O
Papa São João Paulo II, no ano 2000, consagrou o termo da Oitava da Páscoa, o II
domingo do tempo pascal – tradicionalmente designado por domingo in albis
(em que os batizados na Vigília Pascal depunham a veste branca) e popularmente
conhecido como domingo da pascoela – como “Domingo da Divina Misericórdia”. A
liturgia deste domingo leva-nos a contemplar a comunidade de homens novos que
nasce da cruz e da ressurreição de Jesus, a Igreja. No dia da ressurreição, Jesus
ressuscitado, confia à sua comunidade a missão de testemunhar, no Mundo, o amor
e a misericórdia de Deus.
Os
primeiros discípulos contemplaram, no ressuscitado, as chagas da paixão (o
ressuscitado é o mesmo que foi crucificado). A misericórdia do Senhor
manifesta-se no cravejamento do Filho de Deus na cruz. E a ressurreição
significa revolução da misericórdia ou Revolução dos Cravos. Os cravos
desapareceram, mas os seus lugares puderam ser contemplados no corpo do
ressuscitado.
***
O Evangelho (Jo
20,19-31) exibe a comunidade da Nova Aliança, nascida da ação criadora e
vivificadora de Jesus e que se reúne à volta do ressuscitado, recebendo d’Ele
Vida, sendo animada pelo Seu Espírito e testemunhando, no Mundo, a Vida nova de
Deus. Quem quiser ver e tocar o ressuscitado, deve procurá-Lo na comunidade que
d’Ele nasceu e que d’Ele vive.
Jesus
foi crucificado na manhã de sexta-feira – dia da preparação da Páscoa – e
morreu pelas três horas da tarde. Depois de morto, um soldado trespassou-lhe o
coração com uma lança; e do coração aberto de Jesus saiu sangue e água. João vê,
no sangue que sai do lado aberto, o sinal do seu amor dado até ao extremo: do
amor do pastor que dá a vida pelas ovelhas, do amor do amigo que dá a vida
pelos amigos; e vê, na água que sai do coração trespassado, o sinal do Espírito
que Jesus entregou aos seus e que é fonte de Vida nova. Da água e do sangue, do
batismo e da eucaristia, nasce a comunidade da Nova Aliança. Contudo, os
discípulos que tinham subido com Jesus a Jerusalém e que seriam o embrião da
comunidade da Nova Aliança, desapareceram, sem deixarem rasto. Estão ocultos,
algures em Jerusalém, paralisados pelo medo.
No
final da tarde de sexta-feira, o corpo morto de Jesus foi sepultado à pressa
num túmulo novo, situado num horto ao lado do lugar onde se dera a crucifixão.
Depois veio o sábado, o último dia da semana, o dia da celebração da Páscoa
judaica, durante o qual o túmulo de Jesus continuou cerrado. Chegados ao
“primeiro dia da semana”, o primeiro dia do tempo novo, da Humanidade nova,
nascida da ação criadora e vivificadora de Jesus, tudo muda. “No primeiro dia
da semana”, Maria Madalena, a mulher que representa a nova comunidade, vai ao
túmulo e vem de lá confusa, porque o túmulo está vazio. Logo depois, ainda “no
primeiro dia da semana”, Pedro e outro discípulo correm ao túmulo e verificam o
que Maria Madalena afirmara: Jesus não está encerrado no domínio da morte. A
comunidade de Jesus começa a despertar do letargo e a viver o tempo novo. “Ao
entardecer do primeiro dia da semana” (ao concluir-se o primeiro dia da nova
criação) a comunidade discípular experiencia o encontro com Jesus, vivo e
ressuscitado.
O
trecho em apreço divide-se em duas partes.
A
primeira (vv. 19-23), narra o encontro de Jesus ressuscitado com os
discípulos. João começa por descrever a situação em que estavam os discípulos,
antes de Jesus lhes aparecer: o “anoitecer”, as “portas fechadas”, o “medo”, que
traduzem a insegurança e o desamparo que sentem ante o mundo hostil que
condenou Jesus à morte. Mas, de repente, o Jesus apresenta-Se “no meio deles”.
O crucificado está vivo; a morte não o venceu. Os discípulos não estão órfãos, deixados
à hostilidade do Mundo. Ao situar-Se no meio deles, Jesus ressuscitado
assume-Se como referência, fator de unidade, fonte de Vida, videira na qual se
enxertam os ramos. A comunidade centra-se em Jesus, o centro onde todos bebem a
água da Vida eterna.
A
esta comunidade Jesus transmite a paz. Não é só o usual cumprimento hebraico
(“shalom”), mas é, sobretudo, a certeza de que Jesus venceu tudo o que
assustava os discípulos: a morte, a opressão, a mentira, a violência, a
hostilidade do Mundo. Doravante os discípulos não têm qualquer razão para
viverem paralisados pelo medo. Possuem a paz desarmada e desarmante, no dizer
do Papa Leão XIV.
Depois,
Jesus mostra aos discípulos as mãos com a marca dos cravos e o lado que foi
trespassado pela lança. Nesses sinais está a prova da sua vitória sobre a morte
e sobre a maldade dos homens; e, sobretudo, o selo misericordioso da sua
entrega até à morte, por obediência ao Pai e por amor aos homens. Neles está
impressa a identidade de Jesus, ou seja, os sinais de amor e de doação que a
comunidade reconhece em Jesus vivo e presente no seu meio. A permanência desses
sinais indica a permanência do amor de Jesus: Ele é sempre o Messias que ama e
do qual brotarão a água e o sangue que constituem e alimentam a comunidade. A
esta apresentação de Jesus, os discípulos respondem com a alegria. Estão
alegres, porque Ele está vivo e porque sabem que começou o tempo novo, em que a
morte não assusta, o tempo do Homem Novo, do Homem livre, do Homem que se
encontrou com a Vida definitiva.
Em
seguida, Jesus convoca os discípulos para a missão, a que o Pai Lhe confiou:
realizar, no Mundo, a obra de Deus. Os discípulos concretizá-la-ão conectados
com Jesus (são ramos ligados à videira/Jesus), pois só assim darão fruto. E, para
os discípulos poderem concretizá-la, Jesus realiza um gesto significativo:
“soprou” sobre eles. O verbo utilizado é o do texto grego de Gn 2,7 (para
dizer que Deus soprou sobre o homem de argila, infundindo-lhe a vida de Deus).
Com aquele sopro, o homem tornou-se um ser vivente; com este sopro, Jesus
transmite aos discípulos a Vida nova, o Espírito Santo, que fará deles Homens
Novos e que os capacitará para viverem como testemunhas de Jesus ressuscitado. É,
na verdade, uma nova Criação. Da ação de Jesus, do seu testemunho, do seu amor,
do seu dom nasceu a nova Humanidade, capaz de amar até ao extremo, de dar a
vida, de realizar a obra de Deus. É este Espírito que, a cada instante,
constitui e anima a comunidade de Jesus. E é esta a comunidade da Nova Aliança,
nascida da ação e do amor de Jesus.
Na
segunda parte (vv. 24-31, o evangelista apresenta uma catequese sobre a
modo de os discípulos de qualquer época chegarem à fé em Cristo ressuscitado. O
historial de Tomé, o Dídimo (gémeo), pode ser o nosso. Também nós nem sempre
nos contentamos com o testemunho dos primeiros discípulos: gostaríamos de ver,
de tocar, de ter provas.
Jesus
ressuscitado apresenta-Se aos discípulos “no primeiro dia da semana”, quando a
comunidade está reunida. A comunidade é o lugar natural onde se manifesta e
irradia o amor de Jesus, onde desponta a Vida nova. Por isso, é lá que se faz a
experiência da presença de Jesus vivo. Mas Tomé “não estava com eles”. Estava
fora da comunidade. E desafia: “Se eu não vir o sinal dos cravos nas suas mãos
e não meter o meu dedo nesse sinal e a minha mão no seu lado, não acredito” –
diz Tomé quando lhe disseram que viram o Senhor. Em vez de se integrar e de participar
da experiência que os outros discípulos fizeram em comunidade, quer obter para
si uma demonstração particular de Deus. Tomé representa os fechados em si (está
fora), que não fazem caso do testemunho da comunidade, pelo que nem percebem os
sinais de Vida nova que nela se manifestam.
Porém,
“oito dias depois” (também “no primeiro dia da semana”), Tomé já está integrado
na comunidade; e é aí que se encontra com o ressuscitado. Esta experiência é
tão impactante que, do coração rendido de Tomé, brota uma extraordinária
declaração de fé, uma das mais belas de toda a Bíblia: “Meu Senhor e meu
Deus!”. Também nós, os chamados a acreditar sem termos visto, nem tocado,
poderemos fazer a experiência que Tomé fez: é no encontro com o amor fraterno,
com o perdão dos irmãos, com a Palavra proclamada em comunidade, com o pão de
Jesus partilhado, que se descobre e se experimenta Jesus ressuscitado. Por isso,
a comunidade de Jesus se reúne “no primeiro dia da semana”, no “dia do Senhor”
(o domingo), o dia da ressurreição, o dia da Igreja. É o primeiro dia, que se
torna também o oitavo, como na música, somos chamados à celebração da Páscoa de
oitava em oitava, sem parar, até que o Senhor nos mande entrar na eternidade.
***
A primeira
leitura (At 2,42-47) é uma fotografia retocada da primeva
comunidade cristã de Jerusalém. Lucas imprime nela os traços da comunidade
ideal: unida e fraterna, onde os bens são partilhados e cada um está atento às
necessidades dos irmãos. É uma comunidade empenhada em escutar a Boa Notícia de
Jesus, em reunir-se para a “fração do pão” e para a oração comunitária. O
estilo de vida desta família é contagiante e faz com que muitos outros homens e
mulheres sintam vontade de integrar a Igreja de Jesus.
Depois
de ter apresentado, na primeira parte (o “Evangelho de Jesus Cristo segundo
Lucas”), o tempo de Jesus, Lucas completa a sua obra, apresentando o tempo da
Igreja, em que a proposta de salvação de Deus é levada ao encontro do Mundo
pela comunidade de Jesus (a Igreja), animada e guiada pelo Espírito Santo. Esta
comunidade ideal, que nasce do Espírito e do testemunho dos apóstolos é a
comunidade que consolida a sua experiência de vida em quatro pilares
fundamentais: o ensino dos apóstolos, a comunhão fraterna, a fração do pão e a
oração. Os apóstolos foram testemunhas oculares da salvação que Jesus
apresentou, enquanto andava pelos caminhos da Galileia e da Judeia. Na pregação
dessas testemunhas privilegiadas das palavras e dos gestos de Jesus ecoa, agora,
a verdade do Reino de Deus.
A
comunidade reúne-se à volta dos apóstolos, porque quer chegar a Jesus e à Boa
Notícia que Ele trouxe. Pelo testemunho dos apóstolos quer conhecer a pessoa de
Jesus, o seu plano, os seus valores, o seu estilo de vida, o seu amor até ao
extremo, a sua entrega ao Pai e aos homens. A catequese recebida dos apóstolos
aproxima de Jesus a comunidade e mostra-lhe como deve viver para se identificar
com Jesus. Construindo a sua fé sobre o testemunho dos apóstolos, os cristãos estão
livres da mentira, das doutrinas falsas e dos falsos profetas.
A
comunidade de Jerusalém é também a comunidade que vive em comunhão fraterna. Os
seus membros veem-se como irmãos e irmãs; são família em Cristo. Identificam-se
com Cristo e são membros do Corpo de Cristo. Essa fraternidade não é algo
abstrato, que se fica na teoria e ou na doutrina; mas é a fraternidade que se
sente, se vê e se expressa na realidade da vida, nos gestos de todos os dias.
Significava a renúncia à vida de egoísmo, de autossuficiência e de fechamento
em si próprio. Implicava terem tudo em comum, partilharem os bens com os
irmãos, cuidarem dos mais pobres e frágeis. É a comunidade que assume o verdadeiro
compromisso com o amor, com a partilha, com o dom da vida. A caridade é a sua
marca distintiva.
A
comunidade cristã era assídua à “fração do pão”. Inicialmente, a expressão
designava o gesto do chefe de família que, no início da refeição, partia o pão
e o distribuía pelos convivas. Porém, na linguagem cristã, torna-se a expressão
técnica designativa do memorial da ceia do Senhor, a eucaristia. Era a
celebração que resumia toda a vida do Senhor Jesus, feita doação da vida e
entrega até à morte. Acompanhada duma refeição fraterna, comportava orações,
pregação e gestos de comunhão e de partilha entre os cristãos. Era momento de
alegria, em que a comunidade celebrava a união a Jesus e a comunhão fraterna.
Os crentes saíam da fração do pão mais identificados a Jesus e sentindo,
fortemente, os laços que os uniam aos irmãos com quem tinham partilhado o mesmo
pão, o pão dado por Jesus aos seus.
Temos,
ainda, as orações. Os primeiros cristãos continuaram a frequentar o Templo
(“todos os dias frequentavam o Templo”) e a participar da oração da comunidade
judaica. Porém, bastante cedo, a comunidade cristã terá começado a sentir a
necessidade de se encontrar para a oração tipicamente cristã, centrada na
pessoa de Jesus; e é a esta oração comunitária cristã que Lucas se refere. A
comunidade de Jesus é, pois, a comunidade que se junta para rezar, para louvar
o seu Senhor; e a oração comum constitui um momento de comunhão, de
aprofundamento dos laços que unem os membros da comunidade.
Lucas
vinca o testemunho da comunidade cristã aos outros habitantes de Jerusalém. Os
gestos realizados pelos apóstolos enchiam toda a gente de temor, isto é,
infundiam em todos os que os testemunhavam a certeza da presença de Deus e dos
seus dinamismos de salvação. Além disso, a piedade, o amor fraterno, a alegria
e a simplicidade dos crentes concitavam a admiração e a simpatia de todo o povo;
desafiavam os habitantes de Jerusalém; e faziam que aumentasse, todos os dias,
o número dos que aderiam a Jesus e à comunidade da salvação.
A
comunidade cristã de Jerusalém não seria, de facto, a comunidade ideal. Outros
textos dos Atos falam-nos de tensões e de problemas – como em qualquer
comunidade humana. Porém, a descrição lucana aponta para a meta a que a
comunidade cristã deve aspirar, confiada na força do Espírito. Trata-se, pois,
de uma descrição da comunidade ideal, que pretende servir de modelo à Igreja e
às igrejas de todas as épocas.
***
Na segunda
leitura (1Pe 1,3-9) um catequista dos finais do século I lembra aos
batizados em Cristo a condição de homens novos, felizes beneficiários da
misericórdia de Deus. Cristo, o vencedor da morte, salvou-os e abriu-lhes as
portas da vida definitiva. Certos da vida nova que os espera, os cristãos devem
encarar a sua caminhada pela Terra com uma “esperança viva”, com uma “alegria
inefável e gloriosa”, com um otimismo contagiante.
O
trecho em referência apresenta-se na forma de hino de ação de graças, ao estilo
das bênçãos judaicas. Nele, o autor louva a Deus pela sua obra salvadora em
favor dos homens. É um “credo abreviado” do povo de Deus.
Foi
Deus que tomou a iniciativa de dar ao homem a salvação. Fê-lo por meio de Jesus
Cristo, o Filho que enviou ao encontro dos homens. A vitória de Jesus sobre a
morte ocupa lugar central na História da Salvação que Deus quis escrever para
nós. Os que aderem a Cristo e se identificam com Ele – isto é, os batizados –
participam da ressurreição e renascem para uma vida nova. A vida que os anima é
a vida do Ressuscitado. Abre-se para eles um novo horizonte, que a fragilidade
e a morte não conseguirão manchar. A vida dos batizados é marcada “por uma
esperança viva, por uma herança que não se corrompe, nem se mancha, nem
desaparece”. Os que se identificam com Cristo e participam da sua ressurreição
destinam-se à vida eterna, à “salvação que se vai revelar nos últimos tempos”. Cônscios
de que estão destinados à salvação, caminham na alegria e na esperança: sabem
que, aconteça o que acontecer, lhes está reservado o encontro com a vida plena.
No seu horizonte de vida não há lugar ao pessimismo, nem ao desânimo.
Porém,
a vida dos batizados não imune a obstáculos nem a crises. O caminho que os
homens percorrem na Terra será sempre marcado por numerosas aflições e
provações; e os que optaram por Jesus não estão isentos dessa experiência. No
entanto, os sofrimentos e as perseguições são a prova em que a fé dos crentes é
purificada, decantada de interesses mesquinhos, fortalecida; e, nesse processo,
o crente vai sendo transformado pela ação do Espírito, até se identificar com
Cristo e chegar à vida nova. O autor da carta lembra-nos que o próprio ouro tem
de ser purificado pelo fogo, antes de aparecer em todo o seu esplendor. De
qualquer modo, o percurso existencial dos crentes – cumprido, simultaneamente,
na alegria e na dor – é sempre uma caminhada animada pela esperança da salvação.
O
grande apelo que a primeira carta de Pedro nos deixa é que nos identifiquemos
com Cristo, que amamos, sem O termos visto; que acreditemos n’Ele e que O sigamos
incondicionalmente, mesmo que as suas indicações nos levem à cruz. Do lado de
lá da cruz espera-nos a vida nova. Assim chegaremos à salvação e daremos
sentido pleno à nossa vida.
***
Por
toda a misericórdia com que o Senhor olha para nós, é justo cantar com o
salmista:
“Dai
graças ao Senhor, porque Ele é bom, / porque é eterna a sua misericórdia.”
“Diga
a casa de Israel: / é eterna a sua misericórdia. / Diga a casa de Aarão: / é
eterna a sua misericórdia. / Digam os que temem o Senhor: / é eterna a sua
misericórdia.
“Empurraram
me para cair, / mas o Senhor me amparou. / O Senhor é a minha fortaleza e a
minha glória, / foi Ele o meu Salvador. / Gritos de júbilo e de vitória nas
tendas dos justos: / a mão do Senhor fez prodígios.
“A
pedra que os construtores rejeitaram / tornou se pedra angular. / Tudo isto
veio do Senhor: / é admirável aos nossos olhos. / Este é o dia que o Senhor
fez: / exultemos e cantemos de alegria.
“Senhor,
salvai os vossos sevos, / Senhor, dai-nos a vitória. / Bendito O que vem em
nome do Senhor / Da casa do Senhor nós vos bendizemos. / O Senhor é Deus / e
fez brilhar sobre nós a sua luz.”
***
“Aleluia.
Aleluia. Disse o Senhor a Tomé: ‘Porque Me viste, acreditaste; felizes os que
acreditam sem terem visto’.”
***
No
cristianismo, o “oitavo dia” simboliza a ressurreição de Jesus, um novo
começo e a eternidade, superando a criação de sete dias. É o domingo,
considerado o “Dia do Senhor” e o início da nova criação. Liturgicamente,
refere-se também às “oitavas” (Natal/Páscoa), celebrando uma solenidade, com especial
brilho, durante oito dias consecutivos.
Após
o sétimo dia (sábado de repouso), o domingo é o dia em que Cristo ressuscitou,
marcando o início de um tempo novo e eterno. Embora seja o primeiro dia da
semana, teologicamente é o oitavo, fora da contagem cronológica normal,
simbolizando o século futuro e a eternidade.
O
cristianismo primitivo associava o oitavo dia à circuncisão (antiga aliança) e,
por extensão, ao batismo (nova e definitiva aliança), simbolizando a entrada
numa nova vida e a purificação. Este
conceito representa, portanto, a transição da Lei para o Evangelho e a
esperança na vida eterna.
Muitos
batistérios antigos têm forma octogonal (oito lados) para refletir o
simbolismo do oitavo dia como o dia do novo nascimento pelo batismo.
2026.04.12
– Louro de Carvalho