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domingo, 26 de janeiro de 2020

O 1.º Domingo da Palavra de Deus


No rescaldo da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que terminou ontem, dia 25, celebrou-se hoje, dia 26, III domingo do Tempo Comum no Ano A, o 1.º Domingo da Palavra de Deus, sabiamente instituído pelo Papa Francisco, não porque deva ser este o único em que a Palavra de Deus está em evidência, mas como ensejo para uma reflexão mais aprofundada sobre o âmago e as exigências das Escrituras e com alguma atividade comunitária significativa que inspire a celebração dos demais domingos. Tudo numa perspetiva da edificação da Igreja, santificação dos crentes e bem da humanidade, destinatária da missão universal da Igreja e objeto do amor infindo e infinito de Deus.
A Palavra de Deus não é um repositório de antiguidades adequadas a um espaço museológico, mas o sinal de Cristo vivo entre nós e em nós, que acontece sempre que lemos, proclamamos e refletimos uma passagem bíblica entendida segundo a ótica de Jesus Cristo ressuscitado, que aos discípulos de Emaús, começando por Moisés e seguindo por todos os Profetas, explicou-lhes, em todas as Escrituras, tudo o que lhe dizia respeito(Lc 24,27). Mas não esqueçamos que aqueles dois discípulos, apesar de lhes “arder o coração” quando Ele lhes falava pelo caminho e lhes explicava as Escrituras, só O reconheceram quando Ele “se pôs à mesa, tomou o pão, pronunciou a bênção e, depois de o partir, lho entregou” (cf Lc 24,30-32).
Veja-se o que pode fazer em nós a Palavra – fazer arder o coração – se a escutarmos com atenção, afeto e desejo de não sermos apenas ouvintes, mas praticantes (cf Tg 1,22) em prol da nossa santificação e bem dos irmãos. Depois, há que ter em conta as potencialidades da Palavra contida nas Escrituras: pode instruir-nos, em ordem à salvação pela fé em Cristo Jesus, pois toda a Escritura é inspirada por Deus e adequada para ensinar, refutar, corrigir e educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e esteja preparado para toda a obra boa (cf 2Tm 3,15-16).
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E a Palavra de Deus adverte-nos para a obrigação da oração e zelo pela Unidade dos cristãos. Além de ser conhecida a oração sacerdotal do Senhor em contexto da Ceia, antes de padecer, com a prece de que todos sejam um como Jesus e o Pai o são para que o mundo creia (cf Jo 17,21), vem agora o apóstolo Paulo protestar contra o divisionismo que estava a criar-se na Igreja de Corinto depois de ele dali sair. Perante a eloquência convincente de Apolo (maior que a de Paulo), um judeu convertido ao Cristianismo, uns diziam-se partidários de Pedro, outros de Paulo, outros de Pedro e outros de Cristo. Aí Paulo pergunta se Cristo está dividido ou se foi Paulo que foi crucificado (e podia ter dito o mesmo de Apolo ou de Pedro). Por isso, o apóstolo, que foi enviado para evangelizar e não para ter um batismo em seu nome, exorta vivamente a que se tenha em conta a cruz de Cristo como centro da doutrina, pelo que devem cessar as divisões e construir-se a estreita união entre todos no mesmo pensar e no mesmo agir (cf 1Cor 1,10-13.17).
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Porém, o Papa, na homilia, foi às origens da pregação de Jesus, baseado na passagem evangélica deste domingo (Mt 4,12-23), “que nos diz como, onde e a quem Jesus começou a pregar.  
Começou com uma simples frase “Convertei-vos, porque está próximo o Reino dos Céus” – a base de todos os discursos de Jesus. Assim ficamos a saber que “Deus não está longe”, mas “desceu à terra, fez-Se homem”. Com a encarnação em Jesus, “removeu as barreiras, eliminou as distâncias” e “veio ao nosso encontro” cumprindo na plenitude todo o desígnio e promessas do Antigo Testamento. E diz o Santo Padre:
Não tomou a nossa condição humana por um sentido de dever, mas por amor. (…) Deus tomou a nossa humanidade, porque nos ama e, gratuitamente, quer-nos dar a salvação que, sozinhos, não poderíamos obter. Deseja estar connosco, dar-nos o encanto de viver, a paz do coração, a alegria de ser perdoados e nos sentirmos amados.”.
Em conformidade com esta postura de Deus vem o convite “convertei-vos”, pois “começou o tempo de viver com Deus e para Deus, com os outros e para os outros, com amor e por amor”. É para isto que o Senhor nos dá a sua Palavra: para que a recebamos como a carta de amor que escreveu para nós, para fazer-nos sentir que Ele está junto de nós com a Palavra que nos consola e liberta da paralisia e da opressão e que tem o poder de nos mudar de vida, “de fazer passar da escuridão à luz”. De facto, em Jesus cumpre-se o que disse Isaías:
O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte uma luz se levantou. (…) Rejubilam na vossa presença, como os que se alegram no tempo da colheita, como exultam os que repartem despojos. Vós quebrastes, como no dia de Madiã, o jugo que pesava sobre o povo, o madeiro que ele tinha sobre os ombros e o bastão do opressor.” (Is 9,1-4; Mt 4,16).
Depois, começou a pregar na Galileia dos Gentios, de que falava Isaías (8,23b) região periférica aonde aportavam pessoas de várias proveniências, “formando uma verdadeira amálgama de povos, línguas e culturas”, mas consideradas de baixa categoria. E sublinha o Pontífice:
Era o caminho do mar, que constituía uma encruzilhada. Lá viviam pescadores, comerciantes e estrangeiros: não era de certeza o lugar onde se encontrava o povo eleito na sua pureza religiosa melhor. E, no entanto, Jesus começou de lá: não do átrio do templo de Jerusalém, mas do lado oposto do país, da Galileia dos gentios, dum local de fronteira. Começou duma periferia.”.
Como lição, é de inferir que “a Palavra que salva não procura lugares refinados, esterilizados, seguros”, antes “vem à complicação dos nossos dias, às nossas obscuridades”. Porém, somos nós que tantas vezes lhe fechamos a porta.
E Jesus, “caminhando ao longo do mar da Galileia, viu dois irmãos (…) que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores”. E lançou-lhes o convite: “Vinde comigo e Eu farei de vós pescadores de homens”. Ora, os primeiros destinatários da Palavra foram pescadores, “não pessoas selecionadas com base nas suas capacidades, nem piedosas, mas gente comum que trabalhava. Jesus fala a pescadores e usa linguagem que eles compreendem. Chama-os onde estão e como são, para os envolver na própria missão d’Ele, a do serviço ao Reino de Deus, que está próximo. E eles seguiram-No deixando tudo, atraídos por amor. Depois, outros dois pescadores tiveram o mesmo convite e tomaram a mesma postura de seguimento.
E inaugura-se o tempo da íntima experiência apostólica no colégio de Jesus em torno da Palavra do Reino, sendo que Jesus, enquanto percorria toda a Galileia (e, depois, a Samaria e a Judeia), “ensinando nas sinagogas, proclamando o Evangelho do Reino e curando todas as doenças e enfermidades entre o povo”, lhes revelava paulatinamente os seus segredos e lhes confiava algumas missões. Tudo gira entre o convite de Jesus ao seguimento para deles fazer pescadores de homens, agora lido à luz da Ressurreição, e o mandato: “Como o Pai me enviou também eu vos envio a vós. (…) Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ficarão retidos.(Jo 20,22-23). Ou então:
Ide, fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado. E sabei que Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos.” (Mt 28,19-20).
Como os apóstolos, cada um de nós é chamado, segundo a sua condição, ao serviço à Palavra, para se estabelecer o arrependimento e o perdão e se gerar a comunidade. Para tanto, temos de dar espaço à Palavra e acolhê-la para, como diz o Papa, descobrirmos que “Deus está perto de nós, ilumina as nossas trevas e amorosamente impele para o largo a nossa vida”.
2020.01.26 – Louro de Carvalho

domingo, 9 de junho de 2019

O sopro de Deus e a força do Espírito


A Solenidade do Pentecostes encerra o ciclo pascal não a sete chaves, mas com a cavilha de segurança para o envio apostólico e a marcha pelo mundo inteiro a pregar o Evangelho, que se acomoda em duas vertentes: Cristo Ressuscitado está a interceder por nós junto do Pai, mas a sua presença junto de nós a ajudar e a consolidar a sua obra é permanente e eficaz; e, em seu nome, os cristãos, liderados pelos pastores, fortalecidos pela unção e movidos pela força do Espírito Santo, têm a missão tão honrosa como espinhosa de testemunhar o Ressuscitado e pregar com ardor e amor, pela palavra e pelas obras, o arrependimento e o perdão dos pecados.  
É verdade que aos apóstolos foi confiada a missão de irem por todo o mundo fazer discípulos que repliquem e multipliquem o apostolado e gerem lideranças apostólicas, mas o guia e animador da missão é o Espírito, que está sempre em ação, sem alguma vez tirar férias, folgar ou adormecer. Habitualmente é discreto, mas paira e sopra onde e donde quer (cf Jo 3,8).   
No princípio, quando Deus criou os céus e a terra, a terra era informe e vazia, as trevas cobriam o abismo e o Espírito de Deus movia-se sobre a superfície das águas” (Gn 1,1-2).
É Ele que dá a vida ao homem: “o SENHOR Deus formou o homem do pó da terra e insuflou-lhe pelas narinas o sopro da vida, e o homem transformou-se num ser vivo” (Gn 2,7).    
Habitualmente não se arma ao espetáculo, à força  e poder:
Passou diante do Senhor um vento impetuoso e violento, que fendia as montanhas e quebrava os rochedos diante do Senhor; mas o Senhor não Se encontrava no vento. Depois do vento, tremeu a terra. Passou o tremor de terra e ateou-se um fogo; mas nem no fogo Se encontrava o Senhor. De­pois do fogo, ouviu-se o murmúrio de uma brisa suave.” (1Rs 19,11-12).
O Senhor estava na brisa suave, na brisa ligeira, na brisa nova, na brisa do Espírito (A. Mendes).
Não obstante, quando é necessário – se a libertação ou a urgência da Aliança o postulam, o espetáculo emerge:
Olhou e viu que a sarça ardia no fogo, mas não era devorada. Moisés disse: ‘Vou adentrar-me para ver esta grande visão: porque não se consome a sarça?’. Deus disse: ‘Não te aproximes; tira as sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é uma terra santa’. E continuou: ‘Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob’. Moisés escondeu o rosto, porque tinha medo de olhar para Deus. O SENHOR disse: ‘Eu bem vi a opressão do meu povo que está no Egito e ouvi o seu clamor ante os seus inspetores; conheço, na verdade, os seus sofrimentos. Desci a fim de o libertar da mão dos egípcios.” (Ex 3,2b-3.5-8a). 
E no Sinai:
A montanha do Sinai estava toda coberta de fumo, porque o SENHOR tinha descido sobre ela no fogo; o seu fumo subia como o fumo de um forno; e toda a montanha tremia muito. O som da trombeta era cada vez mais forte. Moisés falava e Deus respondia-lhe no trovão. O SENHOR desceu sobre a montanha do Sinai, no cimo da montanha. Chamou Moisés ao cimo da montanha e Moisés subiu.” (Ex 19,18-20).
O Senhor estava no fogo, no fumo, no tremor, no som da trombeta.
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O Evangelho da Solenidade do Pentecostes (Jo 20,19-23) é o do sopro do Espírito: os discípulos de Jesus estão fechados em casa por medo dos judeus. O Ressuscitado, qual vida nova e novo modo de presença, que nada nem ninguém pode reter ou impedir, atravessa as portas fechadas, aparece e fica de pé no meio deles, o lugar da liderança, e saúda-os por duas vezes: “A paz convosco!”. Mostra-lhes as mãos e o lado, tornados rosto do Deus sofrido, mas ora redivivo, o cartão de identidade de Jesus a fazer coincidir o Ressuscitado com o Crucificado de há dias. Obviamente, o medo cedeu o passo à alegria e os discípulos mostraram-se cheios de alegria (ekhárêsan), disposição que propicia o convite para a missão, tal como sucedeu com Maria: o anjo saudou-A com o piropo “Alegra-te, Cheia de Graça” (Khaîre, kekharitôménnê). E a Virgem de Nazaré, obediente ao Senhor, dispôs-Se a que se fizesse em Si o que a Palavra de Deus ditava. 
Ora, a Vida de Jesus, dada por amor, para sempre e para todos, vincula os discípulos à sua missão de dar a vida por amor: “Como o Pai me enviou (do grego apéstalken: pretérito perfeito de apostéllô), também Eu vos mando ir (pémpô)”. Os discípulos e Jesus têm em comum o envio, mas os verbos gregos marcam a diferença: o envio d’Ele está no tempo perfeito (é para sempre): a sua missão começou e continua, não acaba e Ele continua em missão; a nossa missão está no presente e o presente dela surge agrafado à missão de Jesus, não fazendo sentido sem Ele e sem a sua missão. Imbricados n’Ele e na sua missão, sabemos que Ele está connosco todos os dias até ao fim dos tempos (cf Mt 28,20). Este mandato que recebemos de Jesus define o estilo da nossa missão de acordo com o estilo e a missão de Jesus.
Como foi referido, os discípulos ficaram cheios de alegria (o medo dissipou-se com a presença do Mestre) ao verem (idóntes: particípio aoristo 2.º de horáô) o Senhor. Tal como o Outro Discípulo, aquele que Jesus amava, também eles todos veem a identidade do Senhor Ressuscitado com um olhar histórico (tempo aoristo). Jesus soprou sobre eles. Ora, este sopro de Jesus é o sopro criador (emphysáô), o sopro do Espírito, o mesmo que pairava sobre as águas, o que o Senhor insuflou nas narinas do homem recém-criado, o que inspirou a Aliança e a Lei, o sopro da brisa suave, o que o Senhor derramará sobre toda a criatura, para que os vossos filhos e as vossas filhas hajam profetizar, os vossos jovens hajam de ter visões e os vossos velhos hajam de ter sonhos” (cf At 2,17; Jl 3,1). É o sopro do Espírito para a frágil-forte missão do Arrependimento e do Perdão, o Jubileu Divino do Espírito. Anote-se que o Pentecostes surge 50 dias após o dia da Ressurreição. A Páscoa dos judeus celebra a libertação do Egito, ao passo que o seu Pentecostes, de festa das colheitas passou a celebrar a constituição de Israel como o Povo de Deus. Assim, a nova vida merecida pelo Filho de Deus insufla-se no novo Povo de Deus, a Igreja – anunciada sobre a rocha petrina (vd Mt 16,18-19), gerada na cruz a partir do lado aberto do Salvador (vd Jo 19,34) e nascida na Páscoa (vd Jo 20,21-23) e ‘epifanizada’ com a irrupção do Espírito Santo no Pentecostes (como se verá adiante). Este sopro, este alento, só aparece neste lugar em todo o Novo Testamento, mas é fácil fazer a ponte para Génesis 2,7, para o sopro ou alento (naphah TM / emphysáô LXX) criador de Deus no rosto do homem.
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O trecho do Livro dos Atos dos Apóstolos (At 2,1-11), assumido como 1.ª leitura, apresenta os apóstolos reunidos no Cenáculo, com Maria e outras mulheres, mas agora varridos ou recriados pelo vento impetuoso do Espírito, que os areja e lhes varre as teias de aranha que ainda os tolhem, e pelo seu fogo, que os batiza purificando-os de todas impurezas e vincando-os contra todos os medos e contra toda a pusilanimidade e tibieza. É o momento da espetacularidade teofânica do Espírito, é a Epifania da Igreja, novo Povo de Deus. Anote-se que o interesse catequético fundamental do autor é apresentar a Igreja como a comunidade que nasce de Jesus, é assistida pelo Espírito e é chamada a testemunhar aos homens o projeto libertador do Pai.
O Espírito senta-se (kathízô) sobre os apóstolos como novo Mestre que os orienta e lhes guia a vida. Ei-los a falar agora outras línguas, por dádiva do Espírito! Miraculosamente cessam as incompreensões, divisões, invejas, ciúmes, ódios e indiferenças. Nasce um mundo novo de comunhão e comunicação plenas, pois todos se entendem tão bem como se todos tivessem a mesma língua materna, da palavra antes das palavras, divina e humana lalação. É o contrário da Babel, que estabelecera a divisão e a confusão das línguas, a dispersão ou diáspora anárquica e atabalhoada. Os apóstolos falam e cada um dos presentes os ouve falar na sua própria língua. Ora, o intérprete da linguagem dos apóstolos é o Espírito Santo. Por outro lado, o mesmo Espírito Santo os faz falar a variedade das línguas. A era do Espírito é a era da confiança, da intimidade, da ternura, da misericórdia, do amor. Assim, o Pentecostes dos “Atos” é a página programática da Igreja e anuncia o que será o resultado da ação das “testemunhas” de Jesus: a humanidade nova, a antiBabel, nascida da ação do Espírito, onde todos serão capazes de comunicar e de se relacionar como irmãos, porque o Espírito reside no coração de todos como lei suprema, como fonte de amor e de liberdade.
Porém, impõe-se, na comunidade, a atitude de vigilância permanente, pois será sempre grande a tentação de querer levar o Espírito à letra. E aí vem, a propósito, a advertência aos Coríntios, cujo falar em línguas ninguém entende (1Cor 14,2), sendo preciso o recurso a intérpretes (1Cor 14,28). Todos consideraríamos um absurdo a existência dum intérprete entre mãe e bebé para traduzir aquela lalação que os dois tão bem entendem.
Ora, é esta divina lalação do Espírito (alálêtos) (Rm 8,26) – única vez no Novo Testamento – que nos ensina a compreender que “Jesus é Senhor” (1Cor 12,3) e que Deus é Pai (ʼAbbaʼ) (Gl 4,6; Rm 8,15). Repare-se na importância da definição de carisma, no que insistiu hoje o Arcebispo de Braga na sua homilia: “a cada um é dada a manifestação do Espírito para proveito comum” (1Cor 12,7) e “não para proveito próprio” (1Cor 10,33), sendo que o que define o proveito comum é a edificação, não de si mesmo, mas dos outros (1Cor 10,23-24). E dizia o Arcebispo que este proveito ou bem comum se entende para toda a Igreja e toda a sociedade em que é necessário insuflar o espírito do Evangelho. Trata-se de um só e único Senhor, um só e único Espírito, mas espelhado numa enorme diversidade de dons, serviços, ministérios e membros. E estes inúmeros membros formam um só corpo, o corpo de Cristo, que é a Igreja, cuja alma é o Espírito Santo. E, como nos alerta Paulo, é o Espírito Santo que nos ajuda a discernir a validade dos carismas, pois nunca se pode falar de carisma quando se trata de comportamento que pretende garantir privilégios a certas figuras. O verdadeiro “carisma” é o que leva a confessar que “Jesus é o Senhor” (pois não há oposição entre Cristo e o Espírito) e que é útil para o bem da comunidade.  
A tradição fundada na Bíblia situa no Cenáculo as duas cenas acima descritas – a da aparição do Ressuscitado (bem como a que sucedeu 8 dias depois) e a do Pentecostes. É a sala da Ceia Primeira (designada por Última Ceia) que deu origem a tudo, do último serão de Jesus com os discípulos, da Aparição do Senhor aos Apóstolos, da eleição de Matias, da descida pentecostal do Espírito Santo, enfim, o primeiro lugar de encontro da primeira comunidade cristã reunida em oração com Maria-Mãe de Jesus (At 1,13-14), a primeira Sé-Catedral, a primeira sede da Igreja nascente, a mãe de todas as Igrejas, a primeira domus-ecclesia [casa-igreja] do mundo, situada uns 200 metros a sul da muralha de Jerusalém, muito perto da Porta de Sião. O atual edifício remonta ao trabalho dos Franciscanos no século XIV e é sucedâneo de outras construções sucessivamente edificadas e destruídas, desde a Basílica de Santa Sião [Hagía Sion], do século IV. Por se encontrar no quarteirão sul de Jerusalém, o primitivo Cenáculo resistiu à destruição romana (ano 70), pois os romanos atacaram e destruíram a cidade pela parte norte (mais facilmente expugnável).
Associada às cenas susoidentificadas, a sala superior do Cenáculo [15,30m por 9,40m] assemelha-se ao Sinai com os fenómenos lá registados. Deles fala Fílon de Alexandria (± 20 a.C.-50 d.C.):
Deus não tinha boca ou língua, mas, com um prodígio, fez que um rombo se produzisse no ar, que um sopro se articulasse em palavras pondo o ar em movimento. Este transformou-se em fogo que tinha forma de chamas […], e uma voz ressoava do meio no fogo e descia do céu, e esta voz articulava-se no idioma próprio dos ouvintes.
E evoca-se Babel em contraponto. Em Gn 11,7, “ninguém compreendia mais a língua do seu próximo”, o passo que em Atos 2,6, “cada um compreendia na sua própria língua materna”.
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Não são apenas Cristo e os apóstolos que são enviados em missão. Também o Espírito Santo é enviado em missão como Aquele que recebe o que é do Filho (Jo 16,14.15) e que o Filho recebeu do Pai. Tal como o Filho é a transparência do Pai, o Espírito Santo é a transparência do Filho. O ensinamento do Espírito Santo é o mesmo que Jesus fez e que recebeu do Pai, mas vem depois do de Jesus (Jo 14,26) e processa-se, ao invés do de Jesus, não com palavras sensíveis que tocam os órgãos da audição dum público determinado, mas na interioridade da inteligência e do coração de cada ser humano. Este ensinamento é comparável à unção de óleo (chrísma) que penetra lentamente, como diz o Apóstolo: “Vós recebestes a unção (chrísma) que vem do Santo e todos sabeis (oídate)” (1Jo 2,20); ou então: “a unção (chrísma) dele vos ensina (didáskei) acerca de todas as coisas” (1Jo 2,27). É a unção que, penetrando lentamente em nós, ocupa o nosso interior, suaviza as asperezas, cura as dores e, fazendo nascer entre nós a comunidade concreta, mas com sabor e alcance universal, e gerando a comunhão, ensina o que devemos pedir e o que devemos dizer e fazer. Este saber maravilhoso assemelha-nos a Deus, que sabe de nós (Ex 2,25) e nos põe em confronto com Caim, que não sabe do seu irmão (Gn 4,9), e com Pedro, que não sabe de Jesus (Mt 26,70.72.74). O essencial passa a ser a experiência do amor que, no respeito pela liberdade e pelas diferenças, deve unir todas as nações da terra.
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É um ensinamento novo, não exterior, com sons e palavras, mas diretamente inoculado nas pregas da inteligência e do coração. É assim a linguagem nova do Espírito a afetar ao mesmo tempo o português e o chinês, o inglês e o russo, o católico, o muçulmano e o hebreu. É como se, em vez de falarem cada um a sua língua incompreensível para o outro, o português e o chinês entregassem uma flor um ao outro. Assim fala e age o Espírito, Pessoa-Dom, fonte de dons (1Cor 12,3-13), o verdadeiro dom de Deus. Com Ele, a comunidade canta e realiza a opção formulada no salmo 133, salmo de peregrinação – meditação sapiencial que parece contemplar a vida da comunidade de Israel como uma grande família de irmãos, sendo que as imagens do óleo e do orvalho sugerem a necessária fertilidade da terra:
Vede como é bom e agradável que os irmãos vivam unidos! É como óleo perfumado derramado sobre a cabeça, a escorrer pela barba, a barba de Aarão, a escorrer até à orla das suas vestes. É como o orvalho do monte Hermon, que escorre sobre as montanhas de Sião. É ali que o SENHOR dá a sua bênção, a vida para sempre.”.
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Com razão a Liturgia da Palavra nos faz rezar o Salmo 104 que induz a contemplação das obras maravilhosas de Deus, cheias do seu alento, que são a alegria de Deus (Sl 104,31), que, por sua vez, é a nossa alegria (Sl 104,34). Isto é extraordinário porquanto a temática de Deus que se alegra é rara na Escritura. Aparece agora no meio deste mundo novo e maravilhoso como fonte da nossa alegria. Nós somos efetivamente, pela unção batismal e crismal, templo do Espírito Santo; e, por mandato de Cristo, somos do tempo da missão do Espírito, de tal modo que os apóstolos sentiam a forte vinculação do e ao Espírito santo: “O Espírito Santo e nós” (At 15,28).
E, nesta missão, somos e temos uma realidade nova: Deus a habitar em nós (Jo 14,24), Deus connosco (Ap 21), a Cidade nova, a Consolação nova, a Bênção nova, a Paz nova, o Amor novo, não com a medida do mundo, mas com a medida de Deus (Jo 14,27; Sl 67), não com os critérios do mundo, mas com os critérios das bem-aventuranças (vd Mt 5,3-12).
 2019.06.09 – Louro de Carvalho

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

“A tua dextra, Senhor, esplendorosa de poder” (Ex 15,6)

É o tema da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos (oitavário), que está a decorrer de 18 a 25 de janeiro no hemisfério Norte e que serve de guião espiritual e celebrativo para todo o ano 2018, em especial para a ocasião do Pentecostes, no hemisfério Sul (de acordo com o que foi sugerido pelo movimento Fé e Ordem em 1926).
O material foi preparado e publicado sob a responsabilidade conjunta do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos  e da Comissão “Fé e Constituição” do Conselho Mundial de Igrejas. Foram escolhidas as Igrejas do Caribe para montar o material para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos de 2018, sob a liderança de Sua Graça Kenneth Richards, arcebispo católico de Kingston e bispo responsável pelo ecumenismo na Conferência Episcopal das Antilhas (AEC), junto com o Senhor Gerald Granado, Secretário-Geral da Conferência Caribenha de Igrejas (CCC). E foi convidada uma equipa ecuménica de mulheres e homens para organizar o material.
As citações bíblicas estão baseadas no texto da Tradução Ecuménica da Bíblia (TEB).
Na convicção da necessidade de flexibilidade e da urgência da oração pela unidade, propõe-se o uso deste material ao longo de todo o ano para expressar o grau de comunhão que as Igrejas já têm atingido e para orar juntos pela plena unidade, que é o desejo de Cristo.
O material é oferecido com a compreensão de que será adaptado para uso em situações específicas locais, devendo ter-se em conta a prática litúrgica e devocional, bem como o contexto social e cultural específico. O ideal é que a adaptação seja feita de forma ecuménica. Em alguns lugares existem estruturas ecuménicas para a adaptação deste material; noutros, é de esperar que a necessidade de adaptação seja estímulo para a criação de tais estruturas.
Para as Igrejas e comunidades cristãs que vivem juntas a Semana de Oração foi providenciado um texto para a celebração ecuménica.
As Igrejas e comunidades cristãs podem também incorporar material da Semana de Oração nas suas próprias celebrações. Orações do culto ecuménico, os “oito dias” e a seleção de materiais adicionais constituem recursos a usar como se julgar apropriado em cada situação.
As comunidades que têm celebrações da Semana de Oração em todos os dias durante a semana podem usar para isso o material proposto para cada um dos “oito dias”.
Quem deseje fazer estudo bíblico sobre o tema pode usar como base os textos e reflexões dados para os oito dias. A cada dia, a reflexão pode levar a um tempo final de oração de intercessão.
Quem deseje orar de modo privado pode encontrar material útil para orientar as intenções das suas preces, podendo assim ter consciência de estar em comunhão com outros que oram no mundo inteiro pela maior visibilidade da unidade da Igreja de Cristo.
O texto bíblico base para a reflexão/oração neste ano é Êxodo 15,1-21, um cântico de exaltação a Deus libertador, acompanhado de danças sob a liderança por Miriam, irmã de Moisés.
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Conservando o nome dum dos grupos dos seus povos indígenas, a região caribenha é uma realidade territorial complexa pela “vasta extensão geográfica” que inclui ilhas e territórios continentais “com uma rica e variada coleção de tradições étnicas, linguísticas e religiosas”. É uma realidade política complexa na variedade de organizações governamentais e institucionais, desde territórios coloniais (ingleses, holandeses, franceses e americanos) até nações republicanas.
O Caribe é marcado pelo projeto de exploração colonial. Na agressiva busca de ganhos de mercado, os colonizadores organizaram sistemas brutais de comércio de seres humanos e de trabalho forçado – práticas que escravizaram, agrediram e até exterminaram povos indígenas. Seguiu-se a escravização de africanos e a introdução de pessoas da Índia e da China.
A escravidão dos africanos não foi só o processo de transporte de trabalhadores dum lugar para outro. Numa afronta à dignidade humana, transformou-se em objeto de comércio uma pessoa humana, tornando-a propriedade de outrem. A partir daqui normalizaram-se “outras práticas que foram mais longe no tratamento desumano dos africanos”, entre as quais se incluía a negação do direito a práticas religiosas e culturais, casamento e vida familiar.
Em quinhentos anos de colonialismo e escravidão, a atividade missionária na região, com exceção duns poucos exemplos, estava ligada ao sistema. E, “enquanto aqueles que trouxeram a Bíblia para a região usavam as Escrituras para justificar a subjugação do povo, nas mãos dos escravizados, ela tornou-se “uma inspiração, uma garantia de que Deus estava ao lado deles e que Deus os conduziria à liberdade”. E hoje os cristãos caribenhos veem a mão de Deus a agir para acabar com a escravidão. “É uma experiência de união em torno da ação salvadora de Deus que leva à liberdade”. Por isso, foi tida por muito adequada a escolha do canto de Moisés e Miriam (Ex 15,1-21) como motivação para esta Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. É um canto de triunfo sobre a opressão cujo tema foi assumido num hino, A mão direita de Deus, escrito numa reunião de trabalho da Conferência Caribenha de Igrejas, em agosto de 1981, e que se tornou marca do movimento ecuménico na região.
Como os israelitas, o Caribe tem a canção de vitória, liberdade e união. Porém, novos desafios ameaçam escravizar e ferir a dignidade do ser humano criado à imagem e semelhança de Deus. Embora a dignidade humana seja inalienável, fica obscurecida tanto por pecados pessoais como por estruturas sociais pecaminosas. As relações sociais, muitas vezes, não têm a justiça e a compaixão que honram a dignidade humana. E pobreza, violência, injustiça, o vício das drogas e da pornografia e a dor, o desgosto e a angústia gerados por tudo isso são experiências que distorcem a dignidade humana.
Muitos destes desafios são legado do passado colonial, com o comércio escravo e resultado do neocolonialismo. O ferido sentimento coletivo manifesta-se hoje em problemas sociais conexos com a baixa autoestima, violência doméstica e de grupos e relações familiares prejudicadas. Nestas circunstâncias parece quase impossível para muitas nações da região escapar à pobreza e endividamento. Além disso, em muitos lugares existe um sistema legislativo residual que continua a ser discriminatório.  
A mão direita de Deus, que tirou o povo da escravidão e deu contínua esperança e coragem aos israelitas, continua agora a trazer esperança aos cristãos do Caribe. Mas, porque eles não são vítimas de circunstâncias fora de controlo e testemunhando essa esperança comum, as Igrejas estão a trabalhar juntas para prestar serviço a todos os povos da região, mas particularmente aos mais vulneráveis e negligenciados. É o que se vê nas palavras do hino: “a mão direita de Deus está semeando em nossa terra, plantando sementes de liberdade, esperança e amor”.
A referenciada perícopa do Êxodo mostra como a via para a unidade precisa frequentemente de passar pela experiência comunitária de sofrimento. A libertação dos israelitas da escravidão é o evento fundamental da constituição do povo. E o processo tem o seu clímax na encarnação e no mistério pascal. E, embora na salvação Deus tenha a iniciativa, “Deus envolve forças humanas na realização do seu objetivo e nos planos para a redenção de seu povo”. Os cristãos, pelo batismo, participam do ministério divino de reconciliação, mas as nossas divisões restringem o nosso testemunho e a nossa missão num mundo necessitado da cura que vem de Deus.
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No âmbito da celebração ecuménica proposta, o grupo caribenho que escreveu o texto sugere que a Bíblia e três conjuntos de correntes, símbolos que são parte da celebração do culto, fiquem colocados em destaque no espaço da celebração. A Bíblia é muito importante na experiência das Igrejas caribenhas. Nas mãos destes oprimidos povos, a Bíblia tornou-se fonte primária de consolação e libertação. As correntes, por seu turno, são um símbolo poderoso de escravização, tratamento desumano e racismo. São igualmente um símbolo do poder do pecado, que nos separa de Deus e uns dos outros. O grupo recomenda o uso de correntes de ferro verdadeiras durante as preces de reconciliação nesta celebração, mas, se não estiverem disponíveis correntes de ferro, podem usar-se correntes alternativas com visual que transmita a ideia de força. Durante a celebração, as correntes de ferro da escravidão são substituídas por uma corrente humana que expressa os laços de comunhão e a ação conjunta contra a moderna escravização e todos os tipos de conduta desumanizadora individual ou institucionalizada. O convite dirigido à assembleia inteira para participar desse gesto é parte integrante da celebração.
Como canto após a proclamação da Palavra, o grupo sugere o hino The right hand of God (A mão direita de Deus)Inspirado no canto de Miriam e Moisés em louvor da ação libertadora de Deus no Êxodo, está associado ao movimento ecuménico do Caribe, em que as Igrejas trabalham juntas para superar os desafios sociais enfrentados pelo povo da região.
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No quadro do roteiro do culto, destacam-se:
- O canto de reunião da assembleia, com a entrada dos que vão liderar a celebração, precedidos por um assistente que carrega a Bíblia e a colocará em lugar de destaque no centro do espaço de celebração, donde serão proclamadas, a partir dessa Bíblia, as leituras da Escritura.
- A saudação e palavras de acolhimento, com a explicação do conteúdo e contexto dos textos desta Semana de Oração.
- A invocação do Espírito Santo para que o seu fogo venha aos nossos corações ao orarmos pela unidade da Igreja. 
- A proclamação da Palavra de Deus: Êxodo 15,1-21 (cântico de vitória); Salmo 118,5-7.10-24 (Celebrai o Senhor, pois Ele é bom e sua fidelidade é para sempre); Romanos 8,12-27 (a vivência pelo espírito e a ajuda do Espírito Santo); uma aclamação adequada de Aleluia; Marcos 5,21-43 (valorização e aperfeiçoamento da Lei à luz das bem-aventuranças).
- A homilia: Reflexão sobre a Palavra de Deus proclamada e relação com o tema.
- O canto: The Right Hand of God (A mão direita de Deus) – ver mais adiante.
- Proclamação da Fé: Recitação do Símbolo dos Apóstolos.
- As orações pelo povo: Dando graças pela libertação da escravidão ao pecado, colocam-se as nossas necessidades diante do Senhor, pedindo-lhe que quebre as cadeias que nos escravizam e que, em vez disso, nos una com os laços do amor e da comunhão.
Cada intercessão é proclamada por leitor diferente. Ao terminar, cada um dos leitores une as suas mãos ou braços com membros da assembleia, formando assim uma corrente humana.
- A oração do Senhor: Unindo as mãos, seguros não por correntes mas pelo amor de Cristo que foi derramado em nossos corações, oramos ao Pai com as palavras que Jesus nos ensinou.
A oração do Pai Nosso pode ser cantada.
Depois da oração do Senhor, ainda de mãos dadas, a assembleia pode cantar uma canção que lhe seja familiar e que celebre a unidade. Depois do canto, as pessoas saúdam-se com um sinal de paz.
- Compromisso: Redimidos pela mão direita de Deus, e unidos no único Corpo de Cristo, vamos adiante amparados pelo poder do Espírito Santo.
Todos: O Espírito do Senhor está sobre nós, porque o Senhor nos ungiu para levar a boa nova aos pobres, para proclamar a libertação aos cativos e a recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos, para proclamar o ano da graça do Senhor. Amém! Aleluia!
 - Canto final: À escolha de quem lidera a assembleia em consonância com o grupo de canto.
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Temas de reflexão para cada um dos oito dias e celebração segundo o roteiro acima:
(As frases temáticas que figuram a seguir à indicação dos textos bíblicos sugeridos para cada dia referem-se, por esta ordem: à 1.ª leitura; ao salmo; à 2.ª leitura; e ao Evangelho)
Dia 1:Amareis também o estrangeiro, porque fostes estrangeiros no Egito” (Lv 19,33-34; Sl 146; Heb 13,1-3; Mt 25,31-46) – Amarás o migrante como a ti mesmo. O Senhor protege os migrantes. Alguns, sem saberem, acolheram anjos. Eu era estrangeiro e acolhestes-me.
Dia 2:Não mais como escravo, mas como irmão amado” (Gn 1,26-28; Sl 10.1-10; Film 1-23; Lc 10,25-37) – Deus criou o homem à sua imagem. Porque, Senhor, permaneces afastado? Não mais como escravo, mas como irmão bem amado. A parábola do bom samaritano.
Dia 3:O seu corpo é templo do Espírito Santo” (Ex 3,4-10; Sl 24,1-6; 1Cor 6,9-20; Mt 18,1-7) – Deus liberta os que estão em humana escravidão. Esta é a geração dos que procuram a tua face. Glorificai, portanto, a Deus por vosso corpo. Ai do homem por quem acontece a queda.
Dia 4: Esperança e cura (Is 9,2-7a; Sl 34,1-15; Ap 7,13-17; Jo 14,25-27) – Estender-se-á a soberania e haverá paz sem fim. Procura a paz e vai atrás dela! Deus enxugará toda lágrima de seus olhos. Eu vos deixo a paz.
Dia 5: Escuta! O grito do meu pobre povo vem de longe e espalha-se na terra! (Dt 1,19-35; Sl 145,9-20; Tg 1,9-11; Lc 18,35-43) – O Senhor marcha à tua frente e te carrega. O Senhor é o apoio dos caídos. O rico passa como a flor dos prados. Jesus, filho de David, tem compaixão de mim!
Dia 6: Cuidemos dos interesses dos outros” (Is 25,1-9; Sl 82; Fl 2,1-4; Lc 12,13-21) – Exultemos, jubilemos, pois ele nos salva. Fazei justiça ao infeliz e ao indigente. Cada um não olhe só por si mesmo, mas também pelos outros. Guardai-vos de toda ganância.
Dia 7: Sendo família no lar e na Igreja” (Ex 2,1-10; Sl 127; Heb 11,23-24; Mt 2,13-15) – Nascimento de Moisés. Se o Senhor não construir a casa, os construtores trabalham em vão. Moisés foi ocultado pelos pais, pois tinham visto a sua beleza. José levantou-se, tomou consigo o menino e a mãe, de noite, e retirou-se para o Egito.
Dia 8: Ele reunirá os dispersos... dos quatro cantos da terra” (Is 11,12-13; Sl 106,1-14.43-48; Ef 2,13-19; Jo 17,1-12) – Efraim não terá mais ciúme de Judá e Judá não será mais adversário de Efraim. Congrega-nos no meio das nações e celebraremos o teu santo nome. Em sua carne destruiu o muro de separação. Eu fui glorificado neles.
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Tudo se faça para refazer a unidade dos filhos de Deus desnecessariamente divididos e dispersos!
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The Right Hand of God
(A mão direita de Deus)
A mão direita de Deus
Está escrevendo em nossa terra,
Escrevendo com poder e amor;
Nossos conflitos e nossos medos,
Nossos triunfos e nossas lágrimas.
São gravados pela mão direita de Deus.

A mão direita de Deus
Está atingindo a nossa terra,
Pondo para fora inveja, ódio e ambição;
Nosso egoísmo e luxúria,
Nosso orgulho e atos injustos
São destruídos pela mão direita de Deus.
A mão direita de Deus
Está elevando nossa terra,
Erguendo os caídos um por um;
Cada um tem seu nome conhecido,
E é resgatado agora da vergonha
Pela elevação da mão direita de Deus.

A mão direita de Deus
Está curando nossa terra,
Curando dilacerados corpos, mentes e almas;
Tão maravilhoso é seu toque,
Com amor que tanto significa,
Quando somos curados
Pela mão direita de Deus.

(Selecionado, compilado e adaptado a partir do site do Vaticano)

2018.01.19 – Louro de carvalho