Mostrar mensagens com a etiqueta Incêndios. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Incêndios. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

O preço do petróleo está a disparar nos mercados internacionais



Foi já o quinto ataque com drones às instalações petrolíferas daquela que é a maior companhia petrolífera do mundo, a Saudi Aramco, empresa estatal do reino da Arábia Saudita. Só que, desta vez, os estragos provocados com drones, nas instalações da empresa em Abqaiq e Khurais, foram brutais. Imagens de satélite exibem enormes nuvens de fumo provocadas pelos incêndios de grandes dimensões que deflagraram (essas extensas nuvens de fumo parecem revelar estragos mais significativos do que aqueles que a empresa está a admitir) e que vão obrigar à paragem de boa parte do fornecimento da matéria-prima por parte deste país para todo o mundo. E o mundo vai sentir os efeitos destas explosões através da subida das cotações nos mercados.
Os ataques levados de rebeldes do grupo Houthi (do Iémen, mas com apoio do Irão) comprometeram metade da produção diária de petróleo da Arábia Saudita e 5% de toda a oferta mundial.
De súbito, metade da produção diária de petróleo da Arábia Saudita ficou comprometida, pois o ataque provocou extensos danos, eliminando da oferta do país, que é o maior produtor do mundo, cerca de cinco milhões de barris de petróleo diários, num total de 20 milhões de barris que os produtores da matéria-prima colocam diariamente no mercado, de forma a dar resposta à procura global pelo “ouro negro”. Entretanto, a Saudi Aramco está a tentar restabelecer a produção, o que poderá demorar bastante tempo.
É um rombo que a Arábia Saudita procura suprir ao admitir enviar para o mercado o equivalente da produção diária das suas reservas da matéria-prima, o que poderá responder à quebra com as reservas que detém tanto no reino como no Egito, no Japão e até na Holanda, mas que pode não chegar. Daí que os Estados Unidos da América, em segundo lugar no ranking da produção, estejam também já no “terreno” a disponibilizar ao mercado as suas reservas.
E poderá haver um esforço global que será coordenado pela AIE (Agência Internacional de Energia) para que vários países coloquem parte dos barris que detêm no mercado para evitar uma escalada em espiral das cotações.
Em Portugal, enquanto as ações da GALP valorizaram em 3%, a ENSE (Entidade Nacional para o Setor Energéticos) disponibilizou-se igualmente para mobilizar reservas de petróleo caso se prolongue o corte temporário. Em comunicado, a ENSE afirma que “dispõe de reservas estratégicas que podem ser mobilizadas para suprir uma falta eventual” e precisa que tem “à sua disposição 538,1 mil toneladas de crude em reservas físicas e 373,5 mil toneladas em tickets que representam direitos de opção sobre crude armazenado em Portugal e noutros países da União Europeia”. “Estas quantidades estão à disposição da ENSE para mobilização imediata, caso se entenda necessário”, sublinha a entidade, acrescentando:
É importante destacar neste momento que, caso o impacto sobre a oferta seja persistente e os operadores que importam petróleo para Portugal tenham alguma dificuldade temporária para obter crude, o país através da ENSE dispõe de reservas estratégicas”.
A Saudi Aramco poderá “levar meses” a retomar a produção em pleno, após os ataques. E não há capacidade, no mundo, para tapar o “buraco” de mais de cinco milhões de barris diários.
Criou-se um “buraco” na oferta de petróleo mundial, sendo que não há capacidade extra no mundo para o “tapar”. Só as reservas podem mitigar o desequilíbrio entre a oferta e a procura, mas invariavelmente os preços vão ficar mais caros.
De cerca de dez milhões de barris diários, a Saudi Aramco viu a sua capacidade de produção de petróleo reduzida a metade após o ataque às instalações da empresa. Apesar de a empresa ter tentado acalmar os receios dos investidores, com o imediato anúncio duma rápida reparação das instalações afetadas, surgem agora várias fontes a alertarem que será complicado que se consiga voltar ao normal em breve. As nuvens de fumo vistas do espaço mostram que o impacto dos ataques foi significativo.
À Reutersduas fontes próximas da Saudi Aramco, revelaram que foram informadas de que o regresso à produção em pleno poderá “levar meses”. E, enquanto isso não acontece, procuram-se formas de tentar compensar a redução da produção por parte do maior produtor de petróleo do mundo. Mas a tarefa não é fácil.
Não há, no mundo, “almofada” para absorver um impacto na produção como este. De acordo com dados da AIE, a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) tinha, em junho passado, uma capacidade de produção de petróleo extra em torno dos 3,2 milhões de barris por dia, mas inferior à perda agora registada. E destes 3,2 milhões, cerca de dois milhões de barris extra vinham da Arábia Saudita. Sobra menos de um milhão de barris de capacidade adicional. E, mesmo outros países fora da OPEP, como a Rússia, têm pouca margem para aumentar a oferta, sendo que para muitos outros não é de todo viável explorar poços de petróleo simplesmente porque o custo não é compensado com o preço atual da matéria-prima. Entre esses produtores estão os de petróleo de xisto, dos EUA.
Enquanto prossegue um “apontar de dedo” ao Irão como sendo o responsável pelos ataques, o Departamento de Energia norte-americano, além de dizer que está preparado para recorrer aos recursos das Reservas Estratégicas de Petróleo, de 630 milhões de barris, para compensar quaisquer interrupções no mercado, deu orientações para se trabalhar com a AIE para avaliar possíveis opções para uma ação global coletiva se for necessário.
Estas movimentações demonstram a importância das instalações situadas em Abqaiq e Khurais no normal abastecimento do mercado mundial de petróleo. E são reveladoras do interesse tanto da Arábia Saudita como dos EUA de manterem o preço do petróleo em torno dos níveis atuais, os 60 dólares por barril, pois uma valorização expressiva das cotações poderá ter um impacto muito negativo na economia global, quando são cada vez maiores os receios do abrandamento económico e a guerra comercial entre os EUA e a China está a castigar todo o mundo.
Olhando para os esforços feitos e a fazer, o impacto nas cotações poderá, em teoria, ser limitado, já que a oferta de petróleo poderá manter-se inalterada e o contexto é de abrandamento no crescimento da procura pela matéria-prima. Porém, na prática, há margem para que os preços subam. Por um lado, porque os mercados tenderão a ressentir-se a uma quebra momentânea da oferta, levando à subida dos preços. Por outro, haverá a dúvida sobre quanto tempo será necessário para que as instalações afetadas voltem a funcionar, restabelecendo a oferta da matéria-prima. É que as reservas dos países são finitas.
***
Os preços da matéria-prima, a 70 dólares, dispararam nos mercados internacionais, o que pode agravar preço dos combustíveis até 12 cêntimos por litro. É uma valorização histórica. Da última vez que estiveram nos níveis atuais, os combustíveis estavam bem mais caros.
Tendo o preço do petróleo chegado à fasquia dos 70 dólares, deixando antever um impacto expressivo nos preços dos combustíveis no mercado nacional, há margem para subidas de vários cêntimos no valor por litro do gasóleo e ainda mais no caso da gasolina, caso a tendência de subida se mantenha. Com efeito, o Brent (que serve de referência às importações nacionais) esteve a subir mais de 19% para 71,95 dólares por barril  nas primeiras negociações da madrugada de hoje. Entretanto, aliviou ligeiramente a valorização, mas continua acima dos 65 dólares em Londres, estando ligeiramente acima dos 60 dólares em Nova Iorque.
A última vez que o Brent atingiu a fasquia dos 70 dólares foi há 6 meses. Em todo o mês de maio, o barril fechou abaixo desta barreira apenas em 3 sessões, o que se refletiu nos preços nas bombas. O preço médio da gasolina simples de 95 octanas foi de 1,599 euros, enquanto o do gasóleo de 1,424 euros, com base no histórico da DGEG (Direção-Geral de Energia e Geologia).
O preço de referência da gasolina situa-se atualmente em 1,475 euros por litro, após 5 semanas de queda. Ou seja, há uma diferença de 12,4 cêntimos por litro. No caso do gasóleo (que está em máximos desde o início de agosto), a diferença é menor, mas expressiva: são 6,7 cêntimos entre os valores de maio e os atuais 1,357 euros por litro.
Os preços dos combustíveis em Portugal são atualizados semanalmente, com base na evolução média dos preços do petróleo e derivados nos mercados internacionais na semana anterior, pelo que este tipo de aumentos só acontecerá se a tendência de subida das cotações se mantiver. 
Este ajustamento feito pelas petrolíferas tem também em conta as variações nas moedas. A diferença entre o dólar (divisa em que se transaciona o petróleo) e o euro (em que os combustíveis são comprados nas bombas) também não deverá ajudar os consumidores. Em maio, um euro equivalia a 1,12 dólares, enquanto agora vale 1,10 dólares, penalizado pelos novos estímulos anunciados pelo BCE (Banco Central Europeu). Ou seja, é preciso um montante mais elevado em euros para comprar a mesma quantidade de petróleo em dólares e as empresas fazem refletir esse agravamento nos preços finais. Assim, se o valor do barril continuar a subir, os consumidores esperarão que se torne mais caro abastecer o carro na próxima semana. A evolução irá depender da capacidade dos produtores de acalmarem os receios com um desequilíbrio entre a oferta e a procura. Porém, mesmo com os esforços para manter a oferta, as perspetivas de menor produção de petróleo nos próximos tempos estão a levar as cotações da matéria-prima a disparar. O Brent chegou a ganhar quase 20%, a maior subida de 1991, para superar os 70 dólares, tendo aliviado, entretanto, a tendência positiva, mas segue nos 65 dólares. E nos EUA, o West Texas Intermediate está nos 60 dólares.
A escalada das cotações reflete, pois, os receios em torno de um desequilíbrio entre a oferta e a procura, apesar de a Saudi Aramco estar a procurar restabelecer rapidamente a produção. Chegou a avançar que poderia voltar a ter as instalações operacionais esta segunda-feira de manhã, mas a data tem vindo a ser adiada.
Depois, vem a questão da segurança das instalações petrolíferas, especialmente as da Arábia Saudita, que deverá passar a ser tida em conta como um risco, levando o mercado a incluir um prémio nas cotações do petróleo.
Quem não se lembra de que Saddam Hussein jurou que, se fosse expulso do Kuwait pela força, o país iria arderia? E cumpriu a palavra colocando fogo em tudo. Durante a evacuação, as tropas iraquianas incendiaram aproximadamente 700 poços de petróleo pelo caminho.
Efetivamente, quando Saddam Hussein invadiu o Kuwait a 2 de agosto de 1990, colocou em movimento um conflito político que resultaria numa catástrofe ambiental devastadora causada pela ação do homem. Foi em janeiro de 1991 que o fogo começou e o último foco só foi extinto dez meses depois. No total, o fogo consumiu seis milhões de barris de petróleo por dia (por estimação). Devido ao grande número de poços em chamas, era impossível para uma ou mesmo várias equipas de bombeiros apagar todo o fogo no tempo necessário para evitar uma catástrofe global. Então, o governo do Kuwait pediu ajuda internacional. E responderam cerca de 50 países de todo o globo, incluindo a Inglaterra.
***
***
Enfim, são ataques irresponsáveis que perturbam a ecologia e a economia mundial e que podem ser focos de alteração das condições de paz onde a guerra na sua expressão clássica ainda não chegou. Eis uma boa razão para as diplomacias estarem atentas e ativas, porque, se elas falham, a guerra fica iminente e o mundo precisa de paz, que passa pela vontade política, pelo diálogo e pelo desenvolvimento.
2019.09.16 – Louro de Carvalho

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

“Se a Amazónia sofre, o mundo sofre”



Tem início no domingo, 1 de setembro, Dia Mundial de Oração pelo cuidado da Criação, a celebração ecuménica anual de oração e ação pela criaçãoO tempo da criação: cristãos unidos para defender a casa comum, que termina no dia 4 de outubro, festa de São Francisco de Assis. Milhares de pessoas estarão envolvidas na celebração e proteção do meio ambiente.
Mais de um mês para abraçar ecumenicamente e trabalhar para proteger a Criação, ameaçada pelo próprio homem. Renova-se, mais uma vez, “O tempo da Criação”, em que os cristãos do mundo inteiro e e diversas confissões se unem em oração e ação para cuidar da Casa Comum. É um comité diretivo ecuménico que sugere anualmente um tema para a celebração. O tema para 2019 é: “A rede da vida”. De facto, está a acelerar a perda de espécies. Um relatório recente das Nações Unidas estima que o estilo de vida atual ameaça extinguir um milhão de espécies.
Em carta de 23 de maio, Dia Mundial da Biodiversidade, o Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral convidava os bispos católicos a aderirem a esta iniciativa ecuménica. O documento foi distribuído por ocasião do 4.º aniversário da Encíclica do Papa Francisco Laudato si’, para encorajar os pastores a celebrarem este tempo, estendendo às comunidades católicas o convite do Dicastério vaticano, a que se uniram o Movimento Católico Mundial pelo Clima e a Rede Eclesial Pan-Amazónica (REPAM). Este encorajamento torna-se ainda mais significativo ante a Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-Amazónica sobre o apelativo tema: “Amazónia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”.
Esta celebração começou sob os auspícios da Igreja Ortodoxa e tem sido acolhida por católicos, anglicanos, luteranos, evangélicos e outros membros da família cristã em todo o mundo. O site ecuménico SeasonOfCreation.org oferece subsídios e ideias para os cristãos participarem na celebração. Os eventos variam de encontros de adoração e oração à recolha de lixo, e pedidos de mudança política para limitar o aquecimento global a 1,5º Celsius. Outras iniciativas previstas são: em Quezon City, Filipinas, o Cardeal Luis Antonio Tagle, Arcebispo de Manila, presidirá uma missa, depois da qual serão plantadas árvores trazidas de áreas indígenas para a cidade; em Altamira, voluntários da Amazónia brasileira desenvolverão um projeto florestal num assentamento urbano; em Lukasa, Zâmbia, a Liga das Mulheres Católicas apresentará uma discussão sobre o meio ambiente na paróquia de São José Mukasa.
A este respeito, o Patriarca de Constantinopla Bartolomeu, na sua mensagem para o Dia de Oração pela Salvaguarda da Criação, escreveu:
A questão ecológica revela que o mundo é um só, que os problemas são globais e comuns. Para enfrentar os perigos é, portanto, necessária uma mobilização multilateral, uma convergência, uma colaboração, uma cooperação.”.
E pode ler-se ainda no seu texto:
É inconcebível que a humanidade esteja consciente da gravidade do problema e que continue a comportar-se como se não o conhecesse. Embora nas últimas décadas o principal modelo de desenvolvimento económico, no contexto da globalização sob a bandeira do fetichismo dos índices económicos e da maximização do lucro, tenha exacerbado os problemas ecológicos e sociais, continua a dominar amplamente a opinião de que ‘não há alternativa’ e que o não se conformar com o severo determinismo da economia levará a situações sociais e económicas incontroláveis. Desta forma, se ignoram e se desacreditam as formas alternativas de desenvolvimento e a força da solidariedade social e da justiça.”.
E Tomás Ínsua, diretor executivo do Movimento Católico Mundial pelo Clima, disse:
Só agindo em conjunto, à luz da nossa Igreja e do Espírito Santo, poderemos avançar. Nos últimos meses, incêndios violentos destruíram florestas na Amazónia, ondas de calor fizeram soar sinais de alarme em toda a Europa e a massa de gelo está a derreter-se num ritmo inimaginável, aumentando o nível do mar. Todos estes problemas partilham uma solução importante: devemos empreender a ‘conversão ecológica’ requerida por São João Paulo II, que o Papa Francisco expandiu para Laudato Si’.”.
***
Enquanto a Amazónia arde, o Presidente brasileiro entra com uma birra: escarnece a mulher de Macron, que não gostou da brejeirice, e exige um pedido de desculpa de Macron para aceitar a ajuda financeira da Europa para combater os fogos na grande floresta (São já milhões de hectares ardidos). Ora, começa a entrar no ouvido o estribilho curto, mas cheio de significado: “Se a Amazónia sofre, o mundo sofre.
Entretanto, a CEPSMH (Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana) da CEP (Conferência Episcopal Portuguesa), emite uma nota da sobre o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, que se assinala a 1 de setembro, estribada nas seguintes palavras do Papa Francisco:
Os pulmões do planeta repletos de biodiversidade que são a Amazónia e a bacia fluvial do Congo ou os grandes lençóis freáticos e os glaciares. Não se pode ignorar a importância destes lugares para o conjunto do planeta e para o futuro da humanidade. Os ecossistemas das florestas tropicais possuem uma biodiversidade de enorme complexidade, quase impossível de conhecer completamente, mas, quando estas florestas são queimadas ou derrubadas para desenvolver cultivos, em poucos anos perdem-se inúmeras espécies ou tais áreas transformam-se em áridos desertos. Todavia, ao falar sobre estes lugares, impõe-se um delicado equilíbrio, porque não é possível ignorar os enormes interesses económicos internacionais que, a pretexto de cuidar deles, podem atentar contra as soberanias nacionais. (Laudato si’, 38).
Diz a CEPSMH que, se tivesse que reduzir a nota a uma só palavra, essa palavra seria “Amazónia”, pois, como dizia ao Papa, a 25 de agosto, aos peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, “estamos todos preocupados pelos vastos incêndios que deflagram na Amazónia”, pelo que incitou à oração para que, “com o compromisso de todos, sejam dominados o mais rapidamente possível”, uma vez que “este pulmão de florestas é vital para o nosso planeta”.
Na Nota de 2018, a Comissão citou o Documento preparatório para o Sínodo da Amazónia, a realizar no próximo mês de Outubro; agora, ao ler o Instrumentum laboris, ficou impressionada com a qualidade da reflexão que permitirá “ensaiar novos e corajosos passos do nosso ser Igreja que nos lancem para o futuro, guiados pelo Espírito Santo, na continuidade do Concílio Vaticano II”. A Nota coloca os Bispos portugueses em união com os Bispos do Brasil (CNBB) e de toda a América Latina (CELAM), afirmando com eles: “Se a Amazónia sofre, o mundo sofre”.
Também a CEPSMH salienta estarem bem patentes entre nós as preocupações pelas consequências das alterações climáticas. Com efeito, já em Abril de 2017 a CEP publicou a Nota Pastoral “Cuidar da casa comum, prevenir e evitar os incêndios” sobre esta realidade que todos os anos nos afeta, vincando que “a diminuição do caudal dos rios e o risco de seca que continua são suficientes para recomendar uma especial prudência no gasto da água”.
Assim, a CEPSMH “convida todas as comunidades cristãs a dar graças a Deus pela Criação e a pedir ao Criador a conversão dos nossos corações e a dos corações daqueles de quem dependem as efetivas mudanças nas políticas públicas que têm tido estas ‘dramáticas consequências da degradação ambiental na vida dos mais pobres do mundo’.” (LS, 13).
***
A agência Ecclesia lê a Nota da Comissão Episcopal de Pastoral Social e Mobilidade Humana, de 29 agosto, como sendo a manifestação da associação da Igreja Católica (e não só dos Bispos portugueses) aos alertas pela situação na Amazónia, afetada por incêndios em vários dos países que abrange e uma forte intenção para o próximo Dia Mundial de Oração pela Criação.
O texto da Nota evoca a preocupação manifestada pelo Papa, no último domingo, com os “vastos incêndios que deflagram na Amazónia”, considerada por Francisco (e não só) como um “pulmão de florestas” vital para o planeta.
“Estas palavras do Papa, na Praça de São Pedro, exprimem também o nosso apelo e o nosso sentir”, assinala a Comissão Episcopal de Pastoral Social e Mobilidade Humana.
O supradito organismo da CEP aponta ainda o próximo Sínodo especial sobre a Amazónia, convocado para o próximo mês de outubro, pelo Papa, elogiando o instrumento de trabalho:
Ficamos impressionados com a qualidade da reflexão que permitirá, estamos certos, ensaiar novos e corajosos passos do nosso ser Igreja que nos lancem para o futuro, guiados pelo Espírito Santo, na continuidade do Concílio Vaticano II”.
A Igreja Católica instituiu o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado pela Criação por decisão de Francisco em 2015, após a publicação da encíclica ‘Laudato si’, Sobre o cuidado pela Casa Comum’, em junho desse ano, associando-se às comunidades ortodoxas e outras Igrejas cristãs.
A CEPSMH assinala outrossim, na mensagem para a celebração de 2019, o alerta para as consequências “bem patentes” das alterações climáticas em Portugal, nos incêndios, na “diminuição do caudal dos rios e o risco de seca”, recomendando “uma especial prudência no gasto da água”. E convida todas as comunidades cristãs a “dar graças a Deus pela Criação e a pedir ao Criador a conversão dos corações” para efetivas mudanças em políticas públicas que têm tido “dramáticas consequências da degradação ambiental na vida dos mais pobres do mundo”.
Também a rede ‘Cuidar da Casa Comum’ vai promover iniciativas englobadas no Dia Mundial de Oração pelo Cuidado com a Criação, com textos de reflexão e o encontro ‘Também somos Terra’, que se realizará no dia 21 de setembro, entre as 11 horas e as 18, na casa das Irmãs Doroteias, no Linhó, perto de Sintra, que se encerra com uma celebração ecuménica. E a organização aponta que “Também somos Terra” é “um dia de festa, de ação de graças pelo dom da criação, de alegria e esperança, porque, apesar de tudo, o Criador é por nós”.
***
Na linha de preparação para o Sínodo para a Amazónia e no âmbito do alerta para os incêndios na grande região que abrange sete países, a Arquidiocese de Belém está a receber entre os dias 28 e 30 de agosto os bispos de toda a Amazónia Brasileira.
Na verdade, organizado pela CEA (Comissão Episcopal Especial para a Amazónia), com apoio da REPAM-Brasil (Rede Eclesial Pan-amazónica),  o encontro, realizado no Centro de Espiritualidade Monte Tabor, da Arquidiocese de Belém, visa estudar o Documento de Trabalho do Sínodo, bem como partilhar as experiências das escutas e da caminhada do processo sinodal nas dioceses e prelazias da Amazónia.
Participa neste encontro de estudo Dom Walmor Oliveira de Azevedo, Arcebispo de Belo Horizonte (Minas Gerais) e presidente da CNBB. E também estão presentes neste encontro  Dom David Martinez de Aguirre Guiné, bispo de Puerto Maldonado, no Peru, e o Padre Michael Czerny, subsecretário da Secção Migrantes e Refugiados para o Serviço de Desenvolvimento Integral Humano, nomeados secretários do Sínodo para a Amazónia, bem como Cristiane Murray, da secretaria do Sínodo e vice-diretora da Sala de Imprensa da Santa Sé. E Alfredo Ferro, de Letícia, na Colômbia, da equipa de assessores da REPAM internacional e assessores da REPAM-Brasil auxiliam na realização do encontro. Essa é a última atividade antes do Sínodo, em outubro, que reunirá todos os bispos da Amazónia brasileira, bispos de outros países cujo território integra o  bioma e bispos do mundo todo.
Sobre o Documento de Trabalho do Sínodo, que será objeto da reflexão dos bispos, Dom Walmor destacou que há uma leitura antropológica muito pertinente rumo à perspectiva da ecologia integral. Porém, o presidente da CNBB reforçou que o maior desafio, ainda nesta fase de preparação, é reforçar a leitura teológica, uma vez que a tarefa principal da Igreja é a evangelização e o anúncio de Jesus Cristo. E disse:
Enfrentaremos estes desafios e fá-lo-emos do melhor modo possível para que o Sínodo, atividade que está em profunda sintonia com o coração do papa Francisco, represente uma grande contribuição para a Amazónia, para a Igreja no Brasil e no mundo”.
Na abertura do encontro, na manhã do dia 28, Dom Walmor afirmou que a Conferência deve acompanhar a partir de agora o caminho sinodal com uma programação e um planeamento de comunicação para abrir mais o coração da nossa própria Igreja e também da sociedade civil, pois a importância do que se trata, do que aborda, daquilo que nós queremos e esperamos, precisa repercutir muito no coração da nossa Igreja e também no coração da sociedade. Para o prelado, a intenção da Igreja não é apenas realizar um evento, “mas dar passos novos”, incentivando o envolvimento nas ações que superem os vários ruídos e incompreensões que se têm apresentado em relação ao Sínodo ou os tratem de forma adequada. O importante é que haja “uma repercussão muito boa e importante de tudo aquilo que se trata e se tratará durante o Sínodo e daquilo que virá na exortação pós-sinodal”.
Dom Walmor reforçou ainda a importância deste sínodo para a Igreja, declarando: 
O Sínodo da Amazónia, buscando novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral, toca tudo o que a Igreja precisa para sair da inércia, ilumina todos os pontos onde existem sombras e dará a possibilidade de um impulso novo.
O Presidente da CNBB ainda refletiu sobre a questão de que a evangelização da Amazônia em debate no Sínodo não está relacionada com apenas um aspeto: 
Um Sínodo da Amazónia, já no seu instrumento de trabalho e naquilo que poderemos verificar, mostra o global da Amazónia. Refiro, por exemplo, que evangelização tem a ver com saúde, evangelização tem a ver com uma nova ordem social e política, evangelização tem a ver com espiritualidade profunda. E o Sínodo da Amazónia, de um modo muito singular e qualificado, dá-nos essa oportunidade.”.
Coordenado pelo cardeal Cláudio Hummes, presidente da CEA e da REPAM e relator do Sínodo para a Amazónia, o encontro conta com a participação de todos os bispos titulares e auxiliares das 56 dioceses e prelazias da Amazónia Brasileira. Participam também leigas, leigos e religiosos, lideranças dos 6 regionais da CNBB que compõem a região, para contribuir com as vozes das realidades e na interlocução com os bispos.
Recorde-se que o Sínodo para Amazónia, a realizar  no Vaticano entre os dias 6 e 27 de outubro próximo, é uma resposta do Papa Francisco à realidade da Pan-Amazónia. De acordo com Francisco, “o objetivo principal desta convocação é identificar novos caminhos para a evangelização daquela porção do Povo de Deus, especialmente dos indígenas, frequentemente esquecidos e sem perspetivas de um futuro sereno, também por causa da crise da Floresta Amazónica, pulmão de capital importância para o planeta”.
Que os novos Santos intercedam por este evento eclesial para que, no respeito da beleza da Criação, todos os povos da terra louvem a Deus, Senhor do universo, e por Ele iluminados, percorram caminhos de justiça e de paz.  
***
Enfim, a Igreja dos leigos e da hierarquia, a instituição e a entidade espiritual e dinâmica, toda ela zela pelo bem da Amazónia e do planeta em tempo emergente de desmatamento e incêndios e em todo o tempo, o tempo da estruturação, da preservação e da conquista dum novo modo de encarar o mundo, não o sacrificando aos interesses iconoclastas sem o sentido do homem e da sociedade.
2019.08.30 – Louro de Carvalho   

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

O certo é que a Amazónia, o pulmão do mundo, está a arder


Imagens captadas pela NASA mostram o fumo vindo da Amazónia, onde ocorrem 52,6% dos fogos do Brasil. Os fogos aumentam ali e os fumos escurecem os céus. Bolsonaro diz que o alto número de incêndios na Amazónia é normal, já que “é época de queimada por lá” e responde ironicamente a quem o responsabiliza e diz que passou de “Capitão motosserra” a “Nero”.
Segundo os observadores, o número de incêndios no Brasil cresceu 84% até ao dia 20 de agosto deste ano (o país registou 74.155 focos até esse dia), em comparação com período homólogo de 2018.
Na Amazónia, o bioma (conjunto de ecossistemas) mais afetado no país, a dimensão dos fogos já permitiu que manchas de fumo fossem captadas em imagens da NASA.
Segundo o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), a Amazónia regista 39.033 focos, ou seja, 52,6% dos incêndios no país, seguindo-se o cerrado (ecossistema que cobre um quarto do território do Brasil) com 30,1% dos focos registados, neste ano, até agora.
Nas imagens de satélites da NASA podem ver-se 4 dos 8 estados que a Amazónia – região coberta de manchas de fumo – ocupa no país: Mato Grosso, Amazonas, Rondónia e Pará. E Mato Grosso é o estado com mais focos de incêndios no Brasil, com 13.999, sendo seguido pelo Pará, com 9.818. O número de focos de incêndio no país já é o maior dos últimos 7 anos.
Sobre o fenómeno dos incêndios, a agência explica que em “julho e agosto a atividade tipicamente aumenta, devido à chegada da época seca”, mas costuma atingir “o seu pico no início de setembro”. Embora o caso no território brasileiro seja crítico, a NASA garante que no território da bacia amazónica – que percorre 8 países diferentes – o registo de incêndios “estava ligeiramente abaixo da média em comparação com os últimos 15 anos”.
A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta. Tem cerca de 5 milhões e meio de quilómetros quadrados e inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (território pertencente à França).
Jair Bolsonaro reagiu à divulgação dos dados, lamentando a responsabilidade que lhe atribuem na destruição da Amazónia e dizendo com ironia que passou de “capitão motosserra” a “Nero”, o imperador acusado de incendiar e destruir Roma.
Depois de responder ironicamente, Bolsonaro passou ao ataque e colocou em cima da mesa a possibilidade de os incêndios que deflagram na Amazónia brasileira terem sido causados por ONG (Organizações Não Governamentais) para prejudicarem o Governo, estando na origem de tais ações os cortes em fundos do Governo destinados a essas organizações.
A agência Reuters refere que, ao perguntarem ao Presidente brasileiro, à saída do Palácio da Alvorada, em Brasília, se tinha provas que justificassem as acusações, Bolsonaro disse que não existia nada escrito e acrescentou:
Não é assim que as coisas funcionam (…) O crime existe, e isso aí nós temos que fazer o possível para que esse crime não aumente, mas nós tiramos dinheiros de ONG. Dos repasses de fora, 40% ia para as ONG. Não tem mais. (…) De forma que esse pessoal está sentindo a falta do dinheiro.”.
No início de agosto, o Governo do Amazonas decretou situação de emergência no sul do Estado e na Região Metropolitana de Manaus devido ao “impacto negativo da desflorestação ilegal e queimadas não autorizadas”.
Segundo o site do Estado do Amazonas, “o Amazonas registou, de janeiro a julho deste ano, 1.699 focos de calor (focos com temperatura acima de 47°C, registados por satélite, que indicam a possibilidade de fogo) e, destes, 80% foram registados em julho, mês em que teve início o período de estiagem”.
Também o Governo do Acre declarou, no dia 16, o estado de alerta ambiental devido aos incêndios em matas.
O pesquisador Alberto Setzer explicou ao jornal Estadão que o clima em 2019 está mais seco do que no ano passado, o que propicia incêndios, mas garante que grande parte deles não tem origem natural. E frisou:
Nesta época do ano não há fogo natural. Todas essas queimadas são originadas em atividade humana, seja acidental, seja propositada. A culpa não é do clima, ele só cria as condições, mas alguém coloca o fogo.”.
A expectativa do especialista é que a situação piore nas próximas semanas com a intensificação da seca. E o INPE, órgão do governo brasileiro que faz o levantamento dos dados sobre a desflorestação e queimadas no país, foi alvo de críticas recentes por parte do Presidente Bolsonaro, que acusou o Instituto de estar a serviço de algumas ONG, por divulgar dados que apontam para o aumento da desflorestação da Amazónia sem primeiro os mostrar à tutela.
***
O Presidente brasileiro quer mesmo sair airosamente da cena dos incêndios. Estranha que os incêndios deflagrem em diversas áreas da Amazónia e, por isso, acredita que podem fazer parte de um alegado plano orquestrado para prejudicá-lo, embora não tenha apresentado qualquer prova para fundamentar as suas suspeitas. E diz a este respeito:
Então, pode estar havendo, sim, pode, não estou afirmando, ação criminosa desses ‘ongueiros’ para chamar a atenção contra a minha pessoa, contra o Governo do Brasil. Essa é a guerra que nós enfrentamos.”.
O Chefe de Estado voltou a afirmar que as ONG que atuam na proteção do ambiente no Brasil estariam ao serviço de “interesses estrangeiros”.
Dados INPE, com base em imagens de satélite, indicam que as queimadas no Brasil aumentaram 82% de janeiro a agosto deste ano, em comparação com o mesmo período de 2018. Neste ano, o INPE já detetou 72 843 queimadas no país ao passo que, em 2018, detetou 39 759.
No dia 19, uma nuvem de fumo produzida por queimadas no Paraguai, Bolívia e também na região amazónica dentro do território do Brasil, transformou o dia em noite na cidade de São Paulo, onde o céu pareceu escurecer pouco depois das 15 horas locais.
***
Por seu turno, as ONG brasileiras apontam que os incêndios “refletem irresponsabilidade de Bolsonaro”. São declarações que surgiram horas depois de o Presidente ter dito que as ONG brasileiras podem ser responsáveis pelos incêndios que estão a destruir a Amazónia.
A coordenação do Observatório do Clima, coligação de cerca de 50 ONG brasileiras em prol do ambiente, afirma que o “recorde de queimadas no país reflete a irresponsabilidade do Presidente Jair Bolsonaro”. O grupo indicou em comunicado: 
O fogo reflete a irresponsabilidade do Presidente com o bioma (conjunto de ecossistemas) que é património de todos os brasileiros, com a saúde da população da Amazónia e com o clima do planeta, cujas alterações alimentam a destruição da floresta e são por ela alimentadas, num círculo vicioso. (…) As queimadas são apenas o sintoma mais visível da antipolítica ambiental do Governo de Jair Bolsonaro e do seu Ministro do Meio Ambiente, o ímprobo Ricardo Salles, que turbinou o aumento da taxa de desflorestação no último ano.”.
O Observatório do Clima frisa que, desde que assumiram os seus mandatos, Bolsonaro e Salles têm “desmontado as estruturas de governança ambiental e os órgãos de fiscalização”. Alguns dos exemplos citados pelo grupo de ONG são a extinção de órgãos responsáveis por planos de controlo da desflorestação na Amazónia, os cortes de verbas dedicadas à proteção ambiental, a redução de ações de fiscalização e a suspensão do Fundo Amazónia.
Pode ler-se no site da predita coligação das ONG:
A combinação de autoritarismo e fanatismo ideológico do Presidente e do seu ministro transformam em fumaça não apenas as árvores da Amazónia e a reputação do Brasil, mas também o bem-estar de uma população que o Governo federal deveria proteger e o nosso acesso a mercados internacionais e a investimentos”.
***
Da responsabilidade do Capitão Motosserra e Nero (assim se autoapelidou Bolsonaro) dos incêndios na Amazónia, que o Presidente diz ser “nenhuma”, além das ONG, falam outras entidades.
De facto, a dimensão dos incêndios é assustadora, Só nesta semana arderam 68 áreas protegidas no Brasil, em terras indígenas e em unidades de conservação. De 2018 para 2019, o número de incêndios (quase 73 mil focos de incêndio em 2019) cresceu 83%, incluindo áreas indígenas. Especialistas afirmam que há relação entre a política de desmatamento de Bolsonaro e os fogos. E o Ministro do Meio Ambiente fala em fake news e sensacionalismo.
No passado dia 19, os quase 20 milhões de paulistanos assustaram-se por, a meio de uma tarde supostamente de sol, verem afinal o céu escuro, preto, como se estivessem no meio de um filme apocalíptico de ficção científica. Entretanto, voos no norte do país foram desviados das rotas por falta de visibilidade causada pelo excesso de fumo. No Parque Nacional da Ilha Grande, no Paraná, arderam 33 mil hectares, a Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso, perdeu 12% da sua área, o Parque do Araguaia, no Tocantins, soma mais de 1000 incêndios este ano.
E a pergunta política do momento no Brasil é: O aumento dos incêndios tem a ver com o desmatamento promovido pelo presidente Jair Bolsonaro ou não?
Segundo o IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazónia), outro órgão governamental, há relação entre desmatamento e incêndios: os municípios com mais problemas de fogos (em Estados como a Rondónia, o Roraima, o Pará e o Amazonas) são aqueles onde houve mais desmatamento.
Arnaldo Carneiro, pesquisador daquele Instituto frisa que “todo o desmatamento gera uma queimada”. E o académico aponta o dedo a Bolsonaro pelo enfraquecimento da fiscalização ambiental promovido pelo Governo, que acusa os diversos institutos públicos de agirem como “ambientalistas xiitas”. Ricardo Salles, o controverso Ministro do Meio Ambiente, chamou de fake news a associação da escuridão vespertina de São Paulo ao desmatamento, baseado em dados de especialistas que atribuem a situação à frente fria associada a queimadas no Paraguai. E, no âmbito dos incêndios, culpou apenas o tempo seco.
Assim, as opiniões dividem-se: Bolsonaro, que pergunta se querem que culpe os marcianos ou os índios, atribui o aumento de 83% dos incêndios em 2019 – que alastram pela Amazónia e vão deixando cidades às escuras a meio da tarde e obrigando voos a desviarem a rota por falta de visibilidade, entre outros efeitos – ao vento, a queimadas e até a fogos postos por ONG brasileiras; os institutos públicos ambientalistas apontam o dedo ao Planalto, encontrando relação entre as políticas do Ministério do Meio Ambiente, de incentivo ao desmatamento, e o aumento dos incêndios; e Marina Silva, ex-ministra da área e candidata à presidência por três vezes fala em “barbárie”.
Na escalada de argumentos, Bolsonaro chegou até a avançar com a possibilidade de terem sido ONG brasileiras a atear fogo na floresta, acusação que reiterou hoje, dia 22, interpelando:  
Quer que eu culpe os índios? Quer que eu culpe os marcianos? É, no meu entender, um indício fortíssimo que é esse pessoal de ONG que perdeu a teta deles, é simples.”.
O Presidente até admitiu que a culpa pelos incêndios pode ser dos fazendeiros, garantindo: “Todo o mundo é suspeito. Mas a maior suspeita vem de ONG.”. “Não se tem prova disso. Ninguém escreve isso: eu vou queimar lá”.
Na véspera, justificara o alto número de incêndios na floresta com a estação do ano: “É a época da queimada por lá...”.
O Ministro do Meio Ambiente atribui “ao tempo seco, vento e calor o aumento dos incêndios em todo o país”. Pelo Twitter anunciou:
Os membros do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente, além de equipamentos e aeronaves, estão integralmente à disposição dos estados e já em uso”.
O jornal O Estado de S. Paulo noticiou que o dinheiro usado para combater os fogos vem da verba destinada por países europeus para preservar a Amazónia, apesar de o Presidente ter dito que o Brasil não precisava disso, numa troca de farpas com o Governo alemão e o norueguês.
O susodito ministro foi vaiado durante o 3.º dia da Semana Latino-Americana e Caribenha do Clima, realizada em Salvador, pelo que recusou falar à imprensa presente e alterou a sua agenda.
Os especialistas, que se têm manifestado sobretudo por meio de comunicados oficiais, discordam de Bolsonaro e de Salles. E, segundo uma nota técnica dos pesquisadores do IPAM, “as chamas costumam seguir o rasto do desmatamento: quanto mais derrubadas as árvores, maior é o número de focos de calor”. O levantamento feito pelo Instituto aponta que os dez municípios amazónicos que mais registaram focos de incêndios foram também os que tiveram maiores taxas de desmatamento, na Rondónia, no Roraima, no Pará e no Amazonas.
Recorde-se que Arnaldo Carneiro, apontando o dedo ao Governo pelo enfraquecimento da fiscalização ambiental, diz que “todo o desmatamento gera uma queimada”.
Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente, diz que o Governo “é irresponsável” e vinca:
A Amazónia está em chamas. O Ministro do Meio Ambiente fala em fake news e sensacionalismo. O presidente diz que ONG podem estar por trás disso. A falta de compromisso com a verdade é uma patologia crónica. Essa atitude irresponsável só agrava a emergência ambiental no Brasil. (…) Estamos vivendo um momento de barbárie ambiental no Brasil, promovida pelo governo Bolsonaro. O povo brasileiro, sua parcela sensível e consciente, deve responder em nome das gerações futuras, da Amazónia e de toda a natureza.”.
O colunista Joel Pinheiro da Fonseca, do jornal Folha de S. Paulo, escreveu: 
Queimar o património ambiental parece ser projeto. (…) A população não deixa de corresponder ao discurso que vem de cima. No dia 10, fazendeiros e grileiros [pessoas que se apossam ilegalmente de terras] do sul do Pará promoveram um ‘dia do fogo’, produzindo queimadas em nível recorde.”.
O Amazonas – o enorme estado no noroeste do Brasil, coberto quase na sua totalidade pela floresta tropical da Amazónia, cuja capital, Manaus, um porto fluvial com pontos de referência que datam do ciclo da borracha de finais do século XIX, incluindo o Teatro Amazonas, uma grande casa de ópera, marca o “Encontro das Águas”, onde o rio Negro, de água negra, e o rio Solimões se juntam para formar o rio Amazonas está em 3.º lugar no ranking das queimadas neste ano com 7003 focos de incêndio, 5305 apenas em agosto, até ao dia 19. Entre 2018 e 2019, o estado do norte do Brasil registou um aumento de 146% no número de incêndios florestais. Na Rondónia, o número de queimadas disparou 190%. O estado está desde o início de agosto coberto por fumo. Pelo menos dois voos comerciais com destino ao Estado já foram desviados das rotas por falta de visibilidade pelo excesso de fumo. Mato Grosso, entretanto, é o Estado com maior quantidade de queimadas: já foram registados mais de 13 mil focos de incêndio entre janeiro e agosto deste ano. Os efeitos fazem-se sentir mesmo na região sudeste, em pontos a 2200 km da Amazónia, como São Paulo. Especialistas apontaram também queimadas no Paraguai e uma frente fria como outras causas, além das queimadas, para o escurecimento dos céus.
***
Enfim, a salvação da Amazónia, pulmão do mundo, passa também pela travagem aos incêndios!
2019.08.22 – Louro de Carvalho

sábado, 27 de julho de 2019

Golas aquecem muito e cheiram a cola


No âmbito dos programas Aldeia Segura” e Pessoas Seguras” – cujos objetivos são, entre outros, incentivar a consciência coletiva de que a proteção é responsabilidade de todos, apoiar o poder local na promoção da segurança, implementar estratégias de proteção das localidades face a incêndios rurais e sensibilizar as populações para a adoção de práticas que minimizem o risco de incêndio –, a Proteção Civil distribuiu golas antifumo com material inflamável às chamadas “Aldeias Seguras”.
São 70 mil golas que fazem parte dos ‘kits’ de emergência distribuídos pela Proteção Civil, que importaram no custo de 328 mil euros, no cumprimento daqueles programas cuja execução resulta de protocolo assinado entre a ANEPC (Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil), a ANMP (Associação Nacional de Municípios Portugueses) e a ANAFRE (Associação Nacional de Freguesias).
A ANEPC diz que aquelas golas antifumo, fabricadas com material inflamável e sem tratamento anticarbonização e que o JN (Jornal de Notícias) diz que importaram em 125 mil euros (O valor de mercado de cada gola é 74 cêntimos, mas cada uma custo cerca de 1,80€), “não assumem caraterísticas de equipamento de proteção individual, e muito menos de combate a incêndios, mas são “material de informação e sensibilização”.
Segundo o JN, as golas antifumo, fabricadas em poliéster, “não têm a eficácia que deveriam ter: evitar inalações de fumos através de um efeito de filtro”.
São quase duas mil povoações que receberam, ao abrigo destes programas, estes e outros equipamentos, como coletes refletores, que na sua composição têm matérias combustíveis.
Os preditos programas estão a ser implementados desde 2018 em vários municípios e somam, segundo o jornal, 1507 oficiais de segurança local, aos quais incumbe o encaminhamento das populações para os locais de abrigo.
Dois oficiais de segurança do distrito de Castelo Branco disseram ao JN que a gola aquece muito e cheira a cola; e queixaram-se do colete refletor, também feito em poliéster. E João Paulo Saraiva, presidente da Aprosoc (Associação de Proteção e Socorro), criticou através do JN:
Deveriam fornecer máscaras e não golas inflamáveis, que são a prova de que o programa é uma falácia. Em vez da sensibilização, querem pôr as pessoas a evacuar aldeias, onde não faltam pessoas muito idosas. Nos testes que fizeram, estiveram sempre a GNR e os bombeiros. Mas nos cenários reais, as pessoas estão sozinhas e com esse tipo de proteções.”.
Ao aludido jornal, Ricardo Peixoto, representante da Foxtrot Aventura, empresa de Fafe, no distrito de Braga, a quem a ANEPC comprou 15 mil ‘kits’ de emergência e 70 mil golas em junho de 2018, disse que considerava tratar-se “merchandising” e que a entidade não referiu que os equipamentos “seriam usados em cenários que envolvem fogo”. Mais declarou:
Se assim fosse, as golas seriam de outro material e com tratamento para suportar esses cenários [de fogo] (...) Juro que achei que isto seria usado em ações de ‘merchandising’.”.
Fonte da ANEPC, referindo ao JN que os equipamentos não passam de “estímulo à implementação local dos programas” e “não são equipamento de proteção individual”, declarou:
Estes materiais não assumem caraterísticas de equipamento de proteção individual, nem se destinam a proporcionar proteção acrescida em caso de resposta a incêndios”.
Em comunicado, a ANEPC reiterou essa mensagem, lembrando que os programas “decorrem da Resolução do Conselho de Ministros n.º 157-A/2017, de 27 de outubro, e visam capacitar as populações no sentido de reforçar a segurança de pessoas e bens mediante a adoção de medidas de autoproteção e a realização de simulacros aos planos de evacuação das localidades”. Trata-se, segundo a ANEPC, da primeira grande campanha nacional orientada para a autoproteção da população relativamente ao risco de incêndio rural, bem como à sensibilização para as boas práticas a adotar neste âmbito. No âmbito destes programas foram produzidos e distribuídos diversos materiais de sensibilização, designadamente o Guia de Implementação dos Programas, os Folhetos de Sensibilização multilingues, a Sinalética identificativa de itinerários de evacuação e de locais de abrigo ou refúgio e os kits’ de emergência. Assim, é sublinhado o seguinte:
Importa reforçar que estes materiais não assumem caraterísticas de equipamento de proteção individual, e muito menos de combate a incêndios. Trata-se, sim, de material de informação e sensibilização sobre como devem agir as populações em caso de incêndio, aumentando a resiliência dos aglomerados populacionais perante o risco de incêndio rural..
Os ‘kits’ são compostos por um colete, uma gola antifumo, um apito, uma bússola e uma lanterna, uma garrafa de água e uma barra energética (de cereais) e ainda um conjunto de primeiros socorros e estão a ser distribuídos desde o verão de 2018 em zonas de risco elevado de incêndio no âmbito dos mencionados programas.
Segundo o JN deste sábado, a Proteção Civil pagou o dobro do preço pelas golas, que foram produzidas em material inflamável – o valor de mercado será de 74 cêntimos cada, mas o Estado pagou 1,80 euros. Ao todo, desembolsou 125 706 euros à Foxtrot Aventuras, empresa que é propriedade do marido da presidente da junta de freguesia de Longos (Guimarães), do PS.
A empresa justificou os preços mais elevados pela urgência na entrega dos produtos e pela dimensão da encomenda.
A ANEPC diz que a Foxtrot Aventuras, propriedade de Ricardo Peixoto Fernandes (marido da autarca socialista Isilda Silva), foi a única das cinco empresas que convidou para proporem preços a avançar com uma proposta, pelo que ficou com o fornecimento dos kits, que incluem as golas inflamáveis, por 328 656 euros, segundo o JN.
Segundo uma nota do MAI (Ministério da Administração Interna), nesse âmbito, foram produzidos diversos materiais, como o Guia de Apoio à Implementação, kits de sinalética de apoio a planos de evacuação, kits de autoproteção com o objetivo de sensibilizar a população para os comportamentos preventivos a adotar em caso de evacuação, confinamento ou refúgio, golas tendo em vista sensibilizar a população para a importância de, em caso de proximidade de incêndio, adotarem uma conduta de proteção das superfícies expostas do corpo (cara e pescoço) e de proteção das vias respiratórias (redução da inalação de fumos). A estes materiais, o MAI acrescenta os coletes de identificação destinados aos Oficiais de Segurança Local “que asseguram a comunicação direta à população”, bem como folhetos multilingues sobre condutas de autoproteção e instrumentos audiovisuais de comunicação e divulgação.
Em entrevista à SIC Notícias, Patrícia Gaspar, comandante operacional da ANEPC e que coordenou o incêndio do ano passado em Monchique, sustentou as explicações da ANEPC e foi mais longe ao dizer que os ‘kits’ entregues – desde o verão do ano passado – eram o pontapé de saída para um programa em que kits válidos iriam ser distribuídos. E, quanto os que já foram entregues, esclareceu que são apenas “uma proteção ligeira para situações pontuais”.
As novas explicações da ANEPC chegaram depois de o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, Jaime Marta Soares, ter dito que a Proteção Civil devia ter imediatamente apresentado pedido público de desculpas sobre a distribuição de golas antifumo com material inflamável, bem como “proceder à sua substituição”. E o dirigente associativo declarou ao DN:
A autoridade foi negligente. É grave e inaceitável. Dizer que é só para sensibilizar é pior a emenda que o soneto, não deviam ter ido por aí. Não deviam ter dito isso.”.
E, lembrando que podia esta negligência grave ter tido consequências lamentáveis, caso alguém tivesse usado a gola, que é inflamável – e, em vez de se salvar, podia matar-se –, reforçou: “É grave e inaceitável”. “Aquilo não é para uma brincadeira, não é só para andar com aquilo às costas para brincar aos incêndios”, vincou Jaime Marta Soares.
***
A Câmara Municipal de Sintra, que tem 12 aldeias nos programas “Aldeia Segura” e “Pessoas Seguras”, já anunciou que vai “recolher de imediato todos os componentes inflamáveis” do ‘kit’ entregue pela ANEPC. Com efeito, em resposta à Lusa, a autarquia informou que “desconhecia” as informações vindas a público sobre a composição dos materiais que compõem o ‘kit’ destes programas, e que o presidente da Câmara Municipal, Basílio Horta (eleito pelo PS), decidiu recolher estes materiais, nomeadamente coletes e golas. E os materiais recolhidos serão substituídos por “equipamento que garanta a segurança dos voluntários”.
No município de Sintra, a ANEPC disponibilizou, segundo fonte da autarquia, ‘kits’ aos 24 oficiais de segurança dos programas “Aldeia Segura” e “Pessoas Seguras” – dois por cada uma das 12 aldeias – e, no âmbito de sessões de esclarecimento, distribuiu “cerca de 30 golas” à população. A Câmara Municipal contabilizou a necessidade de substituir 24 coletes e cerca de 54 golas, processo que vai ser assegurado “durante a próxima semana”.
***
Por sua vez, o Ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, falando em Mafra, no dia 26, após a celebração do contrato de cooperação Interadministrativo com o município de Mafra para a construção dos Postos Territoriais da GNR do Livramento e Malveira, recusou-se a responder sobre o objetivo da distribuição destas golas com material inflamável, bem como o que as populações devem fazer com elas e disse que é “irresponsável e alarmista” a notícia sobre as golas antifumo com material inflamável distribuídas no âmbito dos programas “Aldeia Segura” e “Pessoas Seguras”.
Para o governante, que vincou a importância do programa que está em curso em mais de 1.600 aldeias do país (alguns dizem cerca de 2000) e assegurou que a distribuição das golas antifumo não põe em causa nem o projeto nem a segurança das pessoas, a notícia “verdadeiramente irresponsável e alarmista” revela desconhecimento de questões técnicas que a ANEPC já esclareceu. Quando confrontado pelos jornalistas sobre o facto de as golas serem feitas com material inflamável, começou por dizer visivelmente nervoso: “Não me vai pedir para falar das boinas da GNR”.
Eduardo Cabrita recusou-se, pois, a responder sobre o objetivo da distribuição destas golas com material inflamável, bem como o que as populações devem fazer com elas.
Entretanto, Eduardo Cabrita, enquanto reafirma que os ‘kits’ são material de informação e sensibilização sobre como devem agir as populações em caso de incêndio e evacuação e não de combate a incêndios, pediu à IGAI (Inspeção-Geral da Administração Interna) a abertura de um inquérito urgente sobre os aspetos contratuais da compra do material de sensibilização distribuído pela Proteção Civil, no âmbito dos programas “Aldeia Segura” e Pessoas Seguras”, além de solicitar também esclarecimentos à ANEPC.
***
O inquérito tem toda a razão de ser em virtude do grave contexto em que o país vive, o surto incendiário, que mais parece uma indústria complexa, mas bem concertada, com que muitos se governam economicamente e outros encontram pretexto para fazer política partidária. Por mais leis que se façam e comissões que se constituam, enquanto não se retirar o combustível perigoso e as espécies arbóreas e arbustivas mais sensíveis ao calor, pouco se conseguirá. Limpezas têm um efeito pouco duradouro e só valem se os desperdícios forem removidos e reciclados…  
E se, como sugere o semanário “O Diabo” estancassem o negócio na fonte? O periódico não diz como, mas eu digo: não pagar nenhum trabalho ou utilização de equipamento à peça ou à hora, dia ou mês; reordenar a floresta; ter cuidados acrescidos nas contratações; entregar os meios prevenção e de combate às forças armadas e de segurança, dotando-as de muito mais efetivos humanos (vale mais gastar dinheiro em formação e disciplina que em negociatas) e recursos materiais e logísticos; e punir exemplarmente os infratores. Veja-se: para fazer umas golas ineficazes como autoproteção de 74 cêntimos teve de se pagar 1,80€. Como é óbvio, resultou polémica, até porque quem lucrou foi um casal socialista.
Assim, o inquérito deve avaliar o mérito das golas; o preço e o custo de oportunidade; e a entrega à referida empresa.
Porém, o que espanta é a distribuição de ‘kits’ com material inflamável, vindo agora as entidades responsáveis com a explicação de que eram materiais de sensibilização e não de autoproteção em caso de incêndio. Di-lo a empresa, alegando que a ANEPC não lhe dissera que o material era para usar em caso de incêndio. Era necessário? E eu pergunto: A garrafa de água é para sensibilizar quem e em que sentido? Para sensibilização não bastavam uns prospectos, uns cartazes? Era necessário um ‘kit’ individual com colete, gola, barra energética, apito, bússola, primeiros socorros? A menção destes materiais não ficaria bem em cartaz, em prospectos? Nunca se distribui material inflamável para ficar colado à pessoa.
Os ‘kits’ individuais não são para usar em caso de incêndio. Então são para ir ao futebol, à missa, a um concerto musical, a um desfile coletivo?
Finalmente, como é que a ANEPC tem a lata de disparatar que o objetivo foi cumprido? A não ser que o objetivo seja a maioria absoluta do PS nas próximas eleições… Ou como é que as golas servem para autoproteção temporária, se podem arder? E como é que um ministro é capaz de desculpar a empresa fornecedora e a ANEPC do material inflamável porque o microfone dos jornalistas também é inflamável? Por mais precioso que seja o seu trabalho, não cabe aos jornalistas combater incêndios. Já agora o ministro que distribua por eles microfones não inflamáveis e terá o Céu ganho!    
 2019.07.27 – Louro de Carvalho