segunda-feira, 23 de março de 2026

Abraçar a oferta de vida que Deus insiste em fazer-nos

 

No 5.º domingo da Quaresma, no Ano A, a Palavra de Deus continua a desafiar-nos à conversão. O episodio evangélico da ressurreição de Lázaro sugere que este é o tempo de desatar os nós que nos prendem à morte, de sair dos cantos sombrios do comodismo e de abraçar a oferta irrecusável de vida que Deus insiste em fazer-nos.

***

Na primeira leitura (Ez 37,12-14), através de Ezequiel, Javé promete vida nova aos habitantes de Judá, desesperados em terra estrangeira. “Vou abrir os vossos túmulos e deles vos farei ressuscitar, ó meu povo” – diz-lhes Deus, cujo desígnio para os seus filhos é e sempre será desígnio de vida. Por isso, não deixará de guiar o povo até às fontes da vida eterna.

Em 598 a.C. Nabucodonosor, rei da Babilónia, irritado pelas tentativas de Joaquim, rei de Judá, para se libertar do domínio babilónico, cercou Jerusalém. A Joaquim, que terá morrido durante o cerco, sucedeu o seu filho Joiaquin, que reinou três meses, antes de cair nas mãos dos Babilónios. O rei, a classe dirigente e os demais influentes em Jerusalém foram deportados para a Babilónia (597 a.C.). Nabucodonosor instalou no trono de Judá Sedecias. Durante algum tempo, Judá manteve-se tranquilo, pagando os tributos aos Babilónios; mas, tempo depois, aproveitando a conjuntura política favorável, Sedecias aliou-se aos egípcios e deixou de pagar o tributo. Um exército de Nabucodonosor cercou, novamente, Jerusalém. Apesar do socorro de um exército egípcio, Jerusalém rendeu-se aos Babilónios (586 a.C.). Sedecias tentou fugir da cidade, mas foi feito prisioneiro, viu os seus filhos serem assassinados e ele próprio foi levado prisioneiro para a Babilónia, onde acabou os seus dias.

Ezequiel, “o profeta da esperança”, surge neste cenário. Oriundo de família influente, integrou o primeiro grupo de exilados de Judá, levados para a Babilónia em 597 a.C. (quando Nabucodonosor conquistou Jerusalém, pela primeira vez). Será na Babilónia que Ezequiel exerce a sua missão profética.

A primeira fase do seu ministério decorreu entre 593 a.C. (quando se sentiu o chamado por Deus) e 586 a.C. (quando Jerusalém foi arrasada pelas tropas de Nabucodonosor e nova leva de exilados foi para a Babilónia). O profeta procurou destruir falsas esperanças e anunciou que, ao invés do que pensavam os exilados, o cativeiro estava para durar. Não só não regressariam, em breve, mas os que ficaram em Jerusalém (e que multiplicavam os pecados e infidelidades contra Javé) fariam companhia aos já desterrados. A segunda fase do ministério de Ezequiel desenrola-se a partir de 586 a.C., até cerca de 570 a.C. Instalados em terra estrangeira, sem Templo, sem sacerdócio e sem culto, os exilados duvidam da bondade e do amor de Deus. Ezequiel tenta alimentar a esperança e transmitir ao Povo a certeza de que o Deus libertador e salvador não os abandonou. As palavras de Ezequiel aos concidadãos são de ânimo e de esperança.

O trecho em referência pertence à segunda fase do ministério de Ezequiel. Integra um conjunto de “oráculos de salvação” que inclui a “visão dos ossos calcinados”, na qual o profeta fala de uma planície cheia de ossos calcinados e sem vida, mas que, vivificados pelo Espírito do Senhor, são revestidos de pele, de músculos e ganham nova vida. Esses ossos representam o Povo de Deus, que jaz sem esperança na planície mesopotâmica.

Após vários anos de exílio na planície mesopotâmica, os habitantes de Judá perderam a esperança. Estão à mercê dos inimigos e têm saudades da sua terra. Creem-se abandonados por Deus e pelos homens. Não vislumbram mudança, futuro, nem saída. É uma situação de morte para a qual não veem remédio. São como ossos ressequidos que apodrecem no túmulo. Porém, Deus conhece a situação do seu povo e prepara-se para intervir. Ezequiel, voz de Deus entre os exilados, anuncia que Javé ressuscitará o seu povo, tirá-lo-á do túmulo, libertá-lo-á, devolver-lhe-á a esperança, oferecer-lhe-á um futuro novo e cheio de vida. Enfim, Deus infundirá o seu Espírito sobre os exilados, os quais, revitalizados pelo Espírito de Deus, conhecerão uma vida nova. Pôr-se-ão a caminho de Jerusalém, de regresso aos seus lares, às suas raízes. A situação mortal será vencida pela força de vida que Deus dá ao seu povo.

A referência à ação do Espírito de Deus na revivificação do homem leva-nos cenário de Gn 2,7: no homem que criou do barro, Deus infundiu o seu “hálito de vida” (“neshamá”) para o tornar um ser vivente; aqui, sobre o Povo que jaz no túmulo, Deus “infunde o seu Espírito” (“ruah”). A ação de Deus em favor do seu povo é uma nova criação.

No “ruah” de Deus dado ao Povo que jaz no túmulo, devermos ver mais do que mera força vital que é responsável pela vida física ao homem. O “ruah” de Deus transmite ao homem a vida divina e transforma radicalmente o coração do homem. Fará com que os “corações de pedra” – duros, insensíveis, autossuficientes – se transformem em “corações de carne”, sensíveis e bons, capazes de amar Deus e de viver de acordo com os mandamentos de Deus (“dar-vos-ei um coração novo e introduzirei em vós um espírito novo: arrancarei do vosso peito o coração de pedra e vos darei um coração de carne. Dentro de vós porei o meu espírito, fazendo com que sigais as minhas leis e obedeçais e pratiqueis os meus preceitos”). Esta nova criação vai mais longe do que a antiga criação, reportada na narração do livro do Génesis.

A promessa do regresso dos exilados concretizou-se alguns anos mais tarde (538 a.C.), quando o rei persa Ciro os autorizou a deixarem a Babilónia e a retornarem a Jerusalém. Porém, a tradição rabínica reinterpretará esta promessa de Deus e ligá-la-á com a chegada dos tempos messiânicos. Alguns círculos religiosos viam nesta promessa a afirmação de que, com a chegada do Messias, todos os justos ressuscitariam e participariam na alegria do Reino messiânico. Além disso, o texto ajudou a catequese de Israel a sedimentar uma das suas convicções mais profundas: Javé é o Deus da vida, que nunca abandona o seu povo e que encontra sempre formas de transmitir vida ao seu Povo; e, em cada instante da História, Ele está presente, a recriar o Povo, a transformá-lo, a renová-lo, a encaminhá-lo para a vida plena.

***

O Evangelho (Jo 11,1-45) dá-nos – a partir da vida de Lázaro, amigo de Jesus – uma catequese sobre o desígnio de vida que Deus tem para o homem. Diz-nos que Jesus veio ao nosso encontro, enviado por Deus, oferecer-nos a vida que a morte não poderá vencer. Aos que mostram interesse em acolher a vida, Jesus garante: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viverá; e todo aquele que vive e acredita em Mim, nunca morrerá”. Chegamos à vida, se ousarmos seguir Jesus.

O Quarto Evangelho, escrito por volta do ano 100, é ponto de chegada da reflexão cristológica do século I. Na sua génese está o testemunho do apóstolo, mas mantendo a reflexão da comunidade joânica (de Éfeso) sobre Jesus a partir do testemunho de João.

É usual dividir o Evangelho de João em duas partes: o “Livro dos Sinais” (Jo 4,1-11,54) e o “Livro da Hora” (Jo 11,55-19,42). O “Livro dos Sinais” formula diversas catequeses – recorrendo a sinais, como a água, o pão, a luz, o pastor, a vida que vence a morte – que mostram como o Messias, agindo de acordo com o desígnio de Deus, faz nascer um Homem Novo, que vive segundo Deus. No “livro da Hora”, o Messias encaminha-se para a cruz e, oferecendo a vida por amor, mostra aos homens como devem viver e como devem amar. Os que aprendem com Jesus o amor e se dispõem a viver como Ele viveu, formarão a nova comunidade, a Igreja, vivificada pela água (batismo) e pelo sangue (eucaristia) que brotam do coração de Cristo.

A narrativa da ressurreição de Lázaro integra o “Livro dos Sinais”. É a quinta catequese que o livro nos oferece. Trata-se de narração que não tem paralelo nos outros Evangelhos. Propõe Jesus como O que é capaz de dar aos que a Ele aderem uma vida que supera a morte.

A cena situa-nos em Betânia, no lado oriental do monte das Oliveiras, a cerca de 2700 metros de Jerusalém. Atualmente, tem o nome de El-Azariyeh, nome derivado de Lázaro. Quem a visita pode descer os 24 degraus que levam a um sítio onde a tradição situa o túmulo de Lázaro.

O autor da catequese põe-nos diante de um triste episódio familiar: a morte de um homem. A família em questão, constituída por três pessoas (Marta, Maria e Lázaro), é conhecida de Jesus: em Jo 11,5 diz-se que Jesus “era amigo” de Marta, de sua irmã (Maria) e de Lázaro. A visita de Jesus a casa desta família é mencionada em Lc 10,38-42; e João observa que esta Maria é a que ungira o Senhor com perfume e lhe enxugara os pés com os cabelos.

O sinal realizado – a reanimação de Lázaro, o amigo que a morte tinha levado – é descrito em dois versículos, mas o relato prolonga-se ao longo de 45 versículos, com diálogos, achegas, comentários, explicações. O evangelista expõe à comunidade uma catequese cujo tema é formulado por Jesus: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viverá; e todo aquele que vive e acredita em Mim, nunca morrerá.”

Estamos ante uma família de caraterísticas que importa vincar. Não há referência a outros membros, além de Maria, Marta e Lázaro: não há pai, nem mãe, nem filhos. E João insiste no parentesco que une os três: são irmãos. O termo “irmão” (“adelfós”) será usado por Jesus, após a ressurreição, para definir a comunidade dos discípulos; e esta denominação será comum entre os membros da comunidade cristã primitiva para se designarem entre si. Por outro lado, a relação entre Jesus e esta família é de amizade. Jesus conhece e ama esta família e ela conhece Jesus, ama-O e recebe-O em sua casa. A família de Lázaro é boa imagem da comunidade cristã e mostra que não importa a origem e a proveniência dos cristãos.

Um facto abala a vida desta família: um dos irmãos está gravemente doente. As irmãs mostram interesse, preocupação e solidariedade para com o irmão doente e informam Jesus. Aquela família crê que Jesus pode dar vida ao irmão fragilizado pela doença. Porém, apesar do afeto e da amizade que sente pelo amigo Lázaro, Jesus não vai, imediatamente, ao seu encontro; até parece atrasar-se deliberadamente. Sem se inquietar, deixa que a doença siga o percurso normal e que a morte física do amigo se concretize. O evangelista quererá dizer-nos que Jesus não veio para alterar o ciclo normal da vida física do homem, libertando-o da morte biológica; veio para dar um novo sentido à morte física e para oferecer ao homem a vida eterna.

Dois dias depois, Jesus resolve dirigir-se à Judeia ao encontro do amigo Lázaro. Os discípulos não estão tranquilos e lembram a Jesus que a Judeia é lugar perigoso, pois é lá que estão aqueles – os líderes religiosos judaicos – que pretendem silenciá-Lo. Contudo, Jesus não pretende fugir às suas responsabilidades: o plano do Pai é que Ele dê vida ao enfermo, mesmo correndo riscos. A sua preocupação é realizar o plano do Pai no sentido de dar vida ao homem. Jesus não pode abandonar o amigo. Ele é o pastor que desafia o perigo por amor dos seus.

Ao chegar a Betânia, Jesus encontra Lázaro sepultado há já quatro dias. Para a mentalidade judaica, a morte era considerada definitiva a partir do terceiro dia. Quando Jesus chega, Lázaro está mesmo morto. Jesus, em conversa com os discípulos, admite-o; mas fala da morte que atingiu Lázaro como de um sono. Assim, João está a sugerir que Jesus não elimina a morte física; mas, para aqueles que são amigos de Jesus, a morte física não é mais do que um sono, do qual se acorda para descobrir a vida definitiva.

Por esta altura, entram em cena as irmãs de Lázaro. Marta vem ao encontro de Jesus e faz uma crítica, misturada com um pedido: Jesus podia ter evitado a morte do amigo, se tivesse vindo imediatamente, pois onde Ele está reina a vida. No entanto, ela acredita que, mesmo agora, Jesus poderá interceder junto de Deus: de certeza que Deus O ouvirá e devolverá a vida física a Lázaro. Marta crê em Deus e crê que Jesus é um profeta através de quem Deus atua no Mundo. Todavia, ainda não tem consciência de que Jesus é a vida e que Ele próprio dá a vida.

Jesus expõe a Marta (e, através dela, a todos os irmãos que a cada momento se encontram com a morte física de alguém a quem amam) a sua catequese sobre a vida que Ele tem para oferecer. Começa por dizer a Marta: “Teu irmão ressuscitará.” Marta pensa que as palavras de Jesus são consolação banal e que Ele se refere à crença farisaica, segundo a qual os mortos haveriam de reviver, no final dos tempos, aquando da última intervenção de Deus na História humana. Isso ela já sabe, mas não lhe basta: esse último dia ainda está tão longe! Jesus, porém, não está a falar de uma revivificação, no fim dos tempos, conforme as crenças farisaicas. O que Ele diz é que, para quem é Seu amigo, adere a Ele e caminha com Ele, não há morte. Jesus é “a ressurreição e a vida”. Para os seus amigos, a morte física é apenas um sono, a passagem desta vida para a vida plena. Jesus não evita a morte física, mas oferece ao homem a vida que se prolonga para sempre. Para que essa vida definitiva possa chegar ao homem é necessário, no entanto, que o homem adira a Jesus e O siga, num caminho de amor e de dom da vida (“todo aquele que vive e acredita em mim, nunca morrerá”). A comunidade de Jesus é a comunidade dos que já possuem a vida definitiva. Passarão pela morte física; mas essa morte será apenas passagem para a verdadeira vida. E é essa vida verdadeira que Jesus quer oferecer.

Confrontada com esta garantia de Jesus (“acreditas nisto?”), Marta manifesta a sua adesão plena ao que Ele afirma e professa a sua fé no Senhor que dá a vida (“acredito, Senhor, que Tu és o Messias, o Filho de Deus que havia de vir ao mundo”).

Maria, a outra irmã, tinha ficado em casa. Está imobilizada, paralisada pela dor sem esperança. Marta – que falara com Jesus e encontrara n’Ele a resposta para a situação que a fazia sofrer – convida a irmã a sair da sua dor e a ir, por sua vez, ao encontro de Jesus. Maria vai rapidamente, sem dar explicações a ninguém: tem consciência de que só em Jesus encontrará uma solução para o sofrimento que lhe enche o coração. Também nas palavras de Maria há uma reprovação a Jesus pelo facto de Ele não ter estado presente, impedindo a morte física de Lázaro. Jesus não pronuncia qualquer palavra de consolo, nem exorta à resignação: faz melhor do que isso, mostra que Ele é, efetivamente, a ressurreição e a vida.

A cena da ressurreição de Lázaro começa com Jesus a chorar. Jesus mostra afeto por Lázaro, saudade do amigo ausente. Sente a dor ante a morte física da pessoa amada; mas a sua dor não é desespero. Depois, Jesus chega junto do sepulcro. A entrada da gruta onde Lázaro está sepultado está fechada com uma pedra. A pedra simboliza a definitividade da morte. Separa o mundo dos vivos do dos mortos, cortando qualquer relação entre um e outro. Jesus, porém, manda tirar a pedra: para os crentes, não são duas realidades sem relação. Jesus, ao oferecer a vida, abate as barreiras criadas pela morte física, que não afasta o homem da vida.

A ação de dar vida a Lázaro representa, para Jesus, a concretização da missão que o Pai Lhe confiou: dar vida plena e definitiva ao homem. É por isso que Jesus, antes de mandar Lázaro sair do sepulcro, ergue os olhos ao céu e dá graças ao Pai: a sua oração mostra a sua comunhão com o Pai e a sua obediência na concretização do plano do Pai. Depois, Jesus mostra Lázaro vivo na morte, provando à comunidade dos crentes que a morte física não interrompe a vida plena do discípulo que ama Jesus e O segue.

Aquela família de Betânia representa a comunidade cristã, formada por irmãos e irmãs. Todos conhecem Jesus, são amigos de Jesus, acolhem Jesus na sua casa e na sua vida, têm-No como a sua grande referência. Essa família também faz a experiência da morte física. Porém, ser amigo de Jesus é saber que Ele é a ressurreição e a vida e que dá aos seus a vida plena, em todos os momentos. Ele não evita a morte física; mas a morte física é, para os que aderiram a Jesus, apenas a passagem (imediata) para a vida verdadeira e definitiva. Para os amigos de Jesus – para os que acolhem a sua proposta e fazem da sua vida uma entrega a Deus e um dom aos irmãos – não há morte. Podemos chorar a saudade pela partida de um irmão, mas temos de saber que, ao deixar este Mundo, esse irmão encontrou a vida plena, na glória de Deus.

***

Na segunda leitura (Rm 8,8-11), o apóstolo convida os cristãos de Roma – e os discípulos de Jesus de sempre e de toda a parte – a lembrarem o compromisso que assumiram no batismo e a viverem sob o domínio do Espírito. Aqueles que escolheram Cristo e que vivem no Espírito, pertencem a Deus e integram a família de Deus. Estão destinados à vida plena. A reflexão desenvolvida no 8.º capítulo da Carta aos Romanos, sobre a vida no Espírito, tem como pano de fundo uma das antíteses paulinas: “carne”/”Espírito”.

A carne designa o homem frágil e destinado à morte; e, na teologia paulina, o homem pecador, que se opõe a Deus e que vive à margem de Deus: o homem carnal é o que vive no egoísmo e na autossuficiência, que cultiva atitudes desordenadas – o ódio, a ambição, a inveja, o ciúme, a fúria, a devassidão, a discórdia, a libertinagem. O Espírito designa tudo o que faz do homem uma realidade transcendente; e, na linguagem paulina, o homem que está aberto a Deus: o homem do Espírito é o que escuta Deus e que Lhe obedece, que pauta a vida pelo amor, pela alegria, pela paz, pela paciência, pela benignidade, pela bondade, pela fidelidade, pela mansidão, pelo autodomínio. Estas duas realidades estão em profunda contradição.

Deus, pela vontade de salvar o homem, enviou ao Mundo o seu Filho. Jesus surgiu em carne semelhante à nossa; mas não conheceu o pecado e nunca o escolheu. Recusou viver à margem de Deus; escolheu viver segundo o Espírito, em obediência total ao Pai. Trouxe à carne o dinamismo do Espírito. Quem adere a Cristo recebe vida d’Ele e passa a ser animado pelo dinamismo que o animou a Ele. O batizado deixa de estar sob o domínio da carne e, como Cristo, passa a viver sob o dinamismo do Espírito. Se alguém vive de acordo com a carne, é sinal de que não é cristão, não se identifica com Cristo, não pertence a Cristo.

Os que se identificam com Cristo e que vivem no Espírito, estão destinados à vida. Assim como Cristo – depois de uma vida vivida no Espírito – ressuscitou e foi elevado definitivamente à glória do Pai, assim o cristão está destinado à vida nova, à vida plena, à vida eterna. É, pois, o Espírito – presente nos que renunciaram à vida da carne e aderiram a Jesus – que liberta os crentes do pecado e da morte, que os transforma em homens novos e que os leva à vida plena.

***

“No Senhor está a misericórdia, no Senhor está a plenitude da redenção.”

“Eu sou a ressurreição e a vida, diz o Senhor. / Quem acredita em Mim nunca morrerá.”

2026.03.22 – Louro de Carvalho

Sem comentários:

Enviar um comentário