domingo, 2 de agosto de 2026

A dádiva providente do Senhor é universal e não falha

 

A liturgia do 18.º domingo do Tempo Comum no Ano A mostra-nos o convite de Deus a que nos sentemos à mesa que Ele preparou e onde nos oferece, gratuitamente, o alimento que sacia a nossa fome de vida, de felicidade, de eternidade.

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Na primeira leitura (Is 55,1-3), Deus convida o Povo a sair da terra da escravidão para a terra da liberdade – a Jerusalém nova do encontro, da justiça, do amor e da paz. Aí, Deus saciará, em definitivo, a fome do Povo e oferecer-lhe-á, de graça, a vida em abundância.

Em 597 a.C., no reinado de Joaquin, os babilónios derrotaram os exércitos de Judá, conquistaram Jerusalém e deportaram para a Babilónia uma primeira leva de exilados, escolhidos de entre a classe dirigente de Judá. Porém, esse grupo acreditava que o Exílio não estava para durar e que, em breve, regressariam. Ao invés, o profeta Jeremias desfez essas falsas esperanças, anunciando que o desterro se prolongaria e convidou-os a refazerem a sua vida na Babilónia (“edificai casas e habitai-as; plantai pomares e comei os seus frutos. Casai, gerai filhos e filhas, casai os vossos filhos e filhas, para que tenham filhos e filhas. Multiplicai-vos, em vez de diminuirdes. Procurai o bem do país para onde vos exilei e rogai por ele ao Senhor, porque só tereis a lucrar com a sua prosperidade” – Jr 29,5-7). Os exilados adaptaram-se à situação e lançaram as bases para uma permanência prolongada na Babilónia.

Em 586 a.C., surgiu nova catástrofe: Jerusalém foi reconquistada pelos babilónios e arrasada completamente. Os que tinham escapado da deportação foram levados cativos para a Babilónia e juntaram-se aos seus irmãos exilados. Foram tempos de desolação e de sofrimento. A cidade santa, estava reduzida a um montão de ruínas; à frustração pela humilhação nacional, juntava-se a dúvida sobre se Javé seria o Deus libertador, como anunciava a teologia e a catequese de Israel. Para alguns dos exilados já nada importava, porque o quadro de referência que dava segurança ao Povo tinha sido subvertido. Enquanto alguns sonhavam com a libertação e com o regresso, muitos lançaram as bases materiais para se enraizarem na Babilónia.

O Exílio prolongou-se até 539 a.C., quando Ciro, rei dos Persas, tomou a Babilónia e deu aos exilados a possibilidade de retornarem à sua terra de origem. Todavia, é no contexto do Exílio que aparece o Deuteroisaías, profeta anónimo cuja mensagem nos é oferecida nos capítulos 40-55 do Livro de Isaías. O profeta esforça-se por consolar os exilados, anunciando a libertação, o regresso e a reconstrução de Jerusalém.

O trecho em referência apresenta-nos as últimas palavras do “livro da consolação”. Depois de um oráculo que anuncia a restauração de Jerusalém, o profeta procura dar aos exilados razões para regressarem à cidade santa. Assim, convida-o a cumprirem um novo êxodo, deixando a terra da escravidão e dirigindo-se ao encontro da terra da liberdade – a Jerusalém nova que Deus vai reconstruir e onde Judá redescobrirá o Deus libertador, que derrama sobre o seu Povo, gratuita e abundantemente, a justiça, a prosperidade, a abundância, a paz sem fim. O profeta representa esse quadro de salvação, através da imagem de um banquete: em Jerusalém, à volta da mesa de Deus, esse Povo sofredor, desolado, carente, faminto, encontrará trigo, “vinho”, “leite” e “manjares suculentos”. Não será fácil enfrentar uma terra devastada e começar tudo, de novo. Seguindo Jeremias, muitos construíram casas, refizeram as suas vidas, lançaram as suas raízes no solo babilónico e consolidaram existências tranquilas e cómodas. A referência ao gastar “o dinheiro no que não alimenta” e “o trabalho no que não sacia” sugere o facto de muitos exilados preferirem continuar na Babilónia a arriscar o regresso a uma terra desolada e sem futuro.

Porém, o profeta da consolação adverte que urge a coragem de arriscar, de se desinstalar, de partir ao encontro do sonho. A quem for capaz de sair dos seus esquemas e abrir o coração ao dom, Deus oferecerá, gratuita e incondicionalmente, a vida em abundância, a felicidade infinita. Aos dispostos a deixarem certezas e seguranças, para partirem ao encontro do seu chamamento, Deus oferecerá a aliança eterna, que nada nem ninguém pode romper. Quem aceitar o dom de Deus encontrará a água que mata a sede de vida e o alimento que sacia a fome de felicidade e viverá nova relação com Deus e integrará a comunidade do Povo de Deus.

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O Evangelho (Mt 14,13-21) apresenta-nos Jesus, o novo Moisés, com a missão de realizar a libertação do seu Povo. Numa refeição, Jesus mostra aos discípulos que é preciso acolher o pão que Deus oferece e reparti-lo com todos os homens. Assim, os membros da comunidade do Reino fugirão da escravidão do egoísmo e alcançarão a liberdade do amor.

No capítulo 13 do Evangelho de Mateus, começa a secção da “instrução sobre o Reino” (cf. Mt 13,1-17,27). Na primeira parte (cf. Mt 13,1-52), Jesus apresentou, em parábolas, o Reino (como se viu nos domingos anteriores). A segunda parte (cf. Mt 13,53-17,27) responde à questão como é que os interlocutores de Jesus reagiram, frente a essa apresentação viva, popular, interpeladora. Em geral, a comunidade judaica responde, negativamente, ao desafio apresentado por Jesus. Ante a recusa, Jesus volta-Se, cada vez mais decisivamente, para o pequeno grupo dos seguidores – os discípulos – que se vai definindo, cada vez mais, como a comunidade do Messias, acolhendo as propostas de Jesus e aceitando o Reino. As multidões continuam a seguir Jesus; mas, cada vez mais, é aos discípulos que Jesus Se dirige e a quem destina a “instrução”.

O trecho em apreço situa-nos no âmbito de uma refeição, a seguir ao ensinamento de Jesus à multidão. O banquete é, para os semitas, o momento do encontro, da fraternidade, em que os convivas estabelecem entre si laços de familiaridade e de comunhão. É, portanto, símbolo do Mundo novo que há de vir e no qual todos os homens se sentarão à mesa de Deus, para celebrarem a fraternidade, a igualdade e a felicidade sem fim. Torna-se, pois, um símbolo privilegiado do Reino para o qual Jesus veio convidar os homens.

Na introdução ao episódio, o evangelista anota que Jesus Se retirou para o deserto, seguido por “grande multidão”; e que, impressionado pela fome de vida de toda essa gente, Se encheu “de compaixão e curou os seus doentes”. Contrariou, assim, pela sua enorme compaixão, a tendência para a indiferença, para o desinteresse generalizado (incluindo dos poderes políticos – a multidão “era como ovelhas sem pastor”), em relação aos que sofrem privações e doenças.

Mateus quer sugerir que Jesus é um novo Moisés, cuja missão é libertar o seu Povo da escravidão, a fim de o conduzir à terra da liberdade e da vida plena, pelo deserto da vida.

O deserto é, para Israel, o tempo e o espaço do encontro com Deus; aí, Israel aprendeu a despir-se da autossuficiência, das seguranças e das certezas humanas, para descobrir que cada passo em direção à liberdade, cada pedaço de pão caído do céu, cada gota de água que brota de um rochedo, é um “milagre” que é preciso agradecer ao amor de Deus. Tudo é dom de Deus, que o Povo deve acolher de coração agradecido. O deserto é também o lugar e o tempo da partilha, da igualdade, em que cada membro do Povo conta com a solidariedade do resto da comunidade, onde não há egoísmo, injustiça, prepotência, açambarcamento dos bens que pertencem a todos, e em que todos dão as mãos para superarem as dificuldades da caminhada (no deserto, quem é egoísta, autossuficiente e não aceita contar com os outros, está condenado à morte).

É esta experiência que Jesus vai convidar os discípulos a fazer. Vai ensinar-lhes que tudo é um dom e que os dons de Deus são para partilhar, para colocar ao serviço dos irmãos. É deste processo libertador – que leva do egoísmo ao amor – que nascerá a comunidade do Reino.

O episódio da multiplicação dos pães apresenta todas as caraterísticas de uma lição, destinada a mostrar como deve viver quem quer aderir ao Reino.

O primeiro momento deste processo pedagógico tem a ver com a constatação da fome do Mundo e com a responsabilização da comunidade do Reino nesse problema. Não se pode estar à espera de que sejam os outros a resolver os problemas, como ninguém se pode furtar a cooperar nessa tarefa, porque é responsabilidade de todos. E ninguém é tão pobre ou tão frágil que não tenha capacidade de cooperar, nem ninguém é tão rico ou tão poderoso que seja capaz de resolver tudo, sem a cooperação de ninguém.

Quando os discípulos pedem a Jesus que mande a multidão embora, para que encontre comida (lavando as mãos, face à situação de necessidade), Jesus indica: “Dai-lhes vós de comer.” Ensina, dessa forma, que têm inalienável responsabilidade, face ao desafio que o Mundo dos pobres, todos os dias, grita. O discípulo de Jesus nunca pode dizer que nada tem a ver com a fome, com a miséria, com as necessidades dos desfavorecidos. Qualquer necessitado – de pão, de alegria, de apoio, de esperança – é responsabilidade dos discípulos de Jesus. A dinâmica do Reino passa pela solidariedade que torna os cristãos responsáveis pelas necessidades dos pobres.

No segundo momento, Jesus ensina como dar resposta a este desafio. Começa por pedir aos discípulos que façam a listagem dos bens disponíveis; depois, perante a inibição por o alimento disponível parecer exíguo aos discípulos, toma os “cinco pães e dois peixes”, recita a bênção e manda repartir por todos os presentes. E todos (cinco mil, sem contar as mulheres e as crianças) comeram até ficarem saciados.

A lição é clara: ante o apelo dos pobres, a comunidade do Reino tem de aprender a partilhar. “Cinco pães e dois peixes” (alimentos diferentes) significam totalidade (“sete”): é na partilha da totalidade (e na diferença) do que se tem que se responde à carência dos irmãos. É uma totalidade fracionada e diversificada, mas que, posta ao serviço dos irmãos, sacia a fome do Mundo. A comunidade do Reino é, pois, não só a comunidade que se sente responsável pela fome dos irmãos, mas também a comunidade de coração aberto, disposta a repartir tudo o que tem. É a comunidade que venceu a escravidão do egoísmo, para fazer a experiência da partilha que sacia e que torna todos os homens irmãos. A multiplicação exige a divisão equitativa.

No terceiro momento, Jesus dá a razão para a partilha. “Tomou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao céu e recitou a bênção”. A “bênção” é uma fórmula de ação de graças, na qual se agradece a Deus pelos seus dons. Isso significa, em concreto, reconhecer que algo que se possui é dom de Deus, não para um único homem, nem para uma única família, mas para todos, porque Ele é o Pai de todos, que Se preocupa com todos e que a todos ama da mesma forma. Portanto, “pronunciar a bênção” é reconhecer que determinado dom veio de Deus e que pertence a todos os filhos de Deus. Aquele que recebeu esse dom não é o seu dono, mas apenas administrador a quem Deus o confiou, para que o ponha ao serviço dos irmãos com a mesma gratuitidade com que o recebeu. À comunidade do Reino é proposto que aprenda a considerar os bens postos à sua disposição como dons de Deus Pai, colocando-os, livremente, ao serviço de todos.

Por fim, o Mestre manda recolher as sobras. O dom de Deus não pode ser objeto de desperdício. O que sobra deve ser guardado para nova ocasião de fome ou de sede.

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Comentando este Evangelho, antes da recitação do Angelus com os fiéis reunidos na Praça de São Pedro, Leão XIV disse que “os sinais realizados por Jesus são gestos que manifestam a sua dedicação especial por nós, ou seja, a salvação que Ele traz ao Mundo”. Por isso, “é recordado como Aquele que dá sentido à vida, libertando-a do mal e do pecado”.

“Ao dar a visão aos cegos e a audição aos surdos, Cristo não se limita a realizar milagres, mas anuncia a todos que o Reino de Deus está próximo”, ou seja, os milagres são em função das pessoas e do Reino que Ele anuncia. Por isso, este Evangelho “testemunha que Jesus não se limita a restaurar os sentidos a quem deles carece, mas também dá sabor aos nossos sentidos”. A quem era surdo e ouve, o Senhor dirige a Boa Nova para ser ouvida; a quem era cego e vê, mostra a esplêndida obra da redenção que é realizada por Ele. Da mesma forma, Jesus dá aos que têm fome o alimento para comer: o episódio da multiplicação dos pães significa que o encontro com o Senhor é experiência nutritiva. No deserto, isto é, no lugar da nossa necessidade, “Cristo é o pão da vida”. Com Ele, o essencial é abundante: “Todos comeram e ficaram saciados”. E, com o que sobrou, “encheram doze cestos”. Este número realça que a dádiva do Senhor é universal e que a sua providência para connosco nunca falha.

Cristo sacia, verdadeiramente, a fome da Humanidade, a fome de verdade e de vida. E o seu gesto ensina que nada se desperdiça, quando é partilhado. Ao invés, a acumulação e o desperdício são duas faces do mal da ganância, a doença da alma que faz perder o juízo, porque embriaga de riquezas, ao ponto de ignorar os que choram de fome e clamam de sede. “Assim, ante a opulência das coisas que perecem, estão as mãos estendidas de quem não tem o que comer, as casas incendiadas de quem não tem paz”, sublinha o Pontífice.

No deserto da guerra e da arrogância, vemos a benevolência do Senhor que “ergueu os olhos ao céu”, “pronunciou a bênção”, “partiu os pães e deu-os” aos discípulos, para os distribuírem à multidão. No milagre da caridade, reconhecemos os gestos caraterísticos de Jesus, que têm o ápice na Última Ceia. Aí, o Filho de Deus entrega-nos a sua própria vida, como nosso irmão na humanidade. Por conseguinte, o Papa exorta: “Enquanto saboreamos a graça da Eucaristia, comprometamo-nos a testemunhar a sua beleza nos nossos gestos quotidianos, a começar pela bênção da mesa, quando partilhamos o pão em família e entre amigos. Na companhia de Jesus, também as férias podem tornar-se tempo de serenidade fraterna, envolvendo os que, ao nosso lado, se encontram em necessidade. Peçamos, portanto, à Virgem Maria, mãe atenciosa, que nos faça crescer na caridade, para que a ninguém falte o pão de cada dia.”

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O texto da segunda leitura (Rm 8,35.37-39), concluindo a reflexão paulina sobre a salvação, é um hino ao amor de Deus pelos homens. E esse amor – de que nenhum poder hostil nos pode afastar – explica porque Deus enviou ao Mundo o seu próprio Filho, a fim de nos convidar para o banquete da vida eterna.

Temos acompanhado as ideias de Paulo sobre a salvação: toda a Humanidade vive mergulhada na realidade de pecado, mas a bondade de Deus oferece a todos, de forma gratuita e incondicional, a salvação, que chega ao homem por Jesus Cristo. E Espírito Santo dá ao homem a força para acolher o dom, para renunciar à vida do egoísmo e do pecado (vida “segundo a carne”) e para ascender à situação de “filho de Deus” (vida “segundo o Espírito”).

Acolher a salvação, identificar-se com Jesus e percorrer com Ele a senda do amor a Deus e da entrega aos irmãos (vida “segundo o Espírito”) não é a via fácil, de triunfos e de êxitos humanos; mas é caminho a percorrer, tantas vezes na dor, no sofrimento e na renúncia, enfrentando as forças da morte, da opressão, do egoísmo e da injustiça. Apesar das barreiras a vencer, das nuvens ameaçadoras e dos inúmeros desafios que, dia a dia, se põem ao crente que segue o caminho de Jesus, o cristão pode e deve confiar no êxito final. E porquê?

O apóstolo dá a resposta à questão, perguntando: “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” A verdade é que nada pode derrotar aquele que é objeto do amor imenso e imortal de Deus – amor manifestado no movimento que levou Cristo à entrega total da vida para nos pôr na rota da salvação e da vida plena. O crente tem de estar certo de que Deus o ama e que lhe reserva a vida em plenitude, a felicidade total, a comunhão plena com Ele. Assim, pode escolher, com tranquilidade e serenidade, o caminho de Jesus – caminho de dom, de entrega da vida, de amor até às últimas consequências. Pode, como Jesus, lutar contra o egoísmo, a injustiça, a opressão, o pecado; pode gastar a vida nesse combate, sem temer o aniquilamento ou o fracasso; pode enfrentar a perseguição, a angústia, os perigos, as armadilhas dos homens, certo de que nada o pode vencer ou destruir. E, no fim, espera-o a vida plena, que Deus oferece aos que aceitam a sua proposta de amor e caminham em consonância com ela.

Por último, o apóstolo enumera uma série de forças que, na época, se julgavam mais ou menos hostis ao homem. Devemos ver nessa lista, apenas uma forma retórica de sugerir que nada – nem sequer esses poderes que os antigos acreditavam que hostilizavam o homem – será capaz de separar o discípulo do amor de Deus, manifestado em Jesus Cristo.

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Portanto, devemos, com o salmista cantar a nossa gratidão a Deus, que sacia a nossa fome, e advertir que não só de pão vivemos, mas da Palavra de Deus:

“Abris, Senhor, as vossas mãos e saciais a nossa fome.”

“O Senhor é clemente e compassivo, / paciente e cheio de bondade. / O Senhor é bom para com todos / e a sua misericórdia se estende a todas as criaturas.

“Todos têm os olhos postos em Vós / e a seu tempo lhes dais o alimento. / Abris as vossas mãos / e todos saciais generosamente.

“O Senhor é justo em todos os seus caminhos / e perfeito em todas as suas obras. / O Senhor está perto de quantos O invocam, / de quantos O invocam em verdade.”

“Aleluia. Aleluia.”

“Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.”

2026.08.02 – Louro de Carvalho


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