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sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Que 2019 seja “o ano da ambição climática”


É o apelo do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e de mais 31 líderes mundiais, que se juntaram para se dirigirem à comunidade internacional e aos Estados subscritores do Acordo de Paris. E surge em vésperas da Cimeira de Ação Climática, convocada por António Guterres, secretário-geral da ONU, que se realizará no próximo dia 23 de setembro, em Nova Iorque, na qual o Chefe de Estado português irá participar.
Nesta Iniciativa para Maior Ambição Climática”, lançada pelo Presidente da Áustria, Alexander Van der Bellen, do partido austríaco ‘Os Verdes’, presidentes de países como Finlândia, França, Gana, Alemanha, Moçambique ou Nepal e os primeiros-ministros da Espanha e da Suécia, entre outros, pedem que cada Estado leve a essa cimeira do clima “os seus planos e iniciativas concretas” para cumprir os objetivos do Acordo de Paris.
Assinam esta declaração os chefes de Estado da Áustria, Bósnia-Herzegovina, Chipre, Suazilândia, Finlândia, França, Gana, Gambia, Alemanha, Grécia, Hungria, Islândia, Irlanda, Israel, Itália, Coreia do Sul, Letónia, Líbano, Moldávia, Mónaco, Montenegro, Moçambique, Nepal, Portugal, Palau, Sérvia, Eslováquia e Eslovénia e os primeiros-ministros da Dinamarca, Países Baixos, Espanha e Suécia.
Os 32 chefes de Estado e de Governo subscritores desta declaração dirigem-se também às instituições financeiras, pedindo que alinhem “os seus investimentos com as metas de longo prazo do Acordo de Paris” e que aumentem “os investimentos em eficiência energética e energias renováveis, assim como para desinvestirem tão cedo quanto possível da economia baseada nos combustíveis fósseis”.
Em nota publicada no portal da Presidência da República, Marcelo “saúda vivamente” esta iniciativa lançada por Alexander Van der Bellen, à qual se associou, e reafirma “o compromisso de Portugal no combate às alterações climáticas e no cumprimento do Acordo de Paris”.
Os susoditos líderes escrevem que as atuais medidas tomadas pela comunidade internacional “não são suficientes para atingir as metas de longo prazo estabelecidas no Acordo de Paris e que “tem de ser feito mais – e a ação tem de ser rápida, decisiva e conjunta”. E sustentam:
Temos a obrigação coletiva perante as futuras gerações de fazer tudo o que é humanamente possível para travar as alterações climáticas, bem como para nos adaptarmos aos seus efeitos adversos”.
Por isso, apelam à comunidade internacional e a todas as partes do Acordo de Paris no sentido de uma ação conjunta, decisiva e rápida para travar a crise climática global, por forma a “legar às nossas crianças e futuras gerações um mundo onde valha a pena viver”.
Recorde-se que, em 2018, Marcelo Rebelo de Sousa também se associou a uma outra “Iniciativa para Maior Ambição Climática” lançada pelo Presidente da República da Áustria, em vésperas da 24.ª Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, que então foi assinada por mais 13 chefes de Estado europeus.
***
O secretário-geral das Nações Unidas assumiu, a 23 de junho, em Lisboa, no encerramento da Conferência Mundial de Ministros Responsáveis pela Juventude 2019 (21 anos depois de evento semelhante e no qual participou e liderou como primeiro-ministro), que a sua geração falhou numa resposta apropriada ao desafio da emergência climática e que agora compreende que os jovens podem e devem liderar esta luta. Lembrando que em 1998 a Internet dava os primeiros passos e a ameaça existencial das alterações climáticas não era ainda totalmente compreendida, Guterres disse:
Nestes 21 anos percorremos todos um longo caminho”.
Os Estados são chamados a intensificar os compromissos para integrar a perspetiva da Juventude na implementação da Agenda 2030 e da Conferência Mundial de Ministros Responsáveis pela Juventude 2019 e do Fórum da Juventude “Lisboa+21” com uma Declaração renovada sobre Políticas e Programas de Juventude (Lisboa+21), no quadro da Agenda 2030.
Recentemente, da boca de António Guterres, secretário-geral da ONU, saiu o pregão mundial: “Salvar o planeta é a batalha das nossas vidas”. E, em Portugal, os partidos responderam favoravelmente. O combate às alterações climáticas está na ordem do dia e ganhou força depois de nas últimas eleições legislativas o PAN (Partido das Pessoas, dos Animais e Natureza) ter conseguido eleger um deputado para a Assembleia da República. Agora, já são conhecidas as propostas dos partidos para o combate à crise climática. “Redução das emissões dos gases de efeito de estufa, fiscalidade verde, eficiência energética e fontes de energia renováveis” são algumas das apostas para os próximos quatro anos. E há um ponto em todos concordam: o investimento nos transportes públicos.
Com a onda verde a mobilizar as camadas mais jovens e a primeira greve geral pelo clima à porta, a 27 de setembro, o PS assume como prioridade a redução das emissões de gases de efeito de estufa, através do recurso às florestas para sequestro de carbono. A posição é partilhada com o PSD, que propõe a reflorestação de 30.000 hectares por ano e a aposta na eficiência energética. O CDS-PP fica a meio caminho no respeitante à descarbonização, mas aposta nos apoios para adaptação dos agricultores e às mudanças climáticas. À esquerda, o BE quer fazer frente “à maior de todas as crises: a emergência climática”. Para tanto, entre outras medidas, propõe a criação de um Ministério do Clima, uma medida simbólica, não esquecendo o investimento nos transportes públicos. Já a CDU assume-se contra a fiscalidade verde e quer discriminar positivamente o recurso à biomassa. E o PEV propõe introduzir Ecocídio no leque dos crimes julgados pelo Tribunal Penal Internacional.
Na varanda das eleições legislativas, a 6 de outubro, elencam-se, acompanhando o ECO, as principais propostas dos partidos para salvar o planeta. São bem claras: resta saber se são economicamente sustentáveis. Assim,
O PAN propõe-se assegurar que na produção de energia elétrica a partir da biomassa florestal são apenas utilizados resíduos provenientes da gestão florestal e agrícola. Quer introduzir o Ecocídio no leque dos crimes julgados pelo Tribunal Penal Internacional. E pretende impedir a exploração de hidrocarbonetos, um dos principais constituintes do petróleo, e não autorizar a “construção de novas barragens de grande dimensão”.
A CDU assume-se contra a fiscalidade verde, conceito de utilizador-pagador e contra a atribuição de licenças de CO2 – esta última posição é antagónica ao PSD –, já que, em seu entender, estas medidas não representam soluções e não farão mais do que “agravar problemas e multiplicar agressões ambientais”. Quer o alargamento dos passes sociais a todo o território, estabelecendo “um valor máximo de 30 euros no Município e 40 na Região”; e, no atinente ao investimento dos transportes públicos, pretende investir num Novo Aeroporto Internacional no Campo de Tiro de Alcochete. E pretende a criação de um Plano de Adaptação e Mitigação das Alterações Climáticas, fazendo um levantamento das vulnerabilidades existentes”, que proteja as arribas e as dunas e tendo em conta o ordenamento do território e as florestas.
O CDS-PP diz querer:
- Apostar na eficiência energética como prioridade nacional”, garantindo o seu financiamento ao nível da construção dos edifícios, adotando soluções eficientes na Administração Pública e na substituição de equipamentos obsoletos por outros energicamente mais eficientes e implementando um sistema de contagem inteligente de energia (telegestão) “sem qualquer custo adicional para o consumidor”.
- Investir no Mercado de Emissões de Carbono, considerando que a aposta no Mercado de Emissões de Carbono, onde se realizam transações de licenças de emissões, “totaliza mais benefícios do que custos”.
- Prestar apoio para adaptação dos agricultores às alterações climáticas, adequando o Sistema de Seguros Agrícolas à nova realidade, alargando o leque de culturas e de prejuízos abrangidos, com uma cobertura-base assegurada pelo Estado e os restantes ajustes no âmbito da relação agricultor-seguradoras.
- Promover a eletrificação na ferrovia como aposta ambiental para aumentar a eficiência energética e diminuir a emissão de gases poluentes, pelo que pretende “desenvolver um plano da ferrovia e eletrificação da ferrovia nacional” que permita a substituição de troços que ainda funcionam a diesel (Esta medida é partilhada com o BE que propõe eletrificar toda a rede até 2040). E
- Investir em projetos de mobilidade sustentável, pelo que, ao nível dos transportes públicos, aposta num investimento da ferrovia de modo que haja “uma estação de comboios em cada capital de distrito”, sendo que também é necessário que o transporte rodoviário tenha “acessos garantidos a todas as sedes de concelho em Portugal”, pretende expandir a linha verde, a  vermelha e a azul do Metro de Lisboa e quer mais carruagens, bem como novas ligações no Metro do Porto.
O Bloco de Esquerda propõe-se
- Dar primazia ao transporte público, tendo como foco principal o investimento na ferrovia, para o que pretende requalificar toda a Rede Ferroviária Nacional, construir novos troços ferroviários, de modo a que os comboios liguem todas as capitais regionais e distritos, e obviar à modernização de toda a frota nas próximas duas décadas (segundo as suas contas, isto custará 9 mil milhões de euros), bem como levar o Metro de Lisboa a zonas como Campo de Ourique, Algés ou Loures, e levar o do Porto a Paços de Ferreira, dotar de mais autocarros à Carris e à STCP e reduzir o custo dos transportes públicos “em direção à gratuitidade”.
- Tirar os carros em definitivo dos grandes centros urbanos, como já acontece em várias cidades europeias, impedindo, em Lisboa, a circulação automóvel na zona da Baixa, Chiado e a Avenida da Liberdade e, no Porto, na zona da ribeira e na Avenida dos Aliados.
- Promover um aumento de 50% da capacidade instalada até 2030, para o que pretende reforçar a produção solar centralizada em 6 gigawatts, outros 6 em produção solar em autoconsumo e 1 gigawatt de produção eólica e acabar com a produção elétrica a carvão, tendo em vista o fecho da central de Sines em 2023 e da central do Pego em 2021 (meta mais ambiciosa do que a do PS).
- Cortar “drástica e efetivamente” com a emissão de GEE (gases de efeito de estufa) nas próximas duas décadas, acelerando a substituição dos combustíveis fósseis, aprovando uma Lei do Clima e criando um Ministério do Clima, que, articulado com as pastas da Agricultura, Florestas, Ambiente, Indústria, Energia, Transportes e Ordenamento do Território, supervisione todos os assuntos relacionados com a descarbonização e adaptação às alterações climáticas.
- Antecipar a proibição da utilização do óleo de palma para produzir biocombustíveis para 2021, tendo em conta que a meta europeia diz respeito a 2030. E
- Reduzir do plástico, proibindo os microplásticos até 2022 – inclusive os cosméticos e produtos de higiene que os contenham – e abolindo o plástico de uso único na restauração e na cafetaria e a proibição da dupla embalagem e do cruzamento de diferentes materiais recicláveis.
O PS propõe-se:
- Acelerar a descarbonização da economia, reduzindo 55% das emissões de GEE até 2030, para o que aposta na elaboração de um orçamento de carbono, de 5 em 5 anos, na descarbonização na indústria (pelo aumento da incorporação de energias renováveis no setor) e dos transportes, assumindo nesta última o compromisso de redução em 40% até 2030, e na promoção do sequestro de carbono em áreas agrícolas e florestais.
- Eliminar progressivamente a produção de energia elétrica através do carvão, para o que se compromete a dar início ao processo já na próxima legislatura, tendo em vista o “encerramento ou reconversão das centrais termoelétricas do Pego até 2030 e de Sines entre 2025 e 2030”.
- Apostar nas energias renováveis para produzir energia, reforçando a capacidade da produção elétrica a partir de fontes renováveis, como a energia solar (dois gigawatts nos próximos dois anos), eólica, fotovoltaica e offshore (em alto mar) e pretendendo atingir em 2030 uma meta de 43% de fonte renovável no consumo de energia e 20% de energia renovável nos transportes.
- Promover a mobilidade sustentável, com a criação de incentivos para a mobilidade não poluente (caso das bicicletas), comprometendo-se a ampliar a rede de ciclovias e a eliminar os obstáculos existentes ao transporte das mesmas nos transportes públicos coletivos.
- Melhor a utilização da água que temos, reduzindo o consumo desnecessário da água, para o que se propõe rever as licenças dos grandes operadores económicos quanto às descargas, reutilizar águas residuais e combater as perdas residuais no abastecimento público. E
- Aplicar a Fiscalidade Verde, prejudicando quem opte por comportamentos poluentes, eliminando benefícios fiscais e isenções associadas a energias não renováveis, exceto os relacionados com o comércio europeu de licenças de carbono, e revendo a fiscalidade dos veículos, de modo a beneficiar os que têm “melhor desempenho ambiental”, como, por exemplo, os carros elétricos – cujas receitas serão aplicadas em medidas de descarbonização.
E o PSD pretende
- Reduzir as emissões de GEE, para o que (menos ambicioso que o PS) assume o compromisso de reduzir em, pelo menos, 40% os GEE até 2030, recorrendo “às florestas de carbono” e à concessão de benefícios fiscais a quem tenha “comportamentos carbonicamente neutros” em sede de IRS, IRC e IVA, especialmente no consumo excessivo de plásticos e na criação de “garantias, capital de risco e linhas de crédito” específicas para as empresas.
- Investir nas florestas, reflorestando 30.000 hectares por ano, aumentando a biodiversidade florestal e tendo em conta uma “quota não inferior a 20% de obrigação de plantação de espécies de crescimento lento” (A ideia é ajudar no processo de descarbonização, já que as árvores ajudam no sequestro de CO2, e combater a área ardida nos incêndios).
- Apostar nas energias renováveis, tendo como prioridade o investimento em energias renováveis a partir da água, sol, vento e biomassa, devendo ser feito pelas regras de mercado, “sem rendas fixas e promovendo novos mecanismos de transação comercial de energia”.
- Promover a mobilidade não poluente nos transportes públicos, pela renovação progressiva da frota do Estado para carros híbridos, em longo-curso, e elétricos e pela penalização a “médio e longo prazo das frotas municipais a gasolina e gasóleo para deslocações urbanas”. E
- Aumentar a taxa de incorporação de biocombustíveis, aumentando a taxa de biocombustíveis na gasolina e gasóleo, revendo as metas atuais, mas sem especificar valores e, com esta medida, desincentivar o consumo de combustíveis fósseis.
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Parece ser fruta a mais este rol tão detalhado de promessas. De certeza, sabem que não vão cumprir. Ou prometem porque pensam não ganhar as eleições ou porque, ganhando-as, pensam não ter condições para cumprir. Mas são claros no que pensam e dizem. O problema é a dificuldade em alocar recursos face à necessidade de redução do défice e da dívida. É a ideia das contas certas que paira na cabeça de qualquer ministro das Finanças que integre um governo com apetência de agrado à UE e de satisfação da credibilidade nacional.
2019.09.20 – Louro de Carvalho

domingo, 25 de agosto de 2019

Posições recentes da Igreja Católica sobre a Amazónia


A Amazónia está em chamas e o próprio Presidente do Brasil já entendeu que devia fazer alguma coisa, aliás tudo o que deve, pela Amazónia. Reconhecendo a amplitude da crise, decidiu destacar militares para o combate ao fogo e assumiu a luta contra as queimadas.
A Igreja Católica, além de lançar o brado pela Amazónia reforça a sua posição sobre o território em nome da proteção dos indígenas e da salvação do planeta, que daí haure uma mui grande porção do oxigénio que alimenta a nossa respiração, como a dos demais seres vivos.    
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Assim a urgência do cuidado da Casa Comum inspira os jesuítas do SJPAM (Serviço Jesuítico Pan-amazónico) a defender e promover a sustentabilidade ambiental e os direitos dos povos indígenas da Amazónia, através dos projetos sociais, educativos e pastorais que realizam no Brasil, Bolívia, Peru, Colômbia, Equador, Venezuela e Guiana.
Segundo o Vatican News, “Déjate abrazar” (“Deixa-te abraçar”) é o título da campanha lançada com um triplo objetivo: “aumentar a conscientização sobre os principais problemas do território, mostrar o trabalho realizado pelos jesuítas na região e expandir redes de solidariedade que permitam captar recursos para a sustentabilidade de seu trabalho”.
A campanha pretende concretizar a rejeição a todas as formas de indiferença diante do inadiável cuidado do bioma pan-amazónico e “deixar-nos abraçar pela Amazónia, para acolher assim a vida que nos doa e suas necessidades mais urgentes”.
À “Vida Nueva” Alfredo Ferro, responsável do SJPAM, comenta que “a Companhia de Jesus na América Latina, através da Conferência dos Provinciais, tem uma rede chamada Red Claver que arrecada fundos para as obras sociais”. E, para divulgar e participar na campanha, o SJPAM criou o site “dejateabrazar.org”.
Entretanto, o alcance da campanha ultrapassa as obras da Companhia de Jesus na Amazónia, conforme declarou o Padre Ferro:
Nós, como SJPAM, respondemos à prioridade regional para a Amazónia, motivo pelo qual se considerou importante unirmo-nos em prol das atividades que realizamos e mais especificamente no apoio que damos à REPAM”.
Que a Amazónia está em perigo revelam-no os números, que falam por si mesmos. Neste sentido, o site déjate abrazar” recorda que, segundo o World Wide Fund for Nature, nos últimos 50 anos a Amazónia perdeu quase 20% de sua extensão social. Segundo a FAO, 420 comunidades indígenas dependem diretamente dos seus recursos. E a ONG Global Witness revela que em 2017 foram assassinados 57 líderes indígenas brasileiros, por defenderem o meio ambiente. Por tudo isto, o SJPAM faz um apelo à solidariedade por meio de uma plataforma de doação on-line, para a dádiva de qualquer valor mensal em dólares ou soles peruanos, referindo o portal que a “sua doação ajudará a fortalecer a defesa da nossa Mãe Amazónia”.
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Por sua vez, a Presidência do CELAM (Conselho Episcopal Latino-Americano) manifestou a 22 de agosto, a sua preocupação com os incêndios que ocorrem em diferentes partes do mundo, especialmente na Amazónia, cujos efeitos são de natureza global.
Fazendo eco das palavras do Papa, os representantes da Igreja na América Latina e no Caribe, em nota publicada pela presidência sob o título “Levantamos a voz pela Amazónia”, exortam os homens e as mulheres a serem guardiões da criação.
O texto é, segundo o Vatican News, assinado pelo presidente, Dom Miguel Cabrejos Vidarte, Arcebispo de Trujillo, Peru; pelo 1.º vice-presidente, Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, Brasil; pelo 2.º vice-presidente, Cardeal Leopoldo José Brenes Solórzano, Arcebispo de Manágua, Nicarágua; pelo presidente do Conselho de Assuntos Económicos, Dom Rogelio Cabrera López, Arcebispo de Monterrey, México; e pelo secretário-geral, Dom Juan Carlos Cárdenas Toro, Bispo-auxiliar de Cali, Colômbia.
Considerando os terríveis incêndios que estão a consumir grande parte da flora e da fauna no Alasca, na Gronelândia, na Sibéria, nas Ilhas Canárias e, em particular, na Amazónia, os Bispos desejam manifestar a sua preocupação perante a gravidade desta tragédia, que não é apenas de impacto local ou mesmo regional, mas de proporções planetárias. E lê-se no seu texto:
A esperança pela proximidade do Sínodo Amazónico, convocado pelo Papa Francisco, está agora manchada pela dor desta tragédia natural. Aos irmãos povos indígenas que habitam este amado território, expressamos toda a nossa proximidade e unimos a nossa voz à sua para clamar ao mundo por solidariedade e chamar a atenção para acabar com esta devastação”.
E, citando a advertência profética do preâmbulo do Instrumentum laboris para o Sínodo da Amazónia, escreve a presidência do CELAM: 
Na selva amazónica, de vital importância para o planeta, desencadeou-se uma profunda crise por causa de uma prolongada intervenção humana, onde predomina uma ‘cultura do descarte’ (LS 16) e uma mentalidade extrativista. A Amazónia é uma região com uma rica biodiversidade, é multiétnica, pluricultural e plurirreligiosa, espelho de toda a humanidade que, em defesa da vida, exige mudanças estruturais e pessoais de todos os seres humanos, dos Estados e da Igreja. Esta realidade vai além do âmbito estritamente eclesial amazónico, porque se focaliza na Igreja presente em todo o mundo e também no futuro de todo o planeta.”.
Por conseguinte, a nota do CELAM exorta os governos dos países amazónicos (especialmente do Brasil e da Bolívia) as Nações Unidas e a comunidade internacional a tomarem medidas sérias para salvar o pulmão do mundo, pois, como afirmam os bispos, o que acontece com a Amazónia não é só uma questão local, mas global. Ou seja, “se a Amazónia sofre, o mundo sofre”. E, recordando as palavras de Francisco na Homilia no início do ministério Petrino, a 19 de março de 2013, diz o texto da presidência do CELAM:
Gostaríamos de “pedir, por favor, a todos aqueles que ocupam cargos de responsabilidade nos âmbitos económico, político e social, a todos os homens e mulheres de boa vontade: sejamos guardiães da criação, do projeto de Deus inscrito na natureza, guardiães do outro, do ambiente; não deixemos que os sinais de destruição e de morte acompanhem o caminho deste nosso mundo”.
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Também a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) emitiu na tarde do passado dia 23, uma nota (também disponível em vídeo), sob o título “Levante a voz pela Amazónia”, sobre o recente quadro de aumento de queimadas na região amazónica de que resultaram os “absurdos incêndios” e outras criminosas depredações em curso na Amazónia, chamando a atenção para a exigência de posicionamentos adequados. Diz o documento, que é um lancinante apelo:
É urgente que os governos dos países amazónicos, especialmente o Brasil, adotem medidas sérias para salvar uma região determinante no equilíbrio ecológico do planeta – a Amazónia. Não é hora de delírios, desgraças e juízos e comentários.”.
No documento, a CNBB ressalta que Sínodo dos Bispos sobre a Amazónia, convocado pelo Santo Padre para outubro próximo – no cumprimento de sua tarefa missionária e da evangelização – é sinal de esperança e fonte de indicações importantes no dever de preservar a vida, a partir do respeito ao meio ambiente. 
E os Bispos da CNBB observam:
O povo brasileiro, os seus representantes e servidores têm a maior responsabilidade na defesa e preservação de toda a região amazónica. O Brasil possui significativa extensão desse precioso território, com o rico tesouro da sua fauna, flora e recursos hidrominerais. Os absurdos incêndios e outras criminosas depredações requerem, agora, posicionamentos adequados e providências urgentes. O meio ambiente precisa de ser tratado nos parâmetros da ecologia integral, em sintonia com o ensinamento do Papa Francisco, na sua Carta Encíclica Laudato Si’, sobre o cuidado com a casa comum.”.
O pregão “Levante a voz pela Amazónia” implica “um movimento, agora, indispensável, em contraposição aos entendimentos e escolhas equivocados”, pois “a gravidade da tragédia das queimadas e outras situações irracionais e gananciosas, com impactos de grandes proporções, locais e planetárias, requerem que, construtivamente, sensibilizando e corrigindo rumos, se levante a voz”. Por isso, não se estranha o teor da nota da CNBB ao clamar:
É hora de falar, escolher e agir com equilíbrio e responsabilidade, para que todos assumam a nobre missão de proteger a Amazónia, respeitando o meio ambiente, os povos tradicionais, os indígenas, de quem somos irmãos. Sem assumir esse compromisso, todos sofrerão com perdas irreparáveis.”.
E a nota conclui com o apelo “a construir juntos uma nova ordem social e política, à luz dos valores do Evangelho de Jesus, para o bem da humanidade, da Pan-Amazónia, da sociedade brasileira e sobretudo dos pobres desta terra”, pois torna-se indispensável promover e preservar a vida na Amazónia e em todos os outros lugares do Brasil, mediante diálogos e entendimentos lúcidos”.
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Enfim, jesuítas, bispo do CELAM e bispos da CNBB estão apostados na salvação do planeta, que pode baquear pelo lado daquela região latino-americana. “Levantamos a voz” ou “Levante a voz pela Amazónia são clamores oportunos – e deviam ser importunos – pela preservação do planeta e pela ecoeconomia de rosto humano e de solidariedade com os mais desprotegidos.
O Sínodo dos Bispos para a Amazónia agendado para outubro próximo parece estar a ser toldado pela espessura das nuvens do fumo amazónico e chamuscado pelas labaredas ígneas, mas não deixa de ser luminoso “sinal de esperança e fonte de indicações importantes no dever de preservar a vida a partir do respeito ao meio ambiente”.
Também a comunidade internacional se tem manifestado em prol da Amazónia que, atualmente, é destaque na imprensa mundial pela emergência ambiental. O presidente francês, Emmanuel Macron, pediu uma reunião neste final de semana durante o encontro do G7. E a Amazónia tornou-se o tema central da cimeira do G7.
O aumento no número de focos de incêndio em florestas tem sido um dos assuntos mais repercutidos, inclusive nas redes sociais, com destaque para a #PrayForAmazonia (“Reze pela Amazónia”). A repercussão dos internautas e de chefes de Estado faz referência às imagens e aos dados do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) que mostram um aumento de 82% no número de focos de incêndio florestal entre janeiro e agosto de 2019, em comparação com o período homólogo de 2018. O Mato Grosso é o estado com mais ocorrências. A relação, segundo especialistas, é mais com o desmatamento e não tanto com uma seca mais forte.
Esse círculo vicioso de poluição ambiental, que o Papa Francisco denunciava na Laudato si’, convocando todos a uma verdadeira cruzada contra a poluição e em defesa da nossa Casa Comum, infelizmente é uma consciência que está longe ainda de chacoalhar (incomodar), de sacudir a consciência mesmo dos cristãos e católicos”.
Assim, a emergência ambiental na Amazónia implica o apelo a uma ética ecológica de desenvolvimento. A região tem sido afetada por aquela que, segundo especialistas, é a maior onda de incêndios florestais no Brasil em sete anos. A repercussão, a nível internacional, levou chefes de Estado e bispos brasileiros e bispo de toda a América Latina a posicionarem-se: é, de facto, necessária uma orientação ética ecológica na Amazónia, além da fiscalização séria por órgãos “que não podem, de forma alguma, ser desautorizados ou desacreditados”, como afirmou Dom Jaime Spengler, o vice-presidente da CNBB.
Por seu turno, Dom Dimas Lara Barbosa, Arcebispo metropolitano da Arquidiocese de Campo Grande/MS, relata a situação vivida localmente, como a atuação constante dos bombeiros para apagar focos de incêndio. A consciência para o alerta desse “círculo vicioso de poluição ambiental”, como comenta Dom Dimas, precisa de partir dos cristãos para uma “verdadeira cruzada em defesa da Casa Comum”. A este respeito, Dom Dimas declara:
É com tristeza que a sociedade brasileira e internacional constata esse permanente e crescente índice da utilização de queimadas como alternativa para limpeza, fins agrários, e isso em todos os campos do Brasil. Aqui em Campo Grande não é diferente. No nosso Estado, os bombeiros já tiveram, nos últimos meses, que apagar focos de incêndio em quase 300 lugares – mas certamente são ações localizadas. Quando essa mentalidade se espalha para o Brasil todo, a gente acaba ficando insensível diante, por exemplo, do que acontece na Amazónia.”.
E clarifica em prol duma ecologia integral na sequência da encíclica social do Papa Francisco e do que a CNBB vem defendendo de há muito tempo:
Afinal de contas, a Amazónia não é um património privado, nem é só do governo, ela é um património de todos os brasileiros. E esse círculo vicioso de poluição ambiental, que o Papa Francisco denunciava na Laudato si’, convocando todos a uma verdadeira cruzada contra a poluição e em defesa da nossa Casa Comum, infelizmente é uma consciência que está longe ainda de chacoalhar (incomodar), de sacudir a consciência mesmo dos cristãos e católicos. Precisamos, de novo, de resgatar a Laudato si’ e a história mesmo da Igreja no Brasil, que já promoveu várias Campanhas da Fraternidade em torno do tema ecológico. Eu lembro-me de que já em 1979 houve uma Campanha com o título ‘Preserve o que é de todos’. Então, a consciência ecológica é por uma ‘ecologia integral’ que precisa ser assimilada pelo nosso bom povo brasileiro e, particularmente, por aqueles que têm o ofício de cuidar do que é de todos.”.
Por outro lado, a CNBB pede fiscalização séria. As queimadas fora de controlo na Amazónia também “chamam a atenção e preocupam” a CNBB. O vice-presidente, Dom Jaime Spengler, afirma que é necessária uma fiscalização séria por órgãos “que não podem, de forma alguma, ser desautorizados ou desacreditados”, pois, “segundo especialistas, o fator que melhor explica o aumento no número de focos de calor naquela região é o desmatamento”, embora provavelmente haja “também outras situações que caraterizam crimes ambientais e que merecem atenção”. Ora, esses elementos apontam para a sempre necessária fiscalização séria.
E Dom Jaime discorre:
“Papel de destaque, nesse âmbito, possuem os órgãos de controlo que não podem, de forma alguma, ser desautorizados ou desacreditados. Há vozes, é verdade, que defendem o desenvolvimento da região através da exploração do subsolo, das florestas, do avanço da agricultura... Certamente tudo isso pode, sim, cooperar para o desenvolvimento da região, mas a que preço? Pode cooperar para o desenvolvimento da região desde que as iniciativas sejam orientadas por uma ética, digamos, ecológica; pela responsabilidade socioeconómica e ambiental. Além disso, não se pode esquecer a dignidade e a nobreza dos ecossistemas da região.
Depois, estribando-se na palavra do Papa Francisco e na de pesquisadores de renome, afirma:
Recordo-me de que o Papa Francisco, na Encíclica Laudato si’, fala do perverso sistema de propriedade e consumo atual. É impressionante essa expressão. Por isso, daí a necessidade de encontrar novos caminhos para a promoção da ‘ecologia integral’, no respeito pelo ambiente, pelos povos nativos e pela própria terra.
Pesquisadores renomados têm alertado com insistência sobre a urgência de cuidado sério para os diversos ecossistemas. Não se pode aceitar que expressões de impacto ou opiniões vagas sustentadas ou influenciadas por interesses nebulosos ou escusos interfiram na vida desse património extraordinário que é a região pan-amazónica.”.
***
Em suma, a promoção, a defesa e a preservação do património comum da humanidade deve mobilizar todos os cidadãos, instituições e organizações. E, se mais ninguém quiser campear esta mobilização urgente, deve a Igreja fazê-lo: é também parte do núcleo da sua missão de evangelizar. Cabe aos órgãos de soberania dos Estados travar o espírito iconoclasta sobre o meio ambiente e o afã do lucro por quaisquer meios. E a Igreja, obrigatoriamente perita em humanidade deve incentivar e acompanhar a luta por estas causas.
2019.08.25 – Louro de Carvalho

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Temos apenas 12 anos para salvar o planeta do aquecimento global


Precisamente no dia (8 de outubro) em que se conheceram os nomes dos galardoados com o “Prémio de Ciências Económicas em Memória de Alfred Nobel”, mais conhecido por “Nobel da Economia” – desta feita atribuído a estudos sobre alterações climáticas e inovação tecnológica – foi publicado um relatório de especialistas da ONU a alertar que o mundo terá de avançar com transformações “rápidas e sem precedentes” para limitar o aquecimento global a 1,5 graus Celsius.
Segundo aquele documento dos especialistas do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC, em inglês), o planeta, comparativamente com o período pré-industrial, tem apenas uma dúzia de anos para evitar um aquecimento global de 1,5 graus Celsius, a partir do qual o risco de fenómenos extremos como secas, inundações e picos de calor subirá de forma dramática. No entanto, garantem que ainda é possível impedir que isso aconteça, desde que se avance com “medidas sem precedentes”.
No texto de 400 páginas encomendado pelas Nações Unidas e divulgado na cidade sul-coreana de Incheon, após reunião de 5 dias em que participaram 570 representantes de 135 países, os cientistas descrevem, com base em 6000 estudos, os impactos de um aquecimento de mais 1,5º Celsius, nível que a Terra poderá atingir já em 2030 (ou entre 2030 e 2052) devido à falta duma redução maciça das emissões de gases de efeito estufa. E sublinham que limitar o aquecimento global a quase um grau pode significar a diferença entre a vida e a morte de muitas pessoas e ecossistemas. Para isso é preciso avançar com transformações “rápidas e sem precedentes nos sistemas de energia, transportes, construção e indústria”.
Assim, coloca-se aos governos a necessidade de promover algumas transformações para evitar que o mundo ultrapasse a predita linha vermelha. Desde logo, importa reduzir – e muito – as emissões de CO2, uma redução que em 2030 tem de ser de 45% em relação aos níveis registados antes; depois, em 2050, tem de ser fornecida 85% da eletricidade global através de energias renováveis, reduzindo o recurso ao carvão para bem perto do zero; e tem de se avançar com a reconversão de sete milhões de quilómetros quadrados de solos (quase o tamanho da Austrália) para campos de culturas energéticas, como biocombustíveis.
Porém, é preciso considerar que tudo isto tem custos. O documento fala num “investimento médio anual nos sistemas de energia a rondar os 2,4 biliões de dólares”.
É certo que a janela de oportunidade para o conseguir ainda não se fechou completamente, como realça o relatório, mas os peritos admitem ter “pouca esperança” de que o mundo seja capaz de enfrentar este desafio, desde logo porque estas mudanças requerem custos muito elevados a curto prazo. O documento fala, como se disse, num “investimento médio anual nos sistemas de energia a rondar os 2,4 biliões de dólares [dois biliões de euros] entre 2016 e 2035”, mas é um investimento que certamente a médio prazo compensará.
Stephen Cornelius, que já participou nas negociações do IPCC e agora integra a organização ambientalista WWF disse à BBC que “há custos e benefícios que devem ser pesados” e frisou:
Cortar emissões pode ser pesado no imediato, mas é ainda assim mais barato do que pagar pela remoção do dióxido de carbono mais para o final do século. E o relatório também aponta os benefícios de um maior crescimento económico se conseguirmos manter o aquecimento global dentro do limite de 1,5 graus em vez dos 2 graus celsius, além de que não teremos maiores riscos de impactos de catástrofes naturais.”.
Por outro lado, limitar o aquecimento a 1,5ºC pode impedir, por exemplo, a extinção de espécies e a destruição total do coral, fundamental para o ecossistema marinho, reduzir a subida do mar em 10 centímetros até 2100 e salvar áreas costeiras. Ao invés, exceder esse limite provocará chuvas torrenciais e secas profundas, com impacto negativo na produção de alimentos, especialmente em áreas sensíveis como o Mediterrâneo ou América Latina, e afetará a saúde, o abastecimento de água e o crescimento económico, com um impacto especialmente negativo nas populações mais pobres e vulneráveis do planeta.
O relatório, agora dado à luz foi encomendado pela ONU após o Acordo Climático de Paris de 2015, em que os signatários se comprometeram a manter o aquecimento global abaixo de 2ºC e limitá-lo a 1,5ºC em relação aos valores registados no século XIX. O relatório, dirigido aos países da Convenção-quadro da ONU sobre alterações climáticas, será usado como base para as discussões da 24.ª cimeira do clima, em Katowice, na Polónia, em dezembro próximo.
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Entretanto, é de recordar que organizações não-governamentais (ONG) e especialistas pediram, a 4 de setembro, à União Europeia (UE) que passe a liderar as negociações sobre as alterações climáticas dentro da ONU, mercê do fraco ou nulo envolvimento demonstrado por países como a Austrália e Estados Unidos.
Harjeet Singh, ativista da ActionAid International, disse aos jornalistas, no âmbito da conferência sobre alterações climáticas, realizada em Banguecoque, na Tailândia, de 4 a 9 de setembro: Esperamos que a UE dê um passo à frente. E acrescentou que “é muito deprimente ouvir as declarações (sobre mudança climática) dos Estados Unidos, Austrália ou Nova Zelândia”.
Singh proferiu aquelas declarações numa conferência de imprensa em que participou juntamente com outros ativistas e especialistas que integram a plataforma “rede para a ação climática”.
Mais de 2.000 delegados de 190 países e da UE participaram na conferência de Banguecoque, que tinha como objetivo chegar a acordo sobre um quadro de orientações e regras para serem aprovadas na Cimeira do Clima (COP 24), que se realiza na Polónia em dezembro, tendo presente o Acordo de Paris (2015), que apresenta um plano de ação destinado a limitar o aquecimento global a um valor abaixo dos dois graus centígrados, entre outras medidas.
Esta conferência é a última oportunidade de avançar nas negociações antes da COP 24, após o fraco progresso obtido na reunião preparatória em maio passado na cidade alemã de Bona.
Na predita conferência de imprensa, o referido ativista lembrou que, no ano passado, existiam mais de 18 milhões de pessoas deslocadas no mundo devido a catástrofes naturais, que são maioritariamente causadas devido às mudanças climáticas.
Também a 9 de setembro, no termo da conferência, um grupo de ecologistas advertiu que, três anos após a assinatura por 195 países do Acordo de Paris para combater as alterações climáticas, o protocolo pode estar em risco pelas divergências dos Estados no financiamento. E Rachel Kennerly, representante do grupo ecologista Friends of the Earth (Amigos da Terra) denunciou:
Há uma dúzia de países, liderados pela posição dos Estados Unidos, que recusam propostas para avançar com mecanismos de financiamento”.
Falando aos jornalistas no âmbito da conferência sobre as alterações climáticas, aquela ecologista britânica apelou aos países que lutam contra este tipo de fenómenos, bem como à UE, a que deem “um passo em frente” na concretização dos objetivos do Acordo de Paris, deixando de lado “as ambições” da administração norte-americana. No Acordo de Paris ficou assente que os países desenvolvidos têm de contribuir, a partir de 2020, com 100 mil milhões de dólares por ano (cerca de 87 mil milhões de euros), para ajudar os Estados mais desfavorecidos a lutar contra as alterações climáticas e a mitigar os seus efeitos.
Intervindo também nesta ocasião, o porta-voz da organização não-governamental ActionAid International, Harjeet Singh, já referido atribuiu a “crise” financeira à “falta de confiança” entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento para a alocação de verbas no âmbito do Acordo.
Já Jesse Bragg, da associação Corportate Accountability, recusou “permitir que Trump e os grandes grupos económicos [da indústria dos combustíveis] continuem a quebrar o Acordo de Paris”, lembrando a intenção dos Estados Unidos de abandonar tal pacto até novembro de 2020, como consta da respetiva notificação feita em tempo à ONU.
Por seu lado, Lidy Nacpil, a responsável da associação Asian People's Movement on Debt and Development, disse esperar que os países desenvolvidos “tenham noção de que estas ações refletem uma negação clara das suas responsabilidades” e sublinhou a urgência das negociações antes da COP 24.

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Como foi apontado acima, este ano, o “Prémio de Ciências Económicas em Memória de Alfred Nobel”, mais conhecido por “Nobel da Economia vai, no seu cinquentenário, para estudos sobre alterações climáticas e inovação tecnológica na pessoa dos norte-americanos William Nordhaus e Paul Romer, como anunciou a Real Academia Sueca das Ciências, a 8 de outubro.
William (‘Bill’) Nordhaus foi premiado pela pesquisa sobre o tema do impacto económico das alterações climáticas e Paul Romer concentrou-se no estudo de como a tecnologia influencia o crescimento.
William (“Bill”) Nordhaus, americano de 77 anos, é um dos académicos mais respeitados na área da economia ligada ao meio-ambiente e, em particular, às alterações climáticas. Já era visto, nos últimos dias, como um dos mais prováveis vencedores, pelos modelos que criou e que calculam a interação entre a economia, o uso de energia e as alterações climáticas. Com efeito este cientista norte-americano foi o primeiro investigador a criar um modelo quantitativo capaz de descrever a interação entre a economia e o clima e mostra como as atividades económicas contribuíram para as alterações climáticas, com especial destaque para o aquecimento global no último século – um trabalho que é usado para determinar o impacto de políticas ambientais, como os impostos sobre as emissões de carbono.
Em 1993, Nordhaus já avisava:
A Humanidade está a arriscar a sua sorte na relação com o ambiente natural, através de uma multiplicidade de intervenções – injetando na atmosfera gases vestigiais como os gases com efeito-estufa ou químicos que libertam ozono, promovendo enormes alterações sobre o uso de territórios como a desflorestação, eliminando várias espécies [animais] nos seus habitats naturais ao mesmo tempo que criam espécies transgénicas em laboratório, e acumulando armas nucleares suficientes para destruir as civilizações humanas”.
Por seu turno, o também norte-americano Paul Romer, de 63 anos, que foi economista-chefe do Banco Mundial (BM), é sobretudo conhecido por ter formulado a notável teoria do crescimento endógeno. É mesmo considerado um dos pais da teoria do crescimento endógeno, decisiva para, como afirmou a Real Academia Sueca das Ciências, “integrar a inovação tecnológica na análise macroeconómica de longo prazo”.
O antigo economista-chefe do BM focou-se no impacto da acumulação de ideias no crescimento económico a longo prazo e demonstrou como as forças económicas governam a vontade das empresas em criar novas ideias e promover a inovação.
Em chamada telefónica audível na cerimónia de entrega dos prémios, Paul Romer também respondeu a questões ligadas às alterações climáticas e salientou que “o problema que temos hoje é que as pessoas pensam que proteger o ambiente vai ser tão difícil e tão oneroso que preferem ignorar o problema e fingir que não existe”.
Romer garantiu, na mesma conversa, que não estava à espera de receber o prémio, de tal forma que ignorou duas chamadas telefónicas ao início da manhã, que eram da academia mas que achou deverem ser “chamadas de spam” ou de publicidade.
O académico demitiu-se do Banco Mundial, no início deste ano, após ter dado uma entrevista ao The Wall Street Journal onde deu a entender que as inclinações políticas dos técnicos do banco estavam a ter uma influência indesejável na preparação dos rankings mundiais sobre os países onde é mais fácil ter negócios.
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Criado em 1968 – há exatamente 50 anos – e financiado pelo Banco Central da Suécia como forma de reconhecimento do trabalho dos investigadores da área, o “Prémio de Ciências Económicas em Memória de Alfred Nobel” não faz parte dos famosos galardões atribuídos pela Fundação Nobel desde o início do século XX, como são os prémios para a ciência (física, química, medicina), a paz e a literatura (que este ano não vai ser entregue). Ainda assim, porque é a distinção mais prestigiante que um economista pode receber, ficou popularmente conhecido como o “Nobel da Economia” e já galardoou figuras como John Hicks, Friedrich Hayek, James Tobin, John Nash, Joe Stiglitz e Paul Krugman. O vencedor do ano passado foi Richard Thaler, um dos criadores da economia comportamental, que alia investigação na área da psicologia com a teoria económica.
Além do prestígio, o vencedor ganha um diploma, uma medalha de ouro e um cheque no valor de nove milhões de coroas suecas (cerca de 850 mil euros), a dividir pelos premiados nos casos em que o prémio é partilhado).
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Em suma, honremos os laureados e preocupemo-nos efetivamente com a saúde do planeta. Talvez seja o momento de reiterarmos o mérito do Papa Francisco no equacionamento duma justa ecoeconomia ao serviço do homem a partir dos esforços dos decisores e dos agentes pela preservação da Terra e do ecossistema, sabendo que os abusos e os atropelos ao ecossistema prejudicam sobretudo os mais débeis física e economicamente. Por isso, há que apelar à vontade política humanizada e humanizante e à moderação económica.
Talvez seja a hora de reler a encíclica Laudato Si’ e tirar daí as necessárias consequências.
2018.10.09 – Louro de Carvalho

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Para conseguirmos ficar direitos, foi muito modificada a nossa coluna


Quando andava a estudar, fui aluno dum eclesiástico professor que era contestatário figadal da teoria da evolução das espécies, o transformismo, em nome do chamado criacionismo de raiz bíblica. E, entre os argumentos que utilizava, sobressaía o de que, em nome do princípio de que “natura non facit saltus” (a natureza não faz saltos) e o de que “natura horret vacuum” (a natureza não consente o vazio), entre o primata considerado a espécie imediatamente inferior ao homem e próprio homem, teria que haver uma espécie intermédia, porque, segundo aduzia, havia consideráveis diferenças entre os símios e os homens. E, contra aqueles que diziam que o cóccix humano era o resto da cauda, ele ironizava com a hipótese de ser antes o início da cauda. Quanto à espécie intermédia dita inexistente, nós dizíamos que ela efetivamente existia e víamo-la na pessoa de um outro eclesiástico também nosso professor, ainda vivo (apusemos-lhe o alcunha de “Queixadas”), que até veio a exercer altos cargos na hierarquia eclesiástica.
Porém, o professor antievolucionista, que até apreciava o trabalho do padre jesuíta, teólogo, filósofo e paleontólogo francês Teilhar de Chardin, referindo que já Santo Agostinho sustentava que Deus não criara diretamente todas as espécies, mas as suas sementes, chegou a pôr a hipótese da verdade científica da transformação das espécies, mas com a aceitação duma intervenção especial de Deus no aparecimento de cada uma.
Como é óbvio, estávamos perante a pretensa ideia de que a Bíblia era o livro total da norma religiosa e do ditame científico-histórico, o que hoje o mundo eclesiástico não sustenta, remetendo as Sagradas Escrituras para o conteúdo exclusivamente religioso, embora dito nas categorias mentais vigentes ao tempo da escrita de cada um dos livros santos.           
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Entretanto, através da pena de Teresa Sofia Serafim, o Público de 25 de setembro exibe um texto, na secção “Ciência”, sob o títuloAntigos fósseis ajudam-nos a perceber a evolução da coluna nos mamíferos”. Segundo a articulista, embora a descrição dos mamíferos se baseie no sangue quente, cabelo e demais tipos de pelo como caraterísticas distintivas deste grupo animal, as análises de fósseis de antepassados dos mamíferos em confronto com as análises a animais da atualidade levam a inferir que a coluna dos mamíferos não teve sempre a estrutura e a tessitura atuais e que é uma das caraterísticas que mais contribui para a distinção deste grupo. Mais “é ela que tem um forte contributo na forma como corremos ou nadamos”.
O texto veicula as conclusões do recente estudo duma equipa internacional de cientistas – com destaque para as suas autoras, Stephanie Pierce e Katrina Jones, ambas da Universidade de Harvard (Cambridge, Estado de Massachusetts, nos Estados Unidos) – publicado na revista Science e que dá conta da análise a fósseis, com cerca de 300 milhões de anos, a partir da qual se fica a saber que a coluna vertebral, ao longo da evolução dos mamíferos, foi ganhando regiões, como a cervical, a torácica, a lombar e a sagrada, nos seres humanos.
Para Katrina Jones, “este estudo é muito importante porque os fósseis de colunas são muito raros e difíceis de estudar”, pelo que “a evolução da coluna nos mamíferos não tem sido documentada em detalhe”. Porém, enfatizando a relevância do trabalho realizado e as com conclusões a que chegaram as cientistas, considera:
Agora, sabemos algo realmente novo sobre as nossas origens evolutivas. Nos humanos, a coluna tem sido extremadamente modificada para que consigamos ficar direitos e este estudo demonstra a responsabilidade evolutiva da regionalização da coluna nisso.”.
Por sua vez, Stephanie Pierce sustenta que, “basicamente, a coluna é como uma série de missangas num colar e cada uma representa uma única vértebra”, sendo que tais missangas (com a espinal medula como fio longitudinal – a continuação do bulbo, que se aloja no interior da coluna em seu canal vertebral, ao longo do seu eixo crânio-caudal) são “especiais” nos mamíferos. Com efeito, segundo a investigadora, “em animais como os lagartos, as vértebras parecem ter a mesma função”, mas “nos mamíferos é diferente”, porquanto “as regiões da coluna – como o pescoço, o tórax e a região lombar – têm formas diferentes e funcionam separadamente”.
E Katrina Jones, por seu turno, adianta que “os mamíferos vivos têm colunas muito distintas e com regiões claramente definidas, o que os ajudou a adaptarem-se a diferentes ambientes” [e a correr ou a escalar].
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Para entenderem o facto misterioso de os mamíferos terem ficado com a coluna assim, as cientistas viajaram até aos tempos dos primeiros animais terrestres. E, querendo perceber “o que diferencia a coluna dos lagartos da dos mamíferos”, verificaram que “não há nenhum animal vivo que tenha registado no seu corpo a forma como terá acontecido essa transição”.
A este propósito, Katrina Jones refere:
Para o fazer, tínhamos de mergulhar até aos registos fósseis e observar os precursores extintos dos mamíferos, os synapsidas [classe que também inclui os mamíferos vivos e os seus precursores] que não eram mamíferos”.
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É de esclarecer que os synapsidas constituem uma classe de cordados, a primeira linha dos répteis a diferenciar-se dos anapsídeos primitivos, caraterizados por possuírem uma só fenestra temporal pós-orbital em posição inferior, localizada entre os ossos escamosal, pós-orbital, jugal e quadrado-jugal. Os euriápsidos também possuem apenas uma fenestra temporal, mas esta possui posição superior. Os sinapsídeos são considerados como o grupo ancestral dos mamíferos. Os ossos apendiculares dos synapsidas, durante a evolução do grupo, experimentaram rotação para a posição vertical, sob o corpo, com cotovelo direcionado para trás e joelho para frente, prenunciado e observado entre os mamíferos. Apareceram no Carbonífero Superior e os mais primitivos (os Pelicossauros, os antepassados ancestrais dos mamíferos – eram de tamanho médio, até 3 metros ou mais) foram abundantes sobretudo no Permiano Inferior. Compreendem duas ordens: Peltcosauria e Therapsida.
Os cordados (Chordata, do latim chorda, corda) constituem um filo dentro do reino Animalia que inclui os vertebrados, os anfioxos e os tunicados – animais caracterizados pela presença duma simetria bilateral, notocorda, sistema digestório completo, um tubo nervoso dorsal, fendas branquiais e uma cauda pós-anal, em pelo menos uma fase da sua vida. Os cordados compartilham caraterísticas com muitos animais invertebrados sem notocorda, quanto ao plano estrutural, tais como simetria bilateral, eixo anteroposterior, metamerismo e cefalização. O grupo abrange animais adaptados para a vida na água, na terra e no ar.

Dizem as duas cientistas que este seu trabalho foi árduo, já que “os fósseis são escassos e encontrar animais extintos com 25 vértebras no lugar é incrivelmente raro”. Mas quiseram fazer esta “viagem” evolutiva e vasculharam as gavetas dos museus de todo o mundo. E Katrina Jones considera:
Viajámos através do globo para reconstituir fósseis muito raros e bem preservados”.
Por isso, lograram analisar dezenas de colunas em fósseis com muitos milhões de anos que eram antepassados dos mamíferos. Assim, estudaram o Edaphosaurus (primo dos mamíferos) com cerca de 300 milhões de anos ou o Thrinaxodon (cinodonte que também era primo dos mamíferos) e que viveu durante o Triásico Inferior — entre 251 milhões e 245 milhões de anos. Analisaram ainda mais de mil vértebras de animais atuais, como ratinhos, jacarés, lagartos e anfíbios.
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O Edaphosaurus é um género de pelicossauro que viveu nos períodos Carbonífero e Permiano há cerca de 300 milhões de anos. Embora popularmente identificado como um dinossauro, esse animal era um pelicossauro herbívoro, sem parentesco direto com os dinossauros. Como o seu parente, o Dimetrodon, possuía uma “vela” nas costas provavelmente a servir de órgão termorregulador. O Thrinaxodon foi um cinodonte (com dentes parecidos com os do cão) terapsídeo (um réptil parecido com o mamífero), sendo que muitos cientistas sugerem que pequenos sulcos no osso do focinho indiquem que o Thrinaxodon teve vibrissas (órgãos sensoriais próprios) e talvez possa ter tido uma cobertura de pelos no restante do corpo. Há sugestões de que fosse de sangue quente. Mesmo assim, ainda tinha um esqueleto reptiliano e botava ovos.

Ao iniciarem o trabalho, as cientistas supunham que as regiões da coluna não tinham mudado durante a evolução dos mamíferos. Porém, comparando a posição e forma das vértebras dos vários animais, viram o contrário: a coluna foi ganhando novas regiões durante a evolução do grupo, porquanto os synapsidas mais antigos tinham menos regiões que os mamíferos atuais.
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No predito estudo, transposto para artigo científico publicado pela dita revista, as cientistas – bem como a restante equipa – descrevem três fases evolutivas das diferentes regiões da coluna. Nos primeiros amniotas (animais cujos embriões eram rodeados por uma membrana amniótica) a coluna vertebral tinha três regiões: “o pescoço ligava a cabeça ao tronco e o dorso dividia-se numa parte frontal e traseira”. Nesta fase viveu o Edaphosaurus. Há cerca de 250 milhões de anos, um grupo de animais – que inclui o Thrinaxodon – evoluiu com outra região que se encontrava mesmo atrás da omoplata, o que, segundo Katrina Jones, “deve estar relacionado com a mudança na forma como os membros eram usados na locomoção, o que aconteceu por volta deste período”. E, há cerca de 150 milhões de anos, desenvolveu-se uma quinta região perto da pélvis, “usada pelos mamíferos modernos durante a corrida”, como garante a equipa de cientistas. Segundo Stephanie Pierce, “parece que foi esta região que permitiu [aos mamíferos] adaptarem-se a diferentes ambientes”. As cientistas referem que esta fase pertence à dos mamíferos modernos, como o ratinho.
Nos termos dum comunicado sobre o referido trabalho, fica esclarecido que “a formação da coluna dos mamíferos também estará ligada a mudanças nos genes Hox”, importantes no desenvolvimento inicial das regiões da coluna. Refira-se que os genes Hox são essenciais para o desenvolvimento completo dos organismos, sobretudo na definição do eixo anteroposterior, mas, em alguns grupos de animais, também estimulam a formação de tipos celulares específicos e a formação de órgãos ou estruturas acessórias
Contudo, de acordo com aquilo que apontou Katrina Jones, o que mais surpreendeu a equipa de cientistas foi o facto de os resultados sugerirem que “uma nova região perto da omoplata se desenvolveu muito cedo na história evolutiva deste grupo”. De facto, a comparação da aparência desta região com as mudanças que se sucederam nos membros de alguns animais, leva a crer que “os ombros e a coluna foram coevoluindo nos precursores dos mamíferos”.
Ademais, as cientistas, quando recorreram a estudos já publicados, perceberam que houve, provavelmente, uma coordenação funcional e no desenvolvimento da coluna e da pata dianteira durante a evolução dos mamíferos.
Enfatizando moderadamente a importância do estudo, Katrina Jones vinca:
Agora, sabemos algo realmente novo sobre as nossas origens evolutivas. Nos humanos, a coluna tem sido extremadamente modificada para que consigamos ficar direitos e este estudo demonstra a responsabilidade evolutiva da regionalização da coluna nisso.”.
Para o futuro, as cientistas projetam a perceção de como as novas regiões, ao surgirem, influenciavam as funções da coluna, ficando a saber como, há milhões de anos, os animais se movimentavam. Além disso, Katrina Jones sustenta que a descoberta destes grandes pormenores evolutivos pode ajudar a esclarecer questões relevantes em áreas como a biologia do desenvolvimento ou a genética. Enfim, segundo a própria investigadora, “este trabalho ajuda-nos a compreender o que torna um mamífero num mamífero”.
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É de esperar que este estudo e os que se lhe seguirem, na linha do que vem sendo descoberto, contribuam para a justa apreciação do património terráqueo colocado à disposição do homem para seu conhecimento e benefício. Com efeito, pela perceção dos mistérios da genética e da biologia do desenvolvimento, conheceremos melhor a natureza e, em especial, a natureza animal e humana, podendo esse conhecimento ajudar a identificar doenças, preveni-las e cuidá-las cada vez com maior proficiência e proveito, bem como a respeitar o planeta e a cuidar dele. Há estudo e solidariedade!
2018.09.26 – Louro de Carvalho