Decorreu, a 12 e 13 de junho, sob a presidência
do bispo da Guarda, D. José Miguel Barata Pereira, a segunda Peregrinação
Aniversária que evoca a segunda aparição de Nossa Senhora aos Pastorinhos,
tendo ficado patente, no primeiro dia, o apelo a uma “paz desarmada e
desarmante” e à rejeição das lógicas de influência e de poder e, no segundo, a
ideia-força de que “a pessoa humana não é só conhecimento e tecnologia”.
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Na Celebração da Palavra da noite do dia 12, o
bispo da Guarda sublinhou que a Sagrada Escritura apresenta um Deus que escuta
quem Lhe pede com perseverança, mas que não se deixa manipular nem
instrumentalizar. “O Senhor deixa-Se tocar por quem Lhe pede com insistência,
mas não Se deixa manipular”, afirmou, frisando que Deus “aceita os gestos de
amor e entrega de um coração contrito, humilde e agradecido, como tantas vezes
nos apresentamos aqui na casa da Mãe, mas não se deixa comprar por interesses
pessoais ou de grupos”.
A partir desta reflexão, D. José Miguel Barata
Pereira alargou o olhar aos desafios da vida social e internacional, e defendeu
que a transformação das sociedades não acontece pela imposição ou pela
influência oculta. “A força transformadora capaz de mover as vontades na
procura do bem comum não é a força das armas, do abuso de poder, das teias
secretas de influência ou dos que procuram passar à frente dos outros”,
enfatizou.
O presidente da Celebração, retomando o apelo do
Papa Leão XIV, logo no início do seu Pontificado, pediu “uma paz desarmada e
desarmante”, construída através de um diálogo franco e ponderado e orientada
pelo cuidado dos mais frágeis e vulneráveis, no quadro de uma cultura de paz, de
diálogo e de procura do bem comum, pois nem a vida espiritual nem a organização
da sociedade podem assentar em mecanismos de influência, força ou interesses
pessoais.
D. José Miguel Barata Pereira dirigiu a atenção
dos peregrinos para o papel de mediação assumido por Nossa Senhora. Partindo da
frase do Evangelho “Fazei tudo o que Ele vos disser”, explicitou que a missão
de Maria não corresponde a qualquer atributo divino nem a uma forma de
privilégio perante Deus. Em contrapartida, referiu, “Nossa Senhora permanece
uma de nós, completamente humana e não divina.”
O bispo egitaniense frisou que Maria ajuda os
crentes a abandonar imagens distorcidas de Deus – distante, austero ou
arbitrário – e a reconhecer um Pai próximo, bom e presente, mesmo quando “as
feridas da vida não nos deixam reconhecer a sua presença delicada e terna”.
Na palavra especial que dirigiu aos peregrinos, salientou
que Nossa Senhora ensina a escutar a Palavra de Deus, a acolher os seus tempos
e a confiar que a iniciativa divina conduz a vida humana para além das
expectativas imediatas. “Deus não se ausenta nem se desinteressa, mas a ação de
Deus não se submete às nossas expectativas e modos”, referiu o presidente da Celebração,
convidando os cerca de oito mil peregrinos presentes na Cova da Iria a viverem
uma fé mais madura e comunitária, sustentada pela vida sacramental e pela
comunhão da Igreja.
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A concelebrar, nessa noite, estiveram o
bispo de Leiria-Fátima, D. José Ornelas, e o cardeal D. António Marto,
bispo-emérito da diocese, além de 38 sacerdotes e três diáconos.
A Peregrinação Internacional Aniversária de junho
prosseguiu na manhã do dia 13, com a recitação do Rosário, às 9h00, na
Capelinha das Aparições, Missa Internacional, no altar do Recinto de Oração, e
Procissão do Adeus.
É de referir que, no dia 12, os atos da
Peregrinação foram: às 17h30, a Procissão Eucarística, no Recinto de Oração; às
18h30, a Missa, na Basílica da Santíssima Trindade; às 18h30, o Rosário, na
Capelinha das Aparições; às 21h00, Ambientação; às 21h30, início à celebração
da noite com a Bênção Solene das velas e o Rosário, na Capelinha das Aparições,
seguindo-se a Procissão das Velas; às 22h30, a Celebração da Palavra, no
Recinto de Oração; e, às 23h00, a Procissão do silêncio.
Na noite de 12 para 13, os atos da Peregrinação
foram: a Vigília de Oração, com Adoração Eucarística, na Basílica de Nossa
Senhora do Rosário de Fátima, às 00h00; Veneração dos Santos Francisco e
Jacinta Marto, na Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, à 01h00; Via-Sacra,
no Recinto de Oração, às 02h00; Celebração Mariana, na Capelinha das Aparições,
às 03h30; Missa, na Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, às 04:30; Adoração
Eucarística, com Laudes do Santíssimo Sacramento, na Basílica de Nossa Senhora
do Rosário de Fátima, às 05h30.
Na manhã do dia 13, às 07h00, Procissão
Eucarística, no Recinto de Oração; às 09h00, Rosário, na Capelinha das
Aparições; às 10h00, Procissão, para o Altar do Recinto, Missa, Bênção dos
Doentes, Palavra do Bispo Diocesano e Procissão do Adeus, no Altar do Recinto
de Oração.
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Neste 13 de junho, que celebrou o aniversário da
aparição de Fátima na qual Nossa Senhora apresentou o seu Imaculado
Coração como refúgio e o caminho para Deus, o bispo da Guarda defendeu a
importância de cuidar e de alimentar a vida espiritual, para salvaguardar a
liberdade e a humanidade, num Mundo dominado pela tecnologia. “Quem descuida a
vida espiritual pode deixar endurecer o coração. E quem perde a sensibilidade
do coração, deixa apagar a luz que revela o sentido mais profundo da nossa
vida”, afirmou D. José Pereira, alertando para os perigos presentes na
sociedade e concretizando: “Nas nossas sociedades que tendem a humanizar não só
os animais, especialmente, os de estimação com os quais estabelecemos relações
de afeto, mas também os dispositivos e as máquinas, a partir da aplicação da inteligência
artificial [IA] à comunicação digital, à biotecnologia e à robótica, podemos
esquecer que só nós, seres humanos, temos coração, no sentido usado por Nossa
Senhora: esse lugar onde o espírito encontra a luz de sentido dos
acontecimentos e da vida.”
Para salvaguardar a humanidade nos tempos atuais,
D. José Pereira propôs três ações práticas, centradas no coração. O primeiro
aspeto destacado foi o valor de um coração capaz de valorizar o próximo, num
tempo “em que as comunicações mediática e digital potenciam perceções, sem
adesão à realidade, e acusações, sem ter de se confrontar com o rosto e o toque
do outro”. Depois, o bispo da Guarda sublinhou a importância da memória para
manter o coração vivo, para se poderem discernir os acontecimentos, sem “imediatismos
reativos”, mas com serenidade e sob o “fio condutor e a luz de sentido que Deus
oferece”. E, como terceiro aspeto, o presidente da Celebração exortou os
peregrinos a partilharem com coração, transformando a vida interior em caridade
ativa. “Diante das contradições e conflitos deste nosso tempo, seja ainda o
Coração Imaculado de Maria a ensinar-nos o caminho do amor empenhado e
diligente que faz de nós discípulos missionários, com coração, ao serviço da
justificação que dá a vida”, pediu D. José Miguel Barata Pereira.
Inspirando-se no exemplo dos Santos Francisco e
Jacinta Marto, o presidente da Peregrinação concluiu a homilia lançando um
repto para o Mundo. “É preciso lembrar ao Mundo, desde aqui, da Cova da Iria,
que o homem tem coração e precisa de cuidar dele. A pessoa humana não é só
conhecimento e tecnologia. Não se encontra nem se realiza apenas com razão e com
inteligência artificial. Precisa de alimentar a sua vida espiritual”.
Na palavra aos doentes, o padre Daniel Mendes,
assistente nacional do Movimento da Mensagem de Fátima, encorajou os/as que
estão privados/as da sua saúde a não cederem ao desânimo, apontando para o
Coração de Maria como um refúgio seguro e um exemplo de confiança absoluta
perante as provações mais sombrias da vida. “Deus, hoje, pode acender, no
coração de cada um, uma luz maior: a certeza de que sois filhos amados e que a
luz de Cristo ressuscitado continua a brilhar no meio da fragilidade humana; e
Maria, a ‘Senhora mais brilhante que o sol’, com o seu cuidado maternal e
intercessão, permanece ao vosso lado para vos iluminar e conduzir até Jesus”,
garantiu o sacerdote.
Na saudação final, neste mês de junho em que a
Igreja dedica ao Sagrado Coração de Jesus, o bispo de Leiria-Fátima começou por
lembrar a centralidade do Coração de Jesus na mensagem de Fátima. “O nosso
olhar dirige-se para o coração aberto do Salvador, de onde brota a expressão
máxima do amor de Deus, fonte da vida e de fraternidade e de paz, desde sempre
unido à espiritualidade e ao caminho de Fátima”, disse D. José Ornelas,
exortando a uma “participação ativa na transformação da Igreja e do Mundo”.
Aliás, o Recinto de Oração mostra a centralidade
do Coração de Jesus, com a colocação da estátua do Coração de Jesus no seu
antigo ponto central, quase em frente da Capelinha das Aparições.
As zonas de guerra do Médio Oriente, da Ucrânia e
do Sudão foram evocadas pelo prelado do Lis, que deixou um apelo à paz nestes e
noutros lugares do Mundo fustigados pela guerra, em particular, a situação
dramática que se vive em Moçambique e destacou o recente assassinato de D.
Osório Citora Afonso, bispo da Diocese de Quelimane, a quem chamou “mártir da
paz”.
Ao dirigir-se aos peregrinos de língua espanhola,
D. José Ornelas saudou a “Igreja irmã de Espanha” e referiu-se à visita que o
Papa Leão XIV fez àquele país, em especial, às Ilhas Canárias, onde o Sumo
Pontífice contactou com “uma das grandes tragédias do nosso tempo: as migrações
de milhões de pessoas que, desesperadas pela guerra e pela miséria, procuram
justiça e segurança para as suas famílias”. “Que Maria, que foi migrante,
refugiada e peregrina, acompanhe a missão da Igreja e dos povos e nos abra os
corações para orar e integrar aqueles que procuram as nossas praias e
aeroportos para construir um futuro melhor para todos”, pediu.
Além de D. José Ornelas, concelebraram o cardeal
D. António Marto, bispo emérito de Leiria-Fátima, D. Augusto César, bispo
emérito de Portalegre-Castelo Branco, um bispo estrangeiro e ainda 52
presbíteros e quatro diáconos.
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No quadro desta Peregrinação, a 12 de junho, o
Santuário de Fátima anunciou o relançamento do Terço do Centenário das
Aparições, que vai apoiar nova causa social. As duas primeiras séries do terço
permitiram a angariação de mais de 713 mil euros destinados ao Centro de
Reabilitação e Integração de Fátima (CRIF). A terceira série destina-se a
apoiar o Centro de Reabilitação e Integração Ouriense (CRIO).
Transformar um dos principais símbolos de Fátima
num instrumento de solidariedade foi o objetivo que levou a Associação
Empresarial Ourém-Fátima (ACISO), o Santuário de Fátima e a Imprensa
Nacional-Casa da Moeda a lançar, em 2016, o projeto “Terço Comemorativo do
Centenário das Aparições de Fátima”. Ao longo de 10 anos, e com duas séries
lançadas, a iniciativa permitiu angariar mais de 713 mil euros destinados a
apoiar o CRIF. O resultado foi formalmente divulgado, no dia 11, na cerimónia
de encerramento da segunda série do projeto, na qual foi entregue ao CRIF para
ajuda à construção de uma residência para adultos com deficiência.
A sessão decorreu no Santuário de Fátima e marcou
também o lançamento da terceira série do terço que mantém a parceria entre as
três entidades e a vertente solidária, desta vez, destinada a apoiar o CRIO.
Segundo Pedro Mafra, presidente da direção da
ACISO, o projeto nasceu com o objetivo de criar um artigo religioso
representativo de Fátima que valorizasse a produção local e regional,
garantindo, simultaneamente, um impacto social concreto. “Ao longo destes anos,
o terço comemorativo tornou-se muito mais do que um simples artigo religioso. É,
hoje, um símbolo de cooperação entre instituições, de valorização da indústria
local e, acima de tudo, um instrumento de solidariedade ao serviço da
comunidade”, afirmou.
O valor agora entregue permitiu apoiar a
construção da nova residência para adultos com deficiência do CRIF, avaliada em
cerca de dois milhões de euros. Para o presidente da instituição, padre António
Pereira, a iniciativa foi determinante para concretizar um projeto há muito
desejado. “Setecentos mil euros representam uma ajuda extraordinária. Este
apoio permitiu transformar um sonho em realidade e dar uma resposta digna a
pessoas que necessitam de acompanhamento permanente”, relevou.
A componente solidária do projeto terá
continuidade na terceira série do terço comemorativo. Os parceiros decidiram
que os fundos angariados nesta nova edição serão destinados ao CRIO,
instituição que desenvolve, há mais de quatro décadas, um trabalho de
referência na área da deficiência e inclusão. O objetivo passa por apoiar a
aquisição de viaturas para transporte de utentes, reforçando a capacidade de
resposta da instituição.
À semelhança das edições anteriores, por cada
terço vendido será destinado um euro à causa solidária. A nova série terá uma
produção limitada a 60 mil unidades.
Durante a sessão, o reitor do Santuário de
Fátima, padre Carlos Cabecinhas, frisou que o sucesso do projeto resulta da
conjugação entre a identidade espiritual de Fátima e o compromisso social dos
seus promotores. “A dimensão solidária continua a ser um dos aspetos mais
relevantes desta iniciativa. Apoiar instituições que trabalham diariamente com
os mais frágeis é uma forma concreta de dar expressão aos valores que Fátima
representa”, afirmou.
Também o presidente do conselho de administração
da Imprensa Nacional-Casa da Moeda, Nuno Sampaio, destacou a importância do
projeto, que alia duas ideias essenciais: autenticidade e serviço à comunidade.
Salientou ainda que o terço comemorativo constitui um exemplo de como a
colaboração entre instituições gera benefícios duradouros para a população. Desde
a sua criação, o projeto envolveu milhares de peregrinos e visitantes que
adquiriram o terço, centenas de comerciantes e várias entidades parceiras. Agora,
com o arranque da terceira série, os promotores esperam dar continuidade a uma
iniciativa que, ao longo da última década, tem unido fé, economia local e apoio
às instituições sociais da região.
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O Santuário de Fátima, a 9 de junho, deu conhecimento
público de que o bispo da Guarda presidiria à Peregrinação Internacional
Aniversária de junho.
Nomeado bispo da Guarda pelo Papa Francisco e
ordenado a 16 de março de 2025, na Sé Catedral da Guarda, D. José Miguel Barata
Pereira assumiu, pela primeira vez, a presidência desta peregrinação
aniversária, que reúne peregrinos de Portugal e de diversos países.
Natural de Lisboa, onde nasceu a 7 de novembro de
1971, D. José Miguel Barata Pereira foi ordenado sacerdote, a 29 de junho de
1996, para o Patriarcado de Lisboa. Ao longo do seu percurso pastoral e
académico desempenhou diversas funções ligadas à formação sacerdotal, à
animação vocacional e à ação pastoral diocesana. Licenciado em Teologia pela
Universidade Católica Portuguesa (UCP), destacou-se também pelo seu trabalho
nos seminários do Patriarcado de Lisboa, nomeadamente, no Seminário Maior
Cristo Rei dos Olivais.
A peregrinação de junho faz memória da segunda
aparição de Nossa Senhora aos Pastorinhos. Segundo os relatos da Irmã Lúcia,
após a recitação do terço na Cova da Iria, a Senhora voltou a aparecer sobre a
pequena azinheira, pedindo que regressassem no mês seguinte, que rezassem o
terço diariamente e que aprendessem a ler. E foi nesta aparição que a Senhora
revelou, de forma particular, a mensagem do seu Imaculado Coração. À pergunta
de Lúcia sobre a possibilidade de serem levados para o Céu, a Senhora respondeu
que Francisco e Jacinta seriam levados em breve, mas que Lúcia permaneceria,
mais algum tempo, na Terra, para ajudar a difundir a devoção ao Imaculado
Coração de Maria. Segundo o testemunho das crianças, a Senhora dirigiu palavras
de conforto a Lúcia: “Não desanimes. Eu nunca te deixarei. O meu Imaculado
Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus.”
A aparição culminou com a visão do Imaculado
Coração de Maria, cercado de espinhos, representando os pecados da Humanidade e
o apelo à reparação e à conversão.
2026.06.13 – Louro de Carvalho