As ameaças que as alterações climáticas representam, para o Mundo, requerem medidas urgentes. E o tema é tanto mais premente quanto o cumprimento do Acordo de Paris está seriamente comprometido, em razão da galopante ascensão das forças políticas da extrema-direita, da insaciabilidade de muitos agentes económicos, no atinente aos recursos naturais, do alastramento dos conflitos bélicos, do negacionismo de muitos, sobre a matéria, e da demanda dos produtos fósseis, por parte de alguns países produtores de petróleo e de gás natural, agora patenteada por Donald Trump e seus acólitos políticos.
A intensa atividade humana está a influenciar, gradualmente, o clima da Terra, devido às enormes quantidades de gases com efeito de estufa (GEE) que acrescenta às naturalmente presentes na atmosfera. Estes GEE adicionais provêm, principalmente, da queima de combustíveis fósseis para produzir energia, mas também derivam de outras atividades humanas, como o abate das florestas tropicais, a agricultura intensiva e extensiva, a pecuária e o fabrico de produtos químicos. O dióxido de carbono (CO2) é o GEE mais frequentemente resultante das atividades humanas.
Estes gases adicionais ampliam o “efeito de estufa” da atmosfera terrestre, fazendo com que a temperatura da Terra aumente a um ritmo inabitual e provocando grandes alterações climáticas.
A queima de combustíveis fósseis, o desmatamento e a criação de gado influenciam o clima e, em especial, a temperatura da Terra. Isso tudo adiciona enormes quantidades de GEE aos que ocorrem naturalmente na atmosfera, aumentando o efeito estufa e o aquecimento global.
Até ao presente, a década 2011-2020 foi a mais quente registada, com a temperatura média global a atingir 1,1 °C (graus centígrados), acima dos níveis pré-industriais, em 2019. E o aquecimento global induzido pelo homem está, atualmente, a aumentar a uma taxa de 0,2 °C, por década.
O aumento de 2 °C, em comparação com a temperatura em tempos pré-industriais, está associado a sérios impactos negativos no ambiente natural, na saúde e no bem-estar humanos, incluindo o risco muito maior de que mudanças perigosas e, possivelmente, catastróficas no ambiente global ocorram. Por isso, a comunidade internacional reconhece a necessidade de manter o aquecimento bem abaixo de 2 °C e de envidar esforços para o limitar a 1,5 °C.
O principal impulsionador das mudanças climáticas é o efeito estufa. Alguns gases na atmosfera da Terra agem como o vidro de uma estufa, retendo o calor do sol e impedindo que ele vaze de volta para o espaço, do que resulta o aquecimento global. Muitos desses GEE ocorrem naturalmente, mas as atividades humanas estão a aumentar as concentrações de alguns deles na atmosfera, em particular: o CO2; o metano (CH4); o óxido nitroso (N2O); e os gases fluorados.
O metano encontra-se como componente principal nas exalações naturais de regiões petrolíferas, existindo também encerrado em cavidades nos estratos de jazidas de carvão mineral. E 60% da emissão de metano no Mundo é produto da ação humana, vindo, principalmente, da agricultura.
O óxido nitroso possui muitas aplicações, sobretudo nas indústrias, sendo utilizado como anestésico, nos processos cirúrgicos, nas áreas médica e odontológica, como propelente em aerossóis e na queima de combustível, em motores de combustão, para aumentar a potência.
Os gases fluorados, substâncias químicas que contêm flúor, são utilizados em vários setores industriais. São gases artificiais que têm um forte efeito de estufa e contribuem para as alterações climáticas. Os principais são os hidrofluorocarbonetos (HFC), os perfluorocarbonetos (PFC) e o hexafluoreto de enxofre (SF6).
O dióxido de carbono é gás incolor e inodoro que está presente na atmosfera e que é também emitido por atividades humanas. No estado sólido, é conhecido como gelo seco.
Tem como caraterísticas: é um composto químico inorgânico formado por um átomo de carbono e dois de oxigénio; é solúvel em água; é um GEE que retém o calor do sol; e ajuda as plantas na fotossíntese.
Tem como fontes de emissão: a queima de combustíveis fósseis, como carvão, petróleo e gás natural; as mudanças de uso da terra, como o desmatamento; a produção de hidrogénio, de fertilizantes e de bioetanol; e a respiração humana.
Aplica-se na extinção de incêndios; na conservação de alimentos; na carbonatação de bebidas, como refrigerantes, água mineral e cerveja; na maturação do vinho; em procedimentos cirúrgicos, como a laparoscopia e a colonoscopia; na soldagem a arco; na limpeza de resíduos orgânicos de metais, de polímeros, de cerâmicas e vidros; e no teste de dispositivos eletrónicos.
Tem os seguintes efeitos na saúde: a exposição a baixas concentrações pode causar irritação nos olhos, nariz ou garganta; e a exposição a altas concentrações pode causar perda de consciência.
Causas naturais, como mudanças na radiação solar ou atividade vulcânica, terão contribuído, com menos de mais ou menos 0,1°C para o aquecimento total, entre 1890 e 2010.
Logo a seguir, vem o abate florestal ou desmatamento. Na verdade, as árvores ajudam a regular o clima, absorvendo CO2 da atmosfera. Ora, quando são cortadas, esse efeito benéfico é perdido e o carbono armazenado nas árvores é libertado na atmosfera, aumentando o efeito estufa.
Também o aumento da exploração pecuária contribui para o aumento das emissões. Com efeito, as vacas e as ovelhas produzem grandes quantidades de metano, quando digerem os alimentos.
Com os fertilizantes portadores de nitrogénio produzem emissões de óxido nitroso, também são causa de emissões.
E, como os gases fluorados são emitidos por equipamentos e produtos que usam esses gases, essas emissões têm um efeito de aquecimento muito forte, até 23 mil maior do que o CO2.
Como cada tonelada de CO2 emitida contribui para o aquecimento global, todas as reduções de emissões contribuem para o desacelerar. Para deter completamente o aquecimento global, as emissões de CO2 precisam de atingir o zero líquido em todo o Mundo. Além disso, reduzir as emissões de outros GEE, como o metano, também pode ter efeito poderoso na desaceleração do aquecimento global, especialmente, no curto prazo.
As consequências das mudanças climáticas são extremamente sérias e afetam muitos aspetos das nossas vidas. Por isso, as principais prioridades da União Europeia (UE) são combater as mudanças climáticas e adaptar-se a um Mundo em aquecimento. Urge, pois, a ação climática.
O planeta Já aqueceu mais de 1 ºC, comparativamente às temperaturas anteriores à era industrial.
Cientistas do Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC) alertaram para as consequências graves e, mesmo, irreversíveis de um aquecimento mundial de 1,5 ºC para o ambiente e para as nossas sociedades.
Quanto mais perturbarmos o clima, maiores serão os riscos para a nossa sociedade e para o ambiente. Ora, os efeitos das alterações climáticas já se fazem sentir em todo o Mundo e prevê-se que se tornem mais frequentes e mais intensos, nas próximas décadas.
Sem medidas tendentes a contrariar as alterações climáticas, durante a vida dos nossos filhos, poderão verificar-se na UE: 400 mil mortes prematuras, por ano, devido à poluição atmosférica; 90 mil mortes anuais, em consequência de vagas de calor; menos 40 % de volume de água disponível nas regiões meridionais da UE; exposição anual de 2,2 milhões de pessoas a inundações costeiras; e perdas económicas anuais de 190 mil milhões de euros.
Estas alterações climáticas podem transformar o planeta, afetando o abastecimento de alimentos, a disponibilidade de água e a saúde. Embora o risco seja geral, as consequências afetam mais as populações pobres e vulneráveis.
Quanto maiores forem os problemas, mais difícil e dispendioso será resolvê-los, pelo que a melhor opção será tomar, quanto antes, as medidas necessárias para enfrentar as alterações climáticas.
A UE já estava no bom caminho, para cumprir a sua meta de redução das emissões de gases com efeito de estufa para 2020 e adotou um plano para reduzir ainda mais as emissões em, pelo menos, 55 %, até 2030.
O objetivo da UE é tornar a Europa, até 2050, o primeiro continente com impacto neutro no clima. Para tanto, há que reduzir, o mais possível, as suas emissões e aumentar as remoções de GEE da atmosfera, de modo a atingir “emissões líquidas nulas”.
Este objetivo faz parte do Pacto Ecológico Europeu (PEE): um pacote ambicioso de medidas para reduzir as nossas emissões de GEE a zero emissões líquidas, assegurando, ao mesmo tempo, uma sociedade equitativa, saudável e próspera, para as gerações futuras.
A par da redução das emissões, temos de nos adaptar às mudanças que estão a verificar-se e àquelas que ocorrerão. A UE contribui para melhorar a preparação para os impactos das alterações climáticas, a nível nacional, regional e local, assim como a capacidade de resposta a esses impactos. Colabora com outros países e regiões na promoção da ação climática, a nível mundial, e no apoio aos países parceiros – em especial os mais vulneráveis –, nos esforços que estes desenvolvem. E está a trabalhar no sentido de que, paralelamente à recuperação da pandemia de covid-19, seja assegurada a transição para uma Europa mais ecológica, mais digital e mais resiliente.
A transição para uma sociedade neutra, em termos climáticos constitui, simultaneamente, um desafio que exige medidas urgentes e uma oportunidade para construirmos um futuro melhor para todos. Ao agir em prol do clima e do ambiente, cada cidadão pode ajudar a preservar e a proteger o planeta, hoje e para as gerações futuras.
Entre os benefícios para a sociedade, contam-se os seguintes: novos empregos, tendencialmente verdes; maior competitividade; crescimento económico; ar mais limpo e sistemas de transportes públicos mais eficientes, nas cidades; novas tecnologias, como automóveis elétricos e híbridos, habitação eficiente, do ponto de vista energético, e edifícios com sistemas de arrefecimento e de aquecimento inteligentes; e aprovisionamento energético e de outros recursos seguros, para tornar a Europa menos dependente das importações.
Estudos realizados mostram que a transformação numa sociedade ecológica e digital é viável, do ponto de vista económico, e exequível. Se não se fizer nada, agora, os custos das alterações climáticas para a economia e a sociedade serão muito mais elevados.
Toda a sociedade e todos os setores económicos terão um papel a desempenhar – do setor energético ao setor industrial, ao setor dos transportes, ao setor da construção e aos setores agrícola e florestal.
No âmbito da consecução dos nossos objetivos climáticos e ambientais, é de salientar a necessidade da criação de uma indústria sustentável, que exige uma política industrial baseada na economia circular. Assim, a estratégia industrial da Europa apoia a transformação ecológica: estimulando o desenvolvimento de novos mercados para produtos de economia circular e com impacto neutro no clima; modernizando e tirando partido das oportunidades na UE e no Mundo, para garantir o nosso progresso e a prosperidade futura; e descarbonizando os setores energívoros, como os setores do aço e do cimento.
O Plano de Ação para a Economia Circular apresenta uma estratégia de fomento de “produtos sustentáveis” que prioriza a redução e a reutilização dos materiais, antes da sua reciclagem. Foram estabelecidos requisitos mínimos para evitar a colocação no mercado europeu de produtos nocivos para o ambiente e são combatidas as falsas alegações ecológicas.
Os esforços concentrar-se-ão em setores, com a utilização intensiva de recursos, como os têxteis, a construção, a eletrónica e os plásticos, evitando o descarte precipitado.
Todos os cidadãos podem contribuir. Por mais pequenos que sejam, todos os esforços contam.
Não obstante, o ónus principal cabe aos decisores políticos e aos agentes económicos, que devem estar atentos aos grupos de pressão. Os decisores políticos, em especial, não podem deixar de utilizar o poder e os recursos para prevenir e para punir os comportamentos desviantes. E nunca devem aproveitar o poder, que detêm, para molestar a Natureza e a sua biodiversidade.
2025.04.02
– Louro de Carvalho