Mostrar mensagens com a etiqueta Novas Tecnologias. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Novas Tecnologias. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

As refeições em família são tempos de comunicação por excelência


Sara R. Oliveira tem, “no educare.pt”, um artigo, de 5 de fevereiro, sob o título “Telemóveis à mesa? O alerta ‘oportuno’ do Papa” em que chama – e bem – a atenção para a necessidade de respeitar certos momentos de convívio que merecem não ser perturbados. E esses ocorrem sobretudo em família e na escola, nas refeições e em outros momentos em que a comunicação é essencial, nada legitimando que em momentos desses cada um se isole na comunicação com outrem estranho ao momento que o grupo familiar ou o grupo escolar deve privilegiar.
É certo que este é o mundo das novas tecnologias em que os dispositivos móveis fazem parte do cérebro dos nativos digitais. Porém, há momentos de convívio que não se compadecem com o uso do telemóvel, do jornal do tablet, do rádio ou da televisão. Entre estes, sobressaem as refeições em família como tempos de comunicação por excelência.
A predita articulista menciona o que diz ser a homilia da missa do Papa no último domingo de 2019 (dia 29 de dezembro), festa da Sagrada Família, que terá saído ligeiramente do seu discurso “para lançar uma pergunta incómoda na era da globalização e do mundo tecnológico e digital”. Ora, não se trata de homilia de missa nem doutra celebração litúrgica, mas da alocução usual em domingos e outros dias especiais antes da recitação do Angelus (a homilia é reflexão sobre a Palavra de Deus proclamada na liturgia da Palavra duma celebração litúrgica). O Pontífice, fazendo ressonância da liturgia da festa, falou do papel de cada um dos elementos da Sagrada Família: Maria, José e Jesus. E, sublinhando que estes três elementos dão “uma resposta coral à vontade do Pai” e que rezavam, trabalhavam, comunicavam”, interrogava a propósito:
Tu, na tua família, sabes comunicar, ou és como aqueles jovens à mesa, cada qual com o telemóvel, enquanto conversam no chat? Naquela mesa parece que há um silêncio como se estivessem na Missa... Mas não comunicam entre si.”.
E concluiu:
Temos que retomar o diálogo em família: pais, filhos, avós e irmãos devem comunicar entre si... Eis o dever de hoje, precisamente no dia da Sagrada Família. Que a Sagrada Família possa ser modelo das nossas famílias, a fim de que pais e filhos se ajudem mutuamente na adesão ao Evangelho, fundamento da santidade da família.”.
Não obstante, Sara Oliveira reteve o essencial do discurso papal: os telemóveis não devem fazer parte das refeições, pelo que “devemos reanimar a comunicação na família”.
Também a articulista cita Daniel Sampaio, psiquiatra e professor catedrático, que recentemente publicou o livro “Do Telemóvel para o Mundo. Pais e Adolescentes no Tempo da Internet”, reconhece que “o apelo do Papa é oportuno, mas não se deve criticar o uso dos telemóveis, que são muito importantes para comunicar com o mundo”. E, como sustenta no livro, “ninguém deve ter telemóveis à mesa (filhos e pais)”, sustentando que “os telemóveis devem ser desligados antes da hora de dormir”. Depois, retomando a expressão “galáxia internet”, do sociólogo espanhol Manuel Castells, para sublinhar a impossibilidade de hoje se viver sem internet e o aumento diário do número de utilizadores, admite:
Os jovens são os habitantes mais ativos desta nova galáxia e por vezes até a glorificam em excesso. A realidade é que os adolescentes não são capazes de viver sem internet e é bom que pais e professores se convençam disso.”.
De facto, segundo Sampaio, o telemóvel já faz parte do cérebro e do corpo dos jovens, nada adianta afirmar o contrário. É uma constatação não necessariamente uma coisa má, pois trata-se dum pequeno objeto que, permitindo contactar muita gente, marcar uma viagem, um jantar, um encontro, uma festa, “é uma porta aberta para o mundo”. E o autor do livro escreve:
Tudo isto deve ser aproveitado. Estamos num mundo novo e é fundamental que pais e filhos se encontrem nesse mundo e que o telemóvel não seja apenas um motivo de conflito.”.
***
E Sara oliveira dá voz a outros especialistas, que têm em conta a preocupação de Francisco.
Assim, Tito de Morais, fundador do projeto MiudosSegurosNa.Net, que ajuda famílias, escolas e comunidade a promover a segurança online, considerando a declaração do Papa sobre os telemóveis “extremamente oportuna”, refere que a utilização de dispositivos móveis às horas das refeições “está a destruir a comunicação familiar e o próprio tempo de refeição”. E, a propósito, lembra o relato duma pediatra que, ao explicar a uma mãe que às refeições não devia haver intromissão de aparelhos tecnológicos, a senhora perguntou o que era isso de refeições, pois, em sua casa, cada um se servia do tacho na cozinha, indo ela “para a sala ver televisão enquanto comia e o filho para o quarto comer enquanto jogava”.
Tito de Morais, secundando a preocupação do Papa, aponta que, em restaurante, “rara será a mesa com crianças em que estas não estejam hipnotizadas pelo telemóvel ou pelo tablet” e os pais “provavelmente grudados à televisão”. E, observando que o problema é os pais não terem noção de que se estão a retirar de um tempo único, cada vez mais raro, de convívio e diálogo com os filhos, adverte:
Quando se aperceberem do erro que cometeram e procurarem repor esse tempo, já irão tarde demais e dificilmente o conseguirão fazer, por duas razões: o tempo que se perdeu, está perdido, não volta para trás, e já desenvolveram nos filhos, ao longo de anos, um hábito e uma rotina e, como sabemos, hábitos e comportamentos são das coisas mais difíceis de alterar”.
Assim, para o autor do MiudosSegurosNa.Net, há que dizer não aos smartphones, tablets ou televisões ligadas durante as refeições, pois tais momentos devem ser espaços de interação pessoal, para falar, ouvir, conversar. Para tanto, o papel da escola e dos educadores deve centrar-se na educação parental, “mostrando, com exemplos, a importância da preservação do tempo da refeição como um tempo de diálogo familiar e dos benefícios que daí se tiram ao nível do acompanhamento parental da vida dos nossos filhos”. E Tito de Morais conclui:
Pais, famílias, escolas, professores e educadores devem promover o ensino da gestão do tempo e das prioridades como uma competência essencial para os dias de hoje e para o futuro”.
Por seu turno, Luís Fernandes, psicólogo, mestre em Observação e Análise da Relação Educativa, frisando que os telemóveis e as novas tecnologias constituem um enorme desafio para as comunidades e um constrangimento para as famílias em todo o mundo (realidades demasiado evidentes), entende que o alerta do Papa Francisco “faz todo o sentido” e, vindo de quem vem, alcança mais gente, em diversos contextos, fazendo-o com um grande impacto social. Contudo, propõe-se analisar vários fatores e olhar para o mundo digital como um aliado, não como um inimigo. Com efeito, a geração “always on(sempre ligada) vive agarrada à tecnologia. Os nativos digitais não conhecem outro mundo. E os pais, mais velhos, que entraram nessa realidade, sentem que têm de estar sempre ligados, onde estiverem, a que horas for, seja por motivos pessoais, seja por razões profissionais. Por outro lado, sentem que ter-se dado a tecnologia muito cedo aos miúdos acaba por afetar a comunicação. Além disso, os telemóveis nas mãos dos mais novos tornam-se, muitas vezes, momentos de descanso para os mais velhos.
Verificando que “os filhos perdem-se em casa pelas navegações que fazem” e “o tempo de brincar na rua já se encontra em vias de extinção”, o psicólogo vinca:
Na adolescência, os jovens afastam-se um bocadinho, não comunicam tanto com os pais, e as novas tecnologias amplificam a falta de comunicação”.
Sendo assim, é preciso adotar algumas restrições e, se não há telemóveis à mesa, não há para todos, filhos e pais, pais e filhos. E Luís Fernandes aduz que há famílias que, sobretudo ao fim de semana, estabelecem um horário sem telemóveis para passear, fazer jogos, brincar. Pais e filhos, juntos, sem toques e interferências por perto.
E, considerando que a tecnologia também mudou a forma de ensinar, a forma de preparar e dar aulas, com novas ferramentas que prendem a atenção dos alunos, Luís Fernandes avisa:
Temos de ver como usar essas ferramentas a nosso favor e isso passa muito por dialogar e envolver esses dispositivos na aprendizagem. (…) Não faz sentido querer que a tecnologia não faça parte da vida dos nativos digitais.”.
Para o psicólogo, já que proibir não ajuda, nem resulta, o melhor é limitar e consciencializar os mais novos. E o professor pode dar aulas de outro modo, explorar abordagens mais atrativas.
Do seu lado, Sónia Seixas, psicóloga e professora universitária, licenciada em Antropologia Social e em Psicologia Educacional, doutorada em Psicologia Pedagógica, entende que o facto de alguém duma geração anterior comentar ou avaliar comportamentos da geração seguinte, nomeadamente quanto à introdução de elementos de inovação que interferem na vivência quotidiana das duas gerações, é complexo, difícil e possivelmente tendencioso. E, com esta ressalva, fala do assunto e comenta a declaração do Papa Francisco, sobretudo enquanto mãe e membro de uma sociedade em acelerada transformação:
É inevitável que esta nova geração se habitue, desde cedo, a contactar, interagir e comunicar à distância, através dos ecrãs, utilizando habilmente todos os dispositivos e aplicações que se encontram disponíveis e acessíveis à sua exploração e utilização”.
Porém, sublinha que estas novas maneiras de comunicação “não se substituem às formas presenciais de interação que a geração dos seus pais avós não só prefere, como utiliza de sobremaneira”. Por causa destas preferências não coincidentes instalam-se alguns “desencontros comunicacionais” que “não deveriam ser obrigatoriamente entendidos nem como opostos nem como obstáculos”, apesar de a tecnologia, sempre presente, poder dificultar a partilha de alguns momentos em família, como a refeição feita em conjunto. E a psicóloga antropóloga observa:
Nos dias de hoje, em que vivemos o nosso dia a dia de forma acelerada, apressados para conseguirmos responder simultaneamente a todas as demandas profissionais, pessoais e familiares, torna-se difícil garantir momentos em família, onde a comunicação tenha um espaço devidamente assegurado. É, por isso, fundamental criar oportunidades em que todos os elementos da família possam comunicar presencialmente, olharem-se nos olhos, ler e interpretar emoções e estados de espírito através da linguagem não verbal (corporal e facial), escutar, expressar-se verbalmente, sem a mediação de ecrãs.”.
Não obstante a utilização das tecnologias ser muito atrativa, são de ter em conta outros fatores, entre os quais se destaca a vivência em família. Assim, quando a família está reunida, sobretudo à roda da mesa de refeição, devem encontrar-se mecanismos para que se desenvolva a familiaridade, a intimidade, a cumplicidade, a partilha, o auto e heteroconhecimento, ou seja, “pais e filhos devem estar distantes, por momentos, dos alertas de mensagens, do e-mail, daquela necessidade de consultar, de mil informações que passam pelo ecrã”.
A haver, nesta matéria, um papel a atribuir, será à família e não à escola. E esses momentos familiares, a serem ‘regulamentados’ ou negociados, devem sê-lo nesse contexto, com esses interlocutores e tendo como referência a sua própria rotina e dinâmica relacional. Pode não ser eventualmente necessário reestabelecer ou retomar a comunicação na família, mas tem sempre de “haver um esforço consciente e voluntário, para que se mantenha nos termos daquilo que possamos considerar como menos digital e mais presencial, menos online e mais offline”, como refere a psicóloga antropóloga. Neste aspeto, a escola pode prestar um inestimável serviço à família se ajudar a consciencializar os alunos para a importância do ato de comunicar sem ruído.
2020.02.11 – Louro de Carvalho

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Em prol da redução da pegada ecológica


Já se sabia que a vaca nos dá a carne e o leite, para alimentação, e a urina e as fezes para, em contacto com as ervas, palhas, arbustos e folhas de árvore, fertilizarem as terras. Além disso, os antigos segadores de feno utilizavam o chifre para manter humedecida a pedra adequada para afiar a ceifadora (gadanha nalgumas regiões). Era, porém, inimaginável pensar que a urina e as fezes do bovídeo pudessem era utilizadas para alguma indumentária, sobretudo se devidamente bafejada pelo preço. 
***
Entretanto, Joana Nabais Ferreira, em artigo hoje, dia 3, publicado no ECO, diz-nos que Jalila Essaïdi, uma holandesa, criou uma espécie de “estrume de alta costura”, ou seja, trouxe o estrume à discussão e projeta aplicá-lo na indústria da moda. Isto quer dizer que está cada vez mais presente o reaproveitamento de materiais que, à partida, seriam desperdício.
Este propósito vem alinhado com a existência cada vez mais recorrente de startups a lançar o negócio num quadro ecológico e sustentável. Isto passa pela revolução alimentar (fazer comida com grilos ou pratos comestíveis através de desperdício alimentar) e pela transformação da indústria da moda (converter os resíduos alimentares numa fibra natural a tecer em roupas ou, como neste caso, através das fezes das vacas). De facto, Jalila Essaïdi, especialista em artes biológicas, em diálogo com alguns agricultores, quer transformar os dejetos das vacas em materiais úteis para o fabrico de tecidos e, sobretudo, “transformar o estrume na futura escolha dos fabricantes na hora de fazer os tecidos para peças de alta costura” – num momento em que os países se preocupam cada vez mais com as questões ambientais e Governos e empresas optam pela eliminação de hábitos não amigos do ambiente, sobressaindo o uso de plásticos e descartáveis ou hidrocarbonetos. Assim,  o estrume ressalta como novo material aplicável na velha prática da tecelagem.
Esta nova tecnologia é um processo “químico e mecânico” como explicou Essaïdi ao The Guardian (acesso pago) em que se combinam, para o estrume, as fezes e a urina da vaca (80% desta é água). Disse Essaïdi:
Separamos a fração húmida da seca. A fração húmida é fermentada e extraímos os solventes para transformar a celulose, que não é nada mais do que a erva e o milho que as vacas comem.”.
Este processo, segundo a mentora, tem duas vantagens sobre o método da indústria têxtil tradicional: não precisa de alta pressão, visto que o estômago da vaca é o primeiro passo para tornar a fibra mais macia; e é “mais eficiente”. Além disso, Essaïdi, porfiando que a reciclagem das fezes das vacas está muito associada a um futuro sustentável, assegurou:
Nós vemos o estrume como um material residual, algo repugnante e fedorento. No entanto, o óleo [usado para fazer a fibra] não é limpo nem bonito no começo. É preciso mostrar às pessoas a beleza escondida se transformarmos esta celulose.”.
Por sua vez, Kim Roetert, porta-voz da ZLTO, a associação holandesa de agricultores, partilha desta intenção, encarando “o estrume como um problema real resultante da criação de animais”, mas crê também que “serve para muito mais do que apenas tornar o solo fértil”, pois, como disse, vê-lo apenas como um resíduo mostra uma visão limitada.
Ora, em conformidade com dados do The Guardian, estima-se que, na Nova Zelândia, 60% dos cursos de água não sejam seguros devido ao escoamento dos resíduos derivados da criação de vacas, cheios de nitratos, fosfatos e bactérias que promovem as algas. E, para reduzir a poluição da água, a UE impôs limites à quantidade de estrume utilizada como fertilizante. Não obstante, a Holanda, por exemplo, mostra regularmente relatos da violação desses limites. Assim, a agência ambiental do Governo holandês calcula que entre 30% a 40% da quantidade anual de estrume no país esteja, para evitar multas por superprodução, no mercado negro de lixo ilegal, comercializado secretamente ou espalhado discretamente pela terra à noite.
Nestes termos, enquanto se diversifica a produção da indumentária, melhora-se a política ambiental e reduz-se a pegada ecológica. Mas isto implica um esforço de adaptação em que a transparência entendida em absoluto pode não ser, para já, a melhor conselheira.
Com efeito, a ideia de Essaïdi é reconhecida entre os profissionais: a Chivas Venture atribuiu um prémio de 200 mil dólares e a H&M Foundation o prémio Global Change.  A loja de roupa internacional, criadora da H&M Foundationacolhe a dinâmica de adaptação a novos materiais, originais e incomuns. E Malin Björne, gerente de comunicações da fundação, advertiu:
Fashionista ou não, todos nós vamos ter de nos acostumar a materiais às vezes não convencionais. Já não podemos confiar no algodão, por exemplo.”.
No entanto, alguns fabricantes confessaram à especialista em artes biológicas estarem a considerar o processo, mas não tencionam declará-lo explicitamente nas etiquetas da roupa.
***
Mas há mais formas inovadoras de redução da pegada ecológica. Há uma startup portuguesa, em Santarém, a Solitud que quer pôr-nos a comer tudo, inclusive o prato – o que implica substituir as loiças de plástico e as de papel por loiças biodegradáveis e comestíveis, incentivando-nos a mudar hábitos, nomeadamente a ter consciência da pegada ecológica e do uso excessivo de plásticos e a minorar a poluição dos oceanos.
A startup quer captar três milhões de euros de investimento para começar a produzir os pratos em Portugal e introduzir-lhes inovação tecnológica.
A ideia de produzir pratos a partir de farelo de trigo é polaca e foi trazida para Portugal por Pedro Cadete e Luís Simões, que começaram a comercializá-los mesmo antes de constituírem a empresa. E comer pratos ou vestir cascas de banana são modos de reinventar a alimentação e a indumentária. Os meios são diferentes: desde loiça biodegradável e comestível, passando por fibras têxteis feitas com restos alimentares, até à farinha de grilo.
Os dois colegas de curso de marketing decidiram abandonar uma carreira de 16 anos a vender ideias inovadoras para se aplicarem à produção e comercialização das suas, introduzindo-lhes inovação tecnológica.
Pedro Cadete, um dos responsáveis da Solitud, explicou ao ECO:
O nosso prato é 100% farelo de trigo. É composto pela parte do trigo que só se aproveitaria para a ração animal. Assim, a pessoa pode optar por comer o prato ou, se preferir, dá-lo ao seu cão, por exemplo.[…] Outra hipótese é colocar a loiça num compostor, juntamente com os restos de comida.”.
Os pratos de farelo de trigo (subproduto do processamento de grãos de trigo) são fabricados com vista ao desperdício mínimo e têm pegada ecológica praticamente negativa, pois utiliza-se muito menos água para produzir esta loiça “do que a indústria do plástico e mesmo do bioplástico”. Ademais, por ser biodegradável ou compostável, não tem custos associados à lavagem (nem de água nem de eletricidade), nem à produção de resíduos. Por ser usado uma única vez, “continua a ser um produto descartável, mas consciente”.
Os pratos podem ser depositados num compostor em conjunto com os restos de comida, ao invés, por exemplo, dos de papel, que “não podem ser reciclados depois de sujos”.
E Pedro Cadete referiu ainda:
Em Portugal também temos farelo de trigo, que é utilizado como ração ou adubo, sem qualquer outro aproveitamento, mas existem outros recursos, como a casca de arroz, em que existe produção excessiva, que são desperdiçados e podemos dar-lhes outro aproveitamento”.
A startup quer “adaptar a Portugal tecnologias desenvolvidas no estrangeiro” e está a investir 50 mil euros no desenvolvimento de palhetas de mexer o café, produzidas com base em fibras vegetais, que deverão fazer chegar ao mercado no próximo outono.
Na sua página oficial, a ONU lembra que 80% da poluição dos oceanos é proveniente das pessoas e que 8 milhões de toneladas de plástico acabam nos oceanos em cada ano, prejudicando a vida selvagem, a pesca e o turismo. Os seus números estimam também que a poluição por plásticos custa a vida a um milhão de aves marinhas e a 100 mil mamíferos em cada ano. E é também, em cada ano, que o plástico causa oito mil milhões de dólares (6,8 mil milhões de euros) de danos nos ecossistemas marinhos.
***
Também já há empresas portuguesas a criar larvas de insetos que transformam em farinhas para incorporar em bolacha, pão, paté, barra proteica, enriquecendo em proteína animal alimentos que apenas aguardam autorização europeia para entrarem no mercado da alimentação humana.
José Gonçalves, fundador da Nutrix, empresa de Leiria produtora de framboesas biológicas e com a produção de larvas de grilo para alimentação humana em fase experimental, disse à Lusa:
Há muitos anos que os humanos comem insetos. No mundo ocidental deixámos de comer em certa altura da história e o que está em jogo neste momento é voltarmos a comer.”.
Recentemente, a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), tendo em conta os brutais impactos das fontes atualmente utilizadas (sobretudo carnes de vaca, porco e frango) veio alertar para a necessidade de se encontrarem alternativas sustentáveis para a produção de proteína animal, o que significa um considerável impulso a esta área. Neste sentido, frisou:
Do ponto de vista nutricional, os insetos são riquíssimos e, sendo, simultaneamente, sustentáveis do ponto de vista ambiental, é ‘um dois em um’ que raramente se consegue com outros alimentos”.
Guilherme Pereira, um dos fundadores da Portugal Bugs, empresa de Matosinhos que cria larvas de besouro pretos (bicho da farinha ou tenébrio) para alimentação humana e animal, encareceu as vantagens, afirmando:
Há insetos que conseguem ter a quantidade máxima de aminoácidos essenciais de que precisamos e não conseguimos sintetizar. O ser humano precisa de proteína para conseguir sobreviver. Uns vão buscar à carne e outros aos vegetais, mas essas fontes proteicas são insustentáveis se pensarmos nos recursos hídricos que gastamos, no espaço que precisamos, nos gases com efeito de estufa que se libertam.”.
Por seu turno, Daniel Murta, um dos fundadores da EntoGreen, empresa de Santarém que desenvolve um projeto com investigadores da EZN (Estação Zootécnica Nacional), polo de Santarém do INIAV (Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária), que envolve um entreposto agrícola e produtores de rações animais, referiu que a utilização de insetos permite “fechar um ciclo” por constituir um “selo de sustentabilidade e de economia circular”. E vincou:
Estamos a produzir animais que vão converter subprodutos alimentares. Estamos a utilizar o que não é utilizado nas cadeias de distribuição, a focar 100% em produtos vegetais que são gerados nas fábricas de produção alimentar e que estão completamente em condições de ser utilizados na alimentação animal (...), mas que acabam em aterro ou compostagem.”.
A EntoGreen aproveita tais nutrientes, que de outro modo seriam desperdiçados, reintegra-os na cadeia de valor, transforma-os em fertilizantes agrícolas lançando mão de insetos (neste caso, a larva da mosca soldado negra), e produz “duas fontes nutricionais alternativas: a proteína de inseto e o óleo de inseto, altamente valorizadas, comparadas com farinha de peixe e que começam a ser bastante apetecíveis, por exemplo na indústria de produção de aquacultura”. E Daniel Murta encarece o apoio do INIAV às empresas na vertente de investigação e desenvolvimento e na possibilidade de submissão de candidaturas a fundos comunitários.
Segundo Murta, os resultados preliminares deste projeto EntoValor “foram bastante animadores”, por terem demonstrado a possibilidade de “substituir totalmente a soja por farinha de insetos e produzir de forma eficiente os animais”, bem como por terem mostrado a utilidade, no solo, dos fertilizantes gerados, na produção de milho, batata ou tomate, estando já a ser testados laboratorialmente em alfaces. A expectativa é que, neste ano e no próximo, se possa construir, segundo adiantou, “uma unidade de escala total e entrar no mercado”.
Enquanto decorrem os processos de aprovação para alimentação humana, a Portugal Bugs está já a produzir as larvas e o produto final (incluindo barras proteicas, recentemente premiadas, e pães, massas, bases para pizas), para, quando puder entrar no mercado, o fazer sem dependência de terceiros, sendo “mais competitivos” e garantindo a forma como os insetos são produzidos.
Também a Nutrix está “em fase experimental”, a “arrancar com a unidade piloto de produção de insetos” que vai incorporar, tal como a Portugal Bugs, em forma de farinha, em alimentos já conhecidos, como, por exemplo, para enriquecer uma bolacha, uma barra proteica, um pão, um paté”, visto que acredita que “o consumo de insetos no mundo ocidental vai entrar por essa via” e não pelo consumo do animal inteiro, como sucede noutros pontos do mundo.
***
Os nossos antepassados sabiam muito bem aproveitar as fezes e dejetos dos animais para, em combinação com as palhas, folhas, ramas, ervas e arbustos, produzirem adubos orgânicos – que eles, não conhecendo o termo “compostagem”, designavam por “curtimento” (hoje “curte-se” de outra maneira) – o estrume ou esterco, que fertilizava os campos. O predomínio dos adubos químicos veio eclipsar quase totalmente os adubos orgânicos. É quase milagre fazer agricultura genuinamente biológica. E vieram técnicos que pretenderam ensinar até aos mais velhos as velhas técnicas em miniatura, a que dão a designação de compostagem, que se faz em compositores.
Porém, ninguém imaginaria que daqui viesse a resultar indumentária da moda. Estejamos, pois, atentos à origem dos/as novos/as modelos!
E não critiquemos tanto indianos e chineses por comerem não sei o quê, pois, segundo parece, vamos lá por vias mais sofisticadas.
Em todo o caso, tudo o que venha reduzir a pegada ecológica, prevenir o uso excessivo de plásticos e combater a poluição de rios, lagos, solos, minas e oceanos, é bem-vindo, mesmo que tenhamos de comer larvas, insetos, papéis e plásticos!  
2018.08.03 – Louro de Carvalho

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

O Congresso Internacional de Turismo Religioso e Peregrinação

Decorreu nestes dias, 22 e 23 de novembro, em Fátima, no Centro Pastoral Paulo VI, o Congresso Internacional de Turismo Religioso e Peregrinação, iniciativa conjunta da Organização Mundial do Turismo (OMT ou UNWTO), do Ministério da Economia e do Município de Ourém.
O evento, que se insere no contexto do centenário das aparições de Fátima (1917-2017), constituiu uma oportunidade para reflexão sobre o potencial e o papel do turismo religioso e dos lugares sagrados como uma ferramenta para o desenvolvimento socioeconómico e cultural dos destinos, bem como dos seus percursos.
O congresso partiu dos seguintes pressupostos:
- O conhecimento das motivações que levam milhões de pessoas a visitar os lugares sagrados é condição essencial para o desenvolvimento sustentável dos destinos turísticos.
- O visitante dos lugares sagrados em geral, e de Fátima em particular, carateriza-se pela notável fidelização ao lugar visitado.
- Por isso, pode dizer-se que a fidelização do turista é, nestes casos, um elemento essencial da relação que o turista religioso e o peregrino estabelecem com os destinos que estão a visitar.
- Assim, o princípio-chave é preservar o espírito dos destinos, a autenticidade e a integridade com que são administrados e promovidos embora tornando-os acessíveis a todos.
- Por outro lado, estes lugares de espiritualidade têm potencial para encaminhar parte dos seus fluxos turísticos para outras atrações turísticas da respetiva região, obviamente com estratégias de promoção adequada; é possível orientar visitantes para áreas menos conhecidas e lugares complementares que são oferecidos em lugares sagrados.
- Adicionalmente, os destinos de turismo religioso são normalmente afetados por tendências e crises económicas.  
Por conseguinte, tomando nota de que as Nações Unidas (ONU) declararam 2017 como o Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento, o Congresso discutiu a forma como as parcerias efetivas, em lugares sagrados, podem beneficiar as comunidades locais e encorajar o seu desenvolvimento sustentável e a capacitação socioeconómica no longo prazo. 

Também foi debatida a necessidade de políticas específicas de proteção e gestão de locais religiosos e sagrados que levem em linha de conta o valor sagrado ou espiritual distinto associado ao local, como um fator-chave para sua conservação.

***
Segundo o ex-Presidente da Câmara Municipal de Ourém Paulo Fonseca, o congresso é mais um passo numa estratégia de Fátima assumir a sua centralidade no mundo. O congresso internacional, que tem o apoio do Ministério da Economia, contou com a presença do Secretário-Geral da OMT, Taleb Rifai, assim como de vários ministros e ex-ministros de países como o Paraguai, Sri Lanka, Lituânia, Macedónia, Egito. Marcaram ainda presença vários especialistas do setor do turismo da Coreia do Sul, Espanha, Noruega, Etiópia e Israel.
Segundo a autarquia, o congresso internacional está integrado nas comemorações do Centenário das Aparições de Fátima e, face à presença de vários membros de governos estrangeiros, houve um cuidado especial relativamente à segurança do evento.
Os principais objetivos do congresso centram-se na necessidade de:
- Refletir sobre o potencial competitivo do mercado do turismo religioso;
- Aumentar a atratividade nos destinos religiosos;
- Prosseguir a afirmação do turismo religioso nas redes regionais, nacionais e internacionais de inovação; e
- Partilhar conhecimento sobre as melhores formas de promover destinos religiosos.
***
Em consonância com o programa atempadamente divulgado, o Congresso iniciou-se em 22 de novembro, pelas 9,15 horas com “Introdução ao “Congresso Internacional sobre Turismo Religioso e Peregrinação”, por Sandra Carvao, Chefe de Comunicações e Publicações na UNWTO.
Às 9,20 horas, ocorreu a Cerimónia de Abertura, com intervenções de Luís Miguel Marques Grossinho Coutinho Albuquerque, Presidente da Câmara Municipal de Ourém, Portugal, Carlos Cabecinhas, Reitor do Santuário de Fátima, Portugal, Taleb Rifai, Secretário-Geral, UNWTO, e o Representante do Presidente da República de Portugal.
Das 10 às 11 horas, desenvolveu-se um Diálogo de Alto Nível, introduzido e moderado por Mr. Taleb Rifai, Secretário-Geral da UNWTO.
Em relação às quatro sessões indicam-se: o tema, o introdutor e moderador; a ideia de fundo; e a questão ou questões a que se pretende responder. Assim:
Das 11,30 horas às 13, decorreu a Sessão 1 subordinada ao tema “Preservação das tradições sagradas e proteção dos sítios religiosos”, introduzido e moderado por Mr. Jafar Jafari, Professor, Founding Editor, Annals of Tourism Research.
Muitos sítios sagrados estão em risco devido ao grande peso de pressões e ameaças, tanto externas como internas. As ameaças externas incluem as relacionadas com os desastres naturais e a poluição, acentuadas pelas mudanças climáticas, enquanto as ameaças internas podem ser atribuídas aos aspetos sociais como o vandalismo e o furto. Também o turismo pode ser em parte responsável devido ao uso excessivo dos sítios e por exceder os limites da capacidade de lotação dos preditos sítios.
Assim, questiona-se: O que se pode fazer para identificar, combater e mitigar tais ameaças?
A preservação das tradições sagradas postula boas práticas em termos de acessibilidade universal que reforça a competitividade dos destinos do turismo. Adaptar produtos e serviços para as pessoas com necessidades especiais de acesso ajuda à inclusão e dignificação das experiências e turismo.
Por isso, pergunta-se como podem os sítios religiosos tornar-se acessíveis sem se alterar o seu valor cultural ou afetar a sua condição de segurança?

Das 14,30 horas às 14,45 – Saudação de Boas-vindas, por Manuel Caldeira Cabral, Ministro da Economia de Portugal.
Das 14,45 às 15,15 horas, Comunicação, por Ms. Noga Collins-Kreiner, Department of Geography and Environmental Studies, University of Haifa, Israel, Vice-President of the Israeli Geographical Association (IGA)
Das 15,15 às 16,45 horas, Sessão 2, subordinada ao tema “Papel do turismo religioso no crescimento económico sustentável e na inclusividade social das comunidades locais”, introduzido e moderado por Mr. Kevin Griffin, Lecturer in Tourism, Dublin Institute of Technology, Irlanda.
Os lugares sagrados só caraterizados pela sazonalidade e pela grande afluência de visitantes em certas épocas do ano, o que coloca muitos desafios. É necessário desenvolver estratégias para gerir essa afluência, muito embora garantindo aos turistas a qualidade da visita. Salvaguardar a herança cultural para a satisfação das comunidades locais é uma prioridade para o desenvolvimento sustentável, a longo prazo, dos sítios religiosos.
Assim, pergunta-se como podem os governantes, as autoridades religiosas e os operadores turísticos otimizar as vantagens que o turismo religioso cria?

Às 16,45 Notas de encerramento e termo das sessões do 1.º dia, pelo porta-voz da organização.
***
No dia 23 de novembro, às 9,50 horas, Abertura do 2.º dia do Congresso, pelo porta-voz da organização.
Das 10 às 11,30 horas, Sessão 3, subordinada ao tema “Sinergias potenciais para o desenvolvimento do turismo religioso através de rotas culturais e rede de destinos”, introduzido e moderado por Mr. Stefano Dominioni, Secretário Executivo, Enlarged Partial Agreement on Cultural Routes of the Council of Europe (EPA) Director, Instituto Europeu das Rotas Culurais (EICR), Conselho da Europa.
As rotas culturais e religiosas são importantes produtos turísticos que atraem peregrinos em todo o mundo e sugerem que as experiências ao longo do percurso são tão importantes como os próprios destinos. Como as rotas de turismo, algumas vezes, cruzam vários países ou regiões, elas estimulam a oportunidade do empreendedorismo através do desenvolvimento de produtos subsidiários e serviços e, por consequência, são potenciais propulsores para o desenvolvimento económico local, oferecendo oportunidades de formação de parcerias entre diversas regiões.
Assim, pergunta-se como podem o Governo e as autoridades locais trabalhar em conjunto para desenvolver um portefólio de ações estratégicas desenhado para um plano detalhado que seja capaz de sustentar e promover as rotas de turismo

Das 11,30 às 13, horas, Sessão 4, subordinada ao tema “O futuro do turismo religioso: marketing inovador e uso da tecnologia”, introduzido e moderado por Ms. Silvia Aulet Serrallonga, Professora e Investigadora, Faculdade de Turismo da Universidade de Girona, Espanha.
As novas tecnologias da comunicação foram rapidamente adotadas pelo turismo religioso.
As tecnologias da informação e da comunicação (TIC) proporcionam novas oportunidades de crescente interesse e consciência da herança religiosa e de reforço da representação da prática religiosa.
Assim, pergunta-se em que medida as inovações tecnológicas e a evolução digital criam impacto no turismo religioso e contribuem para a sua promoção?

Das 13 às 13,30 horas, Notas de encerramento, por: Luís Albuquerque, Presidente da Câmara Municipal de Ourém, Portugal, Mr. Bartłomiej Walas, Vereador do Turismo do Município de Cracóvia, Polónia, e Mr. Taleb Rifai, Secretário-Geral da UNWTO.
***
Registe-se que o turismo mundial movimentou 1,2 mil milhões de pessoas em 2016, sendo que um quarto dos turistas viajou por motivos religiosos, como disse, em Fátima, o Secretário-Geral da Organização Mundial de Turismo
E o Congresso Internacional de Turismo Religioso e Peregrinação, que decorreu no Centro Pastoral Paulo VI, em Fátima, contou com mais de 700 participantes. A iniciativa teve, como se disse, o apoio da Organização Mundial do Turismo (OMT) e levou até Fátima os mais altos representantes dos países membros da OMT, além do seu secretário-geral, Taleb Rifai, bem como reconhecidos oradores provenientes de todo o mundo.
O intenso trabalho levado a cabo nos últimos anos pelo Município de Ourém fundamentou a escolha para a realização deste evento de alcance internacional. Este evento foi oportunidade única para a promoção de Fátima no Mundo, um verdadeiro reforço e complemento ao trabalho já realizado, como por exemplo o Workshop Internacional de Turismo Religioso. Assim, após a sua realização em cidades como Elche (2014), Belém (2015) e Utrecht (2016), o Congresso Internacional de Turismo Religioso e Peregrinação refletiu sobre o potencial e o papel do turismo religioso e dos lugares sagrados como uma ferramenta para o desenvolvimento socioeconómico e cultural dos destinos, bem como dos seus percursos.
O património religioso faz parte integrante do nosso património cultural. Esta herança histórica deve ser preservada pelo seu valor cultural, independentemente das suas origens religiosas.
***
O reitor do Santuário de Fátima, falando na abertura do Congresso Internacional de Turismo Religioso e Peregrinação, disse, no dia 22, que a Cova da Iria é o mais significativo destino de turismo religioso português e que a celebração do Centenário consolidou a internacionalização de Fátima. Para o Padre Carlos Cabecinhas, a realização deste congresso apresenta-se como “especialmente feliz”, por ser uma ocasião de reflexão sobre o “potencial dos lugares sagrados”. O sacerdote sublinhou:
A variedade de proveniências de peregrinos que, em cada ano, acorrem a Fátima, comprova que este é, de facto, um Santuário mundialmente conhecido. E, se isto era claro no passado, no Centenário tem aparecido com especial evidência, com o aumento significativo de peregrinos vindos de todos os continentes”.
Referido a importância de se promover uma reflexão sobre as potencialidades da peregrinação e do turismo religioso, formulou o seguinte voto:
Que este Congresso se proponha refletir sobre as potencialidades da peregrinação e do turismo religioso como meios de desenvolvimento de um turismo sustentável e como meio de aproximação entre os povos, assume especial relevo neste lugar”.
E o Congresso correspondeu ao voto do reitor do Santuário de Fátima e às expectativas dos congressistas? Espera-se, para ver, a publicação das atas para enriquecimento cultural de todos e incremento desta indústria da paz.

2017.11.23 – Louro de Carvalho