terça-feira, 26 de março de 2019

Amén, amén légô hymîn – em verdade vos digo…


Frederico Lourenço, na sua tradução da Bíblia a partir da Septuaginta, entendeu manter o termo ‘amén’ em singelo ou em duplicado (na adaptação portuguesa, ámen, seguindo o latim, ou amém, popularizado), conforme os casos, em vez da expressão portuguesa “em verdade” (ou em verdade, em verdade) nos ditos do Senhor a reforçar o valor do enunciado que transmite aos ouvintes. O mesmo faz a Bíblia apresentada hoje, dia 25, da responsabilidade da CEP. Tudo isto, que parece estrondosa inovação, passa de uma componente da tradução literal ou ad verbum, sem ser literalista, mas postula uma reflexão sobre a origem, o uso e significados do vocábulo ‘ámen’.
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Origem da palavra
A palavra “ámen” vem do hebraico “amén”, passando ao grego sem alteração prosódica e passando ao latim como paroxítono “amen” (pronunciado ámen). Originou-se na língua hebraica como um acróstico (Formas textuais onde a primeira letra de cada frase ou verso formam uma palavra ou frase. São simples, com frases ou palavras sem ligação entre si ou são o encerramento de poesia) da frase “Adonai Melech Neemam” (AMN: depois, um acrograma ou sigla) que significa “Deus meu Rei é fiel”.
Desta forma percebemos que a palavra “ámen” é muito mais profunda do que aquilo que poderia parecer, pois comporta uma afirmação da fidelidade de Deus para com os seus filhos. Na sua raiz, temos o nome hebraico “emuna” a significar “confiança” e “confirmação do que está escrito” e o verbo “aman”, que significa “confiar”, ou seja, confirmar o que está escrito, firmeza, fidelidade, constância.
A palavra “amen” em hebraico é composta de três letras “alef, mem e nun” (אָמֵן,) e a sua guematria (método hermenêutico de análise das palavras bíblicas “somente” em hebraico, atribuindo um valor numérico definido a cada letra) é 91, sendo: Alef = 1; Mem = 40; Nun = 50. Tem, pois, a numerologia 91, que significa a união entre o plano espiritual e o físico. Quando esta união acontece a Luz se revela e a escuridão desaparece. E, quando fazemos a redução de 91, temos: 9 + 1 = 10. Este valor é equivalente na tradição judaica a keter (coroa) e é o mesmo que a soma de dois dos nomes Deus: IHWH = 26; Adonai = 65. O número 10 corresponde também à guematria da palavra SHOFAR, instrumento musical que, na tradição judaica, lembra o carneiro sacrificado por Abraão em de Isaac através da história da Akedá, lida no segundo dia de Rosh Hashaná (ano novo judaico), e cujo toque era precedido da bênção ou agradecimento a Deus por ter santificado com Seus mandamentos e nos ter dado o ensejo de fazer a Sua vontade.
Isto permite inferir que, ao falarmos do “ámen”, queremos dizer “receber uma coroa“, pois Deus é fiel e cumpre tudo o que nos prometeu. E, sendo assim, a coroa que receberemos d´Ele é aquilo de que mais necessitamos aqui e agora (hic et nunc). Por outro lado, sabemos que Deus Se nos manifesta de duas formas: como o IHWH (o tetragrama hebraico) e como Adonai. Quando Se manifesta como IHWH, manifesta-se como Aquele que se torna aquilo de que precisamos que Ele se torne para nós (Este é o significado do tetragrama). Na verdade, quando Se revelou a Moisés para lhe dar a missão de libertar o povo de Israel e o enviado Lhe perguntou quem deveria dizer que o mandatou, respondeu que dissesse: “Eu sou envia-me a vós” (Ex 3,14.15). (Não lhe deu uma definição metafísica e essencialista, mas uma postura existencial pro populo, a que realmente interessa). E manifesta-Se como “Adonai” que significa “o Senhor virá”, mostrando que, independentemente de qualquer situação, Ele é o Senhor das nossas vidas e as conduzirá de tal sorte que o Seu Nome seja sempre glorificado!
Então o “ámen” está intimamente interligado às divinas pessoas em todos os sentidos e com isso esta palavra sela o que foi dito. Podemos até afirmar que o Ámen é pessoa.
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A dicionarização em português
Os dicionários não são unânimes nesta questão e, portanto, podemos assumir que se pode dizer e escrever de várias maneiras.
Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa e o Dicionário Aurélio (Edição Século XXI) atestam como formas ortográficas possíveis: ámen (variante brasileira para amém) e amém. O Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea (da Academia das Ciências de Lisboa) e o Dicionário da Língua Portuguesa (da Porto Editora) veiculam duas variantes da mesma palavra: amém e ámen. À primeira corresponde a pronúncia /amãe/ (semelhante a “à mãe”) e à segunda corresponde /ámene/ – ambos os dicionários apresentam transcrição fonética. Mas o Moderno Dicionário da Língua Portuguesa, Michaelis, apenas regista amém.
Amém, interjeição e nome masculino, provém do hebraico ‘´amên’ (“assim seja”; “verdadeiro”, “firme”, “seguro”), pelo grego ‘amén’ e pelo latim eclesiástico ‘amen’ (cf José Pedro Machado, Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa). No hebraico remonta à raiz semítica ‘a-m-n’ com o sentido de “merecer confiança”, “confirmar” e “apoiar”. O vocábulo português está atestado desde o século XIII em documentos em português antigo (ou galego-português). Pode ainda escrever-se e pronunciar-se de mais duas maneiras: ámen, em Portugal (cf Rebelo Gonçalves, Vocabulário da Língua Portuguesa, 1966; pronunciado [ámen], segundo o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências de Lisboa); e âmen no Brasil (cf Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa e Novo Aurélio Século XXI: o dicionário da língua portuguesa). O plural de amém é améns, o de ámen é ámenes (vd Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências de Lisboa) e o de âmen é amens (vd Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa).
Ámen e amém são duas variantes da mesma palavra. Há dezenas de palavras alternativas, por exemplo, bêbado e bêbedo, rotura e rutura, abdome e abdómen, regime e regímen.
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Para Bross et al, bem como para Born, o termo “ámen”, conclusão da liturgia sinagogal (da maior parte das doxologias), é usado, no AT, para afirmar a adesão a uma palavra (Jr 1,5; 28,6), a aceitação de uma missão (1Rs 1,36) e a ratificação dum compromisso e aceitação da maldição ou castigo, caso alguém não honre o compromisso (Nm 5,22; Dt 27,15-26; Ne 5,13), bem como fórmula de apoio a um desejo e uma esperança ou de remate de uma oração (Cr 16,36; Tb 9,12; Jr 28,6) ou uma doxologia (Sl 40,14). No NT, é aclamação litúrgica para indicar adesão ao que foi dito (1Cor 14,16) e conclusão duma doxologia (Rm 1,25; 9,5; 11,36; 16,17; 1Tm 1,17; 1Pe 4,11; 5,11; Jd 25; Heb 13,21), mesmo na liturgia celestial (Ap 5,14). Jesus emprega-o muitas vezes para sublinhar a verdade das suas asserções (vg: Mt 5,18.26; 6,2,6,16; Mc 3,28; 8,12; …) e em duplo no 4.º Evangelho (vg: Jo 5,9). “Ámen” é nome dado a Jesus (Ap 3,14; cf Is 65,16) enquanto testemunha fiel e verdadeira do Pai. E, na liturgia, é aclamação da comunidade a exprimir a adesão da comunidade às palavras do oficiante, quer sejam afirmação de fé quer sejam oração.
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Uso e significado bíblico-litúrgicos
Há palavras e expressões que nos impressionam pelos seus significados. Não nos enganaremos se incluirmos entre elas a palavra bíblica “ámen”, que aparece pela primeira vez no AT no Livro dos Números (Nm 5,22) e pela última vez no NT no Apocalipse (Ap 22,21). Com efeito, a palavra “ámen” aparece várias vezes na Bíblia e é muito usada nas Igrejas para expressar concordância com o que está a ser dito. Tem basicamente dois significados principais: concordância – a pessoa que diz “ámen” mostra que apoia e concorda plenamente com o que foi dito, dizendo “Assim mesmo!”; e confirmação e reforço para se garantir algo como verdadeiro e digno de confiança. Neste último sentido, tem mais o significado “verdadeiramente” ou “com certeza”.
Por outras palavras, “Ámen” pode ser traduzido como:
- “Verdadeiramente, De facto, Assim é, Assim há de ser” – exprimindo uma afirmação certa em resposta a algo que foi dito, além de expressar também concordância com relação ao conteúdo do que foi falado. Além disso, a palavra “amém” – segundo o Talmude (Shabat 119b) – é um acrónimo formado pela primeira letra das palavras hebraicas “El Melech Neeman”, cuja tradução é: “Deus é um Rei Confiável”. Esse último significado traz-nos duas lições maravilhosas:
a) “Deus é Rei”. Isso faz-nos pensar no facto de que o Senhor está no trono, reinando soberanamente (1Rs 22,19; Sl 1,4; 45,6; 97,1; Ap 20,11, etc.). Deus, depois de criar todas as coisas, não entregou a Sua criação à própria sorte, deixando-a à deriva. Muito pelo contrário, o nosso Deus exerce o Seu governo e o Seu domínio sobre tudo e sobre todos. Por isso, não há motivos para preocupação, pois o nosso Rei tem em Suas mãos as rédeas da história e o controlo absoluto de tudo, incluindo os problemas e situações da vida que nos tiram a paz e nos deixam apreensivos.
            b) “Deus é Confiável”. Face a tantas incertezas e desconfianças da vida, uma coisa é certa: “Nós podemos confiar em Deus!”. Os homens podem dececionar-nos, as Igrejas e ministérios podem desiludir-nos e os líderes eclesiásticos podem desapontar-nos, mas o Senhor não. O apóstolo Paulo exemplificou isto, ao dizer:
Ninguém me assistiu na minha primeira defesa, antes todos me desampararam (...). Mas o Senhor assistiu-me e fortaleceu-me (...) e fiquei livre da boca do leão.” (2Tm 4,16-17).
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Esta palavra não tem equivalência exata nas línguas ocidentais. O seu significado tem de ser entendido como uma resposta de confirmação a algo que é considerado firme, estável, imutável. Por isso, a tradição judaico-cristã manteve-a inalterada, evitando traduzi-la: uma tradução empobreceria o seu sentido original, que, em sentido estrito, só pode ser em referência a Deus.
Entendido ao cristianismo, o termo “ámen” é muito usado na Bíblia para afirmar que algo “tem de ser”. E é uma das aclamações litúrgicas mais frequentes como fórmula para encerrar as orações. Dizer “ámen” é proclamar que se tem por verdadeiro o que acaba de ser dito, com o objetivo de ratificar uma proposição ou unir-se a ela. No âmbito do culto religioso, significa que a assembleia “está de acordo” com o que é celebrado e afirmado ou exclama que é muito bom o que acaba de proclamar.
Indica uma afirmação ou adesão com que se concluem muitas orações nas grandes religiões monoteístas: Cristianismo, Islamismo e Judaísmo. Costuma traduzir-se, mas de forma errada, em português, pela optativa “assim seja” e, em Francês, pela equivalente “ainsi soit-il”,
Para os judeus, esta palavra possui uma força incalculável nas suas orações e é cobrada como parte essencial na resposta da comunidade durante o rito diário.
Na história das religiões e no seu uso comum, a maioria das pessoas, desde tempos remotos, nas orações diárias ou eventuais, em casa, nas igrejas, nas ruas, enfim em qualquer lugar de culto, quando terminam o ritual da oração pronunciam automaticamente a palavra “ámen”, que é ensinada, de forma inadequada, como “assim seja”, mas sendo sobretudo como concordância com o que foi pronunciado, tornando-se, às vezes, quase como um mantra.
A palavra “ámen”, em singelo ou em duplicado, é usada pelo próprio Jesus nos evangelhos para iniciar um discurso, dando-lhe a conotação de solidez e contundência. É por isso que Jesus diz: “Ámen, ámen vos digo” (muitas vezes traduzido por “em verdade, em verdade vos digo”).
De facto, quando lemos o evangelho de João a repetição da expressão “Ámen, ámen te digo” passa a ser intrigante. Mas há uma explicação para a quantidade de vezes que aparece. A expressão “ámen, ámen” é típica na literatura Joanina em particular no Evangelho de João, onde aparece 25 vezes. É um princípio solene, que chama a atenção do ouvinte ou do leitor. O evangelista João abusa do seu uso para mostrar que na palavra de Jesus este anuncio preciso é importante.
A expressão “Amém” em singelo encontra-se em outros livros do NT (Novo Testamento), num total de 79 vezes, enquanto no AT (Antigo Testamento) aparece raramente (apenas 10 vezes). Isto segundo algumas contagens!
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Algumas pessoas afirmam que a palavra “ámen” significa “Assim seja”, mas não. Em hebraico, “assim seja” seria pronunciado como Yehi Ratzon, que significa “Que seja de sua vontade”.
Quando alguém diz “ámen”, afirma, com o aval de Jesus (que confirma e faz cumprir aquela palavra dita anteriormente) “Deus, meu Rei, é fiel”. Ele mesmo proferiu a palavra “ámen”, porque Ele próprio é o “Ámen” em carne.
A palavra “ámen” esta intimamente ligada a “Louvor a Deus” e “Adoração”. Sela nos céus e na terra aquilo que é dito:
Ámen vos digo que tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na Terra será desligado nos Céus. Também vos digo que, se dois de vós concordardes na Terra acerca de qualquer coisa que pedirdes, isso vos será feito por meu Pai: que está nos céus, pois, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, eu estou no meio deles.” (Mt 18,18-20).
Devemos  ter o gosto da sabedoria ao dizer “ámen” sabendo que seremos responsáveis por toda palavra que sai da nossa boca.
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O uso e significados na vida quotidiana
“Ámen” significa total assentimento, concordância ou apoio como se fosse matéria de fé. Assim, quando alguém diz as orações do “Pai-nosso…”, “Avé Maria…”, “Glória ao Pai…”, “Em nome do Pai…” e muitas outras, a palavra “ámen”, no fim, é uma interjeição significa que a pessoa está plenamente de acordo e satisfeita: é muito bom o que acabou de dizer. Em termos corriqueiros pode dizer-se que significa: “Porreiro, pá”!
Mas “ámen”, como nome também se usa para indicar acordo incondicional, anuência em geral, como por exemplo, na frase “ele não faz nada sem o ámen da família”. Dizer “ámen” significa estar de acordo com, por exemplo, “ele diz ámen a tudo o que chefe decide” ou o chefe deu o amém à proposta” ou “o miúdo porta-se porque o avô lhe tem dado os améns”.
E também significa rapidez. Por exemplo, “num ámen” ou “em menos dum ámen” significam “num instante”, como na frase “ele comeu a sopa em menos dum ámen”.
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Jesus, o Ámen
A Bíblia chama Jesus de “o Ámen”, porque ele é a confirmação da promessa de salvação (Ap 3,14). Deus prometeu trazer salvação para quem se arrependesse e a vinda de Jesus foi a confirmação dessa promessa. Jesus é a testemunha de que a palavra de Deus é digna de confiança. A Bíblia é a Palavra de Deus e tudo que ela diz é a verdade (2 Tm 3,16-17). O próprio Jesus atesta estas asserções, bem como o Espírito Santo.
Jesus também usou a palavra “ámen” muitas vezes para enfatizar o que dizia, afirmando que realmente era a verdade. Na expressão “amen, amen dico vobis”, traduzida como “em verdade, em verdade vos digo...”, que Jesus usou várias vezes, o original de “em verdade” é “Amén”. Dizer uma coisa duas vezes era outra forma de confirmar algo. Por isso, dizer “ámen” duas vezes era uma afirmação muito séria de convicção (Sl 89,53). Ao dizer “ámen, ámen”, Jesus estava a afirmar que as suas palavras são a verdade e são muito importantes para nós.
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Situações onde o AMEM está presente
Como louvor a Deus – exaltação:
E bendito seja para sempre o seu nome glorioso; e encha-se toda a terra da sua glória. Ámen! Amém!” (Sl 72,19).
E Esdras louvou ao IHWH, o grande Deus; e todo o povo respondeu: Ámen! Amém! Levantando as suas mãos; e inclinaram suas cabeças, e adoraram ao IHWH, com os rostos em terra” (Ne 8,6).
Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a Ele eternamente. Ámen” (Rm 11,36).
E todos os anjos estavam ao redor do trono, e dos anciãos, e dos quatro animais; e prostraram-se diante do trono sobre seus rostos, e adoraram a Deus, dizendo: Ámen. Louvor, e glória, e sabedoria, e ação de graças, e honra, e poder, e força ao nosso Deus, para todo o sempre. Ámen!” Ap 7:11-12.
E os vinte e quatro anciãos e os quatro animais prostraram-se e adoraram a Deus, que estava assentado no trono, dizendo: Ámen. Aleluia!Ap 19:4.
Como promessas de Deus:
Ámen vos digo que, até que os céus e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da Torah, sem que tudo seja cumprido” (Mt 5,18).
E Jesus disse-lhes: Ámen vos digo que vós, que me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do homem se assentar no trono da sua glória, também vos assentareis sobre doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel” (Mt 19,28).
Ámen, Amém, vos digo: se alguém guardar a minha palavra, nunca verá a morte” (Jo 8,51).
Ámen, Amém, vos digo: aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas, porque eu vou para o meu Pai” (Jo 14,12).
E ele disse-lhes: Na verdade vos digo que ninguém há, que tenha deixado casa, ou pais, ou irmãos, ou mulher, ou filhos, pelo poder soberano de Deus, que não haja de receber muito mais neste mundo, e na idade vindoura a vida eterna” (Lc 18,29-30).
Eis que vem com as nuvens, e todo o olho o verá, até os mesmos que o traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Sim. Ámen” (Ap 1,7).
“Eles respon­de­­ram: ‘Devol­ve­re­mos tudo e nada mais lhes pediremos; faremos como dizes’. Chamei, en­tão, os sacer­dotes e obri­guei-os a jurar que agiriam assim. E sacudi o pó do meu manto, dizendo: ‘Que Deus sacuda assim, da sua casa e dos seus bens, todo aquele que não cumprir com a sua palavra. Que seja expulso e espo­liado!’ E toda a assembleia respon­deu: ‘Ámen’; e louvaram o Senhor. E o povo cumpriu a promessa.” (Ne 5,12-13).
Como Juízo de Deus:
E ele, respondendo, disse: Ámen vos digo que vos não conheço” (Mt 25,12).
Ámen vos digo que todos os pecados serão perdoados aos filhos dos homens e toda a sorte de blasfémias, com que blasfemarem; porém, quem blasfemar contra o Espírito o Santo, nunca obterá perdão, mas será réu do eterno juízo” (Mc 3,28-29). Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro; e, se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte na árvore da Vida e na cidade santa, e das coisas que estão escritas neste livro. Aquele que testifica estas coisas diz: Sim, virei em breve. Ámen! Vem, Senhor Jesus” (Ap 22,18-20).
Como bênção e maldição:
E esta água amaldiçoante entre nas tuas entranhas, para te fazer inchar o ventre, e te fazer consumir a coxa. Então a mulher dirá: Amém, Amém.” (Nm 5,22).
Estas palavras ditas por Moisés fariam com que a mulher envolvida num caso de suspeita de adultério fosse julgada pela água. Caso fosse culpada, morreria, mas, caso fosse inocente, seria abençoada com cura e com fertilidade.
Percebemos então que o “Ámen” é na realidade uma pessoa. O livro do Apocalipse confirma-o:
E ao anjo da igreja que está em Laodiceia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus” (Ap 3,14).
Por esta passagem sabemos que o Ámen é Jesus; foi Ele que esteve no princípio da Criação com o Pai e o Espírito Santo e é Ele que se torna a figura central do livro de Apocalipse:
Eu sou o Alfa e o Ómega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim” (Ap 22,13).
Então, quando alguém diz “Ámen”, está a dizer aquela palavra com o aval de Jesus que confirma e faz cumprir aquela palavra dita anteriormente. Um exemplo disso está na passagem da Torah, a das doze maldições, que diz:
Estas são as tribos que estarão sobre o monte Garizim para abençoar o povo, quando tiverdes atravessado o Jordão: Simeão, Levi, Judá, Issacar, José e Benjamim. E estas estarão sobre o monte Ebal para amaldiçoar: Rúben, Gad, Aser, Zabulão, Dan e Neftali. Os levitas tomarão a palavra e dirão em voz alta a todos os homens de Israel: ‘Maldito o homem que fizer uma estátua esculpida ou fundida objecto abominável ao SENHOR, obra de um artífice, e a colocar num lugar escondido!’ E todo o povo responderá: ‘Ámen!’.” (Dt 27,13-15).
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Concluindo
Quem mais proferiu a palavra AMEM foi Jesus, que é o próprio Ámen em carne!
Em todas as “Bessorot” (boas novas) onde aparece o segmento “Em verdade”, no original hebraico está o “Ámen”. E, quando Jesus diz “Ámen” – sendo Ele a testemunha fiel e verdadeira – sela diante dos homens tanto as promessas como os juízos e, a partir desse momento, tem o direito de testemunhar a favor do mundo ou contra, pois deixou a Sua Palavra para que o homem fizesse a escolha.
O “Ámen” é pouco usado na Tanach (Bíblia Hebraica: acrónimo de Torah, Nevi’im e Kettuvim – Ensinamento, Profetas e Escritos) e na Brit Hadasha (nome dado por alguns ao Novo Testamento, supostamente escrito em hebraico, de que o texto grego seria a 1.ª tradução, e a que chamam “Restauração da Aliança) – sinal de que as pessoas naquela época tinham consciência da força daquela palavra.
Paulo diz:
Rezarei com o espírito, mas rezarei também com a inteligência; cantarei com o espírito, mas cantarei igualmente com a inteligência. De outro modo, se tu elevas um cântico de louvor só com o espírito, como pode o que participa como simples ouvinte responder ‘Ámen’ à tua ação de graças, visto que não sabe o que dizes? (1Cor 14,15-16).
Enfim, podemos proclamar que a palavra “Ámen” sela nos céus e na terra o que é dito:
Ámen vos digo: ‘tudo o que ligardes na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligardes na terra será desligado nos Céus’. (…) Se dois de vós concordardes na terra acerca de qualquer coisa que pedirdes, isso vos será feito por meu Pai, que está nos Céus. Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles.” (Mt 18,18-20).
Por tudo, é preciso dizer e continuar a dizer sempre, com força e afeto, “Ámen” a Deus e ao seu Cristo, presente na assembleia crente, presente nos seus ministros, presente por excelência na Eucaristia e demais sacramentos e, às vezes, de forma bem interpelante, presente nos que mais sofrem a penúria, a doença, a exploração e o descarte.

Alves, João (2005). Ámen e Amém. https://ling.blogs.sapo.pt/12267.html;
Bross, Olivier et al (1989). Dicionário de Termos da Fé, Porto: Ed. Perpétuo Socorro, pg 47;

Dorn, A. Van Den. (coord.) (1985). Dicionário Enciclopédico da Bíblia, Petrópolis: Vozes, pg 57;

Holguín, Henry (2015). O que significa a palavra “amém”? - https://pt.aleteia.org/2015/10/19/o-que-significa-a-palavra-amem/;

Moreno, Mário – http://shemaysrael.com/o-amem/;

Respostas Bíblicas. O que significa amém? Jesus, o Amém – https://www.respostas.com.br/o-que-significa-amem/


2019.03.25 – Louro de Carvalho

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