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terça-feira, 12 de maio de 2020

Fátima celebra peregrinação no Santuário com os peregrinos em casa


A noite de 12 de maio de 2020 fará derramar um manto de luz pelo mundo a partir de Fátima, embora, pela primeira vez na sua mais que centenária história, o Santuário vá celebrar os dias 12 e 13 de maio sem peregrinos nos seus espaços, na sequência das decisões sanitárias impostas pelas autoridades por causa da pandemia provocada pela Covid-19.
A este respeito, o reitor do Santuário, em mensagem aos peregrinos em que lhes solicita que fiquem em casa – tudo ao contrário do que seria desejável e incentivável – confessa que se trata de “um momento doloroso”, pois “o Santuário existe para acolher os peregrinos”, pelo que “não o podermos fazer é motivo de grande tristeza”, mas a decisão tomada nesta circunstância “é igualmente um ato de responsabilidade para com os peregrinos, defendendo a sua saúde e o seu bem-estar”. Por outro lado – vinca o Padre Carlos Cabecinhas –, “tomar agora esta decisão dolorosa significa procurar criar condições para podermos retomar, o mais rapidamente possível, as peregrinações a este lugar”.
Todavia, não podendo contar com a presença física dos peregrinos, o responsável executivo pelo Santuário sugeriu como forma de contar com os peregrinos a peregrinação, não dos pés, mas do coração, cujo caminho não é físico e exterior, mas interior e do espírito. No entanto, esta peregrinação do interior pode ter algum sinal exterior, como o acender duma vela, na noite do dia 12, a partir das 21,30 horas, aderindo assim a “um dos gestos mais icónicos de Fátima”.  
Nestes termos, Fátima terá, neste mês de maio, um santuário do tamanho do mundo e celebrará, em festa, com toda a fé e o esplendor possível, a primeira Aparição de Nossa Senhora no lugar aonde veio para deixar uma mensagem de esperança, num tempo também marcado por tantas tribulações, dizendo a Lúcia: “Não desanimes. Eu nunca te deixarei. O meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus.”.
E o Padre Carlos Cabecinhas exorta:
Que esta esperança, que deve ser marca presente em cada cristão, nos dê alento e nos guie até ao dia em que vamos, por certo, voltar a poder estar todos reunidos na Cova da Iria para,  juntos,  celebrarmos a nossa fé”.
As celebrações destes dias 12 e 13 de maio decorrerão no Recinto de Oração, que estará encerrado devido às regras sanitárias definidas pelo Governo no contexto da declaração do Estado de Calamidade pública, em articulação com a Conferência Episcopal Portuguesa, que impedem as celebrações religiosas com a presença de fiéis. Não obstante, os peregrinos podem acompanhar as celebrações através dos meios de comunicação social e digital, nomeadamente a televisão, o canal do youtube do Santuário em www.fatima.pt ou o facebook do Santuário.
A Peregrinação Internacional Aniversária de maio é a primeira grande peregrinação deste ano pastoral em que o Santuário convida os peregrinos a “Dar graças por viver em Deus” e assinala a primeira de Nossa Senhora aos três Pastorinhos em maio de 1917.
As celebrações desta peregrinação de maio, atípica (sem a presença física de peregrinos e apenas com a presença das pessoas diretamente implicadas nos diferentes momentos celebrativos), começam hoje, dia 12, às 21,30 horas, com o Lucernário, na Capelinha das Aparições; segue-se a oração do Rosário e Procissão de Velas, num trajeto mais curto até ao Altar do Recinto. Aí haverá uma celebração da Palavra, regressando depois a Imagem de Nossa Senhora à Capelinha das Aparições.
Amanhã, dia 13, a habitual oração do Rosário começa às 9 horas, na Capelinha das Aparições e, às 10 horas, será celebrada a Missa da Solenidade de Nossa Senhora de Fátima, presidida pelo Bispo de Leiria-Fátima, cardeal Dom António Marto. E a primeira Peregrinação Internacional Aniversária, que evoca a primeira Aparição de Nossa Senhora na Cova da Iria, termina com a Procissão do Adeus.
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É de recordar que a decisão de vedar o Santuário aos peregrinos para a celebração desta Peregrinação Internacional Aniversária de maio surge no contexto da situação de pandemia que o país e o mundo atravessam e foi comunicada numa videomensagem do Bispo de Leiria-Fátima, cardeal Dom António Marto, no passado dia 6 de abril e reforçada por comunicado do mesmo prelado do Lis, divulgado depois das palavras da Ministra da Saúde em entrevista à SIC, de 2 de maio, que poderiam suscitar dúvidas na opinião pública.
Dom António Marto assinalava, na sua videomensagem que esta alteração da Peregrinação de maio é um ato de “responsabilidade pastoral e um profundo ato de fé”.
Não podendo ser vivida nos moldes habituais com a multidão de peregrinos no Recinto de Oração, asseguravam-se, nas palavras do purpurado fatimita, as principais celebrações na Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima (agora colocadas na Capelinha das Aparições e no Altar do Recinto de Oração), que serão presididas pelo próprio cardeal Dom António Marto e transmitidas pelos meios de comunicação social e digital.
Embora o programa da Peregrinação não estivesse decidido na sua totalidade, o Bispo de Leiria-Fátima prometia que, na noite do dia 12 de maio, seria recitado o rosário, com o lucernário e, no dia 13 de maio, seria celebrada a missa internacional. E segredava aos peregrinos:
É com muita dor e tristeza de alma e coração, mas também com grande sentido de responsabilidade que neste momento comunico que o Santuário de Fátima irá celebrar a Grande Peregrinação Internacional Aniversária de maio sem peregrinos fisicamente presentes, sem a presença física de peregrinos, como tem sido habitual. Suspender esta peregrinação de maio nos moldes habituais é um ato de responsabilidade pastoral e também um profundo ato de fé, que comunico com o coração em lágrimas, porque sei da importância deste momento, em particular para tantos milhares de peregrinos que aqui vêm em busca de um alimento, de conforto e de paz para o ano inteiro.”.
Em termos exortativos, frisava:
Peço a todos que compreendam que, em virtude da pandemia e da necessidade de evitar a propagação do vírus, esta é a única decisão sensata e responsável que poderíamos tomar. Não podemos correr riscos! Não podíamos de modo algum permitir que o nosso Santuário se tornasse centro ou foco de contágio para o país e para o mundo.”.
E acrescentava:
Esta decisão assenta no respeito pelos próprios peregrinos, por todos nós, pelo bem comum da saúde pública; e reflete a nossa fé de cidadãos responsáveis e solidários. Este tempo ordena-nos que fiquemos em casa.”.
Assegurando que as celebrações, transmitidas através dos meios de comunicação social nos moldes habituais, permitem que milhares de pessoas possam acompanhar as celebrações peregrinando a partir de casa, enfatizava:
Mesmo estando em nossas casas viveremos esse momento em espírito de peregrinação. O Recinto do Santuário estará vazio, mas não deserto. Ainda que separados fisicamente, estaremos todos aqui espiritualmente unidos como Igreja com Maria, de modo intenso, com o coração cheio de fé.”.
E esclarecia:
Não se peregrina só a pé e com os pés ou com a deslocação física. Também se peregrina com a mente e o coração, quer dizer, fazendo uma peregrinação interior na busca de luz e de verdade, de regeneração e de cura, de conforto espiritual e de paz, no encontro do peregrino consigo mesmo, com a Mãe celeste e com o mistério de Deus, para continuar a caminhar com a força da esperança!”.
Não obstante, Dom António Marto não deixava de expressar compreensão e solidariedade para com todos os que tiveram de cancelar a sua peregrinação – mais de 180 grupos inscritos até ao inicio da pandemia – e lembrava que a alteração do modo de celebrar a 1.ª aparição da Virgem na Cova da Iria representa para o Santuário “um momento muito difícil porque não pode acolher peregrinos, que são a razão de ser deste Grande Hospital de Campanha (imagem de Francisco para a Igreja) que ajuda a sarar tantas feridas...”, e deixava uma palavra aos doentes, idosos e todos aqueles que durante todo este tempo têm sido privados da participação na Eucaristia:
Hoje vivemos todos como Jesus no Horto das Oliveiras. A nossa alma está triste e devemos vigiar porque os tempos são difíceis como hão de ser difíceis os tempos que se avizinham. Agora é tempo de curarmos e estancarmos a doença; teremos também tempo para fazer contas, muitas contas à vida. Agora é a hora da solidariedade e da esperança. Lembremo-nos que, para nós, cristãos, não há Sexta-feira Santa sem Páscoa. Mas a Páscoa vem e traz-nos a certeza de que Deus nunca nos abandona.”.
E, não podendo peregrinar em maio, “poderemos fazê-lo noutra altura”, devendo mesmo “fazê-lo noutra altura em ação de graças”. Disse-o sublinhando que nos próximos tempos a oração deverá ser o nosso maior desafio:
Por nós, pelas vítimas diretas e indiretas da pandemia, pelos cuidadores, pelos mortos e pelos familiares em luto, pelos nossos políticos para que saibam tomar as melhores decisões para as nossas vidas”.
***
Aqui ficam em síntese os 8 passos (de 5 a 12 de maio) da aludida peregrinação do coração: 
1. Preparar o coração para partir. “Rezando com o coração como os pastorinhos rezaram conduzidos pelo Anjo, prepara-te para partir. E a Senhora dos peregrinos abrirá para ti o seu Coração Imaculado e nele te dará refúgio e por ele te abrirá um caminho para o teu Deus.”.
2. Não tenhas medo – Queres ser livre? Vamos visitar, linha a linha, a história da aparição de 13 de maio, para a poderes viver profundamente, como peregrino pelo coração. Hoje, não tenhas medo. Abre para Deus a tua liberdade.”.
3. Livre para o compromisso. Visitando a narrativa que Lúcia faz da aparição de maio, descobriremos quanto Deus respeita a liberdade do homem e qual o processo que escolhe para se lhe dar a conhecer. Hoje, dispõe-te para ouvires o pedido de uma relação de compromisso.”.
4. Desejar o céu, com o Francisco. Visitando a narrativa que Lúcia faz da aparição de maio, descobriremos quanto Deus respeita a liberdade do homem e qual o processo que escolhe para se lhe dar a conhecer. Hoje, experimenta o desejo do céu, com o Francisco.”.
5. Alargar o céu, com a Jacinta. Visitando a narrativa que Lúcia faz da aparição de maio, descobriremos quanto Deus respeita a liberdade do homem e qual o processo que escolhe para se lhe dar a conhecer. Hoje, alarga o coração ao desejo do céu para todos, com a Jacinta.”.6. Participar na redenção. Fátima lança-te o desafio de uma peregrinação mais essencial: o caminho é interior e poderá levar-te muito longe dentro de ti mesmo, ao encontro do santuário do teu íntimo onde Deus está presente para ti. Fazeres-te peregrino pelo coração é procurares viver interiormente o que a experiência da peregrinação suscita e realiza. Fátima chama-te. Mesmo não podendo, neste maio, vir ao Santuário, faz connosco esta peregrinação interior, cada dia. E, cada noite, coloca uma vela acesa à tua janela. Visitando a narrativa que Lúcia faz da aparição de maio, descobriremos quanto Deus respeita a liberdade do homem e qual o processo que escolhe para se lhe dar a conhecer. Hoje, és chamado a descobrir o mais radical da vocação cristã: participar na redenção.”.7. Com o conforto da graça de Deus. “Visitando a narrativa que Lúcia faz da aparição de maio, descobriremos quanto Deus respeita a liberdade do homem e qual o processo que escolhe para se lhe dar a conhecer. Hoje, diante do mistério dos sofrimentos, és chamado a abrir-te à graça de Deus.”.8. Vê-te na luz que é Deus. “Neste maio, Fátima lança-te o desafio de uma peregrinação mais essencial: o caminho é interior e poderá levar-te muito longe dentro de ti mesmo, ao encontro do santuário do teu íntimo onde Deus está presente para ti. Fazeres-te peregrino pelo coração é procurares viver interiormente o que a experiência da peregrinação suscita e realiza. Fátima chama-te. Mesmo não podendo, neste maio, vir ao Santuário, faz connosco esta peregrinação interior, cada dia. E cada noite, coloca uma vela acesa à tua janela. Visitando a narrativa que Lúcia faz da aparição de maio, descobriremos quanto Deus respeita a liberdade do homem e qual o processo que escolhe para se lhe dar a conhecer. Hoje, és chamado a ver-te na luz que é Deus.”.

 

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Que os peregrinos unidos a Fátima tenham Fátima em suas casas, famílias e comunidades!
2020.05.12 – Louro de Carvalho

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Maio, o mês mariano, homenageia com ênfase Maria, mãe de Jesus


No mês de maio, milhões de pessoas participam em romarias e peregrinações a santuários marianos, fazem orações especiais a Maria e oferecem-Lhe presentes espirituais e materiais.
De facto, em maio, a homenagem da Igreja na dimensão de povo piedoso volta-se para Maria, Mãe de Deus e Mãe nossa, Rainha dos homens e dos anjos. O mês mariano, mais do que marcado por várias aparições da Virgem no Mundo, é palco espiritual do fervor devoto dos católicos para a sublime figura que Ela representa de amor, fé, obediência à Deus e compaixão.
Identificada no Novo Testamento e no Alcorão, Maria recebe as designações de Nossa Senhora, Santíssima Virgem e Virgem Maria. Estava noiva de José quando recebeu a visita do anjo Gabriel, que lhe anunciou que fora a escolhida para mãe do filho de Deus. Pelo seu sim, expresso na frase optativa “Faça-se em mim a tua vontade”, iniciou-se o plano de salvação da humanidade com a conceção de Jesus por obra e graça do Espírito Santo.
Exemplo divino-humano de figura materna, Maria esteve bem presente em cada fase da vida de Jesus como mãe amorosa e dedicada a zelar por seu filho amado, acompanhou-O nos seus primeiros passos, testemunhou os seus primeiros sorrisos e zelou por cada sua noite de sono. Com José – pai terreno de Jesus – ensinou-o na fé, amor, lei de Deus e na condição de homem justo. Como exemplo de fortaleza, pois, face às dificuldades, não se deixou abalar na fé. Aceitou sem medo o desígnio de Deus, enfrentou cada momento difícil e nunca abandonou a oração. Quando Jesus foi crucificado, estava lá sentindo na alma a dor de ver brutalmente sacrificado o mesmo Jesus que tinha transportado no ventre e carregado nos braços. É inimaginável a dor da mãe ao ver o filho torturado, humilhado e condenado à morte e morte tão cruel. No auge da paixão, Jesus fez de Maria a mãe da humanidade: “Eis o teu filho…Eis a tua mãe”.
Falando das aparições da Senhora, é de advertir que não se limitam a apenas relatos milenares. Ao longo da História, Maria reapareceu em vários lugares e eventos. São famosas as aparições da Virgem de feição particular, muitas delas reconhecidas e veneradas pela Igreja Católica por estimularem no mundo a fé, a esperança, a compaixão e a solidariedade. Ocorrem em épocas conflituosas, mostrando o maternal carinho de Maria e a sua grande preocupação para com os seus filhos, como têm ocorrido para acentuar verdades da fé católica. Como nossa intercessora junto de Jesus, apresenta-Lhe os nossos dramas, pecados, necessidades e êxitos, expressos na frase bíblica “Não têm vinho”, e, como missionária de Jesus junto de nós e nossa conselheira, avisa que não O ofendamos, que façamos o que Ele manda e ajuda a resolver os problemas existentes ou traz conforto e aponta alternativas aos filhos que sofrem.
Podem mencionar-se as aparições de Guadalupe e Aparecida, vindas de Maria em épocas de escravidão e sofrimento de índios e negros na América Latina; as de Nossa Senhora Auxiliadora que protegeu a Igreja no conflito da guerra; as de Lourdes, a confirmar o dogma da Imaculada Conceição; e as de Fátima, a alertar a humanidade para os acontecimentos que viriam à tona.
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Pelo século XII, a Igreja Católica, instaurou a tradição de Tricesimum ou a devoção de 30 dias a Maria. A época começou por incidir nos meses de setembro e outubro (nalguns lugares de 15 de agosto a 14 de setembro), mas, por força da coincidência do mês de maio com o Tempo Pascal e por maio ser, no auge da primavera, o mês das flores, atinou-se neste mês como o mais apto para celebrar a Mãe de Deus, até em consonância com a tradição antropológico-cultural. Com efeito, ao longo da história antecristã, maio foi o mês de outras homenagens de culturas e épocas. Na Grécia Antiga, nele era celebrada a deusa Artemisa, da fecundidade. Do mesmo modo, a Antiga Roma e a época medieval atribuíam ao mês a celebração da Flora, a deusa da vegetação, por ser o tempo dos começos da primavera. Em Roma, celebravam-se os ‘ludi florales(jogos florais) no fim do mês de abril e pediam sua intercessão.
Na época medieval abundaram costumes similares, tudo centrado na chegada do bom clima e o afastamento do inverno. O dia 1.º de maio era considerado como o apogeu da primavera.
Dedicar o mês de maio a Maria – o “mês das flores” no hemisfério norte – é uma devoção arraigada há séculos. Com sua poesia “Ben vennas Mayo”, das Cantigas de Santa Maria, Afonso X, o Sábio, revela-nos que esta tradição já existia na Idade Média. Porém, foi no século XVII que se combinaram em definitivo o mês de maio e de Maria, fazendo com que esta celebração conte com devoções especiais organizadas em cada dia durante todo o mês. Este costume durou, sobretudo, durante o século XIX e é praticado até hoje.
As formas nas quais Maria é honrada em maio são tão variadas como as pessoas que a honram.
As paróquias costumam rezar diariamente o Terço e muitas preparam um altar especial com um quadro ou imagem de Maria. Além disso, trata-se duma grande tradição a coroação de Nossa Senhora, costume conhecido como Coroação de Maio. Normalmente, a coroa é feita de lindas flores que representam a beleza e a virtude de Maria e lembra que os fiéis se devem esforçar por imitar as suas virtudes. Em algumas regiões, a coroação acontece numa grande celebração e, em geral, fora da Missa. Entretanto, os altares e coroações não são apenas atividades de paróquia: o mesmo pode ser feito nos lares para participar mais plenamente na vida da Igreja. Deve-se preparar um lugar especial para Maria, não por ser tradição ou pelas graças especiais que se podem alcançar, mas porque Ela é nossa Mãe, mãe de todo o mundo e porque se preocupa com todos nós, intercedendo inclusive em assuntos menores.
A Igreja tem sempre incentivado esta devoção, por exemplo recomendando a oração do Rosário, concedendo indulgências e produzindo alguns documentos do Magistério papal, como a encíclica “Mense Maio”, de São Paulo VI, em 1965. São Paulo VI, São João Paulo II, Bento XVI e Francisco estiveram em Fátima em 13 de maio: 1967, 1981, 1991, 2000, 2010 e 2017.
Ao começar o mês de maio em 1979, São João Paulo II declarou em audiência geral:
O mês de maio estimula-nos a pensar e a falar de modo particular d’Ela. De facto, este é o seu mês. Assim, o período do ano litúrgico [Ressurreição] e ao mesmo tempo o mês corrente chamam e convidam os nossos corações a abrirem-se de maneira singular para Maria.”.
O cardeal São John Henry Newman, no seu livro póstumo “Meditações e devoções(1893), dá várias razões por que o mês de maio é propício à devoção mariana, apesar de haver várias festas marianas noutros meses. Escrevendo dum país do hemisfério norte, refere que “é o tempo em que a terra faz surgir a terna folhagem e os verdes pastos, depois do frio e da neve do inverno, da cruel atmosfera, do vento selvagem e das chuvas da primavera”. E, continua a justificar:
Porque os dias se tornam longos, o sol nasce cedo e se põe tarde. Porque semelhante alegria e júbilo externo da natureza são os melhores acompanhantes da nossa devoção Àquela que é a Rosa Mística e a Casa de Deus. (…) Ninguém pode negar que este seja pelo menos o mês da promessa e da esperança. Ainda que o tempo não seja favorável, é o mês que dá início e é prelúdio do verão. (…) Maio é o mês, se não da consumação, pelo menos da promessa, e não é este o sentido no qual mais propriamente recordamos a Santíssima Virgem Maria, a quem dedicamos o mês?”.
Autores como Vittorio Messori veem nesta manifestação de religiosidade a cristianização duma celebração pagã: a dedicação do mês de maio às deusas da fecundidade, já apontada acima. De facto, maio deve o seu nome a Maia, deusa da primavera. Além disso, em muitos países, em maio, comemora-se o Dia da Mãe; e a lembrança dirige-se também à Mãe do Céu.
O Catecismo da Igreja Católica, no n.º 971, a respeito da devoção à Maria Santíssima, afirma:
«Todas as gerações me hão de proclamar ditosa» (Lc 1,48): «a piedade da Igreja para com a santíssima Virgem pertence à própria natureza do culto cristão». A santíssima Virgem «é com razão venerada pela Igreja com um culto especial. E, na verdade, a santíssima Virgem é, desde os tempos mais antigos, honrada com o título de ‘Mãe de Deus’, e sob a sua proteção se acolhem os fiéis implorando-a em todos os perigos e necessidades [...]. Este culto [...], embora inteiramente singular, difere essencialmente do culto de adoração que se presta por igual ao Verbo Encarnado, ao Pai e ao Espírito Santo, e favorece-o poderosamente». Encontra a sua expressão nas festas litúrgicas dedicadas à Mãe de Deus e na oração mariana, como o santo rosário, «resumo de todo o Evangelho».
Também vários Papas na história da Igreja enfatizaram a importância de se rezar o rosário.
São João Paulo II fala do rosário nos termos seguintes:
O Rosário é […] uma oração profundamente cristológica. Na sobriedade das suas partes, o Rosário consolida-se da profundidade da Boa Nova, da qual ele é quase um resumo. […] Com o Rosário, o povo cristão anda na Escola de Maria para se deixar guiar, contemplando a beleza do rosto de Cristo e experienciando a profundidade do Seu amor. Ao contemplar os mistérios do Rosário, o crente obtém a graça em plenitude como se recebesse das próprias mãos da Mãe do Redentor.”.
E, falando no âmbito do testemunho pessoal, assegura:  
Esta oração tem assumido um papel importante na minha vida espiritual desde a minha infância e juventude. A oração do Rosário tem-me acompanhado nos momentos de alegria e de provação. Muitas preocupações entreguei nesta oração e, por meio dela, sempre experienciei fortalecimento e consolação.”.
Por seu turno, Bento XVI desafiou:
Se não sabeis como rezar, pedi-Lhe para vos ensinar e pedi à Mãe do Céu para rezar convosco e por vós. A oração do Rosário pode ajudar-vos a aprender a arte de rezar com a simplicidade e profundidade de Maria.”.
E, este ano, a 25 de abril, o Papa Francisco endereçou uma carta a todos os fiéis sobre o mês de maio, em que “o povo de Deus manifesta, de forma deveras intensa, o seu amor e devoção à Virgem Maria”. E, sendo tradição rezar o Terço em casa, com a família (dimensão doméstica), que a pandemia nos forçou a valorizar, inclusive do ponto de vista espiritual, propôs a redescoberta da beleza de rezar o Terço em casa, no mês de maio, juntos ou individualmente, de acordo com as situações, valorizando ambas as possibilidades. E disse que o segredo é a simplicidade e que há bons esquemas para seguir na sua recitação, facilmente encontráveis mesmo na Internet.
Além disso, oferece-nos duas orações à Senhora, que poderemos rezar no fim do Terço. Tudo, porque “a contemplação do rosto de Cristo, juntamente com o coração de Maria, nossa Mãe, tornar-nos-á ainda mais unidos como família espiritual e ajudar-nos-á a superar esta prova”. E o Papa rezará por nós, “especialmente pelos que mais sofrem”, e pede rezemos por ele.
Eis as duas orações: uma currente calamo, mas com muita profundidade; outra, quase poesia:
Oração a Maria
«À vossa proteção, recorremos, Santa Mãe de Deus».
Na dramática situação atual, carregada de sofrimentos e angústias que oprimem o mundo inteiro, recorremos a Vós, Mãe de Deus e nossa Mãe, refugiando-nos sob a vossa proteção.
Ó Virgem Maria, volvei para nós os vossos olhos misericordiosos nesta pandemia do novo coronavírus e confortai a quantos se sentem perdidos e choram pelos seus familiares mortos e, por vezes, sepultados duma maneira que fere a alma. Sustentai aqueles que estão angustiados por pessoas enfermas de quem não se podem aproximar, para impedir o contágio. Infundi confiança em quem vive ansioso com o futuro incerto e as consequências sobre a economia e o trabalho.
Mãe de Deus e nossa Mãe, alcançai-nos de Deus, Pai de misericórdia, que esta dura prova termine e volte um horizonte de esperança e paz. Como em Caná, intervinde junto do vosso Divino Filho, pedindo-Lhe que conforte as famílias dos doentes e das vítimas e abra o seu coração à confiança.
Protegei os médicos, os enfermeiros, os agentes de saúde, os voluntários que, neste período de emergência, estão na vanguarda arriscando a própria vida para salvar outras vidas. Acompanhai a sua fadiga heroica e dai-lhes força, bondade e saúde. Permanecei junto daqueles que assistem noite e dia os doentes, e dos sacerdotes que procuram ajudar e apoiar a todos, com solicitude pastoral e dedicação evangélica.
Virgem Santa, iluminai as mentes dos homens e mulheres de ciência, a fim de encontrarem as soluções justas para vencer este vírus.
Assisti os responsáveis das nações, para que atuem com sabedoria, solicitude e generosidade, socorrendo aqueles que não têm o necessário para viver, programando soluções sociais e económicas com clarividência e espírito de solidariedade.
Maria Santíssima, tocai as consciências para que as somas enormes usadas para aumentar e aperfeiçoar os armamentos sejam, antes, destinadas a promover estudos adequados para prevenir catástrofes do género no futuro.
Mãe amadíssima, fazei crescer no mundo o sentido de pertença a uma única grande família, na certeza do vínculo que une a todos, para acudirmos, com espírito fraterno e solidário, a tanta pobreza e inúmeras situações de miséria. Encorajai a firmeza na fé, a perseverança no serviço, a constância na oração.
Ó Maria, Consoladora dos aflitos, abraçai todos os vossos filhos atribulados e alcançai-nos a graça que Deus intervenha com a sua mão omnipotente para nos libertar desta terrível epidemia, de modo que a vida possa retomar com serenidade o seu curso normal.
Confiamo-nos a Vós, que resplandeceis sobre o nosso caminho como sinal de salvação e de esperança, ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria. Ámen
Oração a Maria
Ó Maria,
Vós sempre resplandeceis sobre o nosso caminho
como um sinal de salvação e de esperança.
Confiamo-nos a Vós, Saúde dos Enfermos,
que permanecestes, junto da cruz, associada ao sofrimento de Jesus,
mantendo firme a vossa fé.


Vós, Salvação do Povo Romano,
sabeis do que precisamos
e temos a certeza de que no-lo providenciareis
para que, como em Caná da Galileia,
possa voltar a alegria e a festa
depois desta provação.

Ajudai-nos, Mãe do Divino Amor,
a conformar-nos com a vontade do Pai
e a fazer aquilo que nos disser Jesus,
que assumiu sobre Si as nossas enfermidades
e carregou as nossas dores
para nos levar, através da cruz,
à alegria da ressurreição. Ámen.

À vossa proteção, recorremos, Santa Mãe de Deus;
não desprezeis as nossas súplicas na hora da prova
mas livrai-nos de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita

2020.05.01 – Louro de Carvalho