quarta-feira, 7 de agosto de 2019

O que deve ter em conta o Ministro da Educação do próximo Governo


Das eleições legislativas de 6 de outubro surgirá uma Assembleia da República (AR) que terá outra composição ou composição similar da atual. Espera-se que, seja qual for a composição parlamentar e o Governo que dela dimane, se mantenha ou reforce a centralidade da AR.
É possível que se desenhe um cenário em que o próximo Governo mantenha o mesmo Ministro da Educação ou recrute novo titular para esta sempre polémica pasta (não sendo expectável que tenhamos as tentativas e hesitações governativas por que está passar a Espanha). Seja como for, há muitas questões em cima da mesa para o Ministro da Educação do próximo Governo analisar e propor ao Executivo que integrar decisões adequadas. Tiago Brandão Rodrigues ocupa a pasta durante, pelo menos, 3 meses e é uma incógnita quem lhe sucederá. Todavia, diretores escolares, associações e sindicatos de professores têm muitos assuntos e propostas para conversar com o futuro responsável. Alguns falam em pedidos ao passo que outros elencam exigências.
O ano letivo de 2019-2020 arranca entre 10 a 13 de setembro com Brandão Rodrigues, mas, pouco depois, poderá haver mudanças. As eleições legislativas acontecem a 6 de outubro e um novo Governo tomará posse a seguir. O futuro ministro terá muito trabalho pela frente. As ambições dos atores da educação são conhecidas. 
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Antes de mais, impõe-se uma retrospeção ao ano escolar transato. Foi, em termos sintéticos, um ano de desrespeito pelos professores, destacando-se a falta de investimento público na Educação, a sobrecarga de trabalho nas escolas, a burocracia e papeladas desnecessárias, a não contagem integral do tempo de serviço congelado, informações e contrainformações, as novidades da flexibilidade curricular e, por conseguinte, as críticas, protestos e reuniões.
Um ano termina, outro em preparação para arrancar em setembro dão azo ao balanço dum tempo coincidente com o último ano da legislatura. A luta pela recuperação do tempo de serviço congelado, as greves de professores e de pessoal não docente, o regime de aposentação, os horários de trabalho, a burocracia, a flexibilidade curricular, foram algumas questões a marcar o ano de 2018-2019. A ameaça de demissão do Primeiro-Ministro se a contagem dos 9 anos, 4 meses e 2 dias fosse aprovada na AR (como chegou a estar aprovada em sede de comissão parlamentar) abanou o país. Porém, Costa não caiu e o tempo reclamado pela classe docente não foi contabilizado na íntegra, ficando-se nos 2 anos, 9 meses e 18 dias.
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A FENPROF entende que os dados divulgados pela DGEEC (Direção-Geral de Estatísticas de Educação e da Ciência) no documento Educação em números – Portugal 2019 confirmam as preocupações e reforçam exigências que serão colocadas ao futuro governo. Confirmam o envelhecimento dos professores no ativo e a redução do número de alunos denunciando que, na Legislatura prestes a terminar, pouco foi feito para o rejuvenescimento do corpo docente ou para a criação de condições favoráveis à boa aprendizagem, num quadro de efetiva inclusão.
Os números referentes a 2017/18, ora divulgados, foram recentemente apontados pela OCDE que, no relatório TALIS, expressou que a idade média dos nossos docentes está 5 anos acima da idade média do conjunto de países que integram a organização. Agora, constata-se que, no final de 2018/19, a idade média é de 50 anos, com metade dos professores naquela (ou acima daquela) idade. Mas, apesar de conhecer a situação, o Governo nada fez para garantir o rejuvenescimento da profissão. A FENPROF vem exigindo medidas concretas, mas o ME e o Governo recusaram-nas sempre. Recordam-se algumas propostas: aprovação de regime de aposentação que tenha em conta o elevado desgaste e índice de exaustão dos docentes pelo exercício continuado da profissão em condições extremamente negativas (instabilidade de emprego e profissional, número de alunos por turma, falta de apoios adequados aos alunos, número de alunos, turmas e níveis por docente e todo o sobretrabalho imposto para evitar colocar nas escolas o número de docentes necessário); utilização do tempo de serviço congelado para efeitos de despenalização da aposentação de docentes que não atingiram os 66 anos e 5 meses; aplicação do regime de pré-reforma que, embora fixado em lei, o Governo impede os docentes de beneficiarem dele.
A FENPROF vem manifestando preocupação e alertando para o facto de haver escolas em que os mais “jovens” são professores que passaram os 50 anos e alunos cujos professores têm todos 60 ou mais anos. É estranho que um governo, que tanto refere uma alegada insustentabilidade da carreira docente, mantenha ao serviço milhares de docentes dos escalões de topo, muitos deles em situação de doença, quando poderia substituí-los por outros mais novos ainda nos escalões iniciais da carreira. Face à situação, a FENPROF tinha decidido abrir o ano escolar (a 2 de setembro) com a iniciativa de denúncia deste problema, acompanhando a apresentação do corpo docente dum agrupamento de escolas, indicando oportunamente qual.
Outra constatação é a quebra do número de alunos. Além das questões demográficas, que levaram ao encerramento de milhares de escolas, os níveis de precariedade e desemprego dos jovens, bem como a emigração de muitos milhares teria reflexo no número de crianças e jovens estudantes, agravando um problema que surgiu na dobra do milénio e que só conheceu alguma reversão nos anos de implementação da escolaridade obrigatória de 12 anos. Este quadro não é, por si, uma ameaça ao emprego de docentes; a ameaça poderá ser a política de futuros governos em relação aos recursos humanos disponíveis na Administração Pública e, então, os professores poderão continuar a ser vítimas. Recorda-se que, em plena quebra do número de alunos, o Governo anterior decidiu aumentar o número de alunos por turma; e o atual limitou-se a repor o número anterior e de uma forma tão mitigada que não teve impacto. Para futuro, exige-se que a quebra do número de alunos seja a oportunidade para significativa redução do número de alunos por turma, medida que, sempre que as turmas integrem alunos com necessidades educativas especiais, deverá ser mais ousada, criando condições promotoras de sucesso a todos.
Do atual Governo não se espera qualquer medida das que antes se referem, pois não seria em 2 meses que faria o que não fez em 4 anos. Mas, para o futuro governo, o rejuvenescimento do corpo docente e uma redução significativa do número de alunos por turma são, entre outras, medidas que deverão ser prioritárias na Educação. A FENPROF apresentará ao próximo Ministro, nos primeiros dias do mandato, um caderno reivindicativo. Continuará disponível para negociar, mas nunca abdicará de lutar, se os docentes continuarem a ser desrespeitados e a Escola Pública continuar a não ser devidamente valorizada. E sustenta que é “indispensável que os partidos clarifiquem, desde já, as suas posições para a próxima legislatura”. Nesse sentido, enviará perguntas aos partidos e divulgará as respostas, junto dos professores, durante o mês de setembro com vista a promover um debate durante o período da campanha eleitoral. 
A 2 de setembro, haverá uma iniciativa em defesa do rejuvenescimento da profissão docente e será lançado um abaixo-assinado para repor os principais objetivos de luta dos docentes para oano letivo de 2019-2020, mobilizando os professores para a manifestação nacional do Dia Mundial do Professor, marcada para 5 de outubro, um dia antes das eleições.
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Por seu turno, a FNE colocou ao Governo a necessidade de corrigir as orientações relativas à organização dos horários dos docentes.  Os limites legais do tempo de trabalho docente estavam a ser sistematicamente ultrapassados. E o Governo recusou-se sempre a rever a distinção dos conteúdos da componente letiva e da componente não letiva. 
A realidade mostra a ultrapassagem sistemática dos limites do tempo de trabalho e a atribuição à componente não letiva de tarefas que deveriam integrar a componente letiva. Por insuficiência de regulamentação, esta componente nunca é medida e vai sendo utilizada pelos diretores sem respeito por limites, sucedendo que os docentes trabalham 40 a 45 horas semanais, sendo ainda mais grave que este acréscimo de tempo de trabalho não tem por justificação o trabalho colaborativo e de equipa por causa dos alunos, mas é, na sua mor parte, para o desenvolvimento de tarefas burocráticas e sem impacto na qualidade dos processos de ensino-aprendizagem, a que acresceu mais recentemente o muito discutível processo de limpeza de manuais escolares utilizados durante o ano letivo para poderem ter nova utilização no próximo. Foi esta a razão pela qual decorreu ao longo do ano letivo que agora está a terminar uma greve às atividades que excedem os limites do tempo de trabalho. Aliás, esta greve serviu de motivação para que nas escolas se corrigissem procedimentos até ao cumprimento dos preceitos legais.
No entanto, a legislação continua imprecisa, o que foi sublinhado pela FNE num pedido de reunião que dirigiu ao ME para se reverem as formulações do despacho de organização do ano letivo, de modo a impedir os excessos que continuam a verificar-se. E, a não haver mudança de orientações por parte do Ministério da Educação, a FNE manterá a greve a todas as atividades que excedam os susoditos limites a partir do início do ano letivo. E, a 2 de setembro, promoverá em Lisboa (com a CONFAP e a ANDAEP) uma sessão pública de perspetivas do ano letivo.
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Filinto Lima, presidente da ANDAEP (Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas), pinta em tom negro o que se passou no ano letivo e destaca os aspetos negativos, declarando ao “educare.pt”:
Uma nuvem negra pairou no horizonte educativo: a ausência de acordo entre o Ministério da Educação (ME) e os sindicatos tornou imprevisível o decurso de um ano que se pretendia de paz. As desavenças entre estas duas entidades não se refletiram no trabalho quotidiano dos professores, que corresponderam em pleno aos seus alunos. O paradigma sindical na Educação alterou-se e ninguém previa um desfecho de ano letivo como o que sucedeu em 2017-2018, adivinhando-se, contudo, fortes lutas logo no início do próximo ano escolar e no dia seguinte à da posse da futura equipa ministerial.”.
O não reconhecimento, na íntegra, do tempo congelado, marcou o ano, com repercussões de continuidade no próximo. Também é negativa a atribuição de 1067 contratos para assistentes operacionais, número insuficiente para as necessidades das escolas, “face ao trabalho que desempenham e à heterogeneidade das crianças e alunos que servem”, bem como a necessidade de recrutar assistentes técnicos. Assim, sustenta e questiona:
As escolas, os autarcas e o Governo vivem um clima de desconfiança mútua no que à descentralização diz respeito, alardeando questões díspares: uns referem a perda de autonomia; outros reivindicam o envelope financeiro; a tutela empandeira áreas de competências que lhes alavancam maiores constrangimentos. (…) As escolas continuam céticas face a incoerências perpetradas, reféns de uma tirania nada esclarecedora. Será a Regionalização mais sedutora?”.
Por outro lado, critica a postura da tutela das contas públicas advertindo:
O Ministério das Finanças desprezou a sua educação, não promovendo o investimento suficiente nesta área fulcral ao desenvolvimento de uma sociedade democrática e moderna. Muitos dos problemas que aconteceram, tiveram a ver com as ‘orelhas moucas’ com que o Ministério das Finanças presenteou os justos anseios das comunidades educativas.”.
Como positiva, Lima coloca a constituição das turmas e a opção pela semestralidade do ano letivo, no âmbito da autonomia e flexibilidade curricular, em que a gestão do currículo se torna mais dependente de cada comunidade educativa. Além disso, os excelentes resultados nos testes internacionais (PISA, TIMMS e PIRLS) “testam o desempenho dos alunos, o aumento do sucesso dos alunos e diminuição da taxa de abandono escolar”. 
Mas o presidente da ANDAEP também olha para o futuro e refere ao “educare.pt”:
A próxima legislatura, além do mais, deve servir para cuidar dos professores e tratá-los como merecem: carinho, admiração e reconhecimento pelo trabalho que desenvolvem. Urge também rejuvenescer efetivamente a classe docente, e dignificar a profissão, também a nível remuneratório, motivando os jovens a escolher a docência como futuro.”.
Em sua opinião, ainda é preciso reivindicar, junto do Ministério das Finanças, muitas coisas:
Investimento em recursos humanos (professores, técnicos, assistentes técnicos e operacionais…), materiais (os orçamentos das escolas devem conter valores realistas que não cheguem só para liquidar as faturas da água, eletricidade, telecomunicações e fotocópias…) e físicos (ainda existem escolas a funcionar em condições precárias).”. 
Enfim, é preciso combater a indisciplina, dignificar a profissão. 
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Por seu turno Manuel Pereira, presidente da ANDE (Associação Nacional de Dirigentes Escolares), fala de ano letivo marcado por profundas alterações, com dois diplomas em destaque: o da Educação Inclusiva e o da Flexibilização Curricular, com duas medidas que obrigaram a mudar o olhar sobre a prestação do serviço educativo e que exigiram muito tempo para apropriação e implementação. Destaca as greves de professores e de pessoal não docente e as razões que continuam por resolver não antecipam tranquilidade. E diz ao “educare.pt”:
O ano foi marcado por um acréscimo de trabalho nas escolas. Várias plataformas e registos que, redundantemente, se cruzam e que nem sempre são suficientemente claros ao ponto de garantir a não existência de dúvidas substantivas. (…) A angústia das direções das escolas e agrupamentos, bem como das suas comunidades escolares, foi um elemento sempre presente, dada a panóplia de informações e contrainformações que foram surgindo. De alguma forma, as escolas foram sentindo que a administração raramente ofereceu respostas claras. O que pode ter contribuído para situações de falta de equidade, nomeadamente no que diz respeito a progressões e contagem do tempo de serviço dos docentes.”.
Pereira destaca a extraordinária resposta dos professores e escolas que põem os superiores interesses dos alunos à frente das questões profissionais, não obstante a atitude desrespeitosa de alguns políticos, e mesmo forças partidárias, em relação à classe docente. E comenta:
Tudo isto “contribuiu para um ambiente de desconsideração e desvalorização social dos professores e educadores, numa atitude clara de desrespeito pelo papel fundamental dos docentes na modernização e democratização do país”. 
O presidente da ANDE regista as melhorias nos desempenhos dos alunos, salientando:
As escolas cumpriram as suas múltiplas funções e continuam a transformar e a preparar o futuro das crianças e jovens deste país! (…) É inegável o esforço da tutela na resolução de algumas questões concretas através da presença constante dos Serviços Educativos nas escolas (…). Um esforço que registamos, reconhecemos e aplaudimos, como paradigma e exemplo a seguir no futuro. Reconhecemos também o esforço da tutela no sentido de conferir outros espaços de autonomia às escolas. Contudo, esse esforço nem sempre deu o resultado previsto, dada a constante intervenção de outros fatores.”. 
Pereira tem vários pedidos a fazer ao próximo responsável da área da educação. Desde logo o aviso para que não queira deixar apenas a sua marca, mudando tudo, pois “as marcas que as escolas devem imprimir na sociedade são aquelas que transformam os seres humanos e os seus contextos em algo ainda melhor”, são “marcas que projetam o futuro”. O próximo Ministro terá muito para analisar, como, por exemplo, a sobrecarga semanal dos horários dos professores, sobretudo o que é feito na componente não letiva. E sustenta:
É tempo de reconhecer o trabalho invisível que, por vezes, dá a sensação de ser intencionalmente ocultado. (…) As escolas precisam de mais espaços de autonomia e a dita ‘descentralização’ não deve avançar.”. 
E acrescenta criticando a municipalização da educação tendente à partidarização e privatização:
De facto, prevemos a destruição do serviço público de educação, que conhecemos, pela possível partidarização ou politização excessiva da escola pública. Possível porque se competências fundamentais, como a gestão de recursos físicos ou humanos e outros, passarem para a esfera de gestão das autarquias amputar-se-á o trabalho das escolas e abrir-se-ão portas a contextos que, hoje, a própria sociedade civil critica. Vejam-se as apreciações que regularmente já se produzem no âmbito de alguma ação política… (…) O percurso que parece estar definido fará da escola mais um entreposto de interesses que nem sempre serão os da educação, com claro prejuízo de princípios constitucionais fundamentais como a equidade e igualdade.”.
Pedindo mais funcionários, computadores que funcionem, internet à velocidade que os tempos exigem, Pereira deseja que diminua “o escandaloso número de plataformas digitais a que sujeita todos os atores educativos” ou que, no mínimo, se evite “a sobreposição de respostas”. E diz:
Pediria ainda que lutasse pela valorização da classe docente, da escola pública e dos assistentes operacionais e técnicos. Promovendo ações e campanhas que contribuíssem para a sua recredibilização social, para o reforço da autoridade e para a construção de uma imagem mais consentânea com o seu papel numa sociedade que se pretende mais moderna e mais democrática”.
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Também César Paulo, da ANVPC (Associação Nacional dos Professores Contratados), considera vários dossiês que marcaram o ano que agora termina e destaca, do ponto de vista pedagógico, a generalização do PAFC (Projeto de Autonomia e Flexibilidade Curricular), vincando ao “educare.pt”:
O PAFC é um instrumento central para a alteração do paradigma educativo português, adequando-o às exigências do seu tempo, assumindo-se, nessa medida, como um momento crucial na história das políticas educativas portuguesas. (…) No último ano, por todo o país, foi absolutamente meritório o esforço realizado por todos os elementos das mais diversas comunidades educativas, no sentido de aplicação deste modelo, sendo hoje, muito clara a dimensão do seu impacto educativo, nomeadamente no retomar de práticas colaborativas e de valorização/desenvolvimento de outras dimensões nas nossas crianças e jovens, hoje bem definidas no ‘Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória’.”. 
Este dirigente fala ainda o impacto da distribuição gratuita de manuais escolares a todos os alunos da escola pública, bem como da redução do número de alunos por turma. E diz:
Do ponto de vista administrativo/profissional, o ano ficou marcado por duas grandes matérias: o definitivo reposicionamento na carreira dos docentes vinculados aos quadros do Ministério da Educação (no período de 2013 a 2018) e o encerramento do dossiê relativo à recuperação do tempo de serviço, durante o período de congelamento de carreiras”.
Para César Paulo os desafios da próxima equipa do ME são vários e exigentes, frisando:
Muitos dossiês foram, durante a presente legislatura, tratados, alguns de grande relevância para o incremento da qualidade, estabilidade e equidade do sistema educativo português. No entanto, uma legislatura tem um tempo curto, não permitindo que todas as transformações sejam operadas.”.
Na próxima legislatura, é prioritária uma abordagem de continuidade e a tutela deve abordar várias questões nos mais variados limites, pedagógico, profissional, administrativo. Há vários pontos a tratar: a transformação do modelo de acesso ao Ensino Superior, adequando-o aos objetivos do PAFC; a implementação de um novo PTE (Plano Tecnológico de Educação); a alteração do EAEE (Estatuto do Aluno e Ética Escolar), fortalecendo medidas de combate à indisciplina e violência em contexto escolar; a estabilização profissional dos docentes e dos demais profissionais de educação. E há outros assuntos que não podem passar despercebidos ao Governo, por exemplo, a preparação de uma revisão do ECD (Estatuto da Carreira Docente) e do mecanismo de concursos docentes, bem como o aperfeiçoamento do modelo de ADD (Avaliação de Desempenho Docente), “tornando-o promotor da dignificação da profissão e da meritocracia” (discordo: a ADD assim está equilibrada), a promoção da qualificação profissional no âmbito da gestão e administração escolar e no exercício das lideranças intermédias, a descentralização das estruturas de decisão do ME, reforçando a autonomia dos serviços regionais. E realça:
Mais, para que o Projeto de Autonomia e Flexibilidade Curricular (…) possa entrar em ‘velocidade cruzeiro’ (…), muitas das questões referidas terão de ser problematizadas durante a próxima legislatura. Considero que, tal como na legislatura que se encontra a terminar, a política educativa do próximo Governo da República portuguesa será decisiva para o estabelecimento de um modelo educativo adequado ao seu tempo e promotor do desenvolvimento de cidadãos livres e capazes, potenciadores de um futuro sustentável para Portugal.”.
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Enfim, com tantos balanços, estatísticas, pedidos, propostas e exigências, será que a Educação sairá da cepa torta? Terão os próximos deputados as devidas vontade e coragem políticas? Hein?
2019.08.06 – Louro de Carvalho

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