segunda-feira, 17 de agosto de 2026

A árvore mais antiga de Portugal é uma oliveira de mais de 3700 anos

 

 

Até há pouco tempo, a “Oliveira do Mouchão”, com 3350 anos (nascida no século XIV a.C.), era considerada a árvore mais antiga de Portugal.

De acordo com o portal Florestas.pt, no reinado de Ramsés II, no antigo Egito, despontava a “Oliveira do Mouchão”, nas proximidades de Abrantes.  E a “Oliveira Velha”, como também era chamada, assistiu à passagem de Fenícios, de Celtiberos e de Romanos, entre outros povos, pelo território que hoje é a vila de Mouriscas. Era, pois, considerada a árvore mais antiga em Portugal, de acordo com um método científico desenvolvido pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD).

O trabalho de datação, liderado pelo Departamento Florestal da UTAD, em 2016, estimou que a “Oliveira do Mouchão” teria 3350 anos. A idade estimada da oliveira resulta de um método matemático que relaciona a idade com caraterísticas do tronco, como o diâmetro, altura e o perímetro. Esta, que era considerada como a árvore mais antiga de Portugal está ainda classificada como Arvoredo de Interesse Público e como Árvore Monumental de Portugal pelo ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.

O tronco da velha “Oliveira do Mouchão” eleva-se a mais de três metros. Para o abraçar são precisas cinco pessoas, pois o seu perímetro à altura do peito (PAP) mede cerca de 6,5 metros. Apesar da idade grandiosa, produz azeitonas e azeite de qualidade, como se fosse jovem, mas o seu principal interesse, atualmente, é constituir um marco da cultura e das tradições locais. Na verdade, os pescadores costumavam reunir-se junto da oliveira, que era uma espécie de linha de partida numa corrida até aos pesqueiros. O pescador que chegasse primeiro ao Tejo, tinha o ensejo de escolher a Pesqueira do Mochão, a melhor zona para pescar.

A UTAD já classificou outras oliveiras milenares em território nacional, embora não sejam tão antigas como a “Oliveira do Mouchão”. Em Santa Iria da Azoia regista-se uma oliveira com 2850 anos e, em Monsaraz, há um exemplar com 2450 anos.

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Porém, de acordo com a UTAD, esta já não será a mais antiga árvore de Portugal. A 17 de agosto (a Euronews, por lapso, refere 18/08/2026), um artigo de Ema Gil Pires, intitulado “Portugal guarda centenas de oliveiras milenares – e uma pode ter mais de 3700 anos”, dá a primazia da longevidade à oliveira que existe, na Vidigueira, há mais de 3700 anos [século XVI a.C.]. O método científico de datação é o de uma equipa da UTAD, que tem permitido calcular a idade de centenas de oliveiras milenares, de Norte a Sul do país. E, no estrangeiro, a UTAD já classificou oliveiras em Bordéus, na França, em Girona, em Málaga e na Ilha de Minorca, na Espanha, tendo classificado, nesta última, uma oliveira com 2310 anos.

José Luís Louzada, investigador da UTAD, lidera uma equipa que, há vários anos, criou um método científico inovador capaz de datar árvores com mais de três mil anos e que tem vindo a ser usado na datação de oliveiras, em Portugal e no estrangeiro.

“A oliveira está muito bem-adaptada ao nosso clima mediterrâneo e, por isso, atinge uma notável longevidade. Há centenas de oliveiras portuguesas que já ultrapassam a idade de Cristo e podemos encontrá-las, especialmente, a sul do Mondego. É, sem dúvida um dos seres vivos que mais resiste ao tempo, pela sua grande capacidade de rejuvenescimento. Um pedaço de tronco, por mais velho que esteja, tem a capacidade de voltar a rebentar e a oliveira continuar a produzir azeitona”, explicou o investigador.

“Em teoria – afirma Luís Louzada –, a oliveira pode viver uma eternidade, ultrapassando a idade das inúmeras gerações que passem pelo mesmo território. Não é em vão que, em muitos territórios nacionais, quem é dono das terras não é dono das oliveiras. Estas estão doadas, desde há séculos, a instituições que garantam a longevidade do seu uso, como sejam algumas irmandades religiosas ou as próprias Santas Casas da Misericórdia. E o azeite produzido é, muitas vezes, para sustento das igrejas e capelas, ou para alumiar nas lamparinas.”

A UTAD, em cooperação com a empresa Oliveiras Milenares, continua a assegurar a datação das oliveiras mais antigas.

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Na Alemanha foi descoberta, recentemente, uma árvore que pode ser a mais antiga conhecida naquele país, com cerca de 1100 anos, a qual, não sendo plurimilenar, não é despicienda.

A este respeito, Nela Heidner, escrevia a 6 de agosto, na Euronews: “Numa remota pradaria alpina no Allgäu, ergue-se um livro vivo da História: um teixo [árvore cónica de folha persistente] com mais de 1100 anos, possivelmente, a árvore mais antiga da Alemanha, que já sobreviveu a várias gerações.” A seguir, explicita que “as árvores envelhecem muito lentamente”, graças à “renovação constante dos seus tecidos” (agulhas ou folhas, casca, ramos, tronco e raízes), que “são formados, repetidamente, enquanto as partes mais antigas vão morrendo, gradualmente”. E, enquanto “o tronco e a copa estão expostos ao vento, ao clima, aos animais e aos lenhadores”, o vasto sistema radicular subterrâneo da árvore continua a viver oculto, por muito mais tempo.

Esta árvore ergue-se, em excecional isolamento, numa pastagem alpina, com gado, entre Steibis e Balderschwang, no Alto Allgäu, a 1100 metros de altitude. Para a Sociedade Dendrológica Alemã, associação de especialistas em árvores, o teixo terá cerca de 1100 anos e o seu tronco tem um PAP de 5,1 metros. Localizada em encosta virada a noroeste, a árvore está perto do limite altitudinal da distribuição do teixo nos Alpes, que se situa em torno dos 1300 metros. Segundo os especialistas, no semestre de inverno, mal recebe sol e é, claramente, mais fria do que nas encostas Sul à mesma altitude. “É um milagre ter sobrevivido a todos estes séculos e aparentar boa saúde. Provavelmente, até beneficia do aquecimento atual”, observam.

Desconhece-se como chegou o teixo àquela remota pastagem alpina. Uma coisa é certa: dificilmente terá sido plantado. É provável que um pássaro tenha deixado a semente no local. Porém, há cinco mil anos, no Neolítico, os teixos já tinham importância especial para as populações dos Alpes do Tirol do Sul. Ötzi, o “homem do gelo”, encontrado numa fenda glacial, a mais de três mil metros de altitude, levava um arco de caça feito de teixo.

Atualmente, no Allgäu, o teixo está a substituir a tília da aldeia de Upstedt, na Baixa Saxónia. Até agora, a tília-de-verão, com cerca de mil anos, era considerada a árvore mais antiga da Alemanha. A seguir, vinha o carvalho de Feme de Erle, em Raesfeld, no Westmünsterland, com cerca de 900 anos. O carvalho tem uma circunferência de tronco superior a 12 metros e é, provavelmente, o exemplar mais grosso desta espécie, naquele país. Entre 1363 e o final do século XVI, realizavam-se, sob a sua copa, tribunais de Feme, o que faz desta a mais antiga árvore de julgamentos conhecida na Europa. E era temida na Idade Média, pois parte dos processos decorria em segredo e as sentenças, incluindo penas de morte, podiam ser ali executadas.

É de salientar que o teixo-europeu, como este exemplar com 1100 anos, já existia, há cerca de 150 milhões de anos. É, pois, a mais antiga espécie arbórea autóctone da Europa.

Se nos ativermos apenas à idade da parte aérea, a árvore mais antiga do Mundo é um pinheiro nas White Mountains, na Califórnia, nos Estados Unidos da América (EUA), com mais de cinco mil anos. No Parque Nacional de Fulufjället, na Suécia, cresce o “Old Tjikko”, um abeto-comum cujo sistema radicular terá cerca de 9550 anos. E a mais antiga é a colónia de clones “Pando”, na Floresta Nacional de Fishlake, nos EUA, cujo sistema de rizomas, uma rede subterrânea de raízes de álamo-tremedor, terá cerca de 80 mil anos. Uma colónia de clones é um conjunto de plantas geneticamente idênticas por todas terem origem no mesmo antepassado.

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Todavia, em Portugal, contabilizam-se inúmeras árvores centenárias, milenares e plurimilenares, em particular, oliveiras, cuja idade estimada ultrapassa já os dois mil anos e que têm vindo, ao longo dos anos, a ser alvo de certificação pela UTAD.

Durante vários anos, tudo apontava para que a “Oliveira do Mouchão”, na freguesia e vila de Mouriscas, no concelho de Abrantes, no distrito de Santarém, fosse a mais antiga em território nacional. É, como dissemos, “contemporânea de Fenícios, de Celtiberos e de Romanos” e que, segundo revelado pela UTAD, no princípio de 2022, continuava “a produzir azeitona, como na flor da juventude, apesar do tronco carcomido pelas inclemências do tempo”.

Sobreviveu à passagem de povos invasores, de bárbaros e de povos refugiados, ao longo de milénios, “graças às raízes fundas que criou” no solo. E foi uma das candidatas à eleição da Árvore Europeia de 2022, tendo ficado em 5.º lugar, no concurso nacional, pelo que não foi a representante de Portugal na competição internacional.

A estimativa foi obtida, como dissemos através de um método desenvolvido por uma equipa de investigadores da UTAD, já patenteado e que, implementado no contexto da colaboração com a empresa Oliveiras Milenares, tem permitido calcular a idade de inúmeros espécimes, tanto em Portugal como no estrangeiro. Este método tem por base um modelo matemático que relaciona a idade da árvore com caraterísticas do seu tronco, como o diâmetro, altura ou perímetro, segundo o portal Florestas.pt, iniciativa da The Navigator Company e do Raiz – Instituto de Investigação da Floresta e Papel.

No entanto, já por altura da descoberta em Abrantes, tinha sido possível certificar “muitas outras oliveiras milenares” espalhadas por vários pontos do país. Contudo, no site da empresa Oliveiras Milenares, que coopera com a UTAD, nesta missão de certificação, desde 2007, informa-se que foi identificada uma outra oliveira com ainda maior antiguidade do que as anteriores. Fica no Alentejo, mais precisamente, na Herdade do Peso, na Vidigueira, no distrito de Beja, e terá superado já os 3700 anos, segundo o reconhecimento feito em 2021.

Esta “Oliveira do Peso”, como é designada, disputou o título de Árvore Europeia de 2024, concurso nacional no qual ficou em terceiro lugar e cujo vencedor representaria Portugal na competição europeia equivalente. A candidatura foi justificada pela “significância patrimonial” daquela que é a “oliveira milenar mais antiga da Herdade do Peso”, localizada numa planície onde fica “um conjunto de oliveiras cuja soma de idades ultrapassa os sete mil anos de idade”, segundo comunicado da referida propriedade.

Além destes, outros exemplos que vêm sendo sublinhados pela instituição de ensino transmontana e alto duriense localizam-se em Monsaraz, no distrito de Évora, onde há várias oliveiras milenares, uma das quais com cerca de 2450 anos. Porém, segundo a UTAD, há muitas outras, em Portugal, espalhadas por locais, como Estremoz, Montemor-o-Novo, Lagoa, Beja, Vilamoura, Évora e o Parque de Serralves, no Porto. E a UTAD revelou ter sido convidada a datar oliveiras, no estrangeiro, em países, como a Espanha e a França, como já foi referido.

José Luís Louzada, já mencionado, apontou que a oliveira é, “sem dúvida, um dos seres vivos que mais resistem ao tempo, pela sua grande capacidade de rejuvenescimento”. Assim, um “pedaço de tronco, por mais velho que esteja, tem a capacidade de voltar a rebentar”, possibilitando que a árvore continue “a produzir azeitona”.

Na ótica do investigador, essa longevidade deve-se, entre outros fatores, ao facto de ser uma espécie “muito bem-adaptada ao nosso clima mediterrâneo”, o que a leva a atingir “uma notável longevidade”. Em Portugal, estas oliveiras encontram-se, “especialmente, a sul do Mondego” e podem, “em teoria”, viver “uma eternidade, ultrapassando a idade das inúmeras gerações que passem pelo mesmo território”.

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Por falar de árvores antigas, lembro-me de duas no distrito de Viseu: a carvalha (ou carvalho ancião) do Presépio, no Mosteiro, em Castro Daire; e o castanheiro do Parque de Nossa Senhora dos Remédios em Lamego.

A Carvalha do Presépio fica junto à capela de Nossa Senhora do Presépio, na localidade de Mosteiro, da freguesia e concelho de Castro Daire, que visitei lagunas vezes, antes de ter sucumbido, em 1987, à intempérie e depois.

Quando o carvalho ancião morreu, as autoridades houveram por bem plantar novo exemplar, exatamente, no mesmo sítio, em jeito de homenagem ao velho carvalho, e sem retirar a imensidão do cepo, que ficou a servir de proteção e a fornecer nutrientes ao jovenzinho.

Segundo Abílio Pereira de Carvalho, a antiga árvore era da espécieParte superior do formulário

Parte inferior do formulário

 Quercus robur L, tinha uma idade estimada de mais de mil anos e foi classificada como de interesse público, a 2 de março de 1942. O PAP media 10,50 metros e o diâmetro à altura do peito (DAP) media 3,34 metros.

O cepo da velha árvore está, agora, protegido com uma estrutura interna de suporte que consiste em três barras de metal, arranjadas de forma a suportar o peso do cepo e a impedir que desabe para o interior; e um cabo de aço, no exterior, sustém o cepo.

Esta estrutura está bastante bem concebida, tem impacto visual reduzido e permite a sustentação do cepo, perpetuando o valor da árvore que ali esteve e garantindo a segurança dos que ainda hoje a vão admirar. A árvore, apesar de morta, segundo alguns, merecia uma placa de identificação, a mencionar o facto de ter sido o carvalho mais antigo de Portugal, pois, já na altura da sua classificação, era considerado milenar.

Do castanheiro (aliás, são dois) do Parque do Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, em Lamego, escreveram, a 10 de outubro de 2024, no blogue “Dias com árvores”, Paulo V. Araújo e Maria P. Carvalho: “Estas árvores, onde já morou incontáveis vezes o espírito do outono, são, agora, a expressão mais triste do inverno. […] Uma cabeleira inesperada de heras esconde a decrepitude do primeiro castanheiro a ser classificado de interesse público (em 1940), no nosso país; e não são muitos os castanheiros classificados: apenas mais quatro, segundo o documento ‘Árvores isoladas, maciços e alamedas de Interesse Público’, onde se pode ler sobre este castanheiro, estar ele ‘totalmente decrépito’ e ter ‘cerca de 700 anos’. Na árvore que conserva algumas pernadas, na extremidade de um dos ramos, viam-se ainda sinais do tempo cíclico: folhas carcomidas e ouriços! Estas verdadeiras relíquias mereciam muito mais [do]que estreitos canteiros e placa comemorativa!”

A este respeito, escreveu Ernesto Goes, em “Árvores monumentais de Portugal (1984): “Trata-se de dois castanheiros multisseculares, decrépitos, tendo o maior 9 m [nove metros] de PAP, que, segundo Taborda de Morais (1936), deve ter cerca de 900 anos, sendo um dos mais velhos do País. Esta árvore está considerada de interesse público, por Decreto publicado em Diário do Governo. Foi assinalado por Sousa Pimentel, no seu livro ‘Árvores gigantes de Portugal’, publicado em 1894. […] Este castanheiro pertence à irmandade de Nossa Senhora dos Remédios.”

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Oliveira, teixo, carvalho e castanheiro mostram que “as árvores morrem de pé”, mas nem todas.

2026.08.17 – Louro de Carvalho

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