quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Morte de técnica russa do Instituto Antipeste causa rumor de peste negra

 

Na região de Irkutsk, na Sibéria, Darya Shipilova, de 28 anos, funcionária de um laboratório do Instituto de Investigação Antipeste e do Extremo Oriente, que faleceu, na noite de 2 de outubro, na unidade de cuidados intensivos do hospital distrital de Shelekhov, em maré de rumor de peste negra, teve diagnóstico de “pneumonia de etiologia não determinada”, mas a Rospotrebnadzor, agência nacional de saúde pública da Rússia garante que a situação é estável.  

Os moradores daquela região da Rússia, estão preocupados com rumores sobre um possível surto de peste pneumónica, uma vez que os boatos começaram a espalhar-se, rapidamente, após a morte da funcionária, que, segundo a imprensa local, terá partido, acidentalmente, uma proveta com o agente patogénico da infeção da peste, que incidente levou à implementação urgente de medidas de quarentena: cerca de 200 pessoas ficaram sob apertada vigilância médica.

O órgão de informação Lyudi Baikala adiantou que várias unidades hospitalares de Irkutsk foram, imediatamente, encerradas e colocadas em quarentena, medida que deverá manter-se durante três semanas. No dia 2, a Fábrica de Alumínio de Irkutsk, em Shelekhov, introduziu a medida preventiva da obrigatoriedade de máscara. E moradores de Shelekhov viram, nas ruas, equipas com fatos de proteção, com máscaras e com luvas, incluindo as que distribuíam máscaras em creches e em jardins de infância.

A referida técnica dedicava-se ao estudo de patogénios perigosos. Segundo a principal versão avançada por colegas e por meios de comunicação independentes, a 25 de setembro, em trabalhos com material biológico vivo no laboratório, terá partido, acidentalmente, uma proveta que continha a bactéria perigosa Yersinia pestis. Dois dias depois, o seu estado de saúde agravou-se, subitamente. Foi internada, de urgência, no hospital distrital de Shelekhov. Inicialmente, sem conhecerem os pormenores do incidente, os médicos, suspeitando de uma forma grave de infeção por coronavírus, encaminharam-na para um centro especializado em covid. Porém, face ao rápido agravamento do quadro clínico, fizeram testes rápidos para infeções particularmente perigosas. E a doente foi ligada a ventilação mecânica, mas não foi possível salvar-lhe a vida, pois a forma pneumónica da peste evolui de modo fulminante e, sem atempado tratamento específico com antibióticos, é fatal.

A imediata reação das autoridades revelou a gravidade da situação. Anna Popova, presidente da Rospotrebnadzor, deslocou-se, de urgência, àquele hospital, para participar na reunião extraordinária da comissão sanitária e antiepidémica, presidida pelo governador da região, Igor Kobzev. Ao mesmo tempo, após o incidente, os responsáveis adotaram a habitual estratégia de contenção de informação usada por muitos organismos russos. Nas primeiras 24 horas, os representantes oficiais da região e o próprio governador evitaram pronunciar a palavra “peste”. A 2 de outubro, o governador falou de “infeção especialmente perigosa” e garantiu que “a situação está sob controlo rigoroso”. No dia seguinte, as autoridades de Baikalsk apelaram aos residentes a que não viajassem para Shelekhov, devido à peste, mas apagaram a publicação, pouco depois.

Aleksei Tsydenov, líder da república da Buriácia, comentou o caso. Citando a Rospotrebnadzor e o governo da república, afirmou, inicialmente, que a morte da mulher estava ligada à peste, mas passou, mais tarde a usar formulação mais cautelosa, nas suas declarações.

Enquanto a falta de transparência, pelo menos, aparente alimentou o pânico, nas redes sociais, em Irkutsk e nas regiões vizinhas, o epidemiologista russo Gennady Onishchenko tentou tranquilizar a população, frisando que os principais vetores da peste (roedores e pulgas) entram em hibernação no início de outubro, na Sibéria. Porém, as preocupações não desapareceram.

No dia 4, a Rospotrebnadzor comunicou que a situação sanitária e epidemiológica, na região, é estável; que a mulher morreu de “pneumonia de etiologia não determinada”; que análises alargadas ao material recolhido da doente não revelaram qualquer microrganismo ligado à sua atividade profissional; que não foram registados incidentes no instituto, durante os trabalhos com microrganismos patogénicos; e que, “entre os funcionários do instituto, nos últimos dez dias, não houve qualquer registo de pedidos de assistência por doenças infeciosas”.

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A peste, uma doença bacteriana, apresenta várias formas. A forma pneumónica, a mais perigosa e contagiosa, transmite-se entre pessoas e é fatal, sem adequado tratamento precoce com antibióticos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Afeta os pulmões e pode transmitir-se de pessoa para pessoa, através de gotículas transportadas pelo ar, com um período de incubação que pode ser tão curto como 24 horas, mas as hipóteses de recuperação são elevadas, se for identificada e tratada atempadamente. Os sintomas incluem falta de ar, tosse e expetoração com sangue. Já a peste bubónica, mais comum, é causada pela picada de pulga infetada e pode provocar úlceras purulentas. Se for confirmado, o caso da Sibéria seria a primeira infeção por peste confirmada na Rússia, desde 2016.

Desde 2014, a Rússia registou casos isolados de peste, na maioria, associados à transmissão, a partir de roedores, durante o esfolamento, que foram todos controlados.

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A 5 de outubro, as autoridades de saúde russas afirmaram que uma assistente de laboratório de um instituto antipeste, na Sibéria, que morreu na semana anterior, não tinha peste, apesar de se manterem restrições de quarentena, em vários hospitais da região.

Órgãos de comunicação regionais, que citaram fontes não identificadas próximas dos serviços de segurança locais, sustentam que Daria Shipilova poderá ter contraído peste pneumónica, depois de se partir um tubo de ensaio no laboratório, pelo que as autoridades colocaram em isolamento, dentro do edifício, mais de 60 funcionários do instituto, a partir do dia 2. E um familiar de um dos funcionários disse ao Siberia Realii que passaram as noites no chão e em cadeiras, sem camas, e que os alimentos lhes eram entregues em embalagens, através de um posto de controlo, mas que, até ao dia 2, não tinha surgido qualquer resultado positivo entre o pessoal.

Vários hospitais de Irkutsk foram também colocados em quarentena, incluindo três hospitais clínicos municipais, o Hospital Infantil Ivano-Matreninsky e a maternidade da cidade, assim como foi encerrado o Hospital Distrital Central de Shelekhov, cidade satélite onde a técnica vivia. Fontes citadas pelo site People of Baikal afirmaram que, desde o dia 1, as ambulâncias que transportavam contactos de Shipilova para exames eram escoltadas por agentes do FSB (Serviço Federal de Segurança da Federação Russa). E a Rospotrebnadzor, informou que os testes feitos ao material biológico da vítima não detetaram quaisquer microrganismos associados à sua atividade profissional e que não tinham sido registados acidentes envolvendo microrganismos patogénicos no instituto. Com efeito, entre as pessoas que estiveram em contacto com ela, foram detetados dois casos de covid-19 e duas infeções por rinovírus, mas não foram identificados outros agentes infeciosos.

Inicialmente, Alexei Tsydenov, líder da vizinha Buriátia, confirmou que Shipilova tinha morrido de peste, mas, depois, acrescentou a palavra “possivelmente”. E Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, pediu aos jornalistas que se concentrassem nos comunicados oficiais de Rospotrebnadzor e não em “vários rumores, várias especulações”. Porém, segundo o canal Current Time, a Rospotrebnadzor ainda não explicou por que razão dezenas de funcionários foram isolados e foram impostas restrições a vários hospitais em simultâneo, apesar de os resultados dos testes serem negativos.

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No dia 7, a Rússia rejeitou os apelos à transparência, relativamente à morte de uma técnica de laboratório vítima da peste, na Sibéria, à medida que surgiram notícias de um segundo caso de infeção, pois o Serviço Federal de Supervisão da Proteção e Bem-estar do Consumidor garante que quase cinco mil testes não detetaram quaisquer agentes patogénicos perigosos e que não se verificava “qualquer risco de epidemia”.

A Rospotrebnadzor, autoridade de vigilância da saúde pública, afirmou não ver “qualquer risco de epidemia”, na sequência da morte da funcionária, de 28 anos, do Instituto de Investigação Antipeste de Irkutsk. Efetivamente, Shipilova tinha sido “vacinada e possuía imunidade contra as infeções perigosas com as quais trabalhava”. Além disso, mais de 90% das pessoas que tiveram contacto com ela já tinha concluído o acompanhamento médico. Concomitantemente, o Kremlin rejeitou as notícias sobre um segundo caso suspeito de peste na Sibéria, afirmando aos jornalistas que a maioria das reportagens dos meios de comunicação sobre a situação é “falsa”.

No entanto, a preocupação internacional persiste. O presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, tinha agendada para o dia 7, uma chamada com o seu homólogo russo, Vladimir Putin, para abordar o incidente relacionado com a peste, e a sua administração enviou a Moscovo uma nota diplomática a solicitar informações adicionais. “Solicitámos, oficialmente, informações adicionais ao governo russo. Estamos também em contacto oficial com outros países de todo o Mundo, para partilhar informações”, afirmou um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA. Todavia, Peskov afirmou não ter conhecimento de que o Kremlin tivesse recebido qualquer queixa oficial dos EUA.

O diretor-geral da OMS apelou a Moscovo a que esclarecesse a situação relativa às notícias dos media sobre outro membro do pessoal com pneumonia de origem desconhecida. “A partilha de informação atempada, completa e transparente, em conformidade com o Regulamento Sanitário Internacional, é fundamental, afirmou Tedros Adhanom Ghebreyesus.

A OMS afirmara, no dia 6, que o possível caso representava risco “muito baixo” fora das fronteiras da Rússia, dado o reduzido contacto do país com o resto do Mundo, devido à guerra na Ucrânia e às sanções daí resultantes. Porém, frisou que o instituto estuda “agentes patogénicos perigosos” e que a peste ocorre, naturalmente, entre animais selvagens, na região de Irkutsk.Parte superior do formulário

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O virologista belga Marc Van Ranst afirma que, embora muitos pensem na peste como “algo medieval”, continuam a ser notificados casos, todos os anos, na República Democrática do Congo (RDC) e em Madagáscar. Porém salienta que a ligação a um laboratório torna este incidente “um pouco mais grave” e merece atenção reforçada da parte das autoridades de saúde.

E, falando do impacto da covid-19 neste inverno, o virologista referiu que o vírus está de volta, mas em “forma mais ligeira”, pelo que não espera que este inverno se pareça com os de 2020 ou de 2021, quando os sistemas de saúde estiveram sob enorme pressão.

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Na Rússia, uma técnica de laboratório especializado em peste morreu de pneumonia, alegadamente, de origem desconhecida. Porém, hospitais ficaram em quarentena, quase 200 pessoas estão sob vigilância e Washington pede transparência.

A Rospotrebnadzor sustenta que as análises não encontraram microrganismos ligados ao trabalho da vítima e que não houve acidentes com agentes patogénicos no instituto. Contudo, a imprensa independente russa, meios próximos do Kremlin e o governador de uma região vizinha de Irkutsk apontam para a peste pneumónica, a forma mais letal da doença. Entretanto, o Kremlin pede calma e recomenda que se confie apenas na Rospotrebnadzor.

Daria Shipilova era técnica no Instituto Antipeste de Irkutsk. Há dois anos, tinha terminado, com distinção, a especialização em diagnóstico laboratorial clínico na Universidade Médica de Irkutsk. Foi internada a 29 de setembro no hospital de Shelekhov, a menos de 20 quilómetros de Irkutsk, e morreu dois dias depois. Chegou com pneumonia grave e acabou ligada ao ventilador.

A agência de saúde pública russa fala de pneumonia desconhecida e diz que as análises não encontraram qualquer dos microrganismos com que a técnica trabalhava. Todavia, o jornal independente Liudi Baikala, o canal de Telegram Mash e a televisão REN TV avançaram com a informação de peste pneumónica. O governador da vizinha Buriácia chegou a escrever que a mulher tinha morrido de peste, antes de corrigir que poderá ter morrido da doença. E a OMS diz que nenhuma causa foi confirmada, até ao momento.

Segundo o Liudi Baikala e o Nasha Niva, Shipilova terá partido um tubo com a bactéria da peste, a 25 de setembro, e sentiu-se mal, pouco depois. Porém, outra versão é a de contágio na Tailândia, de onde tinha regressado. A Rospotrebnadzor diz que uma comissão afastou ambas as hipóteses. Contudo, a polícia abriu uma investigação criminal, por violação de normas sanitárias que resultou em morte, como escreveu a Newseek.

Quase 200 pessoas que estiveram em contacto com a técnica estão sob vigilância e 189 foram internadas, segundo o jornal ucraniano Kyiv Post. Mais de 60 colegas continuam fechados dentro do instituto e as ambulâncias que transportaram os contactos são escoltadas por agentes do FSB. E Igor Kobzev, governador de Irkutsk, garante que ninguém tem sintomas e que todas as análises deram negativo.

Maxim Modin, o autarca do distrito, segundo a CNN, diz que o internamento do hospital de Shelekhov está em quarentena. O Liudi Baikala noticiou que quatro hospitais da cidade, incluindo um pediátrico, fecharam, por três semanas, e segundo o Nasha Niva, os médicos “falam abertamente de peste”. No entanto, os quatro hospitais desmentiram.

É de recordar que a peste, causada pela bactéria Yersinia pestis, passa, habitualmente, dos roedores para os humanos, através das pulgas. A forma pneumónica, que ataca os pulmões, é a mais rara e a mais virulenta e, ao invés da bubónica, transmite-se entre pessoas, pelas gotículas respiratórias. A incubação pode durar apenas 24 horas e, sem tratamento, a doença mata de 18 a 24 horas, mas antibióticos comuns curam-na, se forem ministrados a tempo. Moscovo diz que não há motivo para alarme e garante que a situação está estável. O antigo chefe da Rospotrebnadzor Gennady Onishchenko acredita que não se trata de peste, mas que, ainda que se confirme, não se vai espalhar. E, em Washington, o secretário de Estado, Marco Rubio, disse que o caso “não é motivo para alarme”, mas que merece ser acompanhado.

A Casa Branca acompanha e avalia o caso. O Departamento de Estado, vincando que há pormenores por confirmar, pede à Rússia que partilhe informação, de forma rápida e transparente. Porém, o Kremlin pede que se acredite na Rospotrebnadzor, não em rumores.

A Rússia estuda a peste, porque a doença nunca desapareceu do país. Circula entre roedores selvagens, no Sul da Sibéria, junto à Mongólia, e o último caso humano registado na Rússia foi em 2016. O instituto de Irkutsk faz parte da rede antipeste criada na União Soviética, para vigiar esses focos, e depende da Rospotrebnadzor, agência que avalia a morte de Shipilova.Parte inferior do formulário

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Peste pneumónica na Rússia é boato? Então porquê os avanços e recuos e, até, contradições na informação e em alguns juízos de valor? É certo que a Rússia tem sido parca, em transparência (Mikhail Gorbatchov andou a perder tempo!), mas isso não explica tudo.

2026.10.07 – Louro de Carvalho

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