A poucos instantes
do Natal – cuja Vigília será celebrada na Basílica de São Pedro e em muitos
templos do mundo – o Papa comentou a narração de Lucas (Lc 1,26-38) em que o anjo saúda Maria como a Cheia de Graça, lhe
pede alegria, e não temor, e lhe anuncia que vai conceber, por graça do Espírito
Santo, o Filho do Altíssimo, o Santo de Deus.
Francisco, analisando
a resposta de Maria, frisa que Ela “não se exalta diante da perspetiva de se
tornar a mãe do Messias”, mas disponibilizou-se
como serva do Senhor a crer na Sua Palavra e a ser-lhe obediente.
Direcionando o discurso para os fiéis que participaram da oração do Angelus,
na Praça São Pedro, o Papa sublinhou
que, “para acolher o projeto de Deus, como fez Maria, é preciso
humildade e generosidade, a mesma atitude de seu Filho quando veio ao mundo”.
A resposta
de Maria, depois de o anjo a esclarecer sobre a sua dúvida existencial (“Como pode
ser isso, se eu não conheço varão?”),
compendia-se numa “frase breve,
que não fala de glória, de privilégio, mas somente de disponibilidade e serviço”.
Maria, em vez de se exaltar, como seria humanamente entendível, “diante da
perspetiva de se tornar a mãe do Messias”, permanece exemplarmente “modesta e
expressa a sua adesão ao projeto do Senhor”. Não se vangloriando, mantém a
postura de humildade e modéstia, “como sempre”.
Como ressaltou
o Papa, “este comportamento faz-nos entender que Maria é realmente humilde e
não tenta mostrar-se; reconhece que é pequena diante de Deus e feliz por ser
assim”. Todavia, é de registar que da “sua resposta depende a realização do
projeto de Deus”. E Ela sabe-o e, por isso, diz “SIM” com prontidão.
“Maria – no dizer
do Papa – revela-se a colaboradora perfeita do projeto de Deus” e, com o Magnificat, proclama que Deus
exaltou os humildes e que a sua misericórdia se manifesta de geração em
geração. Por isso, nós cantaremos eternamente com o salmista as misericórdias
do Senhor (Sl 89); e, como diz Francisco, “admiramos
a nossa Mãe pela sua resposta ao chamamento e à missão de Deus” e pedimos-Lhe que
nos ajude a cada um de nós “a acolher o projeto de Deus em nossas vidas com
sincera humildade e corajosa generosidade”.
***
Por seu
turno, o padre passionista Laureano Alves, na Missa do IV domingo do Advento, comentando,
o “sim” e a disponibilidade de Maria, dizia que o “sim” é do instante, mas a
disponibilidade é de toda a vida. Por isso, quem abre a porta da celebração do
Natal tem de estar, como Maria, sempre disponível para Deus e para os irmãos. E,
frisando que o Natal é a festa universal, salientou que não temos o direito de
celebrar o Natal com tranquilidade enquanto as pessoas fogem da fome e da
guerra e, em vez do acolhimento, encontram a marginalização por parte dos povos
ou a morte nas águas mediterrânicas; não temos o direito de celebrar o Natal
sem peso na consciência com os pobres na rua, os idosos abandonados, os
explorados ignorados e os descartados reduzidos à insignificância ou os
desalojados pelas tempestades, como está a suceder nas Filipinas.
Mas o
Natal tem de ser celebrado, o Natal do Senhor veio para ficar. Então,
celebramos o Natal, mas com o propósito da preocupação pelos outros, com a
abertura à partilha, fazendo todos os esforços para que todos tenham Natal com
um lugar à mesa, e não perdidos na rua do frio e da intempérie, no banco do
jardim, nas esquinas das casas ou dos muros ou debaixo das pontes. E quem está
no leito da sua habitação, na cama do hospital ou na cela da casa de reclusão que
tenha o conforto do acompanhamento a cortesia duma visita amiga.
***
Vem aí a
noite de Natal. E o cântico seguinte evoca a felicidade de termos Deus connosco,
o Deus que nasce pobre e com as necessidades dos homens – dependência, fome,
sede, frio e nudez. Mas é o Deus de amor e de coração amável, o Deus da Paz que
Se faz irmão para nos salvar. É o Deus que os anjos cantam e anunciam e que os
pastores se apressam a adorar. É o Deus encarnado que vai a caminho da cruz da
redenção.
Noite feliz, noite
feliz!
O Senhor, Deus de Amor!
Pobrezinho nasceu em
Belém
Eis na lapa Jesus nosso
bem
Dorme em paz ó Jesus.
Noite feliz, noite feliz!
Ó Jesus, Deus de Luz
Quão amável é teu
coração
Que quiseste nascer
nosso irmão
E a nós todos salvar.
Noite feliz, noite
feliz
Eis que no ar vêm
cantar
Aos pastores os anjos
dos Céus
Anunciando a chegada de
Deus
De Jesus Salvador.
Deus Fez-Se
um de nós, habita entre nós, não quer estar refugiado no baluarte do templo ou
no armário da sacristia, mas habitar na nossa tenda como companheiro; quer habitar
no nosso coração acolhedor, quer saltar no cruzamento da vida da comunidade. É efetivamente
o Deus connosco e não o Deus distante.
Não é o
Deus que se compraz em vigiar-nos, mas o Deus próximo, amigo, companheiro,
confraternizador, enfim, o Deus que nos interessa e que Se interessa por nós a ponto
de dar a vida por nós para nos fazer um com Ele. É um tesouro que nos veio por Maria.
Ei-Lo
que vem. Ei-Lo que chegou e está entre nós!
É o
Natal do Senhor para ser o Natal do homem, mas não pode ser o Natal do homem
sem ser o Natal do Senhor!
Por isso,
cantaremos:
Ergue os teus olhos, a luz surgiu: hoje nasceu o nosso
Deus.
Dias de paz amanheceram: Hoje nasceu o nosso Deus.
Dias de paz amanheceram: Hoje nasceu o nosso Deus.
A terra foi dividida com justiça
e cada mão recebeu o pão igual.
– Eis o sinal do nosso Deus. Eis o sinal do nosso Deus.
e cada mão recebeu o pão igual.
– Eis o sinal do nosso Deus. Eis o sinal do nosso Deus.
Hoje caíram as grades das prisões
e não ouvimos os gritos das torturas.
– Eis o sinal do nosso Deus. Eis o sinal do nosso Deus.
e não ouvimos os gritos das torturas.
– Eis o sinal do nosso Deus. Eis o sinal do nosso Deus.
A voz do povo foi livre na cidade;
em cada homem o homem s’ encontrou.
– Eis o sinal do nosso Deus. Eis o sinal do nosso Deus.
em cada homem o homem s’ encontrou.
– Eis o sinal do nosso Deus. Eis o sinal do nosso Deus.
(Letra
e melodia de Ferreira dos Santos)
2017.12.24 –
Louro de Carvalho
Sem comentários:
Enviar um comentário