quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Ditados antigos, que já não são o que eram


A esperança e a sogra são os entes mais teimosos.
A minha galinha não consegue ser melhor do que a da vizinha.
A quem não sabe conduzir até o volante estorva.
Água e azeite bem podem misturar-se se for hábil o mexilhão.
Água mole empedra dura deixa-a sempre bem molhada.
Alegria de pobre sabe a oco.
Antes quero cavalo que me derrube que asno muito velho e cansado.
Antes tarde do que muito cedo.
Ao fundo nem todos os santos ajudam a travar.
Bela sem senão existe no hiperurânio.
Branco é; galinha o come se tiver fome, mas não canta.
Cabra manca tem sesta mais depressa.
Cão que ladra pode morder.
Carro a álcool anda bem domingo à tarde.
Depois da tempestade, vem o trabalho de limpeza.
Devagar nunca se enerva um homem.
Devo, não pago: que não durmam os credores.
É dando que se perde.
Em casa de ferreiro só há limalha e não ferrugem.
Em terra de cego quem tem um olho vê por ele.
Enquanto um burro fala, os outros riem do que ele diz.
Fia-te na Virgem, mas corre.
Forte e unidos podem ser vencidos por outros fortes e unidos.
Gato escaldado pode morrer queimado.
Há males que vêm sós.
Já cá não está quem cantou: teve de fugir.
Lebre que se deixou substituir por gato na venda será comida a seu tempo.
Médico doente pode curar os outros, mas não a si.
Mel em excesso pode sair bem amargo.
Muito acerta quem faz muitas contas, se não se enganar.
Nunca se deve dizer nunca a quem não acredita no sucesso do outro.
O homem é o lobo do homem se negar a fraternidade.
O que é doce às vezes amarga.
Os primeiros têm medo de virem a ser os últimos.
Os últimos serão os que ficam no fim da tabela.
Ovelha que berra mostra que tem boas goelas.
Pau que nasce torto nunca acerta direito no sítio certo.
Pobres sempre os teremos, pois dão jeito a quem pretende fazer o bem.
Porque a águia não caça moscas, sujeita-se a passar fome.
Quando as galinhas tiverem dentes, andará o mundo ao contrário.
Quando um desdentado mente, nenhum dente lhe cai.
Quando um não quer, o outro insta com ele.
Quanto mais um homem se baixa, mais perto fica do solo.
Quem cedo madruga tem que se pôr bem disposto.
Quem com ferros mata está na Idade dos Metais.
Quem dá aos pobres prepara-se para dar aos ricos.
Quem espera enerva-se ao ver passar o tempo.
Quem está na lama deve manter-se bem caladinho.
Quem não tem carro não se bota a taxista.
Quem ri por último vem atrasado.
Quem sai aos seus degenera como eles.
Quem tem boca boceja e vai a Roma, se tiver dinheiro.
Quem vai ao ar voltará ao seu lugar.
Rindo, já não se castigam os costumes: já estão demasiado encasulados.
Se Maomé não vai à montanha, a montanha espera.
Sol e chuva não se dão bem.
Sol na eira e chuva no nabal: tudo é possível se a distância for grande ou se a chuva for artificial.
Tarde é o que vem à noite depois da ceia.
Três coisas absurdas: enfermeiro adoecer, médico morrer e padre ir para o inferno.
Um professor enquanto dorme não ensina.
Voa mais alto quem tiver mais perna e asa.
Xarope doce pode não saber a doce: depende de quem o tome.
Zumbido de abelha incomoda menos que língua fofoqueira.
***
Por fim, diferença entre o burro e o homem:
1.º Cenário – a diferença é a albarda: coloca-se o burro, a albarda por cima e, ainda por cima, o homem.
2.º Cenário – sem albarda: a diferença é nula se o homem montar em pelo.
3.º Cenário – em relação à água: o burro bebe, bebe, bebe.... o homem nada.
4.º Cenário – em relação ao vinho: o homem bebe, bebe, bebe... o burro aguenta as pauladas e os alvores do homem.
***
Enfim, um pouco mais de humanidade fará bem a saúde de todos.
2019.09.18 – Louro de Carvalho

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