segunda-feira, 24 de agosto de 2026

As chaves são fundamentalmente para abrir, mas alguns só sabem fechar

 

O centro da reflexão suscitada pela liturgia do 21.º domingo do Tempo Comum, no Ano A, evidencia dois temas da construção e da estruturação da existência cristã: Cristo e a Igreja.

***

A primeira leitura (Is 22,19-23) mostra como deve ser concretizado o poder “das chaves”. O que detém as chaves não pode usar a autoridade para concretizar interesses pessoais ou para vedar aos irmãos o acesso aos bens essenciais, nomeadamente, os eternos, mas deve exercê-la como serviço de pai que procura o bem dos filhos, com solicitude, com amor e com justiça.

Isaías nasceu por de 760 a.C., provavelmente, em Jerusalém. Bastante jovem, sentiu-se chamado por Deus à profecia (“no ano da morte do rei Ozias”, ou seja, por volta de 740-739 a.C.) e profetizou durante um longo lapso de tempo (os seus últimos oráculos são de finais do século VIII ou de princípios do século VII a.C.), sendo a consciência crítica dos vários reis que, nessa fase, presidiram aos destinos do Povo de Deus. De família nobre, é homem culto, decidido, enérgico, que frequenta os círculos de poder e faz parte dos notáveis de Judá. Participa nas decisões atinentes à condução do reino, fala com autoridade a altos funcionários e aos reis.

Porém, não apoia as classes altas: os seus maiores ataques são dirigidos aos grupos dominantes: autoridades, juízes, latifundiários, políticos, mulheres da classe alta que vivem em escandaloso luxo. Defende, com paixão, os oprimidos, os órfãos, as viúvas, o povo explorado e desencaminhado pelos governantes. E insta, continuamente, o povo à conversão, exortando a que volte para Javé, que respeite os compromissos assumidos, que reaprenda a viver a Aliança, que ponha, de novo, Deus e os mandamentos no centro da vida e da História.

O oráculo assumido na liturgia desta dominga leva-nos à época do rei Ezequias, que atinge a maioridade e assume os destinos de Judá, em 714 a.C. Ezequias, pretendendo a reforma religiosa e a independência política, manifesta propensão para alianças políticas contra os assírios (que, desde o reinado de Acaz, mantêm Judá sob a sua autoridade). Em resposta, Senaquerib ataca Judá e devasta-a. E, em 701 a.C., Jerusalém é cercada pelos assírios e Ezequias tem de aceitar uma submissão mais onerosa do que a anterior.

Todavia, o episódio em causa não se refere aos grandes acontecimentos políticos em que Judá se vê envolvido. Aborda, antes, um caso palaciano. Shebna e Elyaqîm são altos funcionários de Ezequias, que o 2.º livro dos Reis cita a propósito de episódio associado à invasão de Senaquerib.

O oráculo dirige-se, inicialmente, a Shebna, “administrador do palácio”. Anuncia-lhe a destituição do cargo e a sua substituição por Elyaqîm, porque Shebna talhou “para si um sepulcro no alto e cavou para si na rocha um mausoléu”. A sua atitude é condenável, porque é sinal do orgulho de Shebna, que usa o poder para se projetar na sociedade, porque Shebna utilizou o dinheiro do povo ou porque despendeu dinheiro em futilidades, num momento difícil para o povo. Na verdade, sempre o detentor do poder tende a projetar-se acima de todos, a utilizar dinheiro do povo em benefício próprio e a gastar em ninharias e petulâncias, recursos que fazem falta ao povo. Numa dessas tentações terá caído o administrador do palácio.

Shebna será substituído nas suas funções. Para tanto, será despojado das insígnias do poder (a túnica, o cinto, a chave do palácio), que passarão para Elyaqîm, que receberá o poder das chaves do palácio. O simbolismo das chaves é sugestivo: o mordomo, entre outras coisas, conservava em seu poder as chaves do palácio real, administrava os bens do rei, fixava a abertura e o fechamento das portas e definia quais os visitantes a introduzir junto do soberano.

A frase usada pelo profeta – “ele será um pai para os habitantes de Jerusalém e para a casa de Judá” – indica que Elyaqîm exercerá o serviço da autoridade com solicitude, com amor, com justiça; e a referência à “estaca” (“fixá-lo-ei como uma estaca num lugar firme”), revela que, na ótica de Isaías, Elyaqîm desempenhará as suas funções com firmeza.

A autoridade não pode tornar-se em poder absoluto; deve servir para aumentar a robustez da comunidade. A “auctoritas” latina é cognata do verbo “augere”, que significa “aumentar”, fazer crescer”. E a tentação é, muitas vezes, apoucar os outros e aumentar o poder pessoal.

Este episódio palaciano – de corrupção e de validade – é-nos proposto como Palavra de Deus, porque nos prepara para melhor entendimento do Evangelho, pois define em que consiste o serviço “das chaves”, o serviço da autoridade: ser pai para aqueles sobre quem se tem responsabilidade e procurar o bem de todos com solicitude. A chave, é fundamentalmente, para abrir, para incluir, mas alguns detentores usam-na para fechar, para vedar, para excluir

***

O Evangelho (Mt 16,13-20) convida os discípulos a aderirem a Jesus e a acolherem-No como “o Messias, Filho de Deus”. Desta adesão, nasce a Igreja – comunidade dos discípulos de Jesus, convocada e organizada à volta de Pedro, mas sempre referenciada a Cristo. A missão da Igreja é testemunhar salvação que Jesus trouxe. À Igreja e a Pedro é confiado o poder das chaves – isto é, a faculdade de interpretar as palavras de Jesus, de adaptar o ensino de Jesus aos desafios do Mundo e de acolher na comunidade todos os que aderem à via da salvação.

Estamos no Norte da Galileia, perto das nascentes do Jordão, em Cesareia de Filipe (atual Bânias), construída por Herodes Filipe (filho de Herodes o Grande) no ano 2 ou 3 a.C., em honra do imperador Augusto.

O trecho em causa é central no Evangelho mateano. Aparece num momento de viragem, quando se perfila no horizonte de Jesus um destino de cruz. Após o êxito inicial do seu ministério, Jesus começou a experienciar a oposição dos líderes e desinteresse por parte do Povo. A sua proposta do Reino não é acolhida, senão por um pequeno grupo – o grupo dos discípulos. Então, dirige-se aos discípulos a interrogá-los sobre Si próprio, não para medir a sua quota de popularidade, mas para clarificar, nos discípulos, a índole da sua opção e para os confirmar nessa opção de seguimento e de aposta no Reino.

O relato de Mateus é diferente do relato do mesmo episódio feito por outros evangelistas, nomeadamente, Marcos. Mateus remodelou e ampliou o texto de Marcos, juntando a afirmação de que Jesus é o Filho de Deus e a missão confiada a Pedro. O trecho em causa é divisível em duas partes: a primeira, cristológica, centra-se em Jesus e na sua identidade; a segunda, eclesiológica, centra-se na Igreja, que Jesus convoca à volta de Pedro.

Na primeira parte (vv. 13-16), Jesus interroga os discípulos: acerca do que as pessoas dizem dele e do que eles próprios pensam. A opinião dos “homens” vê Jesus em continuidade com o passado (“João Baptista”, “Elias”, “Jeremias” ou “algum dos profetas”). Não captam a condição única de Jesus. Na perspetiva dos “homens”, Jesus é, apenas, um homem bom, justo, generoso, que escutou o apelo de Deus e Se esforçou por ser um sinal vivo de Deus, como tantos outros homens antes d’Ele. É muito, mas não basta: não entenderam a novidade do Messias.

A opinião dos discípulos acerca de Jesus vai muito além da opinião comum. Pedro, porta-voz da comunidade, sintetiza o sentir da comunidade do Reino na asserção: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo”. Nestes dois títulos resume-se a fé da Igreja mateana e a catequese aí feita sobre Jesus. Dizer que Jesus é “o Cristo” (Messias) significa dizer que Ele é o libertador que Israel esperava, enviado por Deus para libertar o seu Povo e para lhe doar a salvação definitiva. Porém, para os membros da comunidade do Reino, Jesus não é apenas o Messias: é também o “Filho de Deus”. No Antigo Testamento, a expressão “Filho de Deus” é aplicada aos anjos, ao Povo eleito, aos vários membros do Povo de Deus, ao rei e ao Messias/rei da linhagem de David. Designa a condição de alguém que tem relação particular com Deus, a quem Deus elegeu e a quem Deus confiou uma missão. Definir Jesus como o “Filho de Deus” significa, não só que Ele recebe vida de Deus, mas que vive em total comunhão com Deus, que desenvolve com Deus a relação de profunda intimidade e que Deus Lhe confiou uma missão única para a salvação dos homens; significa reconhecer a profunda unidade e intimidade entre Jesus e o Pai e que Jesus conhece e realiza o desígnio do Pai no meio dos homens. Os discípulos são convidados a entender dessa forma o mistério de Jesus.

Na segunda parte (vv. 17-20), Jesus responde à confissão de fé da comunidade discipular, feita pela voz de Pedro. Jesus felicita Pedro (e a comunidade) pela clareza da fé que o anima, que não é mérito de Pedro, mas dom de Deus (“não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas o meu Pai que está nos céus”). Pedro (os discípulos) pertence ao grupo dos pobres, dos simples, abertos à novidade de Deus, que têm coração disponível para acolher o dom de Deus (pobres e simples contrapõem-se a líderes – fariseus, doutores da Lei, escribas – instalados nas certezas, seguranças e preconceitos, incapazes de abrirem o coração aos desafios de Deus).

O que é que significa Jesus dizer a Pedro que ele é “a rocha” (“Pedro” é a tradução grega do hebraico “Kephâ” – “rocha”) sobre a qual a Igreja de Jesus é construída? As palavras de Jesus têm de ser vistas no contexto da confissão de fé acabada de proferir. Mateus está, pois, a afirmar que a base firme e inamovível sobre a qual assenta a “Ekklesía” (Igreja) de Jesus é a fé que Pedro e a comunidade dos discípulos professam: a fé em Jesus como o Messias, Filho de Deus vivo.
Para que seja possível a Pedro testemunhar que Jesus é o Messias Filho de Deus e edificar a comunidade do Reino, Jesus promete-lhe “as chaves do Reino dos céus” e o poder de “ligar e desligar”. A entrega das chaves equivale à nomeação do administrador do palácio de que falava Isaías. Por outro lado, a expressão “atar e desatar” designava, entre os judeus, o poder para interpretar a Lei, com autoridade, para declarar o que era ou não permitido, para excluir ou reintroduzir alguém na comunidade do Povo de Deus. Assim, Jesus nomeia Pedro administrador e supervisor da Igreja, com autoridade para interpretar as palavras de Jesus, para adaptar os ensinamentos de Jesus a novas necessidades e situações, e para acolher ou não novos membros na comunidade dos discípulos do Reino. Porém, é de clarificar que todos são chamados por Deus a integrar a comunidade do Reino; mas aqueles que não estão dispostos a aderir a Jesus não podem aí ser admitidos.

Não se trata de confiar a um homem (Pedro) um primado, enquanto liderança absoluta (o poder das chaves, o poder de ligar e desligar) da comunidade dos discípulos, stricto sensu. Pedro é, aqui, o discípulo que dá voz a todos os que acreditam em Jesus, que representa a comunidade dos discípulos e que os confirma na fé. Não há Igreja sem Pedro (a Igreja existe com Pedro), mas Pedro, que representa a Igreja, não a substitui.

O poder de “ligar e desligar” aparece noutro contexto, confiado à totalidade da comunidade e não a Pedro em exclusivo (cf. Mt 18,18). Assim, a postura mais correta é ver em Pedro o protótipo do discípulo; nele, está representada a comunidade que se reúne à volta de Jesus e que proclama a sua fé em Jesus como o Messias e o “Filho de Deus”. É a esta comunidade, representada por Pedro, que Jesus confia as chaves do Reino e o poder de acolher ou excluir. Isso não invalida que Pedro seja a figura de referência para os cristãos e que tenha desempenhado papel de primeiro plano na animação da Igreja nascente, sobretudo nas comunidades da Síria, a que o Evangelho de Mateus se destina.

Por fim, uma palavra sobre a rocha petrina. As portas do inferno não prevalecerão contra ela, porque é dura e forte. Porém, ela tem a outra face mais simpática para os filhos de Deus: no seu seio (gruta) eles são acolhidos e protegidos e sentem-se irmãos. Para tanto, alguns têm de se encarregar, permanente ou temporariamente, da vigilância contra os perigos e da ampliação da gruta, porque todos são chamados a entrar e a permanecer nela.

***

Perante os fiéis reunidos na Praça de São Pedro, para a oração do Angelus, Leão XIV sublinhou que o Evangelho nos coloca ante uma pergunta que interpela cada um de nós na via da fé: “Quem é Jesus para cada um?”. O que outrem pensa não me compromete, mas o que eu creio.

“A partir da narração evangélica, percebe-se quanto esta pergunta é decisiva para a experiência do discipulado. Ainda que os apóstolos já tivessem compartilhado muito da vida e do ministério do Mestre, Jesus não quis pressupor que eles O conheciam e que tinham compreendido o mistério do Reino de Deus. Por isso, depois de perguntar quais eram as opiniões das pessoas sobre Ele, dirige-se-lhes, diretamente: “E vós, quem dizeis que Eu sou?”

“Este é um passo fundamental para cada um de nós, pois a fé não nos é dada de uma vez para sempre; antes, precisamos, constantemente, de redescobrir o rosto de Cristo e o seu Evangelho, aprofundar a sua mensagem e renovar as escolhas, para que sejam coerentes com o que professamos, vencendo a tentação de pensar que sabemos tudo e de transformar a fé num costume. Esta pergunta surge, especialmente, na oração e na meditação sobre o Evangelho, mas também quando nos deparamos com as feridas e com as necessidades dos irmãos, ou nas relações e nas situações que mais interpelam a nossa consciência.

“Enfim, no âmbito da nossa vida, avaliamos se, para nós, Jesus é só uma grande figura da História que disse e fez coisas importantes, ou se é o Cristo, Aquele que foi enviado para nos introduzir no amor do Pai e transformar a nossa vida e o Mundo em que vivemos.”

Por conseguinte, o Papa exorta a que “aprendamos a não nos fecharmos nas nossas convicções e certezas religiosas, para nos mantermos abertos a uma relação autêntica com Cristo”. De facto, por vezes, no atinente à fé cristã, contentamo-nos com o que ‘ouvimos dizer’, com os lugares-comuns, com o que nos foi transmitido. Ora, Jesus pede-nos uma resposta pessoal, que O conheçamos de perto, que nos deixarmos escrutinar, a partir da amizade com Ele, num encontro sempre novo que pode exigir que trilhemos caminhos inéditos e que façamos escolhas diferentes das que imaginávamos. Isto é válido para o percurso pessoal, para o caminho da Igreja e para as escolhas pastorais, já que, às vezes, pensamos que basta continuar a fazer como sempre fizemos.

“Ao invés, importa que nos perguntemos, frequentemente: ‘Para mim, quem é o Senhor? Conheço-O? O que me pede o seu Evangelho? Que passos e que escolhas deveria tomar?’

“Invoquemos a Virgem Maria, que, no seu coração, procurava a vontade de Deus, através do seu Filho, para que nos guie sempre no caminho da fé.

***

A segunda leitura (Rm 11,33-36) insta a contemplar a riqueza, a sabedoria e a ciência de Deus que, de modo misterioso e desconcertante, realiza o seu desígnio de salvação do homem. Ao homem resta entregar-se na mão de Deus e deixar que o seu espanto, reconhecimento e adoração se transformem em hino de amor e de louvor a Deus salvador e libertador.

Israel rejeitou a oferta da salvação que Deus fez, através de Jesus Cristo, mas isso não significa que Israel esteja arredado da salvação, pois Deus, que lhe prometeu a salvação, não pode ser infiel às suas promessas. Talvez tenha deixado que Israel, num primeiro momento, recusasse a salvação, para que, cedo, os gentios beneficiassem dos dons de Deus. Deus pode ter permitido algo de aparentemente mau, para daí tirar um bem maior. De resto, Israel foi, desde os primeiros instantes da sua existência, chamado a ser o Povo de Deus; e esse chamamento é irrevogável. O Povo eleito, chamado por Deus, desde os seus inícios, não pode deixar de ser objeto especial da misericórdia de Deus. O trecho em apreço, a conclusão desta reflexão paulina, é um belo hino de louvor, de reconhecimento e de adoração que exalta o desígnio salvador de Deus.

Paulo, totalmente abismado, contempla a riqueza, a sabedoria e a ciência de Deus – qualidades de Deus que levam às exclamações e interrogações que preenchem o resto do hino.

O apóstolo reconhece que o desígnio de Deus é misterioso e ultrapassa, infinitamente, a capacidade de compreensão e de entendimento do homem. Deus é sempre mais do que aquilo que o homem imagina: mais sábio, mais poderoso, mais misericordioso. Ao homem resta reconhecer a sua pequenez, os seus limites, a sua finitude, a sua incapacidade de compreender, totalmente, o Deus desconcertante e incompreensível. Mesmo quando as coisas parecem não fazer sentido (a lógica de Deus é diferente da lógica dos homens), ao homem resta atirar-se, com confiança, para os braços de Deus, acolher humildemente a sua Palavra e procurar seguir, com simplicidade e amor os seus caminhos. O verdadeiro crente é o que, embora não entenda o alcance total do desígnio de Deus, se entrega confiadamente nas suas mãos e deixa que o seu espanto e adoração se transformem num hino de louvor: “Glória a Deus para sempre. Ámen”.

***

Toda a dinâmica da salvação é fruto da misericórdia de Deus, pelo que Ele é digno de todo o louvor para sempre. Louvemo-Lo e aceitemos a Palavra de Cristo:

“Senhor, a vossa misericórdia é eterna: não abandoneis a obra das vossas mãos.”

“De todo o coração, senhor, eu Vos dou graças / porque ouvistes as palavras da minha boca. / Na presença dos Anjos Vos hei de cantar / e Vos adorarei, voltado para o vosso templo santo.

“Hei de louvar o vosso nome pela vossa bondade e fidelidade, / porque exaltastes acima de tudo o vosso nome e a vossa promessa. /Quando Vos invoquei, me respondestes, / aumentastes a fortaleza da minha alma.

“O Senhor é excelso e olha para o humilde, / ao soberbo conhece-o de longe. / Senhor, a vossa bondade é eterna, / não abandoneis a obra das vossas mãos.

“Aleluia. Aleluia. Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja / e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.”

2026.08.23 – Louro de Carvalho


Sem comentários:

Enviar um comentário