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sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Santuário Fátima de encerra Ano Jubilar do Centenário das Aparições

No próximo dia 26 de novembro, em que se assinala a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, o Santuário de Fátima promove a jornada de encerramento do Ano Jubilar do Centenário das Aparições. O programa terá início às 10 horas com a recitação do Rosário na Capelinha das Aparições, a que se seguirá a Celebração Eucarística na Basílica da Santíssima Trindade pelas 11 horas. No final da Celebração Eucarística, haverá procissão até à Capelinha onde será feita a consagração a Nossa Senhora. E, pelas 17,30 horas, a Basílica de Nossa Senhora do Rosário acolherá a celebração da hora litúrgica de Vésperas.
As celebrações serão presididas por Dom António Marto, bispo da diocese de Leiria-Fátima, mas, desta vez, na qualidade de Delegado Pontifício, por indicação do Papa Francisco.
O Papa concedeu ao Santuário um Ano Jubilar, no contexto dos 100 anos das Aparições, com indulgência plenária, entre o dia 27 de novembro de 2016 e 26 de novembro de 2017.
A indulgência é definida no Código de Direito Canónico (cf cân. 992) e no Catecismo da Igreja Católica (n. 1471) como “a remissão, perante Deus, da pena temporal devida aos pecados cuja culpa já foi apagada; remissão que o fiel devidamente disposto obtém em determinadas condições pela ação da Igreja”.
A Penitenciaria Apostólica, que decretou que o Ano Jubilar do Centenário encerrasse a 26 de novembro, especificou a concessão da indulgência plenária. Concedeu a todos os bispos, presbíteros e diáconos, religiosos e religiosas, bem como a todos os fiéis leigos presentes, que participassem nas celebrações como verdadeiros penitentes a Bênção Papal, com a correspondente indulgência plenária nas habituais condições. Os peregrinos que, por outras circunstâncias, não pudessem estar presentes mas acompanhassem através dos meios de comunicação social, podiam obter também a indulgência plenária segundo as normas canónicas.  Mais: a indulgência plenária do jubileu foi concedida neste período a quem visitasse em oração o Recinto da Cova da Iria, pela veneração duma imagem de Nossa Senhora de Fátima ou aos idosos ou doentes que se unissem “espiritualmente às celebrações jubilares”.
A indulgência plenária foi assim concedida “aos fiéis que visitam em peregrinação o Santuário de Fátima e aí participam devotamente em alguma celebração ou oração em honra da Virgem Maria, rezam a oração do Pai-Nosso, recitam o símbolo da fé (Credo) e invocam Nossa Senhora de Fátima”. O documento da Penitenciaria Apostólica indicava que poderiam receber essa indulgência “fiéis piedosos que visitarem com devoção uma imagem de Nossa Senhora de Fátima exposta solenemente à veneração pública em qualquer templo, oratório ou local adequado, nos dias do aniversário das aparições (dia 13 de cada mês, desde maio a outubro de 2017), e aí participarem devotamente nalguma celebração ou oração em honra da Virgem Maria, rezarem a oração do Pai-Nosso, recitarem o símbolo da fé (Credo) e invocarem Nossa Senhora de Fátima”. E as pessoas impedidas de se deslocarem por “idade, doença ou outra causa grave” puderam receber essa indulgência “frente a uma pequena imagem de Nossa Senhora de Fátima” unindo-se “espiritualmente às celebrações jubilares” nos dias das aparições.
O Ano Jubilar do Centenário das Aparições de Nossa Senhora foi solenemente inaugurado a 27 de novembro de 2016, com a passagem pelo Pórtico Jubilar e com a celebração da Eucaristia dominical na Basílica da Santíssima Trindade, por ser um ano de especial graça.
Dizia o reitor do Santuário de Fátima por ocasião da jornada de abertura:
O Ano Jubilar é um ano de compromisso com Deus e com os irmãos, acolhendo os desafios da mensagem de Fátima e o exemplo de vida dos pastorinhos”.
E explicava o sentido das celebrações centenárias:
Ao celebrarmos o grande acontecimento de Fátima, damos graças a Deus por todas as bênçãos que Ele derrama sobre nós em Fátima, através da mensagem transmitida neste lugar e dos seus protagonistas”.
No passado dia 13 de outubro, o bispo da diocese de Leiria-Fátima encerrou as celebrações do Centenário, numa sessão em que esteve presente o Presidente da Republica e que decorreu na Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima. Afirmou Dom António Marto na altura:
Hoje, estamos aqui a viver um momento histórico e único para Fátima, para a Igreja, para Portugal e para todos os peregrinos de Fátima, o encerramento solene do Centenário das Aparições”.
O prelado falou num “itinerário de festa”, para públicos variados, e num momento de ação de graças pelo facto de Fátima “se ter espalhado pelo mundo inteiro deixando um rasto de luz e de esperança”. Estima-se que participaram nas celebrações centenárias cerca de 50 milhões de peregrinos e terão passado mais de 70 milhões de pessoas pelo Santuário ao longo dos últimos sete anos.
Mas a partir do dia 2 de dezembro, começa um novo ciclo, agora de três anos, que pretende dar continuidade a esta dinâmica.
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Para iniciar este ciclo pós-centenário, o Santuário de Fátima inaugura o novo ano pastoral no dia 2 de dezembro, com uma jornada de abertura que se realizará no salão do Bom Pastor, no centro Pastoral de Paulo VI, entre as 15 e as 17 horas.

A jornada de abertura do novo Ano Pastoral contará com as participações do Padre Carlos Cabecinhas, reitor do Santuário de Fátima, no início, e a intervenção do bispo da diocese de Leiria-Fátima, Dom António Marto, no final. Durante a sessão haverá, ainda, três momentos a registar: a apresentação do tema do ano, pelo professor da Universidade Católica José Rui Teixeira, seguindo-se um apontamento musical pela Schola Cantorum Pastorinhos de Fátima, sob a direção da maestrina Paula Pereira e, finalmente a apresentação do n.º 8 da Revista Cultural Fátima XXI, pelo Diretor do Serviço de Estudos e Difusão, Marco Daniel Duarte.
Este tempo, que agora se abre, foi olhado pelo Santuário de Fátima no horizonte de um triénio e o itinerário delineado, propõe-se, precisamente, prolongar e aprofundar o Centenário das Aparições e promover a consolidação dos dinamismos criados, propiciadores de tão bons frutos, sob a égide do reconhecimento do dom recebido e do compromisso pelo seu acolhimento.
Concluído o Centenário, num itinerário de sete anos, e o Ano Jubilar no ano centenário, o Santuário quis abrir agora um novo Ciclo de três anos, intitulado genericamente como “Tempo de Graça e misericórdia”, que sugere para cada ano um tema específico.
O primeiro, no qual agora entramos, apela à vivência entorno do tema “Tempo de graça e misericórdia: dar graças pelo dom de Fátima”, sublinhando a consciência do dom recebido, iniciativa gratuita e amorosa de Deus. O segundo, 2018-2019, percorrer-se-á à luz de “Tempo de graça e misericórdia: dar graças por peregrinar em Igreja”, evocando a dimensão eclesial deste dom à Igreja e à humanidade, para a Igreja e para o mundo. Finalmente, o ano de 2019-2020, entonado pela vocação à santidade, dom e tarefa, será designado por “Tempo de graça e misericórdia: dar graças por viver em Deus”.
Quer dizer, mantém-se a ideia de fundo para os três anos tendo cada um uma ideia subliminar.
Com este percurso, o Santuário deseja fazer memória dos momentos de graça que pautam a centenária história do acontecimento de Fátima, procurando avivar a consciência do dom que este acontecimento é para a contemporaneidade.
Ao triénio associam-se  também determinados acontecimentos que, mesmo se assinalados nas datas próprias, oferecem o contexto transversal aos três anos pastorais: a restauração da Diocese de Leiria, ocorrida em 17 de janeiro de 1918; a morte de Francisco Marto, em 4 de abril de 1919; a edificação da Capelinha das Aparições, nos meses primaveris de 1919; a morte de Jacinta Marto, em 20 de fevereiro de 1920; a construção da escultura de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, neste mesmo ano; e, ainda em 1920, o início do labor pastoral de Dom José Alves Correia da Silva como bispo de Leiria.
A Jornada de Abertura do Novo Ano Pastoral terá transmissão em direto na página do Santuário de Fátima em www.fatima.pt, transmissões on line.
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A importância espiritual e eclesial de Fátima pode perceber-se pelo que disse o Reitor do Santuário no passado dia 19 de novembro. Segundo o que Padre Carlos Cabecinhas disse aos peregrinos, “é com a nossa voz que Jesus Cristo faz chegar a Sua voz e solidariedade”.
Questionando os peregrinos sobre o que fazem aos “talentos que Deus dá”, o reitor disse que Francisco e Jacinta Marto tiveram vontade de fazer render o talento de Deus”. E porfiou:
 “Todos somos testemunhas de Jesus Cristo, é com a nossa voz que Jesus Cristo faz chegar a Sua voz e solidariedade; Temos de ter a dignidade de fazer render este tesouro e tomar consciência desta enorme responsabilidade”.
Alertando para a “vinda do Senhor”, para a qual estaremos “vigilantes e sem medo”, desafiou:
Como preparamos a vinda do Senhor? Com confiança ou medo? Com compromisso ou apatia? Jesus, antes da ascensão ao Céu, entregou-nos os Seus talentos, a sua palavra, o Evangelho, o seu amor, os valores evangélicos. O que estamos a fazer a estes bens? Fazemos frutificar na nossa vida a Sua palavra e os Seus ensinamentos? Deixamos que a indiferença e o medo tomem conta de nós?”.
E, lembrando que “o apelo à conversão” na Mensagem de Fátima tem “sentido de vigilância, desafio a vencer o comodismo e a rotina”, destacou:
A mensagem de Fátima exorta-nos a não nos acomodarmos na vivência da nossa fé, a não cruzarmos os braços e a sermos criativos”.
O reitor apresentou como exemplo Francisco e Jacinta Marto que “receberam exortações e pedidos, acolheram esse dom e fizeram-no frutificar”. “Os pastorinhos não se acomodaram, não enterraram o talento. Foram criativos na procura do bem e na vontade de Deus”.
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O impacto de Fátima e das suas celebrações na Igreja e no Mundo pode avaliar-se pelas publicações que lhe dão relevo. Como exemplo entre tantas, apresenta-se a ‘Communio’, Revista Internacional Católica que dedica o seu mais recente número ao Centenário das Aparições em Fátima, para refletir sobre o seu “significado, alcance e atualidade” dos acontecimentos de 1917.
Os responsáveis por aquela publicação internacional explicitam que ela “não podia deixar de se associar à celebração” e reflexão dos 100 anos das aparições de Nossa Senhora na Cova da Iria. O Bispo de Leiria-Fátima, Dom António Marto, escreve um artigo sobre atualidade e mensagem em ‘Fátima hoje’ onde enumera caraterísticas que interpelam a Igreja e o mundo. O Cardeal Patriarca de Lisboa, Dom Manuel Clemente assina o estudo de Teologia Histórica sobre ‘Fátima no contexto do catolicismo contemporâneo’. O número tem também dois artigos do então diretor da revista, Padre Henrique de Noronha Galvão, que faleceu no passado dia 24 de outubro: ‘Para uma teologia de Fátima. Cem anos depois’ analisa as “grandes linhas do apelo à fé”; ‘O Rosário Revisitado’ propõe uma “nova maneira de distribuir e meditar os mistérios de Jesus Cristo. Dom Carlos Azevedo, delegado do Conselho Pontifício da Cultura (Santa Sé), escreve sobre o contexto histórico, nacional e internacional em ‘as condições históricas das visões de Fátima e a afirmação da religiosidade popular (1917-1942)’.
Os media geradores de santuários. Amplificação de Fátima pela comunicação social?’ é o artigo do sacerdote e jornalista António Rego, enquanto o jornalista Paulo Rocha, diretor da agência Ecclesia, apresenta o santuário da Cova da Iria como ‘um lugar para quem tem saudades de Deus’. Em ‘Depoimentos’ são apresentados 4 textos que são testemunhos a partir de diferentes experiências: o servita Francisco Noronha de Andrade; a professora universitária jubilada Maria Manuela de Carvalho; o economista José Miguel Moser; e a encenadora Matilde Trocato.
A Revista Internacional Católica ‘Communio’, na seção final ‘Perspectivas’, publica um artigo do padre e teólogo Réal Tremblay que apresenta natividade de Jesus através da música sacra de Sebastian Bach, mais concretamente a “Cantata BWV40” que “foi escrita para o segundo dia depois do Natal”.
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Fátima é um parceiro com quem a sociedade civil e o poder político tem de conversar. Assim, o reitor do Santuário de Fátima disse, na abertura do Congresso Internacional de Turismo Religioso e Peregrinação, que a Cova da Iria é o “mais significativo destino de turismo religioso português”. Com efeito, como referiu, “a celebração do Centenário consolidou a internacionalização de Fátima, afirmando Fátima a nível internacional como o mais significativo destino de turismo religioso português”.
Para o Padre Carlos Cabecinhas, a realização deste Congresso apresenta-se como “especialmente feliz”, por ser uma ocasião de reflexão sobre o “potencial dos lugares sagrados”. O sacerdote, frisando o interesse em se promover uma reflexão sobre as potencialidades da peregrinação e do turismo religioso, assinalou:
A variedade de proveniências de peregrinos que, em cada ano, acorrem a Fátima, comprova que este é, de facto, um Santuário mundialmente conhecido. E se isto era claro no passado, no Centenário tem aparecido com especial evidência, com o aumento significativo de peregrinos vindos de todos os continentes”.
E, dando a mão a esta iniciativa da sociedade civil e do poder político, o reitor formulou o voto:
Que este Congresso se proponha refletir sobre as potencialidades da peregrinação e do turismo religioso como meios de desenvolvimento de um turismo sustentável e como meio de aproximação entre os povos, assume especial relevo neste lugar”.
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É assim Fátima que não é um facto criado pela Igreja e que esta não impôs, mas que se impôs à Igreja e que tem uma missão relevante no mundo. Na verdade, se há meio milénio os navegadores e missionários portugueses iam pelo mundo ao encontro de culturas levando o Evangelho, hoje, do mundo inteiro vêm a Fátima os crentes haurir a força espiritual para enfrentar as agruras da vida de trabalho, sofrimento, iniciativas, confissão da fé e martírio. Em Fátima, pela oração, penitência e conversão, mergulhadas no Evangelho da alegria, o crente sente a ternura da Mãe e segue a rota do Ressuscitado, de quem urge dar testemunho na vida que se quer profecia em prol do Reino e do homem, criado à imagem e semelhança de Deus.
Bem-vindo, pois, o ciclo de 3 anos,Tempo de Graça e misericórdia”, herdeiro do Ano Jubilar!

2017.11.24 – Louro de Carvalho

quinta-feira, 23 de março de 2017

O que pedem os Bispos salvadorenhos em ano jubilar por Óscar Romero

A Arquidiocese de San Salvador está a celebrar um Ano Jubilar especial de comemoração do centenário de nascimento do Beato Oscar Arnulfo Romero, iniciado no passado dia 15 de agosto de 2016 e que se concluirá a 15 de agosto de 2017.
Além das celebrações previstas para El Salvador, os bispos salvadorenhos encontram-se em Roma em visita ad Limina Apostolorum. E, neste contexto, foram recebidos pelo Papa no passado dia 20 de março. Segundo a Rádio Vaticano, entre os temas abordados, aflorou o da canonização de Óscar Romero, assassinado em 24 de março de 1980, durante a guerra civil salvadorenha, enquanto celebrava missa na capela do Hospital Divina Providência, passado bem pouco tempo do terceiro ano como arcebispo de San Salvador (tinha sido durante 4 anos seu bispo auxiliar e mais 4 bispo de Santiago de María) – episódio que fará amanhã, dia 24 de março, 27 anos.
Em agosto deste ano, encerramento do ano jubilar especial, será lembrado o aniversário de 100 anos do seu nascimento, a comunidade daquele país espera que a canonização possa acontecer ainda neste ano e os bispos manifestaram o desejo de que o Papa visitasse o país a 15 de agosto e pudesse celebrar a canonização do Beato.
O arcebispo de San Salvador e Presidente da Conferência Episcopal, Dom José Luis Escobar Alas, esteve presente na audiência com o Papa e comentou como procede a causa de Romero:
Em 28 de fevereiro concluímos a investigação do processo para o milagre. Gostaríamos que o Papa canonizasse Romero em El Salvador e convidámo-lo a ir ao país a 15 de agosto, dia do centenário do seu nascimento. Talvez, se a Divina Providência quiser, o milagre será aprovado pela Santa Sé e o Papa deverá canonizá-lo a 15 de agosto. Seria uma bênção muito grande para nós!”.
Num país em que mais de 90% da população é cristã, segundo o Presidente da Conferência Episcopal, essa caraterística, aliada à história dos mártires, fez crescer as vocações, sobretudo do diaconado e dos catequistas. Com efeito, enquanto outros países não têm muitas vocações, El Salvador tem muitas e “a fé e a participação dos fiéis” está em franco aumento. Diz o arcebispo:
“Devemos reconhecer, entretanto, que existe um número significativo de católicos que entraram em novos movimentos religiosos, que estão efetivamente em aumento. Vivemos essa situação e seria injusto não falar, mas somos otimistas.”.
O Papa não se comprometeu com a ida a San Salvador a 15 de agosto próximo nem quanto ao desfecho das diligências sobre a canonização do beato Arcebispo. Não obstante, os bispos salvadorenhos participaram, no dia 21 de março, na missa do Papa na capela da Casa Santa Marta, no Vaticano – uma Missa festiva em recordação do martírio do Beato Óscar Romero.
O Arcebispo León Kalenga, Núncio Apostólico em El Salvador, antecipara a informação ao presidir, na Catedral de San Salvador, a uma Missa pelo quarto aniversário da eleição de Francisco para o Sumo Pontificado – celebração em que participou o Presidente da República, Salvador Sánchez Cerén, autoridades civis e expoentes da Igreja local.
Na homilia, o Núncio Apostólico confidenciou:
“O Santo Padre concelebrará com muito prazer a Eucaristia com todos os nossos bispos, que fazem memória do Beato Óscar Romero”.
E, quanto à documentação atinente ao processo de canonização, o representante do Papa declarou que todas as informações sobre o milagre atribuído a Romero já foram enviadas para Roma, explicando: “Temos trabalhado muito nestes últimos meses com o Tribunal Eclesiástico para aprovar os milagres de Romero”. De facto, o Tribunal convocado pela Igreja salvadorenha concluiu os seus trabalhos no final de fevereiro, remetendo as suas conclusões ao Vaticano, na esperança de que os frutos do trabalho possam ser colhidos já durante a visita ao Papa.
Este ano marca o centenário do nascimento do mártir salvadorenho beatificado em 2015, assim como o aniversário de seu martírio em 24 de março.
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A 1 de março, o Arcebispo de San Salvador informou nas redes sociais sobre a conclusão da investigação, cujos resultados não revelou, e divulgou imagens dos pacotes com documentos a serem enviados ao Vaticano para análise, os quais incluem uma cópia do exame clínico de Cecilia Maribel Flores, beneficiada por um “presumível milagre” atribuído à intercessão de Dom Romero, assassinado em 1980.
Em 27 de março de 2016, o principal hierarca da Igreja católica de El Salvador assegurara que a canonização de Oscar Romero depende da confirmação “científica e teológica” de um milagre pelo Vaticano.
Óscar Romero, como tem sido dito e redito, foi assassinado em 24 de março de 1980 durante a guerra civil salvadorenha, enquanto celebrava missa na Capela do Hospital Divina Providência, de San Salvador.
Uma informação da Comissão da Verdade da ONU, que investigou as violações dos direitos humanos durante a guerra civil (1980-1992), concluiu que a ordem para assassinar Romero partiu do ex-Major do Exército e fundador do Partido de direita Alianza Republicana Nacionalista (ARENA), Roberto D’Aubuisson.
O Arcebispo, beatificado em 23 de maio de 2015 em San Salvador, denunciava nas suas homilias os ataques dos corpos de segurança contra a população civil e outras violações dos direitos humanos.
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Voltemos, porém, às declarações do Presidente da Conferência Episcopal Salvadorenha. O hierarca máximo do país entende que o seu povo queria ainda mais uma coisa de Francisco – outra beatificação e subsequente canonização. Anseiam por ver elevado às honras dos altares o jesuíta Rutilio Grande García, que inspirou Dom Oscar Romero e o motivou, com a sua morte em emboscada a mudar de atitude face às autoridades de El Salvador. Sobre o Padre Rutilio e o desejo da sua beatificação, Dom José exprimiu-se nos termos seguintes:
Gostaríamos também que fosse beatificado o Padre Rutilio Grande, o sacerdote jesuíta que morreu mártir, como Romero, em 1977. A fase diocesana da sua causa de beatificação terminou no ano passado e a documentação já chegou à Congregação para as Causas dos Santos.".
Porém, sobre este sacerdote falaremos noutra ocasião.
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Entretanto, o prelado de San Salvador não esquece os muitos desafios pastorais que se colocam à Igreja de El Salvador, entre os quais sobressai o da “defesa da vida, em sentido amplo como justiça, verdade e paz numa sociedade marcada pela violência”.
Nesse sentido, o Episcopado salvadorenho escreveu uma carta pastoral dedicada ao tema da violência, em que expressa o seu ponto de vista “com uma análise histórica que evidencia como, infelizmente, o país tem sofrido violência dos tempos da Conquista até ao conflito armado do final do século passado, que terminou com um acordo de paz formal que não foi plenamente respeitado”. Sobre esse acordo, os bispos entendem que dele não resultou “uma verdadeira justiça, mas uma lei de amnistia inapropriada, ilegítima, que escondeu tudo, inclusive os crimes contra a humanidade”. Dom José Luis Escobar denuncia outro fenómeno paralelo, o dos grupos violentos, do crime organizado e do narcotráfico, “um problema de exclusão social e de idolatria do dinheiro”. Não se tratando de “uma luta pelos ideais, mas de uma busca do poder”, para o que “não existem nem mesmo princípios”, a questão que se coloca é a de “como enfrentar o problema do ponto de vista pastoral”. Mas o prelado faz diagnóstico e dá pista de solução:
“Acreditamos que a solução seja criar um ambiente favorável. A violência não é uma causalidade: existe uma causa e é a pobreza. As regiões mais pobres do país são as mais violentas, aquelas que a sociedade abandonou. Por isso, é importante que o governo e a sociedade inteira focalizem a atenção sobre essa realidade e criem realmente oportunidades de estudo para os jovens e de trabalho para os adultos.”.
E o arcebispo declarou que o problema de base é também económico e é sempre o mesmo: “a miséria e a impossibilidade de prosseguir”, que gera o fenómeno migratório. E explicou:
“Quando uma parte da família emigra, a unidade familiar é rompida e as consequências são terríveis. Junto a isso se soma a problemática nos Estados Unidos: como sabemos, com o novo governo e o novo presidente americano criou-se um clima de inquietude e de temor pelas deportações. Os nossos países não têm condições de repatriar todos os nossos compatriotas. Seria um desastre para eles e para aqueles que os acolherem. Certamente, como Igreja, estamos com os braços abertos e vamos trabalhar sem cansar para os nossos irmãos.”.
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Para se compreender o contexto das lutas em que o povo tem estado metido, será conveniente respigar os principais factos da história recente do país.
A revolução cubana de Castro e a guerrilha de esquerda nos outros países da América Central empurraram o exército salvadorenho firmemente para a direita. A miséria campesina facilitou o surgimento de vários movimentos guerrilheiros de esquerda. E o exército decretou medidas repressivas que implicaram sistemática e brutal violação dos direitos humanos durante os anos 70 e 80 do século passado – situações inquestionavelmente documentadas por várias agências internacionais – o que provocou um enorme número de refugiados que se evadiram do país.
Em 1972, foi eleito presidente Arturo Molina e, em 1977, o general Carlos Humberto Romero, que veio a ser derrubado pela junta militar em 1979. A junta não conseguiu unificar o país nem derrotar a guerrilha, que controlava parte do país. José Napoleón Duarte uniu-se à junta e assumiu a presidência em dezembro de 1980. No início da década de 80, forças de oposição entraram em luta armada com o Governo. Em 1983, a guerrilha controlava diversas áreas do país e os EUA aumentaram a ajuda militar ao Governo. Duarte, eleito presidente em 1984, tentou sem êxito a paz com a guerrilha. Em 1988, o vice-presidente Rodolfo Castillo substituiu Duarte, que sofria de cancro. Em 1989, a ARENA (Aliança Republicana Nacionalista), de extrema direita, obteve a maioria da Assembleia Nacional e o líder, Alfredo Cristiani Burkard, sucedeu a Duarte na presidência. Em 1990, o grupo guerrilheiro de extrema esquerda FMLN (Frente Farabundo Marti de Liberación Nacional) e o governo iniciaram negociações para a paz sob mediação da ONU. Pérez de Cuellar, secretário-geral da ONU, empreendeu conversações de paz durante o ano de 1991, e as suas recomendações começaram a ser implementadas com sucesso em 1992, pondo fim a 12 anos de guerra civil que custou cerca de 75 mil vidas. A FMLN transformou-se em partido político. Nas eleições de 1994, acompanhadas por observadores da ONU, foi eleito presidente da República o candidato direitista Armando Calderón Sol (ARENA) com a tarefa de reconstruir a economia do país e cicatrizar as feridas da guerra. Em março de 1999, Francisco Flores, da Arena, derrotou o ex-líder da guerrilha (1979-1992), Facundo Giardado (da FMLN). Flores tomou posse para um mandato de 5 anos, em 20 de junho de 2000.
O Presidente de El Salvador é Salvador Sánchez, eleito em 2014 e com a separação dos poderes.
E é este o ambiente de guerra e pobreza em que teve de atuar a Igreja. As feridas não sararam ainda e a ação tem de prosseguir, honrando a memória de Romero na defesa dos pobres.

2017.03.23 – Louro de Carvalho