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sexta-feira, 2 de agosto de 2019

O cristão vai sempre adiante


É uma afirmação do Papa Francisco na sua videomensagem para a abertura do Congresso Missionário Nacional da Indonésia que decorre em Jacarta de 1 a 4 de agosto em torno do tema “Batizado e enviado”. Diz o Santo Padre:
A todos vós que participais neste Congresso Missionário Nacional convido a refletir bem sobre o tema ‘Batizado e enviado’. Quando somos batizados, recebemos o Espírito Santo, que é um tesouro; recebemos a mensagem de Jesus, o Evangelho dentro de nós. Quando alguém tem uma coisa bela e está entusiasmado com ela, sente o desejo de a levar adiante e de a transmitir aos outros.”.
Depois, fixando-se no binómio ‘batizado e enviado’, vinca a vantagem de ele constituir o fio condutor do Congresso questionando-se cada um dos congressistas sobre o modo como vive o seu batismo em termos pessoais e como fermento social – levando a todos na sociedade a mensagem de Jesus. E o Pontífice faz questão em recomendar aos congressistas que não se esqueçam disto: o cristão sempre caminha para a frente, vai adiante. Com efeito, o Senhor mandou à frente do Messias o seu mensageiro para que Lhe prepare o caminho e o dinamismo dos discípulos do Senhor e, conhecendo-O, o sigam e caminhem, avancem, progridam. Nem sequer é lícito olhar para trás depois de deitar a mão à rabiça do arado. Assim, Francisco infere:   
Nós não somos pessoas que caminham para trás, não; somos pessoas que vão sempre adiante, sempre. Quando alguém volta atrás, não é cristão. O cristão continua, vai adiante, isto quer dizer ‘enviado’: é o Espírito Santo que me impulsiona a ir adiante.”.
Nestes termos, o Papa encoraja a caminhar sempre em frente porque os batizados são enviados, apóstolos, missionários; e pede que rezem a Maria para que os proteja e ajude a seguir em frente, como, pedindo que rezem pelo Pontífice, invoca sobre todos a bênção do Deus Triuno.
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Enviados especiais são os jovens. Estes anseiam por irem à frente e é preciso que se lhes reconheça o seu lugar na frente e não o de meros acólitos dos mais velhos. Embora a sabedoria da experiência esteja habitualmente nos mais velhos, a plataforma da divina inspiração não se circunscreve à idade provecta, tal como a ciência e a energia mais palpáveis nos menos idosos não desaparecem – às vezes até se intensificam na idade dos anciãos. E a Bíblia dá-nos exemplos de experiência e sabedoria no velho Salomão como no jovem Daniel, tal como nos dá exemplos de imoralidade nos dois velhos juízes que tentaram em vão a casta Susana ao adultério e a difamaram perante o povo e nos irmãos de José do Egito, que venderam o irmão. 
Para que possam cumprir cabalmente a sua missão têm os jovens de se dispor ao discipulado e aceitar a missão de apóstolos segundo a própria condição de vida e abrir-se à condição de apóstolos qualificados na vida diaconal, sacerdotal, missionária e, possivelmente, na vida religiosa, se Deus assim o pretender. Devem constantemente receber a força e a instrução do Alto e comunicar não tanto a sua palavra, mas a de Cristo.    
E o supremo doutor das coisas de Deus, o Papa Francisco, foi ouvido, é ouvido e vai ser ouvido pelos jovens, que se sentem por ele estimulados e encorajados. São dados, a seguir, alguns exemplos.
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Aos jovens de Cuba o Papa apela a que sejam discípulos missionários. Com efeito, por ocasião do II Dia Nacional da Juventude celebrado em Cuba no passado dia 31 de julho, memória de Santo Ignacio de Loyola, o Santo Padre enviou uma mensagem subscrita pelo Cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado, em texto endereçado ao Arcebispo de Santiago de Cuba, Dom Dionisio García Ibáñez, em que protesta rezar para que o Senhor proteja todos os jovens cubanos com o seu amor. Mas não só. Encoraja a continuarem “com firmeza” o exemplo de Maria, serva fiel do Senhor, provando a “alegria que nasce por terem encontrado Jesus Cristo” e, como testemunhas da Ressurreição, a deixarem-se “transformar em discípulos missionários”, para que muitos jovens possam “descobrir a presença do Senhor Jesus, escutar o seu chamamento, crescer com a Sua amizade” e, desse modo, viver uma existência caraterizada pela fidelidade e misericórdia.
Segundo o que se lê no texto, o Pontífice saúda “com afeto” os organizadores e todos os jovens participantes, rezando ao Senhor, pela intercessão da Santíssima Virgem da Caridade do Cobre, padroeira de Cuba, para que proteja “com o Seu amor infinito” todos os jovens cubanos.
A programação prevista para a celebração sofreu algumas mudanças mercê da crise económica. No início de julho, a Arquidiocese de Santiago de Cuba de acordo com a COCC (Conferência Episcopal dos Bispos Católicos Cubanos) anunciara que o encontro seria restrito às próprias dioceses. Por outro lado, as autoridades civis negaram às dioceses do país, com exceção de Santiago de Cuba, a autorização para realizar atividades em espaços públicos. E dizem que o regime mudou!
Por seu turno, o Arcebispo Dionisio Garcia Ibáñez, em carta para o início das celebrações, explicou o ocorrido e convidou todos a comprometerem-se “ainda mais para alcançar os objetivos iniciais e descobrir a presença de Deus nos acontecimentos”.
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Também os jovens escoteiros europeus de dezenas de países se encontrarão com o Papa no dia 3 de agosto para a conclusão do evento Euromoot 2019 que decorre desde o dia 27 de julho, promovido pelas Federações europeia e norte-americana de Escotismo e em que participam também escoteiros de outras regiões e países, inclusive da América Latina.
Na verdade, cerca de 5 mil jovens escoteiros de todo o mundo serão recebidos pelo Papa Francisco no Vaticano. Após a audiência, participarão da Santa Missa na Basílica de São Pedro, presidida pelo Cardeal Angelo Bagnasco, Arcebispo de Génova.
O encontro internacional de escoteiros Euromoot iniciou-se com uma caminhada de cinco dias, percorrendo as regiões da Itália central. Os trajetos são relacionados com grandes nomes da história da Igreja e do património cultural europeu, como São Bento de Núrsia, São Francisco de Assis e Santa Catarina de Sena. Ao longo da marcha, os jovens participam em atividades culturais e em celebrações litúrgicas. Ao chegarem a Roma, continuam os seus encontros espirituais, culturais e históricos, além de atividades e oficinas próprias do escotismo e folclore dos países participantes.
Porém, o ponto alto do Euromoot será o encontro com o Papa Francisco. Os jovens apresentarão ao Papa um livro com as passagens do Evangelho, vividas ao longo da caminhada até Roma. Trata-se da segunda grande audiência de escoteiros com um Papa, já que, em 1994, São João Paulo II se encontrou com os escoteiros da Europa na Basílica de São Pedro.
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Em torno do tema “Segue-me”, está em curso, de 1 a 6 de agosto, em Medjugorje, na Bósnia e Herzegovina, oFestival dos Jovens em Medjugorje: seis dias para Seguir Jesus”.
É o 30.º Mladifest, Festival dos Jovens, que foi inaugurado, na noite do dia 1, com uma solene concelebração Eucarística, presidida pelo Cardeal Angelo De Donatis, Vigário do Papa para a Diocese de Roma, e cuja Missa de encerramento, na noite do próximo dia 5, será celebrada por Dom Rino Fisichella, Presidente do Pontifício Conselho para a Nova evangelização, organismo a que esta confiada a superior orientação da pastoral dos santuários.
Participam no evento milhares de jovens, cerca de 50.000 peregrinos, provenientes do mundo inteiro, liderados por 400 sacerdotes e vários Bispos, que farão as suas catequeses, em diversas línguas com base no tema “Segue-me”. Entre outros, destaca-se a presença de Dom José Rodriguez Carballo, Secretário da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica; do Núncio Apostólico na Bósnia e Herzegovina, Dom Luigi Pezzuto; do Cardeal de Sarajevo, Vinko Puljic; e do Visitador apostólico de Medjugorje, Cardeal Henryk Hoser.
Durante este Festival jubilar ou “Mladifest”, os presentes participam em catequeses, testemunhos, procissões, adorações. O ponto alto, ao término do evento, será a manhã do dia 6 de agosto, quando os milhares de jovens e peregrinos subirem em peregrinação à colina Križevac, para participar em momentos de oração e reflexão.
Križevac, que significa “monte da Cruz” e onde há uma Cruz monumental, é um dos três lugares principais de devoção mariana dos peregrinos que vão a Medjugorje, cidade que se tornou conhecida, em 1981, pelo facto de seis jovens moradores, entre 10 e 16 anos de idade, terem declarado que viram a Virgem Maria no monte Podbrdo. Assim, ao longo das últimas décadas, a cidade tornou-se meta de grandes peregrinações religiosas.
Dom De Donatis inaugurou o evento juvenil dirigindo-se os numerosos fiéis, reunidos em Medjugorje, sob o olhar da Santa Mãe de Deus, dizendo:
Ficamos sempre maravilhados com a graça que o Senhor derrama sempre sobre nós. Tudo é graça: o dom da Igreja, a Palavra e o Pão, a beleza da criação e o rosto dos irmãos. O bom Pai quer que sigamos o seu Filho para encontrarmos a felicidade. Seguimos o Senhor porque acreditamos que somente Ele dá a vida, a vida plena e eterna.”.
Referindo-se ao tema do Festival “Segue-me”, convite que o Mestre nos dirige, o Eminentíssimo Cardeal Vigário do Papa para a Diocese de Roma disse que é preciso que o Espírito Santo abra os nossos corações e nos encha de sabedoria divina. E, extraindo da concha do Evangelho do dia (Mt 5,13-19) as três pérolas – purificar a mente, antecipar o juízo divino e tornar-se novos homens –, o Cardeal exortou os jovens “a serem sábios como a Mãe de Deus, que meditou tudo em seu coração”. De facto, quem se assume como sal da terra tem que evitar a corrupção que atinge o sal purificando-se a cada dia que passa; quem é destinado a ser luz do mundo não se esconde, mas está pronto para que a luz, brilhando, faça com que os homens se sujeitem ao juízo de Deus e, de mente renovada, as obras dos homens novos brilhem diante dos homens e glorifiquem o Pai que está nos céus. E quem praticar e ensinar os mandamentos será grande no Reino dos Céus. Na verdade, se a justiça dos discípulos não superar a dos doutores da Lei e dos fariseus, não entrarão no Reino dos Céus” (Mt 5,13-18.19-20).   
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E não posso deixar de referir que Portugal já está a assestar baterias para a JMJ de 2022, em Lisboa. Efetivamente, o Comité Organizador da JMJ reuniu-se, no dia 29 de julho, com representantes das dioceses de Portugal e o Comité Organizador Local (COL) da próxima Jornada Mundial da Juventude (JMJ), constituído pelos responsáveis dos Comités Organizadores Diocesanos (COD) de todas as dioceses de Portugal teve a sua primeira reunião.
Com efeito, Os bispos católicos portugueses nomearam, nas últimas semanas, os responsáveis pelos COD da JMJ, que constituem a Comissão Interdiocesana da jornada e são “representantes de todo o país na organização da Jornada Mundial da Juventude de 2022.
Na primeira reunião do COL com os COD, foram tratados temas relacionados com a “abertura dos concursos do LOGO e do HINO da JMJ LISBOA 2022”.
O Comité Organizador Local da JMJ 2022 é presidido pelo Cardeal-Patriarca de Lisboa, Dom Manuel Clemente, e liderado por dois coordenadores-gerais: Dom Joaquim Mendes, para a parte pastoral, e Dom Américo Aguiar, para a logística.
Segundo a agência Ecclesia, a próxima reunião da Comissão Interdiocesana da JMJ Lisboa 2022 está agendada para antes do fim do ano.
No fim de junho, Francisco anunciou os temas escolhidos para o itinerário de 3 anos das JMJ, que culmina com a celebração internacional do evento, no verão de 2022. Disse o Papa:
A próxima edição internacional da JMJ será em Lisboa, em 2022. Para esta etapa de peregrinação intercontinental dos jovens escolhi como tema ‘Maria levantou-se e partiu apressadamente’ (Lc 1, 39).”.
Francisco falava aos jovens participantes no XI Fórum Internacional da Juventude dedicado ao Sínodo e à Exortação Apostólica ‘Cristo Vive’, uma iniciativa da Santa Sé.
No seu discurso, o Papa manifestou a intenção de que estes temas promovam uma “harmonia” entre o itinerário para a JMJ 2022 e o caminho da Igreja Católica após o Sínodo dedicado às novas gerações, celebrado em outubro de 2018. A este respeito, dizia o Santo Padre:
Desejo que haja uma grande sintonia entre o itinerário para a JMJ de Lisboa e o caminho pós-sinodal. Não ignorem a voz de Deus, que impele a levantar e seguir os caminhos que Ele preparou para vós. Como Maria, e junto com ela, sede portadores da sua alegria e do seu amor, todos os dias.”.
Recorde-se que as JMJ nasceram por iniciativa do Papa São João Paulo II, após o sucesso do encontro promovido em 1985, em Roma, no Ano Internacional da Juventude. Cada JMJ realiza-se, anualmente, a nível local (diocesano) no Domingo de Ramos, alternando com um encontro internacional a cada dois ou três anos, numa grande cidade. As edições internacionais destas jornadas promovidas pela Igreja Católica são um acontecimento religioso e cultural que reúne centenas de milhares de jovens de todo o mundo, durante cerca de uma semana.
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Se o festival de Medjugorje não teve uma palavra explicita do Papa, o que ainda poderá vir a acontecer, não deixa de ser significativa a presença e a palavra de altos representantes da Santa Sé, que são portadores das preocupações do Sumo Pontífice, designadamente o Cardeal Vigário do Papa para a Diocese de Roma, o Presidente do Pontifício Conselho para a Nova evangelização, o Secretário da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, o Núncio Apostólico na Bósnia e Herzegovina e o Visitador apostólico de Medjugorje.
Já Lisboa está a trabalhar sob a égide explícita do Sumo Pontífice que escolheu o tema da JMJ de 2022 e vira participar por si ou através de enviado especial.
Com efeito, tendo sido a JMJ uma iniciativa papal, é normal que o Papa queira continuar a pontificar nela e dar a força e a luz à reflexão, ação e festa dos jovens, como o fez, faz e fará sempre que estes se lhe apresentam com um aceno, com iniciativas, com simpatias, com pedidos e com propostas de oração/ação.
2019.08.02 – Louro de Carvalho  

terça-feira, 7 de maio de 2019

A partir de Fátima os Bispos fizeram ouvir a sua voz unânime


A comunicação social pensava ter pasto de entretenimento para uns tempos a propósito duma suposta divisão dos prelados sobre a criação de comissão nas respetivas dioceses para debelar e encaminhar os casos de abuso sexual de menores por parte dos clérigos, quando o discutível era se devia ser criada comissão só para esta matéria e se o mecanismo a criar não deveria ser destinado prioritariamente à prevenção. Ora, a 196.ª Assembleia Plenária da CEP (Conferência Episcopal Portuguesa), realizada de 29 de abril a 2 de maio (em Fátima), tomou posição unânime sobre a matéria. A este respeito, o comunicado final apresentado em conferência de imprensa da conta da reflexão feita “sobre as orientações vindas do encontro sobre a proteção de menores na Igreja”, de fevereiro no Vaticano, com relevo para o discurso conclusivo do Papa. Assim, “a resposta eclesial” deve prover à “tutela das crianças”, revestir-se de impecável “seriedade”, levar a “uma verdadeira purificação”; promover “a formação”, verificar e reforçar “as diretrizes das Conferências Episcopais”; proceder ao “acompanhamento” das pessoas vítimas de abuso; e prestar a devida “atenção pastoral ao fenómeno crescente dos abusos no mundo digital e no turismo sexual”. Assim, “os Bispos comprometem-se a criar instâncias de prevenção e acompanhamento em ordem à proteção de menores nas suas Dioceses” e a atualizar as diretrizes aprovadas pela CEP em 2012, “tendo em conta as orientações da Santa Sé” (que urge reler).
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Mas nem só de abusos tratou a CEP. Com efeito, declarou solidarizar-se com a dor de muitas pessoas e comunidades que recentemente sofreram a perda de vidas e haveres, realçando a tragédia na Madeira, com a morte de 29 pessoas e vários feridos, e em Moçambique (nomeadamente Beira e Pemba), com um muito elevado número de vítimas, bem como a morte de centenas de pessoas no Sri Lanka, vítimas de atentados terroristas por ocasião das celebrações pascais. Por todos rezam os Bispos e apelam “à esperança e à partilha fraterna”.
Aprovou duas cartas pastorais:Um olhar sobre Portugal e a Europa à luz da doutrina social da Igreja”; e “A alegria do amor no matrimónio cristão”. A primeira, já divulgada no respetivo site, procura ser um contributo para ajudar os católicos do país e tantos outros portugueses a “discernir os grandes desafios que hoje se deparam na realidade portuguesa e europeia, à luz dos princípios da dignidade humana, do bem comum, da solidariedade e da subsidiariedade”; a segunda, a divulgar oportunamente, vem  na sequência da exortação apostólica Amoris Laetitia, e apresenta “a graça e a beleza do matrimónio cristão, a necessidade da sua preparação e o acompanhamento nos primeiros anos de vida conjugal”.
Os Bispos aprovaram ainda o documento “Contributos por serviços pastorais e atos administrativos nas Dioceses de Portugal”, que entrará em vigor após a devida aprovação pela Santa Sé; as “Linhas de formação integral presbiteral” do Pontifício Colégio Português, que entrarão em vigor depois de homologadas pela Congregação para o Clero; o programa das próximas Jornadas Pastorais do Episcopado (17-19 de junho); o Relatório de Contas de 2018 do Secretariado Geral da CEP e o Calendário de Atividades da CEP para 2019-2020.
A CEP aprovou a integração de Dom Américo Manuel Alves Aguiar, Bispo auxiliar de Lisboa, como novo Vogal na Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais; nomeou o Padre Fábio de Freitas Guimarães, oficial da Congregação para o Clero, como segundo Diretor Espiritual do Pontifício Colégio Português; e procedeu às seguintes nomeações para o próximo triénio: Dr.ª Isabel Figueiredo (a primeira mulher a dirigir um organismo superior da CEP), Diretora de Conteúdos Religiosos da Rádio Renascença, como Diretora do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais, Dr. Fernando Augusto Teixeira Moita, como Secretário da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé, Irmão Manuel Gonçalves da Silva, da Congregação dos Irmãos Maristas, como Assistente Religioso da COPAAEC (Confederação Portuguesa de Antigos/as Alunos/as do Ensino Católico), e Padre Miguel Alexandre Batista Coelho, como Assistente da Direção Executiva Nacional do Movimento Casais de Santa Maria.
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Informada sobre a preparação da Jornada Mundial da Juventude de 2022 (JMJ), na sua componente pastoral e organizativa para todas as Dioceses, advertiu que o protagonismo na realização da JMJ deve ser dado aos jovens.
No âmbito do acolhimento das informações, comunicações e programações dos organismos da CEP, de que destacam-se alguns dados.
- A Comissão Episcopal da Missão e Nova Evangelização apresentou as principais atividades no âmbito das Missões, da Nova Evangelização, do Ecumenismo e do Diálogo Inter-Religioso, destacando o Guião missionário 2018/2019 e o segundo Guião da Infância Missionária com o tema “Interceder pelas Famílias”, bem como o próximo encontro nacional para a Nova Evangelização sobre as “Prioridades da Igreja em Portugal: uma visão dos pastoralistas”; e fez algumas propostas para a celebração do encerramento do Ano Missionário, em particular na Peregrinação Missionária nacional a Fátima, a 20 de outubro.
- A Comissão Episcopal da Liturgia e Espiritualidade com o seu Secretariado Nacional de Liturgia, das várias ações em curso, destaca: a revisão da tradução portuguesa da terceira edição do Missal Romano; a publicação próxima do Cantoral Nacional para a Liturgia; a temática do 45.º Encontro Nacional de Pastoral Litúrgica Liturgia e Missão, a realizar em Fátima nos dias 22-26 de julho. Além disso, esta Comissão cuida particularmente os livros litúrgicos oficiais, mas propõe-se desenvolver uma atividade editorial de formação litúrgica, pastoral e espiritual, tão necessária para a renovação da Liturgia. O catálogo dos livros encontra-se disponível no siteliturgia.pt.
- A Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana apresentou relatórios dos seus organismos e destacou: o Manifesto sobre os Pactos Globais das Nações Unidas sobre os Refugiados e para as Migrações Seguras, Ordenadas e Regulares, publicado pelo FORCIM (Fórum de Organizações Católicas para a Imigração), que visa chamar a atenção dos governos para a solidariedade mais concreta para com os migrantes e refugiados; o Projeto MIND – Migrações, Interligação e Desenvolvimento, que procura promover o diálogo e o encontro entre as pessoas, sensibilizando para as complexas ligações das migrações, bem como o desenvolvimento sustentável e a resposta a dar a estas emergências com base na humanidade, dignidade e respeito; a campanha “Cáritas ajuda Moçambique” para angariar fundos para a fase de emergência rápida; e a publicação de notas por parte da Comissão Nacional Justiça e Paz e da Pastoral da Saúde. Realçou ainda o estudo realizado pelo Serviço Pastoral a Pessoas com Deficiência para conhecer a situação das pessoas com deficiência nas paróquias.
- A Comissão Episcopal do Laicado e Família sublinhou: as Formações Regionais realizadas pelo Departamento Nacional da Pastoral Familiar e a reunião com os Assistentes Diocesanos da Pastoral Familiar e dos Movimentos da Família; a XXXIV Jornada Mundial da Juventude no Panamá; a Assembleia de Animadores e Jovens para a “receção do Documento Final do Sínodo dos Bispos de 2018”, organizado pelo Departamento Nacional da Pastoral Juvenil; o IV Encontro Nacional de Docentes e Investigadores do Ensino Superior; a reunião com a Equipa de Serviço Nacional, Assistentes Diocesanos e Assistentes das Comunidades Carismáticas; a eleição dos novos Órgãos Sociais da Conferência Nacional do Apostolado dos Leigos; e o acompanhamento das atividades dos diversos organismos.
- A Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios aludiu ao Encontro dos reitores dos seminários e à Assembleia dos delegados para o diaconado permanente, bem como à publicação das atas do 9.º Simpósio do Clero sobre o tema “Padre, ministro e testemunha da alegria do Evangelho”; e referiu que o lema da Semana de oração pelas vocações consagradas, que está a decorrer de 5 a 12 de maio, é “A coragem de arriscar pela promessa de Deus”.
- A Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé finalizouno departamento da Catequese, o Curso de Formação “Ser Catequista” integrado no plano nacional de formação, informou sobre o Encontro Europeu dos Diretores Nacionais da Catequese, em Roma, em torno do tema “O Catequista, Testemunha do Mistério”, e as próximas Jornadas Nacionais de Catequistas, dedicadas à memória de Mons. Amílcar Amaral, autor dos catecismos nacionais “A Doutrina Cristã”; e, no âmbito da Educação Moral e Religiosa Católica e na Escola Católica, referiu “a formação de professores nas dioceses e a prossecução da parceria com a Faculdade de Teologia no âmbito da formação de futuros docentes de Educação Moral e Religiosa Católica”.
- A Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais informou sobre as atividades dos seus três Secretariados: SNPC (Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura); SNBC (Secretariado Nacional dos Bens Culturais); e SNCS (Secretariado Nacional das Comunicações Sociais). Assim, o SNPC reuniu referentes da Pastoral da Cultura das várias dioceses para estudar formas de cooperação em prol dum trabalho específico no domínio desta pastoral, tendo em conta as principais tendências e movimentos culturais contemporâneos; referiu que a próxima Jornada da Pastoral da Cultura será sobre a condição da mulher na sociedade e na Igreja, sendo entregue, nesta Jornada, ao historiador José Mattoso o “Prémio de Cultura Árvore da Vida / Padre Manuel Antunes”; e informou que o Secretariado participará no IndieLisboa – Festival Internacional de Cinema Independente, cuja 16.ª edição decorre entre 2 e 12 de maio, com a atribuição do Prémio Árvore da Vida. Por seu turno, o SNBC continuará as ações de formação no âmbito do projeto Thesaurus sobre o inventário de bens culturais da Igreja, encontrando-se em desenvolvimento uma plataforma online que permita a pesquisa conjunta dos registos; está a concluir a elaboração do “Guia de Boas Práticas de Conservação Preventiva”; e mantém a participação como entidade interlocutora e consultora no Conselho Nacional de Cultura, no Grupo Técnico Coordenador do Projeto Rota das Catedrais e na Comissão Bilateral para a Regulamentação do art.º 23.º da Concordata. E o SNCS prossegue a qualificação e ampliação da produção de conteúdos informativos na Agência Ecclesia e nos programas de televisão e de rádio, sendo de destacar o programa 70×7, que celebra, este ano, 40 anos de emissões na RTP; referiu que a concretização destes projetos está a acontecer cada vez mais em parceria com diferentes estruturas eclesiais e outros media; e informou que vai decorrer um encontro para assinalar o Dia Mundial das Comunicações Sociais, onde vai ser entregue o “Prémio de Jornalismo Dom Manuel Falcão” ao trabalho jornalístico premiado deste ano, bem como, a título honorífico, ao jornal Diário do Minho, por ocasião do seu 100.º aniversário.
- A CIRP (Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal) destacou a organização da Semana do Consagrado sobre o tema “Comunidades santas e missionárias” e a Semana de Estudos sobre a Vida Consagrada que tratou o tema “O desafio da santidade no mundo atual”; sublinhou a solidariedade de muitos Institutos com as vítimas do ciclone Idai, em resposta ao apelo da congénere de Moçambique e da Cáritas; e informou que a CAVITP (Comissão de Apoio às Vítimas do Tráfico de Pessoas) fará uma reflexão sobre o tema “Entender as causas do tráfico de pessoas: mercantilização e exploração à luz das Orientações pastorais sobre o tráfico de pessoas”.
- A CNISP (Conferência Nacional dos Institutos Seculares de Portugal) referiu os resultados do inquérito sobre os dados estatísticos dos 8 Institutos Seculares presentes em 17 dioceses, com o objetivo dum melhor conhecimento sobre a presença carismática desta vocação de especial consagração.
- A COMECE (Comissão dos Episcopados da Comunidade Europeia) sublinhou “o caráter personalista da União Europeia enquanto projeto inclusivo na luta pela dignidade da pessoa, a importância vital de se reconhecer o princípio da subsidiariedade, respeitando a identidade nacional de cada país a par com o trabalho conjunto pelo bem comum, a prioridade que se deve dar à Europa Social, ainda muito subdesenvolvida”, sendo de relevar “o trabalho da Igreja em prol dos refugiados e da irradicação da pobreza, bem como a importância decisiva da doutrina social da Igreja”; e salientou “a quebra de confiança em relação à segurança e defesa, sobretudo por causa dos ataques terroristas, as novas tecnologias como a robótica, a grande incerteza sobre o futuro do trabalho, a sustentabilidade ambiental e ecológica, bem como a necessidade de cuidar da natureza com compromissos concretos foram outros dos assuntos abordados”.
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No discurso de abertura, o Presidente da CEP fez larga referência à exortação apostólica Christus Vivit, dirigida “aos jovens e a todo o Povo de Deus”, na sequência do Sínodo sobre a realidade juvenil na Igreja e no mundo – e da Igreja para o mundo, com a projeção missionária cara a Francisco. E, considerando a relevância que tem para nós no horizonte da próxima JMJ, Dom Manuel Clemente chamou a atenção para o capítulo VII – A pastoral dos jovens, lembrando que a pastoral juvenil pressupõe duas grandes linhas de ação: a busca, a convocação, a chamada que atraia novos jovens para a experiência do Senhor; e o crescimento, o desenvolvimento dum percurso de maturação para quantos já fizeram essa experiência (CV, 209).
E, considerando que, em qualquer delas, o Papa destaca o protagonismo dos jovens, cita:
Relativamente à primeira, a busca, confio na capacidade dos próprios jovens, que sabem encontrar os caminhos atraentes para convidar. (…) Devemos apenas estimular os jovens e dar-lhes liberdade de ação, para que se entusiasmem com a missão nos ambientes juvenis. O primeiro anúncio [de Cristo vivo] pode despertar uma profunda experiência de fé no meio dum retiro de conversão, numa conversa no bar, num recreio da Faculdade, ou qualquer outro dos insondáveis caminhos de Deus. O mais importante, porém, é que cada jovem ouse semear o primeiro anúncio na terra fértil que é o coração doutro jovem» (CV, 210).”.
Porém, quanto ao crescimento, o Papa faz uma advertência importante:
Em alguns lugares que, depois de ter provocado nos jovens uma experiência intensa de Deus, um encontro com Jesus que tocou o seu coração, propõe-se-lhes encontros de “formação” onde se abordam apenas questões doutrinais e morais. […] Resultado: muitos jovens aborrecem-se, perdem o fogo do encontro com Cristo e a alegria de O seguir, muitos abandonam o caminho e outros ficam tristes e negativos (CV, 212).”.
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É, de facto, a próxima JMJ a grande tarefa da Igreja portuguesa em prol da juventude mundial, a que a CEP está atenta e para a qual dinamiza em crescendo as diversas dioceses. Mas também é de sublinhar o enorme trabalho da CEP e dos seus organismos, que passa ao lado dos comentadores e observadores, mas de frutos que só Deus sabe avaliar. É a semente do Reino!
2019.05.07 – Louro de Carvalho

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Temos de estar em constante discernimento ante os sinais dos tempos


É um alerta de Dom José Domingo Ulloa, Arcebispo do Panamá, que esteve no Santuário de Fátima de passagem para a cidade do Porto, onde participou como coordinante na ordenação episcopal de Dom Américo Aguiar, bispo titular de Dagno e auxiliar de Lisboa.
Rezou na Capelinha das Aparições e respondeu a algumas questões que a Sala de Imprensa do Santuário lhe colocou e de que se destacam o enunciado vertido em epígrafe e o que justifica uma ligação, espécie de ponte entre a JMJ (Jornada Mundial da Juventude) do Panamá, no passado mês de janeiro, e a que vai realizar-se em 2022 em Lisboa – o papel de Maria entre os jovens.   
Efetivamente, sobre a importância da Virgem Peregrina, diz que “levou a luz de Fátima ao mundo e agora acende-a em Portugal para todo o mundo”. E, falando sobre a JMJ do Panamá, encareceu a importância da presença da Virgem Peregrina diante dos jovens.
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Segundo o prelado panamiano, o convite para a presença da Imagem da Virgem Peregrina de Fátima na Jornada Mundial da Juventude do Panamá não surgiu por acaso, foi mesmo bem pensado e premeditado. Com efeito, como refere, logo que foi anunciada, a 31 de julho de 2016, em Cracóvia, “a escolha do Panamá como o lugar que acolheria a Jornada Mundial da Juventude 2019, tendo em consideração que este povo é tão mariano e desde logo que a Virgem de Fátima estava – e está! – tão enraizada no coração deste povo”, a organização descobriu a necessidade de colocar esta jornada nas mãos de Maria.
No tocante ao desenrolar de todo o processo, o Arcebispo revelou que, três dias depois do anúncio (no dia 3 de agosto), estivera na audiência geral e disse ao Papa que o grande presente que “poderia dar ao povo do Panamá e a todo o povo latino-americano seria a invocação mariana para esta jornada”. E lembrou que há vários motivos para estas escolhas:
Somos a primeira diocese em terra firme com invocação mariana, concretamente de Santa Maria la Antigua. Mas somos marianos com uma especial devoção a Nossa Senhora de Fátima. É preciso recordar, ainda, que estávamos em véspera do ano do Centenário, ano (2017) em que tivemos a visita da Virgem Peregrina ao Panamá.”.
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Na verdade, Santa Maria La Antigua é a Virgem Padroeira do Panamá. A sua imagem representa Nossa Senhora com o Menino Jesus e uma rosa branca; e a sua festa é celebrada no dia 9 de setembro.
A história conta que a imagem mariana estava numa capela lateral da Catedral de Sevilha, em Espanha, que foi reconstruída no século XIV e de que se conservou apenas a parede onde estava a imagem, por isso que é chamada Santa Maria de la Antigua.
Na América, em 1510, os conquistadores Vasco Núñez de Balboa e Martín Fernández de Enciso fundaram, em homenagem a esta devoção, a cidade de Santa Maria la Antigua de Darién (atualmente território colombiano), que foi a primeira diocese em terra firme. E, em 1524, o segundo bispo dessa diocese, o dominicano Frei Vicente Peraza transferiu a sede diocesana para a recém-fundada Cidade do Panamá, nas margens do Pacífico.
Santa Maria la Antigua é a padroeira da catedral e da Diocese do Panamá desde 1513, mas foi recentemente, a 9 de setembro de 2000, Ano Santo Jubilar, que a Conferência Episcopal Panamenha a proclamou padroeira do país e solicitou à Santa Sé o reconhecimento oficial dessa proclamação, pedido aceite, em 27 de fevereiro de 2001, pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.
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Mas, voltando à visita da imagem da Virgem Peregrina ao Panamá em 2016…
… Enfatiza Dom José Domingo que “esta visita foi uma das que mais tocou o coração do povo do Panamá” e, quando terminou, sentira que tinham de pedir a Fátima que se fizesse novamente presente na Jornada Mundial da Juventude, esse “momento tão especial para o Panamá, para a juventude do Panamá”.
A 11 de fevereiro de 2018, memória litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes, o Papa inscreveu-se na Jornada e, ao meio dia desse mesmo dia, o Panamá recebe a comunicação do Santuário de Fátima a confirmar a presença da Imagem da Virgem Peregrina. E foram estes os peregrinos número 1 e número 2 destas jornadas.
No âmbito da preparação da JMJ, diz o prelado que “as jornadas sempre tiveram em conta os jovens e o papel das mulheres”, pois a Igreja panamenha – aliás, “esta é uma visão a partir da América Latina” – está convicta de que “não se pode pensar a Igreja sem a participação efetiva e a presença das mulheres na Igreja”. Por isso, seguindo “Maria, a eterna jovem que foi capaz de dizer ‘sim’, invocámo-la do ponto de vista vocacional” – assegura Dom Ulloa, que garante: 
Toda a jornada foi preparada em função de Maria. E até o Sínodo dos jovens nos ajudou nesta preparação de uma Igreja voltada para a juventude a partir do exemplo de Maria, uma jovem que disse ‘sim’ sem reservas. Também tivemos uma ajuda imensa do Apostolado Mundial de Fátima, um grupo dedicado que, durante um ano e meio, fez tudo para ajudar nesta grande jornada Mariana, promovendo desde logo a devoção dos primeiros sábados.”.
Sobre a grande exigência duma preparação da Jornada Mundial da Juventude e da experiência panamenha, destaca:
A melhor estratégia para a organização de um evento como este é colocá-lo nas mãos de Deus e pedir a intercessão de Maria. Temos de fazer tudo o que é possível do ponto de vista humano, mas é a providência que nos protege. Por isso, o que é preciso é pedirmos a Maria e, através da sua intercessão, esperar pela ajuda de Deus. A Jornada Mundial da Juventude, como tudo na nossa vida, é obra Dele.”. 
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Depois, ver o santo Padre diante da Imagem da Virgem Peregrina de Fátima concitou um sentimento muito forte e o Pastor panamenho rezou pensando: “Mãe, esta obra que é Tua está a comover o mundo”. E foi muito comovente ver o Sumo Pontífice a rezar num profundo silêncio diante daquela Imagem da Virgem. Foi mesmo “a confirmação de que esta hora da Igreja, comprometida neste projeto com a juventude, está nas mãos de Maria, a grande Influencer da juventude”. E o Panamá viu, “com a emoção dos jovens, que Maria lhes conquistou o coração”.
Com efeito, depois de o Papa ter estado diante da Imagem, sem velas e com telemóveis, a noite da Vigília foi marcada pela procissão das velas a acompanhar a Imagem da Virgem Peregrina, o que – diz o Arcebispo – “foi um mar de luz”. E Dom Ulloa confessa:
Fiquei muito comovido: ver o santo Padre a rezar diante da Virgem, mas sobretudo ver a alegria dos jovens diante de Nossa Senhora de Fátima e ver nos seus olhos e nas suas expressões como a Mãe lhes encheu o coração... foi extraordinário. A Virgem de Fátima é sempre um tema que tem de ser ressalvado quando falamos da Jornada Mundial da Juventude e, sobretudo, desta em particular.”.
Anuindo à asserção de quem orientou a entrevista de que esse momento terá sido porventura a confirmação de que as opções da presença da Virgem Peregrina de Fátima tinham sido as mais acertadas”, porfiou que tudo o que fizeram fora sem saberem “que Portugal iria receber a próxima Jornada Mundial da Juventude”. Mas, sabendo que não há acasos nem meras coincidências, revelou que, ao falar-se do assunto, foi mais um tema que deu bastante alegria. Com efeito “a Mãe que nós levámos até junto da juventude mundial no Panamá é a mesma mãe que vai trazer a cruz da Jornada Mundial da Juventude à sua nova morada”, ou seja, “Maria fez-se presente no outro lado do mundo, para regressar com todos os seus filhos a Fátima e a Portugal – disse perentoriamente.
Mas não se ficou por estas afirmações. Antes adiantou que “Maria sempre ocupou um lugar central na Jornada Mundial da Juventude, mas que esse papel será ainda muito mais forte em 2022”, pois torna-se “impensável” a organização do grande evento sem a presença de Nossa Senhora de Fátima”, que “é a Mãe que nos protege e abraça”, o que Lisboa só confirmará. De facto, “Ela levou a luz de Fátima ao Mundo e agora acende-a em Portugal para todo o mundo”.
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Ainda discorreu sobre a importância de Fátima no Mundo referindo que “um dos grandes conteúdos da Mensagem de Fátima é a conversão”. Nesse sentido, precisou:
Fátima convida-nos a recriar a necessidade e o desejo de mudança em ordem a que a palavra que escutamos nos invada o coração e alimente os nossos gestos. Tem de haver esta sintonia entre a palavra que anunciamos e os gestos da nossa vida.”.
É na relação com a conversão e na sintonia entre a prática e a palavra que o Arcebispo formulou o enunciado vertido na epígrafe do presente texto, quando atesta que “esta [a mudança e a sintonia entre palavra e vida] é a raiz da Mensagem de Fátima que nos remete para um convite permanente à conversão, a sermos íntimos de Deus, a começar por nós, hierarquia da Igreja, que temos de estar em constante discernimento diante dos sinais dos tempos”.
E é por ter no centro a conversão – “com outros ingredientes que remetem para a infância, para a humildade, para a sensibilidade dos pequenos, dos mais fracos, dos oprimidos, dos pobres de coração” – que é muito atual a Mensagem de Fátima que “nos é dirigida a todos: bispos, padres, leigos, jovens e menos jovens”. Depois, um outro fator de atualidade da Mensagem é a oração como caminho; e o hierarca vinca, no quadro do aperfeiçoamento pessoal e do labor apostólico:
Temos de rezar muito para que o nosso coração se converta e assim consigamos ajudar outros a converterem-se”.
Com efeito, a Mensagem, convidando-nos à oração – falar e escutar Deus na maior intimidade –“é um itinerário que nos ajuda a libertar o nosso coração de coisas que não interessam e estarmos mais livres para dar a Deus o lugar de Deus”. E constitui um imperativo a oração pela Paz num mundo ferido e que espera a misericórdia de Deus, devendo os obreiros eclesiais ser testemunhas e arautos da misericórdia. Sublinha Dom Ulloa:
A Mensagem de Fátima é sempre atual porque nos alerta para um mundo ferido, um mundo que está ferido porque nós estamos feridos. E cada um de nós tem de se converter porque cada um de nós tem esta missão. Por isso, diante do mundo concreto de hoje, a Mensagem de Fátima ajuda-nos a purificar o coração dos homens. E este é o terceiro elemento que gostava de destacar: a misericórdia. Em Fátima, através desta presença materna de Nossa Senhora sentimos que há sempre um coração grande que nos acolhe, por piores que sejam os males do mundo.”.
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Por fim, como a JMJ do Panamá se realizou entre dois Sínodos dos Bispos, o dos jovens e o da Amazónia, deixa, a pedido, uma palavra sobre a oportunidade, referindo que “a Amazónia é apenas um lugar, importante, mas apenas um lugar”. Nestes termos, o Sínodo constituirá “uma mensagem que Deus nos envia”, ou seja, “a partir de povos martirizados, o Senhor fala para o mundo inteiro”. Assim, dali “sairá a luz para o mundo inteiro sobre a necessidade de tomarmos consciência de que todos temos a obrigação de cuidar desta casa comum” – disse.
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Por falarmos de conversão, oração, misericórdia e paz – tetranómio nuclear da Mensagem de Fátima –, não fica descabido acolher algumas das palavras do Vice-reitor do Santuário de Fátima, que desafiou, no passado domingo, dia 31, os peregrinos a olharem o próximo como Jesus olha para cada um de nós “sem etiquetas e como pessoas amadas”.

Com efeito, na Missa Internacional a que presidiu na Basílica da Santíssima Trindade, no domingo da alegria, o 4.º da Quaresma (chamado “Domingo Laetare”, denominação ligada à Antífona de Entrada da Eucaristia, “Laetare, Ierusalem” – Alegra-te, Jerusalém), o padre Vítor Coutinho pediu aos milhares de participantes – com particular destaque para o grupo mobilizado pela Peregrinação Nacional dos Amigos do Verbo Divino, que se fizeram anunciar – que olhassem os seus semelhantes com os olhos de Jesus, límpidos e compassivos, que transportam misericórdia e ternura em vez de distância, julgamento, censura e condenação. E explanou:

Jesus nunca vê mais nada além de pessoas, pessoas amadas. Jesus não vê etiquetas, mas pessoas amadas por Deus e este olhar dá a cada pessoa a oportunidade de dar passos na vida; este olhar dá a cada um a possibilidade de não ficar fechado na imagem que tem de si mesmo ou na que os outros fazem dele.”.
A partir do Evangelho do dia – a parábola do Pai misericordioso que tinha dois filhos: o pródigo e o que não abandonou a casa paterna – onde se releva o amor paciente e sempre acolhedor do Pai, independentemente do itinerário de vida de cada um, os peregrinos foram instados pelo sacerdote celebrante a fazerem uma verdadeira comunhão com Deus. Na verdade, como sublinhou, o olhar do pai sobre o filho pródigo “é o olhar de Jesus que não tem paralelo no mundo de hoje”, sendo que, “tal como o pai da parábola acolhe o filho faminto e pecador”, que se converte e reza confessando, arrependido o seu pecado, também “Jesus acolhe todos os que dele se aproximam e querem com ele fazer comunhão”.
E, como sublinhou o sacerdote em seu discurso homilético, sabemos “da história do filho pródigo” que aquilo que nos salva “é o olhar comovido de Deus, que não fica indiferente”, mas cuja compaixão “não olha de cima nem de longe, mas de perto, deixando-nos sempre um olhar de perdão que nos renova” e nos dá a paz interior, que nos faz trabalhar a paz para e com os outros e criar um estilo de vida em profundeza e solidariedade. E é com este olhar terno inspirador dos cristãos a participarem no sentido de festa que somos convidados a saborear “a bondade Daquele que nos olha”.
Não podemos comportar-nos como o filho mais velho da parábola, que roído de inveja, se pôs a acusar o Pai e o irmão do que fizeram e do que não fizeram, omitindo gravemente os atos generosos do Pai e desprezando a mudança de vida do irmão.   
Por conseguinte, ao longo da Liturgia da Palavra ecoou um convite a fazer festa, isto é, um convite a que tenha cada um a capacidade de, em cada momento da vida, “viver na plenitude do sentido que só Deus permite” e a que nos estimula. E disto é testemunha, mensageira e promotora a Virgem Santa Maria Mãe de Deus e nossa Mãe.
2019.04.01 – Louro de Carvalho

domingo, 27 de janeiro de 2019

Lisboa será palco da Jornada Mundial da Juventude em 2022


O anúncio, feito pelo cardeal irlandês Kevin Farrell, Prefeito do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, foi escutado ao vivo, na Cidade do Panamá por Dom Manuel Clemente, Cardeal Patriarca de Lisboa e Presidente da Conferência Episcopal de Lisboa, e por Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República Portuguesa. E foi recebido com uma salva de palmas pelas centenas de milhares de participantes na Missa conclusiva da JMJ 2019.
Presidente e Patriarca vincaram vitória para Portugal e para a África lusófona. Em declarações à agência Ecclesia e à Rádio Renascença, os dois mostraram-se muito satisfeitos com a decisão, com o Presidente a dizer que esta é uma vitória da Igreja em Portugal, mas não só:
Vitória também da língua portuguesa e da lusofonia, porque na discussão no Vaticano, um ponto essencial era a abertura a África, continente onde nunca houve estas jornadas. E pensou-se ‘qual é o país que é a melhor plataforma giratória para todos os continentes e também para África. E como é possível que venham de África muitos peregrinos e muitos jovens’. Isto foi um argumento também decisivo.”.
Dom Manuel Clemente, sublinhando também a importância da proximidade com África para esta decisão do Papa e frisando que a escolha de Lisboa para organizar JMJ em 2022 é “uma excelente notícia”, declarou:
Estamos num canto da Europa onde a Europa se aproxima de África, onde Europa e África já olham por este Atlântico para as Américas. Toda a gente lá vai estar com gosto e empenho e nós vamos fazer o possível para que corra de uma maneira fabulosa, tão fabulosa como foi esta feliz notícia que o Papa acaba de nos dar.”.
A Jornada Mundial da Juventude é um evento que reúne centenas de milhares, ou mesmo milhões, de jovens de todo o mundo. Realiza-se de três em três anos ou, excecionalmente, de dois em dois, normalmente variando entre continentes.
Desde a primeira edição das JMJ sob a égide se São João Paulo II, o Papa tem estado sempre presente, pelo que é previsível que Francisco ou um seu enviado especial ou, eventualmente, o seu sucessor, regresse a Portugal para participar no evento.
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Em Portugal, a primeira reação eclesiástica anotada foi do Bispo do Porto. Com efeito, Dom Manuel da Silva Rodrigues Linda reagiu à notícia da escolha de Lisboa como a próxima cidade a acolher a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), em 2022, dizendo:É uma alegria indescritível, imensa”. Nos próximos três anos, disse ainda, a Igreja em Portugal terá de se “dedicar muito mais à pastoral juvenil”, afinando a sua linguagem pela linguagem que os jovens entendam. É expectável que centenas de milhares de jovens se desloquem a Portugal por ocasião da JMJ. “O nome de Portugal será o mais falado naquele contexto por todo o mundo e durante muito tempo, antes e depois”, disse o prelado, alertando que “temos de saber acolher”.
Sobre as razões que terão induzido o Papa a escolher Portugal como país anfitrião da próxima JMJ, o prelado portucalense considera que se deve à proximidade a África, a nível geográfico e sentimental, explicitando:
Nós soubemos contactar com os africanos e, salvo algumas épocas um bocado mais difíceis, como foi a guerra colonial, a nossa relação com África foi relativamente pacífica. E, portanto, se soubemos ao longo do tempo conviver, agora saberemos acolher.”.
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Segundo a agência Ecclesia, a CEP (Conferência Episcopal Portuguesa) reagiu com “grande alegria” ao anúncio de que a próxima JMJ vai decorrer em 2022, na cidade de Lisboa. Com efeito, o Padre Manuel Barbosa, o secretário da CEP e porta-voz do episcopado, destaca, em comunicado, que este é um acontecimento:
Em que a Igreja em Portugal e, de modo particular o Patriarcado de Lisboa, conta com o apoio da Presidência da República e a colaboração das entidades governamentais e autárquicas”.
Prosseguindo, explicita:
A JMJ vai envolver todas as Dioceses do país ao longo dos próximos três anos e meio na sua preparação, constando de encontros de oração, celebração e reflexão, e de inúmeros acontecimentos a nível religioso e cultural. Culminará nos últimos dias com a presença em Lisboa de centenas de milhares de jovens vindos de todo o mundo, em celebrações presididas pelo Santo Padre.”.
E deixa votos de que JMJ em Portugal seja “um forte momento de graça para todos os jovens renovarem o dinamismo da sua vocação, respondendo ao convite de Jesus Cristo a serem autênticos discípulos missionários na vida da Igreja e da sociedade”.
Do Panamá, o Bispo de Bragança-Miranda reagiu ao anúncio com uma mensagem enviada à Ecclesia pelo secretariado diocesano das Comunicações Sociais:
Com o Papa Francisco queremos ser servidores da alegria dos jovens que são o agora da Igreja e do mundo. Eis-me aqui! Faça-se segundo o Evangelho.”.
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Por seu turno, o Reitor do Santuário de Fátima, que está no Panamá a chefiar uma delegação do Santuário que levou, de forma inédita, a Imagem n.º 1 da Virgem Peregrina de Fátima a uma Jornada Mundial da Juventude, afirmou esta manhã que a escolha de Lisboa como capital da JMJ de 2022 é “uma grande alegria e uma enorme responsabilidade”.
Além disso, o Padre Carlos Cabecinhas afirmou, numa reação imediata ao anúncio pelo cardeal D. Kevin Farrell (já de tarde em Lisboa), de que a capital portuguesa é a cidade escolhida para acolher a próxima Jornada Mundial da Juventude, em 2022:
Para nós é motivo de grande alegria enquanto membros da Igreja portuguesa, mas também para Fátima, pois as Jornadas Mundiais da Juventude representam uma ocasião que proporciona a muitos jovens a visita a Fátima”.
“Se nos enchemos de alegria por toda a Igreja portuguesa, sentimos também a enorme responsabilidade para que Fátima saiba acolher e receber os jovens que para aí remarem” – precisou ainda o sacerdote que, desde o passado dia 22, acompanha a Imagem n.º 1 da Virgem Peregrina de Fátima, que empreende uma viagem extraordinária ao encontro dos jovens de todo o mundo, na JMJ, mas cumprindo paralelamente um programa autónomo que a levou a alguns lugares mais periféricos como o Centro Penitenciário Feminino da Cidade do Panamá e amanhã a levará a um hospital de doentes oncológicos.
Por outro lado, hoje, durante a Missa internacional na Basílica da Santíssima Trindade, o Santuário de Fátima teve presente esta Jornada que se encerrou no Panamá. Assim, no texto duma das preces da Oração Universal, os peregrinos foram especialmente interpelados a rezar “pelos jovens e por todos os participantes na JMJ para que, anunciando a fé viva e o rosto jovem do evangelho, trabalhem na construção de uma sociedade mais justa e fraterna”.
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O DN on line abria a rubrica respetiva com o título: E no Panamá disseram: ‘Até Portugal, Lisboa 2022’. E continuava:
A próxima cidade a receber a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) é Lisboa. O local está escolhido. Será no Parque Tejo, entre Lisboa e o Trancão. A capital pode receber um milhão de peregrinos. O desafio começa agora.”.
E referia que, apesar de a tarde lisboeta estar fria e ventosa, muitos jovens se juntaram na Paróquia do Parque das Nações para ouvirem o anúncio, no Panamá, de que a próxima cidade a receber a JMJ é Lisboa, sendo esta a paróquia de receção da próxima JMJ. E frisava que, a ver em direto estavam mais de 200 jovens de várias paróquias de Lisboa, que, tendo iniciado este encontro no sábado à noite a acompanhar a vigília no Panamá, festejaram com vivas, palmas e confetis e muitos gritos de “Portugal, Portugal!”.
Segundo este diário, bem como segundo o JN, a ouvir Francisco estavam os 300 jovens que viajaram até àquele país para participarem neste evento. O cardeal Dom Manuel Clemente, seis bispos, vários sacerdotes, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Paulo Rebelo, em representação do Governo, vários embaixadores e o Presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina.
Manhã cedo, no Panamá, milhares de jovens participavam na última celebração da JMJ 2019, mas para os portugueses e para os jovens da lusofonia, estas jornadas tinham um sabor especial: o novo destino será Lisboa. Dom Manuel Clemente, Cardeal Patriarca de Lisboa, recebeu a Cruz das Jornadas, símbolo da passagem de testemunho. Da assembleia ouviram-se gritos de “Portugal! Portugal! Portugal!”.
Os jovens aplaudiram. E a Igreja Portuguesa, sobretudo a diocese de Lisboa, que avançou com a candidatura, também. Marcelo já tinha dito que, a confirmar-se poderia ser um incentivo à sua recandidatura. Para todos, o desafio começa agora. Lisboa poderá receber em duas semanas quase tantos peregrinos como turistas num ano: um milhão.
O Presidente da República considera que a realização da JMJ em Lisboa é “uma vitória também do episcopado”, dirigindo uma palavra a Dom Manuel Clemente, que “tanto lutou por isto”.
Segundo o JN, o anúncio era aguardado com expectativa, também por milhares de católicos em Portugal. No Multiusos de Gondomar reuniram-se cerca de dois mil jovens de Lisboa, Vila Franca de Xira, Fátima, Viseu, Guarda, Santarém, Vila Real, Bragança, Viana do Castelo, Braga e Aveiro para assistirem em direto à transmissão da celebração desde a Cidade do Panamá. Dom Manuel Linda, bispo do Porto, marcou presença neste encontro de jovens, adrede agendado.
Na sua conta no Twitter, o Papa escreveu:
A vocês, queridos jovens, um muito obrigado por #Panama2019. Continuem a caminhar, continuem a viver a fé e a compartilhá-la. Até Lisboa em 2022.”.
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Segundo o que apurou o DN, será às portas de Lisboa que milhares e milhares de jovens receberão o Papa na JMJ anunciada por Francisco para a capital portuguesa em 2022. Depois de várias hipóteses colocadas na mesa, como o Campo de Tiro de Alcochete ou as bases do Montijo e da Ota, as autoridades religiosas e políticas já definiram um local: será no Parque Tejo, no Parque das Nações, prolongando-se para Norte, e na Bobadela, ali ao lado.
Apesar das cautelas entre a Igreja portuguesa (até porque, há meses, houve uma irritante fuga de informação que poderia ter estragado tudo), de eventual escolha alternativa de Estocolmo para a realização do encontro de 2022, as autoridades já tinham ido ao terreno verificar as condições logísticas. Pela zona norte do Parque das Nações já passaram o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, o vereador do Urbanismo, Manuel Salgado, e o próprio Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
O anúncio da localidade para o encontro de 2022 foi feito oficialmente no Panamá, no encerramento da XXXIV Jornada Mundial da Juventude.
A comitiva portuguesa que se deslocou àquele país da América Central vincava o que está em causa e torcia pela escolha. O Presidente da República e o Cardeal Patriarca de Lisboa, Dom Manuel Clemente, foram acompanhados do presidente da autarquia lisboeta, que é também o presidente da Área Metropolitana de Lisboa, Fernando Medina – e que fontes ouvidas garantiram estar muito empenhado na escolha da capital – e do pároco do Parque das Nações, Paulo Franco.
Quer Marcelo quer Clemente tinham adotado o discurso cauteloso de quem diz ter “esperança” de poder trazer a próxima edição destas jornadas para Lisboa, porque assim determina a diplomacia do Vaticano: é ao Papa que cabe o anúncio formal. Mas há meses que a preparação avançava. E, entre os aspetos logísticos, estava a escolha do local, que poderá acolher cerca de um milhão de jovens.
A opção pelo Parque das Nações e Bobadela obrigará à construção de pontes pedonais para vencer o obstáculo natural que divide o espaço previsto para as jornadas, que é a foz do rio Trancão, e à remoção dos contentores existentes na Bobadela, entre a EN10 e a A30/IC2, porque as jornadas decorrem por vários dias (no Panamá, por exemplo, realizaram-se de terça-feira a domingo) e os jovens inscritos, sempre em número inferior ao que depois participa nos dois últimos dias no acolhimento ao Papa, são distribuídos por milhares de alojamentos diferentes.
É esta logística a que também responderá a organização portuguesa, que será coordenada pelo Presidente do Conselho da Administração da Rádio Renascença, o Cónego Américo Aguiar: arranjar alojamentos para acolher milhares de jovens.
Recorde-se que, em 2016, quando o encontro teve lugar em Cracóvia, Polónia, estavam inscritos oficialmente cerca de 360 mil jovens para a semana de atividades e, no fim de semana, para a vigília e a missa, o número disparou para cima do milhão e meio de jovens. Nesses dias, havia 37 mil espaços para acampar. Em 2011, em Madrid, havia 7000 espaços de alojamento, incluindo em Portugal, para os dias anteriores ao fim de semana em que o bispo de Roma participa na Jornada Mundial da Juventude.
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As cidades que já receberam as JMJ foram: Roma 1985 (Vaticano / Itália, 23 de março) – a primeira edição das JMJ, no Ano Internacional da Juventude, ficando decidido que, nos anos ímpares, a reunião seria realizada numa cidade do mundo, escolhida pelo Papa; Buenos Aires 1987 (Argentina, 11-12 de abril), 1.ª JMJ fora da Europa – onde 1 milhão de participantes ouviu as mensagens do Papa São João Paulo II; Santiago de Compostela 1989 (Espanha, 19-20 de agosto) – aonde 600 mil jovens foram em peregrinação; Częstochowa 1991 (Polónia, 10-15 de agosto) – com 1,6 milhões de jovens; Denver 1993 (EUA, Colorado, 10-15 de agosto) – com 900 mil jovens; Manila 1995 (Filipinas, 10-15 de janeiro) – com mais de 4 milhões de jovens; Paris 1997 (França, 19-24 de agosto) – com 1,2 milhões de jovens; Roma 2000 (Vaticano / Itália, 15-20 de agosto) – com cerca de 2 milhões de jovens (2,5 milhões, segundo a imprensa local) e o jubileu das JMJ a coincidir com o jubileu do milénio; Toronto 2002 (Canadá, 23-28 de julho) – com 800 mil jovens; Colónia 2005 (Alemanha, 16-21 de agosto), a 1.ª JMJ de Bento XVI – com 2 milhões de jovens; Sydney 2008 (Austrália, 15-20 de julho) – com 500 mil jovens; Madrid 2011 (Espanha, 16-21 de agosto) – com cerca de 2 milhões de jovens; Rio de Janeiro 2013 (Brasil, 23-28 de julho), a 1.ª JMJ de Francisco – com 3,7 milhões de fiéis; Cracóvia 2016 (Polónia, 26-31 de julho) – com 2,5 milhões de jovens; e Panamá 2019 (Panamá, América Central, 22-27 de janeiro) – ainda sem contabilização oficial.
E Lisboa 2019 (Portugal) constitui o desafio próximo para Portugal e a esperança para o triénio. De que Portugal é capaz não restam dúvidas, mas é mister que a Igreja em Portugal corresponda à confiança que nela se deposita e aproveite o ensejo para se rejuvenescer!
2019.01.27 – Louro de Carvalho