Celebrou-se,
a 12 e 13 de julho, a terceira peregrinação internacional aniversária ao
Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Fátima (abreviadamente, Santuário de
Fátima), sob a presidência do bispo de Portalegre-Castelo Branco, D. Pedro Alexandre
Simões Gouveia Fernandes. Para esta peregrinação, inscreveram-se, nos
serviços do Santuário de Fátima, 83 grupos de peregrinos, provenientes de 18
países. Além de Portugal, os países com mais peregrinos inscritos foram a Espanha
e a Polónia.
Entretanto,
como o dia 12 foi domingo, já na missa principal havia muitos peregrinos, que foram
desafiados a deixar que a Palavra atinja e determine todos os aspetos e
dimensões da vida.
Para
esta missa, inscreveram-se, nos serviços do Santuário de Fátima, 12 grupos de
peregrinos, a maioria de origem portuguesa, mas também de países estrangeiros,
nomeadamente, da Espanha, dos Estados Unidos da América (EUA), dos Camarões e
da Costa do Marfim.
O
reitor do Santuário de Fátima, padre Carlos Cabecinhas, que presidiu, no
Recinto de Oração, à missa dominical, cujo tema fulcral era a semeadura da
Palavra de Deus, desafiou os peregrinos a deixarem-se transformar pela Palavra
divina, acolhendo-a por forma que ela determine todas as opções, atitudes e
dimensões da vida. “Deixemo-nos transformar pela Palavra de Deus. Deixemos que
ela atinja e determine todos os aspetos e dimensões da vida de cada um de nós”,
exortou o presidente da celebração.
Carlos
Cabecinhas iniciou a homilia com um diagnóstico das palavras que são ruídos do Mundo
atual, alertando para o perigo de não permitirem distinguir o essencial do
supérfluo. “Nós vivemos num Mundo cheio de palavras, de tal modo que muitas
delas se tornam, para nós, apenas música de fundo, ruído a que se não presta
atenção. Quantas vezes não se corre o risco de que a Palavra de Deus proclamada
pertença a este grupo de ruído?”, lembrou o reitor, desafiando cada peregrino a
interrogar-se se, ao fim da missa, saberia responder do que falavam as
leituras.
A
partir dos textos proclamados, em que o profeta Isaías vinca a eficácia e a
ação transformadora da Palavra de Deus, Carlos Cabecinhas advertiu que, se a
nossa vida não muda, a falha não é da Palavra, mas da nossa “desatenção” ou da “falta
de disponibilidade interior” para a acolher. Neste sentido, elencou alguns
obstáculos que impedem a Palavra de dar fruto: as preocupações do dia a dia, a
inconstância do coração, o medo das incompreensões alheias e o erro de “não
darmos a Deus o lugar que só a Deus é devido”, na nossa vida.
E,
a concluir, apresentou Nossa Senhora como modelo de escuta e vivência da
Palavra, descrevendo a Mãe de Deus como o “exemplo perfeito” de quem guarda a
Palavra no coração e a leva à vida prática. “Foi com ela que os santos
Pastorinhos de Fátima, Francisco e Jacinta, aprenderam a ser terreno fértil,
onde a Palavra de Deus deu fruto abundante”, frisou o padre Carlos Cabecinhas, instando
os peregrinos a entrarem nesta “Escola de Maria”, para aprenderem a arte da
escuta da Palavra de Deus.
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O
bispo de Portalegre-Castelo Branco deixou clara, na noite do dia 12, a que é,
no seu entender, a missão urgente dos cristãos, no momento atual: “valorizar e
propor valores mais altos e plenos, que ultrapassem o círculo estreito e
mortífero da busca do simples poder, do simples ter e do simples prazer”.
Na
Celebração da Palavra, o prelado alacrense e albicastrense lembrou os
peregrinos que, no Mundo contemporâneo, tão marcado por projetos egoístas e
parciais, “só Cristo pode trazer plenitude e consistência à vida”.
Dirigindo-se
aos cerca de 10 mil peregrinos presentes no Recinto de Oração e aos que
acompanharam a transmissão pelos canais televisivos e digitais, o presidente da
peregrinação propôs que a vontade de Deus fosse o critério fundamental para
orientar as relações humanas e os projetos de vida. Neste sentido, a partir da
leitura do Evangelho de São Mateus, salientou que Cristo propõe um critério
para a construção de relações que ultrapassa os laços de parentesco: “Quem faz
a vontade de Deus” pertence verdadeiramente à sua família, ou seja, as relações
humanas são “mais positivas e autênticas”, quando deixam de estar centradas nos
próprios interesses e se tornam “integradoras da diferença, tolerantes e
fraternas”, clarificou.
Na
reflexão que partilhou com os peregrinos, o presidente da celebração apresentou
Maria como modelo de quem “procura ver Jesus”, “sempre aberta a Deus, sempre
disponível para se deixar iluminar por Ele e, desse modo, se tornar luminosa
para os outros”. “A grandeza de Maria reside na pureza da sua relação com Deus,
na sua disponibilidade à ação do Espírito Santo e na sua determinação em
conduzir todos a Cristo”, Observou.
Neste
contexto, D. Pedro Fernandes convidou cada peregrino a interrogar-se sobre as
motivações que o trouxeram ao Santuário de Fátima, naquela noite, e sobre o
projeto de vida que deseja construir. “Que me trouxe a Fátima, nesta
peregrinação do aniversário de uma das aparições? A que projeto de vida me
convida Maria?”, perguntou, enquanto incentivava os fiéis a descobrirem o
desejo mais profundo inscrito por Deus na alma de cada um.
Por
fim, lembrou que “só Cristo pode trazer plenitude e consistência à vida” e
pediu a intercessão de Maria para que os fiéis permaneçam abertos à ação do
Espírito Santo, deixando-se guiar por Deus na construção de uma sociedade mais
fraterna e orientada para o bem comum.
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Na
missa da peregrinação internacional aniversária – em que participaram, pelo
menos, sete mil peregrinos e concelebraram, além de D. José Ornelas, bispo de
Leiria-Fátima, o cardeal D. António Marto, bispo emérito de Leiria-Fátima, D.
Augusto César, bispo emérito de Portalegre-Castelo Branco, 89 presbíteros e oito
diáconos –, D. Pedro Fernandes convidou os peregrinos a serem construtores da
justiça e da paz.
Na
homilia proferida no Recinto de Oração, o bispo de Portalegre-Castelo Branco,
recorreu à antítese metafórica bíblica luz-trevas, para refletir sobre os
desafios da sociedade contemporânea, desde as guerras e dos discursos de ódio
até às divisões que ameaçam a comunhão na Igreja. “Atravessamos, hoje, uma
época de insegurança e desorientação”, referiu. “Povos invadindo povos, pessoas
violentando pessoas, discursos de ódio e divisão que proliferam e tentam
impor-se à comunidade humana”, sublinhou.
A
partir do relato da Anunciação, D. Pedro Fernandes apresentou Maria como
exemplo de humildade e de disponibilidade à ação de Deus. “A atitude de Maria
não é de heroicidade conquistadora, é, antes, de disponibilidade humilde, de
quem se coloca à escuta do que Deus quer, reconhecendo n’Aquele que é a fonte
de toda a vida a única autoridade capaz de transformar as nossas trevas em luz
e a nossa violência em mansidão”, afirmou.
Neste
contexto, evocou a recente encíclica Magnifica Humanitas, do Papa Leão XIV,
para alertar para a ambiguidade dos avanços tecnológicos. “Se os recursos da
tecnologia e da inteligência artificial [IA] nos podem abrir as portas para um
quase imediato acesso à informação e um fácil recurso a soluções complexas,
podem também introduzir-nos num perigoso jogo em que verdade e falsidade se
confundem”, lembrou.
Para
D. Pedro Fernandes, tal confusão favorece discursos manipuladores e estratégias
populistas que exploram o medo e a insegurança, dividindo pessoas e povos. “À
tenebrosa estratégia populista do ‘dividir para reinar’ opõe-se a luminosa
proposta da Palavra de Deus, que nos fala de ‘uma Paz sem fim’, alcançada pelo ‘direito
e pela justiça’ e não pela força e pela arrogância”, discorreu, evocando os
conflitos que destroem o Médio Oriente, a Ucrânia e outras regiões do Mundo, com
as raízes da guerra e da violência a manifestarem-se, de modo subtil, nos
corações e na forma como as pessoas criam relações pessoais, sociais, políticas
e económicas.
No
âmbito eclesial, o antístite do Sever e do Pônsul alertou para o perigo das
atitudes sectárias e da arrogância espiritual. Ao relembrar o recente caso de
uma comunidade que se pôs em situação de excomunhão, sustentou que a pretensão
de um grupo se considerar mais próximo de Deus “gera divisão que não pode vir
de Deus”. Assim, o bispo, instando os fiéis a regressarem à humildade de Maria
e a prepararem o Reino de Cristo através de opções concretas de paz,
reconciliação e perdão, deixou claro que “só vem de Deus, aquilo que nos une,
nunca aquilo que nos divide”, e que a unidade da Igreja e a construção de uma
sociedade baseada nos valores do Evangelho são da responsabilidade de todos os
cristãos.
Por
fim, implorou a intercessão de Maria, para que os peregrinos renovem a
determinação de combater todas as formas de violência, de preconceito e de exclusão,
através da oração, do discernimento, da solidariedade e do compromisso na
construção da justiça e da paz.
Na
palavra aos doentes, André Pereira, diretor do Departamento de Acolhimento e
Pastoral do Santuário de Fátima, afirmou que a eucaristia congrega os fiéis
como membros de um só corpo, transformando cada pessoa em sofrimento num
“sacrário vivo” da presença de Jesus. “Na tua fragilidade, és constituído sua
testemunha privilegiada e sacramento do seu amor: Jesus dá-te – e, em ti, a
todos nós – a mais eficaz das curas, a única que verdadeiramente restabelece as
forças, mesmo que o corpo permaneça fraco: a da oferta de tudo por amor, o amor
que salva”, vincou.
Na
saudação final, o bispo da Diocese de Leiria-Fátima, apelou à solidariedade
global, evocando as populações em sofrimento, com destaque para a Venezuela,
devastada por um sismo recente, e para as vítimas das ondas de calor na Europa
e das guerras que espalham terror e morte (esqueceu o grande incêndio de
Vouzela). E, a terminar, exortou os peregrinos a não deixarem que os “ventos de
guerra” apaguem a chama da esperança e da paz, devendo cada peregrino regressar
a casa como um “mensageiro e agente” de justiça, fraternidade e solidariedade
no Mundo.
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Para
facilitar o acesso ao Santuário de Fátima, foram estabelecidos os Caminhos de
Fátima, isto é, uma rede de itinerários religiosos e culturais que partem de
diversos locais e terminam no Santuário de Fátima.
São
eles: Caminho do Norte ao Centro – 364 Km (quilómetros): Valença-Fátima; Caminho
da Nazaré (54 Km): Nazaré-Fátima; Caminho do Tejo (150 Km); Lisboa-Fátima; Rota
Carmelita (111 Km): Coimbra-Fátima; Caminho do Médio Tejo: Rota de Tomar (31 Km),
Rota da Sertã (98 Km) e Rota de Abrantes (91 Km); Caminho dos Candeeiros (63 Km):
Rio Maior- Fátima; e Caminho do Centenário (212 Km): Vila Nova de Gaia-Fátima.
Desenvolvidos
pelo Centro Nacional de Cultura CNC, desde 1996, em parceria com múltiplas
instituições e em articulação com o Santuário de Fátima, criam condições
seguras e aprazíveis, sobretudo, para peregrinos e caminhantes que se dirigem,
a pé, ao Santuário de Fátima, evitando as estradas de grande circulação
automóvel, em favor de caminhos de terra e de pequenas estradas rurais.
Proporcionam verdadeira espiritualidade, em ligação com a Natureza e com as
vivências religiosas e culturais. São itinerários que percorrem territórios
variados, com grande interesse cultural e paisagístico e articulam-se com
outros itinerários de âmbito nacional e internacional.
Para
facilitar a utilização destes itinerários, foram editados os Roteiros dos
Caminhos de Fátima, que disponibilizam, de forma sistemática, informação
completa sobre estes percursos, destacando a paisagem, o património, a cultura
e as ambiências locais.
Apresentam
cartografia associada a cada um dos Caminhos, bem como conteúdos descritivos
sobre os respetivos itinerários. No final de cada Roteiro, há um conjunto de
informações sobre o Santuário de Fátima, com a descrição dos lugares mais
emblemáticos, desde as Basílicas à Capelinha, evidenciando a História e a
simbologia de cada um destes espaços.
Estão
disponíveis para consulta e download, nas plataformas caminhosdefatima.org
e pathsoffaith.com,
incluindo a cartografias no formato GPX e KML.
Estes
itinerários de peregrinação são identificados pela marca “Caminhos de
Fátima”, que incorpora elementos simbólicos: uma azinheira, local de
aparição da virgem aos pastorinhos, árvore caraterística da paisagem onde se
enquadra Fátima e espécie botânica protegida em Portugal (quercus ilex); e
a cor azul, símbolo do azul celeste e da ambiência atmosférica que se
experiencia, diretamente, no Santuário e no espaço envolvente.
A
marca é propriedade do CNC e a sua utilização exige autorização.
O CNC é
uma Associação Cultural de utilidade pública. Criado, a 13 de maio de 1945, por
um grupo de monárquicos e católicos de oposição ao regime, foi concebido como
um “clube de intelectuais” para debate de ideias. Registou os seus estatutos em
1952.
Sempre
com o objetivo da “defesa de uma cultura livre”, nos anos 60, sob a liderança
de Sophia de Mello Breyner Andresen, Francisco Sousa Tavares, Gonçalo Ribeiro
Telles, João Bénard da Costa e António Alçada Baptista, afirmou-se como um
fórum democrático participado por intelectuais e criadores culturais.
Depois
do 25 de Abril de 1974, sob o impulso da equipa liderada por Helena Vaz da
Silva, iniciou uma nova fase, centrada na internacionalização e na valorização
da cultura e do património, com atividades muito variadas e dirigidas a um
público diversificado: “Passeios de Domingo”, ciclos de viagens culturais ,
cursos de formação e de divulgação, encontros internacionais, seminários,
exposições, edições, concursos literários e artísticos, prémios e bolsas,
atividades infantis, prestação de serviços culturais a escolas, a empresas e a grupos
estrangeiros de visita a Portugal.
No
século XXI, reforça a sua matriz identitária, valorizando a memória histórica,
promovendo a criação contemporânea e fortalecendo o debate no plano da cultura
e da cidadania ativa. Tem como grandes linhas de ação a defesa, divulgação e
valorização do património cultural, com base numa noção integrada de
território, de comunidade, de ambiente, de património e de turismo. No
quotidiano, a sua ação pode resumir-se como uma política de “pôr em contacto”, de
“articular”, de “fazer acontecer”.
A
partir do bairro do Chiado em Lisboa, onde tem as suas instalações, incluindo
uma biblioteca e um café literário (Café no Chiado), desenvolve atividades e
projetos. O CNC é membro de redes internacionais e assegura a representação
oficial da Europa Nostra em Portugal. É a entidade titular do projeto Caminhos
de Fátima e proprietária da respetiva marca.
2026.07.13
– Louro de Carvalho