quinta-feira, 7 de maio de 2026

Portugal esgotou os recursos naturais disponíveis para 2026

 

Portugal atingiu, a 7 de maio, o Dia da Sobrecarga, ou seja, esgotou os recursos naturais que tem disponíveis para 2026, em comparação com 2025, em que os esgotou a 5 de maio (dois dias antes), e a associação ambiental ZERO (Associação Sistema Terrestre Sustentável), que fez a revelação, em parceria com a Global Footprint Network, deixa recomendações, para ajudar a população a reduzir a pegada ecológica.

Isto quer dizer que, se cada pessoa, na Terra, vivesse como o cidadão médio português, a Humanidade precisaria de 2,9 planetas, para sustentar a sua necessidade de recursos, e que, embora o país tenha melhorado, a sua pegada ecológica, em comparação com 2025, a partir de 7 de maio, começou a usar recursos naturais que só deveria utilizar a partir de 1 de janeiro de 2027. Há muitos anos que Portugal não fornece os recursos naturais de que precisa, para manter as suas atividades. Em comunicado, a Zero explicita que o desequilíbrio ambiental resulta do modelo de produção e do consumo associado ao estilo de vida dos Portugueses, aponta a alimentação e os transportes como as principais causas e refere que a nossa “dívida ambiental”, em 2026, está em linha com a ocorrida em 2022 e em 2023.

Entre as principais medidas apontadas pela ZERO para reduzir a dívida ambiental, estão a aposta numa agricultura mais sustentável, que produza alimentos de qualidade, use menos água e aumente a produção de alimentos de origem vegetal; a redução de deslocações e de viagens, através do teletrabalho e da realização de mais eventos online; o investimento em transportes mais sustentáveis, como a bicicleta e os transportes públicos; e a criação de regras que garantam que os produtos têm maior duração, podendo ser reutilizados e reciclados. Dito de outro modo, cada cidadão pode contribuir para a redução da pegada ecológica, com mudanças simples, como reduzir a proteína animal na alimentação, movimentar-se de forma sustentável e consumir de forma mais circular (reutilizando produtos, em vez de os descartar).

O resultado coloca Portugal, praticamente, na média dos países da União Europeia (UE), que, neste ano teve, o Dia da Sobrecarga a 3 de maio. Segundo a Global Footprint Network, o Dia da Sobrecarga do Planeta assinala a data em que o planeta entraria em sobrecarga, se toda a gente consumisse os recursos naturais da mesma forma.

A ZERO salienta que, neste ano, o primeiro país da UE a atingir o Dia da Sobrecarga foi o Luxemburgo, a 17 de fevereiro, enquanto o último será a Hungria, a 24 de junho. A nível mundial, o país que esgotou, mais rapidamente, os seus recursos naturais, em 2026, foi o Qatar, a 4 de fevereiro, devendo o último seja as Honduras, a 27 de novembro. Entre os países que consomem mais recursos do que Portugal estão, por exemplo, o Canadá, os Estados Unidos da América (EUA) e a Dinamarca, que atingiram o Dia da Sobrecarga em março. A Áustria, a França ou a Croácia começaram, em abril, a consumir mais do que o planeta consegue repor. Já a Alemanha, o Chipre, o Reino Unido, a Grécia e a Espanha são países mais sustentáveis do que Portugal, porque atingirão o Dia da Sobrecarga a 4 de junho.

O Dia Mundial do Ambiente é celebrado a 5 de junho, em que a Global Footprint Network divulgará o Dia da Sobrecarga do Planeta de 2026, isto é, o dia em que a Humanidade consumiu mais recursos naturais do que a Terra regenera no ano. Em 2025, a Humanidade esgotou os recursos, a 24 de julho, uma semana mais cedo do que em 2024, que foi a 1 de agosto.

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Todos os anos, segundo a Global Footprint Network, o Dia da Sobrecarga de um país marca a data em que ocorreria o Dia da Sobrecarga da Terra, se toda a Humanidade vivesse como as pessoas desse país. Ou seja, é o dia em que o orçamento anual de biocapacidade do planeta se esgotaria, se todos, na Terra, consumissem tanto como os habitantes daquele país, em particular. Isso complementa o défice de um país, a data em que os residentes do país começam a demandar mais do que os ecossistemas do país podem fornecer, durante todo o ano. Ambos os dias oferecem informações valiosas sobre o desempenho de um país.

Os Dias de Sobrecarga dos países, publicados anualmente, são disponibilizados no final de dezembro do ano anterior, utilizando os dados da edição mais recente das Contas Nacionais de Pegada Ecológica e Biocapacidade – que é, agora, a edição de 2025. E a data do Dia de Sobrecarga da Terra é anunciada no Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho).

Os Dias de Sobrecarga dos Países para 2026 são baseados na edição de 2025 das contas. Para a maioria dos países, as datas calculadas refletem a sua situação em 2024, o último dado disponível. E, em anos bissextos, os cálculos são ajustados para o ano de 366 dias.

A edição completa de 2025 foi divulgada no Dia da Terra de 2025, a 22 de abril, e foi preparada pela Iniciativa da Pegada Ecológica da Universidade de York, para a Footprint Data Foundation (FoDaFo), órgão responsável pelas Contas Nacionais de Pegada Ecológica e Biocapacidade. Esta edição inclui resultados de 1961 a 2024. Devido a atrasos na divulgação dos dados, os resultados de 2022 a 2024 baseiam-se na combinação de dados reais e estimativas preliminares, as quais, semelhantes às projeções do produto interno bruto (PIB), são menos robustas do que as dos anos anteriores, que se baseiam em conjuntos de dados totalmente divulgados.

Um exemplo prático do cálculo do dia do Dia de Sobrecarga é o caso da Suíça. O Dia da Sobrecarga desse país, em 2026, baseia-se em dados da edição de 2025 das Contas Nacionais de Pegada Ecológica e Biocapacidade. Como o dado mais recente é de 2024, o Dia da Sobrecarga, em 2026, reflete o desempenho dos recursos do país, em 2024. A sua pegada ecológica, em 2024, foi de 4,15 hectares globais (gha), por pessoa, e a sua biocapacidade global, em 2024, foi de 1,48 gha, por pessoa. Nestes termos, em 2024, a Humanidade precisaria de (4,15/ 1,48) = 2,8 Terras, para se sustentar, se todos vivessem como os Suíços.

Como 2026 tem 365 dias, podemos determinar o Dia da Ultrapassagem Suíça: 365 [dias em 2026] (1,48/4,15) = 130,1 [dias]. Isso significa que a Humanidade teria esgotado o orçamento anual de recursos regenerativos, no dia seguinte ao 130.º dia de 2026, ou seja, em 11 de maio. E o uso total desse orçamento não deixaria nada para as espécies selvagens.

Também se listou o Dia de Ultrapassagem de Capacidades da UE, que abrange 27 países, foi a 3 de maio deste ano, tal como o Dia da Sobrecarga da UE.

Os Dias de Sobrecarga, em 2026, são: 4 de fevereiro, no Qatar; 17 de fevereiro, no Luxemburgo; 23 de fevereiro, em Singapura; 3 de março, no Kuwait; 5 de março, na Mongólia; 8 de março, no Canadá e nos Emirados Árabes Unidos (EAU); 11 de março, no Bahrein; 14 de março, nos EUA; 16 de março, na Austrália; 20 de março, na Dinamarca; 23 de março, na Lituânia; 26 de março, em Omã; 28 de março, na Rússia; 31 de março, na Arábia Saudita; 1 de abril, na Finlândia; 2 de abril, na Áustria; 4 de abril, na Suécia; 5 de abril, no Turquemenistão; 9 de abril, na Coreia do Sul; 10 de abril, na Nova Zelândia; 11 de abril, na Chéquia e na Bélgica;14 de abril, na Irlanda;16 de abril, em Malta; 18 de abril, no Cazaquistão; 20 de abril, no Montenegro; 24 de abril, na França; 25 de abril, na Croácia; 26 de abril, na Bósnia e Herzegovina; 28 de abril, em Israel e na Polónia; 1 de maio, na Bielorrússia; 3 de maio, na Itália; 7 de maio, em Portugal, no Chile e na Eslováquia; 8 de maio, na Malásia; 10 de maio, na Bulgária e na Alemanha; 11 de maio, na Suíça; 14 de maio, no Japão; 16 de maio, na Sérvia; 22 de maio, no Reino Unido; 27 de maio, na China; 30 de maio, no Irão; 4 de junho, na Grécia e na Espanha; 6 de junho, na Turquia; 13 de junho, na Argentina; 14 de junho, na Geórgia; 19 de junho, na Roménia; 24 de junho, na Hungria; 3 de julho, na Arménia; 4 de julho, na África do Sul; 12 de julho, no Fiji; 19 de julho, no Vietname; 23 de julho, na Bolívia; 31 de julho, no México; 4 de agosto, na Costa Rica; 8 de agosto, na Tailândia; 12 de agosto, no Peru; 14 de agosto, no Brasil; 15 de agosto, na República Dominicana e no Azerbaijão;16 de agosto, na Argélia; 30 de agosto, em El Salvador; 4 de setembro, no Uzbequistão; 7 de setembro, no Líbano; 18 de setembro, no Gabão; 19 de setembro, na Albânia; 21 de setembro, na Guatemala; 23 de setembro, no Iraque; 25 de setembro, no Gana; 1 de outubro, na Colômbia; 18 de outubro, na Indonésia; 26 de outubro, no Quirguistão; 5 de novembro, na Tunísia; 6 de novembro, na Nicarágua; 12 de novembro, no Equador; 25 de novembro, no Camboja; e 27 de novembro, nas Honduras.

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Se a Pegada Ecológica per capita de um país for menor do que a biocapacidade global per capita (1,48 gha), a Humanidade não excederá a capacidade regenerativa do planeta, num ano, se todos consumirem como os habitantes desse país. Portanto, países desses não constam na lista acima referida. Porém, alguns países adicionais foram excluídos, devido a dados incompletos ou não confiáveis, visto que a qualidade dos dados varia entre os conjuntos de dados da Organização das Nações Unidas (ONU). Trata-se de países que as Contas Nacionais de Pegada Ecológica e Biocapacidade identificam com baixa pontuação na qualidade de dados. Por isso, a lista de Dias de Sobrecarga dos Países de 2026 exclui os seguintes países: o Butão, o Botsuana, Cuba, Chipre, a Estónia, a Guiana, a Islândia, a Letónia, o Maurício, Marrocos, a Namíbia, os Países Baixos, a Noruega, o Panamá, a Eslovénia, a Trinidad e Tobago, o Uruguai e a Venezuela, além de alguns países menores, por os seus dados de produção não atenderem a alguns testes básicos de qualidade. Muitos dos países excluídos possuem economias com fluxos comerciais relativamente grandes, em comparação com o seu tamanho, o que introduz ruído significativo nos resultados da edição das Contas Nacionais de Pegada Ecológica e Biocapacidade. Esse problema é particularmente acentuado, porque os dados comerciais parecem estar entre os conjuntos de dados mais ruidosos relatados à ONU. O problema pode ser mais amplificado pela recente adoção de sistemas de classificação atualizados para as estatísticas comerciais da ONU. Muitas vezes, não é claro se os resultados inesperados refletem mudanças reais subjacentes, inconsistências nos dados, erros de entrada ou limitações nos algoritmos de cálculo. Por isso, os dados desses países excluídos desta edição são usados ​​exclusivamente para colaborações de pesquisa, com a expectativa de que alguns problemas sejam resolvidos na edição de 2026, que deverá estar disponível até ao Dia da Terra de 2026 e que servirá de base para os Dias de Sobrecarga dos Países de 2027.  

Os países sem Dia de Sobrecarga, em 2026, são países cujas pegadas de consumo per capita são menores do que a biocapacidade per capita mundial. Destacam-se, neste âmbito, 13 países. Assim, a porção da Terra necessária, se todos vivessem como o Bangladesh, seria 46%; como a Nigéria, 53%; como o Nepal, 55%; como a Etiópia, 60%; como o Quénia, 61%; como a Tanzânia, 67%; como a Costa do Marfim, 74%; como a Índia, 75%; como o Sri Lanka, 81%; como o Egito, 88%; como a Jordânia, 89%; como as Filipinas, 94%; e como o Senegal, 99%

Comparar os Dias de Sobrecarga de um País em diferentes edições apresenta um desafio, porque algumas mudanças resultam de melhorias nos dados subjacentes, outras de algoritmos de contabilização mais precisos e os restantes de alterações reais no consumo. As principais mudanças, nos dados de entrada da edição de 2023 para a edição de 2025, são: dados sobre áreas agrícolas, como atualizações nas estatísticas de pastagens e de terras cultivadas do ResourceStat da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura); dados do Orçamento Global de Carbono, como estimativas revistas para a absorção de carbono pelos oceanos; e classificações comerciais, como ajustes no carbono incorporado no comércio, devido à reestruturação nos conjuntos de dados do UN Comtrade.

Para esta alteração na edição, a mudança, graças a diferentes dados de entrada, é maior para a maioria dos países do que a mudança real, por alterações no consumo. Por exemplo, a alteração nas datas de ultrapassagem para 2022 foi impulsionada por atualizações nos dados de entrada e na metodologia, isto é, a diferença entre os resultados de 2022, na edição de 2023, e os resultados de 2022, na edição de 2025, em comparação com mudanças reais nos padrões de consumo, como a diferença entre 2023 e 2024, na edição de 2025. A mudança impulsionada pela entrada de dados pode ser avaliada, cotejando os dados de 2022 da edição de 2023 com os da edição de 2025. A mudança no consumo pode ser determinada, cotejando os resultados de 2023 e de 2024, na edição preliminar de 2025.

Há países com reserva de biocapacidade ou em que a biocapacidade excede a pegada ecológica. São eles: o Gabão (663 %); o Congo (562%); a Bolívia, (383%); a República Centro-Africana (381 %); o Paraguai (274%); o Brasil (237%); a Eritreia (167%); a República Democrática do Congo (153 %); a Papua Nova Guiné (138 %); e Madagáscar (132%).

Em contraponto, os países com défice de biocapacidade, cuja pegada ecológica excede a biocapacidade, são: as Honduras (-6 %); Fiji (-17 %); a Lituânia (-17 %”; a Serra Leoa (-18 %); o Panamá (-23 %); o Chile (-24 %); o Malawi (-26 %); a Tanzânia (-28 %); a Bulgária (-31 %); a Somália (-31 %); a Roménia (-32 %); o Níger (-33 %); a Irlanda (-37 %); a Bielorrússia (-38 %); o Afeganistão (-40 %); a Indonésia (-48 %); o Burkina Faso (-48 %); o Camboja (-52 %); o Senegal (-55 %); Samoa (-59 %); o Lesoto (-60 %); Cuba (-61 %); o Quirguistão (-62 %); o Iémen e o Montenegro (-69 %); a Hungria (-70 %); a Eslováquia (-71 %); São Tomé e Príncipe (-72 %); a Dinamarca (-73 %); a Costa Rica (-75 %); a Croácia e a Irlanda (-82 %); a Bósnia e Herzegovina (-86 %); a Albânia (-88 %); a Nigéria e o Zimbábue (-89 %); o Burundi (-91 %); Granada (-93 %); a Etiópia (-94 %); o Gana (-95 %); a França (-96 %); o Benim (-98 %); a Gâmbia (-100%); a Macedónia, a Tailândia, a Malásia, o Uganda, os EUA, o México e a Áustria (-110 %); a Eslovénia, a Turquia e a Chéquia (-120 %); a Coreia do Norte, o Paquistão, a Sérvia, o Quénia, a Tunísia e a Geórgia (-130 %); a Polónia, o Azerbaijão, a Guatemala e o Tadjiquistão (-140 %); a África do Sul (-150 %); a Grécia, o Haiti, o Nepal e o Ruanda (-160 %); o Turquemenistão, o Tonga e a Espanha (-170 %); a Alemanha e Portugal (-180 %); o Sri Lanka, Marrocos e Trinidad e Tobago (-190 %); o Uzbequistão (-200 %); a Arménia e o Vietname (-220 %); as Filipinas e o Bangladesh (-230 %); a Índia, a República Dominicana e o Reino Unido (-250 %); a Argélia e Cabo Verde (-280 %); a Holanda (-290 %); Omã (-300 %); a Polinésia Francesa (-310 %); a Suíça (-320 %); El Salvador (-360 %); a Suazilândia (-370 %); a Itália e a Líbia (-390 %); a China e o Irão (-400 %); o Maurício (-440 %); a Bélgica (-500 %); o Egito e a Antígua e Barbuda (-530 %); o Japão (-590 %); o Iraque (-600 %); o Líbano (-760 %); a Coreia do Sul (-790 %); o Luxemburgo (-870 %); Santa Lúcia (-990 %); Malta (-1100 %); Chipre (-1200 %); o Kuwait e a Palestina (-1400 %); o Catar e o Bahrein (1500 %); Israel (-1900 %); Barbados (-2600 %); e Singapura (-34000 %).

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Muitas vezes, os países ricos em recursos têm o Dia de Sobrecarga precoce, porque acumulam, esbanjam e descartam, o que os leva a explorar recursos alheios, sobretudo, em países pobres, cujos que líderes exploram os recursos em favor próprio e dos países poderosos. Ao mesmo tempo, a sua pegada ecológica é em inferior à biocapacidade. E há países pobres cujo Dia de Sobrecarga é tardio, por falta de recursos endógenos e por não acesso aos externos. Enfim, o Mundo é desigual.

2026.05.07 – Louro de Carvalho

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