O
comandante da patrulha fronteiriça dos Estados Unidos da América (EUA), Gregory
Bovino, conhecido por Greg Bovino, que está no centro da crítica generalizada,
após o segundo tiroteio letal, no quadro da repressão da imigração da
administração norte-americana em Mineápolis, no Estado do Minesota, coordenada
pelo ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA), deixou a cidade, a 27 de
janeiro, juntamente com outros agentes.
Supostamente, como sinal de suavizar a repressão, Donald Trump reduziu a presença federal em Minneapolis e substituiu Greg Bovino por Thomas (Tom) Douglas Homan, conhecido por czar da fronteira. A mudança ocorre depois de Alex Pretti, de 37 anos, enfermeiro da Unidade de Cuidados Intensivos (UCI) ter sido letalmente baleado por agentes federais do ICE, o que intensificou o escrutínio da repressão e provocou fortes protestos contra a presença de agentes federais da imigração naquele Estado. Jacob Lawrence Frey, presidente da Câmara de Mineápolis, e vários legisladores do Minesota exigiram a retirada dos agentes do ICE.
Supostamente, como sinal de suavizar a repressão, Donald Trump reduziu a presença federal em Minneapolis e substituiu Greg Bovino por Thomas (Tom) Douglas Homan, conhecido por czar da fronteira. A mudança ocorre depois de Alex Pretti, de 37 anos, enfermeiro da Unidade de Cuidados Intensivos (UCI) ter sido letalmente baleado por agentes federais do ICE, o que intensificou o escrutínio da repressão e provocou fortes protestos contra a presença de agentes federais da imigração naquele Estado. Jacob Lawrence Frey, presidente da Câmara de Mineápolis, e vários legisladores do Minesota exigiram a retirada dos agentes do ICE.
Efetivamente,
a 24 de janeiro, o governador do Minesota, Timothy (Tim) James Waltz, anunciou
que agentes federais tinham protagonizado “mais um tiroteio horrível”, no
âmbito da repressão da administração Trump contra a imigração.
O
homem morto a tiro por agentes ICE, em Mineápolis, quando participava no
segundo dia consecutivo de protestos, pedindo que o ICE deixe o estado do
Minesota, foi identificado como Alex Pretti, de 37 anos, norte-americano e
enfermeiro de cuidados intensivos. E o vídeo que circula nas redes sociais e
nos meios de comunicação social mostra o que parece ser, não um tiroteio, mas
uma execução a sangue-frio e à queima-roupa.
Alex
Pretti, que estaria armado, segundo o ICE, intervém para defender uma mulher
contra quem os agentes federais usavam gás-pimenta. É imobilizado por um grupo
de agentes, resistindo à detenção. O grupo de homens parece desarmá-lo. Apesar
de, alegadamente, estar armado com uma pistola, não tenta empunhar a arma, nem
usá-la contra os homens do ICE. Porém, um dos agentes puxa da sua arma de
serviço e dispara, várias vezes, contra ele.
O
ICE continua a alegar que Pretti terá tentado atacar os agentes. O secretário de
Estado da Defesa dos EUA, Pete Brian Hegseth, publicou, no X, uma
imagem, aparentemente gerada por inteligência artificial (IA), dizendo: “Como
evitar o ICE: 1) Não esteja aqui ilegalmente. 2) Não ataque os
agentes do ICE 3) Obedeça às leis federais e estaduais.” Na mesma
publicação, Pete Hegseth diz: “Vergonha para as autoridades do Minesota e para
os loucos nas ruas.”
No
mesmo dia, a cidade viveu um segundo dia consecutivo de protestos em massa
contra a presença do ICE, após a divulgação de imagens da detenção de uma
criança de origem equatoriana, de apenas cinco anos.
A
morte de Alex Pretti foi conhecida do público, quando o governador do Minesota
informou que agentes federais destacados para Mineápolis, no âmbito da
repressão da imigração tinham levado a cabo “mais um tiroteio horrível”, menos
de três semanas, após o tiroteio letal de Renee Good. “Acabei de falar com a
Casa Branca, após mais um tiroteio horrível perpetrado por agentes federais,
esta manhã. O Minesota está farto. Isto é doentio”, escreveu Tim Walz, no X.
A segunda morte de um cidadão norte-americano, às mãos do ICE, em apenas três
semanas, após a morte de Renee Good, provocou nova onda de tumultos. E um juiz
federal do Minesota emitiu uma providência cautelar, para impedir o ICE de
destruir provas ou de tentar interferir na investigação da morte de Alex Pretti.
***
A
7 de janeiro, um agente do
ICE matou uma mulher em Mineápolis, na sua mais recente operação na
grande cidade norte-americana, como parte da repressão à imigração da
administração Trump. Vídeos que circulam na Internet mostram a mulher,
de 37 anos, a bloquear uma estrada, quando os agentes se aproximaram do seu
veículo e lhe ordenaram que abrisse a porta e saísse. Quando a mulher avançou
com o carro, outro agente, que estava à frente do veículo, disparou à
queima-roupa contra o SUV (automóvel utilitário desportivo). O carro da mulher
colidiu com dois carros estacionados alguns metros adiante, parando após a
batida. Não está claro, nos vídeos, se o veículo atingiu o agente.
A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, classificou o incidente como um “ato de terrorismo doméstico” e afirmou que a mulher tinha tentado atropelar o agente com o seu veículo.
A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, classificou o incidente como um “ato de terrorismo doméstico” e afirmou que a mulher tinha tentado atropelar o agente com o seu veículo.
O
presidente dos EUA ecoou esta posição e defendeu o trabalho do ICE, apelidando
a mulher de “agitadora profissional”.
O
presidente da Câmara de Mineápolis, Jacob Frey, contestou as alegações do
governo federal, acusou o ICE de semear o caos na cidade e pediu que a
agência deixasse Mineápolis. “Já estão a tentar fazer passar isto por uma ação
de autodefesa. Depois de ver o vídeo, quero dizer, diretamente, a toda a gente.
Isso é uma treta. […] O que eles estão a fazer não é garantir a segurança na
América. O que eles estão a fazer é causar caos e desconfiança. Estão
a separar famílias”, afirmou, numa conferência de imprensa.
Em
entrevista separada à CNN, Jacob Frey disse que ficou claro que a mulher
não parecia ter a intenção de atropelar ninguém, mas de fugir, uma ação
que não justificava o uso de força letal.
O
governador do Minesota, companheiro de candidatura de Kamala Harris, também
criticou o incidente, referindo-se-lhe como parte de uma “máquina de
propaganda”.
A
Câmara Municipal de Minesota identificou a mulher como Renee Nicole Good, de 37
anos, que era mãe de uma criança de seis anos, e disse que ela estava
“a cuidar dos seus vizinhos, nesta manhã, e que a sua vida foi tirada, hoje,
pelas mãos do governo federal”.
Centenas
de pessoas reuniram-se em Minneapolis, naquele dia 7, para uma vigília de
homenagem à mulher e para protestar contra o ataque do ICE e a repressão à
imigração de Trump. E, no dia 24, centenas reuniram-se em torno de um memorial
improvisado, em homenagem a Alex Pretti, em Mineápolis, a protestar contra o
seu homicídio.
Familiares
disseram à Associated Press (AP) que Alex Pretti trabalhava como
enfermeiro de cuidados intensivos num hospital do Departamento de Assuntos dos
Veteranos e que participou em protestos, após a morte de Renee Good, vítima de
disparos de um agente do ICE, a 7 de janeiro. Em contraponto, a porta-voz do
Departamento de Segurança Interna, Tricia McLaughlin, afirmou, em comunicado,
que agentes federais realizavam uma operação, no âmbito do endurecimento das
medidas de imigração da administração e dispararam “tiros defensivos”, após um
homem armado com uma pistola se ter aproximado. E Donald Trump acusou o
presidente da câmara de Mineápolis e o governador do Estado do Minesota de
“incitar à insurreição”, devido à resposta à morte de um civil, na cidade, às
mãos de agentes federais.
***
Aumentam
as vozes para que os agentes federais do ICE abandonem o Estado do Minesota,
depois de um agente da Patrulha Fronteiriça dos EUA ter baleado letalmente um
homem em Mineápolis, a segunda vez que isto acontece com um cidadão
norte-americano, na cidade, nas últimas três semanas. Após o tiroteio, centenas
de pessoas saíram à rua a protestar contra a presença de agentes federais de
imigração no Estado, entrando em confronto com agentes federais que empunhavam
bastões e disparavam balas de flash.
Numa conferência de imprensa, juntamente com o presidente da Câmara de Mineápolis, Jacob Frey, e outros legisladores, após o tiroteio, Amy Klobuchar, senadora do Minnesota, afirmou: “Neste momento, estamos concentrados em tirar o ICE deste Estado e, claro, usaremos todas as alavancas que temos. Lembro às pessoas que Donald Trump dirige a Casa Branca e, infelizmente, até à data, não vimos os membros republicanos do Congresso a levantarem-se. Ele também parece estar a dirigir o Congresso”, disse, apelando aos republicanos a que se juntem a eles.
Numa conferência de imprensa, juntamente com o presidente da Câmara de Mineápolis, Jacob Frey, e outros legisladores, após o tiroteio, Amy Klobuchar, senadora do Minnesota, afirmou: “Neste momento, estamos concentrados em tirar o ICE deste Estado e, claro, usaremos todas as alavancas que temos. Lembro às pessoas que Donald Trump dirige a Casa Branca e, infelizmente, até à data, não vimos os membros republicanos do Congresso a levantarem-se. Ele também parece estar a dirigir o Congresso”, disse, apelando aos republicanos a que se juntem a eles.
Jacob
Frey disse que a cidade iria apresentar uma moção para encorajar um juiz a “decidir
sobre uma ordem de restrição temporária que concederia alívio imediato e
ajudaria a parar esta operação que tem sido tão prejudicial para a cidade”.
Numa
declaração, o Departamento de Segurança Interna (DHS) afirmou que um homem se
aproximou dos agentes da Patrulha Fronteiriça com uma pistola semiautomática de
9 mm e resistiu às tentativas de o desarmar durante uma operação. O comunicado
afirma que os agentes dispararam “tiros de defesa”. Porém, nos vídeos do
tiroteio que surgiram pouco depois, Alex Pretti é visto com um telemóvel na
mão, sem qualquer sinal claro de que estivesse a empunhar uma arma. O vídeo que
circula nas redes sociais e em alguns órgãos de comunicação mostra o que parece
ser uma execução sumária.
Entretanto,
o presidente dos EUA atacou o governador do Minesota e o presidente da Câmara
de Mineápolis, na sua plataforma de redes sociais, Truth Social,
acusando a polícia local de não ter protegido os agentes do ICE, bem como o
governador e o presidente da câmara democratas de incitarem à insurreição, “com
a sua retórica pomposa, perigosa e arrogante”.
Tim
Walz disse que o seu Estado iria liderar a investigação do tiroteio, afirmando
que não tem confiança nos funcionários federais. Porém, os agentes federais
impediram o Gabinete de Apreensão Criminal do Minesota de entrar no local, depois de ter obtido um mandado judicial assinado, segundo o
superintendente Drew Evans.
***
Membros
da família de Alex Pretti dizem que era enfermeiro na UCI, num hospital de
veteranos que se “preocupava profundamente com os outros” e que estava “revoltado
com as ações do presidente Donald Trump sobre a imigração na cidade”. Tinha
participado em protestos, após o recente assassinato de Renee Good por outro
agente do ICE, a 7 de janeiro.
O pai de Alex, Michael Pretti, disse: “Ele achava terrível raptar crianças, agarrar pessoas na rua. Preocupava-se com essas pessoas e sabia que era errado, por isso participou nos protestos.”
O pai de Alex, Michael Pretti, disse: “Ele achava terrível raptar crianças, agarrar pessoas na rua. Preocupava-se com essas pessoas e sabia que era errado, por isso participou nos protestos.”
Os
registos do tribunal mostram que Pretti não tinha registo criminal e a família
disse que ele nunca tinha tido quaisquer relações com as forças da ordem, para lá
de multas de trânsito. E, segundo os familiares, Pretti possuía uma arma de
fogo e tinha licença de porte de arma oculta, no Minesota. No entanto,
afirmaram que nunca o tinham visto a portá-la.
***
Greg
Bovino tornou-se o rosto da operação de aplicação da lei da imigração, atraindo
novas condenações, por ter afirmado que Alex Pretti tinha uma arma e planeava “massacrar”
os agentes da lei, apesar de as imagens de vídeo filmadas de vários ângulos
mostrarem Pretti com um telemóvel na mão e nenhum sinal de ter empunhado uma
arma.
Dezenas de manifestantes reuniram-se em frente ao hotel onde se acreditava que Bovino estava hospedado, soprando apitos, batendo em panelas e até tocando um trombone, numa manifestação ruidosa, destinada a perturbar os agentes federais que se encontravam no local. Este método de protesto, perturbador, mas não violento, é semelhante aos protestos que se seguiram à morte de Renée Good, no início de janeiro.
Dezenas de manifestantes reuniram-se em frente ao hotel onde se acreditava que Bovino estava hospedado, soprando apitos, batendo em panelas e até tocando um trombone, numa manifestação ruidosa, destinada a perturbar os agentes federais que se encontravam no local. Este método de protesto, perturbador, mas não violento, é semelhante aos protestos que se seguiram à morte de Renée Good, no início de janeiro.
Bovino
tem aparecido, frequentemente, em protestos contra o ICE, muitas vezes,
sem a cara tapada, ao invés de outros agentes, e facilmente reconhecível pelo
seu distintivo sobretudo verde-militar, que levou a comparações com o traje
militar de um oficial nazi.
O
comandante da Patrulha Fronteiriça enfrentou críticas ferozes de funcionários
locais, defensores dos direitos civis e democratas do Congresso, pelo seu papel
de liderança em ações de repressão federais altamente visíveis.
***
No
que parece ser um degelo nas suas relações, Trump disse que teve um “telefonema
muito bom” com o governador democrata, Tim Walz e que os dois “pareciam estar
num comprimento de onda semelhante”. E o governador, por seu lado, descreveu a
chamada, na plataforma de media sociais X, como “produtiva” e
apelou à Casa Branca para lançar investigações imparciais. “O presidente deve
pôr termo a esta operação. Retirar os milhares de agentes violentos e sem
formação do Minesota, agora”, escreveu, numa outra publicação.
Donald Trump também falou com o presidente da Câmara de Mineápolis, que considerou a conversa telefónica “muito boa”. “Estão a ser feitos muitos progressos! Tom Homan vai reunir-se com ele, amanhã, para continuar a discussão”, escreveu Trump, no Truth Social.
Donald Trump também falou com o presidente da Câmara de Mineápolis, que considerou a conversa telefónica “muito boa”. “Estão a ser feitos muitos progressos! Tom Homan vai reunir-se com ele, amanhã, para continuar a discussão”, escreveu Trump, no Truth Social.
***
Desde
que chegou à Casa Branca, Donald Trump pôs em marcha um dos seus trunfos da
campanha eleitoral: melhorar a segurança nas fronteiras e travar a entrada
ilegal de imigrantes. Para isso, decidiu implementar o que denominou como a
“maior operação em massa da História americana”. E, logo a 15 de junho de 2025,
quando já decorria uma onda de protestos em cidades, como Los Angeles, a
administração Trump ordenou ao ICE que iniciasse uma vasta série
de operações, em vários estados norte-americanos.
O ICE surgiu na sequência dos atentados de 11 de setembro de 2001, que obrigaram os EUA a uma profunda reestruturação do aparelho de segurança. A resposta resultou na aprovação da Lei de Segurança Interna de 2002, que levou à criação do DHS e à reorganização de várias agências federais. Neste contexto, nasceu o ICE, oficialmente a 1 de março de 2003, como uma das principais agências subordinadas ao DHA, para reforçar o controlo das fronteiras, a aplicação das leis de imigração e o combate a ameaças à segurança interna dos EUA.
O ICE surgiu na sequência dos atentados de 11 de setembro de 2001, que obrigaram os EUA a uma profunda reestruturação do aparelho de segurança. A resposta resultou na aprovação da Lei de Segurança Interna de 2002, que levou à criação do DHS e à reorganização de várias agências federais. Neste contexto, nasceu o ICE, oficialmente a 1 de março de 2003, como uma das principais agências subordinadas ao DHA, para reforçar o controlo das fronteiras, a aplicação das leis de imigração e o combate a ameaças à segurança interna dos EUA.
Apesar
de o organismo existir, há mais de duas décadas, foi no primeiro mandato de
Donald Trump (2017-2021) e no segundo, que o ICE passou a ocupar o centro
de algumas das mais intensas polémicas políticas e sociais nos EUA, com
orçamento altamente reforçado pela Lei “One Big Beautiful Bill Act”, um
amplo pacote de gastos que reduz impostos a empresas e a pessoas ricas, elimina
investimentos destinados a reduzir o uso de combustíveis fósseis e
reserva vários milhões de dólares para o combate à imigração ilegal.
Assim,
o ICE tornou-se a agência federal de aplicação da lei mais bem financiada dos
EUA. O projeto de lei de financiamento do DHS para o ano fiscal de 2026,
prevê significativos aumentos para a agência. O orçamento para a detenção
de imigrantes receberá mais 400 milhões de dólares, passando de 3,4 mil
milhões para 3,8 mil milhões de dólares. E a verba para as operações de
fiscalização do ICE aumentará em cerca de 370 milhões de dólares,
subindo de 5,08 mil milhões para 5,45 mil milhões, de acordo com o National
Immigration Law Center.
***
O
totalitarista trumpiano e as ações de cariz xenófobo, racista, hipernacionalista
e hegemónico, sem regras, só serão travadas pelo sobressalto democrático do
povo. Não é admissível que uma política anti-imigração, já de si imoral, ceife
vidas humanas e o poder maquiavélico-orsiniano acuse os democratas de
insurreição. Quem travará Donald Trump?
2026.0.27 – Louro de Carvalho
Sem comentários:
Enviar um comentário