A
18 de janeiro, pelo menos, 40 pessoas morreram e mais de 150 feridos, incluindo
quatro menores, e 20 em estado grave, estando duas pessoas internadas na UTI (Unidade
Terapia Intensiva), devido ao descarrilamento, por volta das 19h45, ao
quilómetro 318,7 da linha, do comboio de alta velocidade 6189, da Iryo, com 289
passageiros a bordo, em Adamuz (Córdoba), que fazia o trajeto entre Málaga e
Madrid-Puerta de Atocha e que invadiu a linha férrea adjacente e colidiu, frontalmente,
com o comboio de alta velocidade 2384, da Renfe Alvia, que transportava 100
passageiros, na linha Madrid-Huelva.
A maioria das vítimas fatais ocorreu nessa colisão; o protocolo de desastres graves da Espanha foi acionado; e equipas de resgate foram vasculhando a área, em busca de possíveis vítimas, temendo que houvesse corpos presos sob os vagões.
A maioria das vítimas fatais ocorreu nessa colisão; o protocolo de desastres graves da Espanha foi acionado; e equipas de resgate foram vasculhando a área, em busca de possíveis vítimas, temendo que houvesse corpos presos sob os vagões.
O
presidente do Governo Regional da Andaluzia, Juanma Moreno Bonilla, não
descartava a possibilidade de o número de mortos aumentar, nas horas
subsequentes, pois um dos vagões do comboio descarrilado está “gravemente
danificado”. E, segundo Moreno Bonilla, mais de cem pessoas com ferimentos
leves foram atendidas no hospital de campanha,.
Embora
a investigação ainda esteja em curso, o Sindicato Espanhol dos Maquinistas
Ferroviários (SEMAF) informou que um grande número de buracos, de tocos e de
desequilíbrios estavam a ser encontrados na catenária, o que sinaliza
falta de “confiabilidade nas viagens”.
O
serviço comboios de alta velocidade entre Madrid e a Andaluzia foi suspenso no
dia 19. A Administração de Infraestruturas Ferroviárias (ADIF) disponibilizou o
número de telefone 900 10 10 20, para auxiliar os passageiros
afetados, e a Iryo o número 900 00 14 02.
O
impacto provocou também o descarrilamento do segundo comboio, lançando dois dos
seus vagões pelos ares e deixando uma carcaça retorcida que
dificultou o resgate das pessoas presas no seu interior. Os três últimos vagões
(6, 7 e 8) do comboio da Iryo foram os mais danificados, tendo um deles tombado
com a força da colisão.
Passageiros
do local compartilharam vídeos e reações ao incidente, com as imagens a mostrarem
como vários vagões do comboio foram seriamente danificados.
A
ADIF suspendeu todos os serviços ferroviários entre Madrid e a Andaluzia até
novo aviso. A Renfe oferece alterações de bilhetes e reembolsos gratuitos aos
passageiros afetados, enquanto os terminais de Huelva, de Madrid
Puerta de Atocha-Almudena Grandes, de Córdoba-Julio Anguita e de
Sevilha-Santa Justa permaneceram abertos durante a noite de domingo, dia
18, para segunda-feira, dia 19, com áreas designadas para auxiliar os
afetados pela tragédia.
Aquela
empresa ferroviária confirmou o destacamento de serviços de emergência no local
do acidente, onde trabalharam, durante toda a noite, com as autoridades e com representantes
da Renfe e da Iryo.
Cinco
estações de bombeiros foram acionadas, em Córdoba e arredores, bem como grande
contingente da Guardia Civil. A Unidade Militar de Emergência (UME)
foi mobilizada para a regiã,o para auxiliar nos esforços de resgate.
Os
passageiros que permaneceram nos vagões começaram a compartilhar imagens e
mensagens nas redes sociais. Após o descarrilamento, os três últimos vagões da
Iryo tombaram, deixando várias pessoas presas e feridas. Alguns
passageiros tiveram de subir no convés de um dos vagões para escaparem, após
quebrarem as janelas para saírem, do que resultaram vários cortes e ferimentos.
O comboio da Iryo transportava 289 passageiros, quatro tripulantes e o
maquinista, enquanto o da Renfe Alvia levava cerca de 100 pessoas.
Salvador
Jiménez, jornalista da RTVE, que viajava no comboio que saía de Málaga,
explicou que os dois últimos vagões descarrilaram e um deles tombou
completamente. O impacto foi como um terramoto. “Imediatamente, chamaram
alguém para ver se havia algum profissional médico que pudesse ajudar, pegaram em
martelos para quebrarem as janelas e, por fim, evacuaram-nos”, explicou Salvador
Jiménez.
Vários
cidadãos deslocaram-se para a região, para auxiliarem os passageiros. Voluntários
levavam os passageiros para um abrigo municipal, para passarem a noite.
Diversas pessoas ofereceram as suas casas, para os afetados poderem pernoitar. Os
hospitais de Córdoba emitiram alertas urgentes para todos os profissionais
de saúde. As autoridades continuavam a avaliar a situação, enquanto equipas de
emergência acediam aos comboios, para prestarem socorro aos afetados e para
determinarem a extensão dos danos. A Cruz Vermelha enviou uma
ambulância, totalmente equipada, de Córdoba, e mais três, de Jaén, assim como enviou
suprimentos essenciais para os passageiros dos dois comboios envolvidos no
acidente. E vários psicólogos compareceram no local, para prestarem assistência
às vítimas e aos familiares.
A
Andaluzia ativou o Plano Territorial de Emergência e mobilizou peritos
forenses. O ministro da Saúde, Presidência e Emergências do Governo Regional da
Andaluzia, Antonio Sanz, confirmou que, em resposta ao descarrilamento em
Adamuz, o Plano Territorial de Emergência para a Proteção Civil na Andaluzia
estava na fase 1, afetando Córdoba.
Antonio
Sanz compareceu perante a imprensa, perto da meia-noite, para explicar a
situação, afirmando que esperavam “uma noite muito complicada”. Referiu que o
serviço de emergência 112 recebeu as primeiras chamadas às 19h50, momento em
que paramédicos e bombeiros foram enviados para o local. Comentou que três
vagões descarrilaram, caindo num barranco de cerca de quatro metros, o que
dificultou os trabalhos de resgate. Os feridos estão foram
triados para transferência para hospitais locais, de acordo com a
gravidade dos seus ferimentos. Médicos e suprimentos de sangue foram
mobilizados nos hospitais.
A
situação é complexa e complicada, e dizia-se que, provavelmente, o número de
mortos aumentaria.
O
Ministério da Justiça, Administração Local e Função Pública do Governo Regional
da Andaluzia lançou o Plano de Ação Territorial de Medicina Legal do
Instituto de Medicina Legal e Ciências Forenses de Córdoba, destinado a
situações catastróficas como a registada em Adamuz.
Segundo
um comunicado do governo da Andaluzia, esta ativação significa que os 16
médicos legistas, com o pessoal administrativo e com outros profissionais do
Instituto, estão mobilizados e à disposição das autoridades judiciais e das
equipas de emergência. Além disso, os serviços de Sevilha e Granada permanecem
em alerta, caso sejam chamados a juntar-se aos esforços, dada a gravidade da
situação.
Foram
solicitados testes de ADN (ácido desoxirribonucleico) aos familiares
para se agilizar a identificação dos corpos.
Em representação do governo central, o Ministro dos Transportes, Óscar
Puente, dirigiu-se ao Centro de Controlo de Operações da ADIF, para
acompanhar e informar sobre as últimas notícias do grave acidente. Realizou uma
conferência de imprensa às 00h45, relatando como ocorreu o acidente. Explicou
que, às 19h45, os últimos vagões do comboio da Iryo, que seguia em direção a
Atocha, descarrilaram, por razões ainda desconhecidas. Naquele
momento, um comboio com destino a Huelva seguia na direção oposta, na linha
paralela, e o seu primeiro vagão colidiu com os vagões da Iryo. Dois vagões do
comboio da Alvia foram lançados para fora dos trilhos, tendo sido aí que se
encontrou a maioria das vítimas.
Em
resposta à acusação de má manutenção ferroviária na Espanha, insistiu que
o comboio da Iryo tinha, aproximadamente, quatro anos, passou, recentemente,
por uma inspeção e circulava numa linha reformada com um investimento de
700 milhões de euros. Descreveu o ocorrido como um “acidente raro” e disse
que a investigação forneceria os detalhes do incidente. E também informou que
todos os feridos estão em seis hospitais administrados pelo Governo Regional da
Andaluzia e que equipas trabalhariam na remoção dos corpos da área,
durante a noite.
O
primeiro-ministro, Pedro Sanches, publicou uma mensagem, nas suas redes
sociais, dizendo que acompanhava de perto o acidente entre os dois comboios de
alta velocidade que descarrilaram em Adamuz e que o governo estava trabalhar “com
as demais autoridades competentes e serviços de emergência para auxiliar os
passageiros”.
Também
a presidente da Comunidade de Madrid, Isabel Díaz Ayuso, ofereceu a assistência
dos hospitais de Madrid para cuidar dos feridos.
O Rei Felipe
VI e a Rainha Letizia expressaram o seu profundo pesar pelo acidente e
anunciaram que viajariam para Córdoba, a 20 de janeiro. O casal real, que estava
em Atenas, no dia 19, para o funeral da Princesa Irene da Grécia, cancelaram a
cerimónia marcada para o dia 19, em Toledo, onde entregariam as Medalhas de
Ouro de Mérito em Belas Artes.
As
instituições europeias também expressaram solidariedade às vítimas do acidente.
Uma das primeiras a enviar uma mensagem foi Ursula von der Leyen, presidente da
Comissão Europeia. Roberta Metsola, presidente do Parlamento Europeu, e António
Costa, presidente do Conselho Europeu e antigo primeiro-ministro de Portugal,
também enviaram mensagens de apoio ao povo espanhol.
***
A investigação inicial
sobre as causas do descarrilamento começou. A Renfe descartou o excesso de
velocidade como causa do acidente, já que ambos os comboios viajavam a,
aproximadamente, 200 quilómetros à hora km/h num trecho reto projetado para
velocidades de 250 km/h.
Trata-se da primeira colisão de dois comboios na rede espanhola de alta velocidade, sendo o mais grave acidente ferroviário, em Espanha, desde o de Angrois (Corunha), em 2013.
Trata-se da primeira colisão de dois comboios na rede espanhola de alta velocidade, sendo o mais grave acidente ferroviário, em Espanha, desde o de Angrois (Corunha), em 2013.
A
grande incógnita é saber o que aconteceu para que um comboio com apenas quatro
anos descarrilasse numa linha que foi, supostamente, renovada em maio de 2025.
Um
comboio de alta velocidade, proveniente de Málaga-Maria Zambrano e com destino
a Madrid-Atocha, descarrilou por volta das 19h45 do dia 18, nas imediações
de Adamuz, uma localidade no Norte da província de Córdoba e a cerca de 30
quilómetros da capital com o mesmo nome. As suas duas últimas carruagens
invadiram a via contrária e colidiram com o comboio de Larga Distancia Madrid-Huelva que
atravessava a linha invadida. As duas primeiras carruagens deste comboio foram
projetadas para fora da via e caíram num aterro de quatro metros de altura: os
seus passageiros foram os mais afetados.
No
hospital de campanha instalado em Adamuz, 170 pessoas foram tratadas a
ferimentos ligeiros, segundo o presidente do governo regional da Andaluzia, que
se deslocou ao local, enquanto o ministro dos Transportes, Óscar Puente,
acompanhava os acontecimentos, a partir de uma unidade de emergência, na
estação de Atocha, em Madrid. Uma das vítimas mortais é o maquinista deste
comboio da Renfe, segundo fontes do Ministério dos Transportes.
A
Junta de Andaluzia ativou o plano de emergência. Há, pelo menos, oito
peritos forenses, na zona, e várias equipas de apoio psicológico para atender
os familiares e os feridos, além dos profissionais médicos e de emergência que
estão na zona desde o final da tarde do dia 18. A Unidade Militar de Emergência
também está no local. A grande maioria dos passageiros encontra-se no hospital
de campanha instalado na zona, embora outros tenham sido encaminhados para o
hospital Reina Sofia, em Córdoba.
Óscar
Puente, afirmou, em comunicado, que as causas do acidente são desconhecidas: as
vias do troço envolvido no acidente estão renovadas, desde maio de 2025, e
o comboio que saiu da via era de material relativamente novo. Além disso, o
troço onde os dois comboios se cruzaram era uma linha reta. Por lei, após
um acontecimento deste tipo, é criada uma comissão de inquérito, o que já foi
confirmado.
Mais
de 200 comboios foram suspensos entre Madrid e a Andaluzia, embora alguns
comboios de média e longa distância possam circular, por utilizarem vias
alternativas às de alta velocidade. As estações de Sevilha, Córdoba e Málaga
permanecem abertas, para atenderem os familiares que aguardam notícias dos seus
parentes. Os serviços que ligam a capital a Toledo, Ciudad Real e Puertollano
funcionam normalmente. Os transportes aéreos entre a capital e estas cidades
andaluzas foram reforçados para substituírem os serviços ferroviários suspensos.
Os
peritos dizem que a remoção dos comboios é complexa. “É uma massa de
ferro”, disse o presidente do governo regional, vincando que a remoção exige
maquinaria pesada.
A
investigação do acidente ferroviário ocorrido ao quilómetro 318,7 da linha, na
passagem por Adamuz (Norte da Província de Córdoba), aponta para a rutura de
soldadura na via como causa do descarrilamento do comboio de alta velocidade da
Iryo. As primeiras hipóteses, baseadas em inspeção local e em testemunhos dos
passageiros, apontam para a existência de um peso anómalo arrastado
pela carruagem 6. Os viajantes desta carruagem e os das carruagens 7 e 8,
referiram ter notado vibrações e movimentos anormais antes do acidente.
Os
especialistas continuam a trabalhar para determinar as causas exatas da
fratura. Agentes da Equipa Central de Inspeções Oculares Criminalísticas da
Guardia Civil documentaram a zona afetada, onde se pode ver, claramente, a
rutura da soldadura e o desprendimento de uma secção do carril, um
elemento-chave na origem do acidente.
No
entanto, Óscar Puente, pretende que a investigação esclareça se a rutura detetada
num troço da via no local do acidente ferroviário foi a causa ou a
consequência do descarrilamento do comboio da Iryo que desencadeou a colisão
com um comboio da Alvia.
Em
declarações ao programa “Malas Lenguas” de “La 2”, Puente explicou que o
acidente causou danos significativos na infraestrutura ferroviária, embora
tenha insistido que, de momento, os investigadores ainda estão a recolher
informações e que esta hipótese é “apenas mais uma especulação, como outras”.
E, referindo-se a uma reportagem publicada pelo “El Mundo”, que aponta para a
possível falha na soldadura da via como a origem do descarrilamento, considerou
que “é inevitável que haja especulação” e que os meios de comunicação
social se juntem a ela, ao mesmo tempo que recordou que, no sistema ferroviário,
há “inúmeros incidentes” que são tornados públicos, justamente, para evitar a
ocorrência de acidentes mais graves.
***
Num
minuto perdem-se vidas, transtorna-se o quotidiano das pessoas e há dificuldade
em assumir as responsabilidades. Por isso, é bom que a investigação chegue a
resultados inequívocos, quer no atinente à via, quer em relação ao material circulante.
Não é boa notícia a existência de incidentes não tornados públicos. Nada pior do
que a dúvida!
2026.01.20
– Louro de Carvalho
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