Mostrar mensagens com a etiqueta Coroa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Coroa. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Maio, o mês mariano, homenageia com ênfase Maria, mãe de Jesus


No mês de maio, milhões de pessoas participam em romarias e peregrinações a santuários marianos, fazem orações especiais a Maria e oferecem-Lhe presentes espirituais e materiais.
De facto, em maio, a homenagem da Igreja na dimensão de povo piedoso volta-se para Maria, Mãe de Deus e Mãe nossa, Rainha dos homens e dos anjos. O mês mariano, mais do que marcado por várias aparições da Virgem no Mundo, é palco espiritual do fervor devoto dos católicos para a sublime figura que Ela representa de amor, fé, obediência à Deus e compaixão.
Identificada no Novo Testamento e no Alcorão, Maria recebe as designações de Nossa Senhora, Santíssima Virgem e Virgem Maria. Estava noiva de José quando recebeu a visita do anjo Gabriel, que lhe anunciou que fora a escolhida para mãe do filho de Deus. Pelo seu sim, expresso na frase optativa “Faça-se em mim a tua vontade”, iniciou-se o plano de salvação da humanidade com a conceção de Jesus por obra e graça do Espírito Santo.
Exemplo divino-humano de figura materna, Maria esteve bem presente em cada fase da vida de Jesus como mãe amorosa e dedicada a zelar por seu filho amado, acompanhou-O nos seus primeiros passos, testemunhou os seus primeiros sorrisos e zelou por cada sua noite de sono. Com José – pai terreno de Jesus – ensinou-o na fé, amor, lei de Deus e na condição de homem justo. Como exemplo de fortaleza, pois, face às dificuldades, não se deixou abalar na fé. Aceitou sem medo o desígnio de Deus, enfrentou cada momento difícil e nunca abandonou a oração. Quando Jesus foi crucificado, estava lá sentindo na alma a dor de ver brutalmente sacrificado o mesmo Jesus que tinha transportado no ventre e carregado nos braços. É inimaginável a dor da mãe ao ver o filho torturado, humilhado e condenado à morte e morte tão cruel. No auge da paixão, Jesus fez de Maria a mãe da humanidade: “Eis o teu filho…Eis a tua mãe”.
Falando das aparições da Senhora, é de advertir que não se limitam a apenas relatos milenares. Ao longo da História, Maria reapareceu em vários lugares e eventos. São famosas as aparições da Virgem de feição particular, muitas delas reconhecidas e veneradas pela Igreja Católica por estimularem no mundo a fé, a esperança, a compaixão e a solidariedade. Ocorrem em épocas conflituosas, mostrando o maternal carinho de Maria e a sua grande preocupação para com os seus filhos, como têm ocorrido para acentuar verdades da fé católica. Como nossa intercessora junto de Jesus, apresenta-Lhe os nossos dramas, pecados, necessidades e êxitos, expressos na frase bíblica “Não têm vinho”, e, como missionária de Jesus junto de nós e nossa conselheira, avisa que não O ofendamos, que façamos o que Ele manda e ajuda a resolver os problemas existentes ou traz conforto e aponta alternativas aos filhos que sofrem.
Podem mencionar-se as aparições de Guadalupe e Aparecida, vindas de Maria em épocas de escravidão e sofrimento de índios e negros na América Latina; as de Nossa Senhora Auxiliadora que protegeu a Igreja no conflito da guerra; as de Lourdes, a confirmar o dogma da Imaculada Conceição; e as de Fátima, a alertar a humanidade para os acontecimentos que viriam à tona.
***
Pelo século XII, a Igreja Católica, instaurou a tradição de Tricesimum ou a devoção de 30 dias a Maria. A época começou por incidir nos meses de setembro e outubro (nalguns lugares de 15 de agosto a 14 de setembro), mas, por força da coincidência do mês de maio com o Tempo Pascal e por maio ser, no auge da primavera, o mês das flores, atinou-se neste mês como o mais apto para celebrar a Mãe de Deus, até em consonância com a tradição antropológico-cultural. Com efeito, ao longo da história antecristã, maio foi o mês de outras homenagens de culturas e épocas. Na Grécia Antiga, nele era celebrada a deusa Artemisa, da fecundidade. Do mesmo modo, a Antiga Roma e a época medieval atribuíam ao mês a celebração da Flora, a deusa da vegetação, por ser o tempo dos começos da primavera. Em Roma, celebravam-se os ‘ludi florales(jogos florais) no fim do mês de abril e pediam sua intercessão.
Na época medieval abundaram costumes similares, tudo centrado na chegada do bom clima e o afastamento do inverno. O dia 1.º de maio era considerado como o apogeu da primavera.
Dedicar o mês de maio a Maria – o “mês das flores” no hemisfério norte – é uma devoção arraigada há séculos. Com sua poesia “Ben vennas Mayo”, das Cantigas de Santa Maria, Afonso X, o Sábio, revela-nos que esta tradição já existia na Idade Média. Porém, foi no século XVII que se combinaram em definitivo o mês de maio e de Maria, fazendo com que esta celebração conte com devoções especiais organizadas em cada dia durante todo o mês. Este costume durou, sobretudo, durante o século XIX e é praticado até hoje.
As formas nas quais Maria é honrada em maio são tão variadas como as pessoas que a honram.
As paróquias costumam rezar diariamente o Terço e muitas preparam um altar especial com um quadro ou imagem de Maria. Além disso, trata-se duma grande tradição a coroação de Nossa Senhora, costume conhecido como Coroação de Maio. Normalmente, a coroa é feita de lindas flores que representam a beleza e a virtude de Maria e lembra que os fiéis se devem esforçar por imitar as suas virtudes. Em algumas regiões, a coroação acontece numa grande celebração e, em geral, fora da Missa. Entretanto, os altares e coroações não são apenas atividades de paróquia: o mesmo pode ser feito nos lares para participar mais plenamente na vida da Igreja. Deve-se preparar um lugar especial para Maria, não por ser tradição ou pelas graças especiais que se podem alcançar, mas porque Ela é nossa Mãe, mãe de todo o mundo e porque se preocupa com todos nós, intercedendo inclusive em assuntos menores.
A Igreja tem sempre incentivado esta devoção, por exemplo recomendando a oração do Rosário, concedendo indulgências e produzindo alguns documentos do Magistério papal, como a encíclica “Mense Maio”, de São Paulo VI, em 1965. São Paulo VI, São João Paulo II, Bento XVI e Francisco estiveram em Fátima em 13 de maio: 1967, 1981, 1991, 2000, 2010 e 2017.
Ao começar o mês de maio em 1979, São João Paulo II declarou em audiência geral:
O mês de maio estimula-nos a pensar e a falar de modo particular d’Ela. De facto, este é o seu mês. Assim, o período do ano litúrgico [Ressurreição] e ao mesmo tempo o mês corrente chamam e convidam os nossos corações a abrirem-se de maneira singular para Maria.”.
O cardeal São John Henry Newman, no seu livro póstumo “Meditações e devoções(1893), dá várias razões por que o mês de maio é propício à devoção mariana, apesar de haver várias festas marianas noutros meses. Escrevendo dum país do hemisfério norte, refere que “é o tempo em que a terra faz surgir a terna folhagem e os verdes pastos, depois do frio e da neve do inverno, da cruel atmosfera, do vento selvagem e das chuvas da primavera”. E, continua a justificar:
Porque os dias se tornam longos, o sol nasce cedo e se põe tarde. Porque semelhante alegria e júbilo externo da natureza são os melhores acompanhantes da nossa devoção Àquela que é a Rosa Mística e a Casa de Deus. (…) Ninguém pode negar que este seja pelo menos o mês da promessa e da esperança. Ainda que o tempo não seja favorável, é o mês que dá início e é prelúdio do verão. (…) Maio é o mês, se não da consumação, pelo menos da promessa, e não é este o sentido no qual mais propriamente recordamos a Santíssima Virgem Maria, a quem dedicamos o mês?”.
Autores como Vittorio Messori veem nesta manifestação de religiosidade a cristianização duma celebração pagã: a dedicação do mês de maio às deusas da fecundidade, já apontada acima. De facto, maio deve o seu nome a Maia, deusa da primavera. Além disso, em muitos países, em maio, comemora-se o Dia da Mãe; e a lembrança dirige-se também à Mãe do Céu.
O Catecismo da Igreja Católica, no n.º 971, a respeito da devoção à Maria Santíssima, afirma:
«Todas as gerações me hão de proclamar ditosa» (Lc 1,48): «a piedade da Igreja para com a santíssima Virgem pertence à própria natureza do culto cristão». A santíssima Virgem «é com razão venerada pela Igreja com um culto especial. E, na verdade, a santíssima Virgem é, desde os tempos mais antigos, honrada com o título de ‘Mãe de Deus’, e sob a sua proteção se acolhem os fiéis implorando-a em todos os perigos e necessidades [...]. Este culto [...], embora inteiramente singular, difere essencialmente do culto de adoração que se presta por igual ao Verbo Encarnado, ao Pai e ao Espírito Santo, e favorece-o poderosamente». Encontra a sua expressão nas festas litúrgicas dedicadas à Mãe de Deus e na oração mariana, como o santo rosário, «resumo de todo o Evangelho».
Também vários Papas na história da Igreja enfatizaram a importância de se rezar o rosário.
São João Paulo II fala do rosário nos termos seguintes:
O Rosário é […] uma oração profundamente cristológica. Na sobriedade das suas partes, o Rosário consolida-se da profundidade da Boa Nova, da qual ele é quase um resumo. […] Com o Rosário, o povo cristão anda na Escola de Maria para se deixar guiar, contemplando a beleza do rosto de Cristo e experienciando a profundidade do Seu amor. Ao contemplar os mistérios do Rosário, o crente obtém a graça em plenitude como se recebesse das próprias mãos da Mãe do Redentor.”.
E, falando no âmbito do testemunho pessoal, assegura:  
Esta oração tem assumido um papel importante na minha vida espiritual desde a minha infância e juventude. A oração do Rosário tem-me acompanhado nos momentos de alegria e de provação. Muitas preocupações entreguei nesta oração e, por meio dela, sempre experienciei fortalecimento e consolação.”.
Por seu turno, Bento XVI desafiou:
Se não sabeis como rezar, pedi-Lhe para vos ensinar e pedi à Mãe do Céu para rezar convosco e por vós. A oração do Rosário pode ajudar-vos a aprender a arte de rezar com a simplicidade e profundidade de Maria.”.
E, este ano, a 25 de abril, o Papa Francisco endereçou uma carta a todos os fiéis sobre o mês de maio, em que “o povo de Deus manifesta, de forma deveras intensa, o seu amor e devoção à Virgem Maria”. E, sendo tradição rezar o Terço em casa, com a família (dimensão doméstica), que a pandemia nos forçou a valorizar, inclusive do ponto de vista espiritual, propôs a redescoberta da beleza de rezar o Terço em casa, no mês de maio, juntos ou individualmente, de acordo com as situações, valorizando ambas as possibilidades. E disse que o segredo é a simplicidade e que há bons esquemas para seguir na sua recitação, facilmente encontráveis mesmo na Internet.
Além disso, oferece-nos duas orações à Senhora, que poderemos rezar no fim do Terço. Tudo, porque “a contemplação do rosto de Cristo, juntamente com o coração de Maria, nossa Mãe, tornar-nos-á ainda mais unidos como família espiritual e ajudar-nos-á a superar esta prova”. E o Papa rezará por nós, “especialmente pelos que mais sofrem”, e pede rezemos por ele.
Eis as duas orações: uma currente calamo, mas com muita profundidade; outra, quase poesia:
Oração a Maria
«À vossa proteção, recorremos, Santa Mãe de Deus».
Na dramática situação atual, carregada de sofrimentos e angústias que oprimem o mundo inteiro, recorremos a Vós, Mãe de Deus e nossa Mãe, refugiando-nos sob a vossa proteção.
Ó Virgem Maria, volvei para nós os vossos olhos misericordiosos nesta pandemia do novo coronavírus e confortai a quantos se sentem perdidos e choram pelos seus familiares mortos e, por vezes, sepultados duma maneira que fere a alma. Sustentai aqueles que estão angustiados por pessoas enfermas de quem não se podem aproximar, para impedir o contágio. Infundi confiança em quem vive ansioso com o futuro incerto e as consequências sobre a economia e o trabalho.
Mãe de Deus e nossa Mãe, alcançai-nos de Deus, Pai de misericórdia, que esta dura prova termine e volte um horizonte de esperança e paz. Como em Caná, intervinde junto do vosso Divino Filho, pedindo-Lhe que conforte as famílias dos doentes e das vítimas e abra o seu coração à confiança.
Protegei os médicos, os enfermeiros, os agentes de saúde, os voluntários que, neste período de emergência, estão na vanguarda arriscando a própria vida para salvar outras vidas. Acompanhai a sua fadiga heroica e dai-lhes força, bondade e saúde. Permanecei junto daqueles que assistem noite e dia os doentes, e dos sacerdotes que procuram ajudar e apoiar a todos, com solicitude pastoral e dedicação evangélica.
Virgem Santa, iluminai as mentes dos homens e mulheres de ciência, a fim de encontrarem as soluções justas para vencer este vírus.
Assisti os responsáveis das nações, para que atuem com sabedoria, solicitude e generosidade, socorrendo aqueles que não têm o necessário para viver, programando soluções sociais e económicas com clarividência e espírito de solidariedade.
Maria Santíssima, tocai as consciências para que as somas enormes usadas para aumentar e aperfeiçoar os armamentos sejam, antes, destinadas a promover estudos adequados para prevenir catástrofes do género no futuro.
Mãe amadíssima, fazei crescer no mundo o sentido de pertença a uma única grande família, na certeza do vínculo que une a todos, para acudirmos, com espírito fraterno e solidário, a tanta pobreza e inúmeras situações de miséria. Encorajai a firmeza na fé, a perseverança no serviço, a constância na oração.
Ó Maria, Consoladora dos aflitos, abraçai todos os vossos filhos atribulados e alcançai-nos a graça que Deus intervenha com a sua mão omnipotente para nos libertar desta terrível epidemia, de modo que a vida possa retomar com serenidade o seu curso normal.
Confiamo-nos a Vós, que resplandeceis sobre o nosso caminho como sinal de salvação e de esperança, ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria. Ámen
Oração a Maria
Ó Maria,
Vós sempre resplandeceis sobre o nosso caminho
como um sinal de salvação e de esperança.
Confiamo-nos a Vós, Saúde dos Enfermos,
que permanecestes, junto da cruz, associada ao sofrimento de Jesus,
mantendo firme a vossa fé.


Vós, Salvação do Povo Romano,
sabeis do que precisamos
e temos a certeza de que no-lo providenciareis
para que, como em Caná da Galileia,
possa voltar a alegria e a festa
depois desta provação.

Ajudai-nos, Mãe do Divino Amor,
a conformar-nos com a vontade do Pai
e a fazer aquilo que nos disser Jesus,
que assumiu sobre Si as nossas enfermidades
e carregou as nossas dores
para nos levar, através da cruz,
à alegria da ressurreição. Ámen.

À vossa proteção, recorremos, Santa Mãe de Deus;
não desprezeis as nossas súplicas na hora da prova
mas livrai-nos de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita

2020.05.01 – Louro de Carvalho

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Imagem da Virgem Peregrina de Fátima recebida em festa no Panamá


Centenas de peregrinos acolheram, na noite de 21 de janeiro, a Imagem no aeroporto de Tocumen, acompanharam-na no seu percurso para a capital e festejaram-na na Igreja de Nossa Senhora de Lourdes em Carrasquilla, Cidade do Panamá. A festa teve a participação de panamenhos, voluntários e peregrinos da XXXIV Jornada Mundial da Juventude (JMJ).
A agenda inclui visitas a um hospital e a uma prisão feminina, além de celebrações com o clero e com o Papa Francisco.
Eram 19,17 horas, hora panamenha, mais cinco em Lisboa, quando um avião da Air France aterrou no Aeroporto de Tocumen, na Cidade do Panamá. Nesse avião seguia a Imagem Peregrina n.º 1 de Nossa Senhora do Rosário de Fátima.
Os primeiros momentos de alegria aconteceram ainda na pista, quando os bombeiros locais dispararam jatos de água para homenagear Nossa Senhora. Quando a Imagem saiu do avião, Mons. José Domingo Ulloa, Arcebispo do Panamá, bateu palmas, afirmando que a “Rainha da Paz” estava no Panamá.
Entre cânticos e orações, centenas de peregrinos quiseram ver de perto a segunda ‘figura’ com o distintivo de inscrita na Jornada Mundial da Juventude no Panamá, que o Arcebispo colocou na Imagem – uma distinção proclamada pelo líder eclesial do Panamá, que também confirmou que a primeira inscrição foi a do Papa Francisco.
A Imagem n.º 1 da Virgem Peregrina de Fátima seguiu em procissão até à Igreja de Lourdes, onde foi recebida com fogo de artifício e muitos aplausos. Após uma oração, o Padre Carlos Cabecinhas, Reitor do Santuário de Fátima, agradeceu o acolhimento caloroso e desafiou os muitos jovens presentes a tomar “Maria no seu exemplo e na sua entrega”.
Em declarações aos jornalistas, o Arcebispo José Domingo Ulloa disse que esta visita é  um “privilégio” que transforma o Panamá num “santuário”, frisando que “é como se todos os panamenses pudessem estar em Fátima”.
A chegada da imagem foi acompanhada pelo embaixador de Portugal na Cidade do Panamá, Pedro Pessoa e Costa, que falou à agência Ecclesia dum “momento muito bonito”, destacando a “enorme devoção mariana” que tem visto no Panamá. E acrescentou:
Creio que a presença da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima nas Jornadas Mundiais da Juventude simboliza o grande envolvimento de Portugal nesta organização”.
A embaixadora do Panamá em Portugal, Ilka Varela de Barés, mostrou-se “muito feliz” com esta visita, símbolo dos “laços da amizade” entre os dois países e assinalou:
Não há palavras para descrever a bênção que representa ter a Imagem de Nossa Senhora aqui no Panamá”.
Este encontro mundial de jovens começou esta terça-feira, dia 22 de janeiro, na Cidade do Panamá, e decorre pela primeira vez na América Central, com o tema ‘Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra’ (Lc 1,38) – profundamente mariano e modelar do crente em Jesus – escolhido pelo Santo Padre.
A imagem n.º 1 da Virgem Peregrina de  Fátima saiu hoje, dia 22, em procissão em direção ao Parque Omar para ser colocada na Capela do Santíssimo; pelas 9 horas (14 em Lisboa) foi celebrada a Missa de Abertura do Parque do Perdão, tendo-se seguido um momento de adoração permanente ante o Santíssimo com a Imagem Peregrina, custodiada pelas Missionárias da Caridade (congregação fundada por Santa Madre Teresa de Calcutá), os custódios da Reitoria do Santuário de Fátima e os custódios do SENAN (Serviço Nacional Aéreo Naval) do Panamá.
Entre quarta e sexta-feira, a Imagem Peregrina estará no Parque do Perdão; no sábado, é recitado o Rosário, seguindo-se uma procissão de velas, na Vigília de Oração. No domingo, dia do encerramento da JMJ 2019, a imagem de Nossa Senhora de Fátima vai estar junto ao altar, na Missa presidida pelo Papa Francisco. O último momento celebrativo está marcado para a tarde 29 de janeiro, no Aeroporto Internacional de Tocumen, onde o Padre Carlos Cabecinhas vai presidir à celebração da Missa de despedida.
***
A escultura n.º 1 da Virgem Peregrina de Fátima viajou, na madrugada desta segunda-feira até ao Panamá para estar presente na Jornada Mundial da Juventude, iniciativa que decorre de 22 a 27 de janeiro e conta com a presença de Francisco. Antes desta importante viagem, a Imagem, datada de 1947, foi alvo de um processo de estudo técnico e material no Centro de Conservação e Restauro da Escola das Artes da UCP (Universidade Católica Portuguesa), no Porto, entidade escolhida pelo Museu do Santuário de Fátima para identificar os materiais que constituem o suporte e superfície da escultura e a caraterização das técnicas construtivas utilizadas.
A este nível, refira-se que, durante 15 dias, o Centro de Conservação e Restauro desenvolveu um estudo aprofundado que permitiu perceber a forma como José Ferreira Thedim criou a escultura. Numa primeira fase, os investigadores tentaram perceber o estado de conservação do suporte e detetar intervenções passadas de conservação ou restauro. Em seguida – e de forma a estudar o número e a espessura das camadas de tinta, identificar pigmentos, vernizes e outros materiais utilizados na escultura –, recolheram e analisaram microamostras com o auxílio de infravermelhos e de raios-x.
No processo de exame e análise da escultura – criada segundo a descrição da irmã Lúcia –, foi executada, ainda, a estabilização estrutural da base, um dos pontos mais sensíveis da imagem.
Carla Felizardo, diretora do predito Centro de Conservação e Restauro no Porto, observou:
A fragilidade da base e a necessidade de estabilidade da escultura levaram a que fosse realizado um reforço estrutural, essencial tendo em conta a viagem de aproximadamente 8.000 quilómetros que a imagem fará, agora, até ao Panamá”.
Para a diretora do Centro, “é um enorme motivo de orgulho saber que o nosso Centro fez parte do processo de estudo e conservação da imagem que acompanhará o Papa Francisco nas Jornadas Mundiais da Juventude”. E concluiu:
A confiança que o Santuário de Fátima depositou no nosso trabalho, dando-nos a oportunidade de contactar com uma peça desta natureza, é, sem dúvida, um marco inigualável e que faz já parte das memórias mais importantes do Centro”.
Recorde-se que esta escultura percorre, desde 1947, os caminhos do mundo, tendo passado, em menos de 10 anos, pelos cinco continentes, sendo, talvez, a peça artística mais viajada do mundo. Entre 1947 e 2003, ano em que a Imagem Peregrina n.º 1 foi entronizada na Basílica de Nossa Senhora do Rosário, saindo apenas excecionalmente do Santuário de Fátima, foram contabilizados cerca de 630 mil quilómetros percorridos pelos 5 continentes, aproximadamente 15 voltas ao mundo, tomando como referência o perímetro equatorial.
***
Numa videomensagem aos Cristãos do Panamá o Padre Carlos Cabecinhas, Reitor do Santuário de Fátima, falou da “enorme alegria” que é enviar a “Imagem Peregrina mais importante” para a Jornada Mundial da Juventude. A sublinhar o caráter “absolutamente excecional” desta saída, disse o Reitor do Santuário:
Esta Imagem Peregrina é única, é a primeira e a original, aquela que percorreu os vários continentes, aquela que deu várias vezes a volta ao mundo”. 
E, relevando a JMJ 2019 como um “acontecimento eclesial de primeira importância”, vincou:
Entendemos que este é um momento muito importante e que, por isso, justifica a saída desta Imagem Peregrina n.º 1, aquela que, como eu dizia, é para nós a mais importante das Imagens Peregrinas de Nossa Senhora de Fátima”.
Segundo as palavras do Padre Cabecinhas, há uma “clara consciência de quão importante é para toda a Igreja esta presença dos jovens juntos com o Santo Padre em oração, em reflexão, em convívio, em festa”. E, por outro lado, discorreu:
Sabemos o quanto a devoção a Nossa Senhora está desde a origem das jornadas mundiais da juventude ligada a este acontecimento. Sabemos quão devoto era a Nossa Senhora o Papa São João Paulo II e, por isso, muito naturalmente, quando ele criou as jornadas mundiais da juventude, deu-lhe desde inicio um cunho mariano e, por isso, este era também motivo mais que suficiente para o envio de uma Imagem para nós tão importante”.
Este envio “é uma forma de exprimirmos a união na oração neste acontecimento”, reiterou.
Das viagens que a Imagem Peregrina fez pelos 5 continentes foi possível aferir a dinâmica pastoral centrífuga que leva a entidade cultuada aos peregrinos; a presença da imagem branca em países em tensão pelo conflito mundial que terminara dois anos antes; a inculturação de Fátima e da sua ritualidade pelo mundo; e o caráter missionário das viagens na expansão do Evangelho – sustenta o Diretor do Museu do Santuário de Fátima, Marco Daniel Duarte.
***
Na reflexão que fez sobre o Evangelho proclamado na Missa do dia 20, II domingo do tempo comum, que relata o episódio das Bodas de Caná, o Reitor do Santuário apresentou Jesus como “Aquele que transforma a nossa a vida, dando-a em plenitude” e Maria como a “mão que nos conduz permanentemente a Cristo”.
Ao destacar o primeiro milagre de Jesus como “um sinal que vai além da materialidade”, o sacerdote explicou a relação deste episódio com a Boa Nova que Cristo trouxe à humanidade:
A transformação da água em vinho remete-nos para aquilo que é a missão e a identidade de Jesus: a salvação dos homens pela transformação das vidas. Assim como transforma a água em vinho, também transforma o pão e vinho em Corpo e Sangue, na Eucaristia, e transforma também a nossa vida: transfigura-a, tornando-a plena em abundância. Este é o verdadeiro milagre de Caná!”.
Para que “Jesus possa operar esta transformação é necessária a adesão e disponibilidade às suas palavras, seguindo o seu exemplo de vida”, alertou, em seguida, ao sublinhar o importante papel de intercessora que Nossa Senhora assumiu no episódio do primeiro milagre do Filho. E frisou, apontando o acontecimento de Fátima como um exemplo prático da intercessão de Maria em favor da humanidade:
Tal como fez nas Bodas de Caná, ainda hoje, na glória, Nossa Senhora continua a interceder por nós. Conhece as nossas tristezas e medos e vem ao nosso encontro. No relato do Evangelho, é Maria que se dá conta que alguma coisa não está bem. Ainda hoje, Maria aparece como aquela que conhece as dificuldades e a necessidade de transformação de cada um de nós, vindo em nosso auxílio.”.
E prosseguiu:
Em Fátima, Nossa Senhora dá-se conta dos dramas que o mundo vive e vem ao nosso encontro, trazendo a resposta que Deus dá. São as nossas súplicas a Maria que levam Deus a intervir, tal como aconteceu nas Bodas de Caná; e é esta certeza que nos enche de confiança e nos faz com que, como filhos, depositemos as nossas súplicas em Maria.”.
Apresentou Maria como Aquela que nos “desafia ao compromisso de seguir Jesus”, tal como pediu aos serventes das Bodas de Caná que “fizessem tudo quanto Ele lhes dissesse”, e tal como se entregou a Deus, na Anunciação.
E deu o exemplo de santidade dos Pastorinhos Lúcia, São Francisco e Santa Jacinta, que aprenderam, “nesta escola de Maria”, a pedir a ajuda de Nossa Senhora e a mostrar “total disponibilidade a seguir Jesus, como Ela lhes pediu”.
Após a homilia, seguiu-se o rito bênção da nova coroa e a coroação da primeira Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima, que iria partir em peregrinação para a Jornada Mundial da Juventude no Panamá.
Tomando a oportunidade desta saída excecional, a Imagem foi, como se disse, alvo de um processo d estudo técnico e material, tendo o Santuário de Fátima encomendado uma nova coroa para uso nesta e nas restantes 12 imagens oficiais da Virgem Peregrina de Fátima.
“A criação foi solicitada à Casa Leitão & Irmão, Joalheiros, responsável pela coroa da Imagem de Nossa Senhora de Fátima que é venerada na Capelinha das Aparições – coroa criada em 1942 e colocada na escultura em 1946”, lê-se na nota informativa do Museu do Santuário de Fátima.
Atendendo à conotação das viagens da Virgem Peregrina com o tema da Paz, na base da coroa aparece a seguinte legenda, inscrita em capitais: Regina Pacis. Regina Rosarii Fatimae. Regina Mundi (Rainha da Paz. Rainha do Rosário de Fátima. Rainha do Mundo), formulação que irá constar na coroa das 13 Imagens oficiais.
Desenvolvida a partir do programa iconográfico fornecido pelo Museu do Santuário de Fátima, o seu autor, Jorge Lé, configurou a coroa tomando como mote a ideia simbólica da Árvore da Vida, descrita no livro do Apocalipse (Ap 22,2) do seguinte modo: “No meio da sua praça, e de uma e da outra banda do rio, estava a árvore da vida, que produz doze frutos, dando seu fruto de mês em mês; e as folhas da árvore são para a saúde das nações”.
Na memória descritiva, o autor refere:
A árvore da vida, elemento principal desta coroa, símbolo de vida e evolução perpétua, representa a ligação entre a terra e o céu. Reúne também em si todos os elementos da Vida, a água presente na sua seiva, a terra que se integra com as raízes, o ar que as folhas respiram e o fogo que surge pela fricção de dois galhos. O seu tronco, que surge da terra e se eleva para o céu, ramifica-se em cinco ramos, representando os cinco continentes, os quais se entrelaçam e unem ao longo da forma circular da coroa, ligando todas as nações que formam o nosso planeta. As suas folhas, símbolo de salvação das nações e eternidade, crescem em direção ao céu, sinónimo de ascensão.”.
***
Laus Deo Virginique Mariae!
 2019.01.22 – Louro de Carvalho