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quinta-feira, 20 de junho de 2019

Tanto palavreado com o calendário escolar 2019-2020


Foi publicado, a 18 de junho, o Despacho n.º 5754-A/2019, de 17 de junho, que estabelece o calendário, para o ano letivo de 2019/2020, dos estabelecimentos públicos de educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário; dos estabelecimentos particulares de ensino especial; e das provas de aferição, de final de ciclo e de equivalência à frequência do ensino básico, dos exames finais nacionais e das provas de equivalência à frequência do ensino secundário. Não é, pois, apenas um calendário para a rede pública de ensino, da educação pré-escolar ao ensino secundário, como refere alguma imprensa, que se fixa nas datas de início e termos dos três períodos escolares e nas ditas férias de alunos e professores.
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Nos termos do predito despacho, o calendário de funcionamento das atividades educativas e letivas dos estabelecimentos públicos de educação pré-escolar e do ensino básico e secundário é organizado em três períodos letivos, como se discrimina a seguir:
O 1.º decorrerá desde entre 10 e 13 de setembro de 2019 e 17 de dezembro de 2019; o 2.º decorrerá entre 6 de janeiro de 2020 e 27 de março de 2020; e o 3.º decorrerá entre 14 de abril e 4 de junho de 2020, para os alunos dos 9.º, 11.º e 12.º anos de escolaridade (porque sujeitos a provas finais nacionais ou exames nacionais), 9 de junho de 2020, para os alunos dos 5.º, 6.º, 7.º, 8.º e 10.º anos de escolaridade, e 19 de junho de 2020, para a educação pré-escolar e 1.º ciclo do ensino básico. São: um quase quadrimestre; um quase trimestre; e um quase bimestre.
Onde está a semestrização requerida pela ANDAEP e propalada nos meios de comunicação social? É que esta só é possível para as escolas, anos ou turmas que funcionem com base no plano de inovação aprovado atempadamente pelos órgãos de administração e gestão, apresentados em devido tempo à equipa de coordenação nacional e devidamente autorizados pelo ME (Ministério da Educação) – tudo no termos da Portaria n.º 180/2019, de 11 de junho!   
As interrupções das atividades educativas e letivas (que alguns chamam férias) ocorrerão: de 18 de dezembro de 2019 a 3 de janeiro de 2020, quadra natalícia; de 24 de fevereiro a 26 de fevereiro de 2020, ocasião do Carnaval; e de 30 de março a 13 de abril de 2020, quadra pascal. Mantém-se a discutida acoplação ao calendário religioso (com exceção do Carnaval), ao invés do que desejam alguns diretores, nomeadamente os presidentes da ANADAEP e da ANDE, bem como os presidentes da CONFAP e da CNIPE, que representam os encarregados de educação.
O atinente a atividades letivas e a interrupções aplica-se, com as necessárias adaptações, ao calendário previsto na organização de outras ofertas educativas e formativas em funcionamento nos agrupamentos de escolas ou escolas não agrupadas.
Sem prejuízo da calendarização estabelecida, os agrupamentos de escolas e as escolas não agrupadas podem, durante um ou dois dias, substituir as atividades letivas por outras atividades escolares de caráter formativo envolvendo os alunos, pais e encarregados de educação.
Os momentos de avaliação de final de período letivo ou outros são calendarizados no âmbito da autonomia das escolas e concretizados de acordo com a legislação em vigor, não podendo, em qualquer caso, prejudicar o calendário das atividades educativas e letivas.
Na programação das reuniões de avaliação devem os diretores dos agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas assegurar a articulação entre os educadores de infância e os professores do 1.º ciclo do ensino básico, de modo a garantir o acompanhamento pedagógico das crianças no seu percurso entre aqueles níveis de educação e de ensino.
Durante os períodos de interrupção das atividades educativas e após o final do ano letivo devem ser adotadas medidas organizativas adequadas, em estreita articulação com as famílias e as autarquias, de modo a garantir o atendimento das crianças, nomeadamente através de atividades de animação e de apoio à família.
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O calendário de funcionamento dos estabelecimentos particulares de ensino especial dependentes de cooperativas e associações de pais que tenham acordo com o Ministério da Educação é organizado em três períodos letivos, como se discrimina a seguir:
O 1.º período decorrerá de entre 2 e 6 de setembro a 31 de dezembro de 2019; e o 2.º período decorrerá de 6 de janeiro a 9 de junho de 2020 – dois quadrimestres. E as interrupções das atividades letivas ocorrerão: de 17 de dezembro a 24 de dezembro de 2019; de 24 de fevereiro a 26 de fevereiro de 2020; e de 6 de abril a 13 de abril de 2020.
A avaliação dos alunos, nestes estabelecimentos, realiza -se: nos dois primeiros dias úteis compreendidos entre o termo do 1.º período letivo e o início do 2.º período letivo; e nos quatro dias úteis imediatamente subsequentes ao termo do 2.º período letivo.
Estes estabelecimentos de ensino encerram para férias durante trinta dias.
Estes estabelecimentos asseguram a ocupação dos alunos através da organização de atividades livres nos períodos situados fora das atividades letivas e do período de encerramento para férias e em todos os momentos de avaliação e períodos de interrupção das atividades letivas.
Compete ao diretor pedagógico, consultados os encarregados de educação, decidir sobre a data exata do início das atividades letivas, no predito intervalo de 2 a 6 de setembro, bem como fixar o período de funcionamento das atividades livres, e comunicar tais decisões à Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares, até à data estabelecida para início do 1.º período letivo.
No âmbito do dia do diploma, os agrupamentos e escolas não agrupadas que lecionam o ensino secundário devem promover, envolvendo a respetiva comunidade educativa, uma ação formal de reconhecimento dos alunos que no ano letivo anterior tenham concluído o ensino secundário.
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As provas de aferição do ensino básico são:
Para o 2.º ano, entre 4 e 12 de maio, Educação Artística e Educação Física; a 16 de junho, Português e Estudo do Meio (10 horas); e a 18 de junho, Matemática e Estudo do Meio (10 horas).
Para o 5.º ano, a 5 de junho, Português, Português Língua Segunda (11,30 horas); a 9 de junho, Inglês (11,30 horas); e entre 18 e 27 de maio, componente de produção e interação orais de Inglês.
Para o 8.º ano, a 5 de junho, Matemática (9,30 horas); e a 9 de junho, Inglês (9,30 horas).
As provas de finais de ciclo no 9.º ano são:
1.ª Fase: a 15 de junho, Português Língua Não Materna (9,30 horas); a 19 de junho, Matemática (9,30 horas); a 26 de junho, Português e Português Língua Segunda (9,30 horas).
2.ª Fase: a 20 de julho, Matemática (9,30 horas); e a 22 de julho, Português, Português Língua Segunda e Português Língua Não Materna (9,30 horas). 
As provas de equivalência à frequência do ensino básico, na 1.ª Fase, são de 25 de junho a 10 de julho, para o 1.º ciclo; de 17 de junho a 10 de julho, para o 2.º; e de 15 de junho a 10 de julho, para o 3.º. Na 2.ª Fase, são de 20 a 30 de julho, para os três ciclos.
Os exames finais nacionais do ensino secundário vão de 15 de junho a 27 de julho, como segue:
1.ª Fase, de 15 de junho a 7 de julho:
A 15 de junho (9,30 horas), Português, Português Segunda Língua e Português Língua Não Materna, 12.º ano; a 16 de junho, Espanhol, 11.º ano (9,30 horas) e Francês, 11.º ano (14 horas); a 17 de junho, Filosofia, 11.º ano (9,30 horas), a 18 de junho, Física e Química A, 11.º ano (9,30 horas) e Latim A, 11.º ano (14 horas); a 19 de junho, História A, 12.º ano e História B, 11.º ano (9,30 horas); a 22 de junho, Geografia A, 11.º ano (9,30 horas); a 23 de junho, História da Cultura e das Artes, 11.º ano (9,30 horas); a 25 de junho, Matemática A, 12.º ano, Matemática B e Matemática Aplicada às Ciências Sociais, 11.º ano (9,30 horas); a 26 de junho, Desenho A, 12.º ano (9,30 horas); a 30 de junho, Biologia e Geologia, 11.º ano (9,30 horas); a 2 de julho, Economia, 11.º ano (9,30 horas) e Alemão, 11.º ano (11 horas), a 3 de julho, Inglês, 11.º ano (9,30 horas); a 6 de julho, Geometria Descritiva A, 11.º ano (9,30 horas); e a 7 de julho, Literatura Portuguesa, 11.º ano (9,30 horas).
2.ª Fase, de 21 de julho a 27 de julho
A 21 de julho, 9,30 horas, Física e Química A e Literatura Portuguesa (11.º ano); 14 horas, Economia A (11.º ano) e Latim A (11.º ano); a 22 de julho, 9,30 horas, Português, Português Segunda Língua e Português Língua Não Materna, 12.º ano; 14 horas, História da Cultura e das Artes (11.º ano) e Geografia A (11.º ano); a 23 de julho, 9,30 horas, História A (12.º ano), História B (11.º ano), e Geometria Descritiva A (11.º ano); 14 horas, Desenho A (12.º ano) e Biologia e Geologia (11.º ano); a 24 de julho, 9,30 horas, Matemática A (12.º ano), Matemática B e Matemática Aplicada às Ciências Sociais (11.º ano); 14 horas, Filosofia (11.º ano); e, a 27 de julho, 9,30 horas, Inglês, 11.º ano; 14 horas, Alemão, Espanhol e Francês (11.º ano).
As provas de equivalência à frequência do ensino secundário realizam-se nas datas seguintes datas: 1.ª fase, de 15 de junho a 7 de julho; e 2.ª fase, de 21 a 27 de julho.
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Fica revogado o n.º 1 do Despacho n.º 2007-B/2013, de 31 de janeiro de 2013, publicado no DR, 2.ª série, n.º 23, de 1 de fevereiro de 2013, na parte referente à disciplina de Espanhol (código 847) dos cursos científico-humanísticos do ensino secundário, com efeitos reportados ao calendário de exames finais nacionais do ensino secundário para o ano letivo de 2019-2020.
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Isto é o que estabelece o despacho ministerial em referência. Resta saber quais as inovações ou se deixa tudo ou quase tudo na mesma.
Alguns dizem que os alunos têm quase 3 semanas de férias no Natal; outros que têm quase 3 semanas. Em relação a estas comummente ditas férias de Natal, o ME explicou a sua decisão:
 Tendo em conta que o dia 1 de janeiro de 2020 é uma quarta-feira, os alunos terão mais um dia de férias, evitando-se o reinício das aulas a uma sexta-feira, tal como sucedeu no último ano letivo em que 1 de janeiro foi uma quarta-feira”.
Porém, em nota enviada as redações, refere que essa pausa letiva terá os mesmos 11 dias úteis do ano letivo passado. São, ao todo, 19 dias seguidos, incluindo fins de semana e feriados.
É de realçar que, no caso das provas de aferição se contempla, pela 1.ª vez, a avaliação da componente de produção e interação orais na prova de aferição de língua estrangeira do 5.º ano (Inglês), componente essa que, em 2020, passa também a abranger a PLNM (prova de Português Língua Não Materna), no ensino secundário, a par das línguas estrangeiras. Reintroduz -se a oferta do exame final nacional de Espanhol (847), referente à disciplina de Espanhol (continuação).
Importa, ainda, assinalar que se garante uma 1.ª fase de exames nacionais mais alargada, visando responder aos alunos que, ao abrigo do previsto no artigo 16.º do Decreto-Lei n.º 55/2018, de 6 de julho, adotaram percurso formativo próprio, através da permuta e substituição de disciplinas. Assim, a 1.ª fase dos exames nacionais do Ensino Secundário arranca a 15 de junho e termina a 7 de julho, são mais dias do que atualmente: de 10 passam para 23 (mais que duplicação dos dias substantivos, que não dos dias úteis) – uma forma de dar resposta aos alunos que escolhem disciplinas de outros cursos e evitar sobreposições no calendário, obviamente à custa da sobrecarga dos professores e dificuldade no gozo de férias. Com efeito, os professores têm de permanecer mais dias na escola para vigilâncias, correção de provas, realização de provas orais, mas continuam a poder gozar férias unicamente entre o fim das atividades atinentes ao ano letivo ano letivo findo e o início de setembro – tempo curto e, para quem sai, caro. 
Outras novidades são: a escola pode, durante um ou dois dias, substituir as atividades letivas por outras atividades escolares de caráter formativo, envolvendo os alunos, pais e encarregados de educação; a avaliação de final de período letivo (ou noutros momentos) é calendarizada no âmbito da autonomia das escolas e concretizada de acordo com a legislação em vigor, mas não pode prejudicar o calendário das atividades educativas e letivas (Das duas uma: ou se faz a avaliação sumativa nas datas dos demais anos e fica tudo na mesma ou se faz em tempo pós-laboral e o sacrifício é o mesmo e pode ocasionar precipitação de classificação por não ter terminado o período e não haver tempo para reflexão); e, na programação das reuniões de avaliação, os diretores escolares devem assegurar a articulação entre os educadores de infância e os professores do 1.º Ciclo, de forma a garantir o acompanhamento pedagógico das crianças no seu percurso entre aqueles níveis de educação e de ensino. Mais: durante os períodos de interrupção das atividades educativas e após o final do ano letivo, o Governo sublinha que devem ser “adotadas medidas organizativas adequadas, em estreita articulação com as famílias e as autarquias, de modo a garantir o atendimento das crianças, nomeadamente através de atividades de animação e de apoio à família”. Diz o presidente da CONFAP que isso é regra para o 1.º ciclo, não sabendo se as autarquias estão dispostas a apoiar a generalização para os ciclos seguintes. E refere que não basta dizer que é preciso aumentar a natalidade, mas que são precisas políticas de conciliação do sistema de ensino com as responsabilidades laborais dos pais. Aliás, o preâmbulo do referido despacho segue a ideia:
O calendário de atividades educativas e escolares constitui um elemento indispensável à organização e planificação do ano escolar por cada escola que integra o sistema educativo, de forma a possibilitar o desenvolvimento dos projetos educativos e a execução dos planos anuais de atividades, conciliando também o desenvolvimento do currículo com o interesse das crianças e dos alunos, bem como com a organização da sua vida familiar”.
Como se disse, o presidente da ANDAEP (Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas) volta a focar o assunto do calendário religioso, referindo que a escola continua refém dessas datas e a organização de três períodos com durações distintas aumenta a desmotivação e prejudica a aprendizagem. A este respeito, disse ao JN:
Um aluno que tenha positiva nos dois primeiros períodos a uma disciplina, não há professor que o chumbe. O mesmo ao contrário, quem tiver negativa nos dois primeiros é quase impossível recuperar em mês e meio.”.
Depois, fez contas: o 1.º período, terá 69 dias de aulas; o 2.º, 57; e o 3.º, 37.
A CONFAP pede que o sistema seja repensado para uma distribuição mais equilibrada durante o ano letivo; e a CNIPE diz que um dos caminhos pode ser a semestralização. 
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Se os especialistas recomendam a semestralização, porque não se aplica ou porque se faz depender de plano de inovação? Aliás, no atual ordenamento há disciplinas com avaliação semestral. Desde há muito o sistema foi introduzido em seminários e nas universidades. O ME, em 2001, ao determinar a organização do tempo letivo em unidades de 90 m (e subunidades de 45), não exigiu plano de inovação. Pegou no modelo de organização da peregrinação das crianças a Fátima cujas atividades duram o máximo de hora e meia (90 m) e impôs. Mas esqueceu que 90 m era o tempo máximo, as crianças estão em franca atividade, os grupos são pequenos, os grupos são geridos por um número razoável de animadores, são circunstâncias excecionais e a concretização do projeto dura um ou dois dias. Ou será preciso distinguir as escolas que fazem reflexão pedagógica, como diz Ariana Cosme, às quais o calendário legitimamente pode não agradar? Palhaçada! Deem-me o nome duma escola que não faz reflexão pedagógica!
2019.06.19 – Louro de Carvalho

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

O Congresso Internacional de Turismo Religioso e Peregrinação

Decorreu nestes dias, 22 e 23 de novembro, em Fátima, no Centro Pastoral Paulo VI, o Congresso Internacional de Turismo Religioso e Peregrinação, iniciativa conjunta da Organização Mundial do Turismo (OMT ou UNWTO), do Ministério da Economia e do Município de Ourém.
O evento, que se insere no contexto do centenário das aparições de Fátima (1917-2017), constituiu uma oportunidade para reflexão sobre o potencial e o papel do turismo religioso e dos lugares sagrados como uma ferramenta para o desenvolvimento socioeconómico e cultural dos destinos, bem como dos seus percursos.
O congresso partiu dos seguintes pressupostos:
- O conhecimento das motivações que levam milhões de pessoas a visitar os lugares sagrados é condição essencial para o desenvolvimento sustentável dos destinos turísticos.
- O visitante dos lugares sagrados em geral, e de Fátima em particular, carateriza-se pela notável fidelização ao lugar visitado.
- Por isso, pode dizer-se que a fidelização do turista é, nestes casos, um elemento essencial da relação que o turista religioso e o peregrino estabelecem com os destinos que estão a visitar.
- Assim, o princípio-chave é preservar o espírito dos destinos, a autenticidade e a integridade com que são administrados e promovidos embora tornando-os acessíveis a todos.
- Por outro lado, estes lugares de espiritualidade têm potencial para encaminhar parte dos seus fluxos turísticos para outras atrações turísticas da respetiva região, obviamente com estratégias de promoção adequada; é possível orientar visitantes para áreas menos conhecidas e lugares complementares que são oferecidos em lugares sagrados.
- Adicionalmente, os destinos de turismo religioso são normalmente afetados por tendências e crises económicas.  
Por conseguinte, tomando nota de que as Nações Unidas (ONU) declararam 2017 como o Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento, o Congresso discutiu a forma como as parcerias efetivas, em lugares sagrados, podem beneficiar as comunidades locais e encorajar o seu desenvolvimento sustentável e a capacitação socioeconómica no longo prazo. 

Também foi debatida a necessidade de políticas específicas de proteção e gestão de locais religiosos e sagrados que levem em linha de conta o valor sagrado ou espiritual distinto associado ao local, como um fator-chave para sua conservação.

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Segundo o ex-Presidente da Câmara Municipal de Ourém Paulo Fonseca, o congresso é mais um passo numa estratégia de Fátima assumir a sua centralidade no mundo. O congresso internacional, que tem o apoio do Ministério da Economia, contou com a presença do Secretário-Geral da OMT, Taleb Rifai, assim como de vários ministros e ex-ministros de países como o Paraguai, Sri Lanka, Lituânia, Macedónia, Egito. Marcaram ainda presença vários especialistas do setor do turismo da Coreia do Sul, Espanha, Noruega, Etiópia e Israel.
Segundo a autarquia, o congresso internacional está integrado nas comemorações do Centenário das Aparições de Fátima e, face à presença de vários membros de governos estrangeiros, houve um cuidado especial relativamente à segurança do evento.
Os principais objetivos do congresso centram-se na necessidade de:
- Refletir sobre o potencial competitivo do mercado do turismo religioso;
- Aumentar a atratividade nos destinos religiosos;
- Prosseguir a afirmação do turismo religioso nas redes regionais, nacionais e internacionais de inovação; e
- Partilhar conhecimento sobre as melhores formas de promover destinos religiosos.
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Em consonância com o programa atempadamente divulgado, o Congresso iniciou-se em 22 de novembro, pelas 9,15 horas com “Introdução ao “Congresso Internacional sobre Turismo Religioso e Peregrinação”, por Sandra Carvao, Chefe de Comunicações e Publicações na UNWTO.
Às 9,20 horas, ocorreu a Cerimónia de Abertura, com intervenções de Luís Miguel Marques Grossinho Coutinho Albuquerque, Presidente da Câmara Municipal de Ourém, Portugal, Carlos Cabecinhas, Reitor do Santuário de Fátima, Portugal, Taleb Rifai, Secretário-Geral, UNWTO, e o Representante do Presidente da República de Portugal.
Das 10 às 11 horas, desenvolveu-se um Diálogo de Alto Nível, introduzido e moderado por Mr. Taleb Rifai, Secretário-Geral da UNWTO.
Em relação às quatro sessões indicam-se: o tema, o introdutor e moderador; a ideia de fundo; e a questão ou questões a que se pretende responder. Assim:
Das 11,30 horas às 13, decorreu a Sessão 1 subordinada ao tema “Preservação das tradições sagradas e proteção dos sítios religiosos”, introduzido e moderado por Mr. Jafar Jafari, Professor, Founding Editor, Annals of Tourism Research.
Muitos sítios sagrados estão em risco devido ao grande peso de pressões e ameaças, tanto externas como internas. As ameaças externas incluem as relacionadas com os desastres naturais e a poluição, acentuadas pelas mudanças climáticas, enquanto as ameaças internas podem ser atribuídas aos aspetos sociais como o vandalismo e o furto. Também o turismo pode ser em parte responsável devido ao uso excessivo dos sítios e por exceder os limites da capacidade de lotação dos preditos sítios.
Assim, questiona-se: O que se pode fazer para identificar, combater e mitigar tais ameaças?
A preservação das tradições sagradas postula boas práticas em termos de acessibilidade universal que reforça a competitividade dos destinos do turismo. Adaptar produtos e serviços para as pessoas com necessidades especiais de acesso ajuda à inclusão e dignificação das experiências e turismo.
Por isso, pergunta-se como podem os sítios religiosos tornar-se acessíveis sem se alterar o seu valor cultural ou afetar a sua condição de segurança?

Das 14,30 horas às 14,45 – Saudação de Boas-vindas, por Manuel Caldeira Cabral, Ministro da Economia de Portugal.
Das 14,45 às 15,15 horas, Comunicação, por Ms. Noga Collins-Kreiner, Department of Geography and Environmental Studies, University of Haifa, Israel, Vice-President of the Israeli Geographical Association (IGA)
Das 15,15 às 16,45 horas, Sessão 2, subordinada ao tema “Papel do turismo religioso no crescimento económico sustentável e na inclusividade social das comunidades locais”, introduzido e moderado por Mr. Kevin Griffin, Lecturer in Tourism, Dublin Institute of Technology, Irlanda.
Os lugares sagrados só caraterizados pela sazonalidade e pela grande afluência de visitantes em certas épocas do ano, o que coloca muitos desafios. É necessário desenvolver estratégias para gerir essa afluência, muito embora garantindo aos turistas a qualidade da visita. Salvaguardar a herança cultural para a satisfação das comunidades locais é uma prioridade para o desenvolvimento sustentável, a longo prazo, dos sítios religiosos.
Assim, pergunta-se como podem os governantes, as autoridades religiosas e os operadores turísticos otimizar as vantagens que o turismo religioso cria?

Às 16,45 Notas de encerramento e termo das sessões do 1.º dia, pelo porta-voz da organização.
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No dia 23 de novembro, às 9,50 horas, Abertura do 2.º dia do Congresso, pelo porta-voz da organização.
Das 10 às 11,30 horas, Sessão 3, subordinada ao tema “Sinergias potenciais para o desenvolvimento do turismo religioso através de rotas culturais e rede de destinos”, introduzido e moderado por Mr. Stefano Dominioni, Secretário Executivo, Enlarged Partial Agreement on Cultural Routes of the Council of Europe (EPA) Director, Instituto Europeu das Rotas Culurais (EICR), Conselho da Europa.
As rotas culturais e religiosas são importantes produtos turísticos que atraem peregrinos em todo o mundo e sugerem que as experiências ao longo do percurso são tão importantes como os próprios destinos. Como as rotas de turismo, algumas vezes, cruzam vários países ou regiões, elas estimulam a oportunidade do empreendedorismo através do desenvolvimento de produtos subsidiários e serviços e, por consequência, são potenciais propulsores para o desenvolvimento económico local, oferecendo oportunidades de formação de parcerias entre diversas regiões.
Assim, pergunta-se como podem o Governo e as autoridades locais trabalhar em conjunto para desenvolver um portefólio de ações estratégicas desenhado para um plano detalhado que seja capaz de sustentar e promover as rotas de turismo

Das 11,30 às 13, horas, Sessão 4, subordinada ao tema “O futuro do turismo religioso: marketing inovador e uso da tecnologia”, introduzido e moderado por Ms. Silvia Aulet Serrallonga, Professora e Investigadora, Faculdade de Turismo da Universidade de Girona, Espanha.
As novas tecnologias da comunicação foram rapidamente adotadas pelo turismo religioso.
As tecnologias da informação e da comunicação (TIC) proporcionam novas oportunidades de crescente interesse e consciência da herança religiosa e de reforço da representação da prática religiosa.
Assim, pergunta-se em que medida as inovações tecnológicas e a evolução digital criam impacto no turismo religioso e contribuem para a sua promoção?

Das 13 às 13,30 horas, Notas de encerramento, por: Luís Albuquerque, Presidente da Câmara Municipal de Ourém, Portugal, Mr. Bartłomiej Walas, Vereador do Turismo do Município de Cracóvia, Polónia, e Mr. Taleb Rifai, Secretário-Geral da UNWTO.
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Registe-se que o turismo mundial movimentou 1,2 mil milhões de pessoas em 2016, sendo que um quarto dos turistas viajou por motivos religiosos, como disse, em Fátima, o Secretário-Geral da Organização Mundial de Turismo
E o Congresso Internacional de Turismo Religioso e Peregrinação, que decorreu no Centro Pastoral Paulo VI, em Fátima, contou com mais de 700 participantes. A iniciativa teve, como se disse, o apoio da Organização Mundial do Turismo (OMT) e levou até Fátima os mais altos representantes dos países membros da OMT, além do seu secretário-geral, Taleb Rifai, bem como reconhecidos oradores provenientes de todo o mundo.
O intenso trabalho levado a cabo nos últimos anos pelo Município de Ourém fundamentou a escolha para a realização deste evento de alcance internacional. Este evento foi oportunidade única para a promoção de Fátima no Mundo, um verdadeiro reforço e complemento ao trabalho já realizado, como por exemplo o Workshop Internacional de Turismo Religioso. Assim, após a sua realização em cidades como Elche (2014), Belém (2015) e Utrecht (2016), o Congresso Internacional de Turismo Religioso e Peregrinação refletiu sobre o potencial e o papel do turismo religioso e dos lugares sagrados como uma ferramenta para o desenvolvimento socioeconómico e cultural dos destinos, bem como dos seus percursos.
O património religioso faz parte integrante do nosso património cultural. Esta herança histórica deve ser preservada pelo seu valor cultural, independentemente das suas origens religiosas.
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O reitor do Santuário de Fátima, falando na abertura do Congresso Internacional de Turismo Religioso e Peregrinação, disse, no dia 22, que a Cova da Iria é o mais significativo destino de turismo religioso português e que a celebração do Centenário consolidou a internacionalização de Fátima. Para o Padre Carlos Cabecinhas, a realização deste congresso apresenta-se como “especialmente feliz”, por ser uma ocasião de reflexão sobre o “potencial dos lugares sagrados”. O sacerdote sublinhou:
A variedade de proveniências de peregrinos que, em cada ano, acorrem a Fátima, comprova que este é, de facto, um Santuário mundialmente conhecido. E, se isto era claro no passado, no Centenário tem aparecido com especial evidência, com o aumento significativo de peregrinos vindos de todos os continentes”.
Referido a importância de se promover uma reflexão sobre as potencialidades da peregrinação e do turismo religioso, formulou o seguinte voto:
Que este Congresso se proponha refletir sobre as potencialidades da peregrinação e do turismo religioso como meios de desenvolvimento de um turismo sustentável e como meio de aproximação entre os povos, assume especial relevo neste lugar”.
E o Congresso correspondeu ao voto do reitor do Santuário de Fátima e às expectativas dos congressistas? Espera-se, para ver, a publicação das atas para enriquecimento cultural de todos e incremento desta indústria da paz.

2017.11.23 – Louro de Carvalho