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segunda-feira, 1 de abril de 2019

Temos de estar em constante discernimento ante os sinais dos tempos


É um alerta de Dom José Domingo Ulloa, Arcebispo do Panamá, que esteve no Santuário de Fátima de passagem para a cidade do Porto, onde participou como coordinante na ordenação episcopal de Dom Américo Aguiar, bispo titular de Dagno e auxiliar de Lisboa.
Rezou na Capelinha das Aparições e respondeu a algumas questões que a Sala de Imprensa do Santuário lhe colocou e de que se destacam o enunciado vertido em epígrafe e o que justifica uma ligação, espécie de ponte entre a JMJ (Jornada Mundial da Juventude) do Panamá, no passado mês de janeiro, e a que vai realizar-se em 2022 em Lisboa – o papel de Maria entre os jovens.   
Efetivamente, sobre a importância da Virgem Peregrina, diz que “levou a luz de Fátima ao mundo e agora acende-a em Portugal para todo o mundo”. E, falando sobre a JMJ do Panamá, encareceu a importância da presença da Virgem Peregrina diante dos jovens.
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Segundo o prelado panamiano, o convite para a presença da Imagem da Virgem Peregrina de Fátima na Jornada Mundial da Juventude do Panamá não surgiu por acaso, foi mesmo bem pensado e premeditado. Com efeito, como refere, logo que foi anunciada, a 31 de julho de 2016, em Cracóvia, “a escolha do Panamá como o lugar que acolheria a Jornada Mundial da Juventude 2019, tendo em consideração que este povo é tão mariano e desde logo que a Virgem de Fátima estava – e está! – tão enraizada no coração deste povo”, a organização descobriu a necessidade de colocar esta jornada nas mãos de Maria.
No tocante ao desenrolar de todo o processo, o Arcebispo revelou que, três dias depois do anúncio (no dia 3 de agosto), estivera na audiência geral e disse ao Papa que o grande presente que “poderia dar ao povo do Panamá e a todo o povo latino-americano seria a invocação mariana para esta jornada”. E lembrou que há vários motivos para estas escolhas:
Somos a primeira diocese em terra firme com invocação mariana, concretamente de Santa Maria la Antigua. Mas somos marianos com uma especial devoção a Nossa Senhora de Fátima. É preciso recordar, ainda, que estávamos em véspera do ano do Centenário, ano (2017) em que tivemos a visita da Virgem Peregrina ao Panamá.”.
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Na verdade, Santa Maria La Antigua é a Virgem Padroeira do Panamá. A sua imagem representa Nossa Senhora com o Menino Jesus e uma rosa branca; e a sua festa é celebrada no dia 9 de setembro.
A história conta que a imagem mariana estava numa capela lateral da Catedral de Sevilha, em Espanha, que foi reconstruída no século XIV e de que se conservou apenas a parede onde estava a imagem, por isso que é chamada Santa Maria de la Antigua.
Na América, em 1510, os conquistadores Vasco Núñez de Balboa e Martín Fernández de Enciso fundaram, em homenagem a esta devoção, a cidade de Santa Maria la Antigua de Darién (atualmente território colombiano), que foi a primeira diocese em terra firme. E, em 1524, o segundo bispo dessa diocese, o dominicano Frei Vicente Peraza transferiu a sede diocesana para a recém-fundada Cidade do Panamá, nas margens do Pacífico.
Santa Maria la Antigua é a padroeira da catedral e da Diocese do Panamá desde 1513, mas foi recentemente, a 9 de setembro de 2000, Ano Santo Jubilar, que a Conferência Episcopal Panamenha a proclamou padroeira do país e solicitou à Santa Sé o reconhecimento oficial dessa proclamação, pedido aceite, em 27 de fevereiro de 2001, pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.
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Mas, voltando à visita da imagem da Virgem Peregrina ao Panamá em 2016…
… Enfatiza Dom José Domingo que “esta visita foi uma das que mais tocou o coração do povo do Panamá” e, quando terminou, sentira que tinham de pedir a Fátima que se fizesse novamente presente na Jornada Mundial da Juventude, esse “momento tão especial para o Panamá, para a juventude do Panamá”.
A 11 de fevereiro de 2018, memória litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes, o Papa inscreveu-se na Jornada e, ao meio dia desse mesmo dia, o Panamá recebe a comunicação do Santuário de Fátima a confirmar a presença da Imagem da Virgem Peregrina. E foram estes os peregrinos número 1 e número 2 destas jornadas.
No âmbito da preparação da JMJ, diz o prelado que “as jornadas sempre tiveram em conta os jovens e o papel das mulheres”, pois a Igreja panamenha – aliás, “esta é uma visão a partir da América Latina” – está convicta de que “não se pode pensar a Igreja sem a participação efetiva e a presença das mulheres na Igreja”. Por isso, seguindo “Maria, a eterna jovem que foi capaz de dizer ‘sim’, invocámo-la do ponto de vista vocacional” – assegura Dom Ulloa, que garante: 
Toda a jornada foi preparada em função de Maria. E até o Sínodo dos jovens nos ajudou nesta preparação de uma Igreja voltada para a juventude a partir do exemplo de Maria, uma jovem que disse ‘sim’ sem reservas. Também tivemos uma ajuda imensa do Apostolado Mundial de Fátima, um grupo dedicado que, durante um ano e meio, fez tudo para ajudar nesta grande jornada Mariana, promovendo desde logo a devoção dos primeiros sábados.”.
Sobre a grande exigência duma preparação da Jornada Mundial da Juventude e da experiência panamenha, destaca:
A melhor estratégia para a organização de um evento como este é colocá-lo nas mãos de Deus e pedir a intercessão de Maria. Temos de fazer tudo o que é possível do ponto de vista humano, mas é a providência que nos protege. Por isso, o que é preciso é pedirmos a Maria e, através da sua intercessão, esperar pela ajuda de Deus. A Jornada Mundial da Juventude, como tudo na nossa vida, é obra Dele.”. 
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Depois, ver o santo Padre diante da Imagem da Virgem Peregrina de Fátima concitou um sentimento muito forte e o Pastor panamenho rezou pensando: “Mãe, esta obra que é Tua está a comover o mundo”. E foi muito comovente ver o Sumo Pontífice a rezar num profundo silêncio diante daquela Imagem da Virgem. Foi mesmo “a confirmação de que esta hora da Igreja, comprometida neste projeto com a juventude, está nas mãos de Maria, a grande Influencer da juventude”. E o Panamá viu, “com a emoção dos jovens, que Maria lhes conquistou o coração”.
Com efeito, depois de o Papa ter estado diante da Imagem, sem velas e com telemóveis, a noite da Vigília foi marcada pela procissão das velas a acompanhar a Imagem da Virgem Peregrina, o que – diz o Arcebispo – “foi um mar de luz”. E Dom Ulloa confessa:
Fiquei muito comovido: ver o santo Padre a rezar diante da Virgem, mas sobretudo ver a alegria dos jovens diante de Nossa Senhora de Fátima e ver nos seus olhos e nas suas expressões como a Mãe lhes encheu o coração... foi extraordinário. A Virgem de Fátima é sempre um tema que tem de ser ressalvado quando falamos da Jornada Mundial da Juventude e, sobretudo, desta em particular.”.
Anuindo à asserção de quem orientou a entrevista de que esse momento terá sido porventura a confirmação de que as opções da presença da Virgem Peregrina de Fátima tinham sido as mais acertadas”, porfiou que tudo o que fizeram fora sem saberem “que Portugal iria receber a próxima Jornada Mundial da Juventude”. Mas, sabendo que não há acasos nem meras coincidências, revelou que, ao falar-se do assunto, foi mais um tema que deu bastante alegria. Com efeito “a Mãe que nós levámos até junto da juventude mundial no Panamá é a mesma mãe que vai trazer a cruz da Jornada Mundial da Juventude à sua nova morada”, ou seja, “Maria fez-se presente no outro lado do mundo, para regressar com todos os seus filhos a Fátima e a Portugal – disse perentoriamente.
Mas não se ficou por estas afirmações. Antes adiantou que “Maria sempre ocupou um lugar central na Jornada Mundial da Juventude, mas que esse papel será ainda muito mais forte em 2022”, pois torna-se “impensável” a organização do grande evento sem a presença de Nossa Senhora de Fátima”, que “é a Mãe que nos protege e abraça”, o que Lisboa só confirmará. De facto, “Ela levou a luz de Fátima ao Mundo e agora acende-a em Portugal para todo o mundo”.
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Ainda discorreu sobre a importância de Fátima no Mundo referindo que “um dos grandes conteúdos da Mensagem de Fátima é a conversão”. Nesse sentido, precisou:
Fátima convida-nos a recriar a necessidade e o desejo de mudança em ordem a que a palavra que escutamos nos invada o coração e alimente os nossos gestos. Tem de haver esta sintonia entre a palavra que anunciamos e os gestos da nossa vida.”.
É na relação com a conversão e na sintonia entre a prática e a palavra que o Arcebispo formulou o enunciado vertido na epígrafe do presente texto, quando atesta que “esta [a mudança e a sintonia entre palavra e vida] é a raiz da Mensagem de Fátima que nos remete para um convite permanente à conversão, a sermos íntimos de Deus, a começar por nós, hierarquia da Igreja, que temos de estar em constante discernimento diante dos sinais dos tempos”.
E é por ter no centro a conversão – “com outros ingredientes que remetem para a infância, para a humildade, para a sensibilidade dos pequenos, dos mais fracos, dos oprimidos, dos pobres de coração” – que é muito atual a Mensagem de Fátima que “nos é dirigida a todos: bispos, padres, leigos, jovens e menos jovens”. Depois, um outro fator de atualidade da Mensagem é a oração como caminho; e o hierarca vinca, no quadro do aperfeiçoamento pessoal e do labor apostólico:
Temos de rezar muito para que o nosso coração se converta e assim consigamos ajudar outros a converterem-se”.
Com efeito, a Mensagem, convidando-nos à oração – falar e escutar Deus na maior intimidade –“é um itinerário que nos ajuda a libertar o nosso coração de coisas que não interessam e estarmos mais livres para dar a Deus o lugar de Deus”. E constitui um imperativo a oração pela Paz num mundo ferido e que espera a misericórdia de Deus, devendo os obreiros eclesiais ser testemunhas e arautos da misericórdia. Sublinha Dom Ulloa:
A Mensagem de Fátima é sempre atual porque nos alerta para um mundo ferido, um mundo que está ferido porque nós estamos feridos. E cada um de nós tem de se converter porque cada um de nós tem esta missão. Por isso, diante do mundo concreto de hoje, a Mensagem de Fátima ajuda-nos a purificar o coração dos homens. E este é o terceiro elemento que gostava de destacar: a misericórdia. Em Fátima, através desta presença materna de Nossa Senhora sentimos que há sempre um coração grande que nos acolhe, por piores que sejam os males do mundo.”.
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Por fim, como a JMJ do Panamá se realizou entre dois Sínodos dos Bispos, o dos jovens e o da Amazónia, deixa, a pedido, uma palavra sobre a oportunidade, referindo que “a Amazónia é apenas um lugar, importante, mas apenas um lugar”. Nestes termos, o Sínodo constituirá “uma mensagem que Deus nos envia”, ou seja, “a partir de povos martirizados, o Senhor fala para o mundo inteiro”. Assim, dali “sairá a luz para o mundo inteiro sobre a necessidade de tomarmos consciência de que todos temos a obrigação de cuidar desta casa comum” – disse.
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Por falarmos de conversão, oração, misericórdia e paz – tetranómio nuclear da Mensagem de Fátima –, não fica descabido acolher algumas das palavras do Vice-reitor do Santuário de Fátima, que desafiou, no passado domingo, dia 31, os peregrinos a olharem o próximo como Jesus olha para cada um de nós “sem etiquetas e como pessoas amadas”.

Com efeito, na Missa Internacional a que presidiu na Basílica da Santíssima Trindade, no domingo da alegria, o 4.º da Quaresma (chamado “Domingo Laetare”, denominação ligada à Antífona de Entrada da Eucaristia, “Laetare, Ierusalem” – Alegra-te, Jerusalém), o padre Vítor Coutinho pediu aos milhares de participantes – com particular destaque para o grupo mobilizado pela Peregrinação Nacional dos Amigos do Verbo Divino, que se fizeram anunciar – que olhassem os seus semelhantes com os olhos de Jesus, límpidos e compassivos, que transportam misericórdia e ternura em vez de distância, julgamento, censura e condenação. E explanou:

Jesus nunca vê mais nada além de pessoas, pessoas amadas. Jesus não vê etiquetas, mas pessoas amadas por Deus e este olhar dá a cada pessoa a oportunidade de dar passos na vida; este olhar dá a cada um a possibilidade de não ficar fechado na imagem que tem de si mesmo ou na que os outros fazem dele.”.
A partir do Evangelho do dia – a parábola do Pai misericordioso que tinha dois filhos: o pródigo e o que não abandonou a casa paterna – onde se releva o amor paciente e sempre acolhedor do Pai, independentemente do itinerário de vida de cada um, os peregrinos foram instados pelo sacerdote celebrante a fazerem uma verdadeira comunhão com Deus. Na verdade, como sublinhou, o olhar do pai sobre o filho pródigo “é o olhar de Jesus que não tem paralelo no mundo de hoje”, sendo que, “tal como o pai da parábola acolhe o filho faminto e pecador”, que se converte e reza confessando, arrependido o seu pecado, também “Jesus acolhe todos os que dele se aproximam e querem com ele fazer comunhão”.
E, como sublinhou o sacerdote em seu discurso homilético, sabemos “da história do filho pródigo” que aquilo que nos salva “é o olhar comovido de Deus, que não fica indiferente”, mas cuja compaixão “não olha de cima nem de longe, mas de perto, deixando-nos sempre um olhar de perdão que nos renova” e nos dá a paz interior, que nos faz trabalhar a paz para e com os outros e criar um estilo de vida em profundeza e solidariedade. E é com este olhar terno inspirador dos cristãos a participarem no sentido de festa que somos convidados a saborear “a bondade Daquele que nos olha”.
Não podemos comportar-nos como o filho mais velho da parábola, que roído de inveja, se pôs a acusar o Pai e o irmão do que fizeram e do que não fizeram, omitindo gravemente os atos generosos do Pai e desprezando a mudança de vida do irmão.   
Por conseguinte, ao longo da Liturgia da Palavra ecoou um convite a fazer festa, isto é, um convite a que tenha cada um a capacidade de, em cada momento da vida, “viver na plenitude do sentido que só Deus permite” e a que nos estimula. E disto é testemunha, mensageira e promotora a Virgem Santa Maria Mãe de Deus e nossa Mãe.
2019.04.01 – Louro de Carvalho

domingo, 27 de janeiro de 2019

Lisboa será palco da Jornada Mundial da Juventude em 2022


O anúncio, feito pelo cardeal irlandês Kevin Farrell, Prefeito do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, foi escutado ao vivo, na Cidade do Panamá por Dom Manuel Clemente, Cardeal Patriarca de Lisboa e Presidente da Conferência Episcopal de Lisboa, e por Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República Portuguesa. E foi recebido com uma salva de palmas pelas centenas de milhares de participantes na Missa conclusiva da JMJ 2019.
Presidente e Patriarca vincaram vitória para Portugal e para a África lusófona. Em declarações à agência Ecclesia e à Rádio Renascença, os dois mostraram-se muito satisfeitos com a decisão, com o Presidente a dizer que esta é uma vitória da Igreja em Portugal, mas não só:
Vitória também da língua portuguesa e da lusofonia, porque na discussão no Vaticano, um ponto essencial era a abertura a África, continente onde nunca houve estas jornadas. E pensou-se ‘qual é o país que é a melhor plataforma giratória para todos os continentes e também para África. E como é possível que venham de África muitos peregrinos e muitos jovens’. Isto foi um argumento também decisivo.”.
Dom Manuel Clemente, sublinhando também a importância da proximidade com África para esta decisão do Papa e frisando que a escolha de Lisboa para organizar JMJ em 2022 é “uma excelente notícia”, declarou:
Estamos num canto da Europa onde a Europa se aproxima de África, onde Europa e África já olham por este Atlântico para as Américas. Toda a gente lá vai estar com gosto e empenho e nós vamos fazer o possível para que corra de uma maneira fabulosa, tão fabulosa como foi esta feliz notícia que o Papa acaba de nos dar.”.
A Jornada Mundial da Juventude é um evento que reúne centenas de milhares, ou mesmo milhões, de jovens de todo o mundo. Realiza-se de três em três anos ou, excecionalmente, de dois em dois, normalmente variando entre continentes.
Desde a primeira edição das JMJ sob a égide se São João Paulo II, o Papa tem estado sempre presente, pelo que é previsível que Francisco ou um seu enviado especial ou, eventualmente, o seu sucessor, regresse a Portugal para participar no evento.
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Em Portugal, a primeira reação eclesiástica anotada foi do Bispo do Porto. Com efeito, Dom Manuel da Silva Rodrigues Linda reagiu à notícia da escolha de Lisboa como a próxima cidade a acolher a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), em 2022, dizendo:É uma alegria indescritível, imensa”. Nos próximos três anos, disse ainda, a Igreja em Portugal terá de se “dedicar muito mais à pastoral juvenil”, afinando a sua linguagem pela linguagem que os jovens entendam. É expectável que centenas de milhares de jovens se desloquem a Portugal por ocasião da JMJ. “O nome de Portugal será o mais falado naquele contexto por todo o mundo e durante muito tempo, antes e depois”, disse o prelado, alertando que “temos de saber acolher”.
Sobre as razões que terão induzido o Papa a escolher Portugal como país anfitrião da próxima JMJ, o prelado portucalense considera que se deve à proximidade a África, a nível geográfico e sentimental, explicitando:
Nós soubemos contactar com os africanos e, salvo algumas épocas um bocado mais difíceis, como foi a guerra colonial, a nossa relação com África foi relativamente pacífica. E, portanto, se soubemos ao longo do tempo conviver, agora saberemos acolher.”.
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Segundo a agência Ecclesia, a CEP (Conferência Episcopal Portuguesa) reagiu com “grande alegria” ao anúncio de que a próxima JMJ vai decorrer em 2022, na cidade de Lisboa. Com efeito, o Padre Manuel Barbosa, o secretário da CEP e porta-voz do episcopado, destaca, em comunicado, que este é um acontecimento:
Em que a Igreja em Portugal e, de modo particular o Patriarcado de Lisboa, conta com o apoio da Presidência da República e a colaboração das entidades governamentais e autárquicas”.
Prosseguindo, explicita:
A JMJ vai envolver todas as Dioceses do país ao longo dos próximos três anos e meio na sua preparação, constando de encontros de oração, celebração e reflexão, e de inúmeros acontecimentos a nível religioso e cultural. Culminará nos últimos dias com a presença em Lisboa de centenas de milhares de jovens vindos de todo o mundo, em celebrações presididas pelo Santo Padre.”.
E deixa votos de que JMJ em Portugal seja “um forte momento de graça para todos os jovens renovarem o dinamismo da sua vocação, respondendo ao convite de Jesus Cristo a serem autênticos discípulos missionários na vida da Igreja e da sociedade”.
Do Panamá, o Bispo de Bragança-Miranda reagiu ao anúncio com uma mensagem enviada à Ecclesia pelo secretariado diocesano das Comunicações Sociais:
Com o Papa Francisco queremos ser servidores da alegria dos jovens que são o agora da Igreja e do mundo. Eis-me aqui! Faça-se segundo o Evangelho.”.
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Por seu turno, o Reitor do Santuário de Fátima, que está no Panamá a chefiar uma delegação do Santuário que levou, de forma inédita, a Imagem n.º 1 da Virgem Peregrina de Fátima a uma Jornada Mundial da Juventude, afirmou esta manhã que a escolha de Lisboa como capital da JMJ de 2022 é “uma grande alegria e uma enorme responsabilidade”.
Além disso, o Padre Carlos Cabecinhas afirmou, numa reação imediata ao anúncio pelo cardeal D. Kevin Farrell (já de tarde em Lisboa), de que a capital portuguesa é a cidade escolhida para acolher a próxima Jornada Mundial da Juventude, em 2022:
Para nós é motivo de grande alegria enquanto membros da Igreja portuguesa, mas também para Fátima, pois as Jornadas Mundiais da Juventude representam uma ocasião que proporciona a muitos jovens a visita a Fátima”.
“Se nos enchemos de alegria por toda a Igreja portuguesa, sentimos também a enorme responsabilidade para que Fátima saiba acolher e receber os jovens que para aí remarem” – precisou ainda o sacerdote que, desde o passado dia 22, acompanha a Imagem n.º 1 da Virgem Peregrina de Fátima, que empreende uma viagem extraordinária ao encontro dos jovens de todo o mundo, na JMJ, mas cumprindo paralelamente um programa autónomo que a levou a alguns lugares mais periféricos como o Centro Penitenciário Feminino da Cidade do Panamá e amanhã a levará a um hospital de doentes oncológicos.
Por outro lado, hoje, durante a Missa internacional na Basílica da Santíssima Trindade, o Santuário de Fátima teve presente esta Jornada que se encerrou no Panamá. Assim, no texto duma das preces da Oração Universal, os peregrinos foram especialmente interpelados a rezar “pelos jovens e por todos os participantes na JMJ para que, anunciando a fé viva e o rosto jovem do evangelho, trabalhem na construção de uma sociedade mais justa e fraterna”.
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O DN on line abria a rubrica respetiva com o título: E no Panamá disseram: ‘Até Portugal, Lisboa 2022’. E continuava:
A próxima cidade a receber a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) é Lisboa. O local está escolhido. Será no Parque Tejo, entre Lisboa e o Trancão. A capital pode receber um milhão de peregrinos. O desafio começa agora.”.
E referia que, apesar de a tarde lisboeta estar fria e ventosa, muitos jovens se juntaram na Paróquia do Parque das Nações para ouvirem o anúncio, no Panamá, de que a próxima cidade a receber a JMJ é Lisboa, sendo esta a paróquia de receção da próxima JMJ. E frisava que, a ver em direto estavam mais de 200 jovens de várias paróquias de Lisboa, que, tendo iniciado este encontro no sábado à noite a acompanhar a vigília no Panamá, festejaram com vivas, palmas e confetis e muitos gritos de “Portugal, Portugal!”.
Segundo este diário, bem como segundo o JN, a ouvir Francisco estavam os 300 jovens que viajaram até àquele país para participarem neste evento. O cardeal Dom Manuel Clemente, seis bispos, vários sacerdotes, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Paulo Rebelo, em representação do Governo, vários embaixadores e o Presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina.
Manhã cedo, no Panamá, milhares de jovens participavam na última celebração da JMJ 2019, mas para os portugueses e para os jovens da lusofonia, estas jornadas tinham um sabor especial: o novo destino será Lisboa. Dom Manuel Clemente, Cardeal Patriarca de Lisboa, recebeu a Cruz das Jornadas, símbolo da passagem de testemunho. Da assembleia ouviram-se gritos de “Portugal! Portugal! Portugal!”.
Os jovens aplaudiram. E a Igreja Portuguesa, sobretudo a diocese de Lisboa, que avançou com a candidatura, também. Marcelo já tinha dito que, a confirmar-se poderia ser um incentivo à sua recandidatura. Para todos, o desafio começa agora. Lisboa poderá receber em duas semanas quase tantos peregrinos como turistas num ano: um milhão.
O Presidente da República considera que a realização da JMJ em Lisboa é “uma vitória também do episcopado”, dirigindo uma palavra a Dom Manuel Clemente, que “tanto lutou por isto”.
Segundo o JN, o anúncio era aguardado com expectativa, também por milhares de católicos em Portugal. No Multiusos de Gondomar reuniram-se cerca de dois mil jovens de Lisboa, Vila Franca de Xira, Fátima, Viseu, Guarda, Santarém, Vila Real, Bragança, Viana do Castelo, Braga e Aveiro para assistirem em direto à transmissão da celebração desde a Cidade do Panamá. Dom Manuel Linda, bispo do Porto, marcou presença neste encontro de jovens, adrede agendado.
Na sua conta no Twitter, o Papa escreveu:
A vocês, queridos jovens, um muito obrigado por #Panama2019. Continuem a caminhar, continuem a viver a fé e a compartilhá-la. Até Lisboa em 2022.”.
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Segundo o que apurou o DN, será às portas de Lisboa que milhares e milhares de jovens receberão o Papa na JMJ anunciada por Francisco para a capital portuguesa em 2022. Depois de várias hipóteses colocadas na mesa, como o Campo de Tiro de Alcochete ou as bases do Montijo e da Ota, as autoridades religiosas e políticas já definiram um local: será no Parque Tejo, no Parque das Nações, prolongando-se para Norte, e na Bobadela, ali ao lado.
Apesar das cautelas entre a Igreja portuguesa (até porque, há meses, houve uma irritante fuga de informação que poderia ter estragado tudo), de eventual escolha alternativa de Estocolmo para a realização do encontro de 2022, as autoridades já tinham ido ao terreno verificar as condições logísticas. Pela zona norte do Parque das Nações já passaram o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, o vereador do Urbanismo, Manuel Salgado, e o próprio Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
O anúncio da localidade para o encontro de 2022 foi feito oficialmente no Panamá, no encerramento da XXXIV Jornada Mundial da Juventude.
A comitiva portuguesa que se deslocou àquele país da América Central vincava o que está em causa e torcia pela escolha. O Presidente da República e o Cardeal Patriarca de Lisboa, Dom Manuel Clemente, foram acompanhados do presidente da autarquia lisboeta, que é também o presidente da Área Metropolitana de Lisboa, Fernando Medina – e que fontes ouvidas garantiram estar muito empenhado na escolha da capital – e do pároco do Parque das Nações, Paulo Franco.
Quer Marcelo quer Clemente tinham adotado o discurso cauteloso de quem diz ter “esperança” de poder trazer a próxima edição destas jornadas para Lisboa, porque assim determina a diplomacia do Vaticano: é ao Papa que cabe o anúncio formal. Mas há meses que a preparação avançava. E, entre os aspetos logísticos, estava a escolha do local, que poderá acolher cerca de um milhão de jovens.
A opção pelo Parque das Nações e Bobadela obrigará à construção de pontes pedonais para vencer o obstáculo natural que divide o espaço previsto para as jornadas, que é a foz do rio Trancão, e à remoção dos contentores existentes na Bobadela, entre a EN10 e a A30/IC2, porque as jornadas decorrem por vários dias (no Panamá, por exemplo, realizaram-se de terça-feira a domingo) e os jovens inscritos, sempre em número inferior ao que depois participa nos dois últimos dias no acolhimento ao Papa, são distribuídos por milhares de alojamentos diferentes.
É esta logística a que também responderá a organização portuguesa, que será coordenada pelo Presidente do Conselho da Administração da Rádio Renascença, o Cónego Américo Aguiar: arranjar alojamentos para acolher milhares de jovens.
Recorde-se que, em 2016, quando o encontro teve lugar em Cracóvia, Polónia, estavam inscritos oficialmente cerca de 360 mil jovens para a semana de atividades e, no fim de semana, para a vigília e a missa, o número disparou para cima do milhão e meio de jovens. Nesses dias, havia 37 mil espaços para acampar. Em 2011, em Madrid, havia 7000 espaços de alojamento, incluindo em Portugal, para os dias anteriores ao fim de semana em que o bispo de Roma participa na Jornada Mundial da Juventude.
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As cidades que já receberam as JMJ foram: Roma 1985 (Vaticano / Itália, 23 de março) – a primeira edição das JMJ, no Ano Internacional da Juventude, ficando decidido que, nos anos ímpares, a reunião seria realizada numa cidade do mundo, escolhida pelo Papa; Buenos Aires 1987 (Argentina, 11-12 de abril), 1.ª JMJ fora da Europa – onde 1 milhão de participantes ouviu as mensagens do Papa São João Paulo II; Santiago de Compostela 1989 (Espanha, 19-20 de agosto) – aonde 600 mil jovens foram em peregrinação; Częstochowa 1991 (Polónia, 10-15 de agosto) – com 1,6 milhões de jovens; Denver 1993 (EUA, Colorado, 10-15 de agosto) – com 900 mil jovens; Manila 1995 (Filipinas, 10-15 de janeiro) – com mais de 4 milhões de jovens; Paris 1997 (França, 19-24 de agosto) – com 1,2 milhões de jovens; Roma 2000 (Vaticano / Itália, 15-20 de agosto) – com cerca de 2 milhões de jovens (2,5 milhões, segundo a imprensa local) e o jubileu das JMJ a coincidir com o jubileu do milénio; Toronto 2002 (Canadá, 23-28 de julho) – com 800 mil jovens; Colónia 2005 (Alemanha, 16-21 de agosto), a 1.ª JMJ de Bento XVI – com 2 milhões de jovens; Sydney 2008 (Austrália, 15-20 de julho) – com 500 mil jovens; Madrid 2011 (Espanha, 16-21 de agosto) – com cerca de 2 milhões de jovens; Rio de Janeiro 2013 (Brasil, 23-28 de julho), a 1.ª JMJ de Francisco – com 3,7 milhões de fiéis; Cracóvia 2016 (Polónia, 26-31 de julho) – com 2,5 milhões de jovens; e Panamá 2019 (Panamá, América Central, 22-27 de janeiro) – ainda sem contabilização oficial.
E Lisboa 2019 (Portugal) constitui o desafio próximo para Portugal e a esperança para o triénio. De que Portugal é capaz não restam dúvidas, mas é mister que a Igreja em Portugal corresponda à confiança que nela se deposita e aproveite o ensejo para se rejuvenescer!
2019.01.27 – Louro de Carvalho

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Imagem da Virgem Peregrina de Fátima recebida em festa no Panamá


Centenas de peregrinos acolheram, na noite de 21 de janeiro, a Imagem no aeroporto de Tocumen, acompanharam-na no seu percurso para a capital e festejaram-na na Igreja de Nossa Senhora de Lourdes em Carrasquilla, Cidade do Panamá. A festa teve a participação de panamenhos, voluntários e peregrinos da XXXIV Jornada Mundial da Juventude (JMJ).
A agenda inclui visitas a um hospital e a uma prisão feminina, além de celebrações com o clero e com o Papa Francisco.
Eram 19,17 horas, hora panamenha, mais cinco em Lisboa, quando um avião da Air France aterrou no Aeroporto de Tocumen, na Cidade do Panamá. Nesse avião seguia a Imagem Peregrina n.º 1 de Nossa Senhora do Rosário de Fátima.
Os primeiros momentos de alegria aconteceram ainda na pista, quando os bombeiros locais dispararam jatos de água para homenagear Nossa Senhora. Quando a Imagem saiu do avião, Mons. José Domingo Ulloa, Arcebispo do Panamá, bateu palmas, afirmando que a “Rainha da Paz” estava no Panamá.
Entre cânticos e orações, centenas de peregrinos quiseram ver de perto a segunda ‘figura’ com o distintivo de inscrita na Jornada Mundial da Juventude no Panamá, que o Arcebispo colocou na Imagem – uma distinção proclamada pelo líder eclesial do Panamá, que também confirmou que a primeira inscrição foi a do Papa Francisco.
A Imagem n.º 1 da Virgem Peregrina de Fátima seguiu em procissão até à Igreja de Lourdes, onde foi recebida com fogo de artifício e muitos aplausos. Após uma oração, o Padre Carlos Cabecinhas, Reitor do Santuário de Fátima, agradeceu o acolhimento caloroso e desafiou os muitos jovens presentes a tomar “Maria no seu exemplo e na sua entrega”.
Em declarações aos jornalistas, o Arcebispo José Domingo Ulloa disse que esta visita é  um “privilégio” que transforma o Panamá num “santuário”, frisando que “é como se todos os panamenses pudessem estar em Fátima”.
A chegada da imagem foi acompanhada pelo embaixador de Portugal na Cidade do Panamá, Pedro Pessoa e Costa, que falou à agência Ecclesia dum “momento muito bonito”, destacando a “enorme devoção mariana” que tem visto no Panamá. E acrescentou:
Creio que a presença da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima nas Jornadas Mundiais da Juventude simboliza o grande envolvimento de Portugal nesta organização”.
A embaixadora do Panamá em Portugal, Ilka Varela de Barés, mostrou-se “muito feliz” com esta visita, símbolo dos “laços da amizade” entre os dois países e assinalou:
Não há palavras para descrever a bênção que representa ter a Imagem de Nossa Senhora aqui no Panamá”.
Este encontro mundial de jovens começou esta terça-feira, dia 22 de janeiro, na Cidade do Panamá, e decorre pela primeira vez na América Central, com o tema ‘Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra’ (Lc 1,38) – profundamente mariano e modelar do crente em Jesus – escolhido pelo Santo Padre.
A imagem n.º 1 da Virgem Peregrina de  Fátima saiu hoje, dia 22, em procissão em direção ao Parque Omar para ser colocada na Capela do Santíssimo; pelas 9 horas (14 em Lisboa) foi celebrada a Missa de Abertura do Parque do Perdão, tendo-se seguido um momento de adoração permanente ante o Santíssimo com a Imagem Peregrina, custodiada pelas Missionárias da Caridade (congregação fundada por Santa Madre Teresa de Calcutá), os custódios da Reitoria do Santuário de Fátima e os custódios do SENAN (Serviço Nacional Aéreo Naval) do Panamá.
Entre quarta e sexta-feira, a Imagem Peregrina estará no Parque do Perdão; no sábado, é recitado o Rosário, seguindo-se uma procissão de velas, na Vigília de Oração. No domingo, dia do encerramento da JMJ 2019, a imagem de Nossa Senhora de Fátima vai estar junto ao altar, na Missa presidida pelo Papa Francisco. O último momento celebrativo está marcado para a tarde 29 de janeiro, no Aeroporto Internacional de Tocumen, onde o Padre Carlos Cabecinhas vai presidir à celebração da Missa de despedida.
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A escultura n.º 1 da Virgem Peregrina de Fátima viajou, na madrugada desta segunda-feira até ao Panamá para estar presente na Jornada Mundial da Juventude, iniciativa que decorre de 22 a 27 de janeiro e conta com a presença de Francisco. Antes desta importante viagem, a Imagem, datada de 1947, foi alvo de um processo de estudo técnico e material no Centro de Conservação e Restauro da Escola das Artes da UCP (Universidade Católica Portuguesa), no Porto, entidade escolhida pelo Museu do Santuário de Fátima para identificar os materiais que constituem o suporte e superfície da escultura e a caraterização das técnicas construtivas utilizadas.
A este nível, refira-se que, durante 15 dias, o Centro de Conservação e Restauro desenvolveu um estudo aprofundado que permitiu perceber a forma como José Ferreira Thedim criou a escultura. Numa primeira fase, os investigadores tentaram perceber o estado de conservação do suporte e detetar intervenções passadas de conservação ou restauro. Em seguida – e de forma a estudar o número e a espessura das camadas de tinta, identificar pigmentos, vernizes e outros materiais utilizados na escultura –, recolheram e analisaram microamostras com o auxílio de infravermelhos e de raios-x.
No processo de exame e análise da escultura – criada segundo a descrição da irmã Lúcia –, foi executada, ainda, a estabilização estrutural da base, um dos pontos mais sensíveis da imagem.
Carla Felizardo, diretora do predito Centro de Conservação e Restauro no Porto, observou:
A fragilidade da base e a necessidade de estabilidade da escultura levaram a que fosse realizado um reforço estrutural, essencial tendo em conta a viagem de aproximadamente 8.000 quilómetros que a imagem fará, agora, até ao Panamá”.
Para a diretora do Centro, “é um enorme motivo de orgulho saber que o nosso Centro fez parte do processo de estudo e conservação da imagem que acompanhará o Papa Francisco nas Jornadas Mundiais da Juventude”. E concluiu:
A confiança que o Santuário de Fátima depositou no nosso trabalho, dando-nos a oportunidade de contactar com uma peça desta natureza, é, sem dúvida, um marco inigualável e que faz já parte das memórias mais importantes do Centro”.
Recorde-se que esta escultura percorre, desde 1947, os caminhos do mundo, tendo passado, em menos de 10 anos, pelos cinco continentes, sendo, talvez, a peça artística mais viajada do mundo. Entre 1947 e 2003, ano em que a Imagem Peregrina n.º 1 foi entronizada na Basílica de Nossa Senhora do Rosário, saindo apenas excecionalmente do Santuário de Fátima, foram contabilizados cerca de 630 mil quilómetros percorridos pelos 5 continentes, aproximadamente 15 voltas ao mundo, tomando como referência o perímetro equatorial.
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Numa videomensagem aos Cristãos do Panamá o Padre Carlos Cabecinhas, Reitor do Santuário de Fátima, falou da “enorme alegria” que é enviar a “Imagem Peregrina mais importante” para a Jornada Mundial da Juventude. A sublinhar o caráter “absolutamente excecional” desta saída, disse o Reitor do Santuário:
Esta Imagem Peregrina é única, é a primeira e a original, aquela que percorreu os vários continentes, aquela que deu várias vezes a volta ao mundo”. 
E, relevando a JMJ 2019 como um “acontecimento eclesial de primeira importância”, vincou:
Entendemos que este é um momento muito importante e que, por isso, justifica a saída desta Imagem Peregrina n.º 1, aquela que, como eu dizia, é para nós a mais importante das Imagens Peregrinas de Nossa Senhora de Fátima”.
Segundo as palavras do Padre Cabecinhas, há uma “clara consciência de quão importante é para toda a Igreja esta presença dos jovens juntos com o Santo Padre em oração, em reflexão, em convívio, em festa”. E, por outro lado, discorreu:
Sabemos o quanto a devoção a Nossa Senhora está desde a origem das jornadas mundiais da juventude ligada a este acontecimento. Sabemos quão devoto era a Nossa Senhora o Papa São João Paulo II e, por isso, muito naturalmente, quando ele criou as jornadas mundiais da juventude, deu-lhe desde inicio um cunho mariano e, por isso, este era também motivo mais que suficiente para o envio de uma Imagem para nós tão importante”.
Este envio “é uma forma de exprimirmos a união na oração neste acontecimento”, reiterou.
Das viagens que a Imagem Peregrina fez pelos 5 continentes foi possível aferir a dinâmica pastoral centrífuga que leva a entidade cultuada aos peregrinos; a presença da imagem branca em países em tensão pelo conflito mundial que terminara dois anos antes; a inculturação de Fátima e da sua ritualidade pelo mundo; e o caráter missionário das viagens na expansão do Evangelho – sustenta o Diretor do Museu do Santuário de Fátima, Marco Daniel Duarte.
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Na reflexão que fez sobre o Evangelho proclamado na Missa do dia 20, II domingo do tempo comum, que relata o episódio das Bodas de Caná, o Reitor do Santuário apresentou Jesus como “Aquele que transforma a nossa a vida, dando-a em plenitude” e Maria como a “mão que nos conduz permanentemente a Cristo”.
Ao destacar o primeiro milagre de Jesus como “um sinal que vai além da materialidade”, o sacerdote explicou a relação deste episódio com a Boa Nova que Cristo trouxe à humanidade:
A transformação da água em vinho remete-nos para aquilo que é a missão e a identidade de Jesus: a salvação dos homens pela transformação das vidas. Assim como transforma a água em vinho, também transforma o pão e vinho em Corpo e Sangue, na Eucaristia, e transforma também a nossa vida: transfigura-a, tornando-a plena em abundância. Este é o verdadeiro milagre de Caná!”.
Para que “Jesus possa operar esta transformação é necessária a adesão e disponibilidade às suas palavras, seguindo o seu exemplo de vida”, alertou, em seguida, ao sublinhar o importante papel de intercessora que Nossa Senhora assumiu no episódio do primeiro milagre do Filho. E frisou, apontando o acontecimento de Fátima como um exemplo prático da intercessão de Maria em favor da humanidade:
Tal como fez nas Bodas de Caná, ainda hoje, na glória, Nossa Senhora continua a interceder por nós. Conhece as nossas tristezas e medos e vem ao nosso encontro. No relato do Evangelho, é Maria que se dá conta que alguma coisa não está bem. Ainda hoje, Maria aparece como aquela que conhece as dificuldades e a necessidade de transformação de cada um de nós, vindo em nosso auxílio.”.
E prosseguiu:
Em Fátima, Nossa Senhora dá-se conta dos dramas que o mundo vive e vem ao nosso encontro, trazendo a resposta que Deus dá. São as nossas súplicas a Maria que levam Deus a intervir, tal como aconteceu nas Bodas de Caná; e é esta certeza que nos enche de confiança e nos faz com que, como filhos, depositemos as nossas súplicas em Maria.”.
Apresentou Maria como Aquela que nos “desafia ao compromisso de seguir Jesus”, tal como pediu aos serventes das Bodas de Caná que “fizessem tudo quanto Ele lhes dissesse”, e tal como se entregou a Deus, na Anunciação.
E deu o exemplo de santidade dos Pastorinhos Lúcia, São Francisco e Santa Jacinta, que aprenderam, “nesta escola de Maria”, a pedir a ajuda de Nossa Senhora e a mostrar “total disponibilidade a seguir Jesus, como Ela lhes pediu”.
Após a homilia, seguiu-se o rito bênção da nova coroa e a coroação da primeira Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima, que iria partir em peregrinação para a Jornada Mundial da Juventude no Panamá.
Tomando a oportunidade desta saída excecional, a Imagem foi, como se disse, alvo de um processo d estudo técnico e material, tendo o Santuário de Fátima encomendado uma nova coroa para uso nesta e nas restantes 12 imagens oficiais da Virgem Peregrina de Fátima.
“A criação foi solicitada à Casa Leitão & Irmão, Joalheiros, responsável pela coroa da Imagem de Nossa Senhora de Fátima que é venerada na Capelinha das Aparições – coroa criada em 1942 e colocada na escultura em 1946”, lê-se na nota informativa do Museu do Santuário de Fátima.
Atendendo à conotação das viagens da Virgem Peregrina com o tema da Paz, na base da coroa aparece a seguinte legenda, inscrita em capitais: Regina Pacis. Regina Rosarii Fatimae. Regina Mundi (Rainha da Paz. Rainha do Rosário de Fátima. Rainha do Mundo), formulação que irá constar na coroa das 13 Imagens oficiais.
Desenvolvida a partir do programa iconográfico fornecido pelo Museu do Santuário de Fátima, o seu autor, Jorge Lé, configurou a coroa tomando como mote a ideia simbólica da Árvore da Vida, descrita no livro do Apocalipse (Ap 22,2) do seguinte modo: “No meio da sua praça, e de uma e da outra banda do rio, estava a árvore da vida, que produz doze frutos, dando seu fruto de mês em mês; e as folhas da árvore são para a saúde das nações”.
Na memória descritiva, o autor refere:
A árvore da vida, elemento principal desta coroa, símbolo de vida e evolução perpétua, representa a ligação entre a terra e o céu. Reúne também em si todos os elementos da Vida, a água presente na sua seiva, a terra que se integra com as raízes, o ar que as folhas respiram e o fogo que surge pela fricção de dois galhos. O seu tronco, que surge da terra e se eleva para o céu, ramifica-se em cinco ramos, representando os cinco continentes, os quais se entrelaçam e unem ao longo da forma circular da coroa, ligando todas as nações que formam o nosso planeta. As suas folhas, símbolo de salvação das nações e eternidade, crescem em direção ao céu, sinónimo de ascensão.”.
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Laus Deo Virginique Mariae!
 2019.01.22 – Louro de Carvalho