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terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Imagem da Virgem Peregrina de Fátima recebida em festa no Panamá


Centenas de peregrinos acolheram, na noite de 21 de janeiro, a Imagem no aeroporto de Tocumen, acompanharam-na no seu percurso para a capital e festejaram-na na Igreja de Nossa Senhora de Lourdes em Carrasquilla, Cidade do Panamá. A festa teve a participação de panamenhos, voluntários e peregrinos da XXXIV Jornada Mundial da Juventude (JMJ).
A agenda inclui visitas a um hospital e a uma prisão feminina, além de celebrações com o clero e com o Papa Francisco.
Eram 19,17 horas, hora panamenha, mais cinco em Lisboa, quando um avião da Air France aterrou no Aeroporto de Tocumen, na Cidade do Panamá. Nesse avião seguia a Imagem Peregrina n.º 1 de Nossa Senhora do Rosário de Fátima.
Os primeiros momentos de alegria aconteceram ainda na pista, quando os bombeiros locais dispararam jatos de água para homenagear Nossa Senhora. Quando a Imagem saiu do avião, Mons. José Domingo Ulloa, Arcebispo do Panamá, bateu palmas, afirmando que a “Rainha da Paz” estava no Panamá.
Entre cânticos e orações, centenas de peregrinos quiseram ver de perto a segunda ‘figura’ com o distintivo de inscrita na Jornada Mundial da Juventude no Panamá, que o Arcebispo colocou na Imagem – uma distinção proclamada pelo líder eclesial do Panamá, que também confirmou que a primeira inscrição foi a do Papa Francisco.
A Imagem n.º 1 da Virgem Peregrina de Fátima seguiu em procissão até à Igreja de Lourdes, onde foi recebida com fogo de artifício e muitos aplausos. Após uma oração, o Padre Carlos Cabecinhas, Reitor do Santuário de Fátima, agradeceu o acolhimento caloroso e desafiou os muitos jovens presentes a tomar “Maria no seu exemplo e na sua entrega”.
Em declarações aos jornalistas, o Arcebispo José Domingo Ulloa disse que esta visita é  um “privilégio” que transforma o Panamá num “santuário”, frisando que “é como se todos os panamenses pudessem estar em Fátima”.
A chegada da imagem foi acompanhada pelo embaixador de Portugal na Cidade do Panamá, Pedro Pessoa e Costa, que falou à agência Ecclesia dum “momento muito bonito”, destacando a “enorme devoção mariana” que tem visto no Panamá. E acrescentou:
Creio que a presença da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima nas Jornadas Mundiais da Juventude simboliza o grande envolvimento de Portugal nesta organização”.
A embaixadora do Panamá em Portugal, Ilka Varela de Barés, mostrou-se “muito feliz” com esta visita, símbolo dos “laços da amizade” entre os dois países e assinalou:
Não há palavras para descrever a bênção que representa ter a Imagem de Nossa Senhora aqui no Panamá”.
Este encontro mundial de jovens começou esta terça-feira, dia 22 de janeiro, na Cidade do Panamá, e decorre pela primeira vez na América Central, com o tema ‘Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra’ (Lc 1,38) – profundamente mariano e modelar do crente em Jesus – escolhido pelo Santo Padre.
A imagem n.º 1 da Virgem Peregrina de  Fátima saiu hoje, dia 22, em procissão em direção ao Parque Omar para ser colocada na Capela do Santíssimo; pelas 9 horas (14 em Lisboa) foi celebrada a Missa de Abertura do Parque do Perdão, tendo-se seguido um momento de adoração permanente ante o Santíssimo com a Imagem Peregrina, custodiada pelas Missionárias da Caridade (congregação fundada por Santa Madre Teresa de Calcutá), os custódios da Reitoria do Santuário de Fátima e os custódios do SENAN (Serviço Nacional Aéreo Naval) do Panamá.
Entre quarta e sexta-feira, a Imagem Peregrina estará no Parque do Perdão; no sábado, é recitado o Rosário, seguindo-se uma procissão de velas, na Vigília de Oração. No domingo, dia do encerramento da JMJ 2019, a imagem de Nossa Senhora de Fátima vai estar junto ao altar, na Missa presidida pelo Papa Francisco. O último momento celebrativo está marcado para a tarde 29 de janeiro, no Aeroporto Internacional de Tocumen, onde o Padre Carlos Cabecinhas vai presidir à celebração da Missa de despedida.
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A escultura n.º 1 da Virgem Peregrina de Fátima viajou, na madrugada desta segunda-feira até ao Panamá para estar presente na Jornada Mundial da Juventude, iniciativa que decorre de 22 a 27 de janeiro e conta com a presença de Francisco. Antes desta importante viagem, a Imagem, datada de 1947, foi alvo de um processo de estudo técnico e material no Centro de Conservação e Restauro da Escola das Artes da UCP (Universidade Católica Portuguesa), no Porto, entidade escolhida pelo Museu do Santuário de Fátima para identificar os materiais que constituem o suporte e superfície da escultura e a caraterização das técnicas construtivas utilizadas.
A este nível, refira-se que, durante 15 dias, o Centro de Conservação e Restauro desenvolveu um estudo aprofundado que permitiu perceber a forma como José Ferreira Thedim criou a escultura. Numa primeira fase, os investigadores tentaram perceber o estado de conservação do suporte e detetar intervenções passadas de conservação ou restauro. Em seguida – e de forma a estudar o número e a espessura das camadas de tinta, identificar pigmentos, vernizes e outros materiais utilizados na escultura –, recolheram e analisaram microamostras com o auxílio de infravermelhos e de raios-x.
No processo de exame e análise da escultura – criada segundo a descrição da irmã Lúcia –, foi executada, ainda, a estabilização estrutural da base, um dos pontos mais sensíveis da imagem.
Carla Felizardo, diretora do predito Centro de Conservação e Restauro no Porto, observou:
A fragilidade da base e a necessidade de estabilidade da escultura levaram a que fosse realizado um reforço estrutural, essencial tendo em conta a viagem de aproximadamente 8.000 quilómetros que a imagem fará, agora, até ao Panamá”.
Para a diretora do Centro, “é um enorme motivo de orgulho saber que o nosso Centro fez parte do processo de estudo e conservação da imagem que acompanhará o Papa Francisco nas Jornadas Mundiais da Juventude”. E concluiu:
A confiança que o Santuário de Fátima depositou no nosso trabalho, dando-nos a oportunidade de contactar com uma peça desta natureza, é, sem dúvida, um marco inigualável e que faz já parte das memórias mais importantes do Centro”.
Recorde-se que esta escultura percorre, desde 1947, os caminhos do mundo, tendo passado, em menos de 10 anos, pelos cinco continentes, sendo, talvez, a peça artística mais viajada do mundo. Entre 1947 e 2003, ano em que a Imagem Peregrina n.º 1 foi entronizada na Basílica de Nossa Senhora do Rosário, saindo apenas excecionalmente do Santuário de Fátima, foram contabilizados cerca de 630 mil quilómetros percorridos pelos 5 continentes, aproximadamente 15 voltas ao mundo, tomando como referência o perímetro equatorial.
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Numa videomensagem aos Cristãos do Panamá o Padre Carlos Cabecinhas, Reitor do Santuário de Fátima, falou da “enorme alegria” que é enviar a “Imagem Peregrina mais importante” para a Jornada Mundial da Juventude. A sublinhar o caráter “absolutamente excecional” desta saída, disse o Reitor do Santuário:
Esta Imagem Peregrina é única, é a primeira e a original, aquela que percorreu os vários continentes, aquela que deu várias vezes a volta ao mundo”. 
E, relevando a JMJ 2019 como um “acontecimento eclesial de primeira importância”, vincou:
Entendemos que este é um momento muito importante e que, por isso, justifica a saída desta Imagem Peregrina n.º 1, aquela que, como eu dizia, é para nós a mais importante das Imagens Peregrinas de Nossa Senhora de Fátima”.
Segundo as palavras do Padre Cabecinhas, há uma “clara consciência de quão importante é para toda a Igreja esta presença dos jovens juntos com o Santo Padre em oração, em reflexão, em convívio, em festa”. E, por outro lado, discorreu:
Sabemos o quanto a devoção a Nossa Senhora está desde a origem das jornadas mundiais da juventude ligada a este acontecimento. Sabemos quão devoto era a Nossa Senhora o Papa São João Paulo II e, por isso, muito naturalmente, quando ele criou as jornadas mundiais da juventude, deu-lhe desde inicio um cunho mariano e, por isso, este era também motivo mais que suficiente para o envio de uma Imagem para nós tão importante”.
Este envio “é uma forma de exprimirmos a união na oração neste acontecimento”, reiterou.
Das viagens que a Imagem Peregrina fez pelos 5 continentes foi possível aferir a dinâmica pastoral centrífuga que leva a entidade cultuada aos peregrinos; a presença da imagem branca em países em tensão pelo conflito mundial que terminara dois anos antes; a inculturação de Fátima e da sua ritualidade pelo mundo; e o caráter missionário das viagens na expansão do Evangelho – sustenta o Diretor do Museu do Santuário de Fátima, Marco Daniel Duarte.
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Na reflexão que fez sobre o Evangelho proclamado na Missa do dia 20, II domingo do tempo comum, que relata o episódio das Bodas de Caná, o Reitor do Santuário apresentou Jesus como “Aquele que transforma a nossa a vida, dando-a em plenitude” e Maria como a “mão que nos conduz permanentemente a Cristo”.
Ao destacar o primeiro milagre de Jesus como “um sinal que vai além da materialidade”, o sacerdote explicou a relação deste episódio com a Boa Nova que Cristo trouxe à humanidade:
A transformação da água em vinho remete-nos para aquilo que é a missão e a identidade de Jesus: a salvação dos homens pela transformação das vidas. Assim como transforma a água em vinho, também transforma o pão e vinho em Corpo e Sangue, na Eucaristia, e transforma também a nossa vida: transfigura-a, tornando-a plena em abundância. Este é o verdadeiro milagre de Caná!”.
Para que “Jesus possa operar esta transformação é necessária a adesão e disponibilidade às suas palavras, seguindo o seu exemplo de vida”, alertou, em seguida, ao sublinhar o importante papel de intercessora que Nossa Senhora assumiu no episódio do primeiro milagre do Filho. E frisou, apontando o acontecimento de Fátima como um exemplo prático da intercessão de Maria em favor da humanidade:
Tal como fez nas Bodas de Caná, ainda hoje, na glória, Nossa Senhora continua a interceder por nós. Conhece as nossas tristezas e medos e vem ao nosso encontro. No relato do Evangelho, é Maria que se dá conta que alguma coisa não está bem. Ainda hoje, Maria aparece como aquela que conhece as dificuldades e a necessidade de transformação de cada um de nós, vindo em nosso auxílio.”.
E prosseguiu:
Em Fátima, Nossa Senhora dá-se conta dos dramas que o mundo vive e vem ao nosso encontro, trazendo a resposta que Deus dá. São as nossas súplicas a Maria que levam Deus a intervir, tal como aconteceu nas Bodas de Caná; e é esta certeza que nos enche de confiança e nos faz com que, como filhos, depositemos as nossas súplicas em Maria.”.
Apresentou Maria como Aquela que nos “desafia ao compromisso de seguir Jesus”, tal como pediu aos serventes das Bodas de Caná que “fizessem tudo quanto Ele lhes dissesse”, e tal como se entregou a Deus, na Anunciação.
E deu o exemplo de santidade dos Pastorinhos Lúcia, São Francisco e Santa Jacinta, que aprenderam, “nesta escola de Maria”, a pedir a ajuda de Nossa Senhora e a mostrar “total disponibilidade a seguir Jesus, como Ela lhes pediu”.
Após a homilia, seguiu-se o rito bênção da nova coroa e a coroação da primeira Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima, que iria partir em peregrinação para a Jornada Mundial da Juventude no Panamá.
Tomando a oportunidade desta saída excecional, a Imagem foi, como se disse, alvo de um processo d estudo técnico e material, tendo o Santuário de Fátima encomendado uma nova coroa para uso nesta e nas restantes 12 imagens oficiais da Virgem Peregrina de Fátima.
“A criação foi solicitada à Casa Leitão & Irmão, Joalheiros, responsável pela coroa da Imagem de Nossa Senhora de Fátima que é venerada na Capelinha das Aparições – coroa criada em 1942 e colocada na escultura em 1946”, lê-se na nota informativa do Museu do Santuário de Fátima.
Atendendo à conotação das viagens da Virgem Peregrina com o tema da Paz, na base da coroa aparece a seguinte legenda, inscrita em capitais: Regina Pacis. Regina Rosarii Fatimae. Regina Mundi (Rainha da Paz. Rainha do Rosário de Fátima. Rainha do Mundo), formulação que irá constar na coroa das 13 Imagens oficiais.
Desenvolvida a partir do programa iconográfico fornecido pelo Museu do Santuário de Fátima, o seu autor, Jorge Lé, configurou a coroa tomando como mote a ideia simbólica da Árvore da Vida, descrita no livro do Apocalipse (Ap 22,2) do seguinte modo: “No meio da sua praça, e de uma e da outra banda do rio, estava a árvore da vida, que produz doze frutos, dando seu fruto de mês em mês; e as folhas da árvore são para a saúde das nações”.
Na memória descritiva, o autor refere:
A árvore da vida, elemento principal desta coroa, símbolo de vida e evolução perpétua, representa a ligação entre a terra e o céu. Reúne também em si todos os elementos da Vida, a água presente na sua seiva, a terra que se integra com as raízes, o ar que as folhas respiram e o fogo que surge pela fricção de dois galhos. O seu tronco, que surge da terra e se eleva para o céu, ramifica-se em cinco ramos, representando os cinco continentes, os quais se entrelaçam e unem ao longo da forma circular da coroa, ligando todas as nações que formam o nosso planeta. As suas folhas, símbolo de salvação das nações e eternidade, crescem em direção ao céu, sinónimo de ascensão.”.
***
Laus Deo Virginique Mariae!
 2019.01.22 – Louro de Carvalho

domingo, 9 de dezembro de 2018

Papa Francisco na Solenidade da Imaculada Conceição de 2018


Na Solenidade da Imaculada Conceição, Francisco, antes da oração mariana do Angelus, com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça de São Pedro provenientes de todo o mundo, frisou:
Estar com Deus não resolve magicamente os problemas, mas Maria confia em Deus diante dos problemas”.
E exortou:
Eis um comportamento sábio: não viver dependendo dos problemas – quando termina um, apresenta-se outro! – mas confiando em Deus e confiando-se todos os dias a Ele: Eis-me aqui! Peçamos à Imaculada a graça de viver assim.”.
Comentando a passagem do Evangelho do dia, recordou que “Eis-me é a palavra-chave da vida e marca a passagem duma vida horizontal, centralizada em si mesmo e nas suas próprias necessidades, a uma vida vertical lançada na direção de Deus. Explicou o Pontífice:
Eis-me é estar disponível ao Senhor, é a cura para o egoísmo, o antídoto a uma vida insatisfeita, na qual sempre falta alguma coisa. Eis-me é o remédio contra o envelhecimento do pecado, é a terapia para ficar jovem por dentro. Eis-me é crer que Deus conta mais do que o meu ‘eu’. É apostar tudo no Senhor, dócil às suas surpresas. Por isso dizer-lhe ‘eis-me’ é o maior louvor que podemos oferecer-Lhe. Porque não começar assim todos os nossos dias? Seria belo dizer-Lhe todas as manhãs: ‘Eis-me, Senhor, hoje faça-se em mim segundo a tua vontade’.”.
Na verdade, “Eis-me aqui: envia-me” (Is 6,8) é a expressão da disponibilidade profética enunciada por Isaías, aplicável à disponibilidade do Filho de Deus perante o Pai e que Maria assumiu para a cooperação com o mistério da Salvação.
O Papa convidou os crentes a tomarem Maria como exemplo:
Maria não ama o Senhor de vez em quando, com interrupções. Vive confiando em Deus em tudo e para tudo. Eis o segredo da vida. Tudo pode quem confia em Deus para tudo. Porém o Senhor, caros irmãos e irmãs, sofre quando Lhe respondemos como Adão: ‘tive medo e escondi-me’. Deus é Pai, o mais dócil dos pais, e deseja a confiança dos filhos. No entanto, quantas vezes suspeitamos d’Ele, pensamos que possa mandar-nos alguma prova, privar-nos da liberdade, abandonar-nos. Mas esse é um grande engano, é a tentação das origens, a tentação do diabo: insinuar a desconfiança em Deus.”.
Maria – continuou o Papa – vence esta primeira tentação com o seu “Eis-me”. E hoje olhamos para a beleza da Senhora, nascida e vivida sem pecado, sempre dócil e transparente a Deus.
Isso não quer dizer que para Ela a vida tenha sido fácil. Estar com Deus não resolve magicamente os problemas. A conclusão do Evangelho de hoje recorda isso: ‘O Anjo afastou-se dela’. Afastou-se: é um verbo forte. O anjo deixa a Virgem sozinha numa situação difícil. Ela sabia o modo particular com o qual seria Mãe de Deus, mas o anjo não tinha explicado aos outros. E os problemas logo começaram: pensemos na situação irregular segundo a lei, na angústia de São José, nos planos de vida que acabaram, no que diriam as pessoas…”.
Mas Maria – finalizou o Papa – confia em Deus, diante dos seus problemas. Foi deixada pelo anjo, mas acredita que Deus ficou com ela, nela. E confia. Está certa de que, mesmo perante o inesperado e as suas piores vicissitudes, tudo vai dar certo com o Senhor. Enfim, mostra-nos que viver confiando em Deus em tudo, eis o segredo da vida!
***
Depois da recitação do Angelus, o Pontífice falou da sua visita à Praça de Espanha para o ato de homenagem à Imaculada e evocou a beatificação dos mártires da Argélia, os 150 anos da Ação Católica Italiana e a tragédia que se abateu sobre a localidade de Corinaldo, Itália.
Sobre o ato de homenagem e de oração à Virgem, disse solicitando a sintonia de todos:
Hoje, à tarde, irei à Praça de Espanha para renovar o tradicional ato de homenagem e de oração aos pés do monumento dedicado à Imaculada. Peço a todos que se unam comigo espiritualmente  neste gesto, que exprime a devoção filial à nossa Mãe celeste.”.
Sobre a beatificação dos mártires da Argélia, recordou que “hoje (dia 8), no Santuário de Notre-Dame de Santa Cruz em Oran, na Argélia, são proclamados beatos o Bispo Pedro Claverie e dezoito companheiros religiosos e religiosas, assassinados pelo ódio à fé, frisando:
Estes mártires do nosso tempo foram fiéis anunciadores do Evangelho, humildes construtores de paz e heroicas testemunhas da caridade cristã. O seu corajoso testemunho é fonte de esperança para a comunidade católica argelina e semente de diálogo para toda a sociedade. Que esta beatificação seja para todos nós um estímulo a construirmos juntos um mundo de fraternidade e de solidariedade. Façamos um aplauso aos novos beatos!
O Papa Francisco referiu que, nesta festa da Imaculada, nas paróquias italianas se renova a adesão à Ação Católica, uma associação que há 150 anos é um dom e uma riqueza para o caminho da Igreja na Itália. E disse “encorajar as suas articulações diocesanas e paroquiais a comprometerem-se para a formação de leigos capazes de testemunhar o Evangelho, tornando-os fermento de uma sociedade mais justa e solidária”.
Depois, exprimiu a sua dor pela tragédia que ocorreu nesta noite numa discoteca da localidade de Corinaldo, Itália. O Papa exprimiu os seus pêsames pelos mortos e pelos numerosos feridos: 
Asseguro a recordação na minha oração pelos jovens e pela mãe que morreram nesta noite numa discoteca em Corinaldo, perto de Ancona, bem como pelos numerosos feridos. Peço para todos a intercessão de Nossa Senhora.”.
Com efeito, pelo menos 5 adolescentes e a mãe de um deles morreram e dezenas de pessoas ficaram feridas na madrugada deste sábado, dia 8, em consequência duma confusão na discoteca “Lanterna Azzurra”, na cidade de Corinaldo, na província de Ancona. Algumas testemunhas disseram que começaram a correr em virtude de se assustarem após sentirem um cheiro ácido, mas as portas de emergência estavam fechadas.
***
O Santo Padre pede a Maria que fique perto das famílias necessitadas. Na verdade, antes do ato de veneração à Imaculada na Praça de Espanha, Francisco prestou homenagem à Salus Populi Romani, na Basílica de Santa Maria Maior. E, na sua oração, pediu que ninguém se resignasse ante dos problemas da cidade e que torne Roma mais bonita o cuidado de cada um.
Na solenidade da Imaculada Conceição (dogma definido pelo Papa Pio IX a 8 de dezembro de 1854, depois da caminhada sentida do Povo de Deus), também neste ano Francisco prestou homenagem à Virgem no coração de Roma, levando consigo a vida e os sofrimentos dos habitantes da cidade – um ato de veneração dos Papas à Imaculada, com uma longa história.
Francisco foi recebido pelo cardeal vigário Angelo De Donatis e pelas autoridades civis. Aos pés do grande monumento onde está a estátua, foi deposta a homenagem floral. Os primeiros a depor a coroa de flores nos braços da Virgem, nesta manhã, como tradição, foram os bombeiros.
Em silêncio, ao redor do Papa, estava postada uma multidão de fiéis. Na oração, o pensamento papal vai especialmente para os doentes e para quem sofre por várias circunstâncias para ir adiante e para “aquela graça ordinária” que a Virgem faz aos que vivem em Roma: “enfrentar com paciência as dificuldades do dia a dia”.
Eis na íntegra a Oração do Papa Francisco a Maria Imaculada:

Mãe Imaculada,
No dia da tua festa, tão amada pelo povo cristão,
Venho homenagear-Te no coração de Roma.
Trago na minha alma os fiéis desta Igreja
e todos os que vivem nesta cidade, especialmente os doentes
e os que sofrem por várias circunstâncias para ir adiante.

Antes de tudo quero agradecer-Te
pela bondade materna com a qual acompanhas o nosso caminho:
várias vezes ouvimos narrações com lágrimas nos olhos
dos que receberam a tua intercessão,
as graças que pedes para nós ao teu Filho Jesus!

Penso também uma graça ordinária que recebem os que vivem em Roma:
a de enfrentar com paciência as dificuldades do dia a dia.
Mas por isso Te pedimos a força de não nos resignarmos, ao contrário,
de fazer com que todos façam diariamente a própria parte para melhorar a situação,
para que o cuidado de cada um torne Roma mais bela e habitável para todos;
para que o dever bem feito por cada um, garanta os direitos de todos.
E pensando ao bem comum desta cidade,
Te pedimos pelos que têm maiores responsabilidades:
obtém para eles sabedoria, clarividência, espírito de serviço e de colaboração.

Virgem Santa,
Desejo confiar-Te de modo particular os sacerdotes desta Diocese:
os párocos, os vice-párocos, os padres idosos que com o coração de pastores
continuam a trabalhar ao serviço do povo de Deus,
aos muitos sacerdotes estudantes de todas as partes do mundo que colaboram nas paróquias.
Para todos eles Te peço a doce alegria de evangelizar
E o dom de serem pais, próximos do povo, misericordiosos.

A Ti, Mulher toda consagrada a Deus, confio as mulheres consagradas na vida religiosa e na secular,
Que, graças a Deus, em Roma são muitas, mais do que em outra cidade do mundo,
formando um maravilhoso mosaico de nacionalidades e culturas.
Para elas Te peço a alegria de serem como Tu, esposas e mães,
fecundas na oração, na caridade, na compaixão.

Ó Mãe de Jesus,
Peço ainda, por último, neste tempo de Advento
Pensando nos dias em que Tu e José estavam ansiosos
pelo iminente nascimento do seu menino,
preocupados porque havia o censo e vós deveríeis deixar a vossa cidade, Nazaré, para irdes a Belém…
Tu sabes o que quer dizer ter uma vida no ventre
e sentir ao redor a indiferença, a rejeição, às vezes o desprezo.
Por isso Te peço para estares próxima das famílias que hoje
em Roma, na Itália, no mundo inteiro sofrem semelhantes situações,
para que não sejam abandonadas a si mesmas. Mas tuteladas em seus direitos,
direitos humanos que são prioridades antes de qualquer legítima exigência.

Ó Maria Imaculada,
autora de esperança no horizonte da humanidade,
vigia sobre esta cidade,
sobre as casas, as escolas, os escritórios, as lojas,
as fábricas, os hospitais, as prisões
que em nenhum lugar falte o que Roma tem de mais precioso,
e que conserva para o mundo inteiro, o testamento de Jesus:
“Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei” (cf. Jo 13, 34). Amen.
***
No final da oração, o Papa fez uma breve parada na sede do jornal romano “Il Messaggero”, na via del Tritone, para saudar os dirigentes e funcionários. O jornal festeja 140 anos de vida.
***
Segundo o Papa, mártires beatificados na Argélia, sinal de grande fraternidade foram e são “fiéis ao lado de fiéis.
Pela primeira vez num país muçulmano, ocorre a beatificação de 19 mártires cristãos.
Assassinato por ódio à fé, por terem testemunhado o amor de Cristo e terem escolhido permanecer na Argélia entre os habitantes locais, nos anos sombrios do terrorismo, foi o destino comum dos 19 religiosos que, neste sábado, dia 8 de dezembro e Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria, foram beatificados no Santuário de Notre-Dame de Santa Cruz, em Oran, na Argélia, na presença de muitos muçulmanos, que Dom Desfarges, Arcebispo de Argel, declarou quererem eles “enfatizar que não foi o islamismo a matar, mas uma ideologia que desfigura essa religião”.
Entre 1994 e 1996, de facto, perderam as suas vidas também 99 Imãs e com eles muitos jornalistas, escritores e intelectuais, que se recusaram a justificar a violência em nome de Deus. É a primeira vez que mártires cristãos são proclamados beatos num país muçulmano, um sinal importante, explica o Arcebispo, demonstrando que “as autoridades entenderam o verdadeiro sentido que queremos dar a esta celebração: dar testemunho de que é possível viver juntos, caminhar juntos, fiéis ao lado de fiéis”.
A este respeito, no final da missa, presidida pelo Cardeal Angelo Becciu, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos e enviado especial do Papa, foi lida a mensagem especial do Santo Padre aos católicos da Argélia, de “fraterno encorajamento para que” a celebração “possa ​​ajudar a curar as feridas do passado e criar uma nova dinâmica de encontro e de convivência como resultado dos novos beatos”.
“Num momento em que todos os povos buscam promover a sua aspiração a Viver juntos em paz”, Francisco exprime gratidão e garante intenções de oração também a “todos os filhos e filhas da Argélia que foram vítimas da mesma violência por terem vivido, com fidelidade e respeito uns pelos outros, os seus deveres de fiéis e cidadãos nesta terra abençoada”.
Para o Papa, com a beatificação destes irmãos e irmãs destes, “a Igreja quer demonstrar o seu desejo de continuar a trabalhar pelo diálogo, a harmonia e a amizade”, na firme convicção de que este evento, sem precedentes na história da Argélia, “atrairá um grande sinal de fraternidade no céu argelino para o mundo inteiro”. E Francisco vincou:
A Igreja Católica na Argélia sabe que é a herdeira, junto com toda a nação argelina, da grande mensagem de amor oferecida por um dos muitos mestres espirituais de sua terra, Santo Agostinho de Hipona”.
***
Enfim, disponibilidade para Deus e para os irmãos há de continuar a ser o ditame evangélico para os seguidores de Cristo, seja no testemunho diário, seja na entrega pelo martírio no sangue pela causa da Fé e do Evangelho.
2018.12.08 – Louro de Carvalho  

sábado, 8 de dezembro de 2018

Maria, a beleza luminosa no Advento/Natal


Na caminhada espiritual e pastoral do Advento/Natal do Senhor, a liturgia católica surpreende a Igreja crente, orante, discípula e apóstola com a Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria. Esta surpreendente festividade, surgida na História da Igreja em termos do Santoral, colocou-se antes do Natal de modo que o Nascimento ou Natividade de Maria pudesse celebrar-se em tempo de colheitas dos frutos semeados na primavera e das sementeiras outonais para as colheitas primaveris.
No entanto, esta solenidade mariana da pureza virginal de maria ab initio torna-se cristológica e eclesiológica se atendermos à pedagogia de Gabriel e de Isabel e ao conteúdo das mensagens.
Antes de mais, Gabriel chega a Nazaré enviado por Deus e saúda a donzela Maria como a Cheia de Graça, Aquela com quem o Senhor está – um elogio ou um piropo gracioso pelo facto de a donzela de Nazaré possuir o Senhor e Ele a possuir porque Ela achou graça no Senhor e Ele se revê nela. E, depois, solicitando-Lhe que não tema, anuncia que Ela conceberá e dará à luz o Santo de Deus, Aquele a quem ela porá o nome de Jesus, o Filho do Altíssimo, que libertará o povo dos pecados. É a lógica graciosa de Deus: parte-se de Maria cheia de graça em todo o tempo e lugar por obra de Deus, para nos ser dado o Filho do Altíssimo tornado também filho de Maria, o Deus humanado. Nesta lógica, que Maria aceitou, porque escutou bem e guarda no coração, Maria voluntaria-se para serva do Senhor, deixando que em Si e por Si se cumprisse a Palavra de Deus. E, como a Palavra de Deus é o próprio Filho de Deus, que em Maria Se tornou carne humana, Ela é simultaneamente a morada da Palavra, a serva da Palavra e a oferente quase sempre silenciosa da Palavra ao Mundo. (cf Lc 1,26-38; Jo 1,1-14).
E Isabel, reconhecendo em Maria a mãe do Senhor, por Ela ter acreditado em tudo quanto Lhe foi dito da parte de Deus, bendi-la a Ela e ao fruto do Seu ventre (cf Lc 1,39-45). A mesma lógica de Deus assumida por Isabel: de Maria, a Mãe, para Jesus, o Filho. Nada acaba em Maria, porque também nada começa em Maria. Ela é cheia de graça porque Deus está com Ela e a cumulou da graça divina, a mesma graça que Jesus trouxe ao mundo dos homens. Por isso, o centro da graça visível no mundo é Jesus, que nos faz caminhar Consigo, no Espírito Santo, para o Pai. A missão de Maria é cristípeta: encaminha-nos para o Cristo de Deus.
***
Porém, como é de entender, Maria não está sozinha com Jesus nem O fechou no seu mundo, como alguns querem fazer. Ela é lugar e testemunha do mistério da Encarnação e colabora na construção da economia da Redenção. E, depois, junta-se em oração e atividade ao núcleo dos apóstolos a quem incumbe implantar a Igreja no mundo como instrumento, espaço e encontro de salvação. E hoje continua a acompanhar a Igreja como seu protótipo, como sua mãe, como sua irmã, visto que os membros da Igreja são irmãos, filhos no Filho, a cabeça deste corpo orgânico. Por isso, os Padres da Igreja aplicam a Maria aquilo que das Escrituras se aplica à Igreja e vice-versa. Por tudo a mariologia integra a eclesiologia
Na verdade, como nova Eva, Maria pertence à descendência da mulher que esmagará a cabeça da Serpente (cf Gn 3,15) – descendência protagonizada e presidida por Jesus, que tudo o mereceu, mas que agrega a Si todos os crentes constituídos em Igreja e em sementeira do Reino de Deus.
Com efeito, Maria deu ao mundo o Autor da vida e Luz do mundo. Como diz o evangelista Lucas, “Maria deu à luz o Seu Filho primogénito, envolveu-O em panos e reclinou-O numa manjedoura”. Eis o primeiro altar da contemplação e da adoração familiares, mas logo aberto à contemplação adorante dos anjos e dos pastores. Como Maria, também a Igreja e, nela, todos os seus membros têm o condão e o dever de contemplar Jesus, adorá-Lo e mostrá-Lo ao mundo dos homens e encaminhá-los para Ele, patenteando as portas da libertação e da liberdade. É, pois, eclesiológica a missão de Maria, como é mariana, em certa medida, a missão da Igreja.
***
Nos alvores da pregação do Reino, a Virgem surge como a humilde serva do Senhor, mas a quem a luz divina que lhe brilha no olhar virgíneo e maternal faz entoar o cântico do louvor e da imensa misericórdia, que testemunha que Deus tem predileção pelos simples e humildes:
A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador. Porque pôs os olhos na humildade da sua serva. De hoje em diante, todas as gerações chamar-me-ão bem-aventurada. O Todo-poderoso fez maravilhas em mim. Santo é o seu nome. A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que o temem… Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência, para sempre.” (Lc 1,46-55).
É a assunção da alegria da Filha de Sião como enuncia o profeta Isaías:
Exulto de alegria no Senhor e o meu espírito exulta no meu Deus, porque me revestiu com as vestes da salvação e me envolveu num manto de triunfo. Como um noivo que cinge a fronte com o diadema e como uma noiva que se adorna com as suas joias. Porque, assim como a terra faz nascer as plantas e o jardim faz brotar as semen­tes, assim o Senhor Deus faz germinar a justiça e o louvor diante de todas as nações.” (Is, 61,10-11).  
E esta alegria e esta beleza da Filha de Sião ou da Jerusalém predileta do Senhor – Maria e a Igreja – inundam a Terra como proclama o convite do Senhor pela voz do Profeta:  
Levanta-te e resplandece, Jerusalém, que está a chegar a tua luz! A glória do Senhor amanhece sobre ti! Olha: as trevas cobrem a terra, e a escuridão, os povos, mas sobre ti amanhecerá o Se­nhor. A sua glória vai aparecer sobre ti. As nações caminharão à tua luz, e os reis ao esplendor da tua aurora. Levanta os olhos e vê à tua volta: todos esses se reuniram para vir ao teu encontro. Os teus filhos chegam de longe, e as tuas filhas são transportadas nos braços. Quando vires isto, ficarás radiante de alegria; o teu coração palpitará e se dilatará, porque para ti afluirão as riquezas do mar, e a ti virão os tesouros das nações.” (Is 60,1-5). 
Obviamente, Maria ou a Igreja não seriam a luz. A Luz é o Senhor. Ele o diz (Eu sou a luz do mundo – Jo 8,12), mas quem O segue torna-se luzeiro e luz (quem me segue não anda nas trevas, mas terá a luz da vida – Jo 8,12; vós sois a luz do mundo – Mt 5,14). Por isso, na linha da profecia, as nações caminharão à luz da Filha de Sião, porque a glória do Senhor se espargiu sobre ela. Maria deu ao mundo a Luz e a Igreja tem a missão iluminar o mundo com a luz de Cristo.
A mesma mulher – Maria e a Igreja – surge nos tempos apocalípticos como o grande sinal a brilhar no Céu:
Uma Mulher vestida de Sol, com a Lua debaixo dos pés e com uma coroa de doze estrelas na cabeça. Estava grávida e gritava com as dores de parto e o tormento de dar à luz. […] Ela deu à luz um filho varão. Ele é que há de governar todas as nações com cetro de ferro. Mas o filho foi-lhe arrebatado para junto de Deus e do seu trono. E a Mulher fugiu para o deserto onde Deus lhe preparou um lugar, de modo a não lhe faltar aí o alimento durante mil duzentos e sessenta dias. Travou-se uma batalha no céu: Miguel e seus anjos declararam guerra ao Dragão. O Dragão e os seus anjos combateram, mas não resistiram. O grande Dragão, a Serpente antiga – a que chamam também Diabo e Satanás – o sedutor de toda a humanidade, foi lançado à terra; e, com ele, foram lançados também os seus anjos. Então ouvi uma voz forte no céu que aclamava: Eis que chegou o tempo da salvação, da força e da realeza do nosso Deus e do poder do seu Cristo!” (Ap 12,1-2.5-7.8.9-10).
A Cheia de Graça, revestida da beleza de Deus – mas cujo coração foi trespassado por uma espada de dor, como profetizou o velho Simeão (cf Lc 2,35) – surge perto do Natal, na tradição eclesial, como Senhora do Ó ou Senhora da Expectação (que o povo justifica como sendo a Senhora grávida – e também o é), unida ao Povo de Deus (e dele emergente em lugar de relevo) que espera o Messias desejado e reza, de 17 a 24 de dezembro, invocando-O pelos seus títulos messiânicos antes do Evangelho da Missa e como antífona do “Magnificat” em Vésperas: Ó Sabedoria do Altíssimo (dia 17), Ó Chefe da Casa de Israel (dia 18), Ó Rebento da Raiz de Jessé (dia 19), Ó Chave da Casa de David (dia 20), Ó Sol Nascente, esplendor da luz eterna e sol de justiça (dia 21), Ó Rei das Nações e Pedra angular da Igreja (dia 22), Ó Emanuel, nosso rei e legislador (dia 23). E leem-se as seguintes passagens do Evangelho: dia 17, Genealogia de Jesus (Mt 1,1-17); dia 18, Modo como Jesus nascerá de Maria (Mt 1,18-25); dia 19, Anúncio do nascimento do Precursor (Lc 1,5-25); dia 20, Anúncio do nascimento de Jesus (Lc 1,26-38); dia 21, Visita de Maria a Isabel (Lc 1,39-45); dia 22, Magnificat, cântico de Maria (Lc 1,45-26), semelhante, na evocação do poder do Senhor, ao cântico de Ana (1Sm 2,1-10); dia 23, Nascimento do Precursor; e dia 24, Benedictus, cântico de Zacarias.
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Não é, pois, descabido o facto de G. M. Behler, no seu livro “Alabanza Biblica de la Virgen” (Narcea, SA de Ediciones, Madrid: 1972), baseado em referências bíblicas, textos litúrgicos e patrísticos, doutrina do magistério eclesial e escritos dos santos, chamar a Maria e, consequentemente à Igreja, a Cidade de Deus, na dupla dimensão: a cidade mãe e a cidade refúgio. Com efeito, Aquela que surge como a aurora do tempo novo e que emerge de forma especial no Advento e Natal em função de Cristo, e da Igreja qual fruto seu, fica alvorada no Calvário em mãe de todos os povos e não por uma maternidade limitada aos contornos da carne, mas com a largueza, amplidão e profundidade do Espírito – a mãe universal, a mãe espiritual. Por outro lado, a mulher fiel que escutava e tudo guardava em seu coração (cf Lc 2,19.51) é a nova Jerusalém, resplendente de luz e beleza feita baluarte inexpugnável de Deus e baluarte indestrutível do Reino. Por isso, nós rezamos “Sub tuum praesidium confugimos Sancta Dei Genitrix…”.
Mas essas prerrogativas altamente nobilitantes também as têm a Igreja no seu ser e missão e, com ela, todos os filhos de Maria (filii Mariae) e filhos da Igreja (filii Ecclesiae – fregueses). É esta a nossa alegria, é esta a nossa responsabilidade. Para tanto, como a Virgem Maria, teremos de estar abertos à graça e disponíveis para a missão! E, se Maria pôde entoar “Magnificat anima mea Dominum…”, nós como Igreja e como crentes, podemos cantar:
Deus é o meu Salvador,
Tenho confiança e nada temo.
O Senhor é a minha força e o meu louvor.
Ele é a minha salvação.
Convidarmo-nos reciprocamente:
Povo do Senhor, exulta e canta de alegria.
Povo do Senhor, exulta e canta de alegria.
E, por fim,
Santa Mãe do Redentor, Porta do Céu, Estrela do Mar,
Socorre o povo cristão que procura levantar-se do abismo da culpa.
Alegrai-Vos, ó Virgem gloriosa, a mais bela entre todas as mulheres,
Santa Mãe de Deus, intercedei por nós diante do vosso Filho.  
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Vem aí o Natal. É imperativo não fechar a porta a Deus nem ao Homem. Chamam: é preciso responder. Batem: é preciso abrir e permitir a entrada no nosso mundo para que se transforme.
2018.12.08 – Louro de Carvalho