terça-feira, 23 de junho de 2026

População residente em Portugal atinge mais de 11,4 milhões

Em 31 de dezembro de 2025, a população residente em Portugal era estimada em 11424031 pessoas, o número mais elevado de sempre.

O INE divulgou, a 22 de junho, as “Estimativas de População Residente – 2025, as primeiras de base totalmente administrativa, e a revisão das Estimativas de População Residente de 2021 a 2024, calculadas pela mesma metodologia, para Portugal, NUTS I, NUTS II e NUTS III (NUTS 2024) e municípios, assim como um conjunto de indicadores demográficos derivados.

As Estimativas Anuais de População Residente, com início em 2021, assentam na integração e na utilização de dados de fontes administrativas e na aplicação de métodos de indícios de residência. Até 2020, as estimativas anuais são definitivas e assentes nos recenseamentos da população, pelo que a leitura da evolução de 2020 para 2021 tem presente este contexto.

De acordo com o documento “Estimativas de população residente – 2025”, o número de residentes é de 11424031 pessoas, um aumento de 36809 pessoas, relativamente a 2024, ou seja 0,32%. O aumento é mais notório, ao analisar-se o período entre 2021 e 2025, em que a população residente aumentou em 824914 pessoas, com o INE a destacar os anos de 2022, 2023 e 2024, “nos quais se verificaram fluxos migratórios excecionalmente elevados, traduzindo-se em acréscimos populacionais, respetivamente, de 330587, 274 643 e 182 875 pessoas”.

A população residente de nacionalidade estrangeira representa 14% da população total, havendo 1597539 imigrantes, em 31 de dezembro de 2025. Destes, 913 249 (57,2%) eram homens e 684 290 (42,8%) eram mulheres – um aumento de 59113 pessoas, face a 2024. Entre 2021 e 2025, os residentes estrangeiros mais do que duplicaram, correspondendo ao aumento de 849384 pessoas (mais 6,9%). Os aumentos mais expressivos ocorreram em 2022, em 2023 e em 2024.

Segundo o INE, o envelhecimento demográfico continuou a acentuar-se, embora atenuado pelo reforço relativo da população em idade ativa. Em 2025, o índice de envelhecimento atingiu o valor de 188,8 idosos, por cada 100 jovens (178,3, em 2021). A idade mediana da população residente em Portugal era de 45,8 anos (46,1 anos, em 2021).

Já o acréscimo populacional, em 2025, resultou de o saldo migratório positivo, de 70862 pessoas, ter compensado o saldo natural negativo de -34053. Assim, em 2025, registou-se a taxa de crescimento migratório positiva de 0,62%, e a taxa de crescimento natural negativa, de -0,30%. E, entre 2022 e 2025, com saldos naturais negativos, a população residente aumentou, devido aos saldos migratórios positivos, que atingiram valores excecionalmente elevados nos anos de 2022, de 2023 e de 2024, respetivamente, de 371277, de 307288 e de 216629, correspondendo a taxas de crescimento migratório de 3,45%, de 2,78% e de 1,92%.

Entre 2021 e 2025, a proporção de jovens (dos 0 aos 14 anos de idade) diminuiu de 13,0% para 12,4% da população total, o que se refletiu no estreitamento observado na base da pirâmide etária.

Já a percentagem de pessoas em idade ativa (dos 15 aos 64 anos de idade) aumentou de 63,7% para 64,3%, graças ao “contributo dos fluxos migratórios recentes que tendem a concentrar-se nesta idade”.

A proporção de idosos (65 ou mais anos de idade), com ligeiras oscilações, ao longo do período, manteve-se estável, em cerca de 23%. “Esta estabilidade não contrariou, contudo, o processo de envelhecimento, sendo compatível com o aumento do índice de envelhecimento, que reflete sobretudo a diminuição relativa da população jovem”, lê-se no boletim do INE.

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O Norte é a região NUTS II onde reside o maior número de pessoas (3790554), concentrando 33,2% do total da população, seguida pela Grande Lisboa (2415261) e pelo Centro (1771259), onde residem, respetivamente, 21,1% e 15,5% da população total.

O acréscimo populacional entre 2021 e 2025 refletiu-se em todas as regiões NUTS II, tendo sido muito expressivo, em termos relativos, no Algarve (13,8%), na Península de Setúbal (12,8%), na Grande Lisboa (10,6%) e no Oeste e Vale do Tejo (9,7%).

Em 2025, a região da Grande Lisboa, onde residiam 546419 pessoas de nacionalidade estrangeira, concentrava 34,2% do total de estrangeiros, seguindo-se a região Norte, com 311095 residentes de nacionalidade estrangeira e representando 19,5% do total. Estas duas regiões concentravam mais de metade da população estrangeira residente (53,7%). Por seu lado, a Região Autónoma dos Açores era a região onde residiam menos imigrantes, concentrando apenas 0,6% do total da população de nacionalidade estrangeira.

O Algarve, com 161556 estrangeiros, destacou-se como a região com maior peso de população estrangeira no total dos seus residentes, com 27,9%. A Grande Lisboa apresentava a segunda maior proporção (22,6%), seguida pela Península de Setúbal (18,3%).

Relativamente a 2021, todas as regiões NUTS II registaram significativo acréscimo do número de residentes estrangeiros. A Grande Lisboa foi a região NUTS II que apresentou o maior aumento (mais 259544), seguindo-se as regiões Norte (mais 191523) e Centro (mais 113308).

Quanto às faixas etárias, em 2025, a população residente de nacionalidade estrangeira era composta por 8,9% de jovens (dos 0 aos 14 anos de idade), 86,1% de pessoas em idade ativa (dos 15 aos 64 anos de idade) e 5,0% de idosos (65 ou mais anos de idade). A concentração nas idades ativas aumentou relativamente a 2021 (+3,6%).

A população estrangeira apresenta uma pirâmide etária muito distinta da população total, onde se evidencia o predomínio do sexo masculino, e da população em idade ativa.

A população brasileira continua a ser a maior comunidade estrangeira no país. Em 2025, estimava‑se que residiam em Portugal 574195 cidadãos de nacionalidade brasileira, o que corresponde a 35,9% da população estrangeira residente. Relativamente a 2021, o número de residentes nacionais do Brasil mais do que duplicou (106,5%), registando o acréscimo de 296086 pessoas. A nacionalidade angolana era, em 2025, a segunda principal nacionalidade estrangeira, abrangendo 103140 pessoas (6,5% do total de estrangeiros), o que representa, igualmente, um acentuado aumento, em comparação com 2021 (33099). A nacionalidade indiana, com 93683 pessoas, era a terceira mais representativa (37914, em 2021).

Cabo Verde (76099), o Nepal (56866), o Bangladesh (56724) e a Guiné-Bissau (53555) integravam o conjunto das principais nacionalidades estrangeiras, em 2025.

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A pressão demográfica sobre a população em idade ativa atenua-se, com o índice de dependência total a apresentar ligeiro decréscimo. A sobreposição das pirâmides etárias de 2021 e 2025 mostra que se manteve, em 2025, a tendência de envelhecimento demográfico, com a redução da população jovem e com reforço relativo da população em idade ativa, coexistindo com um nível elevado e estável de população idosa.

Entre 2021 e 2025, a proporção de jovens diminuiu, o que se refletiu no estreitamento observado na base da pirâmide etária. A percentagem de pessoas em idade ativa aumentou ligeiramente, graças ao contributo dos fluxos migratórios recentes nesta idade. A proporção de idosos, com ligeiras oscilações, manteve-se relativamente estável. Porém, esta estabilidade não contrariou o processo de envelhecimento, sendo compatível com o aumento do índice de envelhecimento, que reflete, sobretudo, a diminuição relativa da população jovem.

Em 2025, a idade mediana da população residente, que corresponde à idade que divide a população em dois grupos de igual dimensão, foi de 45,8 anos, correspondendo a uma diminuição de 0,3 anos, relativamente a 2021 (46,1 anos).

A idade mediana dos homens era de 44,4 anos, em 2021, tendo diminuído 0,8 anos, para 43,6 anos, em 2025. A idade mediana das mulheres era de 47,7 anos em 2021, passando para 48,0 anos em 2025, mais 0,3 anos. Entre 2021 e 2025, a evolução dos índices-resumo da estrutura etária da população residente aponta para o envelhecimento estrutural da população, caraterizado pela elevada proporção de idosos e pela redução da proporção de população jovem.

No atinente ao índice de envelhecimento, que compara a população idosa com a população jovem, em 2021, por cada 100 jovens, residiam em Portugal 178,3 idosos, número que aumentou para 188,8, em 2025, face ao número 182,4, em 2024. O índice de dependência total apresentou ligeiro decréscimo, refletindo a diminuição do índice de dependência de jovens (de 20,5, em 2021, para 19,2, em 2025), o que indica redução marginal da pressão demográfica sobre a população em idade ativa. E o índice de dependência de idosos mantém-se estável.

No período em análise, o índice de renovação da população em idade ativa, que corresponde ao número de pessoas dos 20 aos 29 anos, por cada 100 pessoas dos 55 aos 64 anos, permaneceu abaixo do limiar de substituição (100), indicando que o número de pessoas em idade potencial de entrada no mercado de trabalho é insuficiente para compensar o número de pessoas em idade potencial de saída de mercado de trabalho. Todavia, o aumento deste índice, de 81,0, em 2021, para 89,7, em 2025, sugere ligeira melhoria na capacidade de renovação geracional da população ativa associada à entrada de população mais jovem, sobretudo, por via dos fluxos migratórios.

Em 2025, o índice de envelhecimento mais elevado registou-se na região Centro, onde, por cada 100 jovens, residiam 232,9 idosos, seguida do Alentejo, onde o valor foi de 222,0 idosos, por cada 100 jovens. Conjuntamente com as regiões Norte e Oeste e Vale do Tejo, verificaram-se índices de envelhecimento superiores ao nacional (188,8). Na Região Autónoma dos Açores registou-se o menor índice de envelhecimento, de 138,3 idosos, por 100 jovens.

A pressão demográfica sobre a população em idade ativa, representada pelo índice de dependência total, é mais elevada no Centro e no Alentejo, respetivamente, com 63,7 e 60,9 jovens e idosos, por cada 100 pessoas em idade ativa, valores agravados pelos índices de dependência de idosos que, nestas duas regiões, registam valores superior a 40.

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Em 2025, residiam, em Portugal, 1597539 pessoas de nacionalidade estrangeira, ou seja, 14% da população total, sendo, desse total, 57,2% homens e 42,8% mulheres. Isto significa um aumento de 59113 pessoas, face a 2024.

Entre 2021 e 2025, a população de nacionalidade estrangeira mais do que duplicou, o que correspondeu a um aumento de 849 384 pessoas (passando de 748155 para 1597539), reforçando o seu peso relativo em 6,9%. Os aumentos mais expressivos ocorreram nos anos de 2022 (mais 326090), de 2023 (mais 275929) e de 2024 (mais 188252).

Em 2025, a região Grande Lisboa concentrava 34,2% do total de estrangeiros, seguindo-se a região Norte, com 19,5%. Estas duas regiões concentravam mais de metade da população estrangeira residente. No extremo oposto, encontrava-se a Região Autónoma dos Açores, com uma percentagem residual (0,6%). O Algarve destacou-se como a região com maior peso de população estrangeira, em relação ao total dos seus residentes. A Grande Lisboa apresentava a segunda maior proporção, seguida pela Península de Setúbal.

Relativamente a 2021, todas as regiões NUTS II registaram um acréscimo significativo no número de residentes estrangeiros. A Grande Lisboa foi a região NUTS II que apresentou o maior aumento, seguindo-se as regiões Norte e Centro.

Em 2025, a população residente de nacionalidade estrangeira era composta por 8,9% de jovens, por 86,1% de pessoas em idade ativa e por 5,0% de idosos. A concentração nas idades ativas aumentou, face a 2021 (+3,6%). A população estrangeira apresenta uma pirâmide etária distinta da população total, com o predomínio do sexo masculino e da população em idade ativa.

Em termos dos países de nacionalidade, evidencia-se o acentuado predomínio dos países de fora da União Europeia (Extra-UE), que tem aumentado, ao longo dos anos do período em análise. Em 2025, do total da população residente estrangeira (1429239 (89,5%) pessoas eram nacionais de países Extra-UE e 168300 de estados-membros da União Europeia (UE27).

Em 2025, os cidadãos de nacionalidade brasileira constituíam 35,9% da população estrangeira residente, destacando‑se como a maior comunidade estrangeira no país e que mais do que duplicou, relativamente a 2021. A nacionalidade angolana era, em 2025, a segunda principal nacionalidade estrangeira, tendo aumentado, acentuadamente, em comparação com 2021. A nacionalidade indiana era a terceira mais representativa. E Cabo Verde, o Nepal, o Bangladesh e a Guiné-Bissau integravam o rol das principais nacionalidades estrangeiras.

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É de anotar que se fala em população residente, ou seja, pessoas que vivem em Portugal com a respetiva autorização de residência legalizada, obviamente, ficando por contabilizar inúmeros cidadãos que ingressaram no país com a intenção de ficar. Assim, há quem aponte a existência de 20% de estrangeiros a engrossar o volume da população portuguesa. 

Em dezembro de 2025, Portugal estava em vazio estatístico, a nível da população residente estrangeira: o Estado não sabia quantos eram nem onde viviam os imigrantes – o INE e a Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) divergiam. O INE suspendeu as publicações sobre imigração e população estrangeira residente, até validar os dados da AIMA. O cenário mudou, a 22 de junho, quando o INE divulgou as estimativas da população, sendo possível, agora, traçar o retrato completo da população. E o aumento do número de residentes estrangeiros também se deve à recente legalização massiva de residentes pela AIMA.

Todavia, em síntese, o INE apresentou, de forma clara e estruturada, os principais dados e tendências do país, em 2025, com foco nos números globais, no envelhecimento, na migração, na distribuição regional e nas principais nacionalidades estrangeiras.

A população cresceu entre 2021 e 2025, impulsionada por fluxos migratórios elevados. Em 2025, o crescimento deve-se ao saldo migratório positivo (mais entrada do que saídas), que superou o saldo natural negativo (menos nascimentos do que óbitos). E a população estrangeira é, predominantemente, masculina e em idade ativa, sendo, na sua maioria (89,5%) estrangeiros de fora da UE.

O envelhecimento populacional aumentou; a idade mediana diminuiu; a proporção de jovens diminuiu; a população ativa aumentou; e o índice de dependência total manteve-se estável, com redução marginal da pressão demográfica sobre a população em idade ativa.

O Norte é a região mais populosa, seguindo-se a Grande Lisboa e o Centro. O crescimento relativo foi mais expressivo no Algarve, na Península de Setúbal, na Grande Lisboa e no Oeste e Vale do Tejo. O Algarve destacou-se como a região com maior peso de população estrangeira no total de residentes na região. E as principais nacionalidades estrangeiras são: a brasileira, a angolana, a indiana, a cabo-verdiana, a nepalesa, a bangladeshiana e a guineense (de Guiné-Bissau).

Este é o retrato populacional em que o aumento da população ativa não compensa, a breve trecho, a saída de pessoas da vida ativa. Isto dá que pensar.

2025.06.22 – Louro de Carvalho


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