No
5.º domingo da Quaresma, no Ano A, a Palavra de Deus continua a desafiar-nos à
conversão. O episodio evangélico da ressurreição de Lázaro sugere que este é o
tempo de desatar os nós que nos prendem à morte, de sair dos cantos sombrios do
comodismo e de abraçar a oferta irrecusável de vida que Deus insiste em fazer-nos.
***
Na primeira
leitura (Ez 37,12-14), através de Ezequiel, Javé promete vida nova aos
habitantes de Judá, desesperados em terra estrangeira. “Vou abrir os vossos
túmulos e deles vos farei ressuscitar, ó meu povo” – diz-lhes Deus, cujo
desígnio para os seus filhos é e sempre será desígnio de vida. Por isso, não
deixará de guiar o povo até às fontes da vida eterna.
Em
598 a.C. Nabucodonosor, rei da Babilónia, irritado pelas tentativas de Joaquim,
rei de Judá, para se libertar do domínio babilónico, cercou Jerusalém. A Joaquim,
que terá morrido durante o cerco, sucedeu o seu filho Joiaquin, que reinou três
meses, antes de cair nas mãos dos Babilónios. O rei, a classe dirigente e os demais
influentes em Jerusalém foram deportados para a Babilónia (597 a.C.). Nabucodonosor
instalou no trono de Judá Sedecias. Durante algum tempo, Judá manteve-se
tranquilo, pagando os tributos aos Babilónios; mas, tempo depois, aproveitando
a conjuntura política favorável, Sedecias aliou-se aos egípcios e deixou de
pagar o tributo. Um exército de Nabucodonosor cercou, novamente, Jerusalém.
Apesar do socorro de um exército egípcio, Jerusalém rendeu-se aos Babilónios
(586 a.C.). Sedecias tentou fugir da cidade, mas foi feito prisioneiro, viu os
seus filhos serem assassinados e ele próprio foi levado prisioneiro para a
Babilónia, onde acabou os seus dias.
Ezequiel,
“o profeta da esperança”, surge neste cenário. Oriundo de família influente, integrou
o primeiro grupo de exilados de Judá, levados para a Babilónia em 597 a.C. (quando
Nabucodonosor conquistou Jerusalém, pela primeira vez). Será na Babilónia que
Ezequiel exerce a sua missão profética.
A
primeira fase do seu ministério decorreu entre 593 a.C. (quando se sentiu o
chamado por Deus) e 586 a.C. (quando Jerusalém foi arrasada pelas tropas de
Nabucodonosor e nova leva de exilados foi para a Babilónia). O profeta procurou
destruir falsas esperanças e anunciou que, ao invés do que pensavam os
exilados, o cativeiro estava para durar. Não só não regressariam, em breve, mas
os que ficaram em Jerusalém (e que multiplicavam os pecados e infidelidades
contra Javé) fariam companhia aos já desterrados. A segunda fase do ministério
de Ezequiel desenrola-se a partir de 586 a.C., até cerca de 570 a.C. Instalados
em terra estrangeira, sem Templo, sem sacerdócio e sem culto, os exilados duvidam
da bondade e do amor de Deus. Ezequiel tenta alimentar a esperança e transmitir
ao Povo a certeza de que o Deus libertador e salvador não os abandonou. As
palavras de Ezequiel aos concidadãos são de ânimo e de esperança.
O
trecho em referência pertence à segunda fase do ministério de Ezequiel. Integra
um conjunto de “oráculos de salvação” que inclui a “visão dos ossos calcinados”,
na qual o profeta fala de uma planície cheia de ossos calcinados e sem vida,
mas que, vivificados pelo Espírito do Senhor, são revestidos de pele, de
músculos e ganham nova vida. Esses ossos representam o Povo de Deus, que jaz
sem esperança na planície mesopotâmica.
Após
vários anos de exílio na planície mesopotâmica, os habitantes de Judá perderam
a esperança. Estão à mercê dos inimigos e têm saudades da sua terra. Creem-se
abandonados por Deus e pelos homens. Não vislumbram mudança, futuro, nem saída.
É uma situação de morte para a qual não veem remédio. São como ossos
ressequidos que apodrecem no túmulo. Porém, Deus conhece a situação do seu povo
e prepara-se para intervir. Ezequiel, voz de Deus entre os exilados, anuncia
que Javé ressuscitará o seu povo, tirá-lo-á do túmulo, libertá-lo-á, devolver-lhe-á
a esperança, oferecer-lhe-á um futuro novo e cheio de vida. Enfim, Deus infundirá
o seu Espírito sobre os exilados, os quais, revitalizados pelo Espírito de
Deus, conhecerão uma vida nova. Pôr-se-ão a caminho de Jerusalém, de regresso aos
seus lares, às suas raízes. A situação mortal será vencida pela força de vida
que Deus dá ao seu povo.
A
referência à ação do Espírito de Deus na revivificação do homem leva-nos
cenário de Gn 2,7: no homem que criou do barro, Deus infundiu o seu
“hálito de vida” (“neshamá”) para o tornar um ser vivente; aqui, sobre o Povo
que jaz no túmulo, Deus “infunde o seu Espírito” (“ruah”). A ação de Deus em
favor do seu povo é uma nova criação.
No
“ruah” de Deus dado ao Povo que jaz no túmulo, devermos ver mais do que mera força
vital que é responsável pela vida física ao homem. O “ruah” de Deus transmite
ao homem a vida divina e transforma radicalmente o coração do homem. Fará com
que os “corações de pedra” – duros, insensíveis, autossuficientes – se
transformem em “corações de carne”, sensíveis e bons, capazes de amar Deus e de
viver de acordo com os mandamentos de Deus (“dar-vos-ei um coração novo e
introduzirei em vós um espírito novo: arrancarei do vosso peito o coração de
pedra e vos darei um coração de carne. Dentro de vós porei o meu espírito,
fazendo com que sigais as minhas leis e obedeçais e pratiqueis os meus
preceitos”). Esta nova criação vai mais longe do que a antiga criação,
reportada na narração do livro do Génesis.
A
promessa do regresso dos exilados concretizou-se alguns anos mais tarde (538
a.C.), quando o rei persa Ciro os autorizou a deixarem a Babilónia e a
retornarem a Jerusalém. Porém, a tradição rabínica reinterpretará esta promessa
de Deus e ligá-la-á com a chegada dos tempos messiânicos. Alguns círculos
religiosos viam nesta promessa a afirmação de que, com a chegada do Messias,
todos os justos ressuscitariam e participariam na alegria do Reino messiânico.
Além disso, o texto ajudou a catequese de Israel a sedimentar uma das suas
convicções mais profundas: Javé é o Deus da vida, que nunca abandona o seu povo
e que encontra sempre formas de transmitir vida ao seu Povo; e, em cada
instante da História, Ele está presente, a recriar o Povo, a transformá-lo, a renová-lo,
a encaminhá-lo para a vida plena.
***
O Evangelho (Jo
11,1-45) dá-nos – a partir da vida de Lázaro, amigo de Jesus – uma catequese
sobre o desígnio de vida que Deus tem para o homem. Diz-nos que Jesus veio ao
nosso encontro, enviado por Deus, oferecer-nos a vida que a morte não poderá
vencer. Aos que mostram interesse em acolher a vida, Jesus garante: “Eu sou a
ressurreição e a vida. Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viverá; e
todo aquele que vive e acredita em Mim, nunca morrerá”. Chegamos à vida, se
ousarmos seguir Jesus.
O
Quarto Evangelho, escrito por volta do ano 100, é ponto de chegada da reflexão
cristológica do século I. Na sua génese está o testemunho do apóstolo, mas mantendo
a reflexão da comunidade joânica (de Éfeso) sobre Jesus a partir do testemunho de
João.
É
usual dividir o Evangelho de João em duas partes: o “Livro dos Sinais” (Jo
4,1-11,54) e o “Livro da Hora” (Jo 11,55-19,42). O “Livro dos Sinais” formula
diversas catequeses – recorrendo a sinais, como a água, o pão, a luz, o pastor,
a vida que vence a morte – que mostram como o Messias, agindo de acordo com o desígnio
de Deus, faz nascer um Homem Novo, que vive segundo Deus. No “livro da Hora”, o
Messias encaminha-se para a cruz e, oferecendo a vida por amor, mostra aos
homens como devem viver e como devem amar. Os que aprendem com Jesus o amor e
se dispõem a viver como Ele viveu, formarão a nova comunidade, a Igreja,
vivificada pela água (batismo) e pelo sangue (eucaristia) que brotam do coração
de Cristo.
A
narrativa da ressurreição de Lázaro integra o “Livro dos Sinais”. É a quinta catequese
que o livro nos oferece. Trata-se de narração que não tem paralelo nos outros
Evangelhos. Propõe Jesus como O que é capaz de dar aos que a Ele aderem uma
vida que supera a morte.
A
cena situa-nos em Betânia, no lado oriental do monte das Oliveiras, a cerca de
2700 metros de Jerusalém. Atualmente, tem o nome de El-Azariyeh, nome derivado
de Lázaro. Quem a visita pode descer os 24 degraus que levam a um sítio onde a
tradição situa o túmulo de Lázaro.
O
autor da catequese põe-nos diante de um triste episódio familiar: a morte de um
homem. A família em questão, constituída por três pessoas (Marta, Maria e
Lázaro), é conhecida de Jesus: em Jo 11,5 diz-se que Jesus “era amigo”
de Marta, de sua irmã (Maria) e de Lázaro. A visita de Jesus a casa desta
família é mencionada em Lc 10,38-42; e João observa que esta Maria é a
que ungira o Senhor com perfume e lhe enxugara os pés com os cabelos.
O
sinal realizado – a reanimação de Lázaro, o amigo que a morte tinha levado – é
descrito em dois versículos, mas o relato prolonga-se ao longo de 45 versículos,
com diálogos, achegas, comentários, explicações. O evangelista expõe à comunidade
uma catequese cujo tema é formulado por Jesus: “Eu sou a ressurreição e a vida.
Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viverá; e todo aquele que vive e
acredita em Mim, nunca morrerá.”
Estamos
ante uma família de caraterísticas que importa vincar. Não há referência a
outros membros, além de Maria, Marta e Lázaro: não há pai, nem mãe, nem filhos.
E João insiste no parentesco que une os três: são irmãos. O termo “irmão”
(“adelfós”) será usado por Jesus, após a ressurreição, para definir a
comunidade dos discípulos; e esta denominação será comum entre os membros da
comunidade cristã primitiva para se designarem entre si. Por outro lado, a
relação entre Jesus e esta família é de amizade. Jesus conhece e ama esta
família e ela conhece Jesus, ama-O e recebe-O em sua casa. A família de Lázaro
é boa imagem da comunidade cristã e mostra que não importa a origem e a
proveniência dos cristãos.
Um
facto abala a vida desta família: um dos irmãos está gravemente doente. As
irmãs mostram interesse, preocupação e solidariedade para com o irmão doente e
informam Jesus. Aquela família crê que Jesus pode dar vida ao irmão fragilizado
pela doença. Porém, apesar do afeto e da amizade que sente pelo amigo Lázaro,
Jesus não vai, imediatamente, ao seu encontro; até parece atrasar-se
deliberadamente. Sem se inquietar, deixa que a doença siga o percurso normal e
que a morte física do amigo se concretize. O evangelista quererá dizer-nos que
Jesus não veio para alterar o ciclo normal da vida física do homem,
libertando-o da morte biológica; veio para dar um novo sentido à morte física e
para oferecer ao homem a vida eterna.
Dois
dias depois, Jesus resolve dirigir-se à Judeia ao encontro do amigo Lázaro. Os
discípulos não estão tranquilos e lembram a Jesus que a Judeia é lugar
perigoso, pois é lá que estão aqueles – os líderes religiosos judaicos – que
pretendem silenciá-Lo. Contudo, Jesus não pretende fugir às suas
responsabilidades: o plano do Pai é que Ele dê vida ao enfermo, mesmo correndo
riscos. A sua preocupação é realizar o plano do Pai no sentido de dar vida ao
homem. Jesus não pode abandonar o amigo. Ele é o pastor que desafia o perigo
por amor dos seus.
Ao
chegar a Betânia, Jesus encontra Lázaro sepultado há já quatro dias. Para a
mentalidade judaica, a morte era considerada definitiva a partir do terceiro
dia. Quando Jesus chega, Lázaro está mesmo morto. Jesus, em conversa com os
discípulos, admite-o; mas fala da morte que atingiu Lázaro como de um sono. Assim,
João está a sugerir que Jesus não elimina a morte física; mas, para aqueles que
são amigos de Jesus, a morte física não é mais do que um sono, do qual se
acorda para descobrir a vida definitiva.
Por
esta altura, entram em cena as irmãs de Lázaro. Marta vem ao encontro de Jesus
e faz uma crítica, misturada com um pedido: Jesus podia ter evitado a morte do
amigo, se tivesse vindo imediatamente, pois onde Ele está reina a vida. No
entanto, ela acredita que, mesmo agora, Jesus poderá interceder junto de Deus:
de certeza que Deus O ouvirá e devolverá a vida física a Lázaro. Marta crê em
Deus e crê que Jesus é um profeta através de quem Deus atua no Mundo. Todavia,
ainda não tem consciência de que Jesus é a vida e que Ele próprio dá a vida.
Jesus
expõe a Marta (e, através dela, a todos os irmãos que a cada momento se
encontram com a morte física de alguém a quem amam) a sua catequese sobre a
vida que Ele tem para oferecer. Começa por dizer a Marta: “Teu irmão
ressuscitará.” Marta pensa que as palavras de Jesus são consolação banal e que
Ele se refere à crença farisaica, segundo a qual os mortos haveriam de reviver,
no final dos tempos, aquando da última intervenção de Deus na História humana.
Isso ela já sabe, mas não lhe basta: esse último dia ainda está tão longe! Jesus,
porém, não está a falar de uma revivificação, no fim dos tempos, conforme as
crenças farisaicas. O que Ele diz é que, para quem é Seu amigo, adere a Ele e
caminha com Ele, não há morte. Jesus é “a ressurreição e a vida”. Para os seus
amigos, a morte física é apenas um sono, a passagem desta vida para a vida
plena. Jesus não evita a morte física, mas oferece ao homem a vida que se
prolonga para sempre. Para que essa vida definitiva possa chegar ao homem é
necessário, no entanto, que o homem adira a Jesus e O siga, num caminho de amor
e de dom da vida (“todo aquele que vive e acredita em mim, nunca morrerá”). A
comunidade de Jesus é a comunidade dos que já possuem a vida definitiva. Passarão
pela morte física; mas essa morte será apenas passagem para a verdadeira vida.
E é essa vida verdadeira que Jesus quer oferecer.
Confrontada
com esta garantia de Jesus (“acreditas nisto?”), Marta manifesta a sua adesão
plena ao que Ele afirma e professa a sua fé no Senhor que dá a vida (“acredito,
Senhor, que Tu és o Messias, o Filho de Deus que havia de vir ao mundo”).
Maria,
a outra irmã, tinha ficado em casa. Está imobilizada, paralisada pela dor sem
esperança. Marta – que falara com Jesus e encontrara n’Ele a resposta para a
situação que a fazia sofrer – convida a irmã a sair da sua dor e a ir, por sua
vez, ao encontro de Jesus. Maria vai rapidamente, sem dar explicações a
ninguém: tem consciência de que só em Jesus encontrará uma solução para o
sofrimento que lhe enche o coração. Também nas palavras de Maria há uma
reprovação a Jesus pelo facto de Ele não ter estado presente, impedindo a morte
física de Lázaro. Jesus não pronuncia qualquer palavra de consolo, nem exorta à
resignação: faz melhor do que isso, mostra que Ele é, efetivamente, a
ressurreição e a vida.
A
cena da ressurreição de Lázaro começa com Jesus a chorar. Jesus mostra afeto
por Lázaro, saudade do amigo ausente. Sente a dor ante a morte física da pessoa
amada; mas a sua dor não é desespero. Depois, Jesus chega junto do sepulcro. A
entrada da gruta onde Lázaro está sepultado está fechada com uma pedra. A pedra
simboliza a definitividade da morte. Separa o mundo dos vivos do dos mortos,
cortando qualquer relação entre um e outro. Jesus, porém, manda tirar a pedra:
para os crentes, não são duas realidades sem relação. Jesus, ao oferecer a vida,
abate as barreiras criadas pela morte física, que não afasta o homem da vida.
A
ação de dar vida a Lázaro representa, para Jesus, a concretização da missão que
o Pai Lhe confiou: dar vida plena e definitiva ao homem. É por isso que Jesus,
antes de mandar Lázaro sair do sepulcro, ergue os olhos ao céu e dá graças ao
Pai: a sua oração mostra a sua comunhão com o Pai e a sua obediência na
concretização do plano do Pai. Depois, Jesus mostra Lázaro vivo na morte,
provando à comunidade dos crentes que a morte física não interrompe a vida
plena do discípulo que ama Jesus e O segue.
Aquela
família de Betânia representa a comunidade cristã, formada por irmãos e irmãs.
Todos conhecem Jesus, são amigos de Jesus, acolhem Jesus na sua casa e na sua
vida, têm-No como a sua grande referência. Essa família também faz a
experiência da morte física. Porém, ser amigo de Jesus é saber que Ele é a
ressurreição e a vida e que dá aos seus a vida plena, em todos os momentos. Ele
não evita a morte física; mas a morte física é, para os que aderiram a Jesus,
apenas a passagem (imediata) para a vida verdadeira e definitiva. Para os amigos
de Jesus – para os que acolhem a sua proposta e fazem da sua vida uma entrega a
Deus e um dom aos irmãos – não há morte. Podemos chorar a saudade pela partida
de um irmão, mas temos de saber que, ao deixar este Mundo, esse irmão encontrou
a vida plena, na glória de Deus.
***
Na segunda
leitura (Rm 8,8-11), o apóstolo convida os cristãos de Roma – e os
discípulos de Jesus de sempre e de toda a parte – a lembrarem o compromisso que
assumiram no batismo e a viverem sob o domínio do Espírito. Aqueles que
escolheram Cristo e que vivem no Espírito, pertencem a Deus e integram a
família de Deus. Estão destinados à vida plena. A reflexão desenvolvida no 8.º capítulo
da Carta aos Romanos, sobre a vida no Espírito, tem como pano de fundo uma das antíteses
paulinas: “carne”/”Espírito”.
A
carne designa o homem frágil e destinado à morte; e, na teologia paulina, o
homem pecador, que se opõe a Deus e que vive à margem de Deus: o homem carnal é
o que vive no egoísmo e na autossuficiência, que cultiva atitudes desordenadas
– o ódio, a ambição, a inveja, o ciúme, a fúria, a devassidão, a discórdia, a
libertinagem. O Espírito designa tudo o que faz do homem uma realidade
transcendente; e, na linguagem paulina, o homem que está aberto a Deus: o homem
do Espírito é o que escuta Deus e que Lhe obedece, que pauta a vida pelo amor,
pela alegria, pela paz, pela paciência, pela benignidade, pela bondade, pela
fidelidade, pela mansidão, pelo autodomínio. Estas duas realidades estão em
profunda contradição.
Deus,
pela vontade de salvar o homem, enviou ao Mundo o seu Filho. Jesus surgiu em carne
semelhante à nossa; mas não conheceu o pecado e nunca o escolheu. Recusou viver
à margem de Deus; escolheu viver segundo o Espírito, em obediência total ao
Pai. Trouxe à carne o dinamismo do Espírito. Quem adere a Cristo recebe vida
d’Ele e passa a ser animado pelo dinamismo que o animou a Ele. O batizado deixa
de estar sob o domínio da carne e, como Cristo, passa a viver sob o dinamismo
do Espírito. Se alguém vive de acordo com a carne, é sinal de que não é
cristão, não se identifica com Cristo, não pertence a Cristo.
Os
que se identificam com Cristo e que vivem no Espírito, estão destinados à vida.
Assim como Cristo – depois de uma vida vivida no Espírito – ressuscitou e foi
elevado definitivamente à glória do Pai, assim o cristão está destinado à vida
nova, à vida plena, à vida eterna. É, pois, o Espírito – presente nos que
renunciaram à vida da carne e aderiram a Jesus – que liberta os crentes do
pecado e da morte, que os transforma em homens novos e que os leva à vida plena.
***
“No
Senhor está a misericórdia, no Senhor está a plenitude da redenção.”
“Eu
sou a ressurreição e a vida, diz o Senhor. / Quem acredita em Mim nunca
morrerá.”
2026.03.22
– Louro de Carvalho