quarta-feira, 1 de julho de 2026

Aranha-reclusa-do-Chile detetada na cidade portuguesa do Porto

 

Foi detetada, no Porto, uma espécie de aranha venenosa originária da América do Sul, tornando-se o primeiro registo confirmado da aranha-reclusa-do-Chile na Península Ibérica, marcando o terceiro registo confirmado na Europa. Os investigadores garantem que, apesar da descoberta, não há motivo para alarme, visto que se trata de uma espécie discreta, pouco agressiva e com baixa probabilidade de contacto com a população.

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De acordo com a “Wikipédia – a Enciclopédia livre” a Loxosceles reclusa (ou Loxosceles laeta), conhecida como como aranha-violinista ou aranha-reclusa-castanha, é uma espécie de aranha araneomorfa (subordem da classe Arachnida: das aranhas comuns e peçonhentas) da família Sicariidae, capaz de infligir mordeduras venenosas proteolíticas, de significativas consequências para o ser humano.

Este aracnídeo pode apresentar entre seis e 20 mm (milímetros) de comprimento, raramente maior, com coloração entre o castanho-claro e o bege, mas podendo apresentar tons de castanho mais escuro. Distingue-se, ainda, pelas pernas finas e pela epónima mancha em forma de violino no cefalotórax.

A aranha-reclusa-castanha é uma espécie insetívora, que costuma alimentar-se à noite. Ao invés das outras espécies de aranhas, que se servem de venenos de ação neurotóxica, a aranha-reclusa-castanha injeta as presas com veneno de ação hemolítica.

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A espécie tem distribuição natural ampla na parte Leste da América do Norte, desde o Norte do México até à Nova Inglaterra, em habitats abrigados e húmidos, sobretudo, entre pedras, madeira ou lenhas deixadas no exterior ou em recantos húmidos e escuros de edifícios.

O Jornal de Notícias (JN) online, a 1 de julho, refere que a primeira ocorrência desta espécie, na Península Ibérica, foi documentada num estudo da Universidade do Porto (UP), publicado em maio deste ano e divulgado, agora, na Imprensa, levado a cabo pelos biólogos Francisco Gil e José Manuel Grosso-Silva.

José Manuel Grosso-Silva, entomólogo (biólogo especializado no estudo dos insetos) do Museu de História Natural e da Ciência da UP, garantiu, em entrevista à Euronews, que, devido ao comportamento desta espécie, não há razões para alarme. “A probabilidade de as pessoas se cruzarem com esta espécie ou serem mordidas por ela é reduzida”, explicou.

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Sob o título “Há uma nova espécie de aranha venenosa em Portugal”, a jornalista Ana Filipa Palma, também a 1 de julho, releva que “a descoberta da aranha-reclusa-chilena (Loxosceles laeta), no Porto, marca o primeiro registo desta espécie venenosa na Península Ibérica. Apesar da sua mordida poder provocar lesões graves na pele, os investigadores garantem que o risco para a população é reduzido. devido ao comportamento discreto”. “Uma nova espécie de aranha venenosa, a aranha-reclusa-chilena, cientificamente conhecida como Loxosceles laeta, foi descoberta na cidade do Porto, no norte de Portugal”, resume.

A peça jornalística de Ana Filipa Palma dá conta da referida entrevista à Euronews do já referido cientista José Manuel Grosso-Silva, entomólogo do Museu de História Natural e da Ciência da UP e um dos investigadores responsáveis pela descoberta. “Trata-se de uma espécie tímida e pouco propensa a morder, mas a sua mordida pode causar danos consideráveis na pele, resultando, frequentemente, em lesões cutâneas necróticas”, descreve o estudo realizado pelos biólogos Francisco Gil e José Manuel Grosso-Silva, sobre a descoberta da primeira ocorrência desta espécie na Península Ibérica.

Dizem os especialistas que a aranha-reclusa-chilena, laeta, é nativa da região ocidental da América do Sul, sendo encontrada, habitualmente, em países como o Brasil e a Argentina. Porém, tem conseguido expandir-se para regiões distantes do seu habitat de origem, impulsionada pelas trocas comerciais internacionais. A primeira descoberta, no país, foi casual, conta o biólogo, e ocorreu a 10 de setembro de 2025, quando um macho foi encontrado numa parede no Campo dos Mártires da Pátria, no Porto.

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O Campo dos Mártires da Pátria, antigo Largo do Olival, no Porto, mudou de nome em homenagem aos doze “Mártires da Liberdade” que foram enforcados por ordem dos tribunais miguelistas, em 1829, e entre os quais se destaca António Bernardo de Brito e Cunha (1781-1829).
Ali foi erigido por iniciativa do povo anónimo e à custa de donativos particulares, como explica Germano Silva, “um monumento fúnebre evocativo dos trágicos acontecimentos da Praça Nova, constituído por uma coluna sobre a qual foi colocada uma figura representando a cidade. Desapareceu já esse singelo monumento que pretendia tão somente representar o triunfo da virtude sobre a tirania”.

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A segunda descoberta, também de um macho, ocorreu a 10 de janeiro de 2026, tendo o exemplar sido recolhido já morto, numa armadilha adesiva que não lhe era destinada. “Apesar da descoberta desta nova espécie, outra aranha venenosa da mesma família habita Portugal, há várias décadas, e apresenta uma distribuição alargada. Trata-se da Loxosceles rufescens, ou aranha-reclusa-do-mediterrâneo, originária da América do Norte e presente na Europa, há mais de 200 anos”, dizem os dois especialistas.

“Não sabemos se esta nova espécie existe apenas aqui no Porto ou se já está mais dispersa. Como a aranha-reclusa-chilena se pode confundir, facilmente, com a aranha-reclusa-do-mediterrâneo, é possível que existam registos fotográficos identificados como sendo desta última que, na realidade, correspondam à nova espécie”, diz o biólogo José Grosso-Silva.

Observa a jornalista, escudada nas declarações do investigador, que a principal diferença entre as duas espécies se encontra nos pedipalpos dos machos, apêndices articulados localizados na parte frontal do corpo das aranhas machos, que desempenham funções sensoriais e reprodutivas, servindo para transferir o esperma para a fêmea, durante o acasalamento. Ao nível da morfologia e do comportamento, são muito semelhantes. “São castanhas uniformes, não têm aquelas cores que lhes permitem camuflar-se na vegetação e não fazem as teias que, normalmente, vemos nas plantas, para apanhar insetos. Constroem teias em paredes, cantos e locais mais escondidos e sombrios, sendo mais ativas durante a noite”, explica o entomólogo.

Há diferentes níveis de gravidade, desde casos ligeiros até casos graves, incluindo alguns fatais, na sequência da mordida deste tipo de aranhas. “O risco existe, mas parece-me reduzido, pelo que tento não contribuir para o pânico ou alarme excessivo”, reforça o biólogo.

A jornalista recorda que, em 2023, Portugal registou um caso de loxoscelismo, síndrome causada pelo veneno da aranha, provocado pela mordida da Loxosceles rufescens, ou aranha-reclusa-do-mediterrâneo. Com efeito, a revista SPMI Case Reports, publicação científica digital da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, divulgou o caso de uma mulher de 48 anos que foi mordida por esta espécie, enquanto se encontrava num parque urbano.

Após a mordida na nuca, a mulher apresentou um inchaço, sem dor imediata. Porém, nas 24 horas subsequentes, agravaram-se os sintomas, com aumento das dores de cabeça, mal-estar, sensação de febre, cansaço e o surgimento de necrose com eritema na zona da lesão. Depois, verificou-se descamação da pele noutras zonas do corpo, nomeadamente, em redor dos olhos, na região dos glúteos, nas coxas, nos lábios e na mucosa oral.  Daí resultou que a paciente teve de ser internada, vindo a ter alta hospitalar, 16 dias depois, sem apresentar sintomas.

Ana Filipa Palma refere que estão estabelecidas, em Portugal, mais de 300 espécies de insetos oriundas de várias regiões do Mundo, muitas delas introduzidas pelo ser humano, devido ao aumento do transporte de mercadorias. “Estamos, cada vez mais, a alterar o ambiente que nos rodeia. Introduzimos, propositadamente, muitas plantas que, muitas vezes, trazem consigo insetos que não pretendíamos”, observa o entrevistado.

O biólogo recorda o caso da vespa asiática, introduzida na Europa, através de França, num transporte de bonsais chineses, e que, também “através do urbanismo e das monoculturas, como os eucaliptos, que ocupam áreas enormes, mas também de culturas extensivas, como o milho, têm-se reduzido os habitats naturais”, o que contribui para a alteração dos ecossistemas e favorece o aparecimento de novas espécies. O aumento das temperaturas à escala global, com a Europa a aquecer a ritmo acelerado, pode favorecer a reprodução e a expansão destas espécies exóticas. “Não sabemos como evoluirá cá, na Península Ibérica, isso é uma situação para acompanhar nos próximos anos”, alerta José Manuel Grosso-Silva.

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Como dissemos, além de esta descoberta constituir o primeiro registo desta aranha na Península Ibérica, trata-se do terceiro na Europa. Na verdade, o primeiro registo europeu desta espécie data de 1972, num edifício dos Departamentos de Zoologia e Genética da Universidade de Helsínquia, na Finlândia.

Acredita-se que a espécie tenha sido transportada pelo ser humano e se tenha instalado no interior do edifício, para beneficiar das temperaturas mais elevadas, uma vez que, dificilmente, sobreviveria ao clima exterior da Finlândia.

Em 2025, a Universidade Eberhard Karl de Tübingen, na Alemanha, também identificou um exemplar desta espécie, na cave da instituição. E há referências à sua possível presença na Itália. Contudo, o sítio onde tal informação foi originalmente publicada já não se encontra disponível e, por isso, esse registo permanece por confirmar.

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Também no mesmo dia 1 de julho, Francisco Laranjeira, no “Executive digest”, faz referência à

a Loxosceles laeta, conhecida como aranha-reclusa-do-Chile e que foi identificada por investigadores ligados ao Museu de História Natural e da Ciência da UP, correspondendo ao primeiro registo desta espécie, em Portugal e em toda a Península Ibérica.

Salienta, fazendo-se eco da asserção do biólogo, que a probabilidade de as pessoas se cruzarem com esta aranha é reduzida, pois a espécie tem hábitos reservados: é, sobretudo, noturna e tende a esconder-se em locais escuros e pouco expostos. Apesar de ser pouco inclinada a morder, o seu veneno pode causar lesões significativas cutâneas, incluindo necrose.  

Observa que a aranha-reclusa-do-Chile é nativa da região ocidental da América do Sul e que a sua presença longe do habitat original tem sido associada ao comércio internacional e ao transporte acidental de mercadorias. E diz que os investigadores não sabem se a espécie está limitada à cidade do Porto ou se já se está mais disseminada, pois, uma das dificuldades está na semelhança com outra aranha venenosa da mesma espécie, a Loxosceles rufescens, conhecida como aranha-reclusa-mediterrânica, existente em Portugal, há várias décadas, e amplamente distribuída. A distinção entre ambas passa, sobretudo, pela análise dos pedipalpos dos machos, apêndices da parte frontal do corpo das aranhas e usados em funções sensoriais e reprodutivas. Visualmente, as duas espécies são muito semelhantes. Têm coloração castanha uniforme, não apresentam padrões vistosos e não constroem as teias visíveis em plantas para capturar insetos.

O risco para a população é o baixo, mas não inexistente. As mordeduras destas aranhas podem causar quadros de gravidade variável, desde lesões ligeiras até situações mais graves. Em casos raros, podem ocorrer complicações sistémicas.

Francisco Laranjeira também refere que Portugal já tinha registado um caso de loxoscelismo em 2023, síndrome causada pelo veneno destas aranhas, associado à Loxosceles rufescens, para o que citou o caso, publicado na ‘SPMI Case Reports’, acima descrito.

Por fim, sustenta que a descoberta no Porto se insere num fenómeno mais amplo: a chegada e fixação de espécies exóticas a Portugal, com o aumento do transporte internacional de mercadorias, com a introdução de plantas ornamentais, com o incremento da urbanização, com a alteração de habitats e até com as temperaturas mais elevadas, que podem favorecer a dispersão de espécies que antes dificilmente sobreviveriam fora das suas regiões de origem. E refere que, entre as mais de 300 espécies de insetos de várias regiões do Mundo estabelecidas em Portugal, muitas introduzidas, involuntariamente, através da atividade humana, a vespa-asiática é um dos exemplos mais conhecidos de uma espécie que chegou à Europa por transporte acidental e que acabou por se expandir.

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No entanto, as aranhas são vitais para a saúde do planeta.

Insetos e aracnídeos – aranhas, escorpiões e opiliões das patas longas – “raramente recebem a mesma atenção que animais carismáticos populares, como leões e pandas”, diz Laura Figueroa, professora de conservação ambiental na Universidade de Massachusetts Amherst, nos Estados Unidos da América (EUA). Todavia, em 2017, parecia que esta tendência se estava a inverter. Um estudo publicado na revista científica “PLOS One” revelou a redução de 75% na biomassa de insetos voadores, em 27 anos, em 63 reservas naturais, na Alemanha.

A notícia de iminente apocalipse dos insetos fez manchetes no Mundo, desencadeou estudos semelhantes e impulsionou programas de monitorização e iniciativas de proteção destes animais. A partir do alarme causado por estes declínios, Figueroa e o seu estudante de pós-graduação, Wes Walsh, passaram a avaliar o estado de insetos e aracnídeos na América do Norte, com resultados preocupantes, tendo ficado surpreendidos pela falta de informação disponível e por 88,5% das espécies de insetos e aracnídeos não ter “qualquer estatuto de conservação”.

Entre as poucas salvaguardas, as borboletas e as libélulas recebem fatia desproporcionada da atenção, tal como espécies aquáticas importantes para a monitorização da qualidade da água, como as efémeras, as moscas-de-pedra e as frigâneas. “Os aracnídeos, em particular, estão praticamente ausentes das políticas de conservação; a maioria dos estados nem sequer protege uma única espécie”, observa Walsh.

As aranhas, são muitas vezes, demonizadas como predadores, mas só uma fração mínima das espécies é, realmente, perigosa para os humanos; as suas capacidades de caça são inestimáveis para controlar populações de insetos, pois mantêm sob controlo moscas, mosquitos, pulgões e outras pragas agrícolas; como presas, fornecem relevante fonte de alimento para aves, lagartos e outros predadores, fazendo a energia subir na cadeia alimentar.

A sua presença é indicador precoce fundamental da saúde dos ecossistemas: ajudam na polinização e no controlo biológico de pragas; servem de monitores da qualidade do ar e da água, pelo estão enraizados em muitas culturas, em todo o Mundo. “Insetos e aracnídeos são mais do que objetos de medo. […] Precisamos de os valorizar pela sua importância ecológica, e isso começa por recolher mais dados e por considerá-los dignos de conservação, defende Walsh.

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Não se pode julgar pelas aparências; e o medo, o asco ou o risco não podem impedir a beneficiação que estes bichinhos oferecem aos ecossistemas. Todavia, convém prevenir e tratar as lesões.  

2026.07.01 – Louro de carvalho

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