A
liturgia do 18.º domingo do Tempo Comum no Ano A mostra-nos o convite de Deus a
que nos sentemos à mesa que Ele preparou e onde nos oferece, gratuitamente, o
alimento que sacia a nossa fome de vida, de felicidade, de eternidade.
***
Na
primeira leitura (Is 55,1-3), Deus convida o Povo a sair da terra da
escravidão para a terra da liberdade – a Jerusalém nova do encontro, da
justiça, do amor e da paz. Aí, Deus saciará, em definitivo, a fome do Povo e
oferecer-lhe-á, de graça, a vida em abundância.
Em
597 a.C., no reinado de Joaquin, os babilónios derrotaram os exércitos de Judá,
conquistaram Jerusalém e deportaram para a Babilónia uma primeira leva de
exilados, escolhidos de entre a classe dirigente de Judá. Porém, esse grupo acreditava
que o Exílio não estava para durar e que, em breve, regressariam. Ao invés, o
profeta Jeremias desfez essas falsas esperanças, anunciando que o desterro se prolongaria
e convidou-os a refazerem a sua vida na Babilónia (“edificai casas e
habitai-as; plantai pomares e comei os seus frutos. Casai, gerai filhos e
filhas, casai os vossos filhos e filhas, para que tenham filhos e filhas.
Multiplicai-vos, em vez de diminuirdes. Procurai o bem do país para onde vos
exilei e rogai por ele ao Senhor, porque só tereis a lucrar com a sua
prosperidade” – Jr 29,5-7). Os exilados adaptaram-se à situação e lançaram
as bases para uma permanência prolongada na Babilónia.
Em
586 a.C., surgiu nova catástrofe: Jerusalém foi reconquistada pelos babilónios
e arrasada completamente. Os que tinham escapado da deportação foram levados
cativos para a Babilónia e juntaram-se aos seus irmãos exilados. Foram tempos
de desolação e de sofrimento. A cidade santa, estava reduzida a um montão de
ruínas; à frustração pela humilhação nacional, juntava-se a dúvida sobre se
Javé seria o Deus libertador, como anunciava a teologia e a catequese de Israel.
Para alguns dos exilados já nada importava, porque o quadro de referência que
dava segurança ao Povo tinha sido subvertido. Enquanto alguns sonhavam com a
libertação e com o regresso, muitos lançaram as bases materiais para se
enraizarem na Babilónia.
O
Exílio prolongou-se até 539 a.C., quando Ciro, rei dos Persas, tomou a
Babilónia e deu aos exilados a possibilidade de retornarem à sua terra de
origem. Todavia, é no contexto do Exílio que aparece o Deuteroisaías, profeta
anónimo cuja mensagem nos é oferecida nos capítulos 40-55 do Livro de Isaías.
O profeta esforça-se por consolar os exilados, anunciando a libertação, o
regresso e a reconstrução de Jerusalém.
O
trecho em referência apresenta-nos as últimas palavras do “livro da
consolação”. Depois de um oráculo que anuncia a restauração de Jerusalém, o profeta
procura dar aos exilados razões para regressarem à cidade santa. Assim, convida-o
a cumprirem um novo êxodo, deixando a terra da escravidão e dirigindo-se ao
encontro da terra da liberdade – a Jerusalém nova que Deus vai reconstruir e onde
Judá redescobrirá o Deus libertador, que derrama sobre o seu Povo, gratuita e
abundantemente, a justiça, a prosperidade, a abundância, a paz sem fim. O
profeta representa esse quadro de salvação, através da imagem de um banquete:
em Jerusalém, à volta da mesa de Deus, esse Povo sofredor, desolado, carente,
faminto, encontrará trigo, “vinho”, “leite” e “manjares suculentos”. Não será fácil
enfrentar uma terra devastada e começar tudo, de novo. Seguindo Jeremias,
muitos construíram casas, refizeram as suas vidas, lançaram as suas raízes no
solo babilónico e consolidaram existências tranquilas e cómodas. A referência
ao gastar “o dinheiro no que não alimenta” e “o trabalho no que não sacia” sugere
o facto de muitos exilados preferirem continuar na Babilónia a arriscar o
regresso a uma terra desolada e sem futuro.
Porém,
o profeta da consolação adverte que urge a coragem de arriscar, de se
desinstalar, de partir ao encontro do sonho. A quem for capaz de sair dos seus
esquemas e abrir o coração ao dom, Deus oferecerá, gratuita e incondicionalmente,
a vida em abundância, a felicidade infinita. Aos dispostos a deixarem certezas
e seguranças, para partirem ao encontro do seu chamamento, Deus oferecerá a
aliança eterna, que nada nem ninguém pode romper. Quem aceitar o dom de Deus encontrará
a água que mata a sede de vida e o alimento que sacia a fome de felicidade e viverá
nova relação com Deus e integrará a comunidade do Povo de Deus.
***
O
Evangelho (Mt 14,13-21) apresenta-nos Jesus, o novo Moisés, com a missão
de realizar a libertação do seu Povo. Numa refeição, Jesus mostra aos
discípulos que é preciso acolher o pão que Deus oferece e reparti-lo com todos
os homens. Assim, os membros da comunidade do Reino fugirão da escravidão do
egoísmo e alcançarão a liberdade do amor.
No
capítulo 13 do Evangelho de Mateus, começa a secção da “instrução sobre o
Reino” (cf. Mt 13,1-17,27). Na primeira parte (cf. Mt 13,1-52),
Jesus apresentou, em parábolas, o Reino (como se viu nos domingos anteriores). A
segunda parte (cf. Mt 13,53-17,27) responde à questão como é que os
interlocutores de Jesus reagiram, frente a essa apresentação viva, popular,
interpeladora. Em geral, a comunidade judaica responde, negativamente, ao
desafio apresentado por Jesus. Ante a recusa, Jesus volta-Se, cada vez mais
decisivamente, para o pequeno grupo dos seguidores – os discípulos – que se vai
definindo, cada vez mais, como a comunidade do Messias, acolhendo as propostas
de Jesus e aceitando o Reino. As multidões continuam a seguir Jesus; mas, cada
vez mais, é aos discípulos que Jesus Se dirige e a quem destina a “instrução”.
O
trecho em apreço situa-nos no âmbito de uma refeição, a seguir ao ensinamento de
Jesus à multidão. O banquete é, para os semitas, o momento do encontro, da
fraternidade, em que os convivas estabelecem entre si laços de familiaridade e
de comunhão. É, portanto, símbolo do Mundo novo que há de vir e no qual todos
os homens se sentarão à mesa de Deus, para celebrarem a fraternidade, a
igualdade e a felicidade sem fim. Torna-se, pois, um símbolo privilegiado do
Reino para o qual Jesus veio convidar os homens.
Na
introdução ao episódio, o evangelista anota que Jesus Se retirou para o
deserto, seguido por “grande multidão”; e que, impressionado pela fome de vida
de toda essa gente, Se encheu “de compaixão e curou os seus doentes”. Contrariou,
assim, pela sua enorme compaixão, a tendência para a indiferença, para o
desinteresse generalizado (incluindo dos poderes políticos – a multidão “era como
ovelhas sem pastor”), em relação aos que sofrem privações e doenças.
Mateus
quer sugerir que Jesus é um novo Moisés, cuja missão é libertar o seu Povo da
escravidão, a fim de o conduzir à terra da liberdade e da vida plena, pelo
deserto da vida.
O
deserto é, para Israel, o tempo e o espaço do encontro com Deus; aí, Israel
aprendeu a despir-se da autossuficiência, das seguranças e das certezas humanas,
para descobrir que cada passo em direção à liberdade, cada pedaço de pão caído
do céu, cada gota de água que brota de um rochedo, é um “milagre” que é preciso
agradecer ao amor de Deus. Tudo é dom de Deus, que o Povo deve acolher de
coração agradecido. O deserto é também o lugar e o tempo da partilha, da
igualdade, em que cada membro do Povo conta com a solidariedade do resto da
comunidade, onde não há egoísmo, injustiça, prepotência, açambarcamento dos
bens que pertencem a todos, e em que todos dão as mãos para superarem as
dificuldades da caminhada (no deserto, quem é egoísta, autossuficiente e não
aceita contar com os outros, está condenado à morte).
É
esta experiência que Jesus vai convidar os discípulos a fazer. Vai ensinar-lhes
que tudo é um dom e que os dons de Deus são para partilhar, para colocar ao
serviço dos irmãos. É deste processo libertador – que leva do egoísmo ao amor –
que nascerá a comunidade do Reino.
O
episódio da multiplicação dos pães apresenta todas as caraterísticas de uma
lição, destinada a mostrar como deve viver quem quer aderir ao Reino.
O
primeiro momento deste processo pedagógico tem a ver com a constatação da fome
do Mundo e com a responsabilização da comunidade do Reino nesse problema. Não se
pode estar à espera de que sejam os outros a resolver os problemas, como ninguém
se pode furtar a cooperar nessa tarefa, porque é responsabilidade de todos. E ninguém
é tão pobre ou tão frágil que não tenha capacidade de cooperar, nem ninguém é
tão rico ou tão poderoso que seja capaz de resolver tudo, sem a cooperação de
ninguém.
Quando
os discípulos pedem a Jesus que mande a multidão embora, para que encontre
comida (lavando as mãos, face à situação de necessidade), Jesus indica: “Dai-lhes
vós de comer.” Ensina, dessa forma, que têm inalienável responsabilidade, face
ao desafio que o Mundo dos pobres, todos os dias, grita. O discípulo de Jesus nunca
pode dizer que nada tem a ver com a fome, com a miséria, com as necessidades
dos desfavorecidos. Qualquer necessitado – de pão, de alegria, de apoio, de
esperança – é responsabilidade dos discípulos de Jesus. A dinâmica do Reino
passa pela solidariedade que torna os cristãos responsáveis pelas necessidades
dos pobres.
No
segundo momento, Jesus ensina como dar resposta a este desafio. Começa por
pedir aos discípulos que façam a listagem dos bens disponíveis; depois, perante
a inibição por o alimento disponível parecer exíguo aos discípulos, toma os
“cinco pães e dois peixes”, recita a bênção e manda repartir por todos os
presentes. E todos (cinco mil, sem contar as mulheres e as crianças) comeram
até ficarem saciados.
A
lição é clara: ante o apelo dos pobres, a comunidade do Reino tem de aprender a
partilhar. “Cinco pães e dois peixes” (alimentos diferentes) significam
totalidade (“sete”): é na partilha da totalidade (e na diferença) do que se tem
que se responde à carência dos irmãos. É uma totalidade fracionada e
diversificada, mas que, posta ao serviço dos irmãos, sacia a fome do Mundo. A
comunidade do Reino é, pois, não só a comunidade que se sente responsável pela
fome dos irmãos, mas também a comunidade de coração aberto, disposta a repartir
tudo o que tem. É a comunidade que venceu a escravidão do egoísmo, para fazer a
experiência da partilha que sacia e que torna todos os homens irmãos. A
multiplicação exige a divisão equitativa.
No
terceiro momento, Jesus dá a razão para a partilha. “Tomou os cinco pães e os
dois peixes, ergueu os olhos ao céu e recitou a bênção”. A “bênção” é uma
fórmula de ação de graças, na qual se agradece a Deus pelos seus dons. Isso
significa, em concreto, reconhecer que algo que se possui é dom de Deus, não
para um único homem, nem para uma única família, mas para todos, porque Ele é o
Pai de todos, que Se preocupa com todos e que a todos ama da mesma forma.
Portanto, “pronunciar a bênção” é reconhecer que determinado dom veio de Deus e
que pertence a todos os filhos de Deus. Aquele que recebeu esse dom não é o seu
dono, mas apenas administrador a quem Deus o confiou, para que o ponha ao
serviço dos irmãos com a mesma gratuitidade com que o recebeu. À comunidade do
Reino é proposto que aprenda a considerar os bens postos à sua disposição como
dons de Deus Pai, colocando-os, livremente, ao serviço de todos.
Por
fim, o Mestre manda recolher as sobras. O dom de Deus não pode ser objeto de
desperdício. O que sobra deve ser guardado para nova ocasião de fome ou de
sede.
***
Comentando
este Evangelho, antes da recitação do Angelus com os fiéis reunidos na
Praça de São Pedro, Leão XIV disse que “os sinais realizados por Jesus são
gestos que manifestam a sua dedicação especial por nós, ou seja, a salvação que
Ele traz ao Mundo”. Por isso, “é recordado como Aquele que dá sentido à vida,
libertando-a do mal e do pecado”.
“Ao
dar a visão aos cegos e a audição aos surdos, Cristo não se limita a realizar
milagres, mas anuncia a todos que o Reino de Deus está próximo”, ou seja, os
milagres são em função das pessoas e do Reino que Ele anuncia. Por isso, este
Evangelho “testemunha que Jesus não se limita a restaurar os sentidos a quem
deles carece, mas também dá sabor aos nossos sentidos”. A quem era surdo e ouve,
o Senhor dirige a Boa Nova para ser ouvida; a quem era cego e vê, mostra a
esplêndida obra da redenção que é realizada por Ele. Da mesma forma, Jesus dá
aos que têm fome o alimento para comer: o episódio da multiplicação dos pães
significa que o encontro com o Senhor é experiência nutritiva. No deserto, isto
é, no lugar da nossa necessidade, “Cristo é o pão da vida”. Com Ele, o
essencial é abundante: “Todos comeram e ficaram saciados”. E, com o que sobrou,
“encheram doze cestos”. Este número realça que a dádiva do Senhor é universal e
que a sua providência para connosco nunca falha.
Cristo
sacia, verdadeiramente, a fome da Humanidade, a fome de verdade e de vida. E o
seu gesto ensina que nada se desperdiça, quando é partilhado. Ao invés, a acumulação
e o desperdício são duas faces do mal da ganância, a doença da alma que faz
perder o juízo, porque embriaga de riquezas, ao ponto de ignorar os que choram
de fome e clamam de sede. “Assim, ante a opulência das coisas que perecem,
estão as mãos estendidas de quem não tem o que comer, as casas incendiadas de
quem não tem paz”, sublinha o Pontífice.
No
deserto da guerra e da arrogância, vemos a benevolência do Senhor que “ergueu
os olhos ao céu”, “pronunciou a bênção”, “partiu os pães e deu-os” aos discípulos,
para os distribuírem à multidão. No milagre da caridade, reconhecemos os gestos
caraterísticos de Jesus, que têm o ápice na Última Ceia. Aí, o Filho de Deus
entrega-nos a sua própria vida, como nosso irmão na humanidade. Por conseguinte,
o Papa exorta: “Enquanto saboreamos a graça da Eucaristia, comprometamo-nos a
testemunhar a sua beleza nos nossos gestos quotidianos, a começar pela bênção
da mesa, quando partilhamos o pão em família e entre amigos. Na companhia de
Jesus, também as férias podem tornar-se tempo de serenidade fraterna,
envolvendo os que, ao nosso lado, se encontram em necessidade. Peçamos,
portanto, à Virgem Maria, mãe atenciosa, que nos faça crescer na caridade, para
que a ninguém falte o pão de cada dia.”
***
O
texto da segunda leitura (Rm 8,35.37-39), concluindo a reflexão paulina
sobre a salvação, é um hino ao amor de Deus pelos homens. E esse amor – de que
nenhum poder hostil nos pode afastar – explica porque Deus enviou ao Mundo o
seu próprio Filho, a fim de nos convidar para o banquete da vida eterna.
Temos
acompanhado as ideias de Paulo sobre a salvação: toda a Humanidade vive
mergulhada na realidade de pecado, mas a bondade de Deus oferece a todos, de
forma gratuita e incondicional, a salvação, que chega ao homem por Jesus Cristo.
E Espírito Santo dá ao homem a força para acolher o dom, para renunciar à vida
do egoísmo e do pecado (vida “segundo a carne”) e para ascender à situação de
“filho de Deus” (vida “segundo o Espírito”).
Acolher
a salvação, identificar-se com Jesus e percorrer com Ele a senda do amor a Deus
e da entrega aos irmãos (vida “segundo o Espírito”) não é a via fácil, de
triunfos e de êxitos humanos; mas é caminho a percorrer, tantas vezes na dor,
no sofrimento e na renúncia, enfrentando as forças da morte, da opressão, do
egoísmo e da injustiça. Apesar das barreiras a vencer, das nuvens ameaçadoras e
dos inúmeros desafios que, dia a dia, se põem ao crente que segue o caminho de
Jesus, o cristão pode e deve confiar no êxito final. E porquê?
O
apóstolo dá a resposta à questão, perguntando: “Se Deus é por nós, quem será
contra nós?” A verdade é que nada pode derrotar aquele que é objeto do amor
imenso e imortal de Deus – amor manifestado no movimento que levou Cristo à
entrega total da vida para nos pôr na rota da salvação e da vida plena. O
crente tem de estar certo de que Deus o ama e que lhe reserva a vida em
plenitude, a felicidade total, a comunhão plena com Ele. Assim, pode escolher,
com tranquilidade e serenidade, o caminho de Jesus – caminho de dom, de entrega
da vida, de amor até às últimas consequências. Pode, como Jesus, lutar contra o
egoísmo, a injustiça, a opressão, o pecado; pode gastar a vida nesse combate,
sem temer o aniquilamento ou o fracasso; pode enfrentar a perseguição, a
angústia, os perigos, as armadilhas dos homens, certo de que nada o pode vencer
ou destruir. E, no fim, espera-o a vida plena, que Deus oferece aos que aceitam
a sua proposta de amor e caminham em consonância com ela.
Por
último, o apóstolo enumera uma série de forças que, na época, se julgavam mais
ou menos hostis ao homem. Devemos ver nessa lista, apenas uma forma retórica de
sugerir que nada – nem sequer esses poderes que os antigos acreditavam que
hostilizavam o homem – será capaz de separar o discípulo do amor de Deus,
manifestado em Jesus Cristo.
***
Portanto,
devemos, com o salmista cantar a nossa gratidão a Deus, que sacia a nossa fome,
e advertir que não só de pão vivemos, mas da Palavra de Deus:
“Abris,
Senhor, as vossas mãos e saciais a nossa fome.”
“O
Senhor é clemente e compassivo, / paciente e cheio de bondade. / O Senhor é bom
para com todos / e a sua misericórdia se estende a todas as criaturas.
“Todos
têm os olhos postos em Vós / e a seu tempo lhes dais o alimento. / Abris as
vossas mãos / e todos saciais generosamente.
“O
Senhor é justo em todos os seus caminhos / e perfeito em todas as suas obras. /
O Senhor está perto de quantos O invocam, / de quantos O invocam em verdade.”
“Aleluia.
Aleluia.”
“Nem
só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.”
2026.08.02
– Louro de Carvalho
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