Mostrar mensagens com a etiqueta Colégio. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Colégio. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 24 de julho de 2019

Novas tecnologias ao serviço do conhecimento


Segundo conta o “educare.pt”, a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) pôs a sua atenção no Colégio Monte Flor, em Carnaxide, escola privada do 1.º Ciclo do Ensino Básico, fundada em 1973, que se tornou estudo de caso e exemplo internacional. Com efeito, os alunos estão no centro de tudo e dispõem dos recursos digitais como uma ferramenta importante para conhecer e entender o mundo, para aumentar o conhecimento.
Neste sentido, aquele colégio português, constituído em referência internacional na utilização dos recursos tecnológicos na aprendizagem das crianças, defende e propõe uma aprendizagem individualizada, pois sabe que cada aluno tem talentos que devem ser valorizados, e integra as novas tecnologias nas aprendizagens diárias.  
A este respeito, o seu diretor pedagógico, Rui Lima, refere que o grande desafio não é ter alunos excecionais na utilização das tecnologias, mas alunos criativos e colaborativos, com espírito crítico, capazes de resolverem problemas reais. E faz um balanço altamente positivo ao dizer:
O processo de incorporação das novas tecnologias na aprendizagem já está amplamente disseminado em toda a comunidade educativa e apresenta uma maturidade que permite a inclusão das mesmas na generalidade das atividades desenvolvidas. Alunos, professores e encarregados veem a sua utilização como algo extremamente positivo e estas são encaradas por todos como uma ferramenta essencial à implementação de projetos e na aquisição de conhecimento e competências para o futuro”. 
O Colégio tem um historial de implementação de dinâmicas que envolvem o recurso às novas tecnologias educativas e a abordagens ativas no processo de aprendizagem, no quadro duma cultura escolar concretizada na forma de pensar, de estar e de agir dos diversos intervenientes no processo educativo, com a mira na adequada resposta da abordagem pedagógica à diversidade de talentos, capacidades e ritmos de aprendizagem. E o mundo digital não fica à porta, ao invés, faz parte integrante do processo educativo enformando a aprendizagem e, por conseguinte, alguns dos instrumentos de avaliação. Não obstante, o domínio das tecnologias não é um fim educativo, mas um meio para tornar os alunos “mais capazes e preparados para um mundo que pula e avança muito rapidamente”. 
Rui Lima sustenta a inconcebibilidade a ideia de ‘One Size Fits All’, “na medida em que cada ser humano evidencia caraterísticas muito peculiares, tanto no atinente às “suas habilidades” como “na forma de se relacionar com os outros e com o mundo e evidenciando até diferentes estilos de aprendizagem”. Na verdade, uma abordagem única para todos os casos não permitirá alcançar os objetivos pretendidos; não existe apenas um método correto nem uma solução adaptável a todas as situações, uma resposta cabal para todas as questões, necessidades e anseios; as respostas iguais para todos não servem de nada. Ao invés, a ‘Orga Systems’ fornece soluções que transcendem a abordagem do tamanho único e traz agilidade e dinamismo aos processos humanos. Assim, no horário semanal, há uma hora de tarefa para cada aluno por dia, com proposta de atividades individuais geridas pelas crianças que definem em que dia da semana as realizará cada uma delas, na lógica do “aprender a qualquer hora, aprender em qualquer lugar”. E o diretor pedagógico sublinha:
O caminho da Escola tem de ser este, em que o professor não pode querer que todos realizem as mesmas tarefas ao mesmo tempo e que aprendam todos ao mesmo ritmo. A escola tem de disponibilizar ferramentas de aprendizagem que permitam aos alunos a aquisição de conhecimentos ao seu próprio ritmo, mas desafiando-os a desenvolverem projetos onde esses conhecimentos possam ser aplicados.”. 
Considerando que as crianças de hoje – os chamados nativos digitais – estiveram, estão e estarão constantemente rodeadas de tecnologia, sabemos que afastá-las desse mundo é retirá-las do mundo em que vivem e isso não resulta. Não obstante, Rui Lima adverte para uma ideia feita não correspondente à realidade, discorrendo:
Também há uma ideia, quanto a mim errada, de que os alunos dominam todas estas ferramentas digitais. Isso não é verdade, apesar de haver, de facto, uma enorme facilidade por parte das crianças em assimilarem a forma de utilizar os dispositivos. Mas dominar os dispositivos não significa dominar as ferramentas. É necessário os alunos saberem como utilizar os tais dispositivos para a realização de tarefas do dia-a-dia, ou para promoveram a sua aprendizagem e aumentarem a sua produtividade.”. 
De facto, como algumas vezes me foi dado observar, as crianças e adolescentes sabem mexer na ferramentas digitais devido à curiosidade, que leva a mexer, ao proveito que podem tirar do seu usufruto e do entretenimento que possa resultar da sua utilização. Assim, na maior parte dos casos, os apetrechos servem para conversação, jogos, envio de mensagens de conteúdo e forma bem criticáveis, ouvir música. Mas só em casos raros é que os preditos utilizadores, mesmo alunos de informática, resolvem situações complexas a pedido de adultos. E estão à vontade, porque, se estragarem material, o encarregado de educação manda arranjar e paga. É óbvio que há exceções e alguns dominam as ferramentas e até fazem programação.     
Por isso, é pertinente que os alunos saibam que ferramentas usar para resolver determinado problema ou para a criação dum determinado produto. Têm de estar preparados para transitarem rapidamente duma tecnologia para outra mais avançada. E devem ser “capazes de refletir acerca do impacto destas tecnologias e da permanente mudança nas nossas vidas e na sociedade, contribuindo individual ou colaborativamente para um mundo melhor” diz Rui Lima vinca:
No fundo, o desafio não é ter alunos excecionais na utilização da tecnologia, mas sim ter alunos criativos e colaborativos, capazes de revelarem espírito crítico, adaptabilidade, capacidade de resolução de problemas reais e conscientes de que a tecnologia desempenha um papel muito importante nas nossas vidas”.
***
Há efetivamente o risco de considerar as novas tecnologias como um fim em si mesmas e não meios adequados e úteis para atingir os nossos objetivos, designadamente os respeitantes ao conhecimento e, neste âmbito, ao saber ser, ao saber estar, ao saber fazer, à acumulação dos saberes teóricos, práticos e teórico-práticos, à atitude crítica e cooperante, ao desenvolvimento de capacidades, competências e habilidades. Sempre assim sucedeu. Por exemplo, sempre se considerava, na ótica de alguns, mais importante passar a escrever no caderno de uma linha ou no caderno diário do que o teor do que se escrevia; sempre se pensou mais importante saber ler e escrever (fazer ditado, cópia…) do que ter em conta os conteúdos. E sempre se considerou como o melhor e quase único, para uns, o método global da leitura e, para outros, o método analítico.         
Assim, também hoje mal se sabe escrever a lápis e caneta ou desenhar à mão – com mesa, papel, lápis, régua, carro e candeeiro. O computador, com programas de escrita, cor, posições, desenho e audiovisual, serve para tudo e tudo substitui. Até usamos a assinatura digital!  
Ora, as tecnologias são uma poderosa ferramenta na Educação do século XXI. Automação, inteligência artificial, nanotecnologia, são conceitos que fazem parte da linguagem corrente, já não são inacessíveis ou fechados num mundo de ficção científica. Muito se mudou no mundo.
O referido diretor pedagógico defende que é preciso acordar para esta realidade, sustentando:
A Escola não pode permanecer fechada em si mesma, agarrada a um modelo que se baseia única e exclusivamente na transmissão e memorização de conhecimentos. O conhecimento continua a ser extremamente importante, mas devemos desafiar os alunos a utilizarem a tecnologia para investigarem, para resolverem problemas, para criarem produtos finais de um determinado projeto.”.
O Colégio escolheu várias ferramentas de trabalho que incorpora no dia-a-dia da aprendizagem. A utilização do OneNote e da Escola Virtual permitem, por um lado, partilhar com os alunos recursos que se ajustem às suas caraterísticas e capacidades, garantindo também uma maior autonomia no processo de aprendizagem. A utilização, por exemplo, dum bloco de notas digital possibilita a exploração de diferentes recursos, uns mais interativos, outros menos, cabendo ao aluno a decisão de explorar os que se ajustem melhor ao seu estilo de aprendizagem. E a utilização duma plataforma como a Escola Virtual faculta ao aluno um maior nível de autonomia, podendo aprender os vários conteúdos de forma independente, com recursos apelativos, bem como permite ao professor a avaliação e a monitorização das aprendizagens que o aluno está a fazer. 
Parece não se aplicar ao Colégio em referência o aforismo “primeiro estranha-se e depois entranha-se”, como não se aplica em relação à utilização das tecnologias, muito menos na utilização de abordagens pedagógicas mais centradas no aluno.
A este respeito, deve dizer-se que Maria Albertina Vidal, fundadora do Colégio, há 46 anos, tinha já uma visão voltada para a inovação, para a mudança e para a permanente articulação da escola com o mundo. Na verdade, como confessa, o processo de inovação acontece com naturalidade. E Susana Vidal, diretora do Colégio, diz, com regularidade, que são sempre as pessoas que podem diferenciar a escola, não a utilização da tecnologia ou as metodologias inovadoras. Com efeito, o que faz a diferença é a existência generalizada de alunos empenhados, pais participativos, professores e auxiliares dispostos a fazer sempre melhor.
O mundo está em permanente mudança, está cada vez mais tecnológico, está cada vez mais digital. As competências nesse campo são hoje fundamentais e a escola não pode ignorar essa realidade. E Rui Lima conclui:
Tendo a Escola como uma das suas principais funções a preparação para a vida ativa na sociedade, manter a criança afastada da tecnologia durante o tempo em que está na escola é, usando um termo também ele muito tecnológico, desconectar a criança do mundo real. No entanto, trabalhar com as novas tecnologias não significa colocar as tecnologias no centro de todo o processo, mas sim usá-las como poderosa ferramenta de auxílio aprendizagem. E é precisamente esta distinção que é preciso fazer.”.
De facto, o mundo mudou e está em permanente mudança, mas as pessoas mantêm as mãos e os dedos, os pés, os olhos e os ouvidos; o mercado mantém as canetas, os lápis e as borrachas, os compassos, os esquadros e os transferidores, os papéis, os livros, os jornais e as revistas, os diversos instrumentos musicais – um conjunto de recursos que podem constituir uma alternativa possível à ditadura das novas tecnologias, com outro sabor e a travar quer a obstipação tecnológica, quer a diarreia tecnológica.
Também a escola tem o papel relevante de impedir que as tecnologias escravizem as crianças, os adolescentes, os jovens e os adultos. Tão má é a infoexclusão como a elefantíase tecnológica.
Aliás, a escola tem de pôr os alunos a pensar e a ser livres de tudo e de todos. Pouco importa se os alunos estão no centro de tudo (Hoje essa bandeira já diz pouco!), se é o currículo ou os professores. Não podemos passar da iliteracia tecnológica para a hipertrofia tecnológica, até porque daqui por uns anos pode muito bem acontecer que mais e melhores novas tecnologias sejam inventadas ou que se retorne, pelo menos em parte, às antigas tecnologias: também eram tecnologias! Não me digam que os antigos engenheiros e arquitetos não eram tecnólogos ou que as técnicas de arar com charrua e arado de pau não implicavam um saber técnico da parte dos utilizadores e tecnológico da parte dos inventores, construtores e consertadores. Não convocavam conhecimentos de grande complexidade o trabalhar e assentamento da pedra nos castelos e nas catedrais e a tomada de juntas com a areia fina e a cal hidráulica?
***
O “educare.pt” postou, a 19 de julho, artigo com teor a que se assemelha o presente texto. Logo no dia 20, o Prof. Raul Guerreiro, fez ao texto um comentário sob a epígrafe “Mundo em permanente mudança”.
Diz o eminente pedagogo quealguns passos no texto demonstram a falácia subjacente, que pretende ostentar um óbvio ululante, a fim de defender algo como um brilho filosófico-científico” ironizando a mudança apregoada como se fora novidade:
Também podíamos lembrar, com a mesma ênfase e seriedade, que a terra está em permanente rotação, que os dias e as noites se sucedem permanentemente, que o mundo translada ao redor do sol permanentemente, e as quatro estações se sucedem também permanentemente, etc.”.
E, sobre a asserção de que “o mundo está cada vez mais tecnológico, cada vez mais digital”, como se isso fosse “um destino universal inevitável”, aduz:
Vai-se aqui buscar um recanto da realidade materialista tecno-industrial para definir uma suposta necessidade imperativa da educação, vinda puramente da instrumentação tecnológica. Ora, em termos de ‘cada vez mais’ podíamos também salientar coisas mais avassaladoras e científicas: o mundo está cada vez mais deteriorado na sua constituição física e fundamental para a vida – o meio ambiente; o mundo está cada vez mais inundado por violência, imoralidade e degradação da empatia inter-humana chamada civilização; a qualquer momento, em algum laboratório no mundo, será criado o primeiro ser humano originado de uma retorta; o mundo está cada vez mais mergulhado em estados psíquicos patológicos que afetam milhões de seres humanos; os habitantes do mundo estão todos (não interessa a cultura, religião, língua e situação geográfica ou económica) cada vez mais confrontados com um aflitivo estado de alma coletivo marcado por um ateísmo doentio, insegurança quanto à razão de se ter nascido e viver, e desorientação perante todas as perspetivas para o futuro.”.
Não me parece que o diretor pedagógico do Colégio em referência queira inferir que a educação só se consiga a partir do uso das novas tecnologias ou que o seu uso tenha de ser um imperativo universal em educação. Por outro lado, não creio que Rui Lima ignore as outras mudanças e situações que perpassam o mundo e que não lamente algumas delas, mas a adução da inundação tecnológica apenas quer dizer que seria um erro não aproveitar as vantagens que as novas tecnologias podem trazer à educação e ao conhecimento e que, afastando-se a educação e o conhecimento de tais poderosos recursos, ficaria a escola a falar sozinha e as crianças e jovens viveriam entretidos até às últimas, sem orientação e de costas voltadas para a escola.  
É certo que o diretor pedagógico, ao dar a cara pelas novas tecnologias, parece fazer pouco caso dos outros recursos e esquecer que as outras escolas também apostam no conhecimento e nos valores. Porém, não tem que se dizer tudo para se estar aberto a tudo.        
Porém, é verdade, com diz o comentador, que as que elenca “são as realidades maiores que deveriam ditar os passos para o mundo educacional”, o que não quer dizer, do meu ponto de vista, que, “em vez disso” se vá cantando o fado ao mundo digital (“uma irrealidade de natureza eletrónica” – diz o comentador) “num delírio de busca de soluções oportunistas”. Mas não é verdade que haja uma dicotomia funda e fraturante entre o produto humano do mundo digital e o do mundo analógico. Todavia, concordo – e dei-o a entender em comentários que fiz acima – “dentro de algumas décadas, após se constatar que espécie de cidadãos robóticos e autistas resultaram desta escravatura a uma verdadeira tecno-ideologia combinada com interesses multinacionais da ordem de biliões de euros”, se venha a lamentar a “maravilhosa digitalização dos jardins de infância e escolas básicas” como um pesadelo semelhante às ditaduras que já assolaram (e continuam a assolar) o mundo”.
Ora, mais do que tudo, importa eliminar o analfabetismo, não a mascará-lo, e levar as pessoas a pensar por si mesmas com autonomia e sentido crítico e de responsabilidade.  
2019.07.23 – Louro de Carvalho

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Um padre pendilhense reitor do Pontifício Colégio Português, em Roma

Constitui uma prova de confiança da Santa Sé e da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) a nomeação do Padre José Alfredo Gonçalves Patrício, da Diocese de Lamego, para Reitor do Pontifício Colégio Português.
Com efeito, em comunicado enviado, no passado dia um de dezembro à agência Ecclesia, é referido pelo Padre Manuel Barbosa, secretário da CEP, que, por indicação de Dom Manuel Clemente, comunicava que “a Congregação para o Clero, por Decreto de 30 de novembro e tendo em conta o parecer favorável da Conferência Episcopal Portuguesa e o acordo do Bispo de Lamego, nomeara o Padre José Alfredo Gonçalves Patrício, da Diocese de Lamego, Reitor do Pontifício Colégio Português em Roma, que assim sucede ao Padre José Fernando Caldas, da diocese de Viana do Castelo, e que tomará posse no próximo dia 14 de dezembro.
O sacerdote, de 38 anos, é especialista em Direito Canónico e era até agora defensor do vínculo e promotor de justiça no Tribunal Interdiocesano Vila-realense.
Também em comunicado enviado à Agência Ecclesia, a “comunidade do Colégio alegra-se com a nomeação do novo reitor” e informa que, “juntamente com o vice-reitor, Padre Jorge Miguel Lopes Ferreira, nomeado em setembro último, o novo reitor vai tomar posse no dia 14 de dezembro, na presença do secretário da Congregação para o Clero, D. Patrón Wong.
O Padre José Alfredo nasceu a 25 de setembro de 1979, estudou Filosofia e Teologia em Roma, onde concluiu o mestrado em Direito Canónico, na Pontifícia Universidade da Santa Cruz; ordenado sacerdote no dia 30 de julho de 2005, na Diocese de Lamego, está agora a concluir o doutoramento em Direito Canónico na Pontifícia Universidade de Salamanca, em Espanha.
Na Diocese de Lamego, o novo Reitor do Pontifício Colégio Português foi pároco de Moura Morta, Cujó, Monteiras e Almofala, de Castro Daire; diretor do Gabinete de Imprensa da diocese; e, além de Defensor do Vínculo e Juiz do Tribunal Eclesiástico de Vila Real, foi vogal da direção da Associação Portuguesa de Canonistas.

O Pontifício Colégio Português, em Roma, foi criado pela Carta Apostólica ‘Rei catholicae apud lusitanos’, de 20 de outubro de 1900, do Papa Leão XIII, para alojar os padres enviados para Roma pelos seus bispos ou superiores, com o objetivo de aprofundarem os estudos nas várias áreas do saber humano e teológico.
E o comunicado enviado pelo Pontifício Colégio Português conclui que “à nova Direção se assegura, por parte de todos os membros da comunidade sacerdotal, a certeza da oração e da colaboração para que o Colégio possa continuar a sua missão eclesial ao serviço da Igreja de Portugal e de tantas outras Igrejas irmãs espalhadas pelo mundo”.
***
O Pontifício Colégio Português é uma instituição de ensino, a nível de residência e estudo – ali não se ministram aulas, mas os colegiados têm ali a sua vida de piedade, a vida comunitária e, eventualmente palestras e recoleções –, para os sacerdotes, originalmente portugueses, mas posteriormente alargada a outras proveniências, que são enviados para Roma pelos seus Bispos para continuarem os estudos eclesiásticos. Quando foi criado, o universo das proveniências para o Colégio abrangia as dioceses da metrópole e as das colónias ou territórios ultramarinos, que a predita Carta Apostólica chama dioceses “transmarinas”. Agora, os alunos vão das dioceses de Portugal e dos territórios que têm afinidades linguísticas e culturais com Portugal, nomeadamente as das ex-colónias.
Com o apoio da Santa Sé, dos Bispos Portugueses e do próprio Rei de Portugal, foi constituída uma comissão de fundadores, entre os quais se destacam os Viscondes de São João da Pesqueira Dom Luís Maria de Sousa Vahia Rebelo de Morais e sua esposa, Dona Maria Adelaide Pinto da Silva, Dom António José de Sousa Barroso, então Bispo de Meliapor e que, depois foi Bispo do Porto, Monsenhor José de Oliveira Machado, Reitor do Instituto Português de Santo António, em Roma, o cavaleiro António Braz e os padres estigmatinos italianos Gui Guzzatti e Ricardo Tabarelli, que pretendia fundar um Colégio Português destinado à formação de clérigos “tanto do Reino de Portugal como do Ultramar”.
Inspirados pelas palavras da Irmã Maria do Divino Coração Droste zu Vischering, a Madre Superiora do Convento do Bom Pastor do Porto, sobre a necessidade da formação do clero, que ao tempo era muito deficitária, e do enorme bem que disso resultaria, os Viscondes da Pesqueira visitaram o Santo Padre no dia 18 de julho de 1898, manifestando-lhe a sua inspiração para a fundação do referido Colégio, e, no dia 22 de janeiro de 1899, o Cardeal Secretário de Estado do Vaticano escreveu uma carta à comissão promotora com a exortação a que avançassem com o projeto. A ereção canónica do Pontifício Colégio Português foi concedida, como se disse, a 20 de outubro de 1900 pelo Papa Leão XIII. E a missa inaugural foi celebrada por Dom Teotónio Vieira de Castro, recém-nomeado Bispo de Meliapor, que consagrou o Pontifício Colégio Português ao Sagrado Coração de Jesus sob indicação da Beata Maria do Divino Coração, a quem ficou, inclusive, ligada a fundação do próprio Colégio e cujo retrato figura num quadro num dos salões nobres para lhe prestar a devida homenagem.
Juridicamente falando, o Pontifício Colégio Português está simultaneamente dependente da Santa Sé e do Episcopado Português, sendo o seu Reitor nomeado por aquela, mas sob proposta dos Bispos de Portugal. Por seu lado, o seu Vice-Reitor e demais responsáveis são nomeados pela Conferência Episcopal com a anuência de Roma.
***
A 8 de maio de 2017, o Papa Francisco visitou a comunidade do Colégio dias antes da sua partida para Fátima “onde há 100 anos apareceu Nossa Senhora aos três Pastorinhos” – encontro que “foi para eles uma experiência de graça que os fez enamorar-se de Jesus” e em que Maria, “como terna e boa Mestra”, os introduziu “no conhecimento íntimo do Amor trinitário” e os levou “a saborear Deus como a mais bela realidade da existência humana”. E era aquilo que o Papa desejava para todos os membros daquela comunidade. Acima de qualquer outro objetivo que os tenha trazido a Roma e ali os retenha, Francisco colocava este: “conhecer e amar Cristo […] procurando conformar-se cada vez mais com Ele até ao dom total de si próprio”.
E prosseguia apelando ao crescimento contínuo de todos e de cada um no caminho da consagração sacerdotal, inspirados na vida dos pastorinhos e confiados na proteção de Maria:
Concretamente vós, caros presbíteros, sois chamados a progredir, sem descanso, na vossa formação cristã e sacerdotal, pastoral e cultural. Qualquer que seja a vossa especialização académica, a vossa primeira preocupação deve ser sempre a de crescer no caminho da consagração sacerdotal, mediante a experiência amorosa de Deus: um Deus próximo e fiel, como O sentiram os Beatos [agora ‘santos’] Francisco e Jacinta e a Serva de Deus Lúcia. Hoje, contemplando a sua vida humilde e, contudo, gloriosa, somos levados a confiar-nos, também nós, aos cuidados da mesma Mãe. E não se trata de uma novidade. Rezamo-lo sempre na mais antiga antífona latina de Nossa Senhora: ‘Sub tuum praesidium confugimus, Sancta Dei Genitrix’. Convida-nos precisamente a procurar refúgio sob o manto d’Ela, uma mãe que nos toma pela mão e nos ensina a crescer no amor a Cristo e na comunhão fraterna.”.
E, no seguimento das palavras do Reitor, disse falando da Mãe e do que se pode aprender com Ela junto do Coração de Cristo a quem foi consagrado o Colégio:
Gostei de ouvir o Padre Caldas dizer que desde 1929, na Capela do Colégio, o olhar da Mãe de Deus acompanha as súplicas de quem se aproxima do altar. Olhai para Ela e deixai-vos olhar por Ela, porque é vossa Mãe e vos ama muito; deixai-vos olhar por Ela, para aprender a ser mais humildes e também mais corajosos em seguir a Palavra de Deus; para acolher o abraço do seu Filho Jesus e, fortes por esta amizade, amar cada pessoa segundo o exemplo e a medida do Coração de Cristo, ao qual foi consagrado o Colégio, encontrando n’Ele vida, esperança e paz. Olhemos, irmãos e irmãs, para a nossa Mãe, que está no coração de Deus. O mistério desta jovem de Nazaré não nos é estranho. Não é ‘Ela ali e nós aqui’. Não, estamos ligados. Com efeito, Deus poisa o seu olhar de amor (cf Lc 1,48) também sobre cada homem e cada mulher, com nome e apelido! O seu olhar de amor está sobre cada um de nós.”.
Depois, falou da relação com Nossa Senhora e com a Igreja, relações similares:
A relação com Nossa Senhora ajuda-nos a ter uma boa relação com a Igreja: ambas são Mães. Vós conheceis, acerca disto, o comentário de Santo Isaac, o abade da Estrela: o que se pode dizer de Maria pode dizer-se da Igreja e também da nossa alma. As três são femininas, as três são mães, as três dão vida. Por isso, é preciso cultivar uma relação filial com Nossa Senhora, porque, se esta falta, há algo de órfão no coração. Um padre que se esquece da Mãe, e sobretudo nos momentos de dificuldade, tem falta de alguma coisa. É como se fosse órfão, apesar de na verdade não o ser! Esqueceu-se da sua mãe. Mas, nos momentos difíceis, a criança vai ter com a mãe, sempre. E a Palavra de Deus ensina-nos a ser como crianças desmamadas no colo da mãe (cf Sl 131,2).”.
Concluiu, desejando que a comunidade colegial seja um viveiro de apóstolos e rezando à Senhora para que os ensine no essencial – “crer, adorar e esperar”:
Desejo que a vossa comunidade sacerdotal continue a ser um viveiro de apóstolos, ponto de união das Igrejas dos vossos países com Roma, unidos na caridade e no testemunho vivo do amor de Deus pela humanidade. Com estes votos do melhor futuro para o Pontifício Colégio Português, transmito do coração aos Superiores, aos estudantes, aos colaboradores e às vossas famílias a Bênção Apostólica. E rezo a Nossa Senhora de Fátima para que vos ensine a crer, adorar e esperar como os Beatos Francisco e Jacinta e a Serva de Deus Lúcia.”.
 E não deixou de pedir como em Francisco já é proverbial:
E, por favor, não vos esqueceis de rezar por mim”.
***
Se não é a primeira vez que a diocese de Lamego fornece um sacerdote para Reitor do Pontifício Colégio Português – recordo o saudoso Monsenhor Manuel Cardoso Carvalho, de Penso, Sernancelhe – é a primeira vez que os pendilhenses veem lá um dos seus conterrâneos.
Só se deseja que o Padre José Alfredo Patrício cuide daquele viveiro de apóstolos e os torne servidores de uma Igreja fiel, acolhedora, livre, pobre de meios, rica de amor e misericórdia e missionária. Que os padres sejam cultos, santos e servos e nunca donos disto tudo.

2017.12.06 – Louro de Carvalho