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sexta-feira, 15 de maio de 2020

Sob o estigma da infoexclusão e a prosápia da nova literacia



Em artigo de Sara Oliveira publicado, a 13 de maio, no “educare.pt”, sob o título “Como está a literacia digital de alunos e professores?”, fica patente a panorâmica do ensino à distância no país por virtude da pandemia, que levou a que se ensinasse, aprendesse e estudasse em casa.
Considerando fundamentais a motivação e os meios disponíveis, diz a colunista que “a literacia digital é essencial” para os desafios com que nos confrontamos, pelo que tem de se “garantir o acesso ao novo modelo de escola a todos os alunos e assegurar uma maior articulação e menor dispersão das práticas docentes”. E, face à inédita situação – não do ensino à distância (já existia no MOOC, e-learning e mesmo b-learning), mas pela razão que o generalizou, pelo modo que assumiu e pelas faixas etárias que mobiliza (Nunca alunos e professores, de todos os níveis de ensino, estiveram ligados por um modelo digital e tecnológico como agora) – é de questionar “como está a literacia digital”.
Em geral, os estudos internacionais fornecem indicadores que situam as escolas e os professores portugueses em termos de competência digital e de preparação tecnológica num patamar inferior ao da apetência e literacia digital dos alunos. Porém, Neuza Pedro, doutorada em Educação na especialidade TIC, professora do Instituto de Educação e cocoordenadora do Laboratório de e-learning da Universidade de Lisboa, entende que a resposta sobre a literacia digital de quem ensina e de quem aprende não é simples de dar, sendo “incorreto e desonesto” simplificá-la. Diz a investigadora e docente ao “educare.pt:
A verdade é que neste domínio a realidade nacional é marcada por grandes assimetrias e os dados que existem nivelam em torno de medidas de tendência central (níveis médios), os quais levaram à adoção de respostas negligentes face às grandes diferenças que pautam a nossa realidade educativa”.
Com efeito, se há um conjunto de escolas e professores com grande preparação e experiência de relevo no domínio da inovação e da integração das tecnologias nas práticas pedagógicas (note-se a profusão de ambientes educativos inovadores existentes em Portugal), também há uma significativa fatia de escolas e professores para quem a realidade tecnológica é desconsiderada, “replicando-se em sala de aula dinâmicas de ensino muito tradicionais”.
Segundo as estimativas mais recentes, há cerca de 200 mil alunos sem acesso a computador para uso pessoal e/ou sem acesso à Internet, ou seja, em infoexclusão. Há entre os alunos, sobretudo os de meios socioeconómicos desfavorecidos, um acesso e uso desiguais das tecnologias digitais e ambientes online. Assim, é “complexa e demorada” a resposta à questão se os alunos e os professores estão preparados e têm respondido à utilização das novas plataformas de ensino, acrescendo a isto “todo um contexto ligado a uma pandemia e às adversidades vividas nos últimos meses de dimensão sem precedentes”.
Seja como for, Neuza Pedro, verificando que “professores e alunos procuraram da melhor forma mudar a sala de aula para um ambiente online”, sublinha:
Considerando tudo o que se fez, todos os esforços do Ministério, das autarquias, das direções escolares, dos pais, professores e alunos e, atendendo ao panorama nada favorável em que todo o processo se deu, diria que o saldo é positivo e o que se conseguiu estabelecer como sistema educativo nos últimos meses suplanta em muito as fragilidades que a este se pode apontar”.
Por seu turno, a 16 de abril, o professor Paulo Guinote, no seu blogue  “O Meu Quintal”, publicou um texto que intitulou “#EstudoEmQualquerLugar” levantando a questão se os alunos estão aptos a lidar com as novas tecnologias. E escreveu, um pouco contra a corrente, que “muita miudagem não percebe grande coisa de computadores”: “nasceram com o chip dos zingarelhos, com os polegares em riste”, mas a maior não percebe “o que é para fazer se não for ver vídeos e jogar umas cenas maradas, tipo gta, versão 10.3 com o crack das chocapicas”. Nestes termos, a resposta à questão se os alunos estão focados no ensino à distância que exige a utilização plataformas tecnológicas “tem várias variantes”, sendo de ter em conta “a motivação, os meios e os equipamentos disponíveis”. Ora, só parcialmente é que “é verdade” dizer que “as gerações mais novas ‘já trazem o chip’ dos suportes digitais e que são nativos de um mundo já dominado pela tecnologia quando nasceram”. Por um lado, a “competência para determinados procedimentos não nasce do facto de convivermos com eles em nosso redor”, refere Guinote ao “educare.pt”, acrescentando que é necessária a aprendizagem “e, mesmo que seja mais rápida entre quem já nasce rodeado por aparatos tecnológicos, não significa que tenha sempre sucesso ou que se transforme em verdadeira mestria”. Por outro lado, o acesso aos meios tecnológicos “é muito desigual na sociedade, como sempre aconteceu com a generalidade das inovações ao longo dos tempos”. E explica recorrendo à História:
A História ensina-nos que os grandes avanços tiveram sempre ‘vencedores’ e ‘perdedores’. Os que ficaram na vanguarda graças ao domínio das novas técnicas (do fogo ou da roda à imprensa, à máquina a vapor, à biotecnologia) e os que foram deixados para trás. Veja-se o caso da vacinação que há mais de meio século se generalizou no mundo desenvolvido, mas ainda hoje tem dificuldades em impor-se em várias zonas do mundo. E o mesmo é válido para as novas tecnologias.”.
Admite que os alunos podem ter acesso a equipamentos, mas “nem sempre têm a capacidade ou a disciplina necessárias para gerir uma nova situação que vai além do uso de redes sociais ou a exploração de jogos na perspetiva do utilizador”. E, para sustentar que “o que é simples pode tornar-se um quebra-cabeças”, exemplifica:
Mesmo no Ensino Secundário, algo tão elementar como um registo na Escola Virtual pode provocar uma avalanche de mails ou mensagens por incapacidade em perceber procedimentos muito simples e em reter as informações para a sua exploração”.
E conclui que a literacia digital (não apenas em Portugal) “é muito heterogénea, desigual e, muitas vezes, superficial”.
Quanto aos professores, Guinote aplica parte do que disse sobre os alunos, mas nem sempre pelos mesmos motivos. Considera que “a adaptação às novas tecnologias foi gradual, foi uma imersão progressiva” desde os finais dos anos 80 e que, por vezes, “o problema é a capacidade para acumular mais informação e ir acompanhando a sucessão de ferramentas, dos suportes físicos (…) às plataformas”. Reconhece que, para quem nasceu no tempo do manuscrito, da tecla batida e da tira corretora, “nem sempre é fácil acompanhar o ‘estado da arte’ em matérias digitais” e que há “a pressão por parte de quem é mais dedicado às novas ferramentas para que todos adiram, mas “nem sempre com as melhores metodologias”. E, sustentando que os suportes digitais deviam servir para aligeirar os procedimentos, desmaterializar a burocracia e a documentação e não para a sua replicação, aponta que isso não tem acontecido. E observa:
Em muitas escolas, as ferramentas digitais não substituem as analógicas, apenas se sobrepondo a elas e criando uma nova camada de trabalho hiperburocrático. (…) Também os mais novos protestam com a irracionalidade de múltiplas grelhas de monitorização e registo de atividades que replicam o que as próprias plataformas já fazem de forma automática.”.
Para Rolando São Marcos, professor de Informática, Eletricidade e Eletrónica, em geral, a utilização destas novas ferramentas está a correr bem. E afirma que “os miúdos estão a desenrascar-se muito bem”. Aulas online, videoconferências, trabalhos no computador estão sem problemas de maior. Todavia, repara que “os afetos, sobretudo em idades tão iniciais, perdem-se por completo”, pois a interação tem agora quilómetros de distância. Entretanto, neste ambiente, que tem como positivo, o professor denuncia problemas como: falta de equipamentos, falta de meios, Internet demasiado lenta. Se bem que os alunos, em geral, lidam bem com as ferramentas e plataformas digitais e há editoras que disponibilizam tutoriais facilitadores do trabalho a professores e estudantes, como a Escola Virtual, as dificuldades situam-se nos alunos mais carenciados que não têm equipamentos para estas aulas, nas famílias sem computadores, algumas com smartphones que acabam por esgotar dados.
Não havendo acesso total a estas tecnologias, há casos em que um novo circuito se cumpre: os professores fazem chegar os trabalhos às escolas, que os entregam às autarquias locais, que os levam aos alunos (muitas vezes a GNR e a PSP colaboram); e os trabalhos dos alunos são entregues nas juntas de freguesia que os levam às escolas, que os digitalizam e enviam para os professores.
Para Lurdes Figueiral, presidente da APM (Associação de Professores de Matemática), os alunos têm a seu favor a familiaridade com o mundo tecnológico, pois, “independentemente da plataforma, é mais natural adaptarem-se”, colocando-se o problema “no sentido crítico em relação àquilo que utilizam e às potencialidades do que utilizam”.
Quanto aos professores, diz que alguns estão familiarizados com as novas tecnologias, outros não; e que “os menos familiarizados, por exemplo, anotam todos os passos que têm de dar na utilização das novas plataformas digitais (…), precisam de cábulas para não se perderem no mundo online”. Ora, isto coloca outros problemas: mais stresse, maiores dificuldades no ensino à distância, “mais uma fonte de ansiedade e de trabalho”.
Filomena Viegas, presidente da APP (Associação de Professores de Português), diz que este ensino é a “substituição possível” da forma presencial; e os professores estão a adaptar-se, estão mais orientados que no início, o uso das novas tecnologias tem melhorado. Em sua opinião, a capacidade para trabalhar conteúdos não se perdeu: aulas síncronas, momentos assíncronos, emissões televisivas do #EsttudoEmCasa. E, realçando a importância da manutenção das rotinas, associadas às aprendizagens, para professores e alunos, aponta os exageros, a carga burocrática aumentada: nos horários, nos recursos, na quantidade de trabalhos enviados aos alunos… Há casos de trabalho fora de horas, professores que se sentam ao computador às 8 da manhã e às 8 da noite ainda estão a responder e a enviar e-mails a pais e alunos. E refere que, “por vezes, é difícil manter uma disciplina muito forte relativamente a pais e alunos”.
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Contudo, este regime de ensino coloca os seguintes desafios: garantir o acesso a este modelo a todos os alunos, num nível mínimo de igualdade de circunstâncias; assegurar maior trabalho de articulação entre professores, maior interdisciplinaridade, maior homogeneidade nas práticas docentes, menor dispersão. A este respeito, Neuza Pedro adverte:
É necessário que se crie um ‘sentir coletivo de escola’ online, tal como em cada escola se procura criar no presencial, logo a proliferação de uma grande multiplicidade de soluções, plataformas e recursos de suporte à aprendizagem não é favorável. Cria nos alunos mais desorganização do que era necessário.”.
O encerramento das escolas foi compensado com excesso, excesso de soluções e meios mobilizados – plataformas online, webconferências, trabalhos por email, #EstudoEmCasa, etc.. E, segundo Neuza Pedro, o excesso de ferramentas, de medidas de apoio, de trabalho enviado aos alunos, de horas ligados online… foi “tudo causado pela boa vontade dos atores, por um forte sentido de missão abraçado por escolas e professores”.
Porém, esta experiência levanta uma grande questão: Até que ponto as plataformas, ferramentas e recursos digitais, de uso já generalizado, devem fazer parte do quotidiano escolar? E Neuza Pedro entende, sem reservas, que, mais do que uma solução temporária e de recurso, deveria tornar-se um método usual e comum. E considera:
O uso da tecnologia nas escolas deveria ser uma realidade estabelecida e plenamente difundida no dia a dia das escolas. Aliás, isso deveria ser uma exigência da sociedade civil, tal como o é na saúde, na indústria… não aceitamos que nenhum médico exerça hoje sem recorrer à tecnologia que tem ao dispor, não nos faz qualquer sentido… na educação também deveríamos ter a mesma exigência.”.
Verificando que o país está hoje muito melhor do que na década anterior, mas é preciso insistir neste caminho”, a docente e investigadora argumenta:
Caso contrário, a escola estará a preparar as crianças e jovens para um mundo que já não existe. Sublinho que as nossas escolas têm procurado combater esse atraso tecnológico e muito se tem conseguido, mas é necessário continuar a insistir nesse processo.”.
Porém, coloca o dedo em vários pontos:
As escolas estão tecnologicamente hoje muito mal equipadas, os professores precisam ainda de formação no que respeita à integração educativa das tecnologias, os currículos precisam de ser científica e tecnologicamente atualizados e os nossos jovens precisam deter maiores índices de literacia digital, esses elementos são requisitos mínimos para fazer face à sociedade que queremos edificar e para um melhor amanhã.”.
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Ao invés do que geralmente se observa, o texto de Sara Oliveira, sustentado por testemunhos vários de especialistas, não embarca na rotulação de infoexcluídos aos professores mais velhos nem alimenta a ideia que os miúdos são em absoluto hábeis na utilização das novas tecnologias. Contudo, patenteia a deficiência tecnológica em dois patamares: as escolas mal equipadas nesta área, sem um comutador (ou equivalente) por aluno, Internet lenta ou sem funcionar, má utilização das tecnologias, excesso de burocracia e de instrumentos de controlo; e os alunos e famílias sem posses para aceder a estas novas tecnologias. Dá conta do esforço dos professores nesta matéria, sendo que, por insuficiência de atualização dos equipamentos e de conhecimento por parte de alguns, muitos se sentiram obrigados, pela pressão e pelo dever, a uma verdadeira cambalhota informática, tornando-se “escravos” do ritmo dos alunos, da inibição destes em participar na aula ativamente e de intervenções abusivas de alguns encarregados de educação.  
Assentindo que esta via tecnológica de ensino deve generalizar-se na escola aquando das sessões presenciais e o ensino à distância deve complementar o ensino presencial, importa: cuidar da formação atempada e efetiva de todos os docentes nestas áreas (não para cumprir calendário ou acumular créditos) e não apenas criar plataformas para verificar se estão preparados; equipar as escolas de forma adequada; dotar todo o território nacional de acesso à rede móvel de telecomunicações por parte de todos os operadores; formar os professores para falar em rádio e ensinar pela televisão, para não acontecer como desta feita, em que os docentes tiveram que se preparar à pressão para o tele-ensino, mostrando muita coragem, mas também algumas debilidades; e apoiar os professores e alunos na aquisição de meios informáticos, acolhendo o lado positivo do que fez o Ministério da Educação no tempo de José Sócrates.
E, sobretudo, há que parar com a diferença entre os infoexcluídos e os possuidores de literacia tecnológica. Com efeito, a deficiência tecnológica ao nível da educação é ainda alastrante, pelo que a experiência, embora positiva, mostra, pelo que, além da posse dos equipamentos, há que tratar da disciplina e na sua utilização de forma adequada aos fins e resultados. Por outro lado, todos somos capazes, se nos derem oportunidades, mesmo que tenhamos de utilizar cábulas!
Por fim, não se despreze a ferramenta da escrita manual, da leitura em papel, do livro, do jornal e do panfleto, ferramentas que podem ser muito úteis quando tudo falhar. Não se venha a criar outra exclusão (tradicioexclusção) quando falharem as novas tecnologias!
2020.05.15 – Louro de Carvalho

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

“APPlica-te” é o tema motivador das Jornadas de Comunicação Social 2018


Estão a decorrer, em Fátima, na Domus Carmeli, entre hoje, dia 27 de setembro, e amanhã, dia 28, mais umas Jornadas de Comunicação Social, organizadas pelo Secretariado Nacional das Comunicações Sociais, em paralelo com as III Jornadas Práticas de Comunicação Digital, organizadas pela Rede Mundial de Oração pelo Papa, confiada à Companhia de Jesus, que coordena projetos como “O vídeo do Papa” e o Click to Pray”, entre outros.
São dois dias de conferências, oficinas e debates sobre produção e gestão de conteúdos para websites, redes sociais e aplicações móveis, com participação de várias pessoas ligadas ao setor das comunicações da Diocese de Leiria-Fátima.
O Secretariado Nacional das Comunicações Sociais, na carta-convite datada de 20 de julho, salienta a índole muito prática deste encontro, “em torno do marketing digital e da construção de ferramentas para comunicar no ambiente digital, nomeadamente no domínio das aplicações”. Por outro lado, justifica a realização em simultâneo com as III Jornadas Práticas de Comunicação Digital pela existência de “pontos comuns nas duas jornadas, tanto nos temas abordados, como nos públicos a que se dirigem”. Assim, juntam-se “recursos e saberes para tornar estes dias de encontro e formação ainda mais interessantes para todos os participantes”.
Sendo assim, o Secretariado – que trabalha sob a égide da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais e é editor de “Agência Ecclesia”, “Ecclesia Internet”, “Ecclesia Televisão”, “70×7” e “Ecclesia Rádio” – acredita que o tema das jornadas é cada vez mais urgente para as estruturas eclesiais e para todos os comunicadores, em especial no modo de comunicar dos jovens.
Sob o mote “APPlica-te”, como plasmado em epígrafe, a iniciativa tem a participação presencial de algumas figuras de relevo na área da comunicação e marketing digitais, como a irmã Xiskya Valladares, jornalista e cofundadora da associação iMisión, conhecida como “monja twiteira” e autora de vários livros, entre os quais “Boas Práticas para Evangelizar no Facebook”, de Juan Della Torre, da agência de comunicação La Machi, responsável pela produção de “O Vídeo do Papa”, e de Jesús Colina, diretor editorial da rede digital Aleteia.
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As jornadas começaram com a sessão de abertura em que intervieram: Dom João Lavrador, Presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, Padre Américo Aguiar, Diretor do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais, e Padre António Valério, SJ, Diretor da Rede Mundial de Oração do Papa em Portugal.
O programa inclui, a 27, a conferência sob o título “Novas tendências digitais, o que esperar do futuro?”, por Nelson Pimenta (Digital Diretor do Grupo Renascença Multimédia), e três workshops em torno dos temas: “Dicas para um Marketing Digital eficaz e ético”, apresentado por Patrícia Dias (Professora Auxiliar e Investigadora na UCP – Universidade Católica Portuguesa) e por Inês Teixeira-Botelho (Investigadora e Consultora em Novas Tecnologias e Comunicação Digital); “Boas práticas para evangelizar no Facebook, Twitter e Instagram”, apresentado por Xiskya Valladares (Cofundadora da iMisión); e “Chaves para fazer uma APP religiosa”, apresentado por Juan Della Torre (CEO & Founder da La Machi Comunicación para Buenas Causas). Moderou os debates a seguir à Conferência e a seguir ao 1.º workshop Elisabete Carvalho (da Rede Mundial de Oração do Papa); e moderou os debates subsequentes ao 2.º e ao 3.º workshops Octávio Carmo (da agência Ecclesia).
E, no dia 28, destaca-se o painel, moderado pelo Padre António Valério, SJ (Diretor da Rede Mundial de Oração do Papa em Portugal), e com as seguintes questões-chave: “O que procuram os jovens nas Redes Sociais?”, por Jesús Colina (Diretor Editorial da Aleteia); “Verdadeiro ou falso? A relação dos jovens com as notícias falsas”, por Fábio Ribeiro (Professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e Investigador na Universidade do Minho).
Como referido, às comunicações apresentadas pelos diversos oradores segue-se o respetivo debate, que se pretende animado e elucidativo.  Os trabalhos terminam com um grande debate e a leitura das conclusões e a sessão de encerramento com intervenção de um responsável da Comissão da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais.
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Segundo Nelson Pimenta, “a internet veio revolucionar por completo a forma como trabalhamos, comunicamos, e como nos relacionamos com o resto do mundo, agora globalizado”. Assim, é pertinente perceber “como é que as novas tecnologias irão impactar o nosso futuro próximo”.
Para as condutoras do primeiro workshop, “o ambiente digital é altamente competitivo”. Na verdade, “os utilizadores são confrontados com uma sobrecarga de informação e estímulos das marcas, ao mesmo tempo que desenvolvem técnicas e dominam ferramentas para gerir os seus consumos e produções digitais”. Nesse sentido, são de encarar duas faces complementares do Marketing Digital: a quantitativa, que permite, através de métricas cada vez mais precisas, ajustar a nossa comunicação e ofertas a cada utilizador; e a qualitativa, que procura compreender o comportamento humano para [lá] dos números e estatísticas, e busca a construção de relações assentes em valores. Ora, trabalhando nestas duas vertentes é possível operar eficaz eticamente no mercado atual.
Por sua vez, a Irmã Xiskya Valladares entende que “a internet não é uma ferramenta de evangelização”, mas “um lugar, um ambiente”. Por conseguinte, “não existem receitas para a evangelização digital, mas sim boas práticas que funcionaram para outros”, as quais “funcionam porque têm em conta a natureza relacional da Rede e a vivência do Evangelho”. Na sua intervenção, ficam evidenciadas algumas delas no Twitter, Facebook e Instagram.
E Juan Della Torre interroga-se se é possível criar Apps que nos permitam dar as boas mensagens que a Igreja tem. Nesse sentido, propõe-se, num contexto crítico e exigente como o dos jovens de hoje, dar a conhecer “a estratégia, as boas práticas e as aprendizagens dos processos de criação de plataformas que souberam conectar a oração com o mundo”.
Jesús Colina apresenta em exclusivo um estudo mundial de social listening no Facebook e Instagram sobre os interesses dos jovens entre os 18 e 25 anos, com revelações inéditas sobre Portugal e Brasil. O estudo constitui um contributo para a preparação do Sínodo dos Bispos sobre os jovens, que tem lugar em outubro, em Roma.
Entretanto, Fábio Ribeiro entra no cerne do jornalismo pelo lado do negativo: as notícias e conteúdos falsos. Admitindo que “o jornalismo e a sociedade sempre tiveram de lidar com notícias e conteúdos falsos”, assenta em que “a tecnologia apenas ajudou a exponenciar esta realidade”. E exemplifica com um estudo recente nos Estados Unidos da América com mais de 800 indivíduos entre os 10 e os 18 anos, revelador de que a generalidade dos jovens valoriza as notícias e o jornalismo, mas que também “demonstra grande facilidade em acreditar em conteúdos falsos, através de generalizações, preconceitos” (o grande mal das apreciações e subsequentes atitudes mórbidas), que “resultam de um espírito crítico pouco apurado e estimulado”. Na sua comunicação “pretende explorar o tema das notícias falsas, assinalando dados sobre a relação dos jovens com este tipo de conteúdos, ao mesmo tempo que apresenta formas de refletir criticamente sobre as notícias publicadas nos meios de comunicação social e algumas formas que a própria evolução tecnológica trouxe para denunciar notícias falsas”.
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Para já, a comunicação social fez eco do alerta deixado, na sessão de abertura, pelo Presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, a vincar que “a evangelização passa hoje pela comunicação digital, mas não substitui a relação humana e comunitária”. Com efeito, porque é no digital que estão as pessoas”, será “lá que a Igreja tem de estar para evangelizar. E Dom João Lavrador disse à Rádio Renascença:
Se as pessoas hoje, na sua maioria, sobretudo os jovens, é aqui que caminham, que comunicam, que querem ter informação, e é aqui que de alguma maneira podem entrar com a realidade da Igreja, então a Igreja tem por dever desenvolver estas aplicações e utilizá-las”.
O Bispo de Angra e Presidente da referida Comissão Episcopal alertou, como se disse, para o facto de o digital não substituir a dimensão comunitária e presencial das pessoas, sublinhando:
Hoje, ao nível sociológico e, sobretudo, ao nível da psicologia das relações entre as pessoas, já se chama a atenção para não se ficarem simplesmente pelas aplicações ou na informação ou no diálogo pelo digital. É necessário que as pessoas se encontrem pessoalmente. Portanto, tudo isto pode facilitar o encontro pessoal e, sobretudo, a participação.”.
Também a agência Ecclesia relevou a intervenção de Patrícia Dias, que, destacando a importância de se apresentarem “valores partilhados”, vincou a necessidade de colocarmos as pessoas no centro do marketing e das aplicações digitais e frisou que “as pessoas gostam, sobretudo, de marcas com as quais se identificam”.
A especialista da Faculdade de Ciências Humanas da UCP, sublinhando que as marcas mais inspiradoras são as que “comunicam porque é que fazem”, assinalou que os dados nos ajudam “a ser mais eficazes, mas não nos podemos esquecer de que, por trás dos números, estão pessoas”. Por isso, propôs um marketing digital “eficaz e ético”, num mundo em que é cada vez mais difícil ser “relevante”, e observou que “a postura ética acaba por trazer retorno, a longo prazo”.
Para a investigadora e docente universitária, o digital “não é um conceito isolado” de tudo o que está a acontecer, sendo importante “desenvolver a literacia nos diferentes públicos e em todas as idades” e perder o receio de “substituição do ser humano” pelas tecnologias digitais, pois, como apontou, “a proliferação da Inteligência artificial até nos vai fazer valorizar a interação humana”.
Também a Ecclesia refere que a intervenção e o debate que se lhe seguiu abordaram o perigo das “bolhas de redundância”, que leva a um extremar de perspetivas sobre o mundo.
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Espera-se que o encontro redunde numa forte mais-valia para a ação da Igreja num país, como o nosso, ainda agarrado à inércia tradicional e à conservação dos usos marcados pelo folclore religioso e pela vertente espetacular da religião, bons para a vivência do momento, mas, porque não comprometem, são frequentemente abandonados ao virar da esquina, até que um momento inspirador faça que as pessoas regressem e se comprometam na comunidade.
Prosit!
2018.09.27 – Louro de Carvalho