sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Portugal lidera o ranking da UE em matéria de eletricidade renovável

 

Em janeiro de 2026, de acordo com a Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN), 80,7% da eletricidade gerada, em Portugal, teve origem em fontes renováveis, principalmente, em resultado do grande aumento da produção de energia hidroelétrica e eólica.

Este é o melhor resultado em nove meses, desde que Portugal sofreu um apagão generalizado que provocou o caos em todo o país, elevando-o ao segundo lugar na Europa. A Noruega, que não pertence à União Europeia (UE), ficou em primeiro lugar, com 96,3% de produção de eletricidade renovável, em janeiro, enquanto a Dinamarca caiu para o terceiro lugar, com 78,8%.

Assim, Portugal lidera o ranking da UE, na corrida à energia verde, com mais de 80% da eletricidade consumida, em janeiro, a vir de fontes renováveis.

A produção de eletricidade, em Portugal, foi liderada pela energia hidráulica, que representou 36,8% do mix global. Seguiu-se de perto a eólica (35,2%), enquanto a energia solar representou 4,4%. Houve 210 horas não consecutivas em que a produção renovável foi suficiente para cobrir todo o consumo nacional. E, de acordo com a APREN, a incorporação destas fontes permitiu uma poupança estimada de 703 milhões de euros, face à produção em centrais a gás natural.

Perante estes dados, levanta-se a questão se pode a energia verde evitar um novo apagão, como o do mês de abril de 2025.

No ano passado, a Península Ibérica mergulhou no caos, devido a um apagão sem precedentes que deixou cerca de 60 milhões de pessoas sem eletricidade.

A 28 de abril, uma perda total do fornecimento elétrico paralisou redes de metro, semáforos, serviços móveis e sistemas de emergência, em Portugal e na Espanha, deixando milhares de pessoas retidas e travando a atividade económica. Desde então, o episódio é descrito como o “evento mais significativo no sistema elétrico” da Europa, em mais de duas décadas.

Cerca de 15 gigawatts (GW) de capacidade de produção de eletricidade (equivalentes a cerca de 60% da procura de energia da Espanha, à hora do incidente) abandonaram o sistema, em cinco segundos. Foram necessárias mais de 12 horas para restabelecer a maior parte do fornecimento de eletricidade nos dois países ibéricos, tendo o incidente provocado a morte de, pelo menos, quatro pessoas. Um casal e o seu filho adulto terão morrido por intoxicação com monóxido de carbono, após utilizarem um gerador, durante o apagão.

A falha em larga escala suscitou alegações duvidosas em torno da corrida da UE para uma transição para a energia verde, com muitos meios de comunicação a culparem as renováveis e a meta de “emissões líquidas zero” pelos cortes de eletricidade. No entanto, uma investigação oficial sobre o apagão atribuiu a culpa a erros nas centrais elétricas convencionais e ao “mau planeamento” do operador da rede.

Com efeito, segundo alguns especialistas, a causa principal do incidente foi uma “sobretensão em cascata”, fenómeno técnico em que um pico de potência desencadeia outros picos, espalhando-se pela rede elétrica como uma reação em cadeia. Em termos simples, o problema é a incapacidade da rede de reiniciar o sistema de forma automática.

Porém, Rana Adib, diretora executiva da Rede de Políticas de Energia Renovável para o Século XXI (REN21), sustenta que o apagão, na Península Ibérica, foi um alerta para acelerar a modernização da rede existente. “À medida que as energias renováveis crescem, também a resiliência do sistema tem de aumentar”, considera Rana Adib, acrescentando:  “Isto implica um planeamento holístico, que contemple oferta, infraestruturas, flexibilidade e procura e [que] assegure, desde o início, uma forte colaboração entre todas as partes interessadas.”

Outra questão que se levanta é se a rede elétrica europeia conseguirá acompanhar o boom das energias renováveis.

De acordo com um relatório de 2025 da empresa de energia Aurora, a rede elétrica europeia está a tornar-se cada vez mais um “problema”, para atingir a neutralidade carbónica, devido à falta de investimento. A Comissão Europeia estima que serão necessários 584 mil milhões de euros de investimento na rede elétrica até 2030, para cumprir as metas.

A rede, que transporta eletricidade para casas e para empresas, nunca foi concebida para parques solares e eólicos, frequentemente, construídos em zonas remotas, e foi, originariamente, desenvolvida em torno de grandes centrais de combustíveis fósseis centralizadas.

Isto significa que a UE, não tendo dificuldade em gerar energia verde, enfrenta problemas para a transportar. Por isso, o Reino Unido desliga, com frequência turbinas eólicas, quando a rede fica congestionada, desperdiçando energia, e a Polónia tem, repetidamente, desperdiçado energia gerada por painéis solares.

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Este esforço da Europa e, em particular da UE, em torno das energias renováveis, visa minorar os efeitos das alterações climáticas, através da diminuição drástica da utilização de combustíveis de origem fóssil, no que há muito caminho por andar, ao invés, havendo grande retrocesso. Assim, voltou a avançar o Relógio do Juízo Final ou Relógio do Apocalipse, numa altura em que o Mundo se aproxima de uma catástrofe global alimentada por armas nucleares, por desinformação e pelas alterações climáticas.

Criado pela organização sem fins lucrativos The Bulletin of the Atomic Scientists, o Relógio do Juízo Final nasceu em 1945, por obra de Albert Einstein e de Julius Robert Oppenheimer, da Universidade de Chicago, após a criação da bomba atómica. Utiliza uma analogia em que a Humanidade está a poucos minutos da meia-noite, a qual representa a destruição por uma guerra nuclear ou uma grande destruição causada pelos próprios seres humanos. Funciona, pois, como metáfora da ameaça das tecnologias criadas pelo homem, sendo a aproximação à meia-noite sinónimo de apocalipse. Tal ameaça pode incluir “política, energia, armas, diplomacia e ciência do clima”; e as fontes potenciais de ameaça incluem ameaças nucleares, mudanças climáticas, bioterrorismo e inteligência artificial (IA).

A primeira representação do relógio foi produzida em 1947, quando a artista norte-americana Martyl Langsdirf, esposa do físico Alexander Langsdorf Jr., do Projeto Manhattan, foi convidada pelo cofundador da revista “Hyman Goldsmith” para desenhar uma capa para a edição de junho. O número de minutos para a meia-noite, uma medida do nível nuclear, de armamento e tecnologias envolvidas, é atualizado anualmente.

Em 2025, o Bulletin alertou que o planeta estava “perigosamente perto” de catástrofe generalizada. E, em vez de acolherem o aviso, potências, como a Rússia, a China e os Estados Unidos da América (EUA), tornaram-se mais agressivas e nacionalistas.

Atualizado todos os anos, o Relógio foi, inicialmente, fixado em sete minutos para a meia-noite e recuou oito vezes. Agora, está a apenas 85 segundos da meia-noite. Com efeito, em 2025, as concentrações globais de dióxido de carbono atmosférico (CO2) atingiram um máximo histórico, subindo para 150% acima dos níveis pré-industriais. Estes gases, que retêm calor, fizeram subir as temperaturas globais, pondo à prova pontos de rutura críticos do planeta. 2025 foi o terceiro ano mais quente à escala global e assinalou o primeiro período de três anos com temperaturas acima do limiar de 1,5 °C (graus Celsius) previsto no Acordo de Paris. Na Europa, vagas de calor abrasaram o continente, alimentaram incêndios mortais e sujeitaram os cidadãos a sucessivas vagas de calor.

Uma análise do Imperial College London e da London School of Hygiene & Tropical Medicine concluiu que 68% das 24400 estimadas mortes por calor, no verão de 2025, se devem às alterações climáticas, que elevaram as temperaturas em até 3,6 °C.

Por cada aumento de 1 °C na temperatura do ar, a atmosfera retém cerca de mais 7% de humidade, o que pode levar a chuva mais intensa e abundante. Foi, em parte, por isso que milhares morreram, em toda a Ásia, após monções sobrepostas no outono de 2025. As cheias repentinas, que destruíram centenas de casas e transformaram estradas em rios de lama, também evidenciaram os efeitos de desflorestação. Por exemplo, a Indonésia, entre 2016 e 2025, desflorestou 1,4 milhões de hectares em Aceh, na Sumatra do Norte e na Sumatra Ocidental, que serviam de travão às cheias, absorvendo o excesso de água e reduzindo o volume de escoamento. Ora, sem tais florestas, o país não sabe lidar com chuva extrema.

Apesar de 2025 ter sido marcado por fenómenos meteorológicos extremos, o progresso na saída dos combustíveis fósseis foi travado na cimeira COP30, em Belém, mas, fora da agenda oficial, o apoio a um roteiro para a transição para energia limpa ganhou força, durante as negociações. Efetivamente, mais de 90 países, incluindo o Reino Unido, a Alemanha e os Países Baixos, apoiaram a ideia de um roteiro segundo o qual cada nação define as suas próprias metas para eliminar, gradualmente, os combustíveis fósseis. E Lula da Silva, do Brasil, foi voz ativa a apelar ao mundo para “começar a pensar em como viver sem combustíveis fósseis”.

A Carbon Majors apurou que 17 dos 20 maiores emissores, em 2024, eram empresas controladas por países que bloquearam esse roteiro. Incluem-se, nessa lista, a Arábia Saudita, a Rússia, a China, a Índia, o Iraque, o Irão e o Qatar. Assim, as respostas nacionais e internacionais à emergência climática passam de totalmente insuficientes a profundamente destrutivas.

Nenhuma das três cimeiras do clima mais recentes da Organização das Nações Unidas (ONU) relevou a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis ou o controlo das emissões de CO2. Nos EUA, a administração Trump declarou guerra às energias renováveis e a políticas climáticas sensatas, desmantelando, sem tréguas, os esforços nacionais de combate as alterações climáticas.”

Todavia, mesmo com os ponteiros do Relógio do Apocalipse muito perto da meia-noite, há uma réstia de esperança. A Humanidade pode recuar da beira do abismo, se o Congresso dos EUA rejeitar a guerra de Trump às energias renováveis. Na verdade, incentivar e investir permitirá reduzir, rapidamente, o uso de combustíveis fósseis.

Avançar para energia limpa e reduzir a dependência de combustíveis fósseis é a única forma de cumprir as metas climáticas. Segundo a ONU, os combustíveis fósseis são, de longe, o maior contributo para as alterações climáticas globais, pois representam cerca de 68% das emissões globais de gases com efeito de estufa (GEE) e quase 90% de todas as emissões de CO2.

Num sinal positivo, 2025 foi um marco importante para as energias renováveis, na Europa, com a eólica e a solar a gerarem mais eletricidade, na UE, do que os combustíveis fósseis.

Um relatório do think tank de energia Ember concluiu que, nos últimos cinco anos, a energia fóssil desceu de 36,7% da eletricidade da UE, para 29%, enquanto a eólica e a solar combinadas subiram para 30%, apesar da queda da eólica, em 2025, face a 2024. E dez países europeus, incluindo a Bélgica, a Noruega e o Reino Unido, prometeram 9,5 mil milhões de euros, para transformar o Mar do Norte no “maior reservatório de energia limpa” do Mundo, para abastecer cerca de 143 milhões de lares, até 2050, recorrendo a parques eólicos no mar ligados diretamente a mais do que um país, através de interconectores multiusos (MPI).

Ao invés, Donald Trump está determinado no reforço dos combustíveis fósseis e na prossecução dos ataques às energias renováveis. Depois de prometer levar a sua mentalidade de “drill, baby, drill” às reservas de petróleo da Venezuela, suspendeu as concessões de todos os projetos eólicos offshore no país, decisão que está a ser revertida, depois de um juiz federal ter decidido, a 20 de janeiro, que um projeto eólico offshore quase concluído em Massachusetts pode continuar. E, em Davos, chamou “perdedores” aos países que usam turbinas eólicas, afirmando que a China não investe nas renováveis, apesar de ter construído o maior parque eólico do Mundo.

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Estudos mostram que a luz branca, de noite, prejudica a atividade dos morcegos, ao passo que a luz vermelha tem efeito mínimo, semelhante ao da escuridão. Em Copenhaga, a iluminação urbana, ao longo de uma das principais vias é vermelha, de acordo com um plano para reduzir os efeitos da poluição luminosa, sobretudo, sobre os animais noturnos.

Em Gladsaxe, decorre um projeto do gabinete AFRY Architects para conciliar o desenvolvimento urbano com objetivos ambientais. Assim, candeeiros LED vermelhos (a luz LED consome menos energia e exige menos manutenção), instalados numa estrada principal e numa supervia ciclável, reduzem o impacto na vida dos morcegos de colónia próxima. Ao longo da estrada, 30 balizadores, com um metro de altura, que emitem um brilho vermelho, estão suficientemente espaçados para espécies sensíveis à luz atravessarem a zona, sem ficarem expostas como presas, e para garantirem que circulam carros e ciclistas, na estrada, em segurança.

Projetos semilares arrancaram por toda a Europa. Em 2018, a localidade neerlandesa de Zuidhoek-Nieuwkoop tornou-se a primeira localidade do Mundo, a instalar iluminação amiga da fauna. E o Reino Unido criou a primeira passagem para morcegos, em 2019, com 60 metros de iluminação vermelha, na autoestrada A4440, junto à reserva natural Warndon Woodlands, em Worcester.

Em 2017, investigadores Instituto de Ecologia dos Países Baixos mediram, pela primeira vez, os efeitos da luz em diferentes espécies de morcegos e concluíram que diferentes espetros tinham impactos distintos na atividade de morcegos de voo lento e sensíveis à luz, nos seus habitats de alimentação. E a experiência decorreu, durante cinco anos, em oito locais de estudo, junto a margens de floresta, em zonas escuras. “Verificámos que estes morcegos são igualmente ativos com luz vermelha e na escuridão”, afirmou o investigador principal, Kamiel Spoelstra, em comunicado, vincando: “A luz branca e a luz verde, pelo contrário, reduzem, significativamente, o nível de atividade dos morcegos”.

Os morcegos caçam insetos à noite, porque têm pouca concorrência de outros animais e os predadores não os veem, devido à escuridão. A luz artificial branca causa perturbações em espécies, como o morcego-de-Natterer ou o morcego-castanho-de-orelhas-compridas, vulneráveis a predadores que caçam pela visão. Já espécies de voo ágil, como o morcego-anão (pipistrelle), não se incomodam com luz adicional, ajudando-as os candeeiros de rua a capturar mais insetos, ao atraí-las para a área mais concentrada. E espécies de morcegos de maior porte, como a serotina e a noctula-pequena, voam alto o suficiente para não serem afetadas pela iluminação pública. De facto, a iluminação vermelha funciona em condições reais, porque essa luz é adequada para ser utilizada em estradas secundárias.

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A ação climática requer ousado investimento em fontes renováveis de energia, nomeadamente, construindo estruturas de produção e de transporte, contendo o consumo e o desperdício; proteção dos diversos ecossistemas; robustecimento das infraestruturas públicas; e organização do Estado para a previsão das catástrofes e para a resposta adequada, quando surjam.     

2026.02.12 – Louro de Carvalho


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