Trata-se
de competição entre adolescentes chamada “desafio do paracetamol” na qual
é incentivada a toma intencional de doses elevadas de paracetamol, que pode
levar à falência do fígado, requerendo cuidados intensivos e até transplante
hepático. A este respeito, a Ordem dos Médicos (OM) advertiu, a 18 de
fevereiro, que a ingestão deliberada de doses elevadas de paracetamol,
promovida em redes sociais, constitui risco sério e potencialmente fatal, isto
é, traz complicações sérias de que pode resultar a morte.
Em comunicado, o Colégio de Farmacologia Clínica e o Colégio de Pediatria da OM avisam que, embora o paracetamol seja seguro em doses terapêuticas, a sobredosagem pode levar à falência do fígado, à necessidade de cuidados intensivos e, em casos extremos, a transplante hepático. E um dos maiores problemas é a ausência de sintomas imediatos. “Nas primeiras horas e até no primeiro dia, pode não haver sintomas relevantes. Essa aparente normalidade é enganadora e leva a atrasos perigosos no tratamento”, alerta a OM, a qual, face à gravidade do desafio, apela, diretamente, às plataformas digitais, às escolas e às autoridades para que identifiquem e removam estes conteúdos, assim como solicita aos pais que reforcem a literacia sobre a segurança dos medicamentos, junto dos mais jovens.
Em comunicado, o Colégio de Farmacologia Clínica e o Colégio de Pediatria da OM avisam que, embora o paracetamol seja seguro em doses terapêuticas, a sobredosagem pode levar à falência do fígado, à necessidade de cuidados intensivos e, em casos extremos, a transplante hepático. E um dos maiores problemas é a ausência de sintomas imediatos. “Nas primeiras horas e até no primeiro dia, pode não haver sintomas relevantes. Essa aparente normalidade é enganadora e leva a atrasos perigosos no tratamento”, alerta a OM, a qual, face à gravidade do desafio, apela, diretamente, às plataformas digitais, às escolas e às autoridades para que identifiquem e removam estes conteúdos, assim como solicita aos pais que reforcem a literacia sobre a segurança dos medicamentos, junto dos mais jovens.
Em
caso de suspeitas de ingestão excessiva, a recomendação dos médicos é não
esperar pelo aparecimento de sintomas e contactar, imediatamente, o Centro
de Informação Antivenenos (CIAV) (800250250) ou o 112. E a OM refere que a
Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde (DE-SNS) e as Unidades Locais de
Saúde (ULS) já foram alertadas para a necessidade de prontidão na resposta a
estes quadros clínicos.
Também,
no mesmo dia, a Ordem dos Farmacêuticos (OF), considerando que o “desafio do
paracetamol”, nas redes sociais, constitui “risco sério para a saúde”, alertou
que a sobredosagem do fármaco pode provocar lesões hepáticas graves e
irreversíveis. “A circulação, nas redes sociais, de conteúdos que incentivam à
ingestão excessiva de paracetamol constitui um sério risco para a saúde”,
salientou a OF, adiantando que em causa está o ‘desafio do paracetamol’, competição
entre jovens que incentiva a toma deliberada de doses elevadas do fármaco.
Segundo
a OF, o fenómeno é observado em diversos países europeus, como a Alemanha, a
Bélgica, a Espanha, a França e a Suíça, sendo de realçar que a toxicidade do
paracetamol pode manifestar-se mesmo antes do aparecimento de sintomas
clínicos, pelo que se “torna imperativa uma abordagem preventiva e informada
junto desta população [adolescente]”.
O paracetamol
é um dos medicamentos mais utilizados no tratamento de sintomas da dor e
da febre, devido à sua ação analgésica e antipirética e, se administrado de
acordo com as recomendações, apresenta um perfil de segurança favorável. Porém,
como advertiu a OF, aquando da ingestão de doses superiores às recomendadas, há
riscos, sendo o maior risco associado ao seu abuso (ou sobredosagem) provocar
lesões hepáticas graves e irreversíveis, podendo evoluir para insuficiência
hepática aguda, para necessidade de transplante hepático e, em casos extremos, para
a morte. E, em casos menos frequentes, podem ocorrer lesões renais,
sobretudo, quando a utilização é prolongada e/ou a ingestão é excessiva.
Segundo
a OF, a sobredosagem pode ocorrer por ingestão única de uma dose elevada ou por
uso crónico acima das doses recomendadas e os sintomas iniciais surgem,
geralmente, nas primeiras 24 horas, e incluem náuseas, vómitos, sudação,
mal-estar e letargia. À medida que os danos progridem, pode surgir dor
abdominal, evoluindo para complicações graves, pelo que, ante suspeita de
sobredosagem, deve ser procurada assistência médica imediata, mesmo na ausência
de sintomas, já que o tratamento é mais eficaz, se iniciado precocemente.
A
OF lembrou que os farmacêuticos assumem papel “particularmente relevante
na prevenção de intoxicações e na promoção do uso seguro” de
medicamentos e, neste caso, em particular, do paracetamol, sendo a sua
intervenção focada na sensibilização dos adolescentes para os riscos associados
à ingestão deliberada de doses elevadas, incluindo desafios promovidos nas
redes sociais, e para a sua potencial toxicidade hepática e renal.
***
A
médica de família Margarida Santos explicou a pais e a cuidadores, na antena da
SIC Notícias, os sinais para os quais devem estar alerta. Na verdade,
como esta nova e perigosa tendência, na redes sociais, está a levar jovens
a consumir doses excessivas de paracetamol, chegando a ingerir até 20
comprimidos, de uma vez, num desafio para ver quem aguenta mais tempo antes de
ir ao hospital, aconselha os pais e os educadores a estarem vigilantes e a
dialogarem com os jovens sobre os conteúdos que consomem nas redes sociais.
Há jovens que ingeriram 10 gramas (g), de uma vez, isto é, cerca de 20 comprimidos de 500 miligramas (mg), desafio perigoso que pode levar à morte ou provocar lesões graves. E Margarida Santos esclarece que a ingestão, em demasia, deste medicamento pode causar “toxicidade hepática”, pois “o fígado deixa de conseguir metabolizar tudo e entra em falência”, o que “pode ser altamente perigoso e até levar à morte”. Todavia, há outro problema: “Inicialmente, pode não dar grandes sintomas. Ou seja, uma pessoa pode já ter ingerido uma dose tóxica, estar a achar que está tudo bem, continuar a ingerir mais e só depois ter sintomas, adverte.
Há jovens que ingeriram 10 gramas (g), de uma vez, isto é, cerca de 20 comprimidos de 500 miligramas (mg), desafio perigoso que pode levar à morte ou provocar lesões graves. E Margarida Santos esclarece que a ingestão, em demasia, deste medicamento pode causar “toxicidade hepática”, pois “o fígado deixa de conseguir metabolizar tudo e entra em falência”, o que “pode ser altamente perigoso e até levar à morte”. Todavia, há outro problema: “Inicialmente, pode não dar grandes sintomas. Ou seja, uma pessoa pode já ter ingerido uma dose tóxica, estar a achar que está tudo bem, continuar a ingerir mais e só depois ter sintomas, adverte.
Este
aspeto da tendência do “desafio do paracetamol” revela, Para Margarida Santos,
o “lado mais dramático das redes sociais, o que, na sua ótica, “representa
um perigo enorme”. E é por isso que
deixa o aviso: “Todos os pais e cuidadores devem estar muito alerta.”
Como
os sintomas são invisíveis é importante estar alerta para estes sinais:
dores abdominais, náuseas, vómitos, sonolência, transpiração anormal e
alteração do comportamento. E a médica entende
que “o importante é os pais falarem com os
filhos e perceberem que conteúdos estão a consumir”, através das
redes sociais. Porém, é importante lembrar que os exemplos contam: “É muito
preocupante. É muito reflexo que, se calhar, nós adultos não estamos a fazer
alguma coisa bem, porque eles são também o espelho daquilo que vão vendo
na sociedade. Se nós também estamos sempre a fazer a última dieta, o último
desafio e a última coisa que vemos nas redes sociais, então os
adolescentes e as crianças vão seguir um bocadinho”, admite.
***
Rita
Rogado revelava, a 17 de fevereiro, na SIC Notícias, que os alarmes já ‘soaram’,
em Portugal, com o registo de uma jovem intoxicada após tomar 10 g do fármaco.
Verificando que o “paracetamol challenge” (“desafio do paracetamol), está a deixar médicos e autoridades de saúde em alerta, enfatizava que esta competição, que atrai adolescentes de todo o Mundo, “leva à ingestão intencional de doses excessivas de paracetamol”.
Verificando que o “paracetamol challenge” (“desafio do paracetamol), está a deixar médicos e autoridades de saúde em alerta, enfatizava que esta competição, que atrai adolescentes de todo o Mundo, “leva à ingestão intencional de doses excessivas de paracetamol”.
O
desafio, perigoso e pode levar à morte, é descrito pela jornalista, nos termos
seguintes: “Surgiu e tornou-se viral, nas redes sociais, sobretudo, no TikTok,
entre crianças e jovens. Desafiam-se entre si a tomarem o máximo de
comprimidos do medicamento – que é, comummente, utilizado para dor leve a
moderada e [para a] febre – para compararem a capacidade de
resistência. Quem aguentar mais tempo sem ir ao hospital é o vencedor.”
Rita
Rogado salienta que tal competição é popular nos Estados Unidos da América
(EUA), em vários países na Europa, como Portugal, a Espanha, a França, a Alemanha,
a Holanda, a Bélgica e a Suíça, e também na Argentina. Há
adolescentes que ingeriram 10 g de uma vez, que corresponde, por exemplo, a 20
comprimidos de 500 mg cada um. E, em Portugal, após ter ingerido 10 comprimidos
de um grama (mil mg), uma jovem deu entrada no Hospital de Santa Maria, em
Lisboa, que alerta para o aumento de intoxicações voluntárias com medicamentos.
De
acordo com o jornal El País, na vizinha Espanha, vários
adolescentes, entre os 11 e os 14 anos, foram levados para o Hospital
Materno-Infantil de Málaga com sintomas de ingestão em grandes quantidades
de paracetamol, do que resultou o internamento de vários dias.
O
paracetamol é um comprimido “extremamente acessível” na casa de qualquer
pessoa, tornando-se nocivo, se consumido em quantidades elevadas, observa o
médico Francisco Giana da Silva, pois “o paracetamol é uma droga, só que
muito mais acessível do que outras”.
E
Rita Rogado lembra que, em grandes quantidades, o analgésico pode
provocar vómitos, dores abdominais, alterações no estado de consciência,
transpiração, mal-estar geral sonolência excessiva, lesões
irreversíveis no fígado e, em casos extremos, a morte, surgindo os sintomas,
geralmente, nas primeiras 24 horas, após a ingestão.
Para
Goiana da Silva, a quantidade máxima diária recomendada depende da idade e do
peso da criança, mas aquele valor é “muito fácil de atingir”. Por norma, indicam-se 60
mg por quilo (Kg). Imaginando que pesa 30 Kg, seriam 1800 mg (divididos pelas
24 horas do dia).
Segundo
a OF, a dose máxima diária para adulto saudável é de quatro gramas. Os
comprimidos de 500 mg ou de mil mg devem ser ingeridos em intervalos de quatro
a seis horas. E, em caso de sobredosagem, deve ser procurada assistência médica
com a “maior brevidade possível, mesmo na ausência de sintomas”, pois, “quanto
mais rapidamente for iniciado o tratamento, maiores serão as probabilidades de
recuperação”.
Goiana
da Silva defende uma “regulação e limitação séria das redes sociais” a
menores de idade e maior literacia, nas escolas, em relação aos perigos das
plataformas digitais. “As redes sociais estão a ser usadas para disseminar
comportamentos lesivos à saúde e colocam a saúde das crianças e dos
adolescentes em risco. É importante, de uma vez por todas, haver uma
consciencialização, por parte dos governos, de que isto é uma realidade e de
que é importante agir”, defende o médico, segundo o qual, este é “mero exemplo”
de desafios entre menores cujo objetivo é “provocar danos na saúde dos
próprios e dos outros. E, lembrando competições de automutilação que se
tornaram virais, o médico sustenta que é por “situações como estas” que vários
governos, como o da Austrália, já limitaram o acesso às redes sociais
a menores.
“As
crianças são ensinadas pelos pais a não falarem com estranhos na rua, mas falam
com eles nas redes sociais e ninguém vê, nem se preocupa com isso. São
ensinadas a não ouvirem conselhos de estranhos, mas, nas redes sociais, sentadas
em casa, ouvem conselhos de estranhos e põem-nos em prática. São educadas a não
pedir conselhos a outras crianças, que é, exatamente, o que acontece nestes
desafios que colocam vidas em risco”, explana Goiana da Silva.
As
redes sociais dos menores “têm de ser supervisionadas” pelos pais, mas, na
ótica do médico, há mais que pode ser feito: “Isto é uma responsabilidade
do governo. Em nome da segurança das crianças portuguesas, tem de olhar para
aquilo que outros governos já fizeram, proibindo o acesso a redes sociais, a
menores de 16 anos. Esse é o caminho”, conclui o médico.
***
A
este respeito, Inês dos Santos Cardoso, em artigo intitulado “’Desafio do
paracetamol’ no TikTok: Ordem dos Farmacêuticos avisa para risco de
morte”, publicado pela Euronews, a 19 de fevereiro, dá conta de tudo o
que foi exposto, citando as posições da OM e da OF, bem como o El País,
e salienta que “o desafio tornou-se, sobretudo, viral no TikTok, entre
crianças e jovens. Mais refere que as redes sociais estão no centro da
polémica, devido à tendência associada ao consumo de paracetamol, prática que,
além do mais “desafia os jovens a filmarem-se a tomar, deliberadamente, doses
elevadas deste fármaco, numa espécie de competição”, sendo vencedor “quem
conseguir tomar mais compridos, sem ir ao hospital”.
Além disso, refere que os pais podem recorrer a simuladores online verificados para terem maior perceção da dose a ministrar aos filhos, quando necessário.
Além disso, refere que os pais podem recorrer a simuladores online verificados para terem maior perceção da dose a ministrar aos filhos, quando necessário.
***
O
“Manual MSD”, na “Versão Saúde para a Família”, considera que “as pessoas
ingerem demasiados produtos que contêm paracetamol e veneno em si
mesmos”; que, “dependendo da quantidade de paracetamol no sangue, os
sintomas variam, desde nenhuns a vómitos e dor abdominal a insuficiência
hepática e morte”; que o diagnóstico se baseia “na quantidade
de paracetamol no sangue e nos resultados dos testes de função
hepática”; e que é administrada a acetilcisteína, “para reduzir a toxicidade
do paracetamol”.
Há mais de 100 produtos com paracetamol, que pode encontrar-se em vários medicamentos com prescrição médica de combinação. Se forem consumidos vários produtos semelhantes, de uma vez, a pessoa pode tomar demasiado paracetamol. Muitos preparados para administração infantil estão disponíveis em forma líquida, em comprimidos e em cápsulas; e os pais podem administrar vários preparados, simultaneamente ou espaçadamente, em várias horas, para tratarem a febre ou a dor, sem perceberem que todos contêm paracetamol.
Há mais de 100 produtos com paracetamol, que pode encontrar-se em vários medicamentos com prescrição médica de combinação. Se forem consumidos vários produtos semelhantes, de uma vez, a pessoa pode tomar demasiado paracetamol. Muitos preparados para administração infantil estão disponíveis em forma líquida, em comprimidos e em cápsulas; e os pais podem administrar vários preparados, simultaneamente ou espaçadamente, em várias horas, para tratarem a febre ou a dor, sem perceberem que todos contêm paracetamol.
O paracetamol é
medicamento seguro, mas não inofensivo. Para causar intoxicação, seria preciso
ingerir, várias vezes, a dose recomendada. Por exemplo, a dose recomendada a
pessoa que pese 70 kg é de dois a três comprimidos de 325 mg, a cada
seis horas. Uma dose tóxica para esta pessoa é de, pelo menos, 30 comprimidos
tomados de uma vez. A morte é extremamente improvável, exceto se tomar mais de 40
comprimidos de 325 mg. Por isso, não é acidental, uma sobredosagem
de paracetamol que cause toxicidade séria mas também pode surgir
toxicidade, se forem tomadas várias doses pequenas, ao longo do tempo.
A
maioria das sobredosagens não dá sintomas imediatos. Se a sobredosagem for
muito grande, os sintomas desenvolvem-se em quatro fases: após várias horas, a
pessoa pode vomitar, mas não parece estar doente; depois de 24 a 72 horas,
podem surgir enjoos, vómitos e dores abdominais (nesta fase, as análises de
sangue revelam que o fígado não funciona normalmente; passados três a quatro
dias, os vómitos pioram, as análises
revelam que o fígado funciona mal, surge icterícia e sangramento (pode ocorrer
insuficiência renal e pancreatite; e, passados cinco dias, o intoxicado
recupera ou tem insuficiência hepática ou de outros órgãos, podendo ser mortal.
Se
a toxicidade resultar de várias pequenas doses ao longo do tempo, a primeira
indicação pode ser função hepática anormal, por vezes com icterícia e/ou
sangramento. Se o paracetamol foi tomado nas últimas horas, pode ser
administrado carvão ativado. Se o nível de paracetamol no sangue
estiver elevado, geralmente, para reduzir a toxicidade do paracetamol,
durante um ou vários dias administra-se, por via oral ou endovenosa, acetilcisteína,
que ajuda a prevenir lesões hepáticas, mas não reverte lesão causada. Por isso,
deve ser administrado antes de ocorrer lesão hepática. Pode ser necessário
introduzir um tratamento para a insuficiência hepática ou um transplante
de fígado. Se a toxicidade resultar de várias doses menores tomadas ao longo do
tempo, é difícil prever a evolução da lesão hepática. Administra-se acetilcisteína,
se as análises indicarem possibilidade de dano hepático e, por vezes, se este
já tiver ocorrido.
***
Mais
um flagelo a travar, porque fragiliza ou destrói a vida de adolescentes!
2026.02.19 – Louro de Carvalho
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