A
polícia suíça revelou, nas primeiras horas de 1 de janeiro, que várias dezenas pessoas
morreram e mais de cem pessoas ficaram feridas, na passagem de ano, quando uma
explosão devastou um bar, que estava cheio, na luxuosa estância de esqui de
Crans-Montana, no coração dos Alpes Suíços, a apenas 40 quilómetros (25 milhas)
a Norte do Matterhorn, o que levou os investigadores a trabalharem para
determinarem a causa do incêndio.
O incêndio, que deflagrou pela 1h30 da madrugada de 1 de Janeiro, destruiu o bar Le Constellation da estância de esqui de Crans-Montana, no sudoeste da Suíça. Imagens divulgadas pelos meios de comunicação suíços mostravam o edifício em chamas e os serviços de emergência nas proximidades. E, segundo Gaetan Lathion, porta-voz da polícia do Cantão de Valais, foi criado um centro de acolhimento e uma linha de apoio para as famílias afetadas.
O incêndio, que deflagrou pela 1h30 da madrugada de 1 de Janeiro, destruiu o bar Le Constellation da estância de esqui de Crans-Montana, no sudoeste da Suíça. Imagens divulgadas pelos meios de comunicação suíços mostravam o edifício em chamas e os serviços de emergência nas proximidades. E, segundo Gaetan Lathion, porta-voz da polícia do Cantão de Valais, foi criado um centro de acolhimento e uma linha de apoio para as famílias afetadas.
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Os
números do balanço das autoridades sobre incêndio que deflagrou, durante a
festa de Ano Novo, onde centenas de pessoas, sobretudo jovens, festejavam a
chegada de 2026, dão conta de, pelo menos, 49 mortos e 119 feridos (a maioria
com queimaduras), 113 dos quais já foram identificados. Entre os feridos, foram
identificados 71 cidadãos suíços, 14 franceses, 11 italianos, quatro sérvios,
um bósnio, um português, um polaco, um belga e um luxemburguês, conforme
foi revelado em conferência de imprensa, na tarde de 1 de janeiro.
Posteriormente, em esclarecimento à agência Lusa, Emídio Sousa, secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, detalhou que o cidadão português ferido é uma mulher, que tinha sido internada num hospital, em Sion, na Suíça, e que tem origens em Mirandela, no distrito de Bragança. E, em declarações posteriores à SIC Notícias, identificou a vítima como sendo Liliana Mateus Baptista, “na casa dos 40 anos”, sobre a qual não foi ainda possível detalhar a gravidade dos ferimentos. Além deste caso, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas reportou o desaparecimento de Fanny Pinheiro Magalhães, cidadã portuguesa de 22 anos originária de Santa Maria da Feira.
Posteriormente, em esclarecimento à agência Lusa, Emídio Sousa, secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, detalhou que o cidadão português ferido é uma mulher, que tinha sido internada num hospital, em Sion, na Suíça, e que tem origens em Mirandela, no distrito de Bragança. E, em declarações posteriores à SIC Notícias, identificou a vítima como sendo Liliana Mateus Baptista, “na casa dos 40 anos”, sobre a qual não foi ainda possível detalhar a gravidade dos ferimentos. Além deste caso, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas reportou o desaparecimento de Fanny Pinheiro Magalhães, cidadã portuguesa de 22 anos originária de Santa Maria da Feira.
“As
nossas equipas estão a fazer o máximo para salvar vidas, [para] apoiar as
famílias e [para] identificar as vítimas, o mais rapidamente possível”,
declarou Mathias Reynard, presidente do cantão de Valais.
O
presidente suíço, Guy Parmelin, disse que o incêndio foi uma das
piores tragédias que o país já viveu. As autoridades adiantaram que alguns dos
feridos estão a ser transportados para hospitais em países vizinhos, depois de a
Itália, a França, a Alemanha e a União Europeia (UE) terem oferecido a sua
assistência. Três deles já estão a receber assistência na França e outros oito
estão a ser transferidos. Foi celebrada missa na noite do dia 1, em homenagem
às vítimas do incêndio, na igreja da vila, com a presença de 400 pessoas. Além
desta, está agendada, para 9 de janeiro, uma outra cerimónia em Crans-Montana,
para recordar todos aqueles e aquelas que perderam a vida. E o governo suíço
anunciou cinco dias de luto nacional.
De
acordo com a RTP, anteriormente, o secretário de Estado das Comunidades
Portuguesas tinha assegurado que o governo estava em contacto permanente com as
autoridades da Suíça. Serão cerca de 270 mil os portugueses que vivem no país e
no Cantão de Valais, onde se situa esta estância, serão cerca de 64 mil.
As
autoridades classificaram a ocorrência como um “incêndio generalizado”, expressão
usada pelos bombeiros para descrever como um incêndio pode provocar a
libertação de gases combustíveis que podem inflamar-se violentamente.
A
cadeia de televisão francesa BFMTV mostrou fotografias,
tiradas por sobreviventes do episódio trágico, em que se veem jovens a festejar
com “velas-foguete” acesas presas a garrafas de champanhe. Numa das fotos, uma
jovem está aos ombros de outra pessoa, brandindo duas garrafas com velas muito
próximas do teto da cave do bar. E, noutra fotografia, parece ver-se uma dessas
velas a pegar fogo ao teto. “Esta noite deveria ter sido um momento de
celebração e união, mas transformou-se num pesadelo”, disse Mathias Rénard,
chefe do governo regional.
Entretanto,
na tarde do dia 3, em conferência de imprensa, a procuradora-geral de Valais,
Beatrice Pilloud, sustentou que “tudo leva a crer que o incêndio teve origem
nas velas incandescentes e nos fogos de artifício colocados nas garrafas”. “A
partir daí, tudo pegou fogo”, disse.
Vídeos,
testemunhos e verificações no local permitiram chegar a esta conclusão. Os dois
gerentes franceses do estabelecimento foram ouvidos, no âmbito deste caso. A
investigação centra-se, agora, nas recentes obras realizadas no bar, nos
materiais utilizados, nas autorizações necessárias, nas medidas de segurança e
no número de pessoas presentes, aquando do incidente.
Segundo
as autoridades, “helicópteros e ambulâncias correram para o local, para ajudar
as vítimas, incluindo algumas de diferentes países”. Porém, “os feridos eram
tantos que a unidade de cuidados intensivos e a sala de operações do hospital
regional, rapidamente, atingiram a sua capacidade máxima”, relatou Matias
Rénard.
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Como
dissemos, a comunidade de Crans-Montana fica no coração dos Alpes suíços, a
apenas 40 quilómetros (25 milhas), a Norte do Matterhorn, num mais famosos dos
picos alpinos nevados e de floresta de pinheiros, e a 130 quilómetros (81
milhas), a Sul de Zurique. E o ponto mais alto de Crans-Montana, com uma
população de 10 mil habitantes, fica à altitude de quase três mil metros, de
acordo com o site do município, que afirma que as autoridades estão a
tentar afastar-se da cultura turística e a atrair investigação e
desenvolvimento de alta tecnologia.
O município foi formado, há apenas nove anos, a 1 de janeiro de 2017, quando várias cidades se fundiram. Estende-se por 590 hectares (2,3 milhas quadradas) desde o Vale do Ródano até ao glaciar Plaine Morte.
O município foi formado, há apenas nove anos, a 1 de janeiro de 2017, quando várias cidades se fundiram. Estende-se por 590 hectares (2,3 milhas quadradas) desde o Vale do Ródano até ao glaciar Plaine Morte.
Crans-Montana
é um dos principais locais de competição do circuito da Taça do Mundo de esqui
alpino e sediará o próximo campeonato mundial, durante duas semanas, em
fevereiro de 2027. Daqui a quatro semanas, o resort receberá
os melhores esquiadores masculinos e femininos de descida livre para as suas
últimas provas, antes das Olimpíadas de Milão Cortina, que começam a 6 de
fevereiro.
A
estância é também um local privilegiado para o golfe internacional. O clube
Crans-sur-Sierre organiza o European Masters, todos os anos, em agosto, num
campo pitoresco com vistas deslumbrantes para as montanhas.
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Na
tarde de três de janeiro, foi revelado que os corpos das pessoas identificadas tinham
sido entregues às famílias, que os feridos graves estavam a ser tratados, no
país e no estrangeiro, e que estão a decorrer investigações sobre a segurança
contra incêndios, sobre os defeitos estruturais e sobre a eventual
responsabilidade criminal.
De
acordo com o jornal suíço “Blick”, a polícia cantonal do Valais
identificou ainda quatro vítimas mortais. Trata-se de duas mulheres suíças, de
21 e 16 anos, e de dois homens suíços, de 18 e 16 anos. Após a identificação,
os corpos foram entregues às famílias.
Paralelamente,
está a ser organizada a ajuda internacional às muitas vítimas gravemente
feridas. A Alemanha está particularmente empenhada no tratamento das vítimas da
catástrofe. Quatro pacientes já foram admitidos em hospitais alemães, logo após
a catástrofe, e seguiram-se mais sete, de acordo com o Gabinete Federal de
Proteção Civil e Assistência a Catástrofes (BBK). Também estão disponíveis
capacidades adicionais de transporte e de tratamento.
De
acordo com o Serviço Federal Suíço de Proteção Civil, um total de 50 pessoas
feridas deverá ser transferido para hospitais no estrangeiro, até ao dia 11. Além
da Alemanha, estão previstos hospitais na França, na Itália e na Bélgica para
receber os feridos. Muitos dos sobreviventes estão a ser submetidos a
tratamentos prolongados. Cinco menores de idade vítimas de queimaduras estão a
ser tratados no Hospital Pediátrico de Zurique, como disse à SRF Kathrin
Neuhaus, médica-chefe do centro de queimaduras. Em alguns casos, mais de 70% da
superfície corporal foi queimada. Além disso, muitas pessoas afetadas sofreram
graves danos nos pulmões, devido à inalação de fumo.
Enquanto
prossegue o tratamento das vítimas do incêndio, aumentam as críticas à
segurança contra incêndios e às caraterísticas estruturais do bar. Segundo
testemunhas oculares, verificou-se maciço esmagamento numa escada estreita que
vai da cave ao rés do chão, quando as pessoas tentavam sair do bar “Le
Constellation”. E o “Blick” informou que, de acordo com fotografias
na página de Facebook do operador, esta escada foi aparentemente, estreitada
durante um projeto de remodelação, em 2015.
Um
empregado de bar, de 31 anos, de Crans-Montana, refere que havia apenas uma
entrada e uma saída combinadas, bem como outra saída de emergência, mas que esta
estava sempre bloqueada, durante as suas visitas. A saída de emergência estava
localizada numa sala separada, que era utilizada como sala de fumo. “Toda a
gente na cidade sabia que isto iria correr mal, em algum momento”, declarou
ao jornal alemão “BILD”.
Os
especialistas em segurança contra incêndios, Peter Wilkinson e Edwin Galea, disseram
à BBC que a espuma de poliuretano que absorve o som no teto se terá
inflamado durante o incêndio. Este material é extremamente inflamável e pode
libertar fumo denso e tóxico, o que reduz, consideravelmente, o tempo de fuga.
Segundo
a procuradora-geral Beatrice Pilloud, o Ministério Público (MP) está a
examinar, entre outros aspetos, as transformações, os materiais utilizados, as
licenças de exploração, as precauções de segurança e as vias de evacuação,
assim como está a investigar se os sobreviventes presentes podem ser
processados. Fotografias e vídeos mostram os foliões com fogo de artifício em
garrafas de champanhe, o que, de acordo com as primeiras conclusões, poderia
ter incendiado a espuma no teto. Segundo Pilloud, poderá ser considerada a
hipótese de fogo posto por negligência ou de homicídio involuntário. Porém, até
à data, não há indícios correspondentes.
Os
proprietários do bar, Jacques e Jessica Moretti, foram interrogados pela
polícia, no dia 3, pois, de acordo com o jornal francês “Le Parisien”,
Jacques Moretti é conhecido da polícia da França por crimes anteriores.
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A
estância de Crans-Montana, conhecida como local internacional de esqui e de golfe,
viu o seu bar Le Constellation a passar de local de folia para o local
de uma das piores tragédias da Suíça.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, expressou solidariedade ao seu homólogo suíço, “pela tragédia que assinalou a passagem do ano, provocando tantos mortos e feridos, num momento que se desejaria ser de júbilo e de esperança”.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, expressou solidariedade ao seu homólogo suíço, “pela tragédia que assinalou a passagem do ano, provocando tantos mortos e feridos, num momento que se desejaria ser de júbilo e de esperança”.
A
nacionalidade de 14 pessoas ainda não foi determinada, como adiantaram, ao
início da tarde do dia 3, as autoridades locais, em conferência de imprensa.
O
canal de televisão francês BFMTV divulgou uma fotografia que mostra
aquele que parece ser o momento em que deflagrou o fogo. Na imagem, veem-se
vários jovens com tochas nas mãos, elevadas e próximas do teto, o que
aparentemente terá provocado as chamas. Terá sido a partir daqui que o fogo
alastrou. A procuradora-geral do cantão de Valais diz que o incêndio poderá ter
começado em velas com faíscas colocadas em garrafas de champanhe. E as
autoridades estão também a investigar o revestimento do teto.
O
incêndio levou a tentativa desesperada de fuga. Duas mulheres contaram ao canal
francês BFMTV que estavam no interior do estabelecimento, quando viram
um barman a transportar uma barman aos ombros, enquanto esta segurava uma vela
acesa numa garrafa. As chamas propagaram-se, derrubando o teto de madeira. “As
pessoas tentaram desesperadamente escapar da discoteca no subsolo, subindo uma
escada estreita e passando por uma porta estreita, formando uma multidão”,
disse uma das mulheres.
Um
jovem, que estava no local, disse que as pessoas partiram janelas, para escaparem
ao incêndio. Viu cerca de 20 pessoas em luta, para saírem do fumo e das chamas,
algo comparável a um filme de terror.
As
vítimas sofreram queimaduras graves e inalação de fumo. Algumas foram levadas,
de avião, para hospitais especializados de todo o país. A maioria dos
feridos será tratada, durante “muito tempo” e “precisará de reabilitação”. Por
isso, em face da sobrecarga no sistema de saúde, as autoridades pediram à
população que tenha cuidado, nos próximos dias, para evitar acidentes que sobrecarreguem
ainda mais os recursos médicos já saturados.
O
governo suíço disse que já recebeu várias mensagens e telefonemas de
condolências e solidariedade de governos, após o incêndio, e precisou que
vários deles se ofereceram para receberem feridos com queimaduras muito graves
e extensas.
A
primeira vítima foi identificada no dia 3. É Emanuele Galeppini, jovem golfista
italiano, de 17 anos. A confirmação foi feita pela Federação Italiana de
Golfe (FIG), por nota publicada no site oficial, lamentando a morte do
jovem atleta que trazia consigo “paixão e valores autênticos”.
A
Comissão Europeia disse estar “em contacto” com as autoridades suíças, para
prestar assistência médica às vítimas do incêndio. E o governo belga declarou que
vai disponibilizar tratamento, nos seus hospitais, a cinco doentes com
queimaduras graves e a dois que necessitam de cuidados intermédios.
Apesar
de terem referido que era muito cedo para determinar a causa do incêndio, as
autoridades suíças descartaram a possibilidade de ter sido um atentado.
Guy
Parmelin, presidente da Suíça, afirmou que é “um drama de dimensão
desconhecida” e prestou homenagem às muitas “vidas jovens que se perderam e [que]
foram interrompidas”. E revela o “The Guardian” que, após o anúncio dos cinco
dias de luto nacional, Guy Parmelin sublinhou que a Suíça deve às vítimas,
cujos projetos, esperanças e sonhos foram abruptamente cortados, a tomada de
medidas, para que jamais ocorra tragédia semelhante.
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Como
se entrelê, a Suíça, aliás como outros países, nem sempre é exemplo no rigor da
qualidade das instalações que servem público. O lucro tende a sobrepor-se à
segurança. E, quando vale tudo, em diversão e em folia, sem que as administrações
estejam vigilantes e moderadoras, as tragédias podem acontecer. Não é preciso
um ataque terrorista para haver vítimas.
Homenageiem-se os mortos, amparem-se as suas famílias e trate-se dos feridos – o que postula solidariedade –, mas aprenda-se a lição para futuro.
Homenageiem-se os mortos, amparem-se as suas famílias e trate-se dos feridos – o que postula solidariedade –, mas aprenda-se a lição para futuro.
2026.01.04 – Louro de Carvalho
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