sábado, 27 de dezembro de 2025

Acontecimentos que marcaram o ano de 2025

 

O facto mais notório que marcou o ano de 2025 terá sido o retorno do republicano Donald Trump à Casa Branca, em janeiro, para segundo mandato presidencial, com a inauguração de nova política norte-americana interna e externa, caraterizada pela ofensiva protecionista, por deportações em massa de imigrantes e pelo desmantelamento de setores do governo federal.
O presidente dos Estados Unidos da América (EUA) mobilizou a Guarda Nacional em cidades democratas, fechou agências de apoio humanitário e cerceou programas de diversidade e de inclusão, tentando controlar universidades e centros de investigação.
Para entrar em vigor em abril, o presidente dos EUA impôs tarifas recíprocas a importações de diversos países, afetando indústrias consideradas estratégicas, como as do alumínio, do aço e do cobre, o que levantou uma disputa comercial que abalou a economia mundial. Face a tal medida, vários países consideravam ou implementavam medidas retaliatórias. Porém, a União Europeia (UE), a China e outros países obtiveram acordos (ambíguos) que esbateram o tarifário.
Ao mesmo tempo, Donald Trump enunciou o propósito de domínio do Canadá, do Canal do Panamá e, sobretudo, da Gronelândia (neste caso, incluindo o uso da força armada).
E, em novembro, os EUA gizaram a nova Estratégia de Segurança Nacional (ESN), que delineia a forma como Donald Trump pretende que os EUA mantenham e reforcem a sua presença militar no Hemisfério Ocidental, para combater a imigração, o narcotráfico e a ascensão de potências adversárias na região, pondo em segundo plano a Europa e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO).
Num cenário de crise económica e de tensões geopolíticas, os alemães foram às urnas em fevereiro e deram vitória à União Democrata Cristã (CDU) combinada com o seu parceiro bávaro, a União Social Cristã (CSU). Daí resultou que o líder dos conservadores, Friedrich Merz, passou a chanceler federal e se verificou a ascensão recorde da Alternativa para a Alemanha (AfD), partido de ultradireita que conquistou a segunda maior bancada, com 20,8% dos votos, numa eleição dominada por questões, como a imigração, a crise económica e acusações de interferência externa. E Merz chegou ao cargo sob intensa críticas, depois de apoiar o fim do “cordão sanitário” e de acatar votos da ultradireita numa moção anti-imigração.
Em março, o Brasil conquistou o seu primeiro Oscar, com a vitória do longa metragem “Ainda Estou Aqui” na categoria de Melhor Filme Internacional após uma longa campanha que destronou o favorito Emilia Pérez.
No contexto do Jubileu da Esperança (2025 é ano jubilar ordinário), o Mundo ficou surpreendido com o agravamento das condições de saúde do Papa Francisco, que acabou por ditar a sua morte, a 21 de abril (segunda-feira de Páscoa). Por conseguinte, o conclave elegeu, a 8 de maio, o novo papa, o cardeal  Robert Francis Prevost, de 69 anos, que se tornou o primeiro papa norte-americano, o 267.º líder da Igreja Católica, e que assumiu o nome de Leão XIV.  
Com ajuda dos EUA, Israel lançou incursões contra instalações iranianas numa guerra de 12 dias, em junho. O conflito teve início depois de Israel haver atacado bases nucleares iranianas, alegando que o crescente programa nuclear da República Islâmica ameaça a sua existência. O Irão retaliou, com mísseis, atingindo áreas residenciais de cidades, como Telavive e Teerão e deixando quase mil mortos. Porém, a 22 de junho, os EUA entraram, ativamente, no conflito, com o envio de bombardeiros que atingiram três instalações nucleares iranianas, após o que foi anunciado um acordo de cessar-fogo.
Em agosto, Washington inaugurou significativa presença militar ao largo da costa latino-americana, que ainda perdura. Oficialmente criada para combater o tráfico de drogas com destino aos EUA, a operação acumula mais de 20 ataques, no Caribe e no Pacífico, contra embarcações suspeitas de narcotráfico, deixando dezenas de mortos. Daí resultou o agravamento das tensões regionais, especialmente, com a Venezuela, que vê os ataques como pretexto para derrubar o presidente Nicolás Maduro e tomar as reservas de petróleo do país.
Donald Trump, que acusa Maduro de liderar um cartel e oferece uma recompensa de 50 milhões de dólares pela sua captura, diz que a mobilização naval no Mar do Caribe é a “maior armada já reunida na História da América do Sul” e que a Venezuela está “cercada”.
Entretanto, a líder da oposição venezuelana foi galardoada com o Prémio Nobel da Paz.
Em setembro, o Supremo Tribunal Federal do Brasil (STF) condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão, por golpe de Estado, por organização criminosa armada, por abolição violenta do Estado Democrático de Direito, por dano qualificado por violência e por grave ameaça e deterioração de património tombado – uma decisão inédita na História do judiciário brasileiro, que também condenou mais oito arguidos, incluindo militares.
E Alexandre Moraes, ministro do STF viu risco de fuga de Bolsonaro, no facto de o ex-presidente ter tentado violar a pulseira eletrónica com ferro de solda, pelo que, três dias depois, decretou o início oficial do cumprimento da pena de 27 anos e três meses de prisão.
A pressão dos EUA, cujo presidente anunciara a hipótese de construir uma Riviera na Faixa Gaza, levou ao cessar-fogo entre Israel e o Hamas, em outubro, dois anos após o início de uma guerra devastadora, que deixou quase 70 mil mortos. A trégua permitiu o retorno a Israel dos últimos 20 reféns sobreviventes e da maioria dos corpos dos mortos, em troca da libertação de centenas de prisioneiros palestinianos e possibilitou o aumento do fluxo de ajuda humanitária para o território palestiniano, embora aquém das necessidades da população, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU) e várias organizações não governamentais (ONG) humanitárias. Contudo, negociar os próximos passos do plano de paz – sobretudo, o desarmamento do Hamas – tem sido complicado. Israel realizou vários ataques aéreos mortais, na Faixa de Gaza após a trégua, alegando serem retaliações a ofensivas do Hamas. E persistem as tensões regionais, com contínuos ataques israelitas a redutos do Hezbollah, no Líbano.
As autoridades do Rio de Janeiro lançaram, em outubro, uma megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A “Contenção” deixou 121 mortos, superando, por larga medida, recordes de letalidade anteriores, na capital fluminense, nas últimas décadas. Foi resultado de mais de um ano de investigação, que terá identificado 94 integrantes do Comando Vermelho escondidos nas comunidades, onde vivem cerca de 280 mil pessoas. A operação causou transtornos na capital e na região metropolitana e recebeu duras críticas de organizações internacionais, como o Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU, que se disse “horrorizado” com o número de mortos.
Em 19 de outubro, assaltantes envergando coletes de trabalhadores usaram uma escada de móveis para entrarem no Museu do Louvre, em Paris. Fugiram em scooters com joias da Coroa avaliadas em 88 milhões de euros, embora tenham deixado cair uma coroa cravejada de diamantes. O assalto ganhou manchetes, em todo o Mundo, e concitou debate sobre a segurança do museu mais visitado do planeta. Três suspeitos de participação no ataque foram acusados e presos, mas os tesouros roubados não foram recuperados.
O regresso de Donald Trump à Casa Branca intensificou os esforços para encerrar a guerra na Ucrânia, iniciada pela invasão russa, em 2022. As simpatias do líder dos EUA oscilaram entre o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, e o presidente russo Vladimir Putin, temendo Kiev ser forçada a aceitar um acordo nos termos exigidos pelo Kremlin.
Em fevereiro, o inquilino da Casa Branca repreendeu Zelenskyy, na Sala Oval, acusando-o de arriscar a III Guerra Mundial e de desrespeitar o povo norte-americano. Como as conversas diretas entre Rússia e Ucrânia não avançaram, Trump recebeu Putin, em agosto, para a reunião no Alasca. Depois, o líder norte-americano impôs à Rússia o seu primeiro grande pacote de sanções e deu um prazo, até o final do ano, para Kiev acatar o seu plano de paz de 28 pontos.
Em dezembro, a Ucrânia e os EUA ainda negociam o acordo, cuja versão inicial foi considerada por Kiev e pelos aliados europeus favorável a Moscovo. Enquanto isso, as forças russas avançam, lentamente, a um custo humano e financeiro massivo, para ambos os lados, bombardeando cidades ucranianas com números recordes de mísseis e de drones. Kiev exige garantias de segurança para encerrar a guerra, aceita abrir mão do ingresso na NATO, mas rejeita ceder territórios à Rússia. E Washington sugere que parte da região de Donetsk ocupada pelos russos permaneça com Moscovo e que o resto se transforme numa zona económica livre.
Movimentos em massa liderados por jovens abaixo dos 30 anos surgiram pela Ásia, pela África e para América Latina, em luta contra padrões de vida precários, contra a censura nas redes sociais e contra a corrupção das elites. Tiveram sucesso variado. Por exemplo, em Marrocos, o governo prometeu reformas sociais, mas mais de dois mil manifestantes enfrentam processos. Noutros países, os protestos transformaram-se em desafio mais amplo ao poder, após serem violentamente reprimidos. E vários titulares de cargos políticos, a nível do topo estatal, foram coagidos a abandonarem os respetivos cargos.  
É de registar a revolta do clima (inundações, ciclones, tsunamis e ondas de calor excessivo), bem como uma cimeira ambiental da ONU sem menção aos combustíveis fósseis. Por exemplo, um tornado destruiu, em dezembro, 90% de uma cidade do Paraná, deixando seis mortos. Em novembro, ciclones deixaram um rasto de destruição, no Sri Lanka, e fortes chuvas atingiram a Indonésia, a Tailândia e a Malásia. Em outubro, o furacão Melissa causou dezenas de mortes, no Haiti, e destruiu infraestruturas críticas, em Cuba. Em julho, um terramoto de magnitude 8,8 atingiu o extremo Leste da Rússia provocando tsunamis e gerando ordens de evacuação no estado norte-americano do Havai, no Japão e em países latino-americanos que têm costa no Pacífico. Foi o maior tremor registado desde o que atingiu o Japão em 2011.
No mesmo mês, chuvas torrenciais provocaram enchentes repentinas no estado norte-americano do Texas, com mais de 100 mortos, entre os quais 28 crianças que participavam em acampamentos de verão; e uma onda de calor recorde e precoce atingiu a Europa, do Sul ao Norte do continente, levando a incêndios, a mortes e a temperaturas extremas, em diversos países. No Japão, o verão tornou-se o mais intenso já registado, desde o início da série histórica, de 1898.
A própria Faixa de Casa, destruída pela guerra, vê agora os seus habitantes (regressados) aflitos com as inundações e sem a hipótese de consecução de abrigo contra a intempérie.
As catástrofes climáticas foram discutidas na 30.ª Conferência do Clima da ONU (COP 30), em Belém do Pará. Após um evento marcado pelos desafios de acomodação, pelos protestos de povos indígenas e um incêndio que assolou o pavilhão da África, a cimeira produziu o polémico texto final que não inclui a proposta brasileira da rota de abandono dos combustíveis fósseis.
Entre vídeos que circulam nas redes sociais, tendência que marcou 2025 e deve seguir em 2026, é a inteligência artificial (IA). Gigantes tecnológicos e startups especializadas gastaram quantias cada vez mais avultadas para financiar o crescimento desenfreado da IA. No entanto, as astronómicas avaliações de mercado do setor levantam temores de possível bolha especulativa. E as preocupações levantadas pela IA foram alimentadas por novos exemplos de desinformação, de acusações de violação de direitos autorais ou de demissões em massa.

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Em Portugal, 2025 foi marcado pelas eleições legislativas, a 18 de maio, em resultado da dissolução do Parlamento, mercê da apresentação do pedido de demissão do primeiro-ministro, em resultado da intenção do Partido Socialista (PS) apresentar, potestativamente, uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) ao caso Spinumviva, que afetava o chefe do governo. Os partidos que apoiam o governo saíram com posição reforçada, o partido Chega passou a 2.ª força política parlamentar, tendo acabado o bloco central do arco governativo e passado o PS para terceiro lugar. E a direita, em bloco, conseguiu a maioria de dois terços, para rever a Constituição e produzir leis de valor reforçado.
A 12 de outubro, realizaram-se as eleições para os órgãos das autarquias locais (municípios e freguesias), em que saiu vencedor o Partido Social Democrata (PSD), sozinho ou em coligações, tendo ficado o PS em segundo lugar e tendo o Chega garantido a liderança de algumas autarquias. Por conseguinte, o PS perdeu, para o PSD, as presidências da Associação Nacional dos Municípios Portugueses (ANMP) e da Associação Nacional das Freguesias (ANAFRE).
Outro facto que abalou o país foi o apagão de 28 de abril, desde 11h33, que se prologou por mais de 12 horas, afetando Portugal continental, a Espanha peninsular, Andorra e o Sudoeste de França. O colapso ibérico (“apagão” é a palavra do ano, para a Porto Editora), em que a economia afundou, foi um evento sem precedentes na História do sistema elétrico, que expôs um conjunto alargado de vulnerabilidades, desde a insuficiente resposta inicial dos sistemas de black start (arranque autónomo) das centrais de Castelo do Bode e da Tapada do Outeiro, até à limitada capacidade das infraestruturas de telecomunicações para manter o país ligado em prolongada falha da energia elétrica.
É de registar o impacto da greve geral de 11 de dezembro, em que se juntaram as duas centrais sindicais e outros sindicatos não federados (o que não acontecia, há 12 anos), para contestar o anteprojeto, sem sentido e sem necessidade, de alteração de mais de uma centena de artigos da legislação laboral, afetando, gravemente, os direitos dos trabalhadores.
Portugal teve duas notações internacionais: a revista britânica “The Economist”, que elaborou o ranking dos dados económicos dos 36 países mais ricos do Mundo, considera Portugal “a economia do ano de 2025”; e a UE considera que Portugal é país onde as casas são mais sobrevalorizadas, ou seja, onde os preços da habitação sobem mais.
A 3 de setembro, o acidente do elevador da Glória, em Lisboa, causou 16 motos e 22 feridos.
É de assinalar o início do julgamento do ex-primeiro-ministro português José Sócrates, após detenção na manga do aeroporto de Lisboa, a 22 de novembro de 2014 (há 11 anos).
Decorreram os debates televisivos entre oito candidatos às eleições presidenciais de 18 de janeiro de 2026, que se preveem renhidas, talvez mais do que em 1986. Porém, como o Tribunal Constitucional aceitou 11 candidatos, todos integrarão um alargado debate televisivo.
É ainda de referir que: o Lone Star vende o Novo Banco ao grupo francês BPCE; a Semapa acorda a venda da Secil à Cementos Molins; o governo vai reprivatizar a TAP; a Tekever conquista o estatuto de unicórnio; os bancos somam lucros recorde e o BCP Millennium ascende ao segundo lugar entre as cotadas do PSI; a Autoeuropa conquista a produção do modelo ID. Every1; a Impresa acorda entrada da MFE no seu capital; e Álvaro Santos Pereira sucede a Mário Centeno como governador do Banco de Portugal.

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É um panorama não exaustivo do Mundo, mas que evidencia a sua forte ebulição

2025.12.27 – Louro de Carvalho

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