sobre o clima e já tem a presença confirmada. Porém, Barack Obama não será o único laureado com o Prémio Nobel da Paz do painel. A Mohan Munasinghe vai também marcar presença na cimeira para alertar para o impacto que as alterações climatéricas podem ter na evolução das nossas sociedades. E está ainda prevista a presença e a participação da política búlgara Irina Bokova, antiga diretora-geral da UNESCO, e do presidente da Advanced Leadership Foundation, Juan Verde.
As alterações do clima foram, durante a presidência de Obama, um dos temas que decidiu combater, tendo mesmo declarado, durante a U.N. Climate Change Summit, que “há uma questão que definirá os contornos deste século de forma mais dramática do que qualquer outra, e essa é a ameaça urgente e crescente de um clima em mudança”.
Nos Estados Unidos e mediaticamente no resto do mundo, Barack Obama ficou conhecido pelos seus esforços na área das alterações climáticas. Apesar de nem tudo ter sido positivo, assinou o acordo político histórico de 2015, que a Administração de Trump contestou pouco depois de ter iniciado funções. Já em 2017, antes de sair da Casa Branca, Obama anunciou a transferência de uns segundos 500 milhões de dólares para o Fundo Climático Verde, criado pela ONU para apoiar os países mais vulneráveis às mudanças no clima. Os EUA comprometeram-se a transferir um total de três mil milhões, estando agora as restantes parcelas nas mãos de Trump.
Agora, o 44.º Presidente dos EUA deverá alertar para os impactos e desafios suscitados pelas mudanças climáticas na agricultura, poiso evento tem um objetivo centrado no problema agrícola.
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Entretanto, em Setembro de 2017, Obama foi alvo de muitas críticas depois de se ter tornado público que receberia 1,2 milhões de dólares (quase 990 mil euros) por três discursos para grandes empresas cotadas na bolsa norte-americana.
Também os ganhos de Bill Clinton, outro ex-Presidente dos EUA, com conferências já deram que falar. O antigo Chefe de Estado americano terá amealhado cerca de 100 milhões de dólares (mais de 82 milhões de euros) com a participação em conferências entre 2001 e 2014, de acordo com dados divulgados pela revista “Forbes” em Outubro de 2015.
Em 2001, Clinton terá cobrado 125 mil dólares (cerca de 103 mil euros) pela primeira palestra que deu, após ter deixado a Casa Branca, num evento organizado pela Morgan Stanley em Nova Iorque. Mas esse valor depressa disparou para os 225 mil dólares (cerca de 185 mil euros). O ex-Presidente chegou a cobrar 500 mil dólares (mais de 400 mil euros) por conferência.
Segundo alguns observadores, o cheque que Barack Obama vai receber pela conferência no Porto até se pode considerar uma “pechincha”, à luz da atualização da inflação. Será de perguntar se a inflação atualizada também atingiu quem paga ou se quem paga são pessoas da classe média que os programas governativos neoliberais quiseram arruinar.
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Anote-se que Portugal financiou, no ano passado, projetos para enfrentar as alterações climáticas nos países de língua portuguesa avaliados em 1,5 milhões de euros, devendo direcionar mais 500 mil euros até final do ano, segundo referiu o Ministério do Ambiente.
Moçambique é o país com o valor mais elevado, pouco mais de um milhão de euros, seguindo-se-lhe São Tomé e Príncipe, com 318,4 mil euros, montante semelhante ao atribuído a Cabo Verde, 316,3 mil euros, como especificou o Ministério liderado por João Matos Fernandes.
Para Timor foram direcionados 223,1 mil euros, para a Guiné cerca de 100 mil euros e para Angola 64,6 mil euros. Em resposta a questões da agência Lusa, o Ministério apontou que, “em 2017, já foram executados cerca de 1,5 milhões de euros e prevê-se que ainda se apliquem mais 500 mil euros até final do ano”.
Os projetos financiados são principalmente das áreas da água, biodiversidade, mobilidade urbana e resíduos. Os países desenvolvidos comprometeram-se a ajudar os menos desenvolvidos a concretizar projetos com vista a reduzir as emissões de gases com efeito de estufa e à adaptação aos efeitos das alterações climáticas, tanto através de financiamento como de transferência de tecnologias.
No caso de Portugal, o compromisso é alocar 10 milhões de euros até 2020 para os países de língua portuguesa, com exceção do Brasil, ou seja, os africanos Angola, Cabo Verde, Guiné, Moçambique e São Tomé, assim como Timor. Aquele montante é atribuído através do Fundo Ambiental e divide-se em cerca de 2,5 milhões de euros por ano.
Tendo em conta as metas definidas no Acordo de Paris sobre redução de emissões de gases com efeito de estufa, firmado em dezembro de 2015 e que entrou em vigor em novembro de 2016, e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, o pilar da política de cooperação portuguesa em matéria de ambiente são as alterações climáticas, como explicou o Ministério do Ambiente.
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São beneméritos, democratas, experientes, mas cobram a preço de ouro os atos de democracia, benemerência e experienciais que praticam ou de que dão testemunho. E ainda nos querem enganar dizendo que um cheque de cerca de meio milhão pode ser considerado uma pechincha, dada a atualização da inflação.
Por mim, não me queixo. A inflação não se atualizou e o meu ordenado ou pensão não é uma pechincha. Vale bem mais, porque preciso dele e parece que não sei gastar 500 mil euros. Mas, se Obama quiser discutir comigo questões climáticas, até estarei disponível e não invejo a sua remuneração. Graças a Deus, nenhum português me deu um cão nem me elegeu Presidente da América. É que para tratar do cão ou para ser Presidente da América não estou disponível: poderia a inflação atualizar-se… E, já agora, não quero ser futuro líder mundial!
2018.04.30 – Louro de Carvalho  

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