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sábado, 16 de novembro de 2019

Tesouros da Igreja da Igreja e mestres em humanidade


Celebra-se no dia 17 de novembro, 33.º domingo do Tempo Comum, o III Dia Mundial dos Pobres, que o Papa dedicou ao tema “A esperança dos pobres jamais se frustrará”.
Recorde-se que o Dia Mundial dos Pobres, que Francisco instituiu, é fruto do Jubileu Extraordinário da Misericórdia e se realiza no domingo anterior ao da Solenidade de Cristo Rei.
O Sumo Pontífice, na sua mensagem para este dia, mostra-nos, a partir da Oração do Salmo 9, a via do nosso compromisso como sinal concreto na realização da Esperança Cristã. E os instrumentos da Esperança são postos principalmente na consolação que exprime a proximidade de toda a pessoa a quem se encontra em situação de pobreza. Com efeito, o Salmo 9 é um ato pessoal de agradecimento dirigido a Deus, protetor dos pobres e humildes, apresentado como protetor do salmista pobre e oprimido, a quem a justiça de Deus dá coragem para enfrentar o mundo de pagãos, iníquos, ímpios, inimigos, opressores… E, no Salmo 10 (também um ato pessoal de ação de graças: os Salmos 9 e 10 devem ter constituído inicialmente um só), a proteção do Senhor estende-se aos indefesos, infelizes, inocentes, miseráveis, vítimas de toda a espécie de prepotências.
A mensagem papal, difundida a 13 de junho, desenrola-se em duas vertentes principais: a evocação das novas formas de pobreza que patentes diariamente aos nossos olhos; e a ação concreta dos que podem oferecer esperança através do seu testemunho. Ora,  porque o pobre não será esquecido eternamente, nem para sempre se há de perder a esperança dos infelizes, o salmista pede ao Senhor que julgue as nações na sua divina presença, faça com que os homens O temam e lhes faça saber que são simples mortais (cf Sl 9,20-21). E o Santo Padre faz o paralelo entre a sorte do pobre no tempo do salmista e a atual e, notando que pouco mudou, diz:
Passam os séculos, mas permanece imutável a condição de ricos e pobres, como se a experiência da história não ensinasse nada. Assim, as palavras do salmo não dizem respeito ao passado, mas ao nosso presente submetido ao juízo de Deus.”.
Menciona as “muitas formas de novas escravidões”, como: famílias obrigadas a deixar a sua terra; órfãos que perderam os pais; jovens em busca de realização profissional; vítimas de tantas formas de violência, da prostituição à droga; milhões de migrantes instrumentalizados para uso político. E fala das periferias das cidades, repletas de pessoas que vagueiam pelas ruas em busca de alimento, tornadas elas próprias parte duma lixeira humana e sendo tratadas como lixo, “sem que isto provoque qualquer sentido de culpa em quantos são cúmplices”, se não autores deste escândalo. Não obstante a descrição de injustiça e sofrimento no salmo, há uma definição do pobre: é quem “confia no Senhor” (cf 9, 11), pois tem a certeza de que nunca será abandonado.
Por isso, segundo o Sumo Pontífice, “o grito dos pobres torna-se mais forte a cada dia”, mas “a cada dia é menos ouvido, porque abafado pelo barulho de poucos ricos, que são sempre menos e sempre mais ricos”. Porém, como “na Escritura, o pobre é o homem da confiança”, como escreve o Papa, “é precisamente esta confiança no Senhor, esta certeza de não ser abandonado, que convida o pobre à esperança”, pois “sabe que Deus não o pode abandonar”.
Por ocasião deste Dia Mundial, Francisco não pede só iniciativas de assistência, mas faz votos de que aumente em cada um a atenção plena que é devida a toda a pessoa que se encontra em dificuldade. E, enaltecendo o trabalho de inúmeros voluntários pelo mundo, recorda que os pobres não precisam somente duma “sopa quente ou duma sanduíche”. Precisam das nossas mãos para se reerguerem, dos nossos corações para sentirem de novo o calor do afeto, da nossa presença para superar a solidão. “Precisam simplesmente de amor...”.
Agora, numa mensagem enviada, a 15 de novembro, aos peregrinos da associação “Fratello” reunidos no Santuário de Lourdes (França), por ocasião do III Dia Mundial dos Pobres, Francisco diz que precisa deles, de cada um deles, garantindo:
Vós que estais aos pés da cruz, talvez sozinhos, isolados, abandonados, sem abrigo, forçados a abandonar a vossa família ou o vosso país, vítimas do álcool, da prostituição, da doença, ficai cientes de que Deus vos ama. Deus escuta em particular a vossa oração. O mundo sofre e a vossa oração comove o Senhor.”.
Numa ação concreta, nesta semana de preparação para o Dia Mundial do Pobre, como já ocorreu no ano passado, voltou à Praça São Pedro o Posto de Saúde para atender os pobres e necessitados. Foram disponibilizadas consultas médicas com especialistas, cuidados especiais, análises clínicas e outros exames específicos – tudo gratuito e oferecido a pessoas que têm normalmente dificuldade de acesso a este tipo de serviço. O Posto fica aberto domingo, dia 17, quando o Papa celebra a Santa Missa na Basílica vaticana.
Na homilia da Missa do ano passado, Francisco lembrou que “o grito dos pobres se torna mais forte a cada dia e a cada dia é menos ouvido, porque abafado pelo barulho de poucos ricos que são sempre menos e sempre mais ricos”. Desta vez, na sua mensagem aos peregrinos reunidos em Lourdes, disse que são “pequenos, pobres, frágeis”, mas “são o tesouro da Igreja”: estão no coração do Papa, no coração de Maria, no coração de Deus. E porfiou:
O amor salva o mundo e Deus quer passar através de nós para salvar o mundo. Dizei ao mundo qual é o vosso tesouro, ‘Jesus’. O Papa ama-vos e confia em vós.”.
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O mau tempo de Roma, na tarde do dia 15, não impediu Francisco de se deslocar à Praça de São Pedro. Chegou de surpresa ao Posto de Saúde instalado no local desde o início da semana, que atende gratuitamente os pobres e mais necessitados. Quem estava em exames naquele momento sentiu-se privilegiado por encontrar o Papa que, em seguida, inaugurou um novo Centro de Acolhimento diurno e noturno para moradores de rua.
Desde o início da semana, 8 ambulatórios atendem gratuitamente no local os pobres e mais necessitados, por ocasião do III Dia Mundial dos Pobres.
A visita-surpresa (no âmbito das Sextas-Feiras da Misericórdia do Papa Francisco) a este “hospital temporâneo” foi emocionante sobretudo para quem estava no local na hora em que o Pontífice chegou (pouco depois das 16 horas), acolhido com calorosos aplausos e querendo todos saudá-lo e abraça-lo. O Papa estava acompanhado de Dom Rino Fisichella, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, que apresentou ao Pontífice os médicos, enfermeiros e voluntários que trabalham nos 8 ambulatórios. Francisco ficou muito satisfeito com a estrutura montada para oferecer um verdadeiro serviço de emergência. Recebeu palavras de agradecimento da parte dos profissionais sanitários que realizam um trabalho voluntário, inclusive alguns que decidiram antecipar o gozo de dias de férias para poderem compartilhar a experiência em prol de tantos necessitados. Fez uma breve oração, saudou todos os presentes e concluiu a visita-surpresa no meio de muita gratidão e alegria dentro do Posto de Saúde.
Centenas de pobres estão efetivamente a usufruir todos os dias dos serviços especializados, disponíveis aos pobres até domingo, no seguimento da orientação da Associação Nacional dos Médicos Genéricos, com o auxílio das enfermeiras da Cruz Vermelha.
Depois de visitar o Posto de Saúde, o Papa inaugurou o Centro de Acolhimento para moradores de rua que vai atender tanto de dia como de noite no Palácio Migliori. O edifício do Vaticano de 4 andares, dotado dum elevador para facilitar o acesso de idosos e pessoas com algum tipo de deficiência, foi construído em 1800 e fica a poucos metros da Colunata da Praça de São Pedro. O local, confiado à Elemosineria Apostólica, tem capacidade para receber 50 pessoas e será administrado pela Comunidade de Santo Egídio, uma organização italiana não-governamental.
Francisco foi acolhido pelo cardeal Konrad Krajewski, esmoleiro do Papa, que o conduziu a uma breve visita ao local, inclusive à capela do Centro de Acolhimento dedicada a São Jorge. “A beleza cura” – exclamou Francisco ao contemplar os ambientes bem decorados. Depois, visitou os andares dedicados aos quartos e ao refeitório, onde aproveitou para fazer um lanche com algumas pessoas que vivem no local e também com voluntários – entre eles, alguns que moravam pela estrada e que agora encontraram um trabalho e uma renda estável e se empenham como voluntários na estrutura.
Durante o breve encontro com eles, o Papa falou da cultura do descarte e da necessidade de recuperar um sentido de responsabilidade pelos pobres. Escutou a história de vida dos voluntários, que há muitos anos levam o jantar a quem vive pela estrada, e as dificuldades enfrentadas para organizar os funerais deles. E lembrou que, quando era jovem, tinha o hábito de deixar um prato pronto durante as refeições, especialmente nos dias de festa, para quem precisasse. Dessa forma, o Pontífice mostrava a necessidade de “educar os jovens à compaixão”.
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O Papa insiste em chamar aos pobres o tesouro da Igreja e em dizer que conta com eles. Está na linha do diácono São Lourenço, que intimado por ordem do Imperador, devido à calúnia de que os cristãos eram um grupo social muito rico, a apresentar todos os tesouros da Igreja, apresentou uma caterva de pobres. Mas Francisco, além de professar a convicção numa Igreja que só o será se for predominantemente e preferencialmente dos pobres, quererá contar com a voz e o protagonismo dos pobres para imprimir a constante reforma da sociedade, obnubilando os esforços contra dos detratores. Dito de outro modo, o Pontífice não considera o encargo eclesial com os pobres uma despesa, um fardo, mas um investimento. E um investimento nos pobres tem sempre retorno. Quando não for outro, o retorno será a recuperação da dignidade humana refeita e reconhecida e a certeza da utilidade social da pessoa humana para a ação comunitária, bem como a disponibilidade para a cooperação nas grandes causas.  
E não posso deixar de fazer breve referência à crónica de Tolentino Mendonça na Revista do Expresso de hoje, em que chama aos pobres “mestres de humanidade”, em discreto alinhamento com o Papa. Fala sobretudo dos sem-abrigo, que entram na rua por diversas razões de desconstrução e que regressam só quando alguém lhes desperta a chama da confiança em si mesmos, pois “os pobres não são dados estatísticas nem abstrações”, mas “seres humanos que precisam de outros seres humanos”. Vinca a obrigação do Estado, como a nossa (pessoal) e a da comunidade, podemos aprender muito com os voluntários que tratam deles e que os pobres têm direito a ocupar o espaço público contra uma arquitetura hostil que quer desembaraçar-se deles. Censura que os cúmplices de situações de miséria ou quaisquer outros os tratem como ameaçadores, incapazes ou lixo. E diz que, “se abrirmos os olhos e o coração, os pobres tornam-se nossos mestres de humanidade”. E nada como um exemplo pessoal: olhando do seu apartamento para uma praça que lhe parecia “um lugar desarrumado, anódino, cheio de entraves”, demorou-se a falar com um romeno que dorme numa das arcadas. Ao perguntar-lhe o que achava da Praça, ouviu: “Esta praça é a minha família”. E o homem nomeou, um por um, os seus residentes. Num mundo cujos moradores não se conhecem nem se saúdam, boa lição!  
2019.11.16 – Louro de Carvalho

quarta-feira, 12 de abril de 2017

A Lavandaria do Papa Francisco

De acordo com informação veiculada pela Rádio Vaticano, começou a funcionar, no passado dia 10 de abril, a “Lavandaria do Papa Francisco”: um serviço oferecido gratuitamente às pessoas pobres, especialmente a moradores de rua, para que possam lavar, enxugar e passar as suas roupas e lençóis.
A iniciativa surgiu do convite do Papa para concretizar a experiência de graça do Ano Jubilar da Misericórdia. Com efeito, o n.º 16 da Carta Apostólica “Misericordia et Misera” ensina: Querer estar perto de Cristo exige fazer-se próximo dos irmãos, porque nada é mais agradável ao Pai do que um sinal concreto de misericórdia. Por sua própria natureza, a misericórdia torna-se visível e palpável numa ação concreta e dinâmica”. Pelo que o n.º 18 do mesmo documento lança o desafio: “É hora de dar espaço à imaginação a propósito da misericórdia para dar vida a muitas obras novas, fruto da graça”. 
A Lavandaria é, pois, em resposta da Esmolaria Apostólica ao convite do Papa, “uma forma concreta de caridade”, um modo de “restituir dignidade a estes nossos irmãos e irmãs”.
A estrutura, situada na sede do “Centro Gentes de Paz”, da Comunidade de Santo Egídio, é administrada por estes voluntários e possui 6 máquinas de lavar e de secar, com 6 ferros de última geração – uma doação da multinacional Whirlpool. Porém, o “Centro Gentes de Paz” já oferece, há mais de 10 anos, acolhimento e assistência aos pobres e terá ainda duches, barbeiro, armários, ambulatório médico e distribuição de bens de primeira necessidade.
O fornecimento completo e gratuito de sabão para as máquinas de lavar é fornecido por outra multinacional, a Procter & Gamble, que faz a coordenação do projeto e que, há tempos, doa lâminas de barbear e espuma de barba à ‘barbearia dos pobres’ nas Colunatas de São Pedro. 
Obviamente que não foi o Papa Francisco quem instituiu no Vaticano o serviço aos pobres. No entanto, é sabido que lhe deu um enorme impulso, colocando na mó de cima os sem-abrigo, para os quais mandou instalar serviço de duche e barbearia nas colunatas de São Pedro, aos quais tem mandado distribuir cobertores e toalhas e a quem tem incumbido algumas tarefas que lhes dão alguma visibilidade e os tornam úteis, como a distribuição de livros, pagelas, etc. pela multidão reunida na Praça de São Pedro. E lembro que mandou celebrar funeral condigno de um sem-abrigo que faleceu sozinho.
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Os serviços aos pobres na Santa Sé são coordenados pela Esmolaria Apostólica (ou Esmolaria Pontifícia), situada na Cidade do Vaticano e que “é o Departamento da Santa Sé que tem a função de exercer a caridade para com os pobres em nome do Sumo Pontífice”.
Este serviço remonta aos primeiros séculos da Igreja e era da competência dos diáconos. Depois, este encargo passou a ser exercido por um ou mais familiares dos Pontífices sem uma especial dignidade hierárquica ou prelatícia, que lhe foi conferida mais tarde. Já se fala do Esmoler como cargo existente numa Bula de Inocêncio III (1198-1216). Porém, o primeiro Papa a organizar a Esmolaria Apostólica foi o Bem-aventurado Gregório X (1271-1276), que definiu as atribuições do Esmoler (ou Esmoleiro). E Alexandre V, por Bula de 1409, regulamentou as formalidades e normas da Esmolaria, que sempre desempenhou a própria atividade graças aos contínuos desvelos dos Romanos Pontífices nos diversos tempos, através do Esmoler de Sua Santidade, que tem a dignidade Arquiepiscopal, faz parte da Família Pontifícia e, como tal, participa nas celebrações litúrgicas e nas audiências oficiais do Santo Padre. O Papa Leão XIII, com o objetivo de favorecer a coleta de fundos para as obras de caridade confiadas à Esmolaria, delegou no Esmoler a faculdade de conceder a Bênção Apostólica por meio de diplomas em papel pergaminho, os quais, para serem autênticos, devem ter aposta a assinatura do mesmo Esmoler e o carimbo a seco do seu Departamento.
Não obstante, a concessão da Bênção Papal é completamente gratuita e os custos referem-se unicamente ao pergaminho e aos gastos para a sua preparação e expedição, bem como a um contributo para o exercício da caridade Papal.
Todas as entradas que chegam à Esmolaria Apostólica como contribuição para a emissão de diplomas de Bênçãos são inteiramente destinadas à caridade que este Departamento exerce para com os desvalidos que todos os dias, nas suas necessidades, estendem as mãos a pedir auxílio ao Sucessor de Pedro.
(cf http://www.vatican.va/roman_curia/institutions_connected/elem_apost/documents/rc_elemosineria_pro_20121106_profile_po.html)
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Também a Rádio Vaticano divulgou a notícia de que as primeiras famílias sírias acolhidas no Vaticano deixaram as dependências dos 3 apartamentos em que viviam, por terem encontrado meios para viverem de forma independente. Assim, os apartamentos passaram a ser ocupados por outros 3 núcleos familiares: 2 famílias cristãs e uma muçulmana, num total de 13 pessoas.
Segundo a Esmolaria Pontifícia, 2 das novas famílias acolhidas, que tinham sido sequestradas e sofreram discriminações por serem cristãs, chegaram à Itália no mês de março deste ano.
Uma das famílias é formada pela mãe, 2 filhos adolescentes, uma avó, uma tia e outra senhora síria que vive com eles. A outra é formada por um jovem casal, que teve sua primeira filha – Stella – há 2 semanas, no apartamento onde moram. A jovem havia sido sequestrada pelo Isis e agora, na Itália, pode reencontrar a serenidade. Por fim, o terceiro núcleo familiar foi um dos primeiros a chegar à Itália, em fevereiro de 2016. É formado pelos pais com os seus dois filhos. A primeira filha, doente, iniciou agora um percurso de integração. As crianças frequentam a escola elementar, a mãe está inscrita na Faculdade no Curso para  Mediadores Interculturais e, há poucos dias, começou a fazer um estágio com vista à inserção no mercado de trabalho.
São três os apartamentos de propriedade do Vaticano que há mais de um ano acolhem núcleos familiares de refugiados sírios,  chegados à Itália graças aos diversos corredores humanitários promovidos pela Comunidade de Santo Egídio, pela Federação das Igrejas Evangélicas na Itália e pela Távola Valdense. Por meio dos corredores humanitários, foram acolhidos até agora em Roma 70 núcleos familiares, num total de 145 pessoas.
O gesto é uma resposta concreta ao apelo dirigido pelo Papa, no final da oração do Angelus de 6 de setembro de 2015, para o acolhimento de uma família em cada paróquia, comunidade religiosa, mosteiro e santuário. Além de assegurar adequado acolhimento nas paróquias, comunidade e associações, os voluntários acompanham as famílias sírias na sua plena integração, a começar pela aprendizagem da língua italiana.
Além destas, a Santa Sé apoia economicamente as 21 pessoas vindas de Lesbos com Francisco, acolhidas em casas particulares e de religiosos.
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Mas há mais.
Dão-se alguns dados a título de exemplo:
- Em setembro de 2015, um moderno ambulatório móvel, doado há alguns anos ao Papa e até então reservado para os eventos por ele presididos, foi posto à disposição algumas vezes durante a semana para assistir os refugiados nos centros de acolhimento, também não regulares, situados na periferia de Roma. Assim informou a Esmolaria Pontifícia, especificando que “os voluntários – médicos, enfermeiros e guardas suíços – são funcionários do Vaticano, da Universidade de  Roma “Tor Vergata” e membros da ONG do Instituto de Medicina solidária.
Já em 2014, foram postos à disposição do Centro Astalli de Refugiados em Roma, administrado pelos jesuítas, cerca de 50 mil euros para auxiliar no pagamento das taxas para a concessão do 1.º Visto de Permanência para os refugiados, à semelhança do que há muitos anos os Papas vêm fazendo, “neste contexto de caridade cristã pelas pessoas que fogem da guerra e da fome”.
- Em outubro de 2015, começou a funcionar o dormitório para moradores de rua na região do Vaticano. O abrigo, desejado pelo Santo Padre, foi realizado pela Esmolaria Apostólica com fundos destinados à caridade do Papa e é administrado pelo Esmoleiro Apostólico, Dom Konrad Krajewski. O local, denominado “Dom de Misericórdia”, pode acolher durante a noite até 34 homens, que são recebidos pelas irmãs de Madre Teresa de Calcutá. Dentro do Vaticano já funcionava o dormitório “Dom de Maria”, com capacidade para abrigar até 50 mulheres.
A Esmolaria apostólica promovera, nos meses passados, uma série de iniciativas em favor dos pobres, desde refeições até serviço de barbearia e higiene.
- Em janeiro de 2016, a Esmolaria Pontifícia promoveu, em conjunto com o Circo Rony Roller, uma tarde de diversão e confraternização, tendo sido oferecido um espetáculo circense gratuito a pessoas sem casa, a refugiadas, a um grupo de encarcerados e carentes, com seus assistentes voluntários (ao todo 2000 pessoas). Além disso – segundo o que informa um comunicado – médicos e enfermeiros dos Serviços Médicos do Vaticano, equipados com um trailer móvel e ambulâncias do Vaticano, ofereceram consultas e assistência gratuita aos mais desfavorecidos. E, no final do espetáculo, houve um lanche para todos. 
- Na Sexta-feira Santa de 2016, o Esmoleiro pontifício, Dom Konrad Krajewski, junto com alguns colaboradores e sem-teto, hóspedes do dormitório ‘Dom da Misericórdia’, foram pelas ruas de Roma distribuir sacos de dormir e fazer uma carícia, da parte do Papa, aos sem-teto que encontravam. Foi uma Via-Sacra na Cidade Eterna de cerca de cem estações, que terminou depois da meia-noite, realizada em união espiritual com a Via-Sacra presidida pelo Papa Francisco, no Coliseu de Roma.
- Em 8 de janeiro de 2017, o Esmoleiro Pontifício informou que os dormitórios permaneceriam abertos 24 horas e a qualquer pessoa que batesse à porta seria oferecido um lugar aquecido e alimento, mesmo que todas as camas estivessem ocupadas. E àqueles que resistem em ir a um dos dormitórios colocados à disposição, a Esmolaria estava a distribuir sacos de dormir térmicos – com capacidade para resistir a temperaturas de até 20°C – assim como automóveis da instituição. Embora os carros não pudessem ficar ligados durante toda a noite, porque é perigoso, como abrigo já eram alguma coisa.
Aos sem-teto “são levadas também sopas quentes, sanduíches e chocolate quente para fornecer calorias”, explicou o Esmoleiro, cuja obra – em concordância com o Pontífice – é totalmente financiada com os recursos provenientes dos pergaminhos papais das “Bênçãos Apostólicas”.
Também os militares do Exército colaboram com a Esmolaria, assim como uma equipa da Guarda Suíça que auxilia Dom Krajewski nos giros noturnos que faz pela cidade de Roma em busca de pessoas necessitadas.
- Em 23 de fevereiro de 2017, por indicação do Papa Francisco, a Esmolaria Apostólica esteve nas zonas atingidas pelos terramotos que abalaram o centro da Itália para adquirir de pequenos revendedores produtos alimentares típicos das áreas atingidas. A queda no comércio após os abalos sísmicos levou os revendedores a um período de grandes dificuldades.
Foi feito um levantamento identificando grupos de camponeses, agricultores e produtores cujas empresas correm o risco de fechar por causa dos danos provocados pelo terramoto.
A Esmolaria Apostólica comprou uma grande quantidade de produtos desses grupos com a intenção expressa pelo Santo Padre de os ajudar no prosseguimento das suas atividades. É um gesto em linha com o magistério do Papa Francisco que reiteradas vezes, nos seus encontros, recordou que “quando não se ganha o pão, se perde a dignidade”. Todos os produtos adquiridos foram imediatamente distribuídos a vários refeitórios caritativos da cidade de Roma para a preparação de refeições diariamente doadas às pessoas necessitadas e sem morada fixa.
Já há alguns meses no supermercado situado na Cidade do Vaticano reservado aos funcionários vaticanos, é possível adquirir alguns produtos típicos das áreas atingidas pelos terramotos, contribuindo assim para reaquecer a economia daquela parte da Itália ainda em dificuldades.
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É assim o Papa Francisco. Se é verdade que não deve saber a mão esquerda o que faz a direita (cf Mt 6,3), também é importante que, vendo as boas obras os discípulos, os homens glorifiquem o Pai que está nos Céus (cf Mt 5,16). E o Papa, sem ter inventado o serviço dos pobres, reforça-o, amplia-o, multiplica-o e dá visibilidade aos pobres e ao serviço que lhes é prestado.
E não se contenta com o serviço seu aos pobres. Tenta implicar na obra de misericórdia os outros que se sintam próximos dos que não têm. Tal como o bom samaritano do Evangelho não se limitou a curar o ferido “avaletado”, a colocá-lo na sua montada até à próxima estalagem, mas entregou-o ao estalajadeiro e mandou que dele cuidasse porque depois pagaria tudo (cf Lc 10,29-37) – também Francisco manda que os outros façam a sua parte. A obra de misericórdia, como obra de Deus cujo nome é misericórdia, não é monopólio de ninguém; tem de ser obra solidária de todos.

2017.04.12 – Louro de Carvalho