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quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Ponte Morandi desabou e caíram dezenas de automóveis e alguns camiões


Na manhã do dia 14, a parte central da ponte Morandi (um troço de 100 metros), que tem um viaduto com 1,182 quilómetros sobre uma zona urbana, com um bom número de centros comerciais, edifícios residenciais e áreas industriais, na autoestrada 10 (A10) em Génova, no noroeste da Itália, desabou e dezenas de automóveis e alguns camiões acabaram por cair. A manhã era de tempestade e visibilidade reduzida na região, que estava sob aviso laranja, mas as autoridades ainda não determinaram as causas para a derrocada.
Um jovem casal que atravessou a ponte antes da tragédia de pouco antes do meio-dia (hora de Itália) contou:
Cruzámos a ponte por volta das 11,15 horas da manhã, havia muito tráfego, carros e especialmente camiões alinhados, estava a chover, mas não notámos nada de estranho”.
Um camionista, que se julga salvo por milagre, contou que viu desaparecer um camião como que numa espécie de nuvem e parou a tempo.  
Segundo a RAI, que citava as equipas de resgate no local, existiam “vítimas mortais”. Havia dezenas de mortos “entre aqueles que caíram e os que foram apanhados na queda dos escombros”. Os bombeiros, servindo-se de cães nas buscas, descreviam um cenário macabro: encontraram carros esmagados com pessoas sem vida no interior. Tinham sido retiradas com vida 7 pessoas de entre os escombros e transferidas de helicóptero para os hospitais da cidade.
Há quatro códigos vermelhos: múltiplas lesões traumáticas, na cabeça e coluna vertebral, e ainda três vítimas com fraturas – disse à RAI Carlo Bottaro, diretor da Proteção Civil de Génova. E há várias pessoas traumatizadas, como “mulheres e crianças que testemunharam o colapso da ponte”, acrescentou. Por isso, foi a caminho uma unidade psicológica e psiquiátrica. E, como medida de precaução, alguns edifícios próximos da ponte foram evacuados. Contam-se 432 pessoas deslocadas. Na verdade, com adiantou a RAI, sob o viaduto da ponte existem centros comerciais e armazéns industriais, bem como alguns edifícios residenciais.
Os bombeiros encontraram vários carros esmagados com pessoas sem vida no interior, às quais deram o devido encaminhamento e continuaram à procura de desaparecidos por baixo dos destroços e nas águas do Rio Polcevera. De facto, são as margens deste rio locais onde a assenta ponte, que foi construída entre 1963 e 1967 (o grosso da obra foi em 1969), atingindo uma altura de 45 metros, para ligar as duas partes da cidade de Génova.
O balanço oficial de mortos está em 39, a que se juntam dezenas de feridos – alguns em estado grave – e desaparecidos, o que leva o Governo a admitir a possibilidade de aumento do número de vítimas mortais. Uma das vítimas mortais é uma criança, que seguia num dos carros que caiu quando a ponte colapsou. Há, pelo menos, mais duas crianças vitimadas mortalmente.   
Giovanni Toti, presidente da região italiana da Ligúria, cuja capital é Génova, chegou a apontar, no próprio dia do acidente, um número de vítimas mortais superior – na altura, 25 – e alertou que esse “número irá aumentará consideravelmente”. Os bombeiros avançaram um novo balanço de vítimas mortais, 35, que agora está provisoriamente em 39.
Por sua vez, a Proteção Civil italiana revelava, em conferência de imprensa, que tinham caído da ponte 35 carros e três camiões (números provisórios).
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As reações não tardaram. Assim, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, enviou condolências ao povo italiano, declarando num comunicado citado pela agência Efe:
Estou profundamente entristecido pelo colapso de hoje de uma ponte em Génova que tirou muitas vidas. Em nome da Comissão Europeia, exprimo as minhas mais sinceras condolências às famílias e amigos das vítimas mortais e ao povo italiano.”.
O Presidente da República de Portugal telefonou ao homólogo italiano, Sergio Mattarella, e deixou as condolências pela morte das pessoas. A este respeito, lê-se na nota enviada por Marcelo Rebelo de Sousa e que foi divulgada na página da Presidência da República:
Neste momento difícil, quero enviar sentidas condolências aos familiares das vítimas e também expressar a Vossa Excelência, em meu nome e no do povo português, toda a solidariedade para com o povo italiano e, em particular, para com todos os que foram afetados, a quem envio os votos de rápida recuperação”.
Fonte da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas assegurou que não havia portugueses entre as vítimas da queda de parte da ponte em Génova.
Na sequência do desastre no viaduto de Génova, a CNR explicou, em comunicado, que as pontes foram construídas com as melhores técnicas conhecidas na época, mas que a sua vida útil é de 50 anos. E em muitos casos, acrescentou a empresa, o custo de atualizar e reforçar as pontes é superior ao que custaria destruí-las e construí-las de novo.
O Ministro das Infraestruturas, Danilo Toninelli, falou à RAI a garantir que os responsáveis serão chamados a “pagar até às últimas consequências”. E declarou ao telejornal da hora de almoço em Itália, ainda no dia 14, que “as primeiras informações apontavam para que a manutenção tinha sido feita, mas isso não pode ser verdade”. Com efeito, “estas tragédias não podem acontecer num país civilizado como Itália”, pois a manutenção vem antes de qualquer coisa e os responsáveis devem pagar até às últimas consequências”.
Entretanto, Toninelli revelou que a manutenção da ponte é responsabilidade da concessionária Autostrade per l’Italia. E revelou que, nos 60 dias de governo, deram ordem para que se fizesse a manutenção e monitorização de todos os viadutos. E quase todos os que foram construídos entre as décadas de 1950 e 1970 precisam de manutenção regular.
Lamentando a falta de manutenção nestas estruturas prometeu que “este governo investirá nessa área, para evitar que aconteçam mais tragédias deste tipo”.
Além disso, Toninelli usou a sua conta na rede social Facebook para, numa mensagem acutilante, dizer que “os diretores da Autostrade per l’Italia devem demitir-se antes de tudo” e adiantou que o Governo “ativou todos os procedimentos para a possível revogação das concessões e a imposição de multa até 150 milhões de euros”, pois, como disse, “se não são capazes de administrar as nossas autoestradas, o Estado o fará”. E reiterou que, “num país civilizado não se pode morrer por uma ponte que desaba” e reiterou que os culpados “desta tragédia injustificável devem ser punidos”.
Stefano Marigliani, diretor em Génova da concessionária responsável pela manutenção da ponte, assegurou à imprensa que, na altura do acidente, a base da ponte Morandi estava a ser alvo de “obras de reforço”. E disse que “o colapso foi inesperado e imprevisível”, sendo que “a ponte era constantemente monitorizada, até mais vezes do que o previsto na lei”. No entanto, a Proteção Civil, através do seu líder, Angelo Borrelli, disse não ter qualquer informação sobre essa intervenção.
Por seu turno, o Primeiro-Ministro, Giuseppe Conte, que, ao final da tarde do dia 14, viajou para a cidade portuária e visitou o local, classificou a derrocada da Ponte como “uma imensa tragédia”. E disse, citado pela televisão pública RAI:
É chocante ver o metal retorcido e a ponte desmoronada, com as vítimas a serem de lá retiradas”.
No dia 15, o Ministro do Interior, Matteo Salvini, que se deslocara durante à tarde ao local do acidente em Génova, dizia em declarações aos jornalistas à margem duma viagem que realizava à Calábria, no sul de Itália:
Estamos com 38 mortos confirmados e vários desaparecidos”.
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Como foi dito, as autoridades ainda não sabem dizer as razões do colapso da Ponte. Mas o Governo, bem como a Proteção Civil, não acredita que a manutenção tenha sido feita naquela estrutura, que foi considerada à época uma obra-prima da engenharia.
Por outro lado, já há quem recorde as críticas feitas à estrutura, há dois anos, pelo engenheiro e professor universitário Antonio Brencich, que alertava para problemas estruturais. Segundo este especialista, o viaduto Morandi apresentou desde o início diversos aspetos problemáticos, além de ter ficado acima dos custos inicialmente estimado”. Era, pois esta a avaliação feita por aquele professor associado de construção em cimento armado da Universidade de Génova e agora recordada a propósito da queda da ponte, sob a autoestrada 10. E Brencich apontou ainda:
Ainda no início dos anos 1980 quem percorria a ponte era obrigado a um percurso irritante de altos e baixos provocados supostamente pelas mudanças na estrutura, que não estavam previstas inicialmente. Só as repetidas correções de elevação permitiram ter o atual aspeto [em julho de 2016] semi-horizontal.”.
Numa outra entrevista à Universidade de Génova, o mesmo especialista, defendia que a ponte Morandi (que recebeu o nome do seu arquiteto Riccardo Morandi), era “um erro da engenharia e deve ser reconstruída em breve porque os custos de manutenção serão exorbitantes e superarão os da construção”. E explicara à página de notícias da comunidade de engenheiros civis Ingegneri:
Pouco após a sua construção, o viaduto Morandi já apresentava problemas. Não foram tidos em consideração, por exemplo, os efeitos da deterioração do betão, que acabaram por resultar num plano de estrada não-horizontal.”.
Como se disse, a ponte Morandi atravessa o rio Polcevera, em Génova, e liga os dois lados da cidade. Foi construída em 1969 e o seu nome é uma homenagem ao seu arquiteto, Riccardo Morandi, celebrado em Itália como um dos mais visionários arquitetos do século XX e que ficou famoso precisamente pelas suas pontes de betão.
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O colapso de pontes e de outras grandes estruturas tem de ser evitado. Ora, como estão em causa vidas humanas, mal se notem problemas que denotem insuficiente sustentabilidade das estruturas, devem as mesmas estruturas ser vedadas ao público e, no caso, ao tráfego e, de imediato, obter soluções alternativas, ainda que menos cómodas.
Caiu a ponte de Entre-os-Rios, quando havia, anos antes, relatório que revelava “desenrocamento” de pilares, mas ela continuou aberta ao tráfego. Nada resolveu a demissão de Jorge Coelho, tão aplaudida. Caiu a estrutura dos passadiços de Vigo por falta de manutenção e ameaça de ruína e a administração portuária não quis assumir responsabilidades. Lembro-me de que a ponte ferroviária Dona Maria sobre o Douro ultrapassou largamente o prazo de validade, mas o comboio continuou a passar, embora a + 10 Km/hora. Que solução segura! Porque não partiam os comboios de e até Gaia e a travessia do rio não se fazia de barco ou rodovia? Se fossem pontes municipais, os edis seriam crucificados…           
Em Itália responsabiliza-se a concessionária, que foge com o rabo à seringa. Mas os fiscais dos departamentos do Estado e das Regiões não podem ficar ilibados. São vidas e haveres perdidos.
Cada grupo político, técnico ou fiscal (da área) tem de assumir a sua quota-parte de culpa. 
2018.08.16 – Louro de Carvalho   

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

É importante evitar a guerra, que não dá vencedores e vencidos!

O Secretário-Geral da ONU sustenta que é preciso desnuclearizar a península coreana para que haja paz e estabilidade na região. De facto, a desnuclearização da Coreia do Norte é a chave para garantir a paz e a estabilidade na península, mas isso passa pela união de esforços dos Estados para impor sanções.
António Guterres encontra-se no Japão a participar numa conferência internacional sobre saúde e falou aos jornalistas após uma reunião com o Primeiro-Ministro nipónico, Shinzo Abe, e defendeu a tese das sanções para urgir a desnuclearização. Segundo Guterres, as resoluções do Conselho de Segurança da ONU devem ser “totalmente aplicadas e respeitadas” pelo regime de Pyongyang, mas também por todos os outros países envolvidos na questão, por forma a garantir que as sanções atinjam os objetivos para que foram impostas, ou seja, a desnuclearização da península coreana demasiado tensa. E sublinhou:
A unidade do Conselho de Segurança é crucial, mas também é importante permitir que a diplomacia se envolva numa resolução pacífica. É importante que todas as partes percebam a urgência de se encontrar uma solução que evite uma confrontação que trará consequências trágicas para todos.”.
Segundo o Secretário-Geral, não se pode entrar como “sonâmbulos numa guerra” devido à situação desencadeada pela Coreia do Norte, pelo que é necessário dar apoio à diplomacia. Ao invés, uma guerra na região poderá “trazer consequências dramáticas”.
Questionado sobre se planeia deslocar-se à Coreia do Norte para se reunir com o presidente Kim Jong Un, Guterres manifestou-se “disponível”, mas desde que tal faça sentido. Esclarecendo que “as reuniões só fazem sentido se houver um objetivo”, declarou-se “pronto para ir a qualquer lado, desde que isso seja útil”.
Por seu turno, o Primeiro-Ministro nipónico concordou com a ideia de que o diálogo com a Coreia do Norte deve “fazer sentido”, visando sobretudo o fim do programa nuclear norte-coreano.
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Entretanto, no dia 13, o Secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, disse que Washington está aberto à possibilidade de negociações com Pyongyang, mas a Casa Branca defendeu que, primeiro, a Coreia do Norte deve “terminar com as provocações” e tomar “ações sinceras e significativas em direção à desnuclearização”.
Não obstante, no momento em que Rex Tillerson, fazia este anúncio, que parece amenizar a posição de Washington, o dirigente norte-coreano Kim Jong-Un alimentou a guerra de palavras dos últimos meses, ao divulgar a sua intenção de fazer do seu país “a potência nuclear e militar mais forte do mundo”.
Até agora, o governo de Donald Trump afirmava sempre que eventuais futuras negociações com a Coreia do Norte só poderiam realizar-se se tivessem como objetivo a desnuclearização da península coreana. Agora, Tillerson, durante uma conferência em Washington, disse que não é realista afirmar que só discutem com os norte-coreanos se eles vierem para a mesa das negociações dispostos a abandonar o seu programa nuclear.
Questionado a propósito do desenvolvimento de mísseis intercontinentais e armas nucleares pelo regime de Pyongyang, respondeu que “eles já investiram muito”. E adiantou:
Estamos prontos a discutir desde que a Coreia do Norte queira discutir. Estamos prontos a ter uma primeira reunião sem qualquer condição prévia. Reunamo-nos. Falemos do tempo, se quiserem, ou discutamos se é preciso uma mesa redonda ou quadrada, se vos der prazer. Mas, pelo menos, encontremo-nos cara a cara e comecemos a definir um guião sobre o que queremos fazer.”.
É de registar esta mudança de postura norte-americana. Com efeito, no passado, Tillerson foi censurado publicamente por Trump, depois de ter mencionado a existência de “canais de comunicação” para “sondar” as intenções de Kim Jong-Un, com vista a um eventual diálogo. Trump dizia que o Secretário de Estado estava “a perder o seu tempo a negociar”.
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Neste contexto, o responsável pelos assuntos políticos da ONU visitou, na semana passada, a Coreia do Norte. Foi a primeira visita de um responsável político das Nações Unidas em mais de sete anos.
Jeffrey Feltman declarou que oficiais de Pyongyang lhe disseram, durante a visita ao país, que “era importante evitar a guerra” face ao avanço dos programas nuclear e de mísseis balísticos.
O diplomata veterano norte-americano, que é subsecretário-geral da ONU para os assuntos políticos, disse aos jornalistas, depois de informar do facto em privado o Conselho de Segurança das Nações Unidas, no passado dia 12, que a forma “como fazemos isso” foi o tema de mais de 15 horas de discussão com o ministro dos Negócios Estrangeiros Ri Yong Ho e outros responsáveis. E frisou:
Eles precisam de sinalizar o que estão dispostos a fazer agora... para começar algum tipo de compromisso”.
Por si, sustentou:
Acho que deixámos a porta entreaberta, e espero fervorosamente que a porta para uma solução negociada seja agora mais aberta”.
Após a visita, Jeffrey Feltman e as autoridades da Coreia do Norte emitiram um comunicado, no qual concordavam que a situação na península asiática é a questão “mais tensa e perigosa do mundo” em termos de paz e segurança.
A posição coincidente entre a ONU e Pyongyang surgiu, como se disse, na sequência de uma “série de reuniões” que Feltman manteve com o ministro dos Negócios Estrangeiros norte-coreano, Ri Yong Ho, e também com o vice-ministro, Pak Myong Guk, durante a visita que fez à Coreia do Norte entre os dias 5 e 8.
A visita de Feltman aconteceu após mais um ensaio balístico da Coreia do Norte, com o míssil disparado a atingir maior altura do que em qualquer de outros testes anteriores.
Segundo a ONU, a visita foi uma resposta a um convite antigo para manter um “diálogo político” entre as autoridades de Pyongyang e as Nações Unidas.
Trata-se da primeira viagem à Coreia do Norte que fez um responsável político das Nações Unidas em mais de sete anos. O último a visitar o país fora o antecessor de Feltman, Lynn Pascoe, em fevereiro de 2010.
Recorde-se que a tensão na península coreana é elevada, com Pyongyang a aumentar os lançamentos de mísseis e os testes nucleares enquanto foi trocando ameaças bélicas com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
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Quem se quer antecipar a um eventual colapso do regime de Pyongyang é o Governo de Pequim, que parece estar a preparar centros de refugiados junto à fronteira.
Com efeito, segundo o que relata o The Guardian na sua edição do dia 12, pelo menos cinco campos de refugiados estarão a ser construídos pela China ao longo da fronteira de 1416 quilómetros com a Coreia do Norte. A notícia sobre a construção dos campos de refugiados tinha sido avançada inicialmente pelo Financial Times na semana passada, depois de ter vindo a público um documento interno da empresa estatal chinesa de telecomunicações que terá sido encarregada de instalar internet nos centros.
O documento da China Mobile circulou nas redes sociais e, embora não tenha sido confirmada a autenticidade dos planos, ao que tudo indica, os cinco campos de refugiados estarão a ser construídos na província de Jilin, devido às “crescentes tensões do outro lado da fronteira”. No texto da China Mobile são referidas as localizações de três destes campos: Changbai, Changbai Shibalidaogou e Changbai Jiguanlizi. E o The New York Times refere que dois centros de refugiados estão igualmente planeados para as cidades de Tumen e Hunchun.
Em conferência de imprensa no dia 11, um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês recusou confirmar a veracidade dos planos, mas não negou o projeto para os centros de refugiados. Escreve o The Guardian que a construção destes campos reflete a preocupação crescente de Pequim com a instabilidade política ou mesmo com o potencial colapso do regime de Pyongyang. O jornal abona-se com a citação dum especialista da Universidade de Pequim, que estuda a Coreia do Norte: segundo Cheng Xiaohe, seria “irresponsável” se a China não se preparasse para qualquer eventualidade perante as tensões na península coreana.
E Jiro Ishimaru, realizador japonês de documentários que está em contacto com uma rede de jornalistas cidadãos que vivem na Coreia do Norte e ao longo da fronteira com a China, disse ao Guardian que nenhum dos seus contactos em Changbai testemunhou a construção dos campos de refugiados, mas que os planos para a construção dessas instalações são conhecidos na região.
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São de saudar as tímidas mudanças de posição quer da Coreia do Norte quer dos EUA. Importa entabular e intensificar negociações, parar com as ameaças mútuas e desistir dos testes nucleares. Uma guerra nuclear destruirá uma grande parte da humanidade e não trará vencedores e vencidos. Será, antes, a via da aniquilação.
Para evitar a guerra, é preciso desadensar ao clima de tensão entre a Coreia do Norte e os EUA, entre a Coreia do Norte e Coreia do Sul. E todos os países terão de reforçar as conversações diplomáticas para desviar a rota da guerra o destino dos povos, não devendo ser necessárias sanções económicas ou financeiras.
A paz acima de tudo… a fazer sem armas!

2017.12.14 – Louro de Carvalho