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terça-feira, 28 de julho de 2020

Interfaces entre Economia de Francisco e Agenda 2030


O Vatican News dá conta de um estudo de Mireni de Oliveira Costa Silva em que ressalta a proposta duma nova economia intitulada Economia de Francisco, indicada pelo Papa como uma possível saída para os problemas da fome, miséria e degradação do meio ambiente, e em que pressupostos teóricos o modelo está a ser construído. Ou seja, a especialista quer mostrar que é possível outra economia fazendo interface entre a Economia de Francisco e a Agenda 2030.
Para tanto, reflete sobre os principais eventos da política global, que produzem externalidades negativas na vida de grande número de pessoas no planeta, e analisa como o neoliberalismo e a globalização têm sido fatores determinantes das políticas económicas. Depois, aborda a Agenda 2030 e as suas propostas para amenizar os impactos do atual modelo económico focado na sustentabilidade. Por fim, aponta a associabilidade entre a Agenda 2030 e a Economia de Francisco como uma possibilidade de emancipação económica, com amparo da sustentabilidade e solidariedade, para os países periféricos e as populações em estado de pobreza crónica.
Constata que a política, em especial a económica, é historicamente marcada por interesses de grupos dominantes (pessoas ou países que se organizam em torno de objetivos comuns) ligados à expansão de capitais financeiros, para exercerem o poder sobre outras empresas, grupos e países. Por outro lado, a dinâmica da economia no final do século XX e nas primeiras décadas do século XXI tem proporcionado, com o neoliberalismo e a globalização, uma acumulação de capitais nunca antes visto na história da humanidade. Assim, 82% de toda a riqueza gerada no mundo em 2017 foi parar nas mãos do 1% mais rico do planeta, quando “a metade mais pobre da população global – 3,7 bilhões de pessoas – não ficou com nada”. E são muitos os fatores que contribuem para a concentração de riqueza, com destaque para as políticas neoliberais que impõem processos de “modernização” das economias de países periféricos obrigando-os a flexibilizar regras do comércio exterior, privatizar empresas estatais que são, em grande parte, adquiridas por consórcios de multinacionais, que usufruem de vantajosos incentivos fiscais para se instalarem nos países, exploração de mão de obra barata nos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento e ausência de políticas ambientais rígidas, que acabam por contribuir para a devastação do meio ambiente em decorrência da exploração desenfreada das multinacionais.
Tais processos de acumulação de riquezas proporcionam um agravamento no índice de pobreza no mundo; e o contingente de pessoas a sobreviver abaixo da linha da pobreza ganhou alarmantes proporções, o que tem motivado debates e proposições nos países mais progressistas.
A propósito, a Agenda 2030, apresentada pela ONU em 2015 que formulou 17 objetivos para, em parceria com os 193 países, implementar e buscar amenizar os efeitos preocupantes da política económica global. Os objetivos, na sua maioria, fazem referência à sustentabilidade em todos os aspetos, não só no económico; e, a ONU procura implementar a Agenda por meio de parceria com os países. No mesmo sentido, Francisco convidou jovens do mundo inteiro para discutirem uma proposta de economia sustentável para o planeta, “que faz as pessoas viver e não mata, inclui e não exclui, humaniza e não desumaniza, cuida da criação e não da caça. Essa economia é a Economia de Francisco e propõe o estabelecimento de novos paradigmas de um modelo sustentável, alicerçado na solidariedade que inclua todos os povos.
Nessa perspetiva, Mireni de Oliveira evidencia a importância e urgência em discutir a Economia de Francisco e a Agenda 2030 a partir da perspetiva histórica do desenvolvimento económico global, como ele foi construído e alicerçado e promoveu um processo catastrófico de expansão da pobreza em escala alarmante.
Assim, alicerçada na pesquisa bibliográfica e documental e adotando o método indutivo de abordagem, refletiu a conjuntura político-económica global e seus reflexos para as políticas locais, em perspetiva diacrónica desde os alvores da afirmação humana no planeta, evidenciando a teia simples ou complexa das relações económicas desde o tempo em que a terra era comum até à sua apropriação, nem sempre pacífica, e ao estabelecimento do capitalismo como sistema político económico a arrastar consigo os poderes, a par dum acompanhamento evolutivo por parte da Igreja católica, a princípio, contundente e, depois, algo complacente.    
A seguir, aborda a agenda do Neoliberalismo e da Globalização económica. Aquele surge na década de 70 como uma estratégia do capital financeiro; e a globalização da economia, processo não acabado, tomou uma grande dimensão na história recente da humanidade e levou a que o capital deixasse de ter fronteira e se orientasse para a expansão movido pela acumulação, criando fortes impactos negativos no mundo do trabalho, gerando um crescente de pobreza, deslocalizando empresas e premiando os altos quadros, mas baseando a produção e distribuição nos salários mais que magros, sob a alegação da inevitabilidade. 
Outro dos temas basilares do artigo em causa é a Agenda 2030, lançada pela ONU em 2015, e a sua proposta para as pessoas e o planeta. No seu preâmbulo, assegura que todos os países e partes interessadas assumiram o compromisso de a implementar, dar efetividade aos seus 17 objetivos do desenvolvimento sustentável (ODS), o que significa dizer que incumbe aos governos viabilizar junto dos demais poderes a criação de políticas públicas que possibilitem a execução dos ODS. Por outro lado, propõe um plano de ação para as pessoas, o planeta e a prosperidade e reconhece que o esforço para erradicar a pobreza extrema deve ser encarado como o maior desafio global e pré-requisito para o desenvolvimento sustentável em todos os povos.
Depois, reflete sobre a Economia de Francisco enquanto apelo a uma economia sustentável. De facto, a Igreja católica, que no decurso da sua história sempre demonstrou preocupação com alguns temas atinentes à humanidade, como a fome, a miséria, a paz, dentre tantos outros, agora, no século XXI, está empenhada em discutir a economia global. E o ponto de partida para a sua discussão sistemática é a encíclica Laudato Si, sobre o cuidado da casa comum, que propõe uma ecologia integral e uma ecoeconomia resultantes de um “pacto comum” – o que estava para ser tema de encontro de 26 a 28 de março de 2020 em Assis na Itália, mas que foi adiado para novembro por força da pandemia.
O Papa reunirá grandes nomes da economia global, como o Nobel de Economia Joseph Stiglitz, Jeffrey Sachs, Amartya Sem, Vandana Shiva, Muhammad Yunus, Kate Raworth, o Presidente do Instituto Novo Pensamento Económico, Robert Johnson, e muitos outros, inclusive prémios Nobel, pois, segundo Stiglitz, é importante trabalhar com a educação em sistemas alternativos que não idolatrem o dinheiro, é necessário trabalhar com a ideia de economia circular – um ciclo de desenvolvimento contínuo positivo que preserva e aumenta o capital, otimiza o rendimento dos recursos e minimiza os riscos do sistema gerindo stocks finitos e fluxos renováveis – e com a sustentabilidade ambiental, sendo uma das chaves a colocação das pessoas em primeiro lugar e outra a colocação dos mercados ao serviço das pessoas e não como sucede agora a nível global.
Por fim, em jeito de considerações finais, a especialista conclui:
Não basta conciliar a preservação ambiental com aspetos financeiros, desenvolvimento, lucro, produção, avanço tecnológico e globalização desenfreada da economia, que tem financiado a verdadeira escalada rumo à destruição e miséria, mas urge pensar no progresso sob uma outra perspetiva, um novo paradigma de olhar mais humanizado e voltado para o mundo como uno, perene e, sobretudo, um lugar que pode e deve ser de todos, onde todos se sintam parte includente e não excludente.
Com efeito, o modelo de economia da modernidade e que está em marcha a pleno vapor não está preparado para retroceder do âmbito do capital, da engrenagem financeira orquestrada e arquitetada pelos grandes grupos de países ricos e pelos grandes empresários e industriais. E o que se discute é se esse modelo, que visa o lucro em detrimento do ser humano e do ambiente, dá espaço para (re)conciliar esses dois fatores, que não são dissonantes, aliás, coadunam-se e podem conviver muito bem.
Apesar de todo o esforço da ONU, desde a sua fundação, para preservação do meio ambiente e uso equilibrado dos recursos, o que tem prevalecido é a força do capital, não a de ambientalistas e de governos progressistas, tendo o uso indiscriminado dos recursos provocado resultados catastróficos no meio ambiente, clima, agricultura, no ecossistema de modo geral. A maioria das políticas adotadas promove e protege o sistema financeiro, o lucro, não a vida, não a garantia da sobrevivência de milhões de pessoas que vivem na extrema pobreza no mundo.
Neste contexto, a Agenda 2030 será, desde 2015, um desafio para o planeta e contará com a participação e envolvimento de todos os países para a sua implementação, como política macro, que depende do apoio irrestrito dos parlamentos para aprovarem leis a que subsidiem e lhe deem efetividade. No entanto, é pouco provável que haja, nestes cinco anos, já resultados positivos, pois muitas políticas públicas têm sido adotadas sem a observância dos ODS.
No atinente à Economia de Francisco, a proposta está a ser discutida nos textos-base e na carta papal, que apontam para uma economia que inclua e não exclua, que promova a igualdade, a paz, a prosperidade, a solidariedade e a sustentabilidade, que efetivamente seja uma proposta elaborada pelo povo e para ele, que aponte caminhos para uma economia sustentável em todos os aspetos e que promova o encurtamento da distância entre ricos e pobres no planeta. E ela leva a acreditar que é possível pensar num mundo mais justo, com menos desigualdade e mais oportunidade para todos, com mais equilíbrio e respeito pelo meio ambiente, que é o habitat natural de todos. Assim, uma economia que esteja ao serviço do bem comum implica que seja economicamente viável, mas também socialmente justa e ambientalmente sustentável.
Esta economia não nega a presença do Estado, mas a intervenção deste buscará, através da solidariedade e parceria, mecanismos para implementar uma economia com princípios basilares de sustentabilidade, que promova o desenvolvimento económico conciliando-o com o social e ambiental, de modo que o ser humano esteja no centro de todos os debates e ações políticas.
E é possível mudar, desde que haja predisposição para a mudança e o desejo de que ela aconteça de forma estrutural e com a participação permanente da sociedade. E há que pensar que a globalização não pode ser só económica e gerar externalidades negativas, mas que deve atingir todos os aspetos da vida humana, não podendo haver fronteiras segregadoras das pessoas.
2020.07.28 – Louro de Carvalho

sexta-feira, 5 de junho de 2020

É preciso que os pobres não venham a ficar mais pobres após a crise


Está a vulgarizar-se a “ideia de que, depois da crise, os pobres vão ficar mais pobres”, ideia que, segundo o Padre José Manuel Pereira de Almeida “tem de ser contrariada”.
Este padre médico, pároco de Santa Isabel, em Lisboa, vice-reitor da Universidade Católica Portuguesa (UCP), secretário da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana e assistente eclesiástico da Comissão Nacional Justiça e Paz, fez esta e outras pertinentes declarações em entrevista à Renascença e à Ecclesia, publicada neste dia 5 de junho.
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Começou por enfatizar que o regresso à celebração com fiéis, em comunidade, “foi uma experiência esperada” e desejada e que “foi um grande entusiasmo”. Com a utilização do espaço público em frente da igreja paroquial de Santa Isabel, as pessoas que participavam habitualmente na missa puderam ir nos horários habituais “sem outras restrições”, pois, correspondendo aos dois metros à volta de cada pessoa ou família, a área disponível pode acolher “um número de pessoas maior do que as que habitualmente vêm a uma celebração grande em Santa Isabel, em que a igreja, que não é pequena, fica cheia”.
Crê que o confinamento enquanto tempo de ‘proximidade da distância’ (mormente pela capacidade de resposta da Igreja, com recurso a  transmissões online) nos trouxe muitos ensinamentos, embora ainda não nos tenhamos provavelmente dado conta de todos eles. Por conseguinte, na volta explícita à nova normalidade, as coisas não podem ser tal como eram dantes, sendo necessário que “haja coisas novas”. E exemplificou com “a valorização da Igreja doméstica” (tão enaltecida do ponto de vista teórico, mas pouco concretizada), pois a experiência celebrativa das famílias em casa “correu muito bem”. Porém, frisou que isto também apresenta “dificuldades”, sendo que a “relação em permanência de todos os membros da família” pode implicar “situações de conflito”. Mas, segundo o entrevistado, também “o conflito é chamado a ser lugar de crescimento de humanidade, de aprendizagem na resolução pacífica” dos problemas.
Pensa que os bispos “foram exemplares” no atinente à “relação com a autoridade de saúde”, tendo-se até antecipado a suspender as celebrações com a participação presencial dos fiéis a partir do terceiro domingo da Quaresma, “para que em Portugal, como tem sido até agora (…) haja um comportamento em que se procura cuidar dos mais vulneráveis da forma como temos sabido cuidar no Serviço Nacional de Saúde”. Adverte que, ao falar-se dos “mais vulneráveis, sob o ponto de vista de saúde”, impõe-se “recordar todas as situações em que os pobres ficaram mais pobres”, devendo-se “recorrer a todos os meios para ajudar”. E “os voluntários continuaram a sair à rua e a levar alimentos a quem mais precisava, para que a dificuldade por que passam seja minorada, tanto quanto de nós depende, e depende muito”.
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Tendo em conta que a crise social e económica se agravou com a pandemia, reconhece que também na sua paróquia os pedidos de ajuda aumentaram, não tanto do lado das “pessoas abrangidas pela conferência vicentina, que distribui os bens do Banco Alimentar e da comunidade, enquanto tal”, mas no âmbito do verificado pelo “grupo de proximidade”, o chamado “Família a família”, que “é outra componente da Cáritas paroquial” a apoiar “famílias insuspeitas de situação de carência”, a chamada habitualmente “pobreza envergonhada”. Ora, essas situações aumentaram em “mais de 50 por cento”.
Considerando que todas as instituições solidárias estão a receber mais pedidos de auxílio, sendo muitos de pessoas que sempre trabalharam, mas que agora, com a perda dos rendimentos, estão a pedir ajuda às instituições pela primeira vez, assente que isto é um desafio para as instituições católicas, crendo que “estamos capazes de responder”. E, acompanhando a Cáritas diocesana de Lisboa e a Cáritas Portuguesa, supõe que “os programas que entretanto foram desenvolvidos pretendem responder a essas necessidades”. Até verifica que as paróquias em Lisboa “têm procurado, tanto quanto delas depende, conseguir responder e deixando para uma segunda etapa o pedido de apoio à Cáritas do Patriarcado”. Coisa parecida sucede na Cáritas Portuguesa: “algumas Cáritas diocesanas ainda não se socorreram dos projetos existentes a nível nacional”. Assim, conclui que “há muito de subsidiariedade neste sistema”, o que “é sinal da vitalidade da proximidade e da solicitude”.
Sendo que nestes meses de pandemia se voltou a falar de ‘novos pobres’ e de ‘fome’ em vários setores e que voltou a haver barracas em Lisboa, entende que todos estamos conscientes de que “a situação não é fácil”, mas confia na “capacidade de mobilização dos serviços públicos”, na assunção “das responsabilidades públicas a este propósito, e também da comunidade cristã”.
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Quanto ao adiamento do Encontro Nacional da Pastoral Social para outubro de 2021, quando o seu agendamento estava feito para outubro deste ano, e as alternativas de reflexão que podem existir neste espaço de tempo, salienta o Ano Laudato Si’ proposto pelo Papa, dada a urgência de reflexão sobre as questões abordadas pela encíclica em torno do binómio: “ouvir e responder ao grito da terra” e “ouvir e responder ao grito dos pobres”. Considera que “as situações em que nos encontramos também permitem uma extensão da reflexão, com os meios informáticos, à distância, que temos ao dispor”. E aproveitou o ensejo para agradecer à Rádio Renascença a transmissão da Missa dominical das 11 horas, em Santa Isabel, desde o III domingo da Quaresma até ao domingo da Ascensão.
Concedendo que o ano especial Laudato Si’ se liga ao projeto sobre a Economia de Francisco, em que está envolvida a UCP, refere que esta universidade e as outras instituições que se mobilizaram em torno do tema “têm sido um lugar onde emerge a reflexão proposta pelo Papa: a Economia é para as pessoas e não para o lucro, portanto é preciso trazer as pessoas para o centro”, pois há que “perceber que as pessoas são mais importantes do que os números”. E, atendo-se à etimologia do termo “economia” (no grego “oíkos”, casa + “nómos”, lei) como “lei da casa”, diz que se deve conseguir que “as pessoas vivam melhor na casa comum que é a nossa”. Assim, no quadro deste “desafio permanente, em termos de outra maneira de entender a Economia”, frisa que “não estamos sozinhos”. Com efeito, 50 jovens “participam neste encontro de Assis” e que, mesmo depois de ter sido adiado, em março, têm continuado os seus encontros e a sua reflexão”, o que “tem sido muito oportuno”.
Interpelado na qualidade de assistente eclesiástico da Comissão Nacional Justiça e Paz, que em recente nota apelou à responsabilidade social das empresas no sentido de os dividendos e prémio empresariais serem canalizados para quem mais precisa, observou:
Essa foi uma das frases da mensagem, há coisas que podem ser legais, mas não legítimas, sob o ponto de vista ético. Esta ideia de que, depois da crise, os pobres vão ficar mais pobres tem de ser contrariada por todos os meios existentes. E há muitos modos de corrigir as desigualdades, para que o poço não se torne ainda mais fundo, como tudo indica.”.
Sobre a “indignação” face às notícias de “prémios de gestão ou distribuição de dividendos”, em particular no Novo Banco, em contraste com os sacrifícios que a nossa sociedade atravessa, destaca a necessidade de “uma formação ética mais aprofundada” na sociedade em geral, pois, se nos deixarmos “contagiar” pelo indiferentismo no modo de encarar as coisas, “corremos o risco de nos habituarmos à ideia de que as coisas são como são”. E, a este respeito, desenvolve com notável pertinência:
Elas só são como são se nós não fizermos diferente, se não procurarmos esta árdua tarefa de ler a realidade e de a confrontarmos com o que é desejável, o que é preferível, no que diz respeito a sermos verdadeiramente atentos ao bem do outro, porque é bem e não porque eu ganho alguma coisa com isso. É uma formação que se tem de fazer, desde a mais tenra idade.”.
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Por fim, é abordado o posicionamento da Igreja face aos desafios que a atual situação lhe trouxe em termos de pastoral social e de acompanhamento espiritual, com relevo para as muitas restrições nos velórios e funerais, o que deixou muitas feridas abertas neste campo. E à questão se a Igreja podia ter feito mais para acompanhar as pessoas nestes momentos difíceis, o entrevistado limita-se a falar da sua experiência pessoal, referindo que, do seu ponto de vista, “as coisas correram da melhor maneira possível”. Com efeito, “eram poucas pessoas”, mas nunca deixou de as acompanhar, “nunca se deixou de poder celebrar a vida, tão ameaçada nestes tempos”, mas assenta em que “a saudade tem menos espaço para se poder exprimir, por trás de máscaras”. Não obstante, pressupõe que “vamos aprendendo o tipo de explicitação dos nossos sentimentos e da partilha das nossas emoções”. Todavia, confessa que sabe de “famílias muito feridas, com situações mais assépticas, quase de comportamentos cristalizados”, mas assegura que não foi essa a “experiência em Santa Isabel”.
Em relação à existência de muitas pessoas que ainda não encontraram um sentido para o que está a acontecer, visto que estamos perante uma crise económica, mas também espiritual, de sentido e de esperança, diz que muitas pessoas vivem nesta situação crítica. Por isso, é preciso “acompanhamento, não para ensinar quem não sabe – como se nós soubéssemos –, mas para aprendermos uns dos outros como se faz este caminho, no meio da incerteza”.
E diz o Padre José Manuel Pereira de Almeida que, neste campo,a Igreja Católica tem um lugar, fundamentalmente de cuidado, do acolhimento, do não julgar, do partir, com confiança”, pois a confiança “está na base da nossa experiência de fé”.
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Em suma, há que repensar o ser e agir da Igreja, nomeadamente a forma de celebrar, comunicar com as pessoas, acompanhá-las, nem sempre sob a forma de mestria, mas de aprendizagem conjunta na forma de enfrentar as crises multiformes, equacionar o seu papel na sociedade atual gerando humanidade e lutando pela melhoria de condições de vida das pessoas de modo que ninguém fique para trás nesta rota humana de peregrinos em que, por vezes, a poeira nem deixa ver o caminho, quanto mais a necessidade de acompanhar o outro e de cuidar dele.
Que o Espírito continue a falar à Igreja para que ela saiba, ouça, ensine e faça!
2020.06.05 – Louro de Carvalho    

sexta-feira, 17 de maio de 2019

Papa marcou encontro com jovens economistas para março de 2020

Na manhã de 11 de maio, foi divulgada uma carta do Papa Francisco, datada do dia 1 (Memória Litúrgica de São José Operário e Dia do Trabalhador), a convidar jovens economistas, empreendedores e empresários de todo o mundo a participarem com ele num evento e numa ‘aliança’ a ser consolidada em Assis, de 26 a 28 de março de 2020, como refere o Vatican News.
Porque a cidade de Assis é símbolo de humanismo e fraternidade, o Pontífice julga-a lugar apropriado para inspirar uma nova economia, pois ali, despojando-se de toda a mundanidade, São Francisco se tornou o ‘Poverello’, para escolher Deus como bússola da sua vida, fazendo-se pobre com os pobres e irmão de todos. Ora, a sua opção pela pobreza deu origem a uma visão económica que permanece atual, podendo dar esperança ao nosso futuro e beneficiar toda a nossa família humana e afigura-se necessária para equacionarmos o destino de todo o planeta, nossa Casa Comum ou “nossa irmã a Mãe Terra”, nas palavras de São Francisco no “Cântico do Irmão Sol”. Com efeito, como tudo está interligado, segundo a encíclica Laudato sì’, o Papa Francisco, renovando o seu apelo à prática dum modelo económico que seja fruto duma cultura de comunhão, baseada na fraternidade e na igualdade, realça que a salvaguarda do meio ambiente não pode ser dissociada da garantia da justiça para com os pobres e que Francisco de Assis é o exemplo notável do cuidado com os vulneráveis e de uma ecologia integral.Por outro lado, o Papa Bergoglio, acreditando nos jovens como capazes de ouvir os seus corações e de se sentirem parte duma cultura nova e corajosa, sem medo de enfrentar riscos e trabalhar para construir a nova sociedade onde se responde e não se viram as costas, assegura:
Universidades, empresas e organizações são laboratórios de esperança para criar novas formas de compreender a economia e o progresso, combater a cultura do desperdício, dar voz a quem não tem nenhuma e propor novos estilos de vida”.
Assim, o convite de Francisco dirige-se a todos os rapazes e moças de boa vontade, independentemente das diferenças de crença e de nacionalidade, para que participem no evento inspirados pelo ideal da fraternidade atenta sobretudo aos pobres e excluídos e se comprometam individualmente e em grupos, em termos de pacto comum, a cultivar juntos o sonho de um novo humanismo, que responda às expectativas dos homens e mulheres e ao projeto de Deus. E, lembrando a denominação do encontro – “Economia de Francisco” (“Economy of Francesco”) – que evoca o Santo Homem de Assis e o Evangelho que ele viveu em completa coerência, o Papa revela que a assunção do seu nome é fonte constante de inspiração: “São Francisco oferece-nos um ideal e, em certo sentido, um programa”.
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Após a carta-apelo do Papa, publicada no dia 11, foi apresentado na Sala de Imprensa da Santa Sé, em conferência de imprensa, o evento em que se prevê participarem 500 jovens de todo o mundo e fazerem com o Papa um “pacto” para mudar a economia. Na apresentação intervieram: o Cardeal Peter Turkson, Prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral; Monsenhor Domenico Sorrentino, Arcebispo-bispo de Assisi-Nocera Umbra-Gualdo Tadino; o Professor Luigino Bruni, Professor Ordinário de Economia Política na LUMSA (Libera Università Maria Santissima Assunta di Roma), Itália, e Consultor do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida; o Professor Engenheiro Stefania Proietti, Prefeito de Assis; e o Padre Mauro Gambetti, O.F.M. Conventual, Custódio do Sacro Convento de Assis.
Domenico Sorrentino diz que “o Papa virá apenas um dia e provavelmente será o do encerramento”. Luigino Bruni define o evento como “um festival de economia dos jovens com o Papa, jovens empresários, doutorandos ou pesquisadores, um meio-caminho entre Greta Thunberg e os poderosos da terra”. Peter Turkson fala duma economia social, ética e inclusiva. E Mauro Gambetti fala da pobreza e das iniciativas da preparação da Conferência.
Trata-se dum pacto para mudar a economia, pelo que o Papa quer encontrar quem estuda e pratica uma economia diferente. Na verdade, o primeiro Pontífice a assumir o nome do “Pobre de Assis”, quer encontrar na cidade da Província Eclesiástica da Úmbria:
Quem hoje se está a formar ou está a começar a estudar e praticar uma economia diferente, a que faz viver e não matar, inclui e não exclui, humaniza e não desumaniza, cuida da criação e não a depreda”.
A centelha que estimulou o entusiasmo do Papa foi acesa pela iniciativa de Luigino Bruni, entre os promotores da Economia de Comunhão do Movimento, dos Focolares, que falou ao Papa sobre a iniciativa, como referiu o Bispo de Assis. Com efeito, no passado dia 25 de abril, ao receber o Bispo Sorrentino e o Professor Bruni – revelou o prelado – o Santo Padre manifestou uma adesão entusiasta à “ideia de enfrentar os desafios da economia motivando a juventude”, pois “os jovens podem fazer a diferença”, já que são o futuro em todos os sentidos, também no futuro da economia”. E “um pacto com eles é vencedor”.
E, na carta, Francisco pede aos jovens que “estejam juntos e se conheçam” para, depois, “fazerem um ‘pacto’ para mudar a economia atual e dar uma alma à economia de amanhã”. Salientado a presença de muitas mulheres no comité de preparação, Bruni explicita:
São esperados pelo menos 500 jovens, metade deles empresários com idade inferior a 35 anos e metade doutorandos nas universidades de todo o mundo, incluindo a judaica. (…) Economia é uma palavra feminina, e as mulheres têm uma visão diferente dos homens sobre ela.”.
Na Sala de Imprensa foi apresentado o site já ativo, www.francescoeconomy.org e o logótipo do evento que representa, em forma circular e ao mesmo tempo aberta, “a conexão entre a salvaguarda do meio ambiente que não pode ser separada da justiça para com os pobres e da solução dos problemas estruturais da economia mundial”. A corda de três “nós” evoca o gesto profético de despojamento de São Francisco: “Da sua escolha de pobreza brota uma visão da economia que continua muito atual”.
Sendo já possível fazer a inscrição, sabe-se que, a partir de junho, será possível solicitar uma bolsa de estudos e, assim, favorecer jovens da África e da Ásia. Entre as novidades, conta-se um Prémio para a economia, que será concedido após a escolha de um júri formado por jovens.
Interpelado pelos jornalistas, o Bispo de Assis declarou que “daquilo que percebemos, o Papa estará em Assis apenas um dia e, com toda probabilidade, será no momento conclusivo”, a 28 de março. Mas advertiu que não está autorizado a dar certeza sobre isso, recordando que na carta, Francisco “não escreveu nada de preciso” sobre o assunto.
Será a quarta vez que o Papa irá a Assis, observa o prelado, que evoca o discurso de Bergoglio na Sala do Despojamento em 2013 e, depois, a carta que escreveu em 2017, por ocasião da construção de Santuário nascido no local em que o “Pobre de Assis”, “com seu gesto profético”, realizou não um ato antieconómico, mas um ato de fundação de uma economia alternativa”.
O Padre Mauro Gambetti, por sua vez, agradecendo ao Papa Francisco pela iniciativa “Economy of Francesco”, disse:
Havia necessidade de uma motivação a mais, de alguém – e quem melhor do que o Papa? – que acendesse uma chama para agrupar em torno a sua mensagem e aquela de Francisco de Assis, todos os homens de boa vontade”.
Entre as iniciativas implementadas pelo Sacro Convento na preparação do evento, Gambetti cita a transmissão “Con il cuore” e “Il Cortile di Francesco”, juntamente com um projeto de certificação de “ecologia integral”, realizado em conjunto com algumas universidades italianas – a Federico II, de Nápoles; a Alma Mater, de Bolonha; o Politécnico de Milão; e o Luiss de Roma – por meio da “oferta de experiências e conteúdos sobre os vários modelos de economia, com um apelo dirigido aos jovens para que se reúnam e façam nascer, compartilhando aquela que para eles seria a economia do futuro”.
E Gambetti garante que “todas as três famílias franciscanas deram a sua disponibilidade em apoiar de todas as formas a iniciativa do próximo mês de março” e que a contribuição específica dos seguidores de São Francisco não é só a de testemunhar e recomendar a “pobreza material”, mas também “a pobreza de coração, que não acaba nunca, e tem o seu ponto central na negação de si mesmo: uma espécie de grande portal que permite o acesso à fraternidade, à comunhão.
Quando o ponto de vista é o do pobre, todos têm o seu lugar: está-se bem na fraternidade, vive-se dessa maneira e compreende-se o verdadeiro significado da riqueza. E, “para aquele que mantém um coração pobre, também a riqueza encontra o seu significado” – conceitos que o Custódio do Sacro Convento esclareceu através do Vatican News, falando sobre a sua vocação para a vida consagrada e para a entrada no convento: “Eu, filho de um empresário, deixei tudo”.
Também o Prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, que patrocinará o evento de Assis, falou na apresentação do evento, explicando:
A economia que o Papa Francisco defende é uma economia social, circular, ética e inclusiva o que não deve ser confundido com uma economia socialista”.
“Economia social”, na aceção de Bergoglio, significa, segundo o eminente purpurado:
Uma economia que tem uma referência ao destinatário: uma economia que serve ao homem, à pessoa humana, como escreve o Papa na Laudato si e na Evangelii gaudium; uma economia inclusiva, que serve a todos os homens sem deixar ninguém”.
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Por seu turno, a 14 de maio, o Padre Andreas Lind, SJ, publicava no “Ponto SJ”, um texto em que refere que a Conferência apelará à coerência dum justo interesse pela economia que se mantém fiel à radicalidade das palavras de Jesus, “onde a economia sirva o homem, e não se sirva do homem”. E problematiza:
Se Jesus nos pede que não acumulemos ‘riquezas na terra’ (Mt 6,19), por que razão vem a Igreja dar conselhos sobre a atividade económica? De facto, quem afirma a impossibilidade de ‘estar [simultaneamente] ao serviço de dois senhores, pois ou odeia um e ama o outro, ou agradará a um e desprezará o outro’, parece desvalorizar os affaires económicos. Quem considera não ser possível ‘estar [ao mesmo tempo] ao serviço de Deus e do dinheiro’ (Mt 6,24), exigindo o serviço (exclusivo) de Deus, talvez tenha dificuldade em concluir um curso de economia.”.
No entanto, tendo em conta a carta-convite do Papa a estudantes de economia e a jovens empresários a refletir sobre a economia do futuro, entende que o evento de Assis constituirá oportunidade para “juntar sinergias na construção de uma economia sustentável que promova o ambiente e a pessoa humana”. E apoia-se no Evangelho e no magistério deste Papa:
Fiel ao Evangelho, o Sumo Pontífice convida-nos a viver uma espiritualidade incarnada. É nesse sentido que ele apela a uma ‘reanimação’ da economia, ‘atenta à pessoa e ao ambiente”. Já em 2016, num discurso dirigido aos membros do Movimento de Trabalhadores Cristãos, o Papa lembrou a ‘vocação ao trabalho’ pela qual o homem se realiza. Percebemos, nesse tal discurso, a coerência de um justo interesse pela economia que se mantém fiel à radicalidade das palavras de Jesus. Em sintonia com o ensinamento de Jesus, para quem é impossível servir simultaneamente ‘a Deus e ao dinheiro’, o Papa Francisco considera ‘o dever de formar (…) para um novo humanismo do trabalho onde (…) a economia sirva o homem, e não se sirva do homem.”.
E, sendo as palavras do Papa interpretação correta das passagens evangélicas citadas, realça:
“O dinheiro, a economia, deve estar ao serviço da lei da caridade: deve estar ao serviço do amor de Deus e do próximo”.
Ora, se a fé humaniza a comunidade dos fiéis – diz o jesuíta – deve libertar os crentes de todos os ídolos que aprisionam, de forma a adorarmos apenas o Criador. E, vislumbrando-se, no atual contexto, “o primado da economia sobre outros valores como uma idolatria desumanizante”, Francisco apela a uma “aliança” no “processo de mudança global” exigida pelo mundo de hoje. Neste sentido, o sacerdote jesuíta enuncia quatro princípios que a Conferência provavelmente aprofundará e discutirá com vista à sua aplicação:
- Preservação a Casa Comum. Face aos riscos inerentes aos danos causados ao planeta, o Papa relembra a encíclica Laudato Sì’ onde expressa o vínculo intrínseco entre a promoção da justiça e a conversão ecológica. E, ao eleger o ‘Poverello’ de Assis como exemplo de alguém consciente da importância duma “ecologia integral” e “humana”, faz ecoar a encíclica Caritas in veritate, do seu predecessor, no atinente ao combate à “cultura do desperdício” a realizar a partir duma espiritualidade que sente a terra como “irmã” e “mãe”:  “Louvado sejas, meu Senhor, por nossa irmã a mãe Terra” (cf Cântico do irmão sol).
- Dar mais espaço à lógica do dom. – Sem diabolizar maniqueisticamente as forças do mercado, “A economia de Francisco”  procurará formas de exprimir a fraternidade e o princípio da gratuitidade (cf Caritas in veritate §34). Embora aproveitando ao máximo as potencialidades do mercado na criação de riqueza, o horizonte cristão exige que se vá além do lucro e da justiça comutativa (cf Caritas in veritate §35). Como afirma Bento XVI, “a caridade supera a justiça e completa-a com a lógica do dom e do perdão”, pois “a ‘cidade do homem’ não se move apenas por relações feitas de direitos e de deveres, mas antes e sobretudo por relações de gratuitidade, misericórdia e comunhão” (cf Caritas in veritate §6).
- Estender a fraternidade para lá de credos e nacionalidades. Como a fé cristã adora a Trindade como comunhão de três pessoas distintas e unidas, o cristão é chamado a reconhecer-se como um ser de comunhão com Deus e com o próximo, sendo que as circunstâncias do nosso mundo tornam essa comunhão necessária à sua preservação. Não resolveremos sozinhos ou isolados em pequenos grupos os grandes desafios que somos chamados a enfrentar. Por isso, o Papa dirige-se além das fronteiras da Igreja, a todos os “homens de boa vontade”, para que superemos, juntos, os desafios, enquanto testemunhamos a fé num Deus que é comunhão. Assim, coerente com a fraternidade solicitada pela fé e pelas circunstâncias atuais, o Pontífice tem promovido o diálogo inter-religioso e o acolhimento de emigrantes ou refugiados.
- Começar pela assunção da responsabilidade individual. A mera enunciação de princípios gerais é perigosa: são vagos, permanecem no reino das ideias, raramente descem à prática. Por isso, Francisco apela à responsabilidade individual e sugere a mudança dos estilos de vida. Com efeito, cabe a cada um a capacidade de assumir um estilo de vida conforme à sustentabilidade da casa comum e ao respeito pela dignidade dos outros. (vf: https://pontosj.pt/especial/a-economia-de-francisco/).
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Obviamente, face a desafios como as guerras, as catástrofes, as migrações, o terrorismo ou as alterações climáticas, não basta a assunção da responsabilidade individual. Os desafios exigem uma concertação global através de mediações institucionais e políticas, mas que postulam a responsabilidade individual. Assim, a realização deste evento será um bom e interpelante ensejo de reflexão sobre o futuro. No entanto, cabe refletir questionando: Ultrapassarão os jovens economistas a lógica da economia de mercado, preponderante no ensino e na prática? Serão capazes de pôr um rótulo de morte nos projetos economicistas?  
2019.05.17 – Louro de Carvalho