Após
reunião de alto nível com Donald Trump, a 28 de dezembro, em Mar-a-Lago, na Florida,
o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, afirmou que, as garantias de
segurança dos EUA para a Ucrânia foram “100% acordadas”. Face a tal notícia, os
aliados europeus saudaram os “bons progressos” ou as “grandes conquistas”, no
dizer do líder ucraniano, enquanto o presidente dos Estados Unidos da América (EUA)
insiste que a guerra da Rússia tem de acabar.
Efetivamente, Volodymyr Zelenskyy declarou aos jornalistas, na Florida, que o plano de paz de 20 pontos foi acordado, a 90%, que as garantias de segurança dos EUA para o país, ponto-chave antes da conclusão de um acordo de paz, foram “100% acordadas”, bem como a dimensão militar, e que está “quase finalizado” um plano económico para revitalizar a economia ucraniana.
Efetivamente, Volodymyr Zelenskyy declarou aos jornalistas, na Florida, que o plano de paz de 20 pontos foi acordado, a 90%, que as garantias de segurança dos EUA para o país, ponto-chave antes da conclusão de um acordo de paz, foram “100% acordadas”, bem como a dimensão militar, e que está “quase finalizado” um plano económico para revitalizar a economia ucraniana.
O
inquilino da Casa Branca disse que as conversações com Zelenskyy e com a
delegação ucraniana continuariam no dia 29 e que, embora tenha saudado a
reunião como produtiva, reconheceu que a questão mais sensível – a possível
partilha de territórios – continua por resolver.
“Algumas
dessas terras talvez estejam a ser disputadas. […] Vão ter de resolver essa
questão. Mas penso que estão a avançar na direção certa”, adiantou Donald Trump.
Quando
recebeu Volodymyr Zelenskyy, antes da reunião, o líder de topo da administração
norte-americana, considerou que a paz está cada vez mais próxima, pois estava
tudo a correr bem, e que tinha falado, ao telefone, com o seu homólogo russo,
tendo sido a conversa bastante construtiva.
Questionado,
especificamente, sobre o Donbass, no Leste da Ucrânia – área constituída por
Donetsk e por Luhansk, que a Ucrânia se opõe a ceder, porque isso recompensaria
a Rússia, que ocupou partes da região – o líder norte-americano sublinhou: “É
uma questão muito difícil.” E, sem indicar um prazo ou um calendário, disse que
se verá, “dentro de algumas semanas”, se o plano de paz funciona.
Donald
Trump afirmou que a Europa será responsável por significativa parte da futura
estrutura de segurança da Ucrânia, mas, sem dar mais pormenores, prometeu que
os EUA “irão ajudar”. E a Ucrânia tem argumentado, repetidamente, que as
garantias de segurança dos EUA devem fazer parte do acordo final.
Durante
a sua reunião dos dia 28, dois presidentes mantiveram uma conversa telefónica
com os líderes europeus, que durou mais de uma hora. A líder do executivo da União
Europeia (UE), Ursula von der Leyen, afirmou que a reunião registou “bons
progressos” e que a Europa continuará “a trabalhar com a Ucrânia e com os
nossos parceiros norte-americanos, para consolidar estes progressos”. Depois, sublinhou
que “fundamental para este esforço é dispor de garantias de segurança sólidas,
desde o primeiro dia”, a fim de pôr termo a um padrão de agressão da Rússia que
dura há uma década.
Os
líderes da Finlândia, da França, da Polónia, do Reino Unido, da Alemanha, da Itália
e da Noruega, bem como o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico
Norte (NATO), Mark Rutte, juntaram-se à causa, no dia 28, de modo que se prevê
uma nova ronda de negociações conjuntas entre a Ucrânia, os líderes europeus e
os EUA, em Washington, em janeiro de 2026.
Depois
de terem sido marginalizados pelos EUA nas conversações diretas com Moscovo, os
europeus têm tentado voltar a sentar-se à mesa das negociações.
Em
resposta a perguntas dos jornalistas, o presidente ucraniano disse esperar que
todos os documentos sejam finalizados e aprovados no próximo mês, mas, antes da
reunião, afirmou que “muitas coisas” poderiam ser decididas antes do Ano Novo.
Uma
hora antes de se encontrar com Volodymyr Zelenskyy, em Mar-a-Lago, na Florida, Donald
Trump também falou com o presidente russo, Vladimir Putin.
Após
a chamada, o presidente dos EUA disse que, apesar de a conversar ter sido muito
construtiva, o Kremlin não mudou de posição, exigindo o controlo total das
regiões orientais da Ucrânia, que não controla militarmente, após quase quatro
anos de guerra, bem como persiste na oposição a um cessar-fogo. “Ele (Vladimir Putin)
sente que estão a lutar e, para parar, se tiverem de começar de novo, o que é
uma possibilidade – ele não quer estar nessa posição”, disse Donald Trump, após
a chamada telefónica.
As
autoridades ucranianas afirmaram-se prontas para um cessar-fogo, como sinal de
boa fé.
Questionado
sobre a central nuclear de Zaporíjia, ocupada pela Rússia, desde a fase inicial
da invasão, Donald Trump disse que Vladimir Putin está “a trabalhar com a
Ucrânia para a abrir”, partindo do princípio que o líder do Kremlin “também a
quer ver aberta”.
A
Zaporizhzhia Nuclear Power Station (ZNPP), a maior central nuclear da
Europa, foi fortemente militarizada pelas forças russas, o que suscitou preocupações
sobre os riscos de um acidente.
Questionado
sobre os objetivos do presidente russo, o presidente norte-americano disse
estar convencido de que Vladimir Putin quer acabar com a guerra total e até
quer que “a Ucrânia tenha sucesso” como país.
A
Rússia tem uma posição de liderança na luta contra o terrorismo, contrastante
com as ações de Moscovo durante o fim de semana de 27 e 28 de dezembro, em que
bombardeou a Ucrânia com uma barragem de drones e de mísseis, visando,
especificamente, a capital, Kiev. Estes ataques russos a infraestruturas civis
e energéticas provocaram apagões generalizados, deixando milhares de ucranianos
sem eletricidade e aquecimento e afetando a economia do país.
***
Embora
as garantias de segurança dos EUA para a Ucrânia tenham sido “100% acordadas”,
têm prazo de validade curto, explicou o presidente ucraniano, depois de revelar
mais pormenores após a sua reunião com Donald Trump, a 28 de dezembro. Efetivamente,
essas garantias estão previstas para 15 anos, com possibilidade de prorrogação.
Durante a conferência de imprensa conjunta, após as conversações em Mar-a-Lago, na Florida, o presidente ucraniano afirmou que as garantias de segurança dos EUA para a Ucrânia foram “100% acordadas”. “Temos grandes conquistas, o plano de paz de 20 pontos [antes, era de 28 pontos] foi acordado em 90% e as garantias de segurança entre os EUA e a Ucrânia foram acordadas a 100%", disse Volodymyr Zelenskyy aos jornalistas, vincando que “a dimensão militar está 100% acordada”.
Durante a conferência de imprensa conjunta, após as conversações em Mar-a-Lago, na Florida, o presidente ucraniano afirmou que as garantias de segurança dos EUA para a Ucrânia foram “100% acordadas”. “Temos grandes conquistas, o plano de paz de 20 pontos [antes, era de 28 pontos] foi acordado em 90% e as garantias de segurança entre os EUA e a Ucrânia foram acordadas a 100%", disse Volodymyr Zelenskyy aos jornalistas, vincando que “a dimensão militar está 100% acordada”.
Mais
tarde, o presidente ucraniano explicou a um grupo de jornalistas que as
garantias são “fortes”, de facto, embora, para já, “não sejam permanentes”. Por
isso, referiu a Donald Trump que “a guerra é de há quase 15 anos e que
gostaríamos que as garantias fossem mais longas”, ou seja, que gostaria de “considerar
garantias de 30, 40 ou até 50 anos, e isso seria uma decisão histórica do
presidente Donald Trump, o qual respondeu que “iria pensar no assunto”. “Sem
garantias de segurança, realisticamente, esta guerra não vai acabar”, frisou
Volodymyr Zelenskyy.
Ambos
os presidentes – o norte-americano e o ucraniano – vincaram que não há prazo
para os próximos passos do plano, com Donald Trump a indicar que espera ver
mais progressos, nas próximas semanas.
Do
seu lado, o líder ucraniano explicou que as delegações desenvolveram um “plano
sequencial, uma ordem de ações, passo a passo, a nossa estratégia, quando e o
que queremos finalizar e acordar com os nossos parceiros”. E adiantou que a próxima
reunião, a nível de conselheiros, entre os representantes dos EUA, da Ucrânia e
da Europa, terá lugar “nos próximos dias”, tendo já Kiev contactado todos os
conselheiros envolvidos no processo. “Faremos tudo para garantir que esta
reunião se realize, finalmente, na Ucrânia”, declarou o presidente ucraniano.
De
acordo com a sua explicação, em seguida, os documentos serão preparados, a
nível dos conselheiros, e “haverá uma reunião, a nível dos líderes europeus,
primeiro, com a Ucrânia, numa composição tão alargada, que é a Coligação da Boa
Vontade”.
Volodymyr
Zelenskyy disse que a discussão sobre essa reunião começou, “imediatamente,
após a reunião com o presidente Donald Trump”.
O
presidente francês, Emmanuel Macron, no dia 29, disse que os aliados de Kiev
vão reunir, em Paris, no início de janeiro, para finalizarem “as contribuições
concretas de cada país” para as garantias de segurança que estão em cima da
mesa.
Após
esta reunião, espera-se que os documentos sejam acordados, “a nível de todos os
líderes”, disse Volodymyr Zelenskyy, devendo ser agendada, só depois, a reunião
com Donald Trump e com os líderes europeus. “Estamos todos determinados a
garantir que estas reuniões, de que vos falei, se realizem em janeiro”, acrescentou.
O
líder ucraniano também explicou aos jornalistas, no chat presidencial do
WhatsApp, que, depois de uma reunião com Donald Trump e com os europeus,
“se tudo correr passo a passo, haverá uma reunião num formato ou noutro com os
russos”. “Sublinhamos isto, mais uma vez. Estamos prontos para os formatos
apropriados, que já discutimos”, garantiu.
Em
contraponto, após a reunião entre Zelenskyy e Trump, o porta-voz do
Kremlin, Dmitry Peskov, na manhã do dia 29, disse que as exigências de Moscovo
não mudaram. Por conseguinte, Kiev “deve retirar, completamente”, as suas
tropas dos territórios das regiões orientais da Ucrânia de Donetsk e Luhansk –
vulgarmente conhecidas como Donbass – incluindo as áreas que as forças de
Moscovo nunca controlaram. Para assinalar a relutância do Kremlin em fazer
compromissos ou em aceitar quaisquer concessões para pôr fim à guerra contra a
Ucrânia, afirmou que “os combates só terminarão”, se a Ucrânia se retirar do Donbass.
Além disso, a Rússia não aceita que tropas europeias se instalem na Ucrânia.
A
essa posição do Kremlin, Volodymyr Zelenskyy reagiu, considerando que essas
exigências de Moscovo não são novas. “Nos seus sonhos, querem que desapareçamos
completamente do nosso próprio país. Estes sonhos existem, há muitos anos”,
observou, para assegurar: “Mas nós temos a nossa própria terra, a nossa própria
integridade territorial, o nosso próprio Estado e os nossos próprios
interesses. Agiremos de acordo com os interesses da Ucrânia.”
O
presidente ucraniano explicou ainda que os 20 pontos de Kiev “devem ser
assinados por quatro partes: a Ucrânia, a Europa, os Estados Unidos da América e
a Rússia”.
Volodymyr
Zelenskyy, dias antes da reunião com Donald Trump, revelou um projeto de
revisão do plano de paz para acabar com a guerra total da Rússia, que se
aproxima dos quatro anos, tendo o projeto inicial de 28 pontos, que empurrava a
Ucrânia para a capitulação, sido reformulado para um quadro de 20 pontos.
***
Entretanto,
a 29 de dezembro, David J. Kramer, diretor executivo do Instituto George W.
Bush, um dos mais reconhecidos especialistas em Rússia e Ucrânia e autor de “Back
to Containment: Dealing with Putin’s Regime”, em entrevista à Euronews
(serviço grego), falou do curso da guerra na Ucrânia, dos limites da estratégia
ocidental e dos fatores determinantes do seu desfecho.
Para Kramer, a conclusão básica é clara: Vladimir Putin não está interessado em acabar com a guerra, a não ser que isso leve à completa subjugação da Ucrânia à Rússia, à remoção do seu governo democraticamente eleito, ao reconhecimento internacional da ocupação russa dos territórios ucranianos e ao enfraquecimento da sua capacidade de se defender ou de determinar a sua orientação externa.
Para Kramer, a conclusão básica é clara: Vladimir Putin não está interessado em acabar com a guerra, a não ser que isso leve à completa subjugação da Ucrânia à Rússia, à remoção do seu governo democraticamente eleito, ao reconhecimento internacional da ocupação russa dos territórios ucranianos e ao enfraquecimento da sua capacidade de se defender ou de determinar a sua orientação externa.
Por
seu turno, como observou, os ucranianos continuarão a lutar, não por opção, mas
por necessidade, pois “a sua terra, a sua liberdade e as suas vidas estão em
jogo”. Por conseguinte, na visão do entrevistado, é pouco provável que os
esforços da administração Donald Trump para pôr fim à guerra sejam compensados, enquanto
Vladimir Putin continuar a ser o problema central, exceto se o Ocidente aumentar,
substancialmente, a pressão sobre Moscovo.
Porém,
em minha opinião, o Ocidente terá dificuldade em aumentar, significativamente,
essa pressão, porque os EUA entendem que a Europa deve responsabilizar-se pela
sua própria defesa e porque a Europa está desindustrializada, do que resulta a
sua quase insignificância, que se estende à defesa. Por outro lado, o dito Ocidente,
embora não o confesse, tem conhecimento de que a Rússia, apesar da guerra e das
sanções que lhe foram impostas, não tem a sua economia depauperada, de que está
a recuperar e a modernizar todo o equipamento bélico herdado da antiga União
Soviética, de que produz, por ano, milhares de carros de combate e uma infinidade
de drones, que possui largas dezenas de navios quebra-gelos (o que lhe permite o
predomínio no Ártico), de que possui grande arsenal em misseis balísticos e em armamento
nuclear.
No
atinente ao apoio internacional à Ucrânia, David J. Kramer defende que os EUA e
os aliados europeus devem aumentar a assistência militar e económica. Ao mesmo
tempo, apela a sanções mais duras contra a Rússia e contra os seus
colaboradores, assim como à apreensão de cerca de 300 mil milhões de
dólares em ativos russos congelados.
Atribui
especial importância à continuação da partilha de informações com os EUA e ao
reforço dos sistemas de defesa antiaérea da Ucrânia.
O
diretor executivo do Instituto George W. Bush sustenta que as sanções
exerceram pressão real sobre a economia russa (o que é discutível, pois tal suposta
pressão teve compensações por outras vias), mas não alteraram o comportamento
do Kremlin. Como observou, a queda do preço do petróleo russo para níveis
próximos dos 40 dólares por barril teve o seu preço em Moscovo, mas é
necessária uma aplicação mais rigorosa das medidas existentes.
Entre
outras coisas, Kramer apela a controlo mais intensivo da frota fantasma e
à aplicação de tarifas ou de sanções aos principais importadores de energia
russa, como a China e a Índia.
Por
sua vez, o Parlamento Europeu (PE) defende que os fundos russos congelados
devem ser confiscados, de forma permanente, para poderem ser utilizados na
reparação dos danos sofridos pela Ucrânia. Porém, David J. Kramer argumenta
que o Ocidente tem sido lento a adotar uma estratégia coerente para conter
a Rússia, e recorda que acontecimentos, como o ciberataque de 2007 à Estónia e
a invasão da Geórgia, em 2008, foram sinais de alerta, mas não conduziram a uma
mudança substancial de política. Na sua opinião, a primeira invasão russa da
Ucrânia, em 2014, deveria ter provocado reação muito mais dura. E, hoje,
como adverte, a Rússia continua a testar os limites do Ocidente, através
de ataques híbridos, de sabotagem, de violações do espaço aéreo da NATO e de
outras ações provocatórias.
“O
primeiro passo”, conclui o paladino dos direitos humanos, da democracia e da
segurança europeia, “é reconhecer a Rússia de Putin como a séria ameaça
que realmente é”.
***
Dificilmente
a paz estará à vista. O Kremlin continua a guerra no terreno e diz ter notificado,
previamente, Donald Trump, dos recentes ataques, o que o deixara chocado. A
única solução para o fim da guerra, nas atuais circunstâncias, passa pela capitulação
da Ucrânia, o que será o fim da linha.
2025.12.29 – Louro de Carvalho
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