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sexta-feira, 20 de setembro de 2019

As 4 formas de proximidade que o Papa quer nos bispos e sacerdotes



As homilias da Missa a que Francisco presidiu em Santa Marta, no Vaticano, a 19 e 20 de setembro dirigem-se em especial aos ministros ordenados, sobretudo sacerdotes e bispos.
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No dia 19, o Pontífice advertiu para o facto de o ministério ser “um dom” e não uma função ou um pacto de trabalho. O ministro de Deus e da Igreja não é um funcionário cujo perfil é cumprir ordens superiores sem rosto, nem um empresário que põe e dispõe de tudo à sua vontade. É um trabalhador qualificado das vinhas e dos campos do Senhor, mas sem contrato estabelecido nos moldes usuais entre os homens, porque é enviado em missão como profeta, apóstolo e missionário. E esse envio é alicerçado no dom de Deus, o dom do Espírito Santo. Por isso, o sacerdote – bispo e/ou presbítero – é o fiel depositário do dom da profecia, do dom do sacerdócio, do dom da sabedoria da condução do povo de Deus.  
Ora, na homilia do dia 19, proferida diante dos muitos bispos e sacerdotes que concelebraram com ele, o Papa Francisco falou do dom do ministério e observou que, se e quando nos apropriamos do dom e o centralizamos em nós mesmos, tornamo-lo “uma função” e perde-se o coração do ministério episcopal ou presbiteral. E da falta de contemplação do dom nascem “todos os desvios que nós conhecemos”.
Convidando à reflexão a partir da 1.ª Carta de Paulo a Timóteo, proposta pela liturgia do dia, destacando a palavra “dom” e seguindo o conselho do apóstolo ao jovem discípulo, “Não descuides o dom da graça que tu tens”, o Papa Bergoglio vincou:
Não é um pacto de trabalho: ‘Eu devo fazer’, o fazer está em segundo plano; eu devo receber o dom e protegê-lo como dom e dali brota tudo, na contemplação do dom. Quando nós nos esquecemos disto, nos apropriamos do dom e o transformamos em função, perde-se o coração do ministério, perde-se o olhar de Jesus que olhou para todos nós e disse: ‘Segue-me’. Perde-se a gratuitidade.”.
O Santo Padre alertou para o risco de centralizarmos o ministério em nós mesmos e discorreu:
Desta falta de contemplação do dom, do ministério como dom, brotam todos aqueles desvios que nós conhecemos, dos piores, que são terríveis, aos mais quotidianos, que nos fazem centralizar o nosso ministério em nós mesmos e não na gratuitidade do dom e no amor por Aquele que nos deu o dom, o dom do ministério.”.
Acentuando que é importante fazer, mas primeiramente contemplar e proteger, Francisco citou o apóstolo Paulo para recordar que o dom é “conferido mediante uma palavra profética com a imposição das mãos por parte dos presbíteros” e que vale para os bispos, mas também “para todos os sacerdotes”. E destacou “a importância da contemplação do ministério como dom e não como função”. Com efeito, como esclareceu, fazemos aquilo que podemos, com boa vontade, inteligência e “também com esperteza”, mas sempre para proteger este dom.
Porém, não se trata de o enterrar como fez o servo a quem o seu senhor confiou um talento, mas de valorizar o dom, preservá-lo, protegê-lo contra as arremetidas da dádiva, tais como o egoísmo, a autossuficiência, a devassidão, a mesquinhez. É preciso não esquecer que o dom do ministério é um carisma, ou seja, um dom de Deus, não para proveito próprio, mas para benefício da comunidade, pelo que se impõe a sua guarda, a fidelidade ao carisma e a disponibilidade para o serviço.
E o Pontífice reconheceu que esquecer a centralidade de um dom é algo humano e deu como exemplo o fariseu que, no Evangelho de Lucas, acolhe Jesus em sua casa, ignorando “as inúmeras regras de acolhimento”, ignorando os dons. Perante o olhar duvidoso e incrédulo do fariseu, Jesus faz-lhe notar isso, indicando a mulher que doa tudo aquilo que o anfitrião esqueceu: a água para os pés, o beijo do acolhimento e a unção da cabeça com o óleo.
Do fariseu disse Francisco:
Havia este homem que era bom, um bom fariseu, mas esqueceu o dom da cortesia, o dom do acolhimento, que também é um dom. Sempre se esquecem os dons quando há algum interesse por trás, quando eu quero fazer isto, fazer, fazer... Sim, devemos, os sacerdotes, todos nós devemos fazer coisas e a primeira tarefa é anunciar o Evangelho, mas protegê-lo, proteger o centro, a fonte, de onde brota esta missão, que é propriamente o dom que recebemos gratuitamente do Senhor.”.
Também os ministros são administradores do dom, mas não são empresários, pois não podem tomar decisões a bel-prazer ou segundo as regras do governo de empresa, muito menos segundo as leis de mercado. Por isso, a oração final de Francisco ao Senhor foi para que “nos ajude a proteger o dom, a ver o nosso ministério primeiramente como um dom, depois um serviço”, para não o arruinarmos e para “não nos tornarmos ministros empresários, ou simples executores” e tantas coisas que afastam da contemplação do dom e do Senhor, “que nos deu o dom do ministério”. Esta é uma graça que o Pontífice pediu para todos os presentes, mas especialmente para aqueles que festejam os 25 anos de ordenação.
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No dia 20, o Papa, frisando que o bispo deve estar próximo do povo de Deus para não cair em ideologias, pediu orações pelos sacerdotes e bispos, a quem exortou a quatro “formas” de proximidade. Os bispos devem estar próximos de Deus com a oração, próximos dos seus sacerdotes, próximos entre si e próximos do povo de Deus.
A reflexão papal foi inspirada nas leituras da Liturgia destes dois dias, concentrando-se nos conselhos que o apóstolo Paulo dá ao jovem bispo Timóteo: conselhos que prosseguem, depois, na segunda Carta.
No dia 19, no centro desses conselhos estava a exortação à vivência do ministério como um dom, ao passo que, no dia 20, o cerne da reflexão foi o dinheiro e a intriga, “os murmúrios, as discussões estúpidas” – coisas que enfraquecem a vida ministerial. E Francisco avisou que, se e quando um ministro – seja sacerdote, diácono ou bispo – começa a apegar-se ao dinheiro”, une-se à raiz de todos os males. E, evocando a passagem da 1.ª Carta a Timóteo (1Tm 6,2c-12), em que Paulo recorda que a avidez do dinheiro é a raiz de todos os males, o Santo Padre afirmou que “o diabo entra pelo bolso”, como diziam as velhinhas do seu tempo.
Depois, Francisco concentrou-se nos conselhos que o apóstolo dá a Timóteo e a todos os ministros nas duas cartas. São chamados a serem próximos não só os bispos, mas também os sacerdotes e os diáconos.
Antes de mais, o bispo “é um homem de proximidade com Deus”. E o Pontífice recordou que, quando os apóstolos, para melhor serviço das viúvas e órfãos, “inventaram” os diáconos, para explicar bem tudo isso, Pedro ressalta que “a nós” cabe “a oração e o anúncio da Palavra”. Assim ficamos a saber que “a primeira tarefa dum bispo é rezar”: rezar “dá força” e desperta “a consciência deste dom, que não devemos ignorar, que é o ministério”. O mesmo se deve dizer do sacerdote e do diácono: ativo, sim, mas sempre próximo de Deus pela oração.
A segunda proximidade à qual o bispo é chamado é a dos seus sacerdotes e diáconos, os seus colaboradores, que são os vizinhos mais próximos. Vincando que “é preciso amar primeiro o seu próximo, que são os seus sacerdotes e os diáconos”, o Papa observou:
É triste quando um bispo esquece os seus sacerdotes. É triste ouvir as lamentações de sacerdotes que dizem: ‘Liguei para o bispo, preciso de um encontro para dizer algo, e a secretária disse-me que está tudo lotado nos próximos três meses e não podia...’. Um bispo que sente esta proximidade dos sacerdotes, se sabe que um sacerdote ligou hoje, no máximo amanhã deveria chamá-lo, porque ele tem o direito de conhecer, de saber que tem um pai. Proximidade dos sacerdotes.
A pari, os sacerdotes e os diáconos devem estar e sentir-se próximos do seu bispo, cultivando a comunhão com ele e, por ele, com toda a Igreja.
Depois, os bispos devem estar próximos uns dos outros, estando em comunhão e apoiando-se. E os sacerdotes e os diáconos devem viver esta proximidade entre si, não as divisões. “O diabo entra ali para dividir o presbitério, para dividir” – avisou o Pontífice.
Assim, advertiu o Papa, começam os grupinhos que “dividem por ideologias”, “por simpatias”. Por fim, Francisco proclamou que a quarta proximidade é ao povo de Deus, frisando:
Na segunda Carta, Paulo começa por dizer a Timóteo que não se esqueça da sua mãe e da sua avó, isto é, que não se esqueça de onde ele saiu, de onde o Senhor o tirou. Não se esqueça do seu povo, não se esqueça das suas raízes! E agora, como bispo e como sacerdote, é preciso estar sempre perto do povo de Deus. Quando um bispo se afasta do povo de Deus, acaba numa atmosfera de ideologias que nada têm a ver com o ministério: não é um ministro, não é um servo. Esqueceu-se do dom, gratuito, que lhe foi dado.”.
Isto mesmo pode ser dito do sacerdote e do diácono que, mais do que estar perto do seu povo, pode querer incutir nele as suas ideias ou as ideias do grupo ideológico com que mais pensa identificar-se.
Em conclusão, o Papa voltou a pedir que não se esqueçam estas quatro “proximidades”, incluindo a do colégio episcopal e presbiteral: “a proximidade com Deus, a oração; a proximidade do bispo aos sacerdotes e dos sacerdotes com o bispo e dos sacerdotes entre si e dos bispos entre si, ou seja, a proximidade filial com Deus e fraternal ou paternal no bispo e nos sacerdotes”. E a “proximidade ao povo de Deus”. E exorta, com determinação, a rezar para que os bispos e os sacerdotes tenham essa proximidade, “com os seus líderes”: “aqueles que os conduzem pelo caminho da salvação”. “Teria a curiosidade de perguntar-vos”, continua o Papa, “se vós rezais pelos bispos ou se apenas os criticais”. E foi concreto ao interpelar a todos:
Vós rezais pelos vossos sacerdotes, pelo pároco, pelo vice-pároco, ou apenas os criticais? Devemos rezar pelos sacerdotes e pelos bispos, porque todos nós – o Papa é um bispo – saibamos conservar o dom, não negligenciar este dom que nos foi dado,-com esta proximidade.”.
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Por analogia e em comunhão com Espírito, também os leigos devem considerar a vocação batismal como um dom a proteger e a disponibilizar ao serviço dos outros apostolicamente. E devem cultivar estas quatro proximidades: com Deus pela oração; com o sacerdote e o bispo em comunhão eclesial hierárquica, usufruindo do carisma ministerial colocado em proveito de todos; a proximidade dentro do grupo familiar, amical ou apostólico; e a proximidade com toda a Igreja e com todos os homens, a começar pelos mais próximos e pelos que mais precisam.
2019.09.20 – Louro de Carvalho 

domingo, 2 de julho de 2017

75 anos depois, Vila da Ponte afirma-se como comunidade sacerdotal

Celebrou-se hoje, dia 2 de julho, na Sé Catedral de Lamego, a ordenação sacerdotal (presbiteral) de três jovens diáconos: Ângelo Santos, Diogo Rodrigues e Luís Rafael.
Felizmente, não é rara a celebração do Sacramento da Ordem na diocese de Lamego – de diáconos, presbíteros e, mesmo, bispos. E este é sempre um acontecimento notável e momento de oferta da graça divina. E, porque desde 26 de julho de 1942 a paróquia de Vila da Ponte, apesar de várias tentativas, não foi coberta eficazmente pelo dom da oferta de um sacerdote à Igreja, este é um dia extremamente festivo para esta comunidade de fé viva e intensa. E, mais do que se interrogar porque só agora isto acontece, apesar do zelo dos pastores (cuja preocupação pela organização paroquial poderá de certo modo ter-se sobreposto ao incremento pastoral da fé, só Deus o sabe!) e dos catequistas e da piedade de tanta gente da paróquia, o dia é de ação de graças pelo dom de Deus. Agora, com efeito, o Padre Luís Rafael é testemunho vivo duma comunidade sacerdotal, povo de Deus, nação santa, plantada à beira do Távora.
Dos quatro sacerdotes que foram ordenados naquele ano de 1942, na igreja paroquial de Vila Ponte – um deles era o excecional Cónego José Cardoso de Almeida, dali natural – e daqueles dois que lá receberam a ordem de diácono, um, e subdiácono, o outro, já nenhum se conta fisicamente entre nós. Mas agora, o dia, sem deixar de ser de memória por todos os que partiram, é sobretudo de festa por quem agora surge como servidor de Deus e dos homens! 
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Comecemos por falar do Luís Rafael. Diz-nos ele próprio que é “aquele menino que cresceu junto às águas do Távora, em Vila da Ponte”; a “criança irrequieta que nem sempre se portava bem na catequese”, mas que “gostava muito de vestir a alva e ajudar o Senhor Padre na Missa”; o “adolescente aventureiro que encontrou no Seminário de Resende uma nova casa”; o “Jovem Sem Fronteiras que sempre procurou ‘estar perto dos que estão longe, sem estar longe dos que estão perto’”; e o “estudante de teologia, seminarista, filho, amigo, diácono, discípulo-missionário, embalado pelo Amor de Deus”. Muito Bom!
Refere que  o estágio pastoral na Paróquia de Santa Maria Maior de Almacave tem sido “uma oportunidade para aprender”, já que “todas as semanas surgem novos desafios”, tendo tentado “encontrar em cada um deles algo que, em breve”, o possa “ajudar a ser um ‘melhor’ sacerdote”. E “o contacto diário com o povo de Deus tem sido a maior riqueza deste tempo”: “conhecer as pessoas, as famílias, as histórias, partilhar a mesa, as alegrias e as tristezas…”.
Sobre a formação recebida no Seminário e na Faculdade de Teologia, assegura que “o tempo de formação é essencial”, pois “ninguém nasce ensinado”. Diz que sente na vida “a importância de cada passo dado, cada ano de seminário, cada disciplina estudada”. Porém, nem sempre lhe “foi fácil compreender o porquê de algumas normas formativas do seminário ou vislumbrar automaticamente a ‘utilidade prática’ de determinadas temáticas estudadas na Faculdade”. Entretanto, o passar do tempo, foi-lhe dando a “resposta para a maior parte dessas inquietações, mas certamente existem alguns aspetos que devem ser alvo de uma reflexão profunda à luz do contexto atual”. E aos seminaristas e aos que estão a pensar entrar no Seminário declara:
Ao longo dos vários anos em que estive no seminário sempre gostei de me sentir acompanhado, principalmente pelos sacerdotes. Amigos, nunca estive sozinho… e nenhum de vós percorrerá este caminho sozinho! Contem comigo… Abraço.”. (cf Voz de Lamego, ano 87/33, n.º 4418, 27 de junho 2017).
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O que são os sacerdotes/presbíteros?
O Concílio Vaticano II esclarece-nos: “Os Presbíteros, embora não possuam o fastígio do pontificado e dependam dos Bispos no exercício do seu poder, estão-lhes, contudo, associados na dignidade sacerdotal e, por força do sacramento da Ordem, são consagrados, à imagem de Cristo sumo e eterno Sacerdote (cf Heb 5, 1-10; 7, 24; 9, 11-28), para pregar o Evangelho, apascentar os fiéis e celebrar o culto divino, como verdadeiros sacerdotes do Novo Testamento (Conc. Vat. II, Const. Lumen Gentium, n. 21). São, pois, consagrados para a pregação, celebração do culto divino e apascentamento dos fiéis.
Pela sagrada Ordenação alguns fiéis são instituídos em nome de Cristo e recebem o dom do Espírito Santo para apascentarem a Igreja pela palavra e pela graça de Deus (Conc. Vat. II, Const. LG, n. 28). São, assim, destacados do comum dos fiéis, para receberem pela Ordem o dom de apascentar a Igreja pela Palavra e pela Graça.
E em outro lugar, pode ler-se: “Os Presbíteros, em virtude da sagrada Ordenação e da missão que recebem das mãos dos Bispos, são promovidos ao serviço de Cristo, Mestre, Sacerdote e Rei, de cujo ministério participam, e mediante o qual a Igreja é continuamente edificada, neste mundo, como Povo de Deus, Corpo de Cristo e Templo do Espírito Santo”. (Conc. Vat. II, Decr. Presbyterorum Ordinis, n. 1). São destinados ao serviço de Cristo e edificação da Igreja.
Aos presbíteros, pela sagrada Ordenação é conferido um sacramento por força do qual eles são assinalados, “pela unção do Espírito Santo, com um caráter particular e, de tal modo ficam configurados a Cristo sacerdote, que podem agir na pessoa de Cristo Chefe” (Vat. II, PO, n. 2). Por isso, os presbíteros têm parte no sacerdócio e missão do Bispo. Zelosos cooperadores da Ordem episcopal, chamados a servir o povo de Deus, constituem com o seu Bispo um único presbitério com diversas funções. (cf Vat. II, LG, n. 28). É um sacramento que imprime o caráter particular de configuração com Cristo sacerdote.
Também o Pontifical Romano (de Paulo VI, revisto por João Paulo II), retomando a doutrina conciliar nos elucida sobre os presbíteros:
Participantes, segundo o grau do seu ministério, do múnus de Cristo, único Mediador (1Tm 2, 5), anunciam a todos a palavra de Deus e principalmente na celebração eucarística exercem a sua função sagrada. São, para com os fiéis penitentes ou enfermos, ministros da reconciliação e do conforto e apresentam a Deus Pai as necessidades e súplicas dos fiéis (cf Heb 5,1-4). Desempenhando, segundo a sua condição, o múnus de Cristo Chefe e Pastor, reúnem a família de Deus como fraternidade animada num só todo e, por Cristo, no Espírito Santo, conduzem-na a Deus Pai. No meio do rebanho adoram o Pai em espírito e verdade (cf João 4,24). Trabalham, enfim, pregando e ensinando (cf 1Tim 5,17), acreditando o que leram e meditaram na lei do Senhor, ensinando o que creem e vivendo o que ensinam.” (vd PR, Preliminares da Ordenação dos Presbíteros, n. 102). São, pois, ministros da Palavra e da Eucaristia, da Reconciliação e do Conforto; são fatores da unidade e convocantes da comunidade; e são crentes e orantes exemplares que ensinam o que creem e vivem o que ensinam.
Pela imposição das mãos do Bispo e a Oração de Ordenação é conferido aos candidatos o dom do Espírito Santo para o múnus de presbíteros – os presbíteros também impõem as mãos aos candidatos juntamente com o Bispo, para significarem a receção no presbitério. As palavras seguintes, enquanto nucleares desta Oração, pertencem à natureza da Ordenação, de tal modo que são exigidas para a sua validade:
Nós Vos pedimos, Pai todo-poderoso, constituí estes vossos servos na dignidade de presbíteros; renovai em seus corações o Espírito de santidade; obtenham, ó Deus, o segundo grau da Ordem sacerdotal que de Vós procede, e a sua vida seja exemplo para todos”. (cf id, n.112).
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Nas palavras sugeridas pelo Pontifical para a homilia da Missa da ordenação dos presbíteros, refere-se que, pelo Batismo, “todo o povo santo de Deus se torna, em Cristo, um sacerdócio real”. Porém, Cristo “escolheu alguns discípulos para desempenharem na Igreja, em seu nome, o ministério sacerdotal em favor dos homens”. E, “enviado pelo Pai, Ele mesmo enviou os Apóstolos por todo o mundo” para continuar, por meio deles e dos Bispos, seus sucessores, “a sua missão de Mestre, Sacerdote e Pastor”. E os presbíteros, constituídos cooperadores dos Bispos e associados a eles na missão sacerdotal, “são chamados ao serviço do povo de Deus”.
Assim, os presbíteros servem a “Cristo, Mestre, Sacerdote e Pastor” e, pelo seu ministério, a Igreja, Corpo de Cristo, “cresce e edifica-se como templo santo e povo de Deus”. E, sendo configurados com Cristo e associados aos Bispos, são “consagrados como verdadeiros sacerdotes da Nova Aliança para anunciarem o Evangelho, apascentarem o povo de Deus e celebrarem o culto divino, principalmente no sacrifício do Senhor”.
Pelo sacramento da Ordem, os presbíteros, exercem, no que lhes compete, o “múnus de ensinar em nome de Cristo, nosso Mestre”; distribuem “a todos a palavra de Deus” que receberam com alegria; e, “meditando na lei do Senhor”, procuram crer o que leem, ensinar o que creem e viver o que ensinam.
Há de ser o seu “ensino alimento para o povo de Deus” e o seu “viver motivo de alegria para os fiéis”, para edificarem, “pela palavra e pelo exemplo, a casa que é a Igreja de Deus”.
Exercem também o múnus de santificar. Com efeito, pelo seu ministério, “se realiza plenamente o sacrifício espiritual dos fiéis, unido ao sacrifício de Cristo, que, juntamente com eles, é oferecido” pelas suas mãos sobre o altar, de modo sacramental, na celebração dos santos mistérios. Hão de, pois, tomar consciência do que fazem e imitar o que realizam. Celebrando “o mistério da morte e da ressurreição do Senhor”, esforçam-se por fazer morrer em si “todo o mal e por caminhar na vida nova”. E, fazendo “entrar os homens no povo de Deus pelo Batismo”, perdoando “os pecados em nome de Cristo e da Igreja no sacramento da Penitência”, aliviando “os enfermos com o óleo santo”, celebrando “os ritos sagrados” ou oferecendo, “nas horas do dia, o louvor com ações de graças e súplicas, não só pelo povo de Deus, mas também por todo o mundo”, lembram-se de que foram “assumidos de entre os homens e postos ao serviço dos homens” nas coisas Deus. Realizam, pois, “com verdadeira caridade e alegria constante, o ministério de Cristo Sacerdote”, não procurando os seus interesses, mas os de Jesus Cristo.
Enfim, unidos e atentos ao Bispo, congregam os fiéis numa só família para os poderem conduzir a Deus Pai, por Cristo, no Espírito Santo; e trazem sempre diante de si o exemplo do Bom Pastor que veio, não para ser servido mas para servir e buscar e salvar o que estava perdido.
Assim, desprovidos de si mesmos, enchem-se de Deus e dedicam-se de corpo e alma ao serviço dos homens através da Igreja.
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É de considerar com muita atenção a oração consecratória, que, a seguir à imposição das mãos pelo Bispo, como matéria sacramental (e de outros sacerdotes como receção no presbitério), serve de forma da Ordenação Sacerdotal.
Invoca-se o “Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente”, para que esteja connosco.
Por Ele, “autor da dignidade humana” e “distribuidor de todas as graças”, “crescem e se tornam firmes todas as coisas”. É Ele que, “para formar o povo sacerdotal”, lhe dá e estabelece “em diversas Ordens, os ministros de Cristo”, seu Filho, “pelo poder do Espírito Santo”.
Depois, faz-se uma resenha orante da história da Salvação no Antigo Testamento:
Para mostrar que “já na antiga Aliança se desenvolveram funções sagradas que eram sinais do sacramento novo”, a Oração refere que Moisés e Aarão foram postos por Deus “à frente do povo para o conduzirem e santificarem” e a eles foram associados por Deus, como colaboradores daqueles, outros homens; que, no deserto, o Senhor comunicou “o espírito de Moisés a setenta homens prudentes, com o auxílio dos quais ele governou mais facilmente” o povo de Deus. também, “as graças abundantes concedidas a Aarão”, o Senhor as transmitiu a seus filhos, para não faltarem sacerdotes que oferecessem “os sacrifícios do templo, sombra dos bens futuros”.
Nos últimos tempos, o Pai Santo, enviou ao mundo o seu Filho Jesus, Apóstolo e Pontífice da nossa fé”, o qual “Se ofereceu” ao Pai, pelo Espírito Santo, como vítima imaculada, e tornou participantes da sua missão, os seus Apóstolos, santificados na verdade”. A eles o Senhor juntou “outros companheiros, para anunciarem e realizarem, por todo o mundo, a obra de salvação”.
Depois de rezado este historial de salvação, vem o núcleo da Oração Consecratória:
Agora, Senhor, concedei também, à nossa fragilidade, estes cooperadores, pois deles carecemos no desempenho do sacerdócio apostólico. Nós Vos pedimos, Pai todo-poderoso, constituí estes vossos servos na dignidade de presbíteros; renovai em seus corações o Espírito de santidade; obtenham, ó Deus, o segundo grau da Ordem sacerdotal que de Vós procede, e a sua vida seja exemplo para todos.
A seguir, vêm em termos de petição as caraterísticas de que se devem revestir os presbíteros na sua vida e ministério:
Sejam cooperadores zelosos da Ordem (episcopal), a fim de que, pela sua pregação, as palavras do Evangelho frutifiquem, pela graça do Espírito Santo, nos corações dos homens, e cheguem até aos confins do mundo.
Sejam (juntamente com os bispos), fiéis dispensadores dos divinos mistérios, para que o povo que a Deus pertence renasça pelo banho da regeneração e se alimente do altar, os pecadores se reconciliem e os enfermos encontrem alívio.
Unam-se (aos bispos) para invocar a misericórdia do Senhor pelo povo a eles confiado e em favor do mundo inteiro. Assim todas as nações, congregadas em Cristo, se hão de converter num só povo que pertença a Deus e consumar-se no seu Reino.
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É uma missão hercúlea, não é? O Pontifical Romano não o esquece e recorda (vd n. 103):
“É dever de todos os fiéis da diocese orar pela perseverança dos candidatos ao presbiterado, o que devem fazer principalmente na oração universal da Missa e nas preces das Vésperas”.
Depois, é imperativo continuar a rezar pela multiplicação e santificação dos sacerdotes e para que o Coração Sacerdotal de Jesus atue através deles. E, finalmente, cada cristão deve assumir as suas responsabilidades e tarefas na Igreja e no mundo, em sentido e estilo de cooperação e fraternidade. PrositParabéns à JSF de Vila da Ponte!
2017.07.02 – Louro de Carvalho