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quinta-feira, 19 de abril de 2018

Bento XVI foi eleito há 13 anos


Após a morte de João Paulo II, ocorrida a 2 de abril de 20015, foi eleito, no dia 19, no quarto escrutínio do Conclave, o novo Papa. O eleito era um dos mais estreitos colaboradores de Wojtyla, Joseph Ratzinger, até então Prefeito da Congregação da Doutrina da Fé, que escolheu o nome de Bento XVI. Hoje, o portal de notícias do Vaticano evoca o 13.º aniversário da eleição pontifícia de Bento XVI, atualmente Papa emérito.
Como recorda o ‘Vatican News’, “na tarde de 19 de abril de 2005, a Praça São Pedro estava lotada de fiéis, o que acontecia desde o dia 2 de abril, quando faleceu o amado futuro santo João Paulo II, que guiou a Igreja durante 26 anos, 5 meses e 17 dias”. Às 17,56 horas locais (menos uma em Lisboa), da chaminé da Capela Sistina surgia fumo branco: os cardeais, reunidos há dois dias em Conclave, haviam escolhido o 265.º sucessor de Pedro [Bento IX (século XI) desempenhou esta missão em três ocasiões diferentes]. O cardeal Joseph Ratzinger, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, era o novo Papa e escolhera o nome de Bento XVI.
Na audiência geral de 27 de abril, quis explicar a razão da escolha, evidenciando a coragem de Bento XV (1914-1922) em tempo de guerra e o compromisso pela paz, mas admitiu ter-se inspirado também em São Bento de Núrsia, copadroeiro da Europa, grande “Patriarca do monaquismo ocidental”. E, na primeira e breve alocução como Papa, Bento XVI definiu-se como “um simples e humilde trabalhador na vinha do Senhor”, pedindo orações aos fiéis.
O Anuário Pontifício, do Vaticano, identifica 210 Papas do atual território italiano (109 de Roma), 16 da atual França, 11 gregos (todos até ao século VIII), 6 sírios e 5 da Alemanha, o último dos quais Bento XVI.
No passado dia 16, o Papa emérito celebrou os seus 91 anos de idade, junto do seu irmão Georg.
Sete dos últimos 13 Papas da Igreja Católica tinham 65 anos ou menos no dia da sua eleição; Bento XVI, aos 78 anos, foi o Papa mais velho a ser escolhido desde 1730.
Apresentou a renúncia a 11 de fevereiro de 2013, por causa da “idade avançada” e dificuldades do corpo e do espírito, que não lhe permitiam arcar com o pontificado: nascido então há 85 anos e 10 meses, Joseph Ratzinger era o 7.º pontífice mais idoso da História da Igreja.
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É um pontificado que é de justiça recordar e apreciar. Segundo o vaticanista Lucio Brunelli, sem estabelecer verdades absolutas sobre o resultado final do conclave, facto que esbarra no segredo imposto aos cardeais pela Constituição Apostólica “Universi Dominici gregis, na 1.ª votação, de 18 de abril de 2005, ocorrida por volta das 18 horas, Ratzinger obteve 47 votos, contra 10 votos de Jorge Mario Bergoglio, Arcebispo de Buenos Aires e 9 votos para Carlo Maria Martini, Arcebispo emérito de Milão. Na 2.ª votação no dia seguinte, ainda segundo Brunelli, Ratzinger tivera aproximadamente 60 votos. Na 3.ª votação, na manhã de 19 de abril, Ratzinger obteve 72 votos, contra 40 de Bergoglio. Na votação encerrada na tarde de 19 de abril, Ratzinger obteve 84 votos, contra 26 de Bergoglio. Mas, Brunelli, como foi dito, em razão do segredo de ofício imposto aos cardeais sob pena de excomunhão, não tem nenhuma fonte fidedigna que ampare essas suas suposições.
Aos 78 anos, o Cardeal Joseph Ratzinger foi eleito Papa pelo sacro colégio. O conclave findo em 19 de abril foi um dos mais céleres da história, tendo apenas 4 votações e duração de apenas 22 horas. No dia 24 de abril do mesmo ano, iniciou solenemente o seu ministério petrino com a celebração Eucarística (receção do anel do Pescador e do pálio papal) na Praça de São Pedro em Roma.
O fumo branco saíra da chaminé da Capela Sistina às 17,56 daquele 19 de abril. O nome foi anunciado cerca das 18,40 locais, da varanda da Basílica de São Pedro, onde o novo Papa surgiu minutos depois usando o solidéu branco, aclamado por milhares de pessoas que enchiam a Praça de São Pedro, o coração do Vaticano.
O grande mote de Ratzinger, nos dias antecedentes ao conclave, fora a questão do secularismo e do relativismo. Bento seria grande defensor dos valores absolutos, da doutrina e do dogma, já que afirmara na missa de abertura do conclave que viria a elegê-lo:
A pequena barca com o pensamento dos cristãos sofreu, não pouco, pela agitação das ondas, arrastada de um extremo ao outro: do marxismo ao liberalismo até à libertinagem, do coletivismo ao individualismo mais radical, do ateísmo a um vago misticismo, do agnosticismo ao sincretismo.
Acreditava-se também, devido ao nome escolhido (São Bento é padroeiro da Europa), que Bento XVI se voltaria para este continente que, segundo ele, vem caindo no secularismo (abandono dos valores religiosos e redução de tudo ao espectro político de direita e esquerda). A sua primeira encíclica Deus Caritas est (Deus é Amor) “sobre o amor cristão”, publicada a 25 de dezembro de 2005, ainda no seu 1.º ano de pontificado, é um documento denso, com que delineia os rumos que pretende dar ao seu ministério petrino. Neste documento, envia uma mensagem de paz ao mundo:
Num mundo em que ao nome de Deus se associa, às vezes, a vingança ou mesmo o dever do ódio e da violência, essa é uma mensagem de grande atualidade e de significado muito concreto. Por isso, na minha primeira encíclica, desejo falar do amor com que Deus nos cumula e que deve ser comunicado aos outros por nós. […] O meu desejo é insistir sobre alguns elementos fundamentais, para, assim, suscitar no mundo um renovado dinamismo de empenhamento na resposta humana ao amor divino.”.
Esta diferente face de Deus levou o Papa a considerar, em dezembro de 2008, que ainda resta um longo caminho a percorrer para o pleno respeito aos ideais previstos na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Numa vigília no Vaticano por ocasião do 60.º aniversário do documento, precisou que “os direitos humanos são frágeis porque privados de uma base sólida”; disse que já foi percorrido um longo caminho, mas falta ainda andar muito; e mencionou “o direito à vida, à liberdade, à segurança” e o “respeito à igualdade entre todos e à dignidade de cada pessoa”. E, no Natal do mesmo ano, por ocasião da mensagem e bênção Urbi et Orbi, disse que esperava que o Natal trouxesse “a esperança para aqueles que sofrem com a guerra, o terrorismo, a injustiça e a pobreza e fez um apelo pela paz na Terra Santa”. Fez o apelo a uma solidariedade autêntica e, a respeito da crise financeira global, afirmou que, “se as pessoas só considerarem seus próprios interesses, o nosso mundo certamente desmoronará”. Pediu pela paz na Terra Santa e frisou os problemas do Zimbábwe onde havia hiperinflação e mortes por epidemia de cólera. Com efeito, o rosto amoroso de Deus merece melhor atitude dos homens.
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Para Daniel Johnson, esperava-se a cruzada contra a eugenia e a eutanásia, graças à convivência do Papa com as mazelas do nazismo, e uma abertura ao ecumenismo, sobretudo com as Igrejas ortodoxas e protestantes. O Papa entusiasmaria os fiéis com as suas interpretações da Teologia, animando, por exemplo, os jovens com a Teologia do Corpo, que vê a sexualidade como uma emanação do amor divino. E, considerando toda a sua obra literária, as atitudes como sacerdote e bispo e ainda pelo que se verifica dos anos passados à frente da Congregação da Doutrina da Fé, Ratzinger possui um pensamento católico ortodoxo que, para muitos críticos, é tido como conservador. Ora, Bento XVI adotou efetivamente, no seu Pontificado, propostas semelhantes às do seu predecessor relativos à moral e ao dogma e reafirmou no seu magistério a doutrina do Catecismo da Igreja Católica, para o qual mandou elaborar um compêndio.
Também no âmbito da Juventude e da Família, Bento XVI deu continuidade aos encontros com a juventude iniciados pelo antecessor. Assim a 13 de agosto de 2005, o cardeal americano James Frncis Stafford anunciou no Vaticano a concessão de indulgência aos participantes na Jornada Mundial da Juventude a realizar entre 13 e 21 de agosto de 2005 em Colónia, na Alemanha. Em 8 e 9 de julho de 2006, participou no “V Encontro Mundial do Papa com as Famílias” em Valência, Espanha. E demonstrou capacidade de mobilização das multidões, em 2011, por ocasião da XXVI Jornada Mundial da Juventude, que reuniu quase 2 milhões de pessoas em Madrid. E, em 2008, fora a XXIII Jornada Mundial da Juventude em Sydney (Austrália), de 15 a 20 de julho, a 1.ª na Oceânia e que juntou 500 mil pessoas, sob o tema “Recebereis a força do Espírito Santo, que virá sobre vós, e sereis minhas testemunhas (At 1,8).
Milhares de jovens aproveitaram a visita do Papa à Espanha durante a XXVI Jornada Mundial da Juventude, em 2011 para ganhar o perdão da Igreja. O Parque do Retiro, que foi visitado pelo Papa no sábado, 20 de agosto, atraiu uma multidão de jovens arrependidos. O Papa tentou conduzir o público ao sacramento da Igreja, o Sacramento da Reconciliação, que ganhou força nesta XXVI Jornada Mundial da Juventude. Foram instalados 200 confessionários ao ar livre e 800 confessores se revezavam no atendimento aos jovens. Até o dia 22 de agosto em Madrid, em toda a cidade, a Igreja estava a conceder o perdão para o aborto, que prevê a excomunhão latae sententiae (automática). Qualquer um daqueles sacerdotes podia conceder a absolvição durante este período da Jornada Mundial da Juventude.
Porém, o Vaticano teve a coragem de publicar uma lista em que atualiza comportamentos considerados pecaminosos. Drogas, poluição e manipulação genética, bem como injustiças sociais e económicas, são áreas de comportamento consideradas pecados.
Na década de 1990, Ratzinger participou na elaboração de documento sobre a conceção humana como sendo o momento da animação. A partir da união do óvulo com o espermatozoide temos uma vida humana perante Deus. Assim, não pode a Igreja mudar de posição face às pesquisas com células estaminais (células-tronco) embrionárias ou face ao aborto. Na verdade, esperava-se que o Papa reafirmasse o Magistério eclesial nestes e noutros temas da atualidade relacionados com a Moral, a Ética e a Doutrina Social da Igreja, o que efetivamente se verificou.
No âmbito do social, refira-se que, em 2011, Bento XVI em resposta aos jornalistas, apontou os graves problemas económicos que a Europa atravessa, aproveitou para defender a ética na economia e afirmou que o homem deve ser posto no centro das atenções económicas, dizendo:
A Europa tem a sua responsabilidade. A economia não pode ser só lucro, mas também solidariedade.”.
Na “Jornada Mundial da Alimentação”, de 2011, afirmou que “a libertação da submissão da fome é a primeira manifestação concreta do direito à vida”, que, apesar de ter sido proclamada solenemente, “está muito longe de ser alcançada”. Esta asserção foi direcionada ao diplomata Jacques Diouf, Diretor da  FAO (Organização das Nações Unida para a Agricultura e a Alimentação).
E o pontificado de Bento XVI foi também marcado pelo esforço de incremento do diálogo inter-religioso iniciado por seus antecessores, principalmente por João XXIII. Paulo VI e João Paulo II, para o que envidou esforços para manter encontros com personalidades de todas as religiões do mundo e explorou os pontos em comum existentes entre elas e a Igreja Católica. Por exemplo, em 25 de janeiro de 2009, Bento XVI na Basílica romana de São Paulo Extramuros, ao encerrar a “Semana de Preces para a Unidade dos Cristãos”, afirmou na presença de diversos representantes de outras religiões cristãs que faltam “gestos corajosos de reconciliação” entre os cristãos, que vivem separados há quase mil anos. Disse que, num mundo onde prevalece “o trágico barulho da violência e das armas”, os cristãos têm que ser “um instrumento de paz e de reconciliação”.
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Em janeiro de 2013, o Papa Bento XVI publicou os seus escritos conciliares, rememorando o Concílio Vaticano II. A comunicação oficial foi feita no dia 28 pelo coordenador da obra, Dom Gerhard Ludwig Muller, Cardeal Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, que frisou:
Como sétimo volume da opera omnia (obras completas), foi publicada agora a coleção, numa síntese de tipo cronológico e organizado, dos escritos de Joseph Ratzinger sobre os ensinamentos do Concílio, que coincide com o cinquentenário do Vaticano II”.
Segundo Muller, Bento XVI teve participação significativa na génese dos textos mais variados, primeiro ao lado do Arcebispo de Colónia, Cardeal Joseph Frings, e, mais tarde como membro autónomo de diversas comissões do Concílio. No dia 11 de fevereiro de 2013, Bento XVI anunciou que renunciaria ao papado no dia 28 de Fevereiro de 2013.
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Foi um pontificado pouco amado e apreciado, porque analisado pelas primeiras impressões obtidas antecipadamente a partir da prestação na Congregação da Doutrina da Fé e pegado por pontas se superfície. Mas vale a pena revisitá-lo. Colher-se-á muito proveito pessoal e eclesial.
2018.04.19 – Louro de Carvalho

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Ministério da Educação embarca na ditadura do relativismo de situação

Não se trata dum departamento qualquer do Estado, mas do serviço público de educação que se deve pautar pelo figurino de educação que promove em duas vertentes: a do conhecimento e desenvolvimento de capacidades; e a dos valores, espelhados em atitudes e comportamentos norteados pela ética, por mínima que seja.
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Começando pela segunda vertente, é certo e sabido, pelas redes sociais e pela comunicação social convencional, que houve uma fuga de informação sobre o conteúdo da prova do exame de Português (639), na 1.ª fase, a que se sujeitou a maior parte dos alunos, sendo poucos os que se submeteram à prova 239 (alunos com deficiência auditiva de grau severo ou profundo) e à prova 94/839 (Prova Final/Prova de Exame Final Nacional de Português Língua Não Materna).
Do meu ponto de vista, porque o universo de alunos que podem ter beneficiado do conhecimento prévio dos conteúdos veiculados será muito difícil de calcular, a prova 639 deveria ser anulada quanto antes, para evitar incómodos maiores. É injusto, sem dúvida, mas situações excecionais merecem postura excecional. Por motivos excecionais, tivemos excecionalmente as fronteiras encerradas; no verão de 2016, a A1 esteve cortada ao trânsito nos dois sentidos horas e horas e as pessoas (jovens e donzelas, velhos e crianças) tiveram de aguentar a espera e o calor. Foi incómodo e injusto, mas teve de ser. Porém, com agrado da CONFAP e de largos setores de opinião, no dia 28, o Ministro da Educação garantiu que o exame de Português do 12.º ano, cuja eventual fuga de informação em investigação, não vai ser anulado. Segundo Tiago Brandão Rodrigues, caso se venha a confirmar que houve fuga de informação, “o Ministério agirá civil, disciplinar e criminalmente contra o seu autor ou autores”. 
O que espanta é que o Ministro fale em eventual fuga de informação, quando os factos não se discutem. A fuga existiu e foi denunciada ao ME (Ministério da Educação). O que tem de ser investigado é a autoria do facto e a extensão dos possíveis beneficiários. Mas o governante declarou aos jornalistas, à margem da sessão de entrega de prémios do concurso “Conta-nos uma história!”, que decorreu na Maia, distrito do Porto, no dia 28:
Se alguém saiu beneficiado por essa fuga de informação, de forma comprovada, obviamente que sofrerá as consequências que estão inscritas nos regulamentos”.
E disse mais:
Não está em cima da mesa, nem esteve e nem foi equacionada, a possível anulação da prova”.
Ora, perante uma fraude todas as hipóteses devem ser equacionadas, bem como num processo de investigação. Todavia, para Brandão Rodrigues, “face a uma denúncia que existiu, fez-se o que devia ser feito, o que tinha que ser feito” e o ME não intervirá na investigação que decorre relativamente a uma alegada fuga de informação sobre os conteúdos da prova, porque “esta é uma questão que não pode nem deve merecer posições facilitistas ou posições precipitadas”. E acrescentou que, neste momento, é importante “transmitir aos alunos que têm de, com serenidade e tranquilidade, continuar a sua época de exames”. E a Procuradoria-Geral da República (PGR) informou, no dia 23, que a eventual fuga de informação do exame nacional de Português “deu origem a um inquérito” e “o mesmo encontra-se em investigação no DIAP (Departamento de Investigação e Ação Penal) de Lisboa”. Com efeito, em resposta à Lusa, a PGR disse que se confirmava “a receção da participação do IAVE [Instituto de Avaliação Educativa], a qual deu origem a um inquérito” e que o mesmo se encontrava em “investigação no DIAP de Lisboa”. 
Entretanto, jornal Expresso teve acesso ao áudio que circulou nas redes sociais alguns dias antes do exame nacional e que revelava o que ia sair na prova. Segundo o dito áudio, a fuga partiu da “presidente de um sindicato de professores”. Na gravação, feita por uma aluna que não se identifica, pode ouvir-se a estudante a dizer:
“Ó malta, falei com uma amiga minha cuja explicadora é presidente do sindicato de professores, uma comuna, e diz que ela precisa mesmo, mesmo, mesmo só de estudar Alberto Caeiro e contos e poesia do século XX. Ela sabe todos os anos o que sai e este ano inclusive”. 
E ainda:
“Pediu para ela treinar também uma composição sobre a importância da memória e outra sobre a importância dos vizinhos no combate à solidão”.
Segundo o Expresso, a situação foi denunciada ao ME por Miguel Bagorro, professor na Escola Secundária Luísa de Gusmão, em Lisboa, que soube da gravação através dum aluno a quem dava explicações de Português. E a divulgação daquele áudio levou o IAVE a anunciar que iria remeter para a IGEC (Inspeção-Geral de Educação) e para o Ministério Público informações sobre as alegadas fugas de informação, que teriam acontecido antes da realização do exame nacional do 12.º ano, que decorreu no dia 19.
Nos termos do regulamento dos exames nacionais, publicado em “Diário da República”, “a suspeita de fraude que venha a verificar-se posteriormente à realização de qualquer prova implica a suspensão da eventual eficácia dos documentos entretanto emitidos”, nomeadamente das classificações que vierem a ser atribuídas. Mais refere o documento que deve ser elaborado “um relatório fundamentado em ordem à possível anulação da prova”.
Porém, o ME não conseguirá furtar-se à polémica. Como é que se vai apurar que o aluno A ou B soube do conteúdo da fuga de informação? E como se prova que beneficiou do conhecimento prévio daqueles conteúdos? Se o ME insiste em embarcar na judicialização de escola e exame, terá imensas dificuldades em singrar por aí. O advogado Vasco Marques Correia explicou ao Expresso que o ME se arrisca a enfrentar milhares de queixas em tribunal por parte de alunos que venham a sentir-se lesados. Por esse lado, o aluno pode alegar que não conheceu que se tratava do poema XXXVI (de O Guardador de Rebanhos) e que a composição sobre a memória não era a única hipótese aventada. Mas, em 3 dias, não era possível ler todos os poemas de Alberto Caeiro e fazer uma composição sobre memória ou sobre solidão? Eram 110 pontos (11 valores).
Ora, que houve atropelo à ética houve e cabe à escola promover atitudes éticas e corrigir pedagogicamente as suas contrafações e desvios, o que não se faz por via judicial, que leva tempo e exige provas iniludíveis, sujeitas a todos os esquemas inerentes às batalhas jurídicas.
Assim, segundo Marques Correia ao Expresso Diário, o ME, ao decidir pela não anulação do exame e pela garantia de que “só os alunos que comprovadamente tenham beneficiado com a alegada fuga de informação” serão penalizados, enfrentará a chamada “prova diabólica” (‘diabolica probatio’), de que se fala em Direito. Com efeito, identificar todos esses estudantes e demonstrar que tiraram vantagem daquela informação é praticamente impossível.
É, de facto, muito difícil sustentar juridicamente a anulação da prova a alguns alunos. Seria preciso provar que o aluno acedeu a uma informação confidencial a que não tinha direito de aceder e que objetivamente beneficiou com isso, colocando-se numa situação de vantagem em relação aos colegas. Ou seja, não bastava mostrar que teve acesso à informação. Era preciso que tivesse agido em conformidade, orientando o estudo para aquelas matérias.
Além disso, como é que pensa o ME chegar aos autores através da pesquisa em redes sociais, a não ser que, colocando todas as hipóteses, se passem a pente fino serviços do IAVE, da editorial do ME e das próprias forças de segurança. Será possível e viável? Tenho dúvidas.
No dia 29, deu-se conta de furto de granadas (Quantas?) e munições de 9mm (Quantas?). Mas o Ministro da Defesa Nacional não veio falar em eventual furto, mas em caso grave e crime muito profissional. Há ministros e ministros… mas era material de guerra e não exames de Português. Como é que eu não percebi logo!
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Abordando agora a primeira das vertentes acima referenciadas, está em causa já não só a ética dos valores, mas também a do conhecimento. E o IAVE tem sido useiro e vezeiro nisso, como se pôde ver pelos exemplos que já apresentei alhures. E, tratando-se duma entidade tornada independente – pensava eu que da hierarquia do ME, mas pelos vistos também independente da ciência –, Sua Excelência o Ministro não teria que responder pelo IAVE. Porém, veio considerar que houve “uma diferença de opinião” entre o IAVE e a SPM (Sociedade Portuguesa de Matemática) quanto a critérios de classificação do exame de Matemática do 9.º ano, já ultrapassada. Disse Sua Excelência aos jornalistas:
“O Instituto de Avaliação Educativa, que organiza todo o processo de exames e provas a nível nacional, já prestou um esclarecimento sobre o assunto. É mesmo isso, uma diferença de opinião, mas isso está sanado e os esclarecimentos já foram prestados”.
Está em causa o item 14 (no 2.º caderno) da referida prova: Fatoriza o polinómio x2 - 4. Qualquer antigo aluno de Matemática deste nível sabe que se trata da diferença de quadrados cuja fatorização se exprime num monómio constituído pela multiplicação da diferença dos dois elementos (x e 4) pela soma dos mesmos: (x2) (x + 2); ou, atendendo à propriedade comutativa: (x + 2) (x2). Nunca será aceitável uma valorização de peso (75% – 3 pontos em 4) para uma solução falsa, como o é: x2 x x + 2. Quando muito, do meu ponto de vista, mereceria um ponto por o aluno ter identificado o caso notável da diferença de quadrados.
A SPM denunciou a existência dum erro na proposta de correção do exame do 9.º ano à disciplina, realizado por quase 90 mil alunos finalistas do ensino básico, lamentando “verificar que, nos critérios de correção publicados pelo IAVE [Instituto de Avaliação Educativa], no item 14 sejam atribuídos 75% da cotação a uma resposta integralmente errada”. E o IAVE esclareceu que “nada existe de errado” nos critérios de classificação do exame de Matemática, estando em conformidade com o previsto, ao contrário do que afirma a SPM. 
Em seu comunicado, o IAVE esclarece que “o objetivo do item 14 era verificar se os alunos identificavam um dos casos notáveis da multiplicação de polinómios” e justificando ainda:
“A resposta referida pela SPM como ‘integralmente errada’ evidencia essa identificação, embora esteja escrita de modo formalmente incorreto, por omissão dos parêntesis. Como tal, e de acordo com os critérios gerais relativos a respostas restritas, onde se indica que a apresentação de expressões incorretas do ponto de vista formal está sujeita à desvalorização de um ponto, foi este o procedimento seguido.”.
Primeiro, não se trata só do objetivo de encontrar um caso notável. Se o fosse, a questão deveria ser formulada de outro modo. Mas a frase imperativa é “fatoriza”. Na resposta valorizada a 75% não há fatorização, mas fica evidente a existência de polinómio com três membros. Segundo, não se trata de expressão incorreta só do ponto de vista formal, mas sobretudo de uma resposta falsa em termos de conteúdo.
Também a Prova Final de Português (91) do 9.º ano oferece uma joia curiosa.
O GRUPO V tem o seguinte enunciado:
Seleciona uma figura pública feminina, portuguesa ou estrangeira, que, do teu ponto de vista, tenha um papel marcante no desporto, na música, na ciência ou na literatura.
Escreve um texto de opinião bem estruturado em que: apresentes a figura selecionada; fundamentes a tua escolha em, pelo menos, três razões; dês um exemplo de uma iniciativa que pudesse ser criada para homenagear essa figura pública.
Deves escrever entre 160 e 240 palavras.
Não se conhece posição pública do IAVE que desdiga dos critérios de correção e classificação estabelecidos. Porém, como é sabido, a escolha de alguns recaiu em Cristiano Ronaldo, que não corresponde aos termos basilares do estado da questão “uma figura pública feminina”. É fácil a perceção do escopo de quem organizou a prova: situá-la no debate da igualdade de género.
Ora, tanto quanto se sabe, em resposta a dúvidas dos professores classificadores, o IAVE recomenda ou aceita que haja contemporização porque há outros aspetos a considerar, os alunos podem ter apreendido o essencial, etc. etc.
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Posto isto, interrogo-me: para quê tanto rigor na organização e prestação das provas? Que valores é que o IAVE defende? Que importância dá ao conhecimento? A sua missão mais importante será homologar ou ratificar as imprecisões, as distrações ou as confusões? Não constituirá um mau exemplo a seguir por alunos e professores?
Não me apraz ver o ME ou algum departamento ligado à educação e ensino numa fase pós-científica, sobretudo se ela corporizar o nacional-porreirismo ou o “laissez fiare, laissez passer”. Preferia o culto da democracia do conhecimento e dos valores em vez da sujeição à ditadura de situação a redundar no relativismo científico e ético. Deus lhes perdoe, que é quem tudo pode.

2017.06.29 – Louro de Carvalho

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

A Salvação pela fé, não pela dúvida

O historiador Rui Ramos fez publicar no Observador, a 31 de janeiro pp., um artigo sob o título
Silêncio: a salvação pela dúvida” em jeito de comentário ao livro Silêncio, de Shusaku Endo, que inspirou o filme de Scorsese com o mesmo título.
Dou de barato a asserção do articulista historiador de que o livro não é um romance histórico sobre a descristianização do Japão em 1640, mas uma alegoria sobre a recristianização das sociedades modernas”. Obviamente, não interessa ao romancista nem ao realizador de cinema a escalpelização das razões por que o cristianismo foi banido naquele tempo pelas autoridades imperiais nipónicas. Talvez essa seja a função do historiador, se a quiser assumir, vindo essa a constituir um contributo que Ramos poderia prestar à sociedade portuguesa e ao mundo, nomeadamente ao mundo cristão. É claro que, do meu ponto de vista, o romance – e sobretudo o filme por abranger um universo maior de recetores – pretende equacionar o problema da cristianização e, mesmo recristianização, das sociedades face à proliferação dos Estados que se afirmam laicos e àqueles que se afirmam próximos do Estado teocrático embora de sinal diferente do apresentado pelo cristianismo. E esta é a dimensão do romance e do filme que o teólogo, o antropólogo e o sociólogo podem bem explorar para utilidade da causa cultural e civilizacional. Ora, é por via do desígnio afirmativo de Ramos de recristianização que se estranha a sua admiração pela contribuição da dúvida metódica para a aquisição da fé, que salva, levando-o a abreviar a conclusão de que hipoteticamente a dúvida levará à salvação.  
Mais: considera ironia que, “em Lisboa, a fachada da igreja de São Roque” esteja “há dias coberta por uma faixa com a imagem cinematográfica de Cristóvão Ferreira”, chamando ao facto “a medida do sucesso de Silêncio” para “o filme de Martin Scorsese”. Isto, porque Ferreira alegadamente “representou para os seus contemporâneos a negação da fé”.
Não sei se o historiador leu o romance e viu o filme com olhar agudo a atentar na mensagem problematizadora. Ora é na discussão provocada pelo levantamento de questões e colocação de problemas e dúvidas que resulta a luz. E também a fé, que é dom de Deus, não dispensa o esforço do entendimento do homem que se questiona e busca a verdade. É que a fé ultrapassa a razão, mas não a contraria. A fé não consiste na crença ab absurdo. Com efeito, os filósofos teólogos tanto colocam em evidência o requisito “fides quaerens intelectum (a fé a postular o entendimento) como o imperativo augustiniano “crede ut intellegas” (crê para que entendas). Santo Anselmo de Cantuária justapõe as duas fórmulas: Credo ut intellegam (Creio para que possa entender) e  intellego ut credam (Penso para que possa crer). É a exigência da desejável articulação e consonância entre os mundos da fé e da razão.
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Obviamente que foi chocante, na Europa do século XVII, a notícia de que Ferreira não resistira à tortura e apostatara. Poupou a vida, mas foi obrigado a viver com a viúva de um prisioneiro que fora executado. No entanto, pairou no ar a ideia que junto ao fim da vida se reconciliara com o cristianismo. Se assim foi – e não há razão para que se arrede de vez essa hipótese –, Ferreira não fica apenas como o mau exemplo na rota do martírio, mas também como um, ao menos, hipotético varão que ultrapassa a situação de impenitência final, esta, sim, um pecado contra o Espírito Santo. Dele quereria dizer o que digo de Tomé, que não foi o apóstolo da dúvida e da negação, mas o da fé orante: “Meu Senhor e meu Deus” (Jo 20,28).
Ramos escandaliza-se pelo facto de, 4 séculos depois, o apóstata figurar onde deveria figurar o mártir, estranha que se fale de religião a propósito dele e questiona se a apostasia inspira a santidade. Ora bem. Parece mais lógico que se parta do martírio para falar de religião e que seja este como semente de cristianismo a inspirar e a estimular a santidade de vida. No entanto, a Palavra de Deus, que é a norma da fé parte tantas vezes da fraqueza e do pecado do ser humano. O Antigo Testamento está cheio de casos de pecado e nunca nenhum biblista ousou sugerir a depuração de páginas bíblicas. É o pecado de Adão, de Caim, de Saul, do santo rei David e do sábio Salomão que dá para contrapor à santidade dos patriarcas, juízes, reis e profetas. O próprio Jonas quis fugir ao desígnio divino. E, no Novo Testamento, temos as hesitações dos apóstolos, a negação de Pedro, a traição de Judas, o pecado da adúltera, a dúvida de Tomé. E que dizer das tentações de Cristo, que não chegaram a levá-lo ao pecado, ou da hesitação no Horto?
Nada disto chega para ofuscar a eloquência do desígnio amoroso e misericordioso do coração de Deus, de que Jesus Cristo é imagem e rosto perfeito. E é Cristo que é a fonte de santidade. Mas esta fonte, porque vem de Deus para o mundo, jorra por entre os pobres, os fracos e os pecadores e não fica manchada pelas fraquezas e deslizes destes.
O historiador prefere falar do romance. Dá a impressão de que este o desvia (ele diz “poupa”) de “algumas discussões provocadas pelo filme”. Mas não há que fugir à discussão como rota para a dissipação de dúvidas. Não é pecado ter dúvidas de fé. O que tradicionalmente se considerava pecado por dúvida da fé era a dúvida que voluntariamente se deixava instalar e que se acalentava no ânimo do crente, ou seja, era a comodidade de engordar a dúvida para se esquivar às responsabilidades decorrentes do ato de fé pessoal com incidências fortes e permanentes na comunidade e que podia levar à desesperação de salvação (também pecado contra o Espírito Santo). De resto, a dúvida metódica, inspirada em René Descartes, para buscar a beleza da fé, as razões da esperança e o sustento da caridade que leva à justiça, é a via certa para a abertura à fé. Como diz Ramos, nem o livro nem o filme são “uma história da perda da fé, mas do seu reencontro”.
E tem razão o historiador colunista quando assegura que o silêncio do título não se refere apenas ao silêncio de Deus”, mas sobretudo ao silêncio do crente. Contudo, não podemos estranhar que Deus se mostre calado a ponto de parecer ter abandonado o crente. Fê-lo no Calvário a ponto de Jesus no alto da cruz lançar o clamor “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?” (Mt,27,46). Como se estranhará que o faça com o homem do século XVII ou com o do século XXI. A fé do justo só fica consolidada de pois de ter passado pelo cadinho da provação.
Ora, fala-se de religião a propósito da vida de fé, do martírio, da atividade apostólica, como se pode falar, para a ultrapassar, a partir do pecado, da fraqueza, da indiferença e mesmo da apostasia. Cristo veio chamar os pecadores, veio em busca do que estava perdido.
No entanto, Ramos agarra “o silêncio do guia japonês que os missionários recrutam em Macau”. De facto, “ Kichijiro, bêbado e cobarde, cala-se sobre a sua fé e recusa-se a confirmar que é cristão”. Este é o caso que o missionário Sebastião Rodrigues – um dos padres que foi investigar o que se passara com Ferreira e animar os cristãos em dificuldade – considera como a “negação de tudo o que ele pretende ser e que um cristão deve ser”. Na verdade, “Rodrigues aspira ao martírio”, enquanto “Kichijiro quer apenas salvar a vida”; “Rodrigues afirma a sua fé e vai anunciá-la aos outros”, mas “Kichijiro cala-se e nega”. É o confronto dos apostos.
Rodrigues – personagem fictícia baseada no jesuíta italiano Giuseppe Chiara – identifica-se com Cristo e naturalmente induz a equiparação de Kichijiro a Judas. Um, próximo de Deus, é o herói e o salvo, enquanto o outro, o afastado, é o negador e traidor que se perde. É tentador ver esta dicotomia crua a preto e branco, sem anotar que a dicotomia – proximidade/afastamento, heroísmo/negação, salvação/perdição – apossa-se da mesma pessoa na contradição do tempo e do sentir. Também Sebastião Rodrigues, que ia animar os cristãos perseguidos e torturados, se vê acossado pela perseguição e vítima da tortura e tudo dá a entender que, pelo menos, num primeiro momento vacilou e resvalou para a apostasia, aliás como Kichijiro e Ferreira.
Será verdade que Rodrigues estava mais perto de Cristo quando pregava e animava os cristãos perseguidos do que nos momentos de tortura? Não será, antes, que também nos momentos de tortura se sentiu próximo do Cristo sofredor, apenas não tendo sentido o conforto do anjo do Senhor (cf Lc 22,43) e a presença terna da Mãe de Jesus e do seu discípulo (cf Jo 19,25-27)? Na verdade, o Cristo da Paixão é o mesmo da pregação e dos milagres.
Não parece, pois, que se possa afirmar que, ao invés da “salvação pela força, pela glória, pela fé e pelo impacto da palavra”, o livro ou filme legitimem “a possibilidade da salvação pela fraqueza, pela abjecção, pela dúvida, pelo silêncio”. Porém, a problematização, a dúvida, a fraqueza e a abjeção são fatores existenciais que condicionam e até modelam o homem e, por consequência, o crente. E é a fé, provinda da graça de Deus como dom para o homem aberto ao transcendente, que transforma as limitações do homem em rampa de lançamento para a justificação em Cristo.
O romance tem, no dizer de Ramos, mais portas de entrada, sugerindo a aproximação a Heart of Darkness, de Joseph Conrad, novela em que o narrador parte da Europa para esclarecer rumores inquietantes sobre o colapso moral dum arauto da fé. Mr. Kurz é o Ferreira do humanismo do progresso, o agente da “civilização” que acaba por perder confiança no mesmo progresso e optar pelo extermínio dos “selvagens”. O escopo de Kurz sobre o absurdo de civilizar África ressoa no discurso de Ferreira sobre a impossibilidade de evangelizar o Japão, o “pântano”. Na verdade, o esforço da conversão pode descambar no relativismo, mas o relativismo não é necessariamente um caminho da tolerância, mas bem pode ser o da desumanização.
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Shusaku Endo nasceu em Tóquio. Os pais partiram pouco depois para a Manchúria. E, quando se separaram em 1933, Endo e a mãe voltaram para Kobe, cidade natal da mãe. Esta converteu-se ao catolicismo vindo a educar o filho na sua religião. Por conseguinte, Endo recebeu o Batismo, em 1935, aos 12 anos, passando a usar o nome cristão de Paul. Estudou literatura francesa na Universidade de Lyon de 1950 a 1953.
A sua ficção reflete muita da experiência de infância, que inclui o estigma de forasteiro, a experiência de estrangeiro, a vida de paciente em hospital, a luta contra a tuberculose. Mas reflete também a sua fé católica, que se torna uma caraterística notória da obra. A maioria das suas personagens lutam contra complexos dilemas morais e as suas escolhas provocam, por vezes, resultados trágicos. A sua obra é comparável à de Graham Greene, autor que o enalteceu como um dos maiores escritores do século XX.
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É, pois, natural que o livro tenha azado um filme altamente problematizador na via da fé.

2017-.02.02 – Louro de Carvalho