terça-feira, 4 de outubro de 2016

O diálogo ecuménico e inter-religioso da visita papal ao Cáucaso

O momento típico da abordagem ecuménica aconteceu no encontro do Papa Francisco com Elias II, Cathólicos e Patriarca de toda a Geórgia, no Palácio Patriarcal de Tbilissi, a 30 de setembro. Mas foi aflorado o ecumenismo noutras ocasiões, como se verá. O do diálogo inter-religioso foi, sobretudo, no encontro havido na Mesquita Heydar Aliyev, a 2 de outubro.
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No Palácio Patriarcal, Francisco emocionou-se ao ouvir a Ave-Maria”, pessoalmente composta pelo Patriarca e exclamou que “só dum coração que tanto ama a Santa Mãe de Deus, coração de filho e de criança, pode sair uma coisa tão bela”. Depois evocou a visita histórica de Elias II ao Vaticano, a primeira dum Patriarca georgiano, em junho de 1980, como que a constituir a inauguração de página nova nas relações entre a Igreja Ortodoxa da Geórgia e a Igreja Católica, tornando possível “revigorar os laços de grande significado que existem entre nós desde os primeiros séculos do cristianismo”. São laços que se incrementaram “mantendo-se respeitosos e cordiais” de que são testemunho: a receção calorosa aos enviados e representantes da Santa Sé; as atividades de estudo e pesquisa nos Arquivos do Vaticano e Universidades Pontifícias por fiéis ortodoxos georgianos; a presença em Roma duma comunidade ortodoxa georgiana alojada numa igreja da diocese do Papa; e a colaboração, sobretudo cultural, dessa comunidade com a comunidade romana católica.
Francisco apresenta-se como peregrino e amigo no contexto do ponto alto, para os católicos, do Ano Jubilar da Misericórdia – situação similar à de João Paulo II que visitou o país, em novembro de 1999 no limiar do Jubileu do ano 2000, o que reforçou os “vínculos profundos e fortes” com a Sé de Roma e acentuou “a grande necessidade que havia, no limiar do terceiro milénio, do contributo da Geórgia, esta antiga encruzilhada de culturas e tradições, para a edificação (…) duma civilização do amor”.
Providencialmente, este encontro realiza-se ante “um mundo sedento de misericórdia, unidade e paz” a exigir que “os vínculos entre nós recebam novo impulso, renovado ardor, de que o ósculo da paz e o nosso abraço fraterno constituem sinal eloquente”. Assim, “a Igreja Ortodoxa da Geórgia, enraizada na pregação apostólica”, especialmente do apóstolo André, e a Igreja de Roma, fundada sobre o martírio do apóstolo Pedro, têm a graça de renovar, “em nome de Cristo e da sua glória, a beleza da fraternidade apostólica”. E o Papa recorda que Pedro e André eram irmãos, que Jesus convidou a deixar as redes e a tornar-se pescadores de homens (cf Mc 1,16-17). Assim, é necessário “pôr de lado tudo o que nos impede de ser, juntos, anunciadores da sua presença” – para o que temos “o apoio do amor que transformou a vida dos Apóstolos”:
“Aquele amor sem igual que o Senhor encarnou – ‘ninguém tem mais amor do que quem dá a vida pelos seus amigos’ (Jo 15,13) – e no-lo deu, para nos amarmos uns aos outros como Ele nos amou (cf Jo 15,12)”.
Depois de se apoiar no amor encarnado e redentor de Cristo, que devemos assumir como Ele, Francisco estriba-se nas palavras do poeta georgiano S. Rustaveli, em O Cavaleiro na pele de tigre, para prosseguir nas vantagens do amor, que o povo da Geórgia apreendeu:
“A propósito, parecem dirigidas a nós algumas das famosas palavras do grande poeta desta terra: ‘Leste como os apóstolos escrevem acerca do amor, como o descrevem, como o louvam? Conhece-o, fixa a tua mente naquelas palavras. É que o amor eleva-nos’. Verdadeiramente o amor do Senhor eleva-nos, porque nos permite subir acima das incompreensões do passado, dos cálculos do presente e dos medos do futuro.”.
Crê o Papa que, “no amor”, se encontra “a razão de ser imortal a beleza do vosso património cultural, que se expressa em múltiplas formas, como a música, a pintura, a arquitetura e a dança” – sobretudo compondo hinos sacros, alguns mesmo em língua latina e particularmente estimados pela tradição católica, que enriquecem o tesouro georgiano de fé e cultura.
Evocando a evangelização da nação entroncada em Santa Nino, Francisco sustenta que, para o Evangelho dar fruto também hoje, é-nos pedido “que permaneçamos cada vez mais firmes no Senhor e unidos entre nós, colocando o Evangelho acima de tudo, evangelizando como e mais que no passado, “livres das amarras dos preconceitos e abertos à perene novidade de Deus”, fazendo das dificuldades não impedimentos, mas estímulos para melhor conhecimento, partilha da seiva vital da fé, intensificação da oração recíproca e colaboração na caridade apostólica e no testemunho comum, para glória de Deus e serviço da paz. É no caráter positivo da fé e da comemoração dos valores mais queridos do povo, brindada com o fruto da videira, que os georgianos, à volta da própria mesa, imploram “a paz para todos, lembrando até os inimigos”.
Na verdade, “com a paz e o perdão, somos chamados a vencer os nossos verdadeiros inimigos, que não são de carne e sangue, mas os espíritos do mal fora e dentro de nós (cf Ef 6,12).
Depois, lembrou o exemplo dos heróis que deram a vida pelo Evangelho, sobretudo os mártires, para implorar a sua intercessão para o alívio “a tantos cristãos que ainda hoje, no mundo, sofrem perseguições e ultrajes” e o reforço, em nós, do “desejo bom de vivermos fraternalmente unidos para anunciar o Evangelho da paz”.
E, a seguir à troca de dons, o Papa agradecendo, pede que Deus abençoe o Patriarca e a Igreja Ortodoxa da Geórgia, de modo que ela prossiga pelo caminho da liberdade.
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No final da Missa no Estádio M. Meskhi, a 1 de outubro, o Papa agradeceu a todos, mas, em especial, aos amigos da Igreja Apostólica Arménia e das confissões cristãs ali reunidos, particularmente aos fiéis da Igreja Ortodoxa Georgiana presentes.
No encontro com os sacerdotes, religiosos, religiosas, seminaristas e demais agentes da pastoral, na Igreja da Assunção de Tbilisi, também a 1 de outubro, o Papa respondeu à questão, “Que devo fazer eu com um amigo, um vizinho, uma pessoa ortodoxa?”, deste modo: “Ser franco, ser amigo”, nunca litigando, e deixando que “os teólogos estudem os assuntos abstratos da teologia”. E, em resposta à questão, “Devo pressionar para o converter?”, alertou para o grave pecado contra o ecumenismo – o proselitismo – assegurando:
“Nunca se deve fazer proselitismo com os ortodoxos. São nossos irmãos e irmãs, discípulos de Jesus Cristo. Devido a situações históricas muito complexas, chegamos à situação em que estamos. Tanto eles como nós acreditamos no Pai, no Filho e no Espírito Santo, acreditamos na Santa Mãe de Deus.”
E que fazer? A resposta passa por não condenar, por construir amizade para a caminhada em conjunto, rezar uns pelos outros, praticar obras de caridade conjuntas, quando for possível, e nunca deixar de saudar uma pessoa, por ser ortodoxa.
Na saudação que fez aos presentes no quadro da visita à catedral patriarcal Svetitskhoveli, Mtskheta, ainda a 1 de outubro, glosou a imagem da túnica, que ali representa “a proximidade terna e compassiva do Senhor”. O mistério da túnica, ‘tecida de uma só peça de alto a baixo, sem costuras’ (Jo 19,23), “atraiu a atenção dos cristãos desde o início. Cipriano de Cartago, disse que, na túnica indivisa, se evidencia o ‘vínculo de concórdia que une inseparavelmente’, aquela ‘unidade que vem do Alto, e que não devia de modo algum ser dilacerada’. Ora a túnica de Cristo exorta-nos a sentir grande amargura pelas divisões consumadas entre os cristãos ao longo da história, “verdadeiras e concretas lacerações infligidas na carne do Senhor”. Por outro lado, o amor de Cristo que nos reuniu dando-nos o seu vestido e o seu próprio corpo, impele-nos a não nos resignarmos mas, seguindo o seu exemplo, a oferecer-nos a nós mesmos (cf Rm 12,1):
“Estimulam-nos a uma caridade sincera e à mútua compreensão, a recompor as lacerações, animados por um espírito de clara fraternidade cristã. Tudo isto requer certamente um caminho paciente, que deve ser construído com confiança no outro e humildade, sem medo nem desânimo, mas na jubilosa certeza que nos dá a provar a esperança cristã.”.
É a esperança cristã que nos incita a crer que “as contraposições podem ser sanadas e os obstáculos removidos,” pelo que não podemos renunciar às “ocasiões de encontro e diálogo e à salvaguarda e melhoria conjunta de quanto já existe”. E o Papa apontou o exemplo do diálogo em curso na Comissão Mista Internacional e noutras profícuas ocasiões de intercâmbio. Ademais, Cipriano afirmava que a túnica inconsútil de Cristo indica a concórdia indivisível do nosso povo, entre nós que fomos revestidos de Cristo”, já que todos os batizados foram revestidos de Cristo (cf Gl 3,27). Por isso, para lá dos limites e distinções históricas e culturais, somos chamados a ser “um só em Cristo Jesus” (Gl 3,28), não evidenciando as discórdias e divisões, dado que “é muito mais o que nos une do que aquilo que nos divide”. Nestes termos, o Papa solicita a “intercessão dos Santos Irmãos e Apóstolos Pedro e André, dos Mártires e de todos os Santos”, para o aumento do “amor entre os crentes em Cristo” e a busca luminosa de quanto nos aproxime, reconcilie e una, pela crescente fraternidade e colaboração a todos os níveis, pela oração e amor que nos levem a acolher cada vez mais o intenso desejo do Senhor de que todos os que creem n’Ele, pela palavra dos Apóstolos, sejam ‘um só’ (cf Jo 17,20-21).
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Do encontro inter-religioso com o chefe dos muçulmanos do Cáucaso e com os representantes das demais comunidades religiosas do país (Igreja Ortodoxa Russa e das Comunidades Judaicas), na Mesquita Heydar Aliyev, em Baku, a 2 de outubro, salienta-se o discurso papal.
Francisco salienta o cariz do encontro, em fraterna amizade naquele lugar de oração como um sinal da “harmonia que as religiões, em conjunto, podem construir, a partir das relações pessoais e da boa vontade dos responsáveis”. E citou exemplos da harmonia concorde nas relações entre as comunidades religiosas do país – muçulmana, ortodoxa, judaica e católica – de que beneficia o país, “que se distingue pelo acolhimento e hospitalidade”, bem como pelo desejo de guarda do património das religiões e procura duma abertura maior e frutuosa. Mesmo o minoritário catolicismo encontra lugar e harmonia entre outras religiões mais numerosas, o que mostra que não é a contraposição, mas a colaboração que leva a construir sociedades melhores e pacíficas”.
Depois, o Papa reconhece que este ajuntamento está na linha e continuidade dos numerosos encontros que se realizam em Baku para promover o diálogo e a multiculturalidade. E, “ao abrir as portas ao acolhimento e integração, abrem-se as portas do coração de cada um e as da esperança para todos”. Por isso, o Bispo de Roma espera que este país, “porta entre o Oriente e o Ocidente”, como dizia João Paulo II, “cultive sempre a sua vocação de abertura e encontro, condições indispensáveis para construir sólidas pontes de paz e um futuro digno do ser humano”. Obviamente, “fraternidade e a partilha”, não sendo apreciadas pelos que tentam “salientar divisões, reacender tensões e enriquecer à custa de conflitos e contrastes”, são “imploradas e esperadas por quem anela o bem comum”; e Deus, misericordioso e compassivo, quer os filhos e filhas da família humana unidos e em diálogo entre si”. Diz o Papa:
“Abrir-se aos outros não empobrece, mas enriquece, porque nos ajuda a ser mais humanos: a reconhecer-se parte ativa dum todo maior e a interpretar a vida como um dom para os outros; a ter como alvo não os próprios interesses, mas o bem da humanidade; a agir sem idealismos nem intervencionismos, sem realizar interferências prejudiciais nem ações forçadas, mas sempre no respeito das dinâmicas históricas, das culturas e das tradições religiosas”.
Depois, assegurou que “as religiões têm uma grande tarefa: acompanhar os homens em busca do sentido da vida, ajudando-os a compreender que as limitadas capacidades do ser humano e os bens deste mundo nunca se devem tornar absolutos”, porque “o centro do homem está fora dele e nós “tendemos para o Outro infinito” e “que está próximo de nós”. Por isso, “o homem é chamado a encaminhar a vida rumo ao amor mais sublime e mais concreto”, que “não pode deixar de estar no cume de toda a aspiração autenticamente religiosa”. Por aqui se vê como a religião é “uma necessidade para o ser humano realizar o seu fim, a bússola que o orienta para o bem e o afasta do mal – que jaz deitado à porta do seu coração – e desempenha uma verdadeira tarefa educativa: “ajudar a tirar fora do homem o seu melhor”. Ora, os seus guias têm a grande responsabilidade de “dar respostas autênticas à busca do homem, frequentemente perdido nos paradoxos vertiginosos” dum tempo em que “avança o niilismo dos que não acreditam em nada a não ser nos próprios interesses, benefícios e lucros, dos que jogam fora a vida acomodando-se ao ditado se Deus não existe, tudo é permitido”, e “emergem cada vez mais as reações rígidas e fundamentalistas” de quem pretende “impor atitudes extremas e radicalizadas, as mais distantes do Deus vivo”. Também, neste aspeto, as religiões têm papel relevante: ajudar “a discernir o bem e a pô-lo em prática com as obras, a oração e o esforço do trabalho interior”, construindo “a cultura do encontro e da paz, feita de paciência, compreensão, passos humildes e concretos”, ao serviço da sociedade humana, a qual, por sua vez, “está sempre obrigada a vencer a tentação de se servir do fator religioso”, pois, nunca as religiões devem “ser instrumentalizadas e nunca se podem prestar a apoiar conflitos e confrontos”. E, para ilustrar a relação entre a sociedade e as religiões, o Pontífice socorre-se da imagem das plurisseculares “janelas artísticas” da região, “feitas apenas de madeira e vidros coloridos”. Com efeito, na sua confecção, “não se usam colas nem pregos, mas são mantidos juntos a madeira e o vidro encaixando-os entre si um trabalho longo e cuidadoso”, de modo que “a madeira sustenta o vidro e o vidro faz entrar a luz”. Diz o Papa:
“É dever de cada sociedade civil sustentar a religião, que permite a entrada duma luz indispensável para viver: para isso é necessário garantir-lhe uma efetiva e autêntica liberdade. Assim não se devem usar as ‘colas’ artificiais que forçam o ser humano a crer, impondo-lhe um determinado credo e privando-o da liberdade de escolha; nem devem entrar nas religiões os «pregos» externos dos interesses mundanos, das ambições de poder e dinheiro. Porque Deus não pode ser invocado para interesses de parte nem para fins egoístas; não pode justificar qualquer forma de fundamentalismo, imperialismo ou colonialismo.”.
Por isso, em nome da paz e do desígnio divino das religiões, Francisco “levanta o grito angustiado: Nunca mais violência em nome de Deus! Que o seu santo nome seja adorado, e não profanado nem mercantilizado por ódios e conflitos humanos.” Ao invés, honra à providente misericórdia divina para connosco com a oração assídua e o diálogo concreto! Oração e diálogo estão profundamente relacionados entre si: “partem da abertura do coração e tendem para o bem dos outros, enriquecendo-se e reforçando-se mutuamente”. Citando a Declaração Nostra Aetate, do Concílio Vaticano II, evidencia a posição da Igreja Católica sobre o tema, que:
“Exorta os seus filhos a que, com prudência e caridade, pelo diálogo e colaboração com os seguidores doutras religiões, dando testemunho da vida e fé cristãs, reconheçam, conservem e promovam os bens espirituais e morais e os valores socioculturais que entre eles se encontram” (NA 2).
Não se propõe sincretismo conciliador nem abertura diplomática para evitar problemas (EG 251).
Propõe-se, antes, o diálogo com os outros e a oração por todos. Eis os meios “para mudar as lanças em foices (cf Is 2,4), fazer surgir o amor onde há ódio e perdão onde há ofensa, para não nos cansarmos de implorar e percorrer caminhos de paz”:
“Uma paz verdadeira, fundada sobre o respeito mútuo, o encontro e a partilha, sobre a vontade de ultrapassar os preconceitos e as injustiças do passado, sobre a renúncia à duplicidade e aos interesses de parte; uma paz duradoura, animada pela coragem de superar as barreiras, de debelar a pobreza e as injustiças, de denunciar e deter a proliferação de armas e os ganhos iníquos obtidos à custa da pele dos outros”.
Segundo o Papa, “a voz de demasiado sangue clama a Deus a partir do solo da Terra, nossa casa comum” (cf Gn 4,10), num tempo em que “somos desafiados a responder sem mais adiamentos, a construir juntos um futuro de paz: não é tempo de soluções violentas e bruscas, mas o momento urgente de empreender processos pacientes de reconciliação”. De facto, a verdadeira questão não é “como promover os nossos interesses”, mas “que perspetiva de vida oferecer às gerações futuras, como deixar um mundo melhor do que aquele que recebemos”.
Finalmente, o Papa augura que “as riquezas inestimáveis destes países sejam conhecidas e valorizadas”, pois “os tesouros antigos e sempre novos de sabedoria, cultura e religiosidade dos povos do Cáucaso são um grande recurso para o futuro da região e, em particular, para a cultura europeia, bens preciosos a que não podemos renunciar”.
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Também nos encontros que teve com as Autoridades, a Sociedade Civil e o Corpo Diplomático, em Tbilissi, e com as Autoridades, em Baku, o Papa Francisco não deixou, embora de forma sucinta, mas integrada no todo das grandes preocupações, de valorizar o papel das religiões na promoção da paz, no estabelecimento da sã convivência, pelo diálogo, baseado na oração recíproca e conjunta, na tolerância, no respeito e na tarefa educativa, pela amizade, pela cooperação e pela atenção aos mais vulneráveis, estabelecendo pontes, em nome do que une e esquecendo um pouco o que separa. As religiões poderão constituir uma referência positiva para um mundo em tensão e tantas vezes e em tantos lugares em confusão e convulsão.
Pelo diálogo ecuménico e pelo diálogo inter-religioso o esforço tem de ser sempre muito, ainda que o resultado pareça exíguo. É a paciência de Deus que o exige e espera!

2016.10.04 – Louro de Carvalho

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