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segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

O Senhor está connosco, demos graças ao Senhor!


O domingo anterior ao Natal, no Ano A (IV domingo do Advento) faz-nos meditar a profecia de Isaías (Is 7,10-14), na 1.ª leitura da Liturgia da Palavra (como no dia 20) em articulação com a passagem de Mateus (Mt 1,18-24), para nos garantir a consciência clara de que Jesus é o “Deus-connosco”, que veio ao encontro dos homens para lhes oferecer a salvação (vd missa do dia 18).
Em 734 a.C., Acaz sobe ao trono de Judá. O Povo estava dividido: a norte, o reino formado por dez tribos, Israel, com a capital na Samaria; a sul, outro reino, formado por duas tribos, Judá, com a capital em Jerusalém. Judá goza de prosperidade económica e de relativa tranquilidade política. Porém, as campanhas militares de Tiglat-Pileser III, rei da Assíria, lançam os países da zona em alvoroço e anunciam tempos conturbados para os pequenos reinos da terra de Canaã.
Aí, Pecah, rei de Israel, tenta formar uma coligação antiassíria, para resistir às investidas do rei assírio, pretendendo que a coligação integre a Síria e Judá. Acaz recusa essa aventura. Por isso, Pecah, rei de Israel, e Rezin, da Síria, lançam as tropas contra Judá. Acaz pede ajuda dos assírios para resistir aos invasores.
Ao invés, o profeta Isaías, para quem a única esperança e segurança com que Judá deve contar é Jahwéh, o seu Deus, intervém junto de Acaz. Com efeito, confiar a segurança da nação a potências estrangeiras é abandonar Deus e expor o país a dependências que trazem sofrimento e opressão. E o profeta dirige-se ao rei a propor-lhe que, se não acredita nas suas recomendações, peça a Deus um “sinal” para decidir o que Deus quer. Acaz, porque tem a decisão tomada e numa aparente postura de fé, recusa pedir a Deus qualquer “sinal”, não tentando a Deus. De facto, a postura de Acaz era de desdém . Mas Isaías, porque falava em nome de Deus, deixa-lhe um sinal de Deus, que é este: “a jovem (em hebraico: “ha-‘almah”) conceberá e dará à luz um filho, e o seu nome será Deus connosco” (em hebraico: “‘Imanu El”). É uma garantia nova e imediata.
Certamente o profeta refere-se ao facto histórico da gravidez da jovem esposa do rei, Abia, filha de Zacarias (o título “a jovem” aparece em certos textos de Ugarit para designar a esposa do rei) e posterior nascimento do filho Ezequias, que ocupou o trono de Judá à morte de Acaz. O seu nascimento será a garantia de que a descendência de David continuará e de que, apesar do ataque dos inimigos, Judá terá um futuro. Este menino é, pois, um sinal de que “Deus está connosco” e que continua a cuidar do seu Povo e a oferecer-lhe um futuro de esperança. É de confiar.
A versão grega dos “Setenta” utilizou o vocábulo “parthénos” (“donzela”, “virgem”) para traduzir o hebraico “‘almah” (“jovem”). Por isso, desde o séc. II a.C. (ou até antes), parte da tradição judaica viu neste nascimento excecional a referência ao Messias, que nasceria duma “virgem”. E a tradição cristã aplicou este oráculo a Jesus; e Maria, a mãe de Jesus, passou a ser essa “virgem” nomeada no texto grego de Is 7,14. E Jesus o Emanuel. Demos graças a Deus!
***
Convenhamos que a segurança e a prosperidade granjeadas por Ezequias são efémeras, não dando garantias de estabilidade e perenidade. Para o escopo do Deus Connosco sempre e para sempre, vem a Boa Nova do Evangelho mateano da Infância revelar que este Emanuel – Deus Connosco é Jesus. Não imaginaria Isaías (ou outro profeta) que se realizaria assim esta profecia.
Segundo os biblistas, os textos do “Evangelho da Infância” pertencem ao género literário da homologese, que, não sendo um relato jornalístico e histórico de acontecimentos, se assume como catequese que proclama certas realidades salvíficas (que Jesus é o Messias, que vem de Deus, que é o “Deus connosco”). Desenvolve-se em forma de narração e recorre às técnicas do midrash haggádico (técnica de leitura e de interpretação do texto sagrado usada pelos rabbis judeus da época de Jesus), utilizando e misturando tipologias (factos e pessoas veterotestamentárias, encontram a sua correspondência em factos e pessoas neotestamentárias) e aparições apocalípticas (anjos, aparições, sonhos) para fazer avançar a narração e para explicitar determinada catequese sobre Jesus. Não interessa, pois, estar à procura de factos históricos, mas, sobretudo, perceber o que a catequese cristã primitiva nos ensina sobre Jesus com estas narrações.
Importa, contudo, considerar a situação de Maria e José. O casamento hebraico considerava o compromisso matrimonial em duas fases: na 1.ª, os noivos prometiam-se mutuamente (os “esponsais”); na 2.ª, era o compromisso definitivo (as cerimónias do matrimónio propriamente dito). Entre os esponsais e o rito do matrimónio, passava um tempo mais ou menos longo, durante o qual qualquer uma das partes podia voltar atrás, embora sofrendo uma penalização. Durante os esponsais, os noivos não coabitavam, mas o compromisso assumido tinha caráter estável, de tal modo que um filho que surgisse era considerado filho legítimo de ambos. A Lei de Moisés considerava a infidelidade da “prometida” como ofensa semelhante à infidelidade da esposa (cf Dt 22,23-27). E a união entre os dois “prometidos” só podia dissolver-se com a fórmula jurídica do divórcio. Ora, segundo o texto mateano, José e Maria estavam na situação de “prometidos”: já tinham celebrado os “esponsais”. De acordo com Mateus, José apercebeu-se da gravidez de Maria durante a fase dos esponsais. Como sabia não ser o pai biológico do nascituro, mas, porque era justo (reto, santo. Poucos no AT/Antigo Testamento têm o epíteto de justo), resolveu abandonar Maria em segredo. Este desconhecido descendente de David pensava ser seu dever afastar-se da vocação de Maria. Porém, um anjo do Senhor apareceu-lhe em sonhos a esclarecer: “O que vai nascer é fruto do Espírito Santo”. E José adotou o filho da Virgem Maria e cuidou dele e dela.
O anúncio a José segue o esquema dos relatos do AT, em que se anuncia o nascimento de importante personagem (cf Jz 13): o anúncio vem rodeado de sinais divinos (o “anjo do Senhor”, o sonho); que provocam medo e espanto; o mensageiro anuncia o nome e a missão da criança que vai nascer; dá-se a base da confirmação do anúncio (o cumprimento das Escrituras). A função do anúncio é vincular a personagem, desde o nascimento, com o projeto divino. Este esquema é usado por Lucas para anunciar o nascimento de João Batista (cf Lc 1,5-25).
A catequese mateana procura, fundamentalmente, mostrar que Jesus vem de Deus, que a sua origem é divina (Maria encontra-se grávida por obra e graça do Espírito Santo”), ensinar qual será a missão de Jesus (o nome que Lhe é atribuído mostra que Ele vem de Deus com a salvação para os homens – “Jesus” significa “Jahwéh salva”) e clarificar que Ele é o Messias de Deus, da descendência de David, que os profetas anunciaram (a referência ao nascimento duma virgem não deve ser vista principalmente como a afirmação do dogma da virgindade de Maria – este é entendido no âmbito da cristologia –, mas como a afirmação de que Jesus é o Messias anunciado pelos profetas, enviado por Deus para restaurar o reino de David).
José desempenha um papel relevante: O anjo dirige-se-lhe como filho de David, pedindo-lhe que receba Maria e imponha o nome à criança. A imposição do nome é o rito pelo qual um pai recebe uma criança como filha. Assim, Jesus passa a fazer parte da família de David e a ser a esperança para a restauração desse reino ideal de paz e de felicidade por que o Povo ansiava. Pela obediência de José, realizam-se os planos e as promessas de Deus ao seu Povo.
Jesus é, assim a incarnação viva e perpétua desse “Deus connosco”, que vem ao encontro dos homens para lhes apresentar uma proposta de salvação. E o Evangelho contém o convite a acolhermos de braços abertos a proposta que Ele traz e a deixarmo-nos transformar por ela.
***
Por último, a 2.ª leitura (Rm 1,1-7) sugere que, do encontro com Jesus, resultará o testemunho: tendo recebido a Boa Nova da salvação, os seguidores de Jesus devem levá-la a todos os homens e fazer com que ela se torne realidade libertadora em todo o tempo e lugar.
A Carta aos Romanos foi escrita no final da 3.ª viagem missionária de Paulo. Ao partir de Corinto para Jerusalém, o apóstolo sente que terminou a sua missão no Mediterrâneo oriental e prepara-se para continuar o trabalho missionário no ocidente. O olhar dirige-se, agora (ano 57 ou 58), para Roma e para a Península Ibérica (cf Rm 15,24): os seus planos passam por anunciar aí o Evangelho de Jesus. Paulo está preocupado com o futuro da Igreja, pois há dificuldades no relacionamento entre judeo-cristãos e pagano-cristãos, fruto das diferenças sociais, culturais e religiosas subjacentes aos dois grupos. Na comunidade de Roma, essas diferenças sentem-se com alguma intensidade e ameaçam a unidade da Igreja. E o apóstolo escreve para sublinhar o que a todos une e frisa que todos – judeus e não judeus – fazem parte do mesmo Povo de Deus, pelo que devem viver no amor e na fraternidade.
O texto da 4.ª dominga do Advento é parte da introdução à Carta. Tratando-se de comunidade não fundada por ele, Paulo adota singulares precauções diplomáticas, para não melindrar os cristãos de Roma. Apresenta-se e define a missão que Deus lhe confiou.
Em começo solene, Paulo define-se a si mesmo com três apelativos: é servo de Jesus Cristo, é apóstolo por chamamento divino e é eleito para anunciar o Evangelho.
Dizer-se “servo de Jesus Cristo” significa dizer que pôs a vida incondicionalmente ao serviço de Cristo. A designação de servo não tem aqui conotação com escravidão (contraditaria a consciência que Paulo tem da liberdade cristã); deve, antes, ser entendida como entrega amorosa a Cristo. Desta forma, Paulo define o sentido da sua atividade missionária: serviço a Cristo e ao seu projeto libertador em favor dos homens. Ser “apóstolo por chamamento divino” equivale a dizer que é testemunha fiel de Jesus e da sua mensagem. Deus chamou-o para dar esse testemunho; e Paulo, consciente desse facto, está disposto a enfrentar todas as dificuldades para ser fiel a esse chamamento. E ser “escolhido para o Evangelho” quer dizer que Paulo tem consciência de ser, desde sempre (inclusive, antes do seu nascimento), eleito por Deus para a tarefa de levar a Boa Nova da libertação aos homens de toda a terra. Nasceu para anunciar o Evangelho e ser testemunha do projeto de salvação que Deus oferece a todos os homens.
Estes apelativos paulinos estão centrados no anúncio do “Evangelho”. Na ótica de Paulo, o “Evangelho” é a proposta libertadora de Deus, que se tornou viva e presente no mundo por Jesus Cristo, o Messias, para a salvação de todos os homens. Não é coleção de textos mortos ou doutrina bem ou mal sistematizada, mas a proclamação viva, ativa, transformadora, geradora de vida nova e liberdade plena em quem a escuta e acolhe. Paulo sente que toda a sua vida está ao serviço desse projeto e que a sua missão é levá-lo a todos os homens.
No texto de Paulo é, ainda, de considerar uma primitiva fórmula, em qual Paulo afirma a sua fé em Jesus, nascido da descendência de David, mas constituído Filho de Deus pelo Espírito que santifica; o seu poder manifestou-se na ressurreição – a “prova provada” da sua filiação divina. Mas o Filho de Deus, que nos dá a graça e a paz, é um humilde descendente da estirpe humana, sujeito à dura condição do que nascem filhos da carne e do sangue. E, ressuscitado, fez-Se o salvador – boa nova de que são constituídos servidores os apóstolos, a Igreja e todos os cristãos.
2019.12.23 – Louro de Carvalho

domingo, 15 de dezembro de 2019

Em domingo adventino de alegria, os sinais do messianismo de Jesus


Que o 3.º domingo do Advento é de alegria esperançosa testemunha-o a passagem bíblica tomada para 1.ª Leitura a Liturgia da Palavra (Is 35, 1-6a.10), que exibe o termo que significa “alegria” 4 vezes; e, nos ativermos a palavras com valor semântico semelhante, o leque ficará ampliado: alegrem-se, rejubile, exulte, prazer, contentamento.  
O trecho de Isaías é, de facto, um hino à alegria, destinado a acordar a esperança e a revitalizar o ânimo dos exilados, pois Deus “aí está para fazer justiça”: vai intervir na história, salvar Judá do cativeiro e abrir uma estrada no deserto para que o Povo regresse em triunfo a Sião.
Na verdade, é anunciada a chegada de Deus, para dar a vida ao seu Povo, para o libertar e conduzir, num cenário de alegria e de festa, para a terra da liberdade.
O profeta interpela a natureza e pede-lhe que se associe à alegria ansiosa dos homens e se prepare para a ação libertadora de Deus em prol do seu Povo: o deserto e o descampado (estéreis e desolados) são incitados a revestir-se de vida abundante (como o Líbano, o monte Carmelo ou a planície do Sharon, zonas proverbiais de vida e de fecundidade) e a enfeitar-se de flores de todas as formas e cores. Assim, a própria natureza manifestará a sua alegria pela intervenção salvadora de Jahwéh e será o cenário adequado à intervenção de Deus. Ademais, a magnificência das árvores e das plantas será a imagem da glória e da beleza do Senhor e falará a todos da grandeza de Deus, da sua capacidade para fazer brotar vida onde só havia morte, desolação, esterilidade. Depois, a palavra do profeta dirige-se aos homens. Não ao desânimo, à cobardia, ao baixar os braços, porque Deus está para salvar e libertar! Os exilados devem unir-se à natureza nessa corrente de alegria e vida nova, pois a libertação chegou. E, como resultado, os olhos dos cegos abrir-se-ão e desimpedir-se-ão os ouvidos dos surdos. O coxo andará e saltará como um veado; o mudo falará e cantará de alegria. A ação de Deus é excessiva, porque transformadora e geradora de vida nova em abundância. A marcha do Povo da terra da escravidão para a da liberdade será um novo êxodo, onde se repetirão as maravilhas operadas pelo Deus libertador aquando do primeiro êxodo; não obstante, este segundo êxodo será mais grandioso, quanto à manifestação e à ação de Deus. Será uma peregrinação festiva, feita na alegria. O resultado final será o reencontro com Sião, a eterna felicidade, a alegria sem fim.
O Evangelho (Mt 11, 2-11) descreve, de forma sugestiva, a ação de Jesus, o Messias esperado.
O evangelista, depois de mostrar as atitudes que as distintas pessoas e grupos assumem ante Jesus, pretende explicitar os sinais de reconhecimento da ação messiânica de Jesus. O sinal dado aos pastores pelo anjo foi o do menino envolto em panos e deitado na manjedoura, o sinal dado aos doutores no encontro do Templos aos seus 12 anos foi a inteligência e sabedoria plasmadas na pertinência das perguntas que fazia e na doutrina das respostas que dava. Agora os sinais vêm compendiados na resposta à pergunta dos enviados de João, preso por ordem de Herodes Antipas, a quem o Batista criticara por viver maritalmente com a cunhada, se Jesus é “o que está para vir”. João esperava um Messias que viesse lançar fogo à terra, castigar maus e pecadores, iniciar o “juízo de Deus”, mas Jesus aproximou-Se dos pecadores, marginais, impuros e deu-lhes a mão, oferecendo-lhes a salvação. Porém, o Mestre é compassivo e claro para com os discípulos do Batista, piscando-lhes, segundo Mateus, os olhos.
O texto tem duas partes. Na 1.ª, Jesus responde à pergunta de João e insinua que é o Messias; na 2.ª, temos a apreciação que o próprio Jesus faz da figura e da ação profética de João. Jesus tem indubitavelmente consciência de que é o Messias. E, para dar a resposta, recorre a um conjunto de citações de Isaías que definem, na perspetiva dos profetas, a ação do Messias enviado de Deus: dar vida aos mortos (cf Is 26,19), curar os surdos (cf Is 29,18), dar vista aos cegos, dar liberdade de movimentos aos coxos (cf Is 35,5-6), anunciar a Boa Nova aos pobres (cf Is 61,1). Ora, se Jesus realizou estas obras (cf Mt caps 8.9) e fez ressurreições, é porque é o Messias, enviado por Deus para libertar os homens e para lhes trazer o “Reino”. A sua mensagem e os seus gestos contêm uma proposta libertadora que Deus faz aos homens. Na verdade, os discípulos de João (alguns vieram a ser também discípulos de jesus) hão de ir dizer-lhe o que viram e ouviram: os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e a boa nova é anunciada aos pobres (Mt 11,5-6; cf Lc 7,21-23). Aliás estes sinais estão presentes em Lc 4, no episódio em que Jesus lê na sinagoga de Nazaré a passagem de Isaías que reza:
O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-me a proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista, a mandar em liberdade os oprimidos, a proclamar um ano favorável da parte do Senhor” (Lc 4,18-19; cf Is 61,1-2a).
Repare-se que, após a leitura em que fez o corte isaiano da proclamação do “dia da vingança da parte do nosso Deus”, disse: “Cumpriu-se hoje esta passagem da Escritura, que acabais de ouvir” (Lc 4,21). De facto, os sinais do Reino são claros em Jesus.
E, sim, aqui temos as credenciais do Cristo que esperamos com paciência como o agricultor espera pacientemente o fruto da terra, aguardando a chuva temporã e a tardia e fortalecendo os vossos corações, porque a vinda do Senhor está próxima, sem nos queixarmos uns dos outros, e tomando como modelo de sofrimento e de paciência os profetas, que falaram em nome do Senhor (cf Tg 5, 7-10) e que em Cristo veem a profecia chancelada pela rubrica da autenticidade.
De facto, a profecia de João não foi em vão: diminuiu-se para que o Messias crescesse, este que o Batista apresentou como o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo (vd Jo 1,29.36). E Jesus elogia-o perante as multidões. Mateus utiliza um recurso retórico muito conhecido: uma série de perguntas que instam os ouvintes a responder. E o Messias esclarece: João não é um pregador oportunista cuja mensagem segue as modas, ou o convencido elegante que vive no luxo; João é um profeta e mais do que profeta. É o precursor do Messias
E a questão pertinente para nós é se queremos ser como João, o profeta que se diminui para que o Outro cresça e se veja onde está, no Céu e na Terra, no Templo e no mundo dos pobres e marginais, doentes e diminuídos. É sempre o Cristo que quer renascer e viver em nós! Temos que lhe fazer caminho e dar espaço e morada em nós e entre nós.
2019.12.15 – Louro de Carvalho

sábado, 8 de dezembro de 2018

Maria, a beleza luminosa no Advento/Natal


Na caminhada espiritual e pastoral do Advento/Natal do Senhor, a liturgia católica surpreende a Igreja crente, orante, discípula e apóstola com a Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria. Esta surpreendente festividade, surgida na História da Igreja em termos do Santoral, colocou-se antes do Natal de modo que o Nascimento ou Natividade de Maria pudesse celebrar-se em tempo de colheitas dos frutos semeados na primavera e das sementeiras outonais para as colheitas primaveris.
No entanto, esta solenidade mariana da pureza virginal de maria ab initio torna-se cristológica e eclesiológica se atendermos à pedagogia de Gabriel e de Isabel e ao conteúdo das mensagens.
Antes de mais, Gabriel chega a Nazaré enviado por Deus e saúda a donzela Maria como a Cheia de Graça, Aquela com quem o Senhor está – um elogio ou um piropo gracioso pelo facto de a donzela de Nazaré possuir o Senhor e Ele a possuir porque Ela achou graça no Senhor e Ele se revê nela. E, depois, solicitando-Lhe que não tema, anuncia que Ela conceberá e dará à luz o Santo de Deus, Aquele a quem ela porá o nome de Jesus, o Filho do Altíssimo, que libertará o povo dos pecados. É a lógica graciosa de Deus: parte-se de Maria cheia de graça em todo o tempo e lugar por obra de Deus, para nos ser dado o Filho do Altíssimo tornado também filho de Maria, o Deus humanado. Nesta lógica, que Maria aceitou, porque escutou bem e guarda no coração, Maria voluntaria-se para serva do Senhor, deixando que em Si e por Si se cumprisse a Palavra de Deus. E, como a Palavra de Deus é o próprio Filho de Deus, que em Maria Se tornou carne humana, Ela é simultaneamente a morada da Palavra, a serva da Palavra e a oferente quase sempre silenciosa da Palavra ao Mundo. (cf Lc 1,26-38; Jo 1,1-14).
E Isabel, reconhecendo em Maria a mãe do Senhor, por Ela ter acreditado em tudo quanto Lhe foi dito da parte de Deus, bendi-la a Ela e ao fruto do Seu ventre (cf Lc 1,39-45). A mesma lógica de Deus assumida por Isabel: de Maria, a Mãe, para Jesus, o Filho. Nada acaba em Maria, porque também nada começa em Maria. Ela é cheia de graça porque Deus está com Ela e a cumulou da graça divina, a mesma graça que Jesus trouxe ao mundo dos homens. Por isso, o centro da graça visível no mundo é Jesus, que nos faz caminhar Consigo, no Espírito Santo, para o Pai. A missão de Maria é cristípeta: encaminha-nos para o Cristo de Deus.
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Porém, como é de entender, Maria não está sozinha com Jesus nem O fechou no seu mundo, como alguns querem fazer. Ela é lugar e testemunha do mistério da Encarnação e colabora na construção da economia da Redenção. E, depois, junta-se em oração e atividade ao núcleo dos apóstolos a quem incumbe implantar a Igreja no mundo como instrumento, espaço e encontro de salvação. E hoje continua a acompanhar a Igreja como seu protótipo, como sua mãe, como sua irmã, visto que os membros da Igreja são irmãos, filhos no Filho, a cabeça deste corpo orgânico. Por isso, os Padres da Igreja aplicam a Maria aquilo que das Escrituras se aplica à Igreja e vice-versa. Por tudo a mariologia integra a eclesiologia
Na verdade, como nova Eva, Maria pertence à descendência da mulher que esmagará a cabeça da Serpente (cf Gn 3,15) – descendência protagonizada e presidida por Jesus, que tudo o mereceu, mas que agrega a Si todos os crentes constituídos em Igreja e em sementeira do Reino de Deus.
Com efeito, Maria deu ao mundo o Autor da vida e Luz do mundo. Como diz o evangelista Lucas, “Maria deu à luz o Seu Filho primogénito, envolveu-O em panos e reclinou-O numa manjedoura”. Eis o primeiro altar da contemplação e da adoração familiares, mas logo aberto à contemplação adorante dos anjos e dos pastores. Como Maria, também a Igreja e, nela, todos os seus membros têm o condão e o dever de contemplar Jesus, adorá-Lo e mostrá-Lo ao mundo dos homens e encaminhá-los para Ele, patenteando as portas da libertação e da liberdade. É, pois, eclesiológica a missão de Maria, como é mariana, em certa medida, a missão da Igreja.
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Nos alvores da pregação do Reino, a Virgem surge como a humilde serva do Senhor, mas a quem a luz divina que lhe brilha no olhar virgíneo e maternal faz entoar o cântico do louvor e da imensa misericórdia, que testemunha que Deus tem predileção pelos simples e humildes:
A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador. Porque pôs os olhos na humildade da sua serva. De hoje em diante, todas as gerações chamar-me-ão bem-aventurada. O Todo-poderoso fez maravilhas em mim. Santo é o seu nome. A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que o temem… Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência, para sempre.” (Lc 1,46-55).
É a assunção da alegria da Filha de Sião como enuncia o profeta Isaías:
Exulto de alegria no Senhor e o meu espírito exulta no meu Deus, porque me revestiu com as vestes da salvação e me envolveu num manto de triunfo. Como um noivo que cinge a fronte com o diadema e como uma noiva que se adorna com as suas joias. Porque, assim como a terra faz nascer as plantas e o jardim faz brotar as semen­tes, assim o Senhor Deus faz germinar a justiça e o louvor diante de todas as nações.” (Is, 61,10-11).  
E esta alegria e esta beleza da Filha de Sião ou da Jerusalém predileta do Senhor – Maria e a Igreja – inundam a Terra como proclama o convite do Senhor pela voz do Profeta:  
Levanta-te e resplandece, Jerusalém, que está a chegar a tua luz! A glória do Senhor amanhece sobre ti! Olha: as trevas cobrem a terra, e a escuridão, os povos, mas sobre ti amanhecerá o Se­nhor. A sua glória vai aparecer sobre ti. As nações caminharão à tua luz, e os reis ao esplendor da tua aurora. Levanta os olhos e vê à tua volta: todos esses se reuniram para vir ao teu encontro. Os teus filhos chegam de longe, e as tuas filhas são transportadas nos braços. Quando vires isto, ficarás radiante de alegria; o teu coração palpitará e se dilatará, porque para ti afluirão as riquezas do mar, e a ti virão os tesouros das nações.” (Is 60,1-5). 
Obviamente, Maria ou a Igreja não seriam a luz. A Luz é o Senhor. Ele o diz (Eu sou a luz do mundo – Jo 8,12), mas quem O segue torna-se luzeiro e luz (quem me segue não anda nas trevas, mas terá a luz da vida – Jo 8,12; vós sois a luz do mundo – Mt 5,14). Por isso, na linha da profecia, as nações caminharão à luz da Filha de Sião, porque a glória do Senhor se espargiu sobre ela. Maria deu ao mundo a Luz e a Igreja tem a missão iluminar o mundo com a luz de Cristo.
A mesma mulher – Maria e a Igreja – surge nos tempos apocalípticos como o grande sinal a brilhar no Céu:
Uma Mulher vestida de Sol, com a Lua debaixo dos pés e com uma coroa de doze estrelas na cabeça. Estava grávida e gritava com as dores de parto e o tormento de dar à luz. […] Ela deu à luz um filho varão. Ele é que há de governar todas as nações com cetro de ferro. Mas o filho foi-lhe arrebatado para junto de Deus e do seu trono. E a Mulher fugiu para o deserto onde Deus lhe preparou um lugar, de modo a não lhe faltar aí o alimento durante mil duzentos e sessenta dias. Travou-se uma batalha no céu: Miguel e seus anjos declararam guerra ao Dragão. O Dragão e os seus anjos combateram, mas não resistiram. O grande Dragão, a Serpente antiga – a que chamam também Diabo e Satanás – o sedutor de toda a humanidade, foi lançado à terra; e, com ele, foram lançados também os seus anjos. Então ouvi uma voz forte no céu que aclamava: Eis que chegou o tempo da salvação, da força e da realeza do nosso Deus e do poder do seu Cristo!” (Ap 12,1-2.5-7.8.9-10).
A Cheia de Graça, revestida da beleza de Deus – mas cujo coração foi trespassado por uma espada de dor, como profetizou o velho Simeão (cf Lc 2,35) – surge perto do Natal, na tradição eclesial, como Senhora do Ó ou Senhora da Expectação (que o povo justifica como sendo a Senhora grávida – e também o é), unida ao Povo de Deus (e dele emergente em lugar de relevo) que espera o Messias desejado e reza, de 17 a 24 de dezembro, invocando-O pelos seus títulos messiânicos antes do Evangelho da Missa e como antífona do “Magnificat” em Vésperas: Ó Sabedoria do Altíssimo (dia 17), Ó Chefe da Casa de Israel (dia 18), Ó Rebento da Raiz de Jessé (dia 19), Ó Chave da Casa de David (dia 20), Ó Sol Nascente, esplendor da luz eterna e sol de justiça (dia 21), Ó Rei das Nações e Pedra angular da Igreja (dia 22), Ó Emanuel, nosso rei e legislador (dia 23). E leem-se as seguintes passagens do Evangelho: dia 17, Genealogia de Jesus (Mt 1,1-17); dia 18, Modo como Jesus nascerá de Maria (Mt 1,18-25); dia 19, Anúncio do nascimento do Precursor (Lc 1,5-25); dia 20, Anúncio do nascimento de Jesus (Lc 1,26-38); dia 21, Visita de Maria a Isabel (Lc 1,39-45); dia 22, Magnificat, cântico de Maria (Lc 1,45-26), semelhante, na evocação do poder do Senhor, ao cântico de Ana (1Sm 2,1-10); dia 23, Nascimento do Precursor; e dia 24, Benedictus, cântico de Zacarias.
***
Não é, pois, descabido o facto de G. M. Behler, no seu livro “Alabanza Biblica de la Virgen” (Narcea, SA de Ediciones, Madrid: 1972), baseado em referências bíblicas, textos litúrgicos e patrísticos, doutrina do magistério eclesial e escritos dos santos, chamar a Maria e, consequentemente à Igreja, a Cidade de Deus, na dupla dimensão: a cidade mãe e a cidade refúgio. Com efeito, Aquela que surge como a aurora do tempo novo e que emerge de forma especial no Advento e Natal em função de Cristo, e da Igreja qual fruto seu, fica alvorada no Calvário em mãe de todos os povos e não por uma maternidade limitada aos contornos da carne, mas com a largueza, amplidão e profundidade do Espírito – a mãe universal, a mãe espiritual. Por outro lado, a mulher fiel que escutava e tudo guardava em seu coração (cf Lc 2,19.51) é a nova Jerusalém, resplendente de luz e beleza feita baluarte inexpugnável de Deus e baluarte indestrutível do Reino. Por isso, nós rezamos “Sub tuum praesidium confugimos Sancta Dei Genitrix…”.
Mas essas prerrogativas altamente nobilitantes também as têm a Igreja no seu ser e missão e, com ela, todos os filhos de Maria (filii Mariae) e filhos da Igreja (filii Ecclesiae – fregueses). É esta a nossa alegria, é esta a nossa responsabilidade. Para tanto, como a Virgem Maria, teremos de estar abertos à graça e disponíveis para a missão! E, se Maria pôde entoar “Magnificat anima mea Dominum…”, nós como Igreja e como crentes, podemos cantar:
Deus é o meu Salvador,
Tenho confiança e nada temo.
O Senhor é a minha força e o meu louvor.
Ele é a minha salvação.
Convidarmo-nos reciprocamente:
Povo do Senhor, exulta e canta de alegria.
Povo do Senhor, exulta e canta de alegria.
E, por fim,
Santa Mãe do Redentor, Porta do Céu, Estrela do Mar,
Socorre o povo cristão que procura levantar-se do abismo da culpa.
Alegrai-Vos, ó Virgem gloriosa, a mais bela entre todas as mulheres,
Santa Mãe de Deus, intercedei por nós diante do vosso Filho.  
***
Vem aí o Natal. É imperativo não fechar a porta a Deus nem ao Homem. Chamam: é preciso responder. Batem: é preciso abrir e permitir a entrada no nosso mundo para que se transforme.
2018.12.08 – Louro de Carvalho

domingo, 2 de dezembro de 2018

Tu também tens de ser o presépio


Com o 1.º domingo do Advento, inicia-se o novo Ano Litúrgico e o seu 1.º ciclo, o do Natal.
O comércio já vem enxameando, desde fins de outubro, as ruas e praças, as montras e lojas e os spots publicitários de motivos e objetos natalícios, como também – é justo registá-lo – de campanhas a favor de quem precisa e de agendamento de encontros e outros atos de confraternização com familiares, vizinhos e amigos.
Na ótica do combate à banalização consumista que, muitas vezes, encandeia, adorna e atordoa o Natal com as luzes, decorações e sons do mundanismo, fazemos o esforço de evidenciação da profundidade do mistério do Natal centrando-nos em Jesus menino que, pelo Seu Nascimento, deu o primeiro passo na Terra para a cruz redentora, que possibilita a presente e a eterna confraternização dos filhos de Deus na e com a comunhão trinitária.
Por isso, fiquei algo espantado quando anotei que o Papa Francisco e o Bispo do Porto (que têm razão) recomendaram a colocação antecipada do Presépio e da Árvore de Natal nas igrejas, nas casas de família, nas ruas e nas praças. E hoje, dia 2 de dezembro, o sacerdote que celebrou a missa transmitida pela Rádio Renascença frisou que muitos e muitas que não são crentes celebram o Natal e dizia “ainda bem”, porque festejam a vida, o nascimento, a convivência.
E o Papa, na mensagem que dirigiu ao simpósio sobre as igrejas que deixam de estar ao culto e que podem ser destinadas a fins profanos não sórdidos, segundo o cânone 1222 do Código de Direito Canónico, disse que o fenómeno de muitas igrejas, necessárias até há poucos anos, mas não hoje, seja por falta de fiéis e de clero, seja por uma distribuição diferente da população nas cidades e nas zonas rurais, não deve ser acolhida com ansiedade pela Igreja. Ao invés, este fenómeno deve ser interpretado como um sinal dos temposque nos convida a uma reflexão e nos impõe uma adaptação”.
Talvez também o consumismo natalício, muito fomentado pelo comércio e pelas relações socioeconómicas, nos possa levar a uma oportuna reflexão e a encarar catequeticamente este pretenso alargamento dos festejos. Por isso, em vez de tentarmos obstruir o cortejo das vaidades, talvez seja mais conveniente tentar alinhá-lo pela linha da eficácia e tolerância evangélicas: continuar a semear o trigo, mas não impedir primariamente o crescimento conjunto do joio ou das ervas neutras. Não desistindo, mas sendo criteriosos!
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Só por motivos metodológicos se distinguem Natal e Advento. Advento (do nome latino adventus, us – chegada, por sua vez derivado do verbo advenire: vir, chegar, vir até junto de) significa vinda, chegada até junto de nós. Obviamente, no contexto cristão, trata-se da vinda de Jesus, o Messias. Ao longo dos tempos, Deus aproximou-se dos homens e falou-lhes implicitamente pelos sinais natureza e explicitamente pelos patriarcas, juízes, reis e profetas. Agora, fala-nos por seu filho Jesus Cristo. O Advento já celebra a vinda de Jesus, que tira o pecado do mundo – e nesse sentido, chamamo-Lo Messias em hebraico e Cristo em grego – como foi prometido ao longo do Antigo Testamento. Pelo Natal (no latim, dies natalis – dia do nascimento – de que o tempo assumiu o adjetivo “natalis” como nome deixando cair o “dies”), celebramos a vinda de Jesus pela modalidade factual do nascimento a partir do seio virginal de Maria onde fora concebido por obra do Espírito Santo.
Diga-se que um só dia do calendário seria exíguo para celebrar tão misterioso e portentoso mistério da Encarnação do Verbo de Deus.
Por isso, em douta antropagogia, a Igreja, embora centre a celebração na Solenidade do Natal do Senhor, fá-la preceder de quadra preparatória em que releva (para nossa edificação) mensagens, factos e figuras humanas – precursores da vinda de Jesus –, tal como subsequentemente lhe apõe uma oitava festiva para a sapiência e a deglutição do augusto mistério e, ainda, mais uns dias para absorvermos o dinamismo do Evangelho da Infância até ao Batismo do Senhor.
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Entre os vários motivos natalícios, destaca-se o presépio como lugar central do Natal. Devo, contudo, anotar que originariamente o “presépio” (em grego, “φάτνη” – phátnê: em latim: praesepium ou praesepe) é a manjedoura, que por sinédoque passou a designar também a gruta, estábulo, cabana.
Diz o Evangelho de Lucas que Maria deu à luz o Seu filho primogénito, O envolveu em panos e O reclinou sobre uma manjedoura (cf Lc 2,7). Porém, deve ter-se em conta que a manjedoura está abrigada na gruta ou cabanal e que ali foram acolhidos os visitantes e adoradores do menino.
Ora, do meu ponto de vista, a manjedoura passou, com o Natal, a ser o primeiro altar, na Terra, de adoração familiar: Maria e José acarinharam o menino, apaparicaram-no, beijaram-no, contemplaram-no e mostraram-no a quem aparecia, nomeadamente anjos e pastores.
Recordo que Bento XVI, na homilia da missa na Esplanada de Marienfeld, em Colónia, a 21 de agosto, no âmbito da XX Jornada Mundial da Juventude (JMJ), falou do sentido da adoração:
A palavra grega ressoa proskynesis. Ela significa o gesto da submissão, o reconhecimento de Deus como a nossa verdadeira medida, cuja norma aceitamos seguir. Significa que liberdade não quer dizer gozar a vida, considerar-se absolutamente autónomo, mas orientar-se pela medida da verdade e do bem, para, assim, nos tornarmos nós próprios verdadeiros e bons. Este gesto é necessário, mesmo se a nossa ambição de liberdade num primeiro momento resiste a esta perspetiva. […]. A palavra latina para adoração é ad-oratio contacto boca a boca, beijo, abraço e, por conseguinte, fundamentalmente amor. A submissão torna-se união, porque Aquele a quem nos submetemos é Amor. Assim, submissão adquire um sentido, porque não nos impõe coisas alheias, mas liberta-nos em função da verdade mais íntima do nosso ser.”.
Então, para adorar, pomo-nos de pé, inclinamo-nos, ajoelhamos, prostramo-nos, sentamo-nos consoante o que nos parece ser a postura do amado, de quem nos abeiramos. Antigamente, ao invés do que muitos pensam, o trono real estava perto do solo. Logo, para “adorar” o rei, o único que estava sentado, era mister fletir, ajoelhar ou prostrar-se, dependendo da estatura do súbdito (isto antes da instituição de práticas humilhantes). É, assim, preciso colocar a boca de modo a podermos beijar a pessoa amada e falar-lhe, ouvi-la para lhe podermos responder e podermos vir a falar em seu nome a outrem. Todavia, mais do que a posição física para adorar importa adorar em espírito e verdade (cf Jo 4,23.24). 
A adoração deve ser cultivada em família, mas não pode fechar-se nela. Imaginemos que Maria e José se tinham trancado na gruta de Belém e escondiam o menino… Mas não: aquele primeiro altar familiar abriu-se à adoração de quem acorreu ali: os anjos fizeram-se ouvir a cantar Glória a Deus no Céu e paz na Terra aos homens do seu agrado (cf Lc 2,14); entretanto, um deles fora avisar os pastores que pernoitavam nas imediações da cidade:
Não temais, pois anuncio-vos uma grande alegria, que o será para todo o povo: Hoje, na cidade de David, nasceu-vos um Salvador, que é o Messias Senhor. Isto vos servirá de sinal: encontrareis um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura.” (Lc 2,10-12).
E os pastores apostolaram-se reciprocamente “Vamos a Belém ver o que aconteceu e que o Senhor nos deu a conhecer”. Foram apressadamente e encontraram Maria, José e o menino deitado na manjedoura. Depois de terem visto, começaram a divulgar o que lhes tinham dito a respeito daquele menino. Todos os que ouviram se admiravam do que lhes diziam os pastores. Quanto a Maria, conservava todas estas coisas, ponderando-as no seu coração. E os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido, conforme lhes fora anunciado (Lc 2,15-20).
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Ora tudo isto tem em vista dizer-nos que a vinda do Senhor, o nascimento de Jesus não aconteceu somente há dois mil anos. Este mistério sucede hoje em realização permanente na Igreja e pela Igreja, que tem a missão de oferecer Jesus ao mundo e de oferecer o mundo a Jesus. Mas ela só cumpre cabalmente esta missão se todos e cada um aceitarmos ser a manjedoura atual onde Jesus está reclinado e exposto à aprendizagem e adoração de todos a começar pelos pobres – que são também o presépio onde devemos ver e adorar Jesus e cuidar dele. E isso faz-se com as palavras da boca originadas na cabeça e com o coração terno e aberto. Depois, nós também devemos ser a gruta que protege este tesouro menino e acolhe todos os que vierem por bem, nunca lhes tolhendo a entrada, mas facilitando-lha.
Por isso, o presépio – manjedoura e cabanal – sou eu e és tu. E seremos cada mais presépio se aceitarmos ser anjos que fazem e cantam a glória de Deus e a paz entre os homens e pastores que também vêm adorar e incitam os outros à adoração.
Para tanto, teremos também de ser outros sinais do presépio: a árvore, ao resistirmos aos ventos e dificuldades da vida e semearmos a esperança; a luz, quando iluminamos com a nossa vida o caminho dos outros com a bondade, paciência, alegria e generosidade; o sino, quando chamamos, envolvemos e convidamos, congregamos e procuramos unir; as decorações, as nossas virtudes, que são as cores que embelezam a nossa vida; os anjos, quando cantamos para o mundo uma mensagem de paz, justiça e amor; a estrela, quando levamos alguém ao encontro com o Senhor; os magos, quando damos o melhor que temos sem termos em conta a quem o damos; o presente de Natal, ao sermos verdadeiros amigos e irmãos de todos os seres humanos; os cantares de Natal, quando conquistamos e irradiamos a harmonia dentro de nós; os votos de Natal, se perdoamos e restabelecemos a paz, mesmo quando sofremos por isso; a ceia, quando saciamos com pão e esperança o pobre que está ao nosso lado; a noite, quando, humildes e conscientes, recebemos no silêncio da noite o Salvador do mundo, sem ruídos nem grandes celebrações, sendo o sorriso da confiança e ternura na paz interior de um Natal perene que estabelece o reinado de Deus, dentro de cada um de nós.
O Natal somos nós, quando decidimos nascer de novo em cada dia e deixar que Deus entre e permaneça na nossa alma, na nossa vida. Se efetivamente assim acontecer, se assim o quisermos, o presépio será mesmo lugar de encontro em casa, na igreja e na rua!
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Por isso e para isso, ante as dificuldades, mesmo que catastróficas, temos que ousar erguer-nos e levantar a cabeça porque a nossa libertação está próxima. Mas devemos ter cuidado connosco: o nosso grande inimigo será o coração pesado pela intemperança (a falta de tempero ou de moderação) ou devassidão (viver não vivendo, andar ao toledo, em roda livre, sem leme), a embriaguez (do álcool, das drogas, dos prazeres, das ambições) e as preocupações (ainda que lícitas) da vida. E, sobretudo, devemos vigiar e orar em todo o tempo, para que possamos livrar-nos de tudo o que vai acontecer
e comparecer diante do Filho do homem (vd Lc 21,28.34.36).

E teremos de  crescer e abundar na caridade, uns para com os outros e para com todos e progredir cada vez mais numa santidade irrepreensível (cf 1 Ts 3,12.13; 4,1).
O presépio és tu, o presépio sou eu, o presépio somos nós; e o nosso presépio são os pobres!
2018.12.02 – Louro de Carvalho

sábado, 1 de dezembro de 2018

Não podemos viver de esperas, mas devemos viver na espera


É o Papa Francisco quem no-lo diz neste dia 1 de dezembro, a varanda para o Advento de 2018.
Com efeito, na manhã deste sábado, 1.º de dezembro, o Bispo de Roma recebeu os peregrinos das Dioceses de Ugento e de Molfetta, situadas na Itália central, que o vieram visitar em agradecimento pela visita que lhes fez em abril passado em homenagem a Dom Tonino Bello.
Iniciou o encontro com estes peregrinos do interior da Itália reiterando a premente atualidade da mensagem de Dom Tonino ao exortar:
Por favor, não fiqueis tristes por nenhuma amargura de casa. Não entristeçais as vossas vidas. Quem acredita em Jesus não pode ficar triste; porque o contrário de um povo cristão é um povo triste. Sigamos o pensamento de Dom Tonino.”.
E, reiterou a exortação, justificando:
Não fiquemos tristes: se fizermos isso, levaremos o tesouro da alegria de Deus à pobreza do homem de hoje. De facto, quem se entristece fica sozinho e só vê problemas; ao contrário, quem coloca o Senhor antes dos seus problemas encontra a alegria. Por isso, vamos deixar de nos lamentar e ao invés de nos entristecermos, comecemos a fazer o contrário: consolar e ajudar.”.
Neste encontro com os peregrinos, o Papa fez-lhes a seguinte advertência:
Uma vida ‘privada’ sem riscos e cheia de medos, em que se salvaguarda a si mesmo não é uma vida cristã. Não somos feitos para sonos tranquilos, mas para sonhos audaciosos.”. 
Ao falar do Advento que inicia neste domingo, afirmou que o novo ano litúrgico traz uma novidade do nosso Deus. que é o Deus de todas as consolações. Se olharmos para dentro de nós mesmos, vemos que todas as novidades que chegam não bastam para saciar as nossas expectativas. A este respeito, escrevia Dom Tonino: “Queremos coisas novas porque nascemos para coisas grandes’ e, é verdade, nascemos para estar com o Senhor; quando Ele entra em nós, chega a verdadeira novidade, Ele renova e surpreende sempre”. Mas o Papa adverte:
Não devemos viver de esperas, que talvez não se realizem, mas devemos viver na espera, ou seja, desejar o Senhor que sempre traz novidade. É importante saber esperar, e esperar sempre ativos no amor.”.
Como dizia Dom Tonino, quando não se espera mais nada, irrompe a verdadeira tristeza e nós, cristãos, somos chamados a proteger e a espalhar a alegria da espera recíproca: esperamos Deus que nos ama infinitamente e, ao mesmo tempo, somos esperados por Ele, o que parece um namoro. De facto, não estamos sozinhos: Deus visita-nos e espera estar connosco sempre.
Francisco recordou também aos peregrinos algumas palavras de Dom Tonino, pronunciadas há 30 anos, mas que parecem ter sido escritas hoje:
A vida é cheia de medos, medo do próprio semelhante, do vizinho de casa… medo do outro… medo da violência… medo de não conseguir, medo de não ser aceite… medo de que seja inútil esforçar-se… medo de que o mundo não mude… medo de não achar emprego”.
 E, nesse sentido, prosseguiu o Papa:
O Advento responde com o ‘Evangelho anti-medo’, porque quem tem medo e está abatido é reanimado pelo Senhor com a sua palavra, que o faz com dois verbos anti-medo, os dois verbos do Advento: reanimai-vos e levantai as vossas cabeças.”.
Na verdade, o Senhor pede que nos reanimemos quando o medo no deixa desolados; e, se as negatividades nos levam a olhar para baixo, Jesus convida-nos a olhar para o céu, donde Ele virá. Efetivamente, nós não somos filhos do medo, mas filhos de Deus, pelo que nós, dominando-nos a nós mesmos tendo Jesus ao lado, faremos com que o medo fique derrotado.
Em seguida, o Sumo Pontífice convidou todos os peregrinos a alargarem os seus horizontes e pensarem no sentido da vida, dizendo-lhes:
Não se pode ficar sempre no porto seguro, somos chamados a partir. O Senhor chama cada um de nós a entrar em mar aberto. Não nos quer ancorados no porto ou guardiões de faróis, mas navegantes confiantes e corajosos, que seguem rotas inéditas do Senhor, jogando as redes da vida sobre a sua Palavra.”.
 (cf Jane Nogara, Vatican News, 1 de dezembro)
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Um flagelo que fustiga a vida humana e perturba a concretização do desígnio cristão da vida foi abordado pelo Papa no Vaticano. Com efeito, Francisco também recebeu, neste dia 1 de dezembro, os participantes da Conferência “Droga e vícios: obstáculos ao desenvolvimento humano integral”, a quem advertiu para os riscos do ‘espaço virtual’ que pode capturar os jovens e arrastá-los no túnel das drogas.
Por conseguinte, propôs a integração e o apoio às pessoas que conseguiram sair do túnel das drogas e dos vícios, porque precisam da ajuda e do acompanhamento de todos. Só assim elas, por sua vez, poderão aliviar os sofrimentos de irmãos e irmãs com dificuldades.
O Papa reconhece que, na raiz desta ferida na sociedade, está “o clima cultural secularizado marcado pelo capitalismo de consumo, a autossuficiência, a perda de valores, o vazio existencial e a precariedade dos relacionamentos”. E aponta:
Um âmbito cada vez mais arriscado é o espaço virtual: em alguns sites na Internet, os jovens, e não só eles, são abordados e arrastados para uma escravidão da qual é difícil libertarem-se e que os fazem perder o sentido da vida e, por vezes, a própria vida”.
Depois, indica o papel da Igreja neste cenário: promover a instauração, no mundo de hoje, de um humanismo que tenha como centro a pessoa humana e como fundamento o “Evangelho da Misericórdia para aliviar, curar e cicatrizar os sofrimentos relacionados ao vício”. Na verdade, na sociedade do descarte, Deus rema contra a corrente, Deus não descarta ninguém, porque, para Ele, ninguém é irrecuperável!
Por isso, para concretizar a predita instauração humanista, o Bispo de Roma, pediu uma maior sinergia entre as instituições, as agências e a Igreja na prevenção e difusão das drogas e para restituir a dignidade àqueles que ficaram marcados pelas drogas. E agradeceu a todos pela atuação e compromisso, encorajando-os a prosseguir nesta missão, em seus diferentes âmbitos.
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Entretanto, o Vatican News, nesta varanda para o Advento, propõe expressamente uma reflexão específica sobre esta quadra que inicia o novo ano litúrgico, socorrendo-se de ensinamentos do Papa Francisco, de que se desatacam alguns tópicos:
O Advento “indica-nos o essencial da vida: encontrar Cristo nos irmãos”, para o que temos de apurar os ouvidos para escutar a Palavra e abrir os olhos para ver onde e como estão os irmãos.
Por outras palavras, o Advento é o tempo que nos foi oferecido para acolhermos o Senhor que vem ao nosso encontro para O reconhecermos nos irmãos e para aprendermos a amar.
Como foi dito, inicia-se, neste domingo, o Ano Litúrgico e o Tempo do Advento. O advento terá o seu ápice no Natal. Ora, aquando da recitação do Angelus a de 3 de dezembro do ano passado, Francisco explicou que devemos estar vigilantes e na espera:
O Advento é o tempo que nos é concedido para acolher o Senhor que vem ao nosso encontro, também para verificar o nosso desejo de Deus, para olhar em frente e nos preparar para o regresso de Cristo. Ele voltará a nós na festa do Natal, quando fizermos memória da sua vinda histórica na humildade da condição humana; mas vem a dentro de nós todas as vezes que estamos dispostos a recebê-Lo, e virá de novo no fim dos tempos para ‘julgar os vivos e os mortos’. Por isso, devemos estar vigilantes e esperar o Senhor com a expectativa de o encontrar.
(cf http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/angelus/2017/documents/papa-francesco_angelus_20171203.html.)
A estarmos atentos e vigilantes para acolher as ocasiões para amar é o convite de Jesus no Tempo do Advento, não desperdiçando as ocasiões de amor que nos doa. Diz o Papa:
A pessoa atenta é a que, mesmo no meio ao barulho do mundo, não se deixa tomar pela distração ou pela superficialidade, mas vive de maneira plena e consciente, com uma preocupação voltada antes de tudo para os outros. Com esta atitude percebemos as lágrimas e as necessidades do próximo e podemos dar-nos conta também das suas capacidades e qualidades humanas e espirituais.” (id et ib).
Depois, nós temos de saber que estamos no mundo, mas não somos do mundo. De facto, o Advento faz-nos estar com os pés na terra, mas a olhar para o céu:
A pessoa atenta também se preocupa com o mundo, procurando contrastar a indiferença e a crueldade presentes nele, e alegrando-se pelos tesouros de beleza que, todavia, existem e devem ser preservados. Trata-se de ter um olhar de compreensão para reconhecer quer as misérias e as pobrezas dos indivíduos e da sociedade, quer a riqueza escondida nas pequenas coisas de cada dia, precisamente ali onde nos colocou o Senhor. A pessoa vigilante é a que aceita o convite a vigiar, ou seja, a não se deixar dominar pelo sono do desencorajamento, da falta de esperança, da desilusão; e, ao mesmo tempo, rejeita a solicitação de tantas vaidades de que o mundo está cheio e atrás das quais, por vezes, se sacrificam tempo e serenidade pessoal e familiar.”.
E conclui o Papa:
Estar atentos e ser vigilantes são os pressupostos para não continuar a ‘desviar para longe dos caminhos do Senhor’, perdidos nos nossos pecados e nas nossas infidelidades; estar atentos e ser vigilantes são as condições para permitir que Deus irrompa na nossa existência, para lhe restituir significado e valor com a sua presença cheia de bondade e ternura (id et ib).
No Angelus de 27 de novembro de 2016, pôs em evidência as três visitas do Senhor à humanidade:
A primeira visita foi a Encarnação, o nascimento de Jesus na gruta de Belém; a segunda acontece no presente: o Senhor visita-nos continuamente, todos os dias, caminha ao nosso lado e é uma presença de consolação; por fim, teremos a terceira, a última visita”, o encontro com Cristo no Juízo Final, que o Papa recorda citando o capítulo 25 do Evangelho de Mateus: ‘Tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes; nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes a mim’. Na noite da vida seremos julgados no amor.”. (cf http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/angelus/2016/documents/papa-francesco_angelus_20161127.html).
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Com o tempo do Advento recomeça o nosso caminho para o Senhor, um caminho feito de alegria e de dores, de luz e de escuridão. Este caminho, que se torna um combate, é a boa batalha da fé. E o Pontífice Papa Francisco sublinha:
Deus é mais poderoso e mais forte que tudo. Esta convicção dá ao crente serenidade, a coragem e a força de perseverar no bem frente às piores adversidades. Mesmo quando se desencadeiam as forças do mal, os cristãos devem responder ao apelo, de cabeça erguida, prontos a resistir nesta batalha em que Deus terá a última palavra. E será uma palavra de amor e de paz.”. (cf Homilia do I Domingo do Advento na Catedral de Bangui, 29 de novembro de 2015 – in http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/homilies/2015/documents/papa-francesco_20151129_repcentrafricana-omelia-cattedrale-bangui.html).
Ora, a coisa mais importante é o encontro com o Senhor. Com efeito, o Advento indica-nos o essencial da vida:
 A relação com o Deus que vem visitar-nos confere a cada gesto, a todas as coisas uma luz diversa, uma importância, um valor simbólico. […] Desta perspetiva vem também um convite à sobriedade, a não sermos dominados pelas coisas deste mundo, pelas realidades materiais, mas antes a governá-las. Se, ao contrário, nos deixarmos condicionar e dominar por elas, não podemos perceber que há algo muito mais importante: o nosso encontro final com o Senhor: e isto é importante. Aquele, aquele encontro. E as coisas de todos os dias devem ter este horizonte, devem ser orientadas para aquele horizonte. Este encontro com o Senhor que vem por nós.”. (cf Angelus, 27 de novembro de 2016 – vd supra).
E é Maria que nos conduz pela mão de Jesus, pelo que o Papa confia a humanidade a Ela:
Nossa Senhora, Virgem do Advento, nos ajude a não nos considerarmos proprietários da nossa vida, a não opormos resistência quando o Senhor vem para a mudar, mas a estar preparados para nos deixarmos visitar por Ele, hóspede esperado e agradável mesmo se transtorna os nossos planos”. (Angelus, 27 de novembro de 2016, vd supra).
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Podemos confiar à intercessão de Maria o nosso esforço de acolhimento a Cristo neste Advento, Porque o Senhor veio historicamente nascendo em Belém, há dois mil anos, como prometido a Abraão, lembrado pelos profetas, esperado pelo Povo:
Porque o Senhor vem agora e continua a vir, na Igreja, nos corações – pela Palavra, pela Eucaristia e pela caridade fraterna;
Porque o Senhor virá, no fim dos tempos e nós O aguardamos na esperança e no trabalho.
2018.12.01 – Louro de Carvalho