quinta-feira, 2 de julho de 2026

Portugal com onda de calor extremo durante, pelo menos, uma semana

 

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) colocou, a 2 de julho, 12 dos 18 distritos de Portugal continental sob aviso vermelho (o mais grave, que alerta para “situação meteorológica de risco extremo”), pelo menos, até dia 4, devido à previsão de tempo quente, com persistência de valores extremamente elevados da temperatura máxima e da mínima.

No dia 2, o aviso vermelho foi alargado a Beja, a Évora, a Portalegre e a Santarém, além de Lisboa e Setúbal, estendendo-se, no dia 3, a Aveiro, Braga, Porto e Viana do Castelo, além de Coimbra e Leiria. Os restantes seis, nomeadamente, Bragança, Castelo Branco, Faro, Guarda, Vila Real e Viseu, estarão sob aviso laranja (o segundo mais grave, que alerta para “situação meteorológica de risco moderado a elevado”), entre os dias 2 e 4. As previsões meteorológicas, divulgadas no dia 1, só punha, sob aviso vermelho os distritos de Lisboa e de Setúbal, por causa do calor a partir do dia 2, estendendo-se a Coimbra e a Leiria, no dia seguinte.

Em comunicado, o IPMA previa “um longo período com tempo muito quente e seco”, com a temperatura máxima a atingir valores entre 35 e 41° C (graus Celsius) na generalidade do território, sendo entre 41 e 44° C, no vale do Tejo, e no Alentejo, e “com a temperatura mínima a registar valores superiores a 20° C, igualmente, em grande parte do continente, havendo regiões onde as temperaturas não deverão baixar dos 24 a 28° C, durante várias noites, entre as quais a [região da] Grande Lisboa”.

Diz o IPMA que, face ao clima habitual em Portugal continental, a situação será particularmente anómala nas regiões do litoral, “onde a ausência de progressão da brisa marítima para o interior e/ou a sua fraca intensidade irão contribuir para valores elevados de temperatura, durante vários dias consecutivos, configurando uma situação rara em alguns locais”.

O estado do tempo em Portugal continental está a ser influenciado por um anticiclone localizado a norte/noroeste do arquipélago dos Açores, pelo que episódio de calor extremo está previsto durar, pelo menos, uma semana.

O IPMA alertou, igualmente, para valores muito elevados a extremos do índice ultravioleta, sendo esperados, em todo o território continental, até ao dia 3, valores muito elevados, a variarem entre um índice de valor 10, muito elevado, a um índice de valor 11, extremo.

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Por sua vez, o ministro da Administração Interna, Luís Neves, informou que o governo iria avançar com a aplicação, a partir da meia-noite de 3 de julho, da “declaração de situação de alerta”, devido à persistência de temperaturas elevadas, com os termómetros a ultrapassarem os 40º C em algumas regiões, devendo estar em vigor até às 23h59 de 6 de julho.

Após reunião com a equipa que integra o Comando Integrado de Prevenção e Operações (CIPO), nos Bombeiros Sapadores de Leiria, o governante alertou para o “agravamento muito significativo das condições atmosféricas”. “Para situações de grande emergência, o governo vai avançar com uma declaração de situação de alerta, que são medidas de exceção para momentos extraordinários e de dificuldades”, afirmou, referindo-se à aplicação de “diplomas de exceção”.

O primeiro-ministro justificou, nas redes sociais, a situação de alerta, com as “altas temperaturas que o país enfrenta”, estando a acompanhar, “ao detalhe”, a evolução dos acontecimentos. “Cada um de nós tem a responsabilidade de prevenir e de fazer a sua parte. Peço a todos que respeitem as indicações das autoridades. Todos somos necessários para proteger a nossa comunidade e o nosso território”, considerou, em mensagem publicada na rede social X.

Segundo o titular da pasta da Administração Interna, a declaração de alerta está conexa, sobretudo, “com a proibição de acesso e circulação” a determinados espaços florestais “previamente definidos”, a “proibição de realização de queimadas e queimas, sobrantes da exploração agrícola”. “É aqui que, muitas das vezes, há problemas”, admitiu Luís Neves.

A declaração de situação de alerta abrange também a “proibição da realização de trabalhos nos espaços florestais com recurso a qualquer tipo de maquinaria”, com exceção nas situações de combate aos incêndios rurais, por exemplo. E abrange também a realização de trabalhos nos mais espaços rurais com recurso a motorroçadoras de lâmina ou de riscos metálicos, a corta-matos, a destroçadores e a máquinas com lamina ou pá frontal”, porque, normalmente, emitem “pequenas faíscas” que, com este calor, podem resultar em ignição.

Luís Neves referiu ainda que não é permitida a “utilização do fogo de artificio, [nem de] outros materiais pirotécnicos, independentemente da sua forma de combustão, bem como a suspensão de autorizações que já tenham sido emitidas”. Está também incluída a “proibição de lançamento de balões com mecha”, disse o governante, referindo-se às “linhas mestras” do despacho do governo que determina a situação de alerta. Trata-se de “reforço de medidas e de proibições de comportamentos. A omissão de determinado tipo de ações é um facto chave de sucesso […] Pequenos momentos de negligência transformam-se em momentos de desgraça”, frisou.

Luís Neves alertou que as “noites vão ser tropicais”. “Não vai haver espaço para as nossas florestas, matas arrefecerem. Por isso, disse, ontem, que podíamos estar aqui a falar de um barril de pólvora. E é isso que não queremos que possa vir a suceder”, avisou.

Luís Neves, apelou ao “coletivo” para redobrar os cuidados, face a este período de elevadas temperaturas, que se pode prolongar até 10 dias. “Reitero todo o cuidado ao cidadão. Cada um de vós tem de ser responsável. Se há algum que não tem um comportamento adequado, o outro tem a obrigação de chamar a atenção e de alertar. Se esse comportamento for reiterado há que denunciar esse comportamento”, defendeu.

Mais tarde, esclareceu que “o denunciar é no sentido de se alguém tiver um comportamento incauto em que ponha em causa o coletivo”. “E, se reiterar depois de chamado à atenção, há autoridades que fazem cumprir as medidas de proibições”, advertiu.

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O portal do governo confirmou as declarações do titular da pasta da Administração Interna, precisando: “Face às previsões meteorológicas para os próximos dias, que apontam para um significativo agravamento do risco de incêndios rurais, o governo, pelos ministros da Defesa Nacional, das Infraestruturas e Habitação, da Administração Interna, da Saúde, do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, do Ambiente e Energia, da Cultura, Juventude e Desporto, e da Agricultura e Mar, declarou a situação de alerta em todo o território continental.”

A declaração decorre do atual estado de alerta especial do Sistema Integrado de Operações de Proteção e Socorro (SIOPS) e da necessidade de adotar medidas preventivas e especiais de reação ao risco de incêndio, previsto pelo IPMA, no território continental.

Serão implementadas as seguintes medidas proibitivas de caráter excecional: acesso, circulação e permanência no interior dos espaços florestais definidos nos Planos Municipais de Defesa da Floresta Contra Incêndios, bem como nos caminhos florestais, caminhos rurais e outras vias que os atravessem; da realização de queimadas e queimas de sobrantes de exploração, bem como a suspensão das autorizações que tenham sido emitidas; realização de trabalhos nos espaços florestais com recurso a qualquer tipo de maquinaria, com exceção dos associados a situações de combate a incêndios rurais, realização de trabalhos nos demais espaços rurais com recurso a motorroçadoras de lâminas ou discos metálicos, corta-matos, destroçadores e máquinas com lâminas ou pá frontal; utilização de fogo-de-artifício ou outros artefactos pirotécnicos, independentemente da sua forma de combustão, bem como a suspensão das autorizações que tenham sido emitidas; e lançamento de balões com mecha acesa, bem como a suspensão das autorizações que tenham sido emitidas.

A proibição não abrange: alimentação e abeberamento de animais, tratamento fitossanitário, fertilização, rega, poda, colheita e transporte de culturas agrícolas, de caráter essencial e inadiável e se em zona de regadio; extração de cortiça por métodos manuais e extração de mel, sem fumigação por material incandescente; trabalho de construção civil, se inadiável e com adequadas medidas de mitigação de risco de incêndio rural; e colheita de culturas agrícolas e operações de exploração florestal de corte, rechega e transporte, entre o pôr do sol e as 11h00, se adotadas medidas de mitigação de risco de incêndio e comunicada a realização ao Serviço Municipal de Proteção Civil.

A declaração de alerta implica: “elevação do grau de prontidão e resposta operacional por parte da Guarda Nacional Republicana (GNR) e da Polícia de Segurança Pública (PSP), com reforço de meios para operações de vigilância, fiscalização, patrulhamentos dissuasores de comportamentos e de apoio geral às operações de proteção e socorro que possam vir a ser desencadeadas, considerando-se para o efeito autorizada a interrupção da licença de férias e a suspensão de folgas e de períodos de descanso; aumento do grau de prontidão e mobilização de equipas de emergência médica, de saúde pública e apoio social, pelas entidades competentes das áreas da saúde e da segurança social; a mobilização em permanência das equipas de sapadores florestais afeta ao dispositivo de combate; a mobilização em permanência do Corpo Nacional de Agentes Florestais e dos Vigilantes da Natureza que integram o dispositivo de prevenção e combate a incêndios, pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF); o aumento do nível de prontidão das equipas de resposta das entidades com especial dever de cooperação nas áreas das comunicações (operadoras de redes fixas e móveis) e energia (transporte e distribuição); a realização pela GNR de ações de patrulhamento (vigilância) e a fiscalização aérea através de meios das Forças Armadas, nos distritos em estado de alerta especial, incidindo nos locais sinalizados com um risco de incêndio muito elevado e máximo; a dispensa de serviço ou a justificação das faltas dos trabalhadores, do setor público ou privado, que desempenhem, cumulativamente, as funções de bombeiro voluntário, salvo os que desempenhem funções nas Forças Armadas, Forças de Segurança e na Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), bem como em serviço público de prestação de cuidados de saúde em situações de emergência, nomeadamente técnicos de emergência pré-hospitalar e enfermeiros do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).”

“A ANEPC emitirá avisos à população sobre o perigo de incêndio rural. As Forças Armadas disponibilizam os meios aéreos para, em caso de necessidade e em função das disponibilidades existentes, operarem nos locais a determinar por aquela Autoridade.

A declaração de alerta determina: o acionamento das estruturas de coordenação institucional territoriais, que asseguram a articulação de todos os agentes, entidades e instituições envolvidos nas operações de proteção e socorro; o acionamento das estruturas de coordenação política territorialmente competentes, que avaliam a necessidade de ativação do plano de emergência de proteção civil do respetivo nível territorial; a obrigação especial de colaboração dos meios de comunicação social” e das operadoras móveis de telecomunicações, com as estruturas de coordenação territorial, visando a divulgação das informações relevantes.

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A Direção-Geral da Saúde (DGS) recomenda especial atenção aos mais vulneráveis – crianças, idosos, grávidas e doentes crónicos, devendo os municípios criar redes de contacto de proximidade com instituições e com os mais vulneráveis para os proteger.

Em termos de hidratação e alimentação, aconselha a ingestão de água (pelo menos, litro e meio) ou de sumos de fruta natural, mesmo quando não há sede, contraindica o consumo de bebidas alcoólicas e recomenda refeições frias, leves e mais vezes, ao dia; nos espaços privados ou públicos, recomenda correr os estores, as persianas ou portadas, no período de maior calor, e deixar que o ar circule pela casa, ao entardecer; e, em espaço público climatizado, aconselha autoproteção, usando sempre máscara e mantendo a distância física.

A nível da proteção solar, aconselha que se evite a exposição direta ao sol, principalmente, entre as 11 e as 17 horas e se utilize protetor solar com fator igual ou superior a 30; o uso de roupas de cor clara, leves e largas, que cubram a maior parte do corpo, chapéu e óculos de sol com proteção ultravioleta; que se evitem atividades no exterior que exijam grandes esforços físicos; a escolha das horas de menor calor para viajar de carro, não permanecendo dentro de viatura estacionada e exposta ao sol; e a quem trabalha no exterior, frequente hidratação e uso de roupa larga e chapéu e acompanhamento no trabalho.

Em caso de emergência e apresentando sinais de alerta (como suores intensos, febre, vómitos e náuseas ou pulsação acelerada/fraca), contactar o Serviço Nacional de Saúde 24 (SNS 24), através do número 808242424, ou ligar para o número europeu de emergência 112.

A DGS e o governo pedem às autarquias a abertura de Locais de Abrigo Temporário; que disponibilizem água potável e que garantam o bom funcionamento dos bebedouros públicos; e que prolonguem horários de bibliotecas, piscinas e equipamentos climatizados de proximidade.

O diretor executivo do SNS diz, em linha com a secretária de Estado da Saúde, que o SNS está preparado para aumento da procura de cuidados, ao invés da ministra da Saúde, que, despudoradamente, lamenta não ter pessoal suficiente, pelo que não garante as escalas.  

Álvaro Almeida relembrou que a melhor forma de a população ter resposta adequada às suas necessidades será através do contacto da Linha SNS24, assumindo que “todas as unidades estão devidamente preparadas para esta onda de calor”. Referiu estarem “garantidas as condições adequadas de climatização, com especial enfoque nos serviços de urgência, internamentos e salas de espera. E confirmou o que tinha sido dito pela secretária de Estado, relativamente às unidades do SNS, que “acionaram o nível 1 de risco nacional”, que implica medidas essenciais, como adequação de horários e capacidade de resposta das consultas abertas.

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Isto replicar-se-á, com maior agudeza, nos próximos verões!

2026.06.02 – Louro de Carvalho

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