terça-feira, 2 de junho de 2026

Previsões macroeconómicas estão a ser revistas em alta

 

De acordo com informação do portal “Economia e Finanças” de 30 de maio, a Comissão Europeia (CE) coloca previsão para a inflação nos 3,0%, em 2026, no novo cenário macroeconómico para a União Europeia (UE), que divulgou no seu “European Economic Forecast Spring 29026”.

Assim, com a previsão anterior da mesma instituição era de 2,0%, verifica-se uma subida de um ponto percentual, em poucos meses, pelo que temos uma revisão de 100 pontos base.

O valor previsto para Portugal cai em cima da previsão para média da Zona Euro (21 países) e fica uma décima abaixo do previsto para o total da UE, que é de 3,1%

Para 2027, a expectativa é de que a inflação desacelere para 2,3%, em Portugal e na Zona Euro. Mais três décimas, ou seja, mais 30 pontos base do que na previsão anterior. E, na UE, prevê-se que desacelere para 2,4%.

A instabilidade no mercado da energia provocada pelo conflito no Médio Oriente e no Golfo Pérsico, em especial, após o ataque dos EUA e Israel ao Irão, que pôs o trânsito marítimo no Estreito de Ormuz em suspenso, estará entre as principais causas para esta revisão.

No final de março, o Banco de Portugal (BdP) atualizou as suas projeções macroeconómicas para Portugal e tinha antecipado, para 2026, o novo valor de 2,8%, para inflação, um valor, ainda assim inferior ao agora projetado, em maio, pela CE.

Porém, nem só a inflação é impactada pelas revisões. A previsão para o produto interno bruto (PIB) real é, agora, das mais modestas: 1,7%, em 2026 (quando na previsão anterior era de 2,2%), e 1,8%, em 2027, quando na previsão anterior da CE, era de 2,1%. Na zona Euro, a média é de 0,9%, e na UE, é de 1,1%.

A taxa de desemprego resiste a este cenário global menos favorável. A previsão de primavera da CE, para 2026, é igual à que havia feito nas previsões de inverno: 5,9%. E, para 2027, a expectativa é até melhor 5,8% versus 6,1%. Na zona Euro, a média é de 6,4%, e na UE, é de 6,0%.

Com evolução favorável face às previsões anteriores surge o saldo orçamental. A CE continua a prever o regresso dos défices, em 2026 e em 2027, de 0,1% e 0,4%, respetivamente, mas traça uma expectativa melhor do que a avançada há cerca de meio ano, que apontava para um défice superior tanto em 2026 (0,3%) como em 2027 (0,5%).

No entanto, é de lembrar que se trata de previsões cuja volatilidade está patente na magnitude das mudanças que muitos dos indicadores sofreram em menos de meio ano.

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Também Patrícia Abreu, a 2 de junho, em artigo intitulado “Inflação na Zona Euro supera 3%, pela primeira vez, desde 2023”, publicado no jornal ECO online, focando-se na situação macroeconómica recente, considera que a “inflação acelerou para 3,2%, em maio, sobretudo, devido ao aumento dos preços da energia, por causa da guerra no Médio Oriente, num momento em que se espera que BCE [Banco Central Europeu] suba juros, a 11 de junho.

A jornalista precisa que a taxa de inflação homóloga na Zona Euro acelerou para 3,2%, em maio, acima dos 3% registados em abril e o valor mais elevado desde setembro de 2023, segundo mostra a estimativa rápida divulgada pelo Eurostat, a 2 de junho (dados ligeiramente diferentes dos apontados pela CE, note-se). A puxar pelos preços está a energia, devido aos efeitos provocados pela guerra no Irão, num momento em que o mercado aguarda uma subida de juros por parte do BCE, na próxima reunião do seu Conselho (11 de junho).

Observa Patrícia Abreu que a taxa de inflação, medida pela variação do Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC), manteve a tendência de aceleração registada desde o início do conflito, que levou os preços da energia a disparar, por causa do ao encerramento do Estreito de Ormuz, por onde passava cerca de 20% do petróleo consumido, diariamente, a nível global. E é a energia que continua a puxar pelo IHPC. Segundo o gabinete de estatísticas europeu (o Eurostat), a componente da energia deverá ter registado uma evolução homóloga de 10,9%, ligeiramente acima dos 10,8% fixados em abril, seguida pelos serviços, com a taxa de 3,5%, face a 3%, em abril. Já a inflação dos alimentos, álcool e tabaco contrariou a tendência de subida e desacelerou para 2%, face a 2,4%, em abril, enquanto a dos bens industriais não energéticos se fixou em 0,9%, contra 0,8%, em abril.

A divulgação destes números confirma a tese que o BCE deverá anunciar, no final da reunião de 11 de junho, a primeira subida de juros, desde que iniciou o atual ciclo de descidas. “Uma semana antes da próxima reunião do BCE, esta é a subida esperada da inflação que levará o banco central a decidir por uma subida de juros de caráter preventivo”, afirma Carsten Brzeski, responsável global de macroeconomia do ING [ING Group ou ING Bank, sediado nos Países Baixos], mas reforçando que a situação é diferente de 2022, em que a entidade mexeu nos juros, pela primeira vez, em julho, com a inflação acima dos 8%, sendo a taxa de juro negativa: -0,5%.

Porém, apesar de os especialistas lembrarem que a situação macroeconómica é distinta, pois o BCE parte com uma taxa de juro de 2%, é preciso acautelar o futuro. Nestes termos, “mesmo que a guerra no Médio Oriente terminasse amanhã, o estrago na inflação já está feito”, explica Brzeski, frisando que vai continuar a afetar a economia europeia.

Por conseguinte, o economista sustenta que, “tendo em conta a experiência de 2022, é provável que o BCE opte por uma subida das taxas de juro por precaução”, ou seja, não por a subida vir a ter “um efeito significativo nas expectativas de inflação”, mas por constituir “um gesto simbólico” a sublinhar “a determinação do BCE em agir”.

Por fim, Patrícia Abreu observa que, em Portugal, a inflação medida pelo IHPC abrandou para 3,1%, abaixo dos 3,3% registados em abril.

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Na mesma linha, Piero Cingari, em artigo intitulado “Inflação atinge 3,2%, máximo desde 2023: subida das taxas do BCE é inevitável?”, publicado, a 2 de junho, pela Euronews, sustenta que “a inflação, na Zona Euro, subiu para 3,2%, em maio, máximo desde 2023, impulsionada pela energia e pelos serviços”, pelo que “os mercados dão como certa subida a de juros do BCE, na próxima semana [11 de junho]”.

Segundo o Eurostat, a taxa de facilidade de depósito do BCE, em março, era de 2%, enquanto a taxa de inflação na Zona Euro era de 2,5%.

Também este analista financeiro vê como causa desta subida da inflação, na Zona Euro (aliás, num valor alinhado com as previsões dos economistas), as perturbações provocadas pelo bloqueio no Estreito de Ormuz a propagarem-se pelos mercados de energia, o que levou a inflação ao nível mais alto, em quase três anos, e reforçou as expectativas de iminente subida das taxas de juro do BCE.

Precisa o analista que, ao sinalizarmos a subida da inflação, na Zona Euro, para 3,2%, em maio, face a 3,0%, em abril (a mais elevada, desde setembro de 2023), falamos de previsão da inflação anual, não de inflação de abril ou de maio.

Piero Cingari observa que a energia continua a ser o principal motor da subida, com os preços, neste segmento, 10,9% acima dos de há um ano, praticamente inalterados, face aos 10,8% de abril. Ao mesmo tempo, entende que, para a autoridade da política monetária, mais preocupante foi o comportamento da inflação nos serviços, o indicador que o Conselho do BCE acompanha mais de perto, para detetar sinais de pressões internas sobre os preços.

Este indicador, diz o analista financeiro, acelerou para 3,5%, a partir de 3,0%, um salto que preocupa muito mais Frankfurt do que o valor global, por sugerir que o choque energético começa a infiltrar-se no resto da economia. Com efeito, a inflação subjacente, que exclui a energia, subiu de 2,2% para 2,4%.

A evolução foi desigual entre os estados-membros. A Espanha registou o ritmo mais rápido, entre as maiores economias, com 3,6%, seguida de Itália, com 3,3%, onde a inflação acelerou, de forma marcada, face aos 2,8% de há um mês. A França situou-se em 2,8% e a Alemanha, maior economia do bloco, em 2,7%. E Portugal foi um dos poucos países a registar uma desaceleração, descendo para 3,1%, face aos 3,3% de abril.

As taxas de inflação anual nos estados-membros da Zona Euro, maio de 2026, mostra-nos onde a inflação está a subir mais rapidamente na Europa.

Assim, na Bulgária, a taxa de inflação anual, prevista em maio, era 6,3%; na Lituânia, 5,1%; na Grécia, 5%; na Croácia, 4,9%; no Luxemburgo, 4,5%; na Bélgica, 4,1%; na Estónia e na Eslováquia, 4%; na Eslovénia, 3,8%; na Áustria e em Chipre, 3,%; na Espanha, 3,6%; na Irlanda, 3,5%; na Letónia e nos Países Baixos, 3,4%; na Itália, 3,3%; em Portugal, 3,1%; na Finlândia 3%; na França, 2,8%, na Alemanha, 2,7%; e em Malta, 2,1%.

No topo da inflação, está a Bulgária e, no patamar inferior, está Malta.

Estes dados do Eurostat surgem acompanhados de novos sinais de que as famílias se preparam para uma continuação das subidas de preços.

De acordo com o Inquérito às Expectativas dos Consumidores do BCE para abril, divulgado a 1 de junho, a mediana das expectativas para a inflação nos próximos 12 meses manteve-se em 4,0%, o dobro da meta do banco central, enquanto a taxa de inflação percebida para o último ano subiu de 3,5% para 4,0%.

Todavia, as expectativas de mais longo prazo permanecem relativamente bem ancoradas. Na verdade, as expectativas de inflação, a três anos, recuaram ligeiramente para 2,9%, enquanto as de cinco anos permaneceram estáveis, em 2,4%. Mesmo assim, o BCE assinala que a incerteza em torno destas expectativas continua elevada.

O inquérito destaca também a deterioração das perspetivas económicas. Efetivamente, os consumidores tornaram-se mais pessimistas, quanto ao crescimento no próximo ano, enquanto as expectativas de aumento da despesa subiram, o que sugere que as famílias antecipam nova pressão sobre o custo de vida. E, nos mercados financeiros, cresce a convicção de que o BCE tem pouca margem para evitar um novo aperto da política monetária.

O mercado de previsões Polymarket atribui a probabilidade de 97% a um aumento de 25 pontos base na taxa de depósito do BCE, na próxima reunião do seu Conselho.

É uma leitura partilhada por vários economistas. Bill Diviney, economista sénior do ABN AMRO (um dos maiores bancos comerciais e de investimento dos Países Baixos, com sede em Amesterdão), antecipa duas subidas consecutivas nas próximas duas reuniões. “Para uma instituição que se afastou da orientação prévia, isto é o mais próximo de um sinal de subida de juros que se pode ter”, afirmou, referindo-se aos comentários recentes de Christine Lagarde, presidente do BCE.

Carsten Brzeski, já citado, considera que a reunião de junho se assemelha cada vez mais a uma subida preventiva, destinada a impedir que as expectativas de inflação se desancorem.

Para Joe Nellis, conselheiro económico na firma de consultoria e auditoria MHA (anteriormente conhecida como MHA MacIntyre Hudson), o BCE enfrenta um compromisso cada vez mais difícil. “Com esta subida da inflação, é cada vez mais provável que o BCE aumente as taxas de juro em 0,25 pontos percentuais, na próxima semana”, afirmou.

E, como os custos de financiamento mais elevados podem vir a pesar ainda mais no investimento das empresas, o consumo das famílias e os governos mais endividados, o conselheiro económico explica: “O BCE enfrenta um exercício de equilíbrio complexo. Taxas de juro mais altas vão acrescentar pressão sobre empresas que já adiam investimentos e sobre famílias confrontadas com prestações de crédito à habitação em alta e [com] orçamentos apertados.”

Ruben Segura-Cayuela, economista do Bank of America, continua a antecipar duas subidas de um quarto de ponto, em junho e em julho, levando a taxa de depósito para 2,5%, embora dados económicos mais fracos possam adiar a segunda decisão para setembro.

Nos mercados cambiais, Enrique Díaz-Alvarez, economista-chefe da empresa de serviços financeiros Ebury, considera que os responsáveis do BCE sinalizaram, de forma suficientemente clara, um movimento, em junho, para que pouco possa agora travá-lo, vendo, ao mesmo tempo, pouca margem para novo aperto, assim que os preços da energia recuem e à medida que os Estados Unidos da América (EUA) e o Irão se aproximam de um acordo para reabrir Ormuz. E sustenta que o euro não valorizou tanto quanto o recuo dos preços da energia poderia sugerir, travado pela fraca confiança das empresas espelhada nos índices PMI.

O PMI (Purchasing Managers’ Index ou Índice de Gestores de Compras) é indicador económico essencial que mede a “temperatura” da atividade do setor privado (indústria, serviços e construção), com base em inquéritos mensais a gestores de compras empresariais.

O debate central passa por saber se o choque energético se esbate como episódio transitório ou se as perturbações nas cadeias de abastecimento geram o tipo de efeitos de segunda ordem, que o BCE mais teme. Na verdade, para o BCE, a decisão de 11 de junho parece fechada. A questão mais difícil é saber quanto tempo dura o aperto, uma vez que o choque de oferta que o motivou dá mostras de começar a dissipar-se.

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A confirmar-se a subida de 25 pontos base, levando a taxa de facilidade permanente de depósito do BCE a subir de 2% para 2,25%, valor que encostará no atual valor das Euribor a três meses.

Neste momento, as Euribor a três, a seis e a 12 meses registam valores crescentes com o prazo, com intervalos correspondentes a sensivelmente uma subida de 25 pontos entre cada prazo (ver tabela em baixo), o que indicia que a expectativa dos mercados é a de que as taxas diretoras continuarão a subir nos próximos seis e 12 meses, antecipando uma subida global de cerca de 75 pontos base no espaço de um ano.

Assim, agora, o cenário mais provável será o de a Euribor a três meses ir crescendo para próximo do atual valor da Euribor a seis meses e a Euribor a seis meses para o atual valor da Euribor a 12 meses e assim sucessivamente. A confirmar-se este percurso mais provável, estaremos perante um encarecimento do preço do dinheiro com impactos garantidos em todos os créditos indexados às Euribor, nomeadamente, o crédito à habitação.

Do lado da poupança, destacam-se os certificados de aforro, por terem embutido a indexação à Euribor a três meses, uma relação que se mantém até esta atingir os 2,5% (Certificados de Aforro Série F), valor a partir do qual os certificados de aforro atingem o máximo de remuneração (além dos prémios de permanência). Já os depósitos a prazo têm vindo, progressivamente a subir as taxas médias para novos depósitos e é natural que esse movimento se mantenha até haver uma inversão do atual ciclo, patrocinado pela inflação largamente importada, devido aos eventos em curso no Golfo Pérsico e no Médio Oriente.

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Enfim, um futuro próximo cheio de incerteza para as famílias modestas e para o investimento!

2026.06.02 – Louro de Carvalho

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