sábado, 26 de março de 2016

A partir da Cruz…

A partir da Cruz…

A partir da Cruz, não mais a vida pode ficar como dantes. Importa meditar e recolher as lições que em torno da Cruz nos são disponibilizadas.
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Na sua homilia da missa crismal em quinta-feira santa deste ano de 2016, o Papa contrapôs à possibilidade de as palavras de Jesus na sinagoga de Nazaré serem aclamadas com uma salva de palmas – por assinalarem o “hoje” (cf Lc 4,21) do cumprimento da profecia isaítica (cf Is 61,1-9) – o facto de os sentimentos dos seus conterrâneos se situarem realmente “no lado oposto”.
É certo que a primeira reação foi a do testemunho de todos em seu favor e admiração com as “palavras repletas de graça que saíam da sua boca” (Lc 4,22). Porém, não se fez esperar a pergunta insidiosa a instalar a dúvida: “Não é este o filho de José, o carpinteiro?” E a dúvida deu lugar ao furor (Lc 4,28), a ponto de O quererem precipitar do cimo do penhasco. Seguiu-se, não a postura do povo de grata aceitação das palavras de Neemias com o choro alegre pela reconstrução das muralhas de Jerusalém, mas o cumprimento da profecia do velho Simeão a Maria: será “sinal de contradição” (Lc 2,34). De facto, as palavras e gestos de Jesus suscitam a revelação daquilo que cada homem e mulher trazem no seu coração, aberto ou fechado.
Por isso, o Papa alerta para a necessidade de escolha quando e onde “o Senhor anuncia o evangelho da Misericórdia incondicional do Pai para com os mais pobres, os mais marginalizados e oprimidos”. E a escolha deve recair no “bom combate da fé” (cf 1Tm 6,12), não “contra os seres humanos, mas contra o demónio (cf Ef 6,12), inimigo da humanidade”.
E, ao sublinhar que, “passando pelo meio dos que O queriam liquidar, seguiu o seu caminho (cf Lc 4,30), esclarece:
“Jesus não combate para consolidar um espaço de poder. Se destrói recintos e põe as seguranças em questão, é para abrir uma brecha à torrente da Misericórdia que deseja, com o Pai e o Espírito, derramar sobre a terra. Uma Misericórdia que move de bem para melhor, anuncia e traz algo de novo: cura, liberta e proclama o ano de graça do Senhor.”.
Para caraterizar a misericórdia divina, Francisco recorda a dinâmica do gesto do bom Samaritano, que, ao contrário de outros que passaram antes, “usou de misericórdia” (cf Lc 10,37): “comoveu-se, aproximou-se do ferido, faixou-lhe as feridas, levou-o para a pousada, pernoitou e prometeu voltar para pagar o que tivessem gasto a mais”. O dinamismo da misericórdia firma-se no encadeamento dos pequenos gestos, alargando-se sucessivamente em amor-ajuda.
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Na celebração da Ceia do Senhor, em Castelnuovo di Porto (Roma), o Papa referiu, antes do lava-pés a refugiados, que “os gestos falam mais que as imagens e as palavras”. E contrapôs dois tipos de gestos no caminho da Cruz: o de Jesus, que serve e lava os pés aos mais pequenos; e, ao invés, o de Judas, que trai o Senhor, vendendo-O aos inimigos por 30 moedas e entregando-lho com o beijo hipócrita. E pretende enquadrar no gesto de Cristo todos em conjunto: “muçulmanos, hindus, católicos, coptas, evangélicos” – que “são irmãos e filhos do mesmo Deus” e por quem o Senhor entregou a sua vida na cruz.
Mas este gesto contrapõe-se aos gestos de guerra, de destruição – vividos há dias numa das cidades da Europa – como muitos outros que se espalham pelo mundo inteiro. São gestos similares ao de Judas. Porém, enquanto este era motivado pelo vil dinheiro, os agora mencionados são obra dos fabricantes e traficantes de armas, ávidos de sangue e não de paz, de guerra e não de fraternidade.
Epidermicamente, os gestos de Jesus e de Judas até são parecidos: lava-pés e beijo. Porém, enquanto Jesus lava os pés dos discípulos, judas vende-O e entrega-O por dinheiro. Também agora, de um lado, diz o Papa, estamos nós “todos em conjunto, de diversas religiões, diversas culturas, mas filhos do mesmo Pai, irmãos”; do outro, “aqueles pobres compram armas para destruir a fraternidade”.
A partir do gesto do lava-pés, como a partir da Cruz, é preciso que todos e cada um ultrapassem a sua história pessoal de “tantas cruzes, tantas dores” e ganhem “um coração aberto que deseje a fraternidade”. Importa que, na língua religiosa de cada um, irrompa a prece ao Senhor para que “esta fraternidade contagie o mundo” de modo que não estejam mais em causa “as 30 moedas para matar o irmão”, mas sempre esteja de pé “a fraternidade e a bondade”.
E, parafraseando o salmista (vd Sl 133/132), depois de saudar cada um, “de todo o coração”, no fim da missa, recordou e apelou a que se faça ver “como é belo viver, todos em união como irmãos”, embora “com culturas, religiões e tradições diferentes”. E esta irmandade tem um nome: “paz e amor”.
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Voltando à homilia da missa crismal, em contexto de semana santa e de ano jubilar da misericórdia, é preciso não esquecer que a Cruz de Cristo é o cume da misericórdia divina. Por isso, o Bispo de Roma assegura, contra a violência e a indiferença:
“A Misericórdia do nosso Deus é infinita e inefável; e expressamos o dinamismo deste mistério como uma Misericórdia ‘sempre maior’, uma Misericórdia em caminho, uma Misericórdia que todos os dias procura fazer avançar um passo, um pequeno passo mais além, avançando na terra de ninguém, onde reinavam a indiferença e a violência”.
À sombra da Cruz, cada um, contemplando a vida com o olhar de Deus, fará “um exercício de memória descobrindo como o Senhor usou de misericórdia para connosco”, muito mais do que pensávamos. Depois, devemos “encorajar-nos a pedir-Lhe que dê um pequeno passo mais, que Se mostre ainda mais misericordioso no futuro, lançando-lhe o clamor. “Mostrai-nos, Senhor, a vossa misericórdia e dai-nos a vossa salvação” (Sl 85/84,8).
Esta atitude de súplica leva-os “sair dos nossos recintos” e a crer que “é próprio do coração de Deus transbordar de misericórdia” espargindo “de tal modo que a sua ternura sempre abunde, porque Ele “prefere ver algo desperdiçado a que falte uma gota; prefere que muitas sementes acabem comidas pelas aves a que falte à sementeira uma única semente, visto que todas têm a capacidade de dar fruto abundante, ora a 30, ora a 60, e até mesmo 100 por uma”.
E o Papa recorda aos sacerdotes a sua índole de “testemunhas e ministros da Misericórdia cada vez maior do nosso Pai”; a sua “doce e reconfortante tarefa de a encarnar como fez Jesus”, que passou pelo mundo, “andou de lugar em lugar, fazendo o bem e curando” (At 10,38), de mil e uma maneiras, para que chegue a todos”. Mais instou ao contributo de cada um “para inculturá-la, a fim de que cada pessoa a receba na sua experiência pessoal de vida e possa, assim, compreendê-la e praticá-la – de forma criativa – no modo de ser próprio do seu povo e da sua família”.
Depois e, porque é Deus quem dá o exemplo, expôs dois âmbitos em que o Senhor Se excede em misericórdia: o do encontro; e o do perdão, “que nos faz envergonhar e nos dá dignidade”.
O primeiro âmbito é o do encontro, em que Ele Se dá “totalmente e de um modo tal que, em cada encontro, passa diretamente à celebração duma festa”. E ilustra este âmbito com a parábola do Pai Misericordioso (cf Lc 15,11-32), em que sublinha:
“Ficamos estupefactos ao ver aquele homem que corre, comovido, a lançar-se ao pescoço do filho; vendo como o abraça e beija e se preocupa em lhe pôr o anel que o faz sentir-se igual, e as sandálias próprias de quem é filho e não assalariado; e como, a seguir, põe tudo em movimento, mandando que se organize uma festa”.
A seguir, comenta a maravilha desta superabundância da graça e sugere a nossa justa atitude:
Ao contemplarmos, sempre maravilhados, esta superabundância de alegria do Pai, a quem o regresso do filho consente expressar livremente o seu amor, sem hesitações nem distâncias, não temeremos em exagerar no nosso agradecimento. A justa atitude podemos apreendê-la daquele pobre leproso que, vendo-se curado, deixa os seus nove companheiros que vão cumprir o que ordenou Jesus e regressa para se ajoelhar aos pés do Senhor, glorificando e dando graças a Deus em alta voz (cf Lc 17,11-19).”
E, concluindo, explicita a ação e efeitos da misericórdia, suscitando a justa resposta da gratidão:
“Restaura tudo e restitui as pessoas à sua dignidade originária. Por isso, a justa resposta é uma efusiva gratidão: é preciso iniciar imediatamente a festa, vestir o traje, eliminar os ressentimentos do filho mais velho, alegrar-se e festejar… Porque só assim, participando plenamente naquele clima festivo, será possível depois pensar bem, pedir perdão e ver mais claramente como se pode reparar o mal cometido.”
O segundo âmbito é o próprio perdão. E este perdão não se circunscreve às “dívidas incalculáveis”, como a do servo que lhe suplica e se mostra mesquinho com o companheiro (Mt 18,23-35), “mas faz-nos passar diretamente da vergonha mais envergonhada para a dignidade mais alta, sem qualquer etapa intermédia”. Assim:
O Senhor deixa que a pecadora perdoada Lhe lave, familiarmente, os pés com as suas lágrimas (cf Lc 7,36-50). Logo que Simão Pedro se confessa pecador pedindo-Lhe para Se afastar dele, Jesus eleva-o à dignidade de pescador de homens (cf Lc 5,10).”
Ao contrário – e o Pontífice põe-nos o dedo na ferida – nós tendemos para a separação das duas atitudes: “quando nos envergonhamos do pecado, escondemo-nos e caminhamos com os olhos em terra, como Adão e Eva” (cf Gn 3,7-8); e, ao sermos elevados a qualquer dignidade, “procuramos encobrir os pecados e gostamos de nos mostrar, de quase nos pavonearmos”.
Pelo que o Papa propõe a seguinte postura:
“A nossa resposta ao perdão superabundante do Senhor deveria consistir em manter-nos sempre naquela saudável tensão entre uma vergonha dignificante e uma dignidade que sabe envergonhar-se: atitude de quem procura, por si mesmo, humilhar-se e abaixar-se, mas é capaz de aceitar que o Senhor o eleve para benefício da missão, sem se comprazer”.
E dá como exemplo a atitude de Pedro, “que se deixa interrogar longamente sobre o seu amor e, ao mesmo tempo, renova a sua aceitação do ministério de apascentar as ovelhas que o Senhor lhe confia” (cf Jo 21,15-19).
Depois, vê na Igreja e, em especial nos sacerdotes a concretização daquele ponto da profecia de Isaías, realizada por Jesus de Nazaré: “E vós sereis chamados sacerdotes do Senhor, e nomeados ministros do nosso Deus” (Is 61,6). E assegura que “é o povo pobre, faminto, prisioneiro de guerra, sem futuro, um resto descartado (cf 2Rs 19,31), que o Senhor transforma em povo sacerdotal”. Assim, os sacerdotes e os demais cristãos (segundo a sua própria condição) devem identificar-se com “aquele povo descartado, que o Senhor salva”, e lembrar-se das “multidões inumeráveis de pessoas pobres, ignorantes, prisioneiras, que estão naquela situação porque outros as oprimem”. Por outro lado, apresenta-nos como necessário recordar:
“Cada um de nós sabe em que medida tantas vezes somos cegos, estamos privados da luz maravilhosa da fé, não porque nos falte o Evangelho ao alcance da mão, mas pelo excesso de teologias complicadas. Sentimos que a nossa alma morre sedenta de espiritualidade e não por falta de Água Viva – que nos limitamos a sorver aos goles – mas por um excesso de espiritualidades sem compromisso, espiritualidades superficiais.”
Se também nos sentimos prisioneiros, não estamos “cercados – como tantos povos – por muros intransponíveis de pedra ou barreiras de aço, mas por um mundanismo virtual que se abre e fecha com um simples clique”. E, se nos sentimos oprimidos, não é “por ameaças e empurrões, como muitas pessoas pobres, mas pelo fascínio de mil e uma propostas de consumo a que não conseguimos renunciar para caminhar, livres, pelas sendas que nos conduzem ao amor dos nossos irmãos, ao rebanho do Senhor, às ovelhas que aguardam pela voz dos seus pastores”.
Ora, Jesus vem resgatar-nos de todas estas opressões, sejam elas exógenas, sejam endógenas.
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Por fim, gostaria de reter da alocução do Santo Padre, do final da via-sacra no Coliseu de Roma em sexta-feira santa, os traços essenciais do hino anafórico Ó Cruz de Cristo (anáfora apenas interrompida por duas vezes) que a preenche. Como é difícil respigar uns pontos como essenciais em detrimento de outros, ele aqui vai transcrito na sua dupla vertente, em boa simbiose, de espiritualidade intensa e de zelosa preocupação social, bem como na antítese entre o significado antigo de instrumento e sinal de maldição e o novo sentido de vitória e bênção.
Ó Cruz de Cristo
Ó Cruz de Cristo, símbolo do amor divino e da injustiça humana, ícone do sacrifício supremo por amor e do egoísmo extremo por insensatez, instrumento de morte e caminho de ressurreição, sinal da obediência e emblema da traição, patíbulo da perseguição e estandarte da vitória.
Ó Cruz de Cristo, ainda hoje te vemos erguida nas nossas irmãs e nos nossos irmãos assassinados, queimados vivos, degolados e decapitados com as espadas barbáricas e com o silêncio velhaco.
Ó Cruz de Cristo, ainda hoje te vemos nos rostos exaustos e assustados das crianças, das mulheres e das pessoas que fogem das guerras e das violências e, muitas vezes, não encontram senão a morte e muitos Pilatos com as mãos lavadas.
Ó Cruz de Cristo, ainda hoje te vemos nos doutores da letra e não do espírito, da morte e não da vida, que, em vez de ensinar a misericórdia e a vida, ameaçam com a punição e a morte e condenam o justo.
Ó Cruz de Cristo, ainda hoje te vemos nos ministros infiéis que, em vez de se despojarem das suas vãs ambições, despojam mesmo os inocentes da sua dignidade.
Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos corações empedernidos daqueles que julgam comodamente os outros, corações prontos a condená-los até mesmo à lapidação, sem nunca se darem conta dos seus pecados e culpas.
Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos fundamentalismos e no terrorismo dos seguidores de alguma religião que profanam o nome de Deus e o utilizam para justificar as suas inauditas violências.
Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje naqueles que querem tirar-te dos lugares públicos e excluir-te da vida pública, em nome de certo paganismo laicista ou mesmo em nome da igualdade que tu própria nos ensinaste.
Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos poderosos e nos vendedores de armas que alimentam a fornalha das guerras com o sangue inocente dos irmãos e que dão de comer aos seus filhos o pão ensanguentado.
Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos traidores que, por trinta dinheiros, entregam à morte qualquer um.
Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos ladrões e corruptos que, em vez de salvaguardarem o bem comum e a ética, se vendem no miserável mercado da imoralidade.
Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos insensatos que constroem depósitos para armazenar tesouros que perecem, deixando Lázaro morrer de fome às suas portas.
Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos destruidores da nossa ‘casa comum’ que, egoisticamente, arruínam o futuro das próximas gerações.
Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos idosos abandonados pelos seus familiares, nas pessoas com deficiência e nas crianças desnutridas e descartadas pela nossa sociedade egoísta e hipócrita.
Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje no nosso Mediterrâneo e no Mar Egeu feitos um cemitério insaciável, imagem da nossa consciência insensível e narcotizada.
Ó Cruz de Cristo, imagem do amor sem fim e caminho da Ressurreição, vemos-te ainda hoje nas pessoas boas e justas que fazem o bem sem procurar aplausos nem a admiração dos outros.
Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos ministros fiéis e humildes que iluminam a escuridão da nossa vida como velas que se consumam gratuitamente para iluminar a vida dos últimos.
Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos rostos das religiosas e dos consagrados – os bons samaritanos – que abandonam tudo para faixar, no silêncio evangélico, as feridas das pobrezas e da injustiça.
Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos misericordiosos que encontram na misericórdia a expressão mais alta da justiça e da fé.
Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nas pessoas simples que vivem jubilosamente a sua fé no dia-a-dia e na filial observância dos mandamentos.
O Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos arrependidos que, a partir das profundezas da miséria dos seus pecados, sabem gritar: Senhor, lembra-Te de mim no teu reino!
Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos Beatos e nos Santos que sabem atravessar a noite escura da fé sem perder a confiança em ti e sem a pretensão de compreender o teu silêncio misterioso.
Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nas famílias que vivem com fidelidade e fecundidade a sua vocação matrimonial.
Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos voluntários que generosamente socorrem os necessitados e os feridos.
Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos perseguidos pela sua fé que, no sofrimento, continuam a dar testemunho autêntico de Jesus e do Evangelho.
Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos que sonham com um coração de criança e que trabalham cada dia para tornar o mundo um lugar melhor, mais humano e mais justo.
Em ti, Santa Cruz, vemos Deus que ama até ao fim, e vemos o ódio que domina e cega os corações e as mentes daqueles que preferem as trevas à luz.
Ó Cruz de Cristo, Arca de Noé que salvou a humanidade do dilúvio do pecado, salva-nos do mal e do maligno! Ó Trono de David e selo da Aliança divina e eterna, desperta-nos das seduções da vaidade!
Ó grito de amor, suscita em nós o desejo de Deus, do bem e da luz.
Ó Cruz de Cristo, ensina-nos que o amanhecer do sol é mais forte do que a escuridão da noite.
Ó Cruz de Cristo, ensina-nos que a aparente vitória do mal se dissipa diante do túmulo vazio e perante a certeza da Ressurreição e do amor de Deus que nada pode derrotar, obscurecer ou enfraquecer.
Amém!
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Aqui ficam os parâmetros fundamentais da postura dos cristãos ante a Cruz e a partir dela. É possível segui-los se aceitarmos ter em nossa casa a mãe do discípulo que nos foi legada no alto da cruz (cf Jo19,26-27; At 1,14) e se, olhando para “aquele que trespassaram” (Jo 19,37; Zc 12,10; Ap 1,7), quisermos usufruir da água e sangue que jorraram do lado aberto de Cristo morto na cruz (cf Jo 19,34) para podemos dar alegre testemunho da ressurreição (cf At 4,33).
Santa Páscoa!

2016.03.26 – Louro de Carvalho 

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