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quinta-feira, 12 de julho de 2018

Cardeal Tauran, o homem que anunciou Francisco Urbi et Orbi


Ocorreu, no Altar da Basílica de São Pedro, nesta quinta-feira, 12 de julho, às 10,45 horas, a celebração das exéquias por alma e em memória do Cardeal Jean-Louis Tauran, Titular da diaconia de Santo Apolinário nas Termas Neronianas-Alexandrinas. A Liturgia decorreu sob a presidência do cardeal Angelo Sodano, Decano do Colégio Cardinalício, junto com os cardeais, arcebispos e bispos. Além da presença do Papa, também foi notada a presença de Geneviève Dubert, irmã do cardeal, à qual o Pontífice enviou um telegrama de condolências há alguns dias.
No final da celebração eucarística, o Papa Francisco presidiu ao rito da Ultima Commendatio e da Valedictio.
O camerlengo da Santa Igreja Romana e presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-Religiosoícone da promoção do diálogo, que tinha completado 75 anos em abril, faleceu em 5 de Julho em Hartford, nos Estados Unidos, após longa doença. Será sepultado na basílica de Santo Apolinário nas Termas neronianas-Alexandrinas, da qual era titular.
Ao recordar o “inesquecível” cardeal francês, Angelo Sodano disse “foi um irmão” que serviu “corajosamente a Santa Igreja de Cristo”, apesar do “peso da sua doença”.
“No Evangelho, Jesus – explicou Sodano, como refere o Vatican News – recordou-nos quais são as verdadeiras bem-aventuranças do cristão”. Na verdade, “é comovedor ouvir-lhe proclamar estas bem-aventuranças na nossa Igreja: Bem-aventurados os pobres de espírito. Bem-aventurados os mansos, bem-aventurados os puros de coração, bem-aventurados os que promovem a paz”.
E o presidente da Liturgia, frisando que foi “testemunha por muitos anos do grande espírito apostólico do cardeal Tauran”, enfatizou que “são bem-aventuranças que iluminaram toda a vida” do eminente purpurado “como estrelas luminosas no seu caminho”.
Mais o Decano do Sacro Colégio Cardinalício evidenciou que o cardeal Tauran era “uma grande figura” de sacerdote, bispo e cardeal, que “dedicou, como muitos, a sua vida ao serviço da Santa Sé, da Igreja e nos últimos anos particularmente ao diálogo com todos os homens de boa vontade”. Desta maneira, seguiu a linha traçada pelo Concílio Ecuménico Vaticano II no compromisso – segundo a Gaudium et spes – da fraternidade universal (com efeito, todos somos irmãos), a qual nos leva à consciência clara de que, “chamados pela mesma vocação humana e divina”, podemos e devemos cooperar pacificamente, “sem violência, nem engano” na edificação “do mundo na verdadeira paz”.
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Para recordar o cardeal Tauran, o Cardeal espanhol Santos Abril y Castelló, ligado por uma profunda amizade com o cardeal francês, aceitou ser entrevistado por Hélène Destombes, do que se registam as seguintes palavras:
A minha recordação do cardeal Tauran é verdadeiramente uma recordação de amizade e lamentação pelo facto de ele nos ter deixado. Ultimamente, eu via-o evidentemente enfraquecido. Mas mesmo neste período, ele colocava o seu dever em primeiro lugar: o de procurar aproximar as posições com o mundo das outras religiões, especialmente com o Islão. E ele fazia isso com um grande sentido de respeito para com todos, de grande competência e com uma grande capacidade de diálogo, de propor possíveis soluções. Ele fez tudo isso também com grande sacrifício, porque a sua saúde era muito fraca nos últimos tempos: ele percebia que não estava nas condições ideais para continuar o magnífico trabalho que estava fazendo para a Igreja.”.
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É abundante e polifacetada a folha de valorização e serviço que transparece da sua biografia como se pode ver pelo Observador on line, a 6 de julho, e pela  Wikipédia – enciclopédia livre.
O Cardeal Jean-Louis Pierre Tauran, que em 13 de março de 2013, foi encarregado, por ser o cardeal protonotário, de vir à varanda principal da Basílica de São Pedro proclamar o pregão “Annuntio vobis gaudium magnum, Habemus Papam” e dizer, a seguir, o nome do Cardeal Mario Georgio Bergoglio, que assumiu o nome papal de Francisco, nasceu em Bordéus, a 5 de abril de 1943, era o presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso e camerlengo da Câmara Apostólica.
O seu nome de batismo é Louis-Pierre e o prenome é Jean. Recebeu o sacramento da confirmação em 5 de junho de 1955, das mãos de Paul-Marie-André Ricchau, Arcebispo de Paris e futuro cardeal.
Estudou na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, onde se licenciou em Filosofia e Teologia e se doutorou, em 1973, em Direito Canónico, e no Instituto Católico de Toulouse. Também estudou na Pontifícia Academia Eclesiástica, em Roma. Além do francês como língua materna, falava correntemente espanhol, inglês e italiano.
Ordenado presbítero, aos 26 anos, em 20 de setembro de 1969, em Bordéus, pelo Arcebispo de Bordéus Marius Maziers – não sem antes ter sido professor num colégio do Líbano, aos 21/22 anos, como forma de cumprir o serviço militar – tornou-se pároco na sua Arquidiocese, após o que ingressou no serviço diplomático da Santa Sé em 1975, passando trabalhar em definitivo para a Cúria Romana. Foi secretário da Nunciatura, na República Dominicana, entre 1975 e 1978 e secretário da Nunciatura no Líbano, entre 1979 e 1983.
Integrou o Conselho para os Assuntos Públicos da Igreja a partir de julho de 1983. Participou em missões especiais no Haiti, de 1984, e Beirute e Damasco, em 1986. Foi membro da delegação da Santa Sé para as reuniões da Conferência sobre Segurança e Cooperação Europeia, Conferência sobre o Desarmamento, em Estocolmo, na Suécia, e no Fórum Cultural em Budapeste, na Hungria, e sucessivas reuniões em Viena.
Eleito Arcebispo-titular de Telepte e nomeado subsecretário da Secretaria de Estado para as Relações com os Estados (tornando-se o titular da secção dois anos depois – uma espécie de ministro das Relações Exteriores do Papa), a 1 de dezembro de 1990, foi-lhe conferida a ordenação episcopal em 6 de janeiro de 1991, na Basílica de São Pedro, por João Paulo II, sendo coordenantes por Giovanni Battista Re, Arcebispo-titular de Vescovio, substituto da Secretaria de Estado, secção de Assuntos Gerais, e Justin Francis Rigali, Arcebispo-titular de Bolsena, secretário da Congregação para os Bispos. Adotou o lema episcopal Veritate et caritate” (Pela verdade e pela caridade).
É naquela função na Secretaria de Estado que Tauran acabou se torna perante do mundo a voz e o rosto da firme oposição do Papa à Guerra do Iraque no início dos anos 2000. Para Tauran, dar início ou não à guerra era fazer “uma escolha entre a força da lei e a lei da força”. E disse:


Nenhuma regra do direito internacional autoriza um ou mais Estados a recorrer unilateralmente ao uso da força para mudar o regime ou a forma do governo de outro Estado com base na alegação, por exemplo, de que possui armamento de destruição em massa”.
Enfrentou, pois, George W. Bush com ferrenha oposição, dialogou com líderes religiosos do mundo todo e foi o responsável por anunciar uma das notícias mais esperadas da última década.
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Criado cardeal-diácono no consistório de 21 de outubro de 2003, recebeu o barrete e a diaconia de Santo Apolinário nas Termas Neronianas-Alexandrinas. Dois dias depois, a 24 de novembro de 2003, foi nomeado Arquivista e Bibliotecário da Santa Igreja Romana, cargo que exerceu até 25 de junho de 2007 e para o qual acabou de ser designado o português Dom José Tolentino de Mendonça, Arcebispo-Titular eleito de Sauva.
Como representante do Papa participou na inauguração do novo Museu do Holocausto  Yad Vashem, a 15 de março de 2005, em Jerusalém. E, nesse mesmo ano, foi o enviado especial do Papa às celebrações centrais do Extraordinário Ano Jubilar da Diocese de Le Puy-en-Velay, na França, ocorrido a 29 de maio, na Basílica Catedral de Notre Dame du Puy. Participou, por nomeação papal, na X Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, na Cidade do Vaticano, de 2 a 23 de outubro de 2005. Nomeado presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso a 25 de junho de 2007, assumiu o cargo em 1 de setembro de 2007.
Este cargo colocava-o na linha da frente do diálogo com o mundo islâmico. Falou várias vezes em defesa dos cristãos nos países muçulmanos e criticou o facto de, em alguns países árabes, os não-muçulmanos serem tratados como cidadãos de segunda.
Esteve recentemente na Arábia Saudita, donde voltou, como se diz adiante, com uma importante conquista para os muitos cristãos – sobretudo expatriados – que vivem naquele reino, nomeadamente o direito a praticarem a sua religião, o que até então lhes estava vedado.
Participou na XII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, na Cidade do Vaticano, entre 5 a 26 de outubro de 2008, sobre “A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja”.
Foi o enviado especial do Papa às cerimónias conclusivas do Ano Paulino em 29 de junho de 2009, na Turquia. Participou na II Assembleia Especial para a África do Sínodo dos Bispos, de 4 a 25 de outubro de 2009, na Cidade do Vaticano, sobre o tema “A Igreja na África, ao serviço da reconciliação, da justiça e da paz: Vós sois o sal da terra, você é a luz do mundo”. Foi o enviado especial do Papa para a celebração do milénio da Abadia de Saint-Pierre de Solesmes, na França, ocorrido em 12 de outubro de 2010. Participou na II Assembleia Especial para o Oriente Médio do Sínodo dos Bispos, de 10 a 24 de outubro de 2010, na Cidade do Vaticano, como membro eleito do Conselho Especial para o Oriente Médio da Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos, 23 de outubro de 2010. Em 23 de novembro de 2010, ele recebeu o doutoramento honoris causa do Institut Catholique de Paris. Confirmado pelo Papa Bento XVI no ofício do cardeal protodiácono no consistório de 21 de fevereiro de 2011, há vários anos que sofria do que foi diagnosticado como o mal de Parkinson. Apesar disso, a 19 de junho de 2012, foi confirmado por 5 anos como presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso.
Como cardeal-protodiácono foi ele quem anunciou ao mundo a eleição do novo Papa e o seu nome papal, no termo do Conclave de 2013, como foi referido, e impôs o pálio sobre Francisco na inauguração do ministério petrino do pontífice em 19 de março de 2013.
Em 15 de abril de 2013, foi nomeado enviado especial do Papa às celebrações do quarto centenário da chegada do ícone da Virgem Maria em Budslau, na Bielorrússia, ocorrido em 5 e 6 de julho de 2013, no Santuário Nacional, que se encontra no território da Arquidiocese de Minsk-Mohilev. A 26 de junho de 2013, o Papa nomeou-o membro da Pontifícia Comissão Relativamente ao Instituto para as Obras de Religião (Banco do Vaticano). A 24 de agosto de 2013, foi nomeado enviado especial do Papa às celebrações do primeiro centenário da Arquidiocese de Lille, na França, que tiveram lugar em 26 e 27 de outubro de 2013. Foi confirmado como membro da Congregação para os Bispos em 16 de dezembro de 2013.
A 12 de junho de 2014, passou para a ordem de  cardeais-presbíteros, mantendo o seu título pro hac vice. E, a 20 de dezembro de 2014, Francisco nomeou-o Camerlengo da Santa Igreja Romana, sendo, nesta condição, o responsável pela administração das propriedades e receitas da Santa Sé e devendo assumir as responsabilidades de Chefe de Estado do Vaticano entre a morte ou resignação de um Papa e a eleição de outro.
A sua última viagem em nome da Santa Sé, em abril, foi uma visita de oito dias à capital saudita, Riad, onde se encontrou com o rei Salman bin Abdulaziz e com o secretário-geral da Liga Muçulmana Mundial, o sheik Mohammed Al-Issa. Foi a primeira visita dum cardeal ao país em que ficam os dois grandes santuários do Islão, Meca e Medina. Na pátria do wahabismo, uma das correntes mais fundamentalistas do islão, o Cardeal fez discursos corajosos, pedindo que os cristãos “não sejam considerados cidadãos de segunda classe” e apostando na educação como caminho para o diálogo e a tolerância.
Esta viagem a Riad, já bastante debilitado, constituiu um marco para as relações entre a Igreja e o mundo muçulmano. Nela sustentou que a ameaça não provém do “choque de civilizações”, mas do “choque de ignorâncias e radicalismos”. Assim, defendia que “a religião pode ser proposta, mas jamais imposta”. E, numa entrevista em dezembro do ano passado, explicou como ele e a Santa Sé viam com apreço o recurso ao diálogo:
Nós cremos que, no fundo, não obstante as posições que às vezes possam parecer distantes, é necessário promover espaços de diálogo sincero. Apesar de tudo, estamos convencidíssimos de que se pode viver juntos.”.
Dizia ele que frequentemente “é a ignorância que fundamenta o medo”. E assinalava a verificação de que “a maior parte dos europeus nunca teve um encontro com um muçulmano nem nunca abriu o Corão” e que “o contrário também é verdade: muitos muçulmanos jamais abriram a Bíblia”. E com este espírito de diálogo movia-se na Cúria Romana, sem intriguismos, pois nem tinha tempo para isso. E assegura o vaticanista Andrea Tornielli que “deu o exemplo de como se serve ao papa na Cúria Romana, sem protagonismos, fazendo sempre presentes as próprias objeções e sugestões, sem nunca as vazar em blogs ou entrevistas”.
(cf https://www.semprefamilia.com.br/acreditamosnoamor/quem-foi-o-cardeal-jean-louis-tauran-icone-da-promocao-do-dialogo/)
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No telegrama de condolências enviado à irmã do cardeal, o Papa disse que Tauran “marcou profundamente a vida da Igreja universal”. Era, pois, “um conselheiro ouvido e apreciado, nomeadamente graças às relações de confiança e estima que construiu com o mundo muçulmano”. E Francisco elogiou-lhe o sentido de serviço e “amor pela Igreja”, confessando-se “emocionado” pelo modo como soube “servir corajosamente a Igreja de Cristo até ao fim, apesar do peso da doença” (agência Ecclesia).
Como dizia o Papa em Fátima, o doente não é só objeto do cuidado da parte dos demais, mas é também à sua medida um cuidador, um evangelizador.
É motivo de ação de graças a vida deste servidor da Igreja e do mundo. Laus Deo!
2018.07 – Louro de Carvalho


terça-feira, 22 de maio de 2018

Dom António Marto: mais um serviço que presta à Igreja


Foi uma agradável surpresa para a Igreja que vive em Portugal a notícia de que o Papa Francisco nomeou Dom António Augusto dos Santos Marto Cardeal da Santa Igreja Romana, juntamente com mais 13 prelados e marcou o consistório da criação oficial dos novos cardeais para o dia 29 de junho.
Na verdade, o Bispo de Leiria-Fátima brilha como um dos bispos mais emblemáticos portugueses pela forma como congraça a profundidade da doutrina teológica com a maleabilidade da ação pastoral e pelo arrojo com que é capaz de configurar a coordenação do ser e da missão do Santuário de Fátima, granjeando-lhe pluralidade e uma notável polifonia de valências. Se, com Dom Alberto Cosme do Amaral e Dom Serafim de Sousa Ferreira e Silva, o Santuário respirava um bom ordenamento, uma orientação das atividades na linha conciliar e uma profunda espiritualidade radicada no Evangelho e nos sinais de Deus presentes no mundo – bastante por intuição e ação do antigo Reitor Monsenhor Paulo Guerra –, com Dom António Marto, o Santuário tem sido uma verdadeira escola politécnica de ação evangelizadora, santificante e pastoral, creio que por inspiração de Bento XVI e com o toque do Papa Francisco. Basta para o justificar a leitura atenta das orações marianas que o Santuário preparou para a pronúncia dos dois Papas visitadores, respetivamente Bento, em 12 de maio de 2010, e Francisco, em 12 de maio de 2017. E, se a preparação e o desenvolvimento do Centenário foram um espelho da mais-valia de Fátima, o pós-Centenário parece seguir o mesmo rumo no sentido de constituir um centro poderoso de carregamento de baterias para que os peregrinos, depois de se terem apresentado a si mesmos e ao mundo no altar do Santuário e contemplarem a vida das pessoas a partir da sua varanda, possam partir ou regressar às periferias da vida, tantas vezes acossada pelos ferozes inimigos do homem. Por outro lado, o Bispo tenta imprimir na sua diocese, sobretudo pelo aproveitamento do centenário da restauração da diocese, uma dinâmica bem intensa e plurivalente de modo que a Igreja do Lis seja uma Igreja aberta, profunda, assente nos valores do homem e de Deus, convertendo o pó acumulado na cadeia pós-constantiniana em sementes de vitalidade e fermento de Evangelho.
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As reações não se fizeram esperar em Portugal.
O Presidente da República saúda Dom António Marto pela sua elevação a Cardeal. Diz Marcelo Rebelo de Sousa em nota da Presidência:
Saúdo Dom António Marto, Bispo de Leiria-Fátima, pelo anúncio da sua elevação ao cardinalato, decisão sábia e clarividente do Papa Francisco, que assim reconhece uma exemplar trajetória biográfica e pastoral.
O empenho de Dom António Marto na reforma da Igreja, a sua profunda ligação a Fátima e aos seus mistérios, o cuidado na atenção aos outros e ao cumprimento diário da mensagem evangélica fazem dele um dos mais promissores novos cardeais.
Desejo-lhe as maiores venturas no exercício deste exigente múnus e, como Presidente da República, agradeço a Dom António Marto o seu admirável testemunho de esperança e de humanidade, prestado perante crentes e não crentes.”.
O Primeiro-Ministro, António Costa, também felicitou o Bispo de Leiria-Fátima, através da sua conta do Twitter:
Felicito Dom António Marto, Bispo de Leiria-Fátima, pelo anúncio da sua nomeação como Cardeal, feito hoje pelo @Pontifex_pt. É uma hora de alegria, não só para a Igreja, mas para todos os que o estimam. Desejo-lhe as maiores venturas.”.
O Bispo do Porto recebeu com “imenso júbilo” a notícia e diz que o bispo de Leiria-Fátima foi chamado pelo Papa ao trabalho de “renovação da Igreja”. Em comunicado enviado à Rádio Renascença, Dom Manuel Linda considera que esta foi uma “feliz escolha” por parte do Papa Francisco e sustenta:
Pelos seus dotes de sabedoria, fina sensibilidade pastoral, reconhecido otimismo e plena adesão à fé católica, o cardeal Dom António Marto constituirá uma forte mais-valia para a Igreja universal e para o mundo que servimos”.
Recordando a ligação de Marto ao Porto e considerando-o um amigo da cidade, sublinha que o prelado de Leiria-Fátima “é agora chamado a ajudar o Papa na tarefa da renovação da Igreja, de modo a corresponder cada vez mais ao rosto do Ressuscitado e a constituir-se sinal de esperança para este mundo globalizado, mas também com fortes convulsões”. E afirma:
Enquanto o felicito vivamente em nome de toda a Diocese, também lhe asseguro a certeza da nossa oração. Iguais sentimentos dirijo ao Papa Francisco, ele que, como tantas outras vezes, nos surpreende com a ousadia típica de ‘um homem de Deus.”.
O Cardeal Patriarca de Lisboa, Dom Manuel Clemente também manifesta o seu júbilo:
Recebo com muita alegria a nomeação do Senhor Dom António Marto para o Colégio Cardinalício. A sua inteligência e sensibilidade reforçarão na Igreja em geral e entre nós tudo quanto o Papa Francisco tem levado por diante em prol da evangelização, da justiça e da paz!”.
Em nome da CEP (Conferência Episcopal Portuguesa), o secretário Padre Manuel Barbosa, saudou a nomeação cardinalícia, falando no reconhecimento dum “fecundo ministério” e explicitando:
É com grande alegria que acolhemos a notícia da nomeação de Dom António Marto, Bispo de Leiria-Fátima e vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, como Cardeal da Igreja Católica. A sua nomeação pelo Papa Francisco é um reconhecimento do seu fecundo ministério episcopal na Diocese de Leiria-Fátima, no Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Fátima e na Igreja em Portugal.”.
O Padre Barbosa sublinha que o novo Cardeal português é agora chamado a “estender o seu ministério episcopal a toda a Igreja, em comunhão mais intensa com o Bispo de Roma”.
O Bispo da Guarda saudou o Bispo de Leiria-Fátima, pela sua nomeação como cardeal, considerando que a decisão do Papa é um reconhecimento da importância de Fátima no mundo:
A visibilidade de Fátima e a sua importância para a pastoral da Igreja em Portugal e no mundo, bem demonstradas sobretudo a partir da celebração do centenário das aparições ocorrido há um ano, ficam, assim, devidamente reconhecidas”.
Também a Diocese do Funchal reagiu a esta nomeação, sublinhando que representa “o reconhecimento dos dons e capacidades” de Dom António Marto ao serviço da Igreja Católica em Portugal e “sublinha a importância da Mensagem de Fátima para o mundo atual”.
Mas orgulhosos estão os transmontanos de cuja cepa comum brotou o novo purpurado. Diz o prelado diocesano, também de Trás-os-Montes, Dom Amândio José Tomás:
Muitos me pedem para te saudar, muitos se sentem orgulhosos do transmontano que o Senhor chamou a servir em Leiria – Fátima e o Papa Francisco, agora, chamou a servir mais de perto, pedindo-te redobrado conselho, fidelidade e intervenção, simbolizadas na púrpura que não é teatro de vaidades, mas convicto testemunho até ao martírio”.
E, mais adiante:
Ao comunicar, no início da Eucaristia, aos fiéis e aos sacerdotes a notícia, todos rejubilaram, rezaram por ti e continuam a associar-se à alegria geral da Igreja Diocesana, que te preza, te admira e te deseja os melhores êxitos e a proteção de Deus, no serviço, que és chamado a prestar à Igreja e ao nosso querido Papa Francisco, como Cardeal da Santa Igreja Católica e Romana”.
De acordo com o Padre Vítor Coutinho, vice-reitor do Santuário de Fátima e um dos mais diretos colaboradores do futuro cardeal, esta decisão mostra “reconhecimento” pelo trabalho que tem sido desenvolvido na diocese e no santuário por Dom António Marto.
O sacerdote fala numa “grande honra” para a Diocese de Leiria-Fátima, cujo Bispo vai tornar-se no quinto cardeal português do século XXI e o segundo a ser designado no atual pontificado.
E o Padre Carlos Cabecinhas, Reitor do Santuário disse ao Gabinete de Comunicação:
Em primeiro lugar felicitamos o Senhor Dom António Marto por esta escolha; em segundo lugar, reconhecemos nela uma deferência para com Fátima”.
Hoje, dia 22, Dom António Marto recebeu das mãos do Presidente da Câmara, Raul Castro, a Medalha de Ouro do Município de Leiria, na sessão solene comemorativa do Dia do Município, que teve lugar no Teatro José Lúcio da Silva, na data do aniversário da criação da Diocese e da elevação de Leiria a cidade, que aconteceu em 1545.
Na mesma sessão, foram homenageados os funcionários do município com 25 anos de serviço e distinguidos com a atribuição de medalhas de cobre, prata ou ouro, 12 personalidades do concelho que contribuíram para o desenvolvimento de Leiria em várias áreas, da ciência à economia, do desporto à cultura, entre outras.
O prelado foi distinguido pelo seu serviço à Diocese e à sociedade, contribuindo para a elevação da qualidade de vida das pessoas, pela atenção aos mais pobres e para levar longe o nome de Leiria, especialmente na sua qualidade de responsável pelo Santuário de Fátima. Esta atribuição havia sido aprovada pelo executivo municipal já em 2017. Mas vários oradores aproveitaram o ensejo para manifestarem a sua satisfação e felicitarem o Bispo pela nomeação cardinalícia.
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Por sua vez, Dom António Marto diz-se emocionado com a nomeação que encara como “um serviço”. E o Bispo de Leiria-Fátima, que o Papa nomeou como Cardeal, no dia 21, domingo, afirma que a nomeação o “surpreendeu” e que a vê como “mais um serviço” que presta à Igreja.
Durante a conferência de imprensa que deu na tarde do passado domingo no Santuário de Fátima reagindo à nomeação para Cardeal, disse:
Não olho para esta nomeação em termos de meritocracia, para mim é um serviço, uma responsabilidade a mais a prestar à igreja Universal”.
E, reportando-se às suas raízes e ao seu perfil pessoal, vincou:
Eu venho de uma família humilde e o meu pai, no início, não gostava muito que eu fosse padre, mas depois aceitou e um dia chamou-me à parte,  depois da ordenação, e disse-me: ‘meu filho, tu lembra-te sempre que vens de uma família humilde, que não te suba o poder à cabeça”. E eu sigo este legado que o meu pai me deixou. Nunca me subiu o poder à cabeça  nem aspiro a lugares de poder. Para mim a autoridade é um serviço e é um dever e o Senhor dá a graça de o podermos realizar.”.
O Bispo do Lis sublinhou que esta nomeação tem três aspetos: o primeiro é um serviço que o Papa pede para o ajudar no seu governo quer como bispo de Roma quer como pastor da igreja universal; o segundo é o reconhecimento da necessidade de uma maior ligação entre a sede de Pedro e as igrejas particulares e, em concreto entre a cátedra de Pedro e a diocese de Leiria-Fátima; e, em terceiro lugar, é um ato de confiança pessoal do Papa.
O prelado que durante a conferência de imprensa não conseguiu disfarçar a emoção nesta nomeação, encarando-a sempre com grande humildade, frisou que, além da confiança pessoal do Papa, há também um lado institucional nesta escolha. E sobre a conexão desta nomeação com Fátima, para lá da confiança papal “na minha humilde pessoa”, discorreu:
A celebração do Centenário, que o Papa experimentou ao vivo, percebendo o que significa Fátima para a  Igreja e para o Mundo há de ter contribuído para esta nomeação naturalmente”.
E acrescentou de forma simples e genuína:
Das duas audiências privadas que me concedeu deve ter percebido  o que penso das reformas que está a implementar  e vê em mim um apoiante dessas reformas no sentido de  tornar a Igreja numa Igreja mais evangélica, mais próxima, numa igreja mais misericordiosa e nisso ele sabe que pode contar comigo”.
Questionado sobre se já tinha falado com o Papa depois da nomeação, disse que não e contou como tinha recebido a notícia, antes de iniciar a celebração da Eucaristia dominical na Sé:
Recebi a notícia com surpresa e muita emoção, como que as lágrimas vieram aos olhos e tive de me conter para ninguém perceber e, só  depois, veio a paz de espírito como quem diz: seja feita a vontade do Senhor,  se é isto que a igreja me pede, resignei-me e tranquilizei-me. […] Não falei com o Papa. Ele surpreende-nos e desta vez também me surpreendeu. Quando falar com ele vou agradecer-lhe este ato de confiança e colocar-me à disponibilidade do Santo Padre.”.
O novo cardeal espera agora poder continuar na diocese, pois “com esta idade já não deveria sair daqui” e manifestou agrado em poder vir a participar, se “a saúde e o tempo de vida assim permitir” num conclave para a eleição de um novo Papa. Mas, agora o momento é “para viver o presente que é um momento de graça para a Igreja com este Papa e ajudá-lo na consolidação das  reformas que ele  está a implementar e depois logo se verá”.
Questionado sobre o contributo que pode dar ao Papa, lembrou que “é um pastor da Igreja, com os dons que tem e que os põe ao serviço da Igreja quando esta lhe pedir”.
É de recordar que, em junho de 2017, o Papa enviou uma mensagem ao prelado de Leiria-Fátima, para agradecer o “acolhimento fraterno” e a “hospitalidade fidalga” de que foi alvo na sua peregrinação à Cova da Iria. E saudava o “efusivo testemunho de alegria e amor a Nossa Senhora de Fátima” da parte de Dom António Marto e o trabalho de todos os seus colaboradores, “em toda a parte, desde a mesa ao altar”.
O futuro Cardeal português publicou numerosos artigos  em diversas publicações periódicas, nomeadamente nas revistas “Humanística e Teologia”, “Communio” e “Theologica”.
Foi delegado da Conferência Episcopal na Comissão dos Episcopados da Comunidade Europeia (COMECE) de 2011 até abril de 2017.
Desde abril de 2014 é Vice-Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, cargo que também exerceu durante o triénio 2008-2011.
Bispo de Leiria-Fátima, diocese para que foi nomeado em 22 de abril de 2006 e onde entrou solenemente e tomou posse canónica a 20 de junho, recebeu em Fátima, o Papa Bento XVI em maio de 2010 e o Papa Francisco em maio de 2017.
É de rezar para que o seu desempenho como especial cooperador do Pontífice na renovação da Igreja em prol dos homens seja profícuo e constitua reforçada exigência para o Santuário de Fátima, o qual mais do que o encanto com a colheita de louros, deve empenhar-se cada vez mais na oferta dum serviço divino e humano cada vez mais eficaz, mais evangélico e mais próximo.
2018.05.22 – Louro de Carvalho

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Homenagem das Forças Armadas e de Segurança a Dom Manuel Linda


Hoje, 13 de abril, a Igreja de Santa Maria de Belém, nos Jerónimos, encheu-se para justa e sentida homenagem, por ocasião da sua despedida, a Dom Manuel da Silva Rodrigues Linda, até agora Bispo das Forças Armadas e das Forças de Segurança ou Ordinariato Castrense e Bispo eleito do Porto, que tomará posse a 14 de abril e entrará solenemente na sua nova diocese a 15 de abril, pelas 16 horas, no dia em que perfaz 62 anos de idade.
A predita homenagem consistiu na celebração de Missa de Ação de Graças com a presença do Almirante António Silva Ribeiro, Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, do Dr. Marcos Perestello, Secretário de Estado da Defesa Nacional, do Dr. Fernando Frutuoso de Melo, Chefe da Casa Civil da Presidência da República, da Coronel Diná Azevedo, Assessora Militar do Presidente da República, do Dr. João Ribeiro, Secretário-Geral da Defesa Nacional, do General Manuel Teixeira Rolo, Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, do General Frederico Rovisco Duarte, Chefe de Estado-Maior do Exército, do Almirante António Mendes Calado, Chefe do Estado-Maior da Armada e Autoridade Marítima Nacional, do Tenente General Manuel da Silva Couto, Comandante-Geral da Guarda Nacional Republicana, do Superintendente-Chefe Luís Farinha, Diretor Nacional da Polícia de Segurança Pública, do Major-General Esperança da Silva, Inspetor-geral da Defesa Nacional, do Dr. Alberto Coelho, Diretor-geral de Recursos da Defesa Nacional, da Dr.ª Maria João Sanches de Azevedo Mendes, Chefe de Gabinete do Ministro da Defesa Nacional, da Dr.ª Maria Cristina Xavier Castanheta, Chefe de Gabinete do Secretário de Estado da Defesa Nacional, do Dr. Manuel Araújo, em representação do diretor da Polícia Judiciária Militar, e da Dr.ª Isabel Cruz de Almeida, Diretora do Mosteiro dos Jerónimos. Com Dom Manuel Linda concelebraram o Vigário Geral do Patriarcado de Lisboa e um grande número de Capelães Militares e participaram na celebração os diáconos permanentes do Ordinariato Castrense.
A Celebração contou com uma Guarda de Honra ao Altar constituída por cadetes dos três Ramos das Forças Armadas e das Forças de Segurança e a Animação Litúrgica esteve a cargo do Coro da Marinha. Os Toques de Homenagem aos Mortos foram executados pela Fanfarra do Exército e os principais Órgãos das Forças Armadas e das Forças de Segurança estavam representados pelos seus Estandartes.
No fim da cerimónia o CMGFA, Almirante António Ribeiro, depois de agradecer o privilégio de o meio Castrense o ter tido como Bispo, leu uma Mensagem do Presidente da República e ofereceu-lhe uma Imagem de São José.
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Na homilia e a partir da Liturgia do Dia, o Bispo, ainda Ordinário Castrense, que passará a Administrador Apostólico da Diocese das Forças Armadas e das Forças de Segurança até à nomeação do novo Bispo, alertou para a necessidade do combate à fome no mundo seguindo o exemplo de Cristo que nos ensina a partilhar, vincando:
Não podemos tolerar este escândalo e como Jesus, o único Salvador, devemos refutar a fome, porque é indigna do ser humano”.
Depois, partindo do sentimento de gratidão, que não deve ser apenas um simples hábito social ou um código linguístico, explicou, visivelmente comovido, as razões que devem levar as Forças Armadas e as Forças de Segurança a dizer um “Obrigado à Sociedade” e esta àquelas e de ele próprio ter o dever de agradecer a ambas e a Deus por o ter colocado em relação com elas. E frisou: “E digo ainda um obrigado a Deus que me colocou num setor, posso dizê-lo com emoção, só me deu muita alegria”. E terminou apelando a todos os presentes, militares e forças de segurança que continuassem fiéis aos princípios e valores que sempre os nortearam.
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A mensagem de Marcelo Rebelo de Sousa, um agradecimento em nome de Portugal e como Comandante Supremo das Forças Armadas, é do seguinte teor:
Como Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas, agradeço, solene e emotivamente, o múnus devotado, lúcido, incansável, solidário, e patriótico do Senhor Dom Manuel Linda como Bispo das Forças Armadas e das Forças de Segurança. Pela minha voz, Portugal agradece, indelevelmente, reconhecido.”.
Na sua alocução, o Almirante António Silva Ribeiro, recordou “as palavras que gentilmente quis dirigir a todos os elementos das Forças Armadas e das Forças de Segurança, logo que foi conhecida a vontade de Sua Santidade o Papa Francisco para que abraçasse uma nova tarefa pastoral na igreja”. Sublinhando que Dom Manuel Linda “acabou por ficar somente 4 anos ao serviço da igreja no Ordinariato Castrense”, não tendo sido, pois, assim “muito tempo”, sustentou que todos perceberam que “tudo fez com grande intensidade, paixão e inovação”. Por isso, no momento em que cessa funções, afirma-lhe quanto as Forças Armadas e as Forças de Segurança devem “à distinção da sua inteligência e à nobreza do seu caráter, pelo avanço que imprimiu, com resultados notáveis, ao Ordinariato Castrense”. Mais disse que Dom Manuel deixa em todos “um rasto de grande simpatia, de total proximidade e de grande dedicação às pessoas” e, “antes de tudo, de grande fidelidade ao Evangelho”. Todos se habituaram a ver no seu Bispoo compromisso com todos os valores que são código de conduta nas Forças Armadas e nas Forças de Segurança”, o que é considerado ter sido “reconfortante”, pois esses valores “continuarão a ser o nosso lema de todas as horas”. E não duvidam de que “a sua nova missão vai ser igualmente coroada de êxito na linha dos grandes pastores, com que Deus tem presenteado a Diocese do Porto”.
Finalmente, o Almirante CEMGFA fez votos por que “Deus abençoe e acompanhe sempre a sua ação, para que todos os seus novos diocesanos e homens de boa vontade em geral desfrutem, em cada momento, de todo o seu zelo pastoral”.
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Também, a 5 de Abril, nas instalações do Brigada Mecanizada, generais do Exército foram demonstrar a consideração dedicada ao senhor Bispo.
No final do almoço, o Chefe de Estado-Maior do Exército, general Rovisco Duarte, agradeceu a ligação sentimental que Dom Manuel demonstrou pelo Exército e, para além de documentação vária, colocou-lhe nas mãos uma artística bússola “para que nunca perca o Norte”. Após a foto “oficial”, junto ao novo monumento aos combatentes, celebrou-se a Eucaristia, então já com a presença do Presidente da Junta de Santa Margarida da Coutada e dos Comandantes das várias Unidades da BrigMec. O coro era constituído exclusivamente por militares e, como é habitual, não faltaram a guarda de honra ao altar e os costumados toques. Concelebraram o Capelão Adjunto para o Exército, Padre Matos, e o antigo capelão desta Brigada, Padre António Joaquim. E Dom Manuel usou a mitra com o logótipo do Ordinariato Castrense, “para que o senhor bispo nunca se esqueça dos militares” de que o comandante da BrigMec, o general Ferrão, e o comandante do Campo Militar, o coronel Vinhas Nunes, lhe fizeram oferta.
Na breve homilia, Dom Manuel comentou a leitura bíblica do dia, a pregação de São Pedro: “Condenastes o Justo e pedistes a libertação de um assassino”. E afirmou:
Juntamente com outras estruturas e organismos, o Exército existe para que esta inversão de valores não se produza e não leve à destruição dos próprios laços onde a sociedade se fundamenta. O que é um perigo constante e uma tentação de todos os tempos. Mas vós, caros militares, estareis tanto mais capacitados para esta salvaguarda dos valores quanto mais os tenhais presentes na vossa existência. E não tenhamos ilusão: a fé constitui o alicerce mais sólido onde assentam os valores. Por conseguinte, muni-vos da fé para que possais desempenhar a vossa nobre tarefa..
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Também o chefe de Estado-Maior da Força Aérea Portuguesa distinguiu, no dia 4 de abril, Dom Manuel Linda com a medalha de mérito aeronáutico de primeira classe e destacou o “humanismo” que caraterizou a sua missão como Bispo das Forças Armadas e de Segurança.
Em declarações à agência Ecclesia, no final da cerimónia nas instalações do EMFA em Alfragide, o general Manuel Teixeira Rolo salientou “as palavras estimulantes e de força” que o Bispo sempre conseguiu deixar aos militares e a forma como se afirmou como “mensageiro” dos valores que estes homens e mulheres são continuamente chamados “a cultivar”, “sobretudo porque a Força Aérea tem uma missão que determina isso, que determina que haja força, que haja coragem, que haja abnegação, espírito de missão” e referiu que tudo isso se consegue “fazer melhor se houver fé e se houver esperança”.
Na hora de se dirigir a todos os membros da Força Aérea, o Bispo destacou os tantos homens e mulheres, “muitos deles de forma quase anónima” que “tanto contribuem” para o serviço do país e do povo português. Disse que, tanto “ao nível da defesa da nação” como, por exemplo, em atividades de “buscas e salvamentos”, “transportes de órgãos” e mesmo “transportes de recém-nascidos”, como aconteceu recentemente nos Açores. Garantiu que estarão sempre no seu coração, lembrando que no Porto também terá como missão estar próximo dos que de forma tão “nobre” se entregam aos outros, na área militar. Com efeito vem “para uma diocese que tem pelo menos duas unidades da Força Aérea, a Estação do Radar de Paços de Ferreira, e tem o Aeródromo de Manobra de Maceda”, como salientou.
Fez ainda uma referência à vinda do Papa Francisco a Portugal, em maio de 2017, como um dos acontecimentos que marcaram a sua missão como Bispo das Forças Armadas e de Segurança.
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Já no dia 3 de abril, o Ministro da Defesa Nacional Cerimónia condecorara o Bispo das Forças Armadas e de Segurança com a Medalha da Defesa Nacional 1.ª Classe. Na sua alocução, o governante, sabendo que “a César haveremos de dar o que é de César e a Deus o que é de Deus” sentiu que este Bispo das Forças Armadas e de Segurança é um servidor da Paz e serve “os Servidores da Paz”. Considerou-o o estudioso (mais que o estudioso, o discípulo!) de Dom António Ferreira Gomes (foi Bispo do Porto), que ensinou a “repensar e ajuizar, à base da sempre perene Revelação cristã, as novas questões com que a humanidade continuamente se confronta”.
E referiu que, num mundo repleto de muitos Césares (globalizando medos, fobias, vinganças e os ressentimentos, mais do que uma efetiva justiça jurídica, económica e social), caberá a Deus, e aos cuidadores das coisas do espírito promover a dignidade humana que só se pode realizar em liberdade e em fraternidade. E vê nesta linha a ação de camaradagem e fraternidade do homenageado. E disse:
Soube unir, sem deixar de deixar, aqui e ali e como quem não quer a coisa, palavras de alerta como palavras de alento. Tudo aquilo de que precisam as nossas Forças Armadas e as nossas Forças de Segurança, essa andragogia que estudou em Dom António Ferreira Gomes mas que aqui exerceu em aulas práticas, em aulas intensas.”.
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É este o prelado que vem pastorear a grã diocese do Porto. Elogiado, louvado e condecorado, sabe ser o homem simples da fraternidade, da relação, da união e do labor pastoral conjunto.
2018.04.13 – Louro de Carvalho

segunda-feira, 2 de abril de 2018

A Mensagem da Páscoa no Santuário de Fátima


Na sua Paixão, Jesus abre-nos o coração antes que Lhe abramos o nosso
A celebração inaugural da Semana Santa, em Domingo de Ramos na Paixão do Senhor, sob a presidência do Bispo de Leiria-Fátima, no Recinto de Oração, evidenciou que, “no coração da nossa fé, está um acontecimento que é uma loucura e um escândalo aos olhos do mundo”.
Perante a assembleia de peregrinos o prelado disse que a Procissão dos Ramos faz com que cada um se associe à Paixão dos discípulos, “que em alegria festiva acolhem Jesus em Jerusalém como Rei da Paz e da Justiça, Rei da Mansidão e do Amor”, pois “não se trata de uma reconstituição etnográfica, folclórica, revivalista do passado ou teatral, mas sim de uma procissão na qual celebramos Jesus Ressuscitado que está vivo no meio de nós”. Com efeito, “Jesus quer entrar no nosso coração, nas nossas casas, na nossa vida, no nosso mundo, e traz a presença de Deus ao meio de nós, o Seu amor, a Sua paz”.
O Bispo diocesano frisou que “na Paixão é o próprio Jesus que nos abre o seu coração, antes de nós lhe abrirmos o nosso”, dado que “a paixão de Cristo é a história mais espantosa que alguém viveu, história feita de suor, sangue e lágrimas, de sofrimento e de dor, que concentra toda a crueldade de contradições, traições, mentiras, cobardias, violências, jogos de poder e os horrores que o mundo dos homens é capaz”. E reiterou que, “neste sentido, Cristo continua em agonia, a Paixão de Cristo continua hoje em todos os desprezados, humilhados, descartados, torturados, crucificados na sua dignidade, por tanto desprezo e indiferença”. No entanto, “a Paixão de cristo é o coroamento de toda uma existência vivida em amor até ao fim, até ao extremo, de quem deu tudo e de quem dá tudo pelos outros”. Por isso, “não podemos adorar a Jesus na Cruz e estar de costas voltadas para o sofrimento de tantos seres humanos destruídos, pela fome, pela miséria”, declarou, acentuando que “só este amor divino é capaz de resgatar o mundo”.
As celebrações começaram com o Rosário na Capelinha das Aparições, onde se rezou pela paz no mundo, pelas vítimas da guerra e pelo Santo Padre. E, à tarde, o Recinto de Oração acolheu a Via Sacra e a Basílica de Nossa Senhora do Rosário acolheu a oração de Vésperas.
Fizeram-se anunciar nos serviços do Santuário três grupos de peregrinos.
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A 29 de março, iniciou-se o Tríduo Pascal cujas celebrações foram interpretadas no Santuário, pela primeira vez, em língua gestual portuguesa (LGP) e foram vivenciadas de forma intensa.

Na Quinta-feira Santa, ao início da manhã, a Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima acolheu, pelas 9 horas, a oração de Laudes. Pelas 18 horas, a missa vespertina da Ceia do Senhor, celebrou-se na Basílica da Santíssima Trindade. E, pela noite, a partir das 23 horas, houve oração comunitária na Capela da Morte de Jesus.
As cerimónias da sexta-feira da Paixão do Senhor iniciaram-se pelas 0 horas na Capelinha das Aparições, com via-sacra aos Valinhos. Pelas 9 horas, foi rezada a oração de Laudes na Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima. Às 15 horas, foi a celebração da Paixão do Senhor na Basílica da Santíssima Trindade. E, pelas 21 horas, os peregrinos foram convidados a acompanhar a Via Sacra no Recinto de Oração.

O Sábado Santo começou com a oração de Laudes na Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima pelas 9 horas. Ao meio dia, recitou-se o rosário na Capelinha das Aparições. No mesmo local, pelas 15 horas, fez-se uma oração a Nossa Senhora da Soledade. A Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima acolheu pelas 17,30 horas a oração de Vésperas. E, às 22 horas, começou a Vigília Pascal, que teve lugar na Basílica da Santíssima Trindade e que se seguiu a Procissão Eucarística para a Capela do Santíssimo Sacramento

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Uma vocação eucarística de serviço no amor
A Missa vespertina da Ceia do Senhor, na quinta-feira, assinalou o início do Tríduo Pascal com caráter festivo evocando a instituição da Eucaristia, a instituição do sacerdócio e o mandamento do amor no lava-pés, no qual simbolicamente o Reitor Padre Carlos Cabecinhas lavou os pés 12 colaboradores da instituição: um capelão, um acólito, um voluntário e 9 funcionários.
No final da celebração, o Santíssimo Sacramento foi trasladado para a Capela da Morte de Jesus (desnudando-se então os altares). Pela noite, houve contínua oração comunitária nesta mesma Capela.
Na homilia da Missa, o Reitor sublinhou que a vocação de todo o cristão “é eucarística”, ou seja, “uma vocação de serviço no amor”. E assegurou que “não é possível a comunhão com Cristo, esquecendo ou ignorando os outros, os irmãos, não é possível a comunhão com Cristo sem esta atitude humilde de serviço aos outros”. E acrescentou que “a Eucaristia torna presente para nós hoje esse ato supremo de amor misericordioso e de serviço que é a entrega de Cristo por nós”, lembrando que o “mandato” de Jesus é um convite à celebração da Eucaristia” como memorial da entrega de Cristo por nós” e o apelo a este compromisso de servir o outro.
A partir do Evangelho da noite, que “é a chave de leitura dos acontecimentos que celebramos não apenas em Quinta-feira Santa, mas nestes dias do Tríduo Pascal”, o Reitor do santuário de Fátima frisou que a Eucaristia “é o pão dos frágeis e não dos impecáveis”.

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A cruz, um símbolo de amor, de misericórdia e de salvação
Na Sexta-feira Santa, o Santuário voltou a receber milhares de peregrinos que participaram na celebração da Paixão e Morte de Jesus Cristo, na Basílica da Santíssima Trindade, sob a presidência do Reitor.
Na homilia da celebração, o Padre Cabecinhas sublinhou que, depois da revelação do “amor extremo” de Jesus, morrendo pregado na cruz, este instrumento de morte e de suplício, tornou-se “um símbolo de amor, de misericórdia e de salvação”. Por isso, “ao contemplarmos a cruz já não o devemos fazer como sinal de morte, mas como prova do amor que dá vida”. E o Reitor assegurou que, neste dia de Sexta-feira Santa, toda a nossa atenção se centra na Cruz de Cristo, que contemplamos como a máxima expressão desse amor por nós levado ao extremo”.
O Padre Cabecinhas deixou, assim, um repto a todos os peregrinos presentes: “Em atitude de adoração e gratidão, contemplemos em silêncio a Cruz de Cristo e tomemos consciência de que foi por mim – por cada um de nós –, porque me ama, que Ele deu a Sua vida”.
O momento da adoração individual da cruz, que é depois da proclamação do Evangelho um dos momentos mais importantes da celebração foi acompanhado de meditações a partir das Memórias da Irmã Lúcia, recordando parte dos diálogos dos santos Francisco e Jacinta Marto, após as Aparições de Nossa Senhora. Com efeito, este é um dia alitúrgico, no qual os fiéis podem comungar na celebração que decorre durante a tarde, perto da hora em que se acredita que Jesus terá morrido. A parte inicial da celebração, Liturgia da Palavra, tem um dos elementos mais antigos da Sexta-feira Santa, a grande oração universal, com dez intenções que procuram abranger todas as necessidades e todas as realidades da humanidade, rezando pelos governantes, pela unidade entre os cristãos, pelos que não têm fé ou os judeus, entre outros.
E à noite, no Santuário houve a Via-sacra no Recinto de Oração.
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A ressurreição é “o fundamento e o alicerce” da fé, esperança e confiança
Na homilia da Missa da Vigília Pascal, o Reitor afirmou que a ressurreição é “o fundamento e o alicerce” da fé dos cristãos, da sua esperança e da sua confiança.
O Padre Cabecinhas, lembrando que as palavras do mensageiro, à entrada do túmulo, são convite à confiança”, desafio e interpelação, sustentou que “a ressurreição de Cristo dissipa as trevas dos nossos medos e renova a nossa confiança”; e, sublinhando que da fé na ressurreição “brota a confiança”, frisou que “a ressurreição mostra-nos que não devemos ter medo”.
Afirmando que “a noite, a escuridão e as trevas sintetizam os nossos medos” e “simbolizam as nossas incertezas e a angústia dos nossos dias”, referiu algumas situações de medo que atravessam as vidas da humanidade como a impossibilidade de concretizar todas as aspirações individuais, a incapacidade para ser feliz, o medo do futuro, da solidão, da morte e do sofrimento as quais encontram resposta na esperança de uma vida nova trazida por Cristo ressuscitado. E, deixou um desafio, como nas Escrituras, “Ide, ide testemunhar e anunciar”, salientando que o convite feito àquelas mulheres é hoje tão atual e dirigido a todos os cristãos. E concluiu que “ser batizados implica levar esperança a quem vive no desespero” e “apresentar Jesus Cristo como o único que salva e dá a vida”.
Na celebração, que se iniciou no exterior, junto à porta de Cristo na Basílica da Santíssima Trindade, onde se acendeu o círio, participaram muitos peregrinos de língua espanhola, italiana e inglesa em grupos organizados e que se fizeram anunciar no Santuário. Nesta Vigília Pascal, invocaram-se, pela primeira vez, os Santos Francisco e Jacinta Marto durante a Ladainha, para dizer que em Fátima Eles são uma interpelação permanente à descoberta do nosso Batismo.
A Vigília Pascal é a maior e mais importante das celebrações da Igreja, que integra já o calendário da Páscoa. A sua celebração é composta por 4 liturgias: a da Luz (em sinal de alegria, com a bênção do lume novo e o Círio); a da Palavra (que compreende 9 leituras, 7 do Antigo Testamento e 2 do Novo Testamento, com o canto do Glória e do Aleluia); a Batismal; e a Eucarística.
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Ler os sinais da presença do Ressuscitado nas nossas vidas, testemunhá-Lo e imitá-Lo
Na homilia da Missa do domingo de Páscoa, o Reitor do Santuário exortou os peregrinos a serem testemunho de Cristo ressuscitado através das suas vidas.
A justificar a importância da Páscoa como “a mais importante festa cristã”, o sacerdote elegeu a crença na ressurreição como a “marca distintiva e alicerce da fé cristã”. E, assegurando que “é na certeza da ressurreição de Jesus que reside o fundamento da fé cristã, nesta certeza de que, presente no meio de nós, Ele nos congrega e Se manifesta nas nossas vidas”, deixou três desafios aos cristãos, a partir da Liturgia deste domingo de festa solene: “aprender a ‘ler’ os sinais da presença de Cristo ressuscitado nas nossas vidas; testemunhar o encontro com Cristo vivo; e imitar Jesus, que passou fazendo o bem”.
Na apresentação do primeiro desafio, partiu do exemplo das reações distintas tidas pelos dois apóstolos, perante o túmulo vazio de Jesus, para apresentar a fé como chave para “perceber os sinais da presença de Cristo ressuscitado”:
Pedro viu os sinais da ausência de Jesus do sepulcro, mas não conseguiu ir além daquilo que os seus olhos viam. O outro discípulo, vendo esses mesmos sinais, acreditou. É aos olhos da fé que o sepulcro vazio se torna testemunho silencioso do acontecimento da ressurreição. Celebrar a Páscoa significa renovar o nosso olhar, animado pela fé, para reconhecermos os muitos modos pelos quais Cristo vivo se torna presente nas nossas vidas. Como o discípulo amado, também nós somos desafiados a aprender ver os sinais dessa presença e a acreditar.”.
Sobre o segundo desafio, o Presidente da celebração destacou a importância de assumir anúncio da ressurreição de Jesus no testemunho de vida pessoal de cada cristão e sustentou:
Como os Apóstolos, não podemos deixar de levar Jesus ao mundo de hoje. Quem faz a experiência do encontro com Cristo vivo, com Cristo ressuscitado, não pode calar a sua alegria… É necessariamente Seu anunciador.”.
Por fim, destacou, a partir da Palavra de Deus, aquele que é “o maior testemunho que podemos dar de Jesus ressuscitado”: fazer o bem aos outros. E disse, concluindo:
São Pedro carateriza da seguinte forma vida de Jesus: foi ungido pelo Espírito Santo, e ‘passou fazendo o bem’. Ser cristão é imitar Jesus, passando fazendo o bem. Testemunhar a ressurreição de Cristo é vivermos voltados para os outros, ajudando-os nas suas necessidades. É também nós, hoje, passarmos fazendo o bem.”.
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Parece que o Santuário vem assumindo o dinamismo desejado pelo Papa Francisco no âmbito da evangelização, no âmbito celebrativo e no âmbito da piedade popular, tanto quanto possível, conexa com o Evangelho e voltada para os mais deserdados da sociedade. É bom que se mantenha nesse rumo e progrida nele. Com efeito, o Reino de Deus está entre nós: é preciso acolhê-lo, converter-se e acreditar na Boa Nova, por Maria, a Estrela da Evangelização.
2018.04.02 – Louro de Carvalho