Bezalel
Smotrich, ministro das Finanças israelita, de extrema-direita, a 21 de dezembro
de 2025, informou que o Conselho de Ministros de Israel aprovou a proposta da
criação de 19 novos colonatos judeus, na Cisjordânia ocupada. Esta informação surgiu
numa altura em que o governo avança com uma excessiva construção no território
que reforça a ameaça à possibilidade de um Estado palestiniano. Assim, o número
total de novos colonatos, nos últimos anos, ascende a 69, um novo recorde,
segundo Betzalel Smotrich, que tem promovido uma agenda de expansão dos
colonatos na Cisjordânia. Os mais recentes incluem dois que foram anteriormente
evacuados, durante o plano de desmobilização de 2005.
A recente aprovação governamental aumenta, em quase 50%, o número de colonatos na Cisjordânia no mandato do atual governo de extrema-direita. Em 2022, existiam 141 colonatos na Cisjordânia. Após a última aprovação, existem 210, de acordo com o Peace Now, grupo de esquerda israelita que defende a paz interna e externa para Israel. Os colonatos, amplamente considerados ilegais, ao abrigo do direito internacional, o que Israel nega, constituem o mais recente golpe sistémico contra o Estado palestiniano, surgindo a aprovação do aumento do seu número no momento em que os Estados Unidos da América (EUA) estão a pressionar Israel e o Hamas a avançar com a segunda fase do cessar-fogo em Gaza, que entrou em vigor a 10 de outubro e cujo plano, negociado com os EUA, prevê uma possível rota para um Estado palestiniano, algo que os colonatos pretendem impedir.
A recente aprovação governamental aumenta, em quase 50%, o número de colonatos na Cisjordânia no mandato do atual governo de extrema-direita. Em 2022, existiam 141 colonatos na Cisjordânia. Após a última aprovação, existem 210, de acordo com o Peace Now, grupo de esquerda israelita que defende a paz interna e externa para Israel. Os colonatos, amplamente considerados ilegais, ao abrigo do direito internacional, o que Israel nega, constituem o mais recente golpe sistémico contra o Estado palestiniano, surgindo a aprovação do aumento do seu número no momento em que os Estados Unidos da América (EUA) estão a pressionar Israel e o Hamas a avançar com a segunda fase do cessar-fogo em Gaza, que entrou em vigor a 10 de outubro e cujo plano, negociado com os EUA, prevê uma possível rota para um Estado palestiniano, algo que os colonatos pretendem impedir.
A
recente decisão do Conselho de Ministros abrange a legalização retroativa de postos
avançados de colonatos previamente estabelecidos ou de bairros de colonatos já existentes
e a criação de colonatos em terrenos para onde os palestinianos foram retirados.
Os colonatos variam em tamanho, desde habitação única até um conjunto de
edifícios altos. E o Ministério das Finanças esclareceu que dois dos colonatos
agora legalizados são Kadim e Ganim, dois dos quatro colonatos da Cisjordânia
desmantelados em 2005, no âmbito da retirada de Israel da Faixa de Gaza. Houve
várias tentativas de os reinstalar, depois de o governo de Israel ter revogado,
em março de 2023, a lei de 2005 que evacuava os quatro postos avançados e
impedia os israelitas de voltarem a entrar nas áreas.
A
este respeito, é de recordar que Israel ocupou a Cisjordânia, a Jerusalém
Oriental e Gaza – áreas reivindicadas pelos palestinianos para o futuro Estado –,
na guerra de 1967. Instalou mais de 500 mil judeus na Cisjordânia, além de mais
de 200 mil na Jerusalém Oriental.
O
governo de Israel é dominado por defensores de extrema-direita do movimento dos
colonos, incluindo Bezalel Smotrich e o gabinete de Itamar Ben-Gvir, ministro
da Segurança Nacional de Israel, que supervisiona a força policial do país.
A
expansão dos colonos foi agravada por uma vaga de ataques contra palestinianos,
nos últimos meses, na Cisjordânia. Assim, durante a colheita da azeitona em
outubro, os colonos lançaram, em todo o território, uma média de oito ataques
diários, o maior número desde que o gabinete humanitário das Nações Unidas
começou a recolher dados, em 2006. Os ataques continuaram em novembro, tendo a Organização
das Nações Unidas (ONU) registado, pelo menos, mais 136, até 24 de novembro. Os
colonos queimaram carros, profanaram mesquitas, saquearam instalações
industriais e destruíram terrenos agrícolas. Atacaram uma casa palestiniana, na
Cisjordânia ocupada. Partiram uma porta e uma janela e dispararam gás
lacrimogéneo, dentro de uma casa, na cidade de “As Samu”, de modo que três
crianças palestinianas tiveram de ser levadas de urgência para o hospital. E mataram
três ovelhas e feriram quatro.
A
Comissão de Colonização e Resistência ao Muro, gabinete que documenta os
ataques no seio de um organismo governamental palestiniano, divulgou imagens de
CCTV que mostram cinco colonos com máscaras e vestuário escuro, alguns
equipados com bastões, e acusa as autoridades israelitas de pouco terem feito, além
de condenarem, ocasionalmente, a violência. Não obstante, a polícia disse estar
a investigar o incidente e revelou que prendeu cinco colonos, por suspeita de
invasão de terras palestinianas, de danos a propriedades e de distribuição de
gás pimenta, em vez de gás lacrimogéneo.
O
ataque marcou o segundo ataque contra a família, em menos de dois meses, disse
um funcionário da comissão, frisando que “faz parte de um padrão sistemático e
contínuo de violência dos colonos contra civis palestinianos, [contra] os seus
bens e [contra] os seus meios de subsistência, levado a cabo impunemente sob a
proteção da ocupação israelita”.
Os
ataques dos colonos israelitas aumentam, frequentemente, na época da colheita
da azeitona, de setembro a novembro, período crítico para o rendimento dos
palestinianos.
O
Ministério da Saúde palestiniano, em Ramallah, afirmou que dois palestinianos –
Rayan Abu Muallah, de 16 anos, e Ahmad Ziyoud, de 22 anos – foram mortos em
confrontos com os militares israelitas, a 20 de dezembro, à noite, na parte Norte
da Cisjordânia. Por sua vez, os militares israelitas alegaram que um militante
foi baleado e morto, depois de ter atirado um bloco contra as tropas, em
Qabatiya, e que outro foi morto, depois de ter atirado explosivos contra as
tropas que operavam na cidade de Silat al-Harithiya.
Os
meios de comunicação social palestinianos divulgaram imagens de videovigilância,
em que o jovem de 16 anos sai de um beco e é alvejado pelas tropas, quando se
aproxima, sem arremessar nada. Porém, os militares israelitas afirmaram que o
incidente está em análise.
As
forças armadas israelitas intensificaram as operações militares na Cisjordânia
e na Faixa de Gaza, em resposta grandemente desproporcionada ao ataque de 7 de
outubro de 2023, liderado pelo Hamas, que desencadeou a guerra em Gaza. Ora, na
Cisjordânia, vivem cerca de três milhões de palestinianos e mais de meio milhão
de colonos.
***
Entretanto,
a 23 de dezembro, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, esquecido das
exigências do plano de paz liderado pelos EUA, anunciou a criação de colonatos
em Gaza, mas retirou, mais tarde, a declaração, alegando que foi proferida num
contexto de segurança. Aliás, voltou atrás, na sequência de críticas de que a ideia
contraria o plano de paz.
Israel Katz, falando num colonato israelita, na Cisjordânia, disse que, “com a ajuda de Deus”, Israel iria estabelecer grupos pioneiros no Norte de Gaza, “no lugar dos colonatos que foram evacuados”. “Fá-lo-emos da forma correta e no momento oportuno”, vincou.
Israel Katz, falando num colonato israelita, na Cisjordânia, disse que, “com a ajuda de Deus”, Israel iria estabelecer grupos pioneiros no Norte de Gaza, “no lugar dos colonatos que foram evacuados”. “Fá-lo-emos da forma correta e no momento oportuno”, vincou.
O
ministro da Defesa referia-se às unidades militares Nahal que permitiam, no
passado, aos jovens combinar atividades pioneiras com o serviço militar. Muitos
dos postos avançados estabelecidos evoluíram para colónias de pleno direito.
Porém, Israel evacuou os seus colonatos em Gaza e retirou todas as suas tropas
ao abrigo do plano de retirada de Israel, em 2005.
Alguns
responsáveis da coligação de extrema-direita de Benjamin Netanyahu tinham
apelado a Israel para que reconstruísse os colonatos em Gaza, na sequência do
ataque do Hamas, a 7 de outubro de 2023, ao Sul de Israel e da subsequente
guerra com o Hamas.
O
vídeo com a declaração ministerial espalhou-se nas redes sociais e foi
amplamente criticado. Todavia, horas depois, o gabinete do ministro da Defesa
divulgou um comunicado a esclarecer que o comentário surgiu num “contexto de
segurança”, reiterando que Israel “não tem intenção de estabelecer colonatos na
Faixa de Gaza”. A declaração de Israel Katz conflitua, realmente, com o plano
de cessar-fogo de 20 pontos do presidente dos EUA e com comentários anteriores
do primeiro-ministro israelita, que excluem a ocupação de Gaza.
Com
efeito, o plano de cessar-fogo mediado pelos EUA apela à retirada quase total
das forças israelitas e não menciona os colonatos israelitas no enclave. “Quanto
mais Israel provocar, menos os países árabes quererão trabalhar com eles”,
afirmou um alto funcionário dos EUA, que falou sob anonimato, condenando a
declaração de Israel Katz e assegurando que Washington espera que “todas as
partes cumpram os compromissos que assumiram”.
***
O
plano de paz atinente à Faixa de Gaza foi aprovado, a 17 de novembro, pelo
Conselho de Segurança da ONU, através de resolução elaborada pelos EUA que
apoia o plano de paz do presidente Donald Trump, o qual inclui a criação de uma
força internacional de estabilização (FIE), a autoridade de transição
supervisionada por Donald Trump e prevê um possível caminho para um Estado
palestiniano independente. Tal resolução foi aprovada com os votos favoráveis
de 13 dos 15 estados-membros que integram o Conselho de Segurança, apesar das
abstenções da Rússia e da China. Assim, ficou aprovado o plano de cessar-fogo
de 20 pontos apresentado por Donald Trump, no início de setembro, e que entrou
em vigor a 10 de outubro.
O plano propõe a criação de uma autoridade transitória designada por “Conselho da Paz”, um conselho liderado pelo próprio Donald Trump, encarregado de supervisionar a governação e a reconstrução em Gaza. O líder norte-americano disse que os membros do conselho seriam nomeados nas semanas subsequentes. A resolução do Conselho de Segurança prevê, igualmente, a entrada na Faixa de Gaza de uma FIE, que terá por missão supervisionar as fronteiras, manter a segurança e desmilitarizar o território, até ao final de 2027.
O plano propõe a criação de uma autoridade transitória designada por “Conselho da Paz”, um conselho liderado pelo próprio Donald Trump, encarregado de supervisionar a governação e a reconstrução em Gaza. O líder norte-americano disse que os membros do conselho seriam nomeados nas semanas subsequentes. A resolução do Conselho de Segurança prevê, igualmente, a entrada na Faixa de Gaza de uma FIE, que terá por missão supervisionar as fronteiras, manter a segurança e desmilitarizar o território, até ao final de 2027.
Trump
aplaudiu a votação, na rede social Truth Social: “Esta será uma das
maiores aprovações na história das Nações Unidas, conduzirá a uma maior paz, em
todo o Mundo, e é um momento de verdadeira proporção histórica!”
Em
contraponto, o Hamas opôs-se à resolução, alegando que não satisfaz “as
exigências e os direitos políticos e humanitários do povo palestiniano”. “Atribuir
à força internacional tarefas e papéis em Gaza, incluindo o desarmamento da
resistência, retira-lhe a neutralidade e transforma-a numa parte do conflito, a
favor da ocupação”, lê-se num comunicado do grupo.
O
embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, considerou a resolução “histórica e
construtiva”. “A resolução de hoje representa mais um passo significativo em
direção a uma Gaza estável, capaz de prosperar, e um ambiente que permita a
Israel viver em segurança”, vincou.
A
resolução estava a ser negociada, há duas semanas, quando as nações árabes e os
palestinianos pediram aos EUA o reforço da linguagem sobre a autodeterminação
palestiniana.
A
proposta não estabelece calendário, nem garante a criação de um Estado
independente, afirmando que este seria possível, após progressos na
reconstrução de Gaza e em reformas da Autoridade Palestiniana (AP), que governa
partes da Cisjordânia. Ao invés, antes da votação, o primeiro-ministro
israelita reiterou a oposição à solução de dois Estados.
***
Em
fins de novembro, era notícia que ataques israelitas, em vários pontos de Gaza,
faziam um total de 33 mortos, contando-se entre os mais mortíferos, desde o
cessar-fogo promovido pelos EUA e acordado no dia 10 do mês anterior. Segundo
as autoridades sanitárias locais, só na cidade de Khan Younis, no Sul de
Gaza, os ataques mataram cinco pessoas, na madrugada de 20 de novembro,
elevando para 33 o número de mortos em ataques aéreos, desde a noite anterior.
Ao todo, as autoridades locais registavam mais de 300 mortes, desde o início do cessar-fogo. E funcionários do Hospital Nasser, em Khan Younis, diziam ter recebido os corpos de 17 pessoas, incluindo cinco mulheres e cinco crianças, na sequência de quatro ataques aéreos israelitas contra tendas que abrigavam pessoas deslocadas. Segundo essas fontes, os corpos vieram de ambos os lados de uma linha estabelecida no cessar-fogo de outubro. A fronteira divide Gaza em duas, deixando a zona fronteiriça sob controlo militar israelita, enquanto a área além dela deve servir como zona segura. E, na cidade de Gaza, dois ataques aéreos contra um edifício mataram 16 pessoas, incluindo sete crianças e três mulheres.
Ao todo, as autoridades locais registavam mais de 300 mortes, desde o início do cessar-fogo. E funcionários do Hospital Nasser, em Khan Younis, diziam ter recebido os corpos de 17 pessoas, incluindo cinco mulheres e cinco crianças, na sequência de quatro ataques aéreos israelitas contra tendas que abrigavam pessoas deslocadas. Segundo essas fontes, os corpos vieram de ambos os lados de uma linha estabelecida no cessar-fogo de outubro. A fronteira divide Gaza em duas, deixando a zona fronteiriça sob controlo militar israelita, enquanto a área além dela deve servir como zona segura. E, na cidade de Gaza, dois ataques aéreos contra um edifício mataram 16 pessoas, incluindo sete crianças e três mulheres.
O
recrudescimento da situação ocorreu depois de Israel ter afirmado que os seus
soldados foram alvo de fogo em Khan Younis. Segundo Israel, nenhum soldado foi
morto. Porém, o Hamas condenou esta ofensiva, que qualifica como “massacre
chocante”, e negou ter disparado contra as tropas israelitas.
Os
ataques ocorreram, logo após o Conselho de Segurança da ONU ter dado
o seu apoio ao plano de garantia de segurança e de governação de Gaza do presidente
dos EUA.
Como
dissemos, o plano autoriza uma força internacional a garantir a segurança em
Gaza, aprova uma autoridade transitória e prevê um caminho futuro para um
Estado palestiniano independente. Contudo, ainda há dúvidas sobre como o plano
será implementado, especialmente, desde que o Hamas o rejeitou parcialmente, sustentando
que o mandato da força, que inclui o desarmamento do grupo, “tira-lhe
neutralidade e transforma-a numa das partes do conflito a favor da ocupação”.
Em
contraponto, Donald Trump reitera o aviso ao Hamas de que ou se desarma, rapidamente,
ou “encarará o inferno”.
***
Gaza
terá o inverno marcado pela desolação, com os residentes a viverem em tendas, devido
à destruição das casas, e a suportarem a intempérie, com frio e inundações causadas
pelas chuvas torrenciais e pela erosão do solo calcinado pelos bombardeamentos
e pela acumulação dos detritos das estruturas destruídas. E não há certeza de que
a paz regressará.
A situação ficará agravada com a suspensão, anunciada por Israel, da 30 de dezembro, do trabalho de mais de duas dúzias de organizações humanitárias, por não terem cumprido as novas regras de controlo das agências internacionais que trabalham em Gaza. Com efeito, o Ministério dos Assuntos da Diáspora afirmou que as organizações que serão proibidas a partir de 1 de janeiro – mais de 25 organizações, ou seja, 15% das organizações não governamentais (ONG) que trabalham em Gaza – não cumpriram os requisitos do novo regulamento, em matéria de partilha de informação atinente a pessoal, a financiamento e a operações.
A situação ficará agravada com a suspensão, anunciada por Israel, da 30 de dezembro, do trabalho de mais de duas dúzias de organizações humanitárias, por não terem cumprido as novas regras de controlo das agências internacionais que trabalham em Gaza. Com efeito, o Ministério dos Assuntos da Diáspora afirmou que as organizações que serão proibidas a partir de 1 de janeiro – mais de 25 organizações, ou seja, 15% das organizações não governamentais (ONG) que trabalham em Gaza – não cumpriram os requisitos do novo regulamento, em matéria de partilha de informação atinente a pessoal, a financiamento e a operações.
Entre
elas, conta-se a do Médicos Sem Fronteiras (MSF), uma das maiores organizações
de saúde a operar em Gaza, de não ter esclarecido as funções de alguns
funcionários que Israel acusa de cooperação com o Hamas e com outros grupos
militantes, bem como outras ONG importantes, cujas autorizações não foram
renovadas, tais como o Conselho Norueguês para os Refugiados, a CARE
International, o Comité Internacional de Resgate e divisões de grandes
instituições de caridade, como a Oxfam e a Cáritas.
Estas
ONG ajudavam em vários serviços sociais, como distribuição de alimentos, cuidados
de saúde, serviços a deficientes, educação e saúde mental. Israel e as ONG discordam
sobre a quantidade de ajuda que entra em Gaza. Israel diz cumprir os
compromissos estabelecidos no último cessar-fogo, mas as agências humanitárias,
contestando os números de Israel, afirmam que é necessária mais ajuda no
devastado território palestiniano de mais de dois milhões de pessoas.
Entretanto, o povo, sem eira nem beira sofre! Triste Natal na Terra de Cristo!
2025.12.30 – Louro de Carvalho
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