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quinta-feira, 2 de maio de 2019

As relações entre o “Azul” e o “Cinzento”


O azul, a partir das oportunas declarações de chineses que estudaram português, passou, nesta visita de Marcelo, a metaforizar Portugal enquanto a China persiste no habitual tom cinzento. Isto, de acordo com a reportagem de Filipe Santos Costa no Expresso on line a 30 de abril.
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Antes da Visita de Estado
O Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa esteve 6 dias de visita à República Popular da China, de 26 de abril a 1 de maio. Falou das boas relações entre os dois países e das expectativas para a viagem, disse acreditar que há um novo tempo nas relações com o gigante asiático e destacou o papel de Portugal como país estratégico na ligação entre oriente e ocidente.
Embora a visita de Estado só tivesse início a 29 de abril, Marcelo esteve antes a participar na 2.ª edição do fórum “Faixa e Rota”, iniciativa chinesa de investimento em infraestruturas da Ásia à Europa (Portugal aderiu através de memorando), num painel sobre ambiente e desenvolvimento sustentável, que decorreu à porta fechada e não foi transmitido no centro de imprensa.
No quadro da iniciativa, em Pequim, no dia 27, Marcelo referenciou o “respeito efetivo pelos direitos humanos” e a “implementação do Acordo de Paris”, perante o Presidente da China, Xi Jinping, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, e vários líderes mundiais. 
De acordo com o discurso escrito, a que a Lusa teve acesso, o Chefe de Estado afirmou: 
O mais importante é combinar a ação multilateral com diálogo político, porque essa é verdadeiramente a única via para garantir um mundo melhor, em que a paz, o desenvolvimento, a justiça e o efetivo respeito pelos direitos humanos prevaleça.
Mais tarde, em declarações aos jornalistas, o próprio Chefe de Estado português destacou essa referência aos direitos humanos dizendo:
“Eu terminei a intervenção – como, aliás, o secretário-geral António Guterres, foram duas das intervenções em que me recordo que isso foi citado expressamente – dizendo que o objetivo cimeiro disso é naturalmente efetivar os direitos humanos”.
Questionado se o Presidente Xi Jinping comentou esta matéria, Marcelo respondeu: 
“Ouviu a exposição, fez o comentário falando da conversa que tínhamos tido e da cooperação entre Portugal e a China, em função do encontro que tínhamos tido em Lisboa. Portanto, não focou pontos concretos da minha intervenção.”.
No atinente às alterações climáticas, o Presidente Marcelo pediu uma “liderança forte e ambição política” ao nível global para implementar o Acordo de Paris. Defendeu que “o direito a um ambiente saudável constitui um direito fundamental” e que se deve “combinar ação multilateral com diálogo político” para preservar o planeta para as futuras gerações, frisando que Portugal “apoia totalmente a neutralidade de emissões de carbono até 2050”, pois as alterações climáticas são a questão decisiva do nosso tempo. E considerou:
Passaram-se três anos desde o Acordo de Paris que definiu um novo rumo para o esforço global no combate às alterações climáticas. Mais do que nunca, será preciso liderança forte e ambição política para implementar este acordo histórico..
O Presidente da República frisou que os governos dos países subscritores do acordo devem “elaborar quadros nacionais que permitam uma cooperação multifacetada incluindo com o setor privado, a sociedade civil e parcerias com universidades”. E observou:
“Acredito que os avanços tecnológicos – incluindo os combustíveis não-fósseis, materiais de construção sustentáveis e acumuladores com maior capacidade – em conjunto com avanços na agricultura sustentável irão reforçar os nossos esforços para limitar as alterações climáticas”.
Enaltecendo a atuação de Portugal, referiu que mais de metade da eletricidade consumida no país é gerada por fontes renováveis, “o terceiro resultado mais alto da União Europeia”. E acrescentou que “Portugal apoia totalmente os esforços do secretário-geral das Nações Unidas para consagrar a ação contra as alterações climáticas como prioridade na agenda internacional”, bem como a agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável.
(Assinado por 195 países a 12 de dezembro de 2015, na capital francesa, e em vigor a partir de 4 de novembro de 2016, o Acordo de Paris intenta limitar a subida da temperatura global pela redução das emissões de gases com efeito de estufa)
Também nesses dias que precederam a visita oficial, o Presidente português participou em encontros entre promotores da cultura e língua portuguesa na China e em encontros com empresários chineses e portugueses. Aos empresários chineses, cujo contributo reconheceu para o nosso combate à crise económica, sugeriu que doravante investissem sobretudo na nossa economia real; e aos portugueses incitou à internacionalização das empresas aproveitando as boas relações diplomáticas entre os dois países.
Ademais, cumpriu um sonho antigo, visitar a Muralha da China, e passou pela Cidade Proibida.
De visita à Grande Muralha da China o Presidente mostrou-se impressionado e falou da importância do monumento para Portugal. Num passeio de 45 minutos numa secção da Grande Muralha, a cerca de 70 quilómetros do centro de Pequim, falou várias vezes à comunicação social e repetiu a mensagem do salto qualitativo das relações luso-chinesas, de que está a haver uma “elevação do nível de colaboração política” entre os dois países, (implicando encontros anuais entre os primeiros-ministros dos dois Estados) “ao nível que existe com as principais potências europeias e com os Estados Unidos da América”.
A Cidade Proibida é hoje o “Palácio Museu” e continua a ser um lugar apaixonante e uma fonte quase inesgotável de prazer para um turista que conheça razoavelmente a história chinesa.
A sua construção, ordenada pelo Imperador Yongle, da dinastia Ming, demorou 14 anos e ficou concluída em 1420. Acredita-se que foram precisos mais de 200 mil homens para concluir a obra. A empreitada requereu uma logística complexa, porque foi necessário transportar a madeira da Província de Sichuan e a pedra de uma pedreira que ficava a cerca de 70 quilómetros de distância. De facto, a pedra foi trazida através duma habilidosa técnica, o que implicou criar um caminho artificial de gelo durante o inverno para facilitar a passagem dos trenós carregados.
Era sítio perigoso para ali se viver. Muitas festas acabavam mal (o imperador chegou a matar, numa das festas, os convidados todos); eram frequentes os incêndios; e eram comuns as execuções por traição ou desobediência e, de facto, havia muitos crimes cometidos por guardas, concubinas, eunucos (estes eram a maioria) e servos por razões de ciúme ou de honra.
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A visita de Estado repartida por Pequim, Xangai e Macau
A visita oficial do Presidente da República português começou, a 29 de abril, na emblemática Praça Tianamen, com a deposição duma coroa de flores no monumento aos heróis do povo. Seguiu-se o encontro com o Primeiro-Ministro chinês, Li Keqiang, na sua residência oficial Diaoyutai. E a manhã terminou com uma visita ao templo budista dos Lamas, um complexo do budismo tibetano do século XVII – onde dialogou abertamente sobre várias matérias (e defendeu a liberdade religiosa), nomeadamente filosóficas e místicas, com o monge que o guiou na visita.
A tarde foi reservada para a conversa mais importante, com o Presidente chinês, Xi Jinping. Marcelo foi recebido no Grande Palácio do Povo, numa cerimónia com honras militares. Após o encontro entre os dois chefes de Estado, com um período a sós e outro alargado às respetivas delegações, Xi Jinping ofereceu em sua honra um banquete oficial.
No dia 30, Marcelo prosseguiu a visita com agenda económica e cultural participando, na cidade de Xangai (a capital económica do país), num seminário económico luso-chinês, onde foram assinados acordos bilaterais; visitou a Universidade de Estudos Internacionais de Xangai, que tem um dos departamentos de língua portuguesa mais antigos da China; e afirmou, na Câmara de Comércio e Indústria de Xangai, que Portugal e a China estão a viver um momento único e singular que se reflete já em novos investimentos.
E o dia 1 de maio foi dedicado à Região Administrativa Especial de Macau (RAEM).
O Chefe de Estado chegou a Macau no dia 30 de abril à noite, tendo ali passado 24 horas, mas já admitiu a hipótese de voltar no final do ano, para as celebrações do 20.º aniversário da transição da administração do território de Portugal para a China.
A Santa Casa da Misericórdia de Macau, fundada há 450 anos, foi o primeiro lugar que Marcelo visitou, pelas 10,30 horas, tendo seguido dali para as ruínas da Igreja de São Paulo, com um passeio a pé pelo centro histórico.
Depois, teve uma reunião com Fernando Chui Sai On, o chefe do executivo da RAEM, que está a terminar o seu segundo e último mandato, estando a posse do sucessor prevista para 20 de dezembro, data em que se celebram os 20 anos da transição de Macau para a China.
Sem intervalos, o Presidente partiu da sede do Governo para um encontro com a comunidade portuguesa, autoridades locais, empresários e agentes culturais, na residência do cônsul-geral em Macau e, a seguir, visitou a Escola Portuguesa de Macau e o Consulado Geral de Portugal.
O último ponto do programa, antes de regressar a Lisboa, foi um jantar em sua honra oferecido por Fernando Chui Sai On, num hotel de Macau.
Acompanharam o Presidente da República nesta visita de Estado à China os deputados Adão Silva, do PSD, Filipe Neto Brandão, do PS, Telmo Correia, do CDS-PP, pelo líder parlamentar do PCP, João Oliveira, e por Heloísa Apolónia, do Partido Ecologista “Os Verdes”.
BE e PAN optaram por não integrar a delegação parlamentar desta visita, o que justificaram com a situação de não respeito dos direitos humanos e das liberdades na China.
Pela parte do Governo, integraram a comitiva oficial os ministros dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, e do Ambiente e da Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes, e o Secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias.
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Em jeito de balanço, o Presidente da República destacou no dia 1 de maio, em Macau, a assinatura do acordo que vai permitir uma representação do IPOR (Instituto Português do Oriente) em Pequim para o ensino do português na China continental. A este respeito declarou:
Acabou de ser assinado um acordo que vai permitir uma antena do Instituto Português do Oriente em Pequim para o ensino do português na China continental. Toda. E não especificamente apenas na Região Administrativa Especial de Macau.”.
Depois, vincou terem sido dados “passos muito concretos” num domínio que é estratégico e “portanto futuro” – a língua portuguesa e a educação –, mas também noutro domínio estratégico que é economia e finanças, numa altura em que Macau assinala os 20 anos de transferência de administração de Portugal para a China. E disse:
É mais importante a aposta na educação, na língua portuguesa, na cultura portuguesa, no mandarim e no seu ensino em escolas portuguesas e no intercâmbio cultural porque tem efeitos de médio e longo prazo em muitas gerações, do que os muitos importantes passos dados em matéria económica e financeira [durante esta visita]”.
Por outro lado, sublinhou que, até final do ano, 48 universidades da China estarão a ensinar português – só em Macau, há 45 escolas primárias e secundárias a ensinar português. Frisou que, em Macau, houve também “razões de superação de expectativas”, destacando-se como a mais importante o anúncio do Governo da RAEM de que vai apoiar a expansão da EPM (Escola Portuguesa de Macau), “uma pretensão de muitos anos”. E afirmou:
O Governo de Macau comunicou que tem terreno, está disponível para o lançamento da primeira pedra ainda este ano, para o arranque da elaboração do projeto e para a concretização do novo polo da Escola Portuguesa de Macau”.
Antes, o Presidente visitou o consulado-geral de Portugal em Macau e Hong Kong e o IPOR, situado no mesmo edifício. No IPOR, fundado em 19 de Setembro de 1989 pela Fundação Oriente e pelo Camões-Instituto da Cooperação e da Língua, inaugurou o Laboratório de Línguas, assistiu à assinatura do protocolo de cooperação entre a Universidade de Macau, o Camões e o IPOR e do protocolo EPLP (“Empresa Promotora da Língua Portuguesa”) entre o Camões e a SJM (Sociedade de Jogos de Macau).
O estatuto de EPLP, criado em 2017, prevê a atribuição desta classificação a qualquer empresa, mediante uma contribuição financeira destinada à promoção da língua portuguesa.
Antes da receção à comunidade portuguesa e da visita à EPM, Marcelo Rebelo de Sousa reuniu-se com o chefe do Governo de Macau. Fernando Chui Sai On realçou que a cooperação entre Macau e Portugal tem sido intensificada com a assinatura de cada vez mais acordos, mostrando-se satisfeito com os resultados no âmbito da Comissão Mista Macau-Portugal, de acordo com um comunicado adrede divulgado. E os dois responsáveis destacaram a importância do desenvolvimento do ensino da língua portuguesa em Macau, tendo Chui Sai On concordado com a sugestão adiantada pelas autoridades portuguesas sobre a expansão da EPM.
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O sentido do Azul na China segundo Filipe Santos Costa
Dizia o referido repórter que Marcelo ouviu, em Xangai, “Lisboa Menina e Moça”, explicou a importância do futebol em Portugal, foi-lhe dito qual a cor do nosso país em contraste com o cinzento que domina as cidades chinesas e pôs em prática a diplomacia dos afetos.
‘Cristiano’ (nome do português mais famoso do mundo de hoje) é também o nome de um dos vários estudantes de português na Shanghai International Studies University, uma das 47 universidades chinesas que têm cursos de língua e literatura portuguesa (no próximo ano letivo serão 48). Marcelo esteve ali a dar estímulo a professores e alunos, conhecer os jovens da licenciatura e mestrado e saber o que os levou a aprender a língua dum país tão longínquo.
Santos Costa anota, quanto ao nome que “não é uma enorme coincidência o facto do rapaz se chamar Cristiano: é comum, na China, adotar-se um nome ocidental, para facilitar o relacionamento com estrangeiros.
E Crstinao explicou a razão por que decidiu aprender esta língua: queria falar a mesma língua que o seu ídolo (Cristiano Ronaldo) fala.
Também Roberto, colega de Cristiano, se afirmou ‘fã de futebol’, de Ronaldo e da vitória portuguesa no Euro 2016 – que permitiu ao nossos futebol “ser finalmente reconhecido pelo mundo” –, perguntou ao Presidente “o significado do futebol para um país”.
Marcelo explicou que o futebol é “muito popular em Portugal porque é praticado pelo povo e é praticado pelas crianças desde pequeninas”. Lembrou que não são apenas os futebolistas que levam o nome de Portugal pelo mundo, mas também os treinadores e anotou que “Xangai é um bom exemplo da ligação entre Portugal e a China pelo futebol”, pois a principal equipa da cidade, a atual campeã chinesa, é orientada pelo português Vítor Pereira e por toda uma equipa técnica de portugueses. Depois, acabou por admitir que “o futebol é uma razão como qualquer outra para aprenderem português”.
Para além dos cursos superiores de português, com mais de 4000 alunos chineses inscritos em diversas províncias da China, foi lançado, em 2017, um projeto-piloto na cidade de Xangai – os alunos de 4 escolas secundárias e uma escola primária têm uma aula de português por semana. Conhecem a nossa língua, a história, a gastronomia, o modo de vida e a cultura. Para esses alunos, mesmo que não ousem cantá-lo, o fado não é uma sonoridade estranha. E dois alunos da universidade visitada por Marcelo cantaram o fado.
Diz o mencionado repórter que, pela amostra, ficou a saber-se que, tal como há “o pato à Pequim”, também pode haver “o fado à Xangai”, acompanhado à viola, sem guitarra portuguesa, cantado em dueto com harmonização de vozes (e não à desgarrada, como costuma ser o fado cantado a dois) e com uma pronúncia carregada de cantonês. Surgiu “Lisboa Menina e Moça” (de Carlos do Carmo) como uma espécie de fado que mostrou o empenho dos cantores e constituiu um dos momentos mais envolventes da viagem.
Desde que aterrou na China, o nosso Chefe de Estado tem insistido na importância de língua e da cultura como elos de ligação entre os dois países, sob a tese de que, na corrida global para fazer negócios com a China, Portugal tem a vantagem duma relação que dura há 500 anos, sem guerras nem conflitos, mas com “uma empatia natural”. E, num fórum de negócios bilaterais promovido pela AICEP, disse:
 Chegámos à China e ficámos. Tal como a China ficou em Portugal. Ficámos os dois no coração um do outro.”.
No âmbito da diplomacia dos afetos, Marcelo conseguiu uma mais-valia perante os alunos de português, sustentando que “falar e compreender uma língua significa compreender o que vai no coração dos outros”. Por isso, nesta rota de aproximação à China vai ser alargado o ensino de mandarim nas escolas portuguesas. E à questão lançada por Rebelo de Sousa à plateia, “Depois de aprenderem português, com que ideia ficaram de Portugal? Que palavra escolheriam para definir Portugal?”, Patrícia respondeu num português fluente: “Azul. O céu é muito azul. Impressionou-me muito o azul.
Esta professora-estagiária de português numa das escolas secundárias envolvidas no projeto-piloto não respondeu apenas com base na língua, mas também baseada na experiência de ter feito uma parte do seu estudo em Portugal. Diz o repórter que “basta ter acompanhado os primeiros 5 dias da viagem” de Marcelo à China, em Pequim e Xangai, para perceber que o azul impressione”, pois, “tirando o primeiro dia, na Grande Muralha, não voltou a haver qualquer dia de céu azul”. Com efeito, entre a névoa e a poluição, domina o cinzento”. E Patrícia acrescentou outra palavra que, para si, define Portugal: “carinho”. Por isso, o Presidente dos afetos recompensou-a com dois beijinhos um cumprimento incomum entre dois estranhos na China.
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É de saudar o incremento da relação política, cultural e económica luso-chinesa. A História o permite, o futuro o postula. Por isso e atendendo ao facto de Macau ter estado tantos séculos sob administração portuguesa (até 1999), foi um erro o corte de relações diplomáticas pelo Estado Novo, como não se entende hoje o silêncio da direita sobre a situação política da China. Na verdade, há que exigir o respeito e a promoção do exercício dos direitos humanos, travar uma provável onda de sobredomínio à boleia da cultura e da economia e não desistir da diplomacia.
2019.05.02 – Louro de Carvalho

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

“Dar Graças por Peregrinar em Igreja”


Configura uma dimensão de eclesialidade sublinhada pela Mensagem de Fátima e é o tema do novo Ano Pastoral do Santuário de Fátima iniciado neste domingo, 2 de dezembro, e inspirado nos cem anos da construção da Capela das Aparições.
A este respeito, o Reitor do Santuário, Padre Carlos Cabecinhas na jornada de apresentação do tema do ano, na tarde do passado dia 1, no Salão do Bom Pastor do Centro Pastoral Paulo VI, convidando os peregrinos a “Dar Graças por Peregrinar em Igreja”, frisou na sua alocução:
A mensagem de Fátima põe em destaque esta dimensão eclesial – a consciência de sermos povo de Deus –, que exprimimos com o tema ‘Dar graças por peregrinar em Igreja’. Esta dimensão eclesial da mensagem faz-se patente, de forma muito explícita, no chamado ‘Segredo’, na referência ao ‘Bispo vestido de branco’ e à Igreja peregrina e mártir.”.
O responsável direto pelo Santuário foi o primeiro a usar da palavra na sessão de apresentação do tema, presidida pelo Cardeal Dom António Marto, Bispo de Leiria-Fátima – que se iniciou com a inauguração da Exposição “Capela Mundi”: exposição temporária comemorativa do centenário da construção da Capelinha das Aparições – e observou que esta consciência de ser Igreja se experimenta de “muitos modos”, em Fátima, tais como: a participação nas celebrações sacramentais: a integração nas assembleias crentes que aqui se reúnem para a expressão comum da fé, para adorar a Deus, dar-Lhe graças e louvá-Lo; e na união e comunhão com o Papa e na oração por ele, tão caraterística de Fátima. Por outro lado, o tema pretende vincar que esta experiência de ser Igreja é dinâmica: “é uma peregrinação”. E garantiu que, “neste caminho da Igreja, as Aparições de Fátima são consolo que Deus oferece aos membros da sua Igreja peregrina; são auxílio para o caminho”. De facto, como explicitou, “no longo peregrinar dos seus filhos, Maria apresenta o seu Coração Imaculado como refúgio e caminho”.
Em conformidade com este desígnio, para o Padre Cabecinhas, “este ano pastoral permitir-nos-á refletir sobre o sentido da peregrinação e sobre os traços mais caraterísticos da peregrinação a Fátima” e levar-nos-á a “refletir sobre o Santuário como meta de peregrinação e lugar de forte experiência de Igreja, porque lugar de forte experiência do Deus que congrega a Igreja e reúne o seu povo”, na linha da Carta Apostólica em forma de “Motu Proprio! Sanctuarium in Ecclesia.
Por isso, inferiu o Reitor:
O presente Ano Pastoral, que agora se inicia, convida-nos a encarar a Mensagem de Fátima como meio para conseguir uma maior consciência eclesial e caminho eficaz para fortalecer o sentido de pertença eclesial, nomeadamente através da experiência comunitária da peregrinação”.
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Este novo Ano Pastoral é o segundo do triénio, que inicia o segundo século de Fátima e que está a ser vivido como um “Tempo de Graça e de Misericórdia”.
Por outro lado, 2019 é o ano em que o Santuário de Fátima viverá dois centenários relevantes: o centenário da construção da Capela das Aparições (nos meses primaveris de 1919) e o centenário da morte de São Francisco Marto (em 4 de abril de 1919). De resto, o centenário da construção da Capela, como já foi referido, é o acontecimento inspirador do tema deste ano, fazendo-se memória do relato da Aparição de 13 de outubro, em que a Senhora disse aos videntes: “Quero que façam aqui uma capela”. Essa capela, cujo núcleo central se mantém, foi o início do Santuário e constitui, ainda hoje, o seu “coração” – disse o Reitor, que frisou:
Em contexto cristão, o edifício da igreja – neste caso, a ‘capela’ – é sempre símbolo da Igreja de pedras vivas que aí se reúne para celebrar a presença de Jesus Cristo. São Pedro, na sua primeira epístola, exorta-nos a tomarmos consciência da nossa condição de ‘pedras vivas’ que entram na construção de um edifício espiritual, a Igreja, e conclui: ‘Sois agora o povo de Deus’ (1Pe 2,10). É esta consciência de sermos povo de Deus que desejamos aprofundar.”.
O Padre Cabecinhas destacou, também, a atenção especial que o Santuário destinará aos jovens, sobretudo a esse grande evento que será a Jornada Mundial da Juventude no Panamá, em janeiro de 2019, para onde se deslocará, a título excecional, a Imagem N.º 1 da Virgem Peregrina de Fátima, atendendo à importância do evento, mas também ao itinerário mariano proposto pelo Papa Francisco que escolheu Maria como tema central da caminhada de preparação para a Jornada Mundial da Juventude de 2019 – provavelmente tendo como subtexto a informação indevidamente propalada pela comunicação social, com base no indevidamente veiculado pelo site relioonline de que a Jornada Mundial da Juventude de 2022 seria em Portugal, segredo de muitos, mas supostamente guardado a sete chaves, porque é ao Papa que incumbe tal anúncio. A este respeito, refira-se que, segundo o JN, as autoridades eclesiásticas ficaram incomodadas e a Presidência da República estupefacta com tal fuga de informação.
Mas, voltando ao no Pastoral do Santuário de Fátima, fica assente que, para a vivência deste novo ciclo pastoral de três anos, e deste ano pastoral em concreto, o Santuário voltará a apostar no cartaz mensal que recordará, ao longo do ano, o tema que guia a vida do Santuário, em especial, uma catequese alusiva a São Francisco Marto nas alamedas do recinto de Oração e a oferta de um itinerário orante como proposta a todos os peregrinos. A nível da formação e da reflexão, a Escola do Santuário proporá várias iniciativas todos os meses, como adiante se faz referência, desde Itinerários de Espiritualidade a Oficinas Pastorais, uma novidade que começa em fevereiro e é dirigida a um público específico, mantendo-se o Simpósio Teológico-Pastoral anual e os Encontros na Basílica. A nível cultural, além dum programa musical diversificado, salienta-se a exposição “Capela Mundi”, visitável diariamente até 15 de outubro do próximo ano, no Convivium de Santo Agostinho, já referida.
O Reitor do Santuário aproveitou ainda a sessão para um balanço do ano pastoral findo, que “permitiu consolidar algumas práticas” iniciadas durante o centenário, mas agora aos “ritmos diários e habituais da vida do Santuário”. Alguns dos exemplos apontados pelo Padre Carlos Cabecinhas para evidenciar a dinâmica de vida do Santuário de Fátima neste segundo século foram: “o caminho feito a nível celebrativo, com o cuidado das celebrações”; a oferta de “propostas de reflexão e aprofundamento da Mensagem de Fátima”; e a oferta cultural, “com as suas linguagens próprias para falar de Fátima”.
Por outro lado, referiu que “a afluência de peregrinos, embora não atingindo os números excecionais de 2017, se manteve muito elevada, com crescimento significativo de grupos de proveniências até há pouco tempo incomuns”.
A jornada de apresentação do tema do novo Ano Pastoral, que pôde ser seguida em direto, através da página online do Santuário em www.fatima.pt., prosseguiu com uma conferência do diácono Rui Ruivo, seguida dum breve recital com o Coro do Santuário e a Schola Cantorum Pastorinhos de Fátima, que apresentou um repertório centrado nas músicas de Fátima.
A sessão terminou com uma intervenção do Cardeal Dom António Marto, Bispo da diocese de Leiria-Fátima.
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Por seu turno, o Bispo diocesano, no encerramento da jornada de apresentação do tema do novo Ano Pastoral “Dar graças por Peregrinar em Igreja”, disse que a Igreja deve prosseguir a sua peregrinação no Mundo e na História, apesar das “poeiras que caem sobre ela”, visto que a Igreja é “peregrina na História” que “ainda não chegou à plenitude”, em permanente conversão, renovação, e com esperança “que Deus dá como dom”, rumo a uma “meta definitiva”.

Assinalando que “a peregrinação é uma caraterística da Igreja, que no Pentecostes saiu para anunciar a Boa Nova de Cristo”, o purpurado assegurou que hoje a Igreja é convidada a prosseguir a sua peregrinação no mundo, sendo peregrina na História, e que é chamada a crescer na fé e no testemunho, chamada a renovar-se pois sobre ela cai a poeira da história, como nos tempos em que que vivemos. E, lembrando que ninguém pode desanimar com a missão que, em Fátima e a partir de Fátima, é guiada por Nossa Senhora, que tem o importante papel de Peregrina e Discípula desta Boa Nova, Dom António Marto precisou:
Aqui em Fátima, Nossa Senhora pediu conversão para o mundo e para a Igreja e esta conversão tem de ser feita todos os dias”.
Aduzindo que Ela se apresentou “aos povos da Terra como símbolo da misericórdia e da ternura de Deus”, o prelado pôs em evidência alguns dos exemplos em que Maria Se revelou como peregrina desde a Visitação a Isabel, sua prima, passando pelas Bodas de Caná, onde falou da necessidade de vinho novo e, depois, pelo Calvário, onde acompanhou o filho até à Cruz. Assim, “Ela pôs-se a caminho como mulher e como mãe e hoje serve-nos de guia” – afirmou lembrando que Ela é o sinal de esperança da peregrinação cristã. E esclareceu:
Cristo não quer que caminhemos sem uma mãe. Ela encontra-se tão presente no coração dos crentes; é sinal de esperança e consolação para este povo peregrino e continua a dizer à Humanidade desolada e desalentada: por fim, o meu Coração Imaculado Coração triunfará.”.
Evocando um conceito mais concreto da peregrinação, inerente à condição humana, clarificou que “a peregrinação pode ser experiência bela e surpreendente de Deus”, “uma experiência de interioridade profunda” quando é “uma viagem com uma meta a alcançar”, o Cardeal Dom António Marto alertou para os perigos duma  “cultura da exterioridade” e para o “frenesim do tempo” e lembrou a necessidade de a “Palavra do Senhor” ser “uma bússola para o caminho”, de o pão ser partilhado, de “a oração e o pensamento” se virarem “para Deus” e de se fazer “uma verdadeira conversão interior com vista à transformação de cada um e do mundo”.
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A “CAPELA-MUNDI Exposição temporária comemorativa do centenário da construção da Capelinha das Aparições está patente ao público (entrada livre) de  1 de dezembro de 2018 a 15 de outubro de 2019, das 9 às 18 horas, no Convivium de Santo Agostinho, na Basílica da Santíssima Trindade.

Composta por 9 núcleos, assenta numa aturada pesquisa histórica que procura ler a Capelinha como um dos mais importantes ícones do Santuário de Fátima. Por haver sido construída a partir dum desejo que os Pastorinhos asseguram ter sido transmitido pela Virgem Maria, este pequeno templo, de traça vernacular, é considerado o coração do Santuário e é ao seu redor que são acolhidas as mais íntimas manifestações de fé dos peregrinos da Cova da Iria.
Temáticas como a construção física, os protagonistas a ela ligados, a dinamitação de 1922 e a simbólica a ela associada são tratadas através da linguagem da museologia, recorrendo a peças de valor histórico e artístico, não só do espólio do Museu do Santuário de Fátima, como de outras instituições museológicas, incluindo museus, bibliotecas e palácios do Estado e de museus e arquivos da Igreja. Também diferentes organismos eclesiais (paróquias, congregações religiosas, confrarias e dioceses do País e de Espanha) cederam peças para a exposição, o que proporcionará uma experiência de formação e de fruição estética. 
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A Escola do Santuário tem por missão aprofundar e descobrir a espiritualidade da Mensagem de Fátima, através da sua leitura em relação com experiências significativas da contemporaneidade, e do reconhecimento da sua eclesialidade e relevância pastoral.
Este ano, a Escola tem três propostas formativas com modelos e formatos diferentes: os Itinerários de Espiritualidade (com a experiência de retiro, em vários momentos do ano, para aprofundamento da Mensagem de Fátima), um Curso sobre a Mensagem de Fátima (com conteúdos da Mensagem de Fátima em relação com as grandes questões contemporâneas) e as Oficinas Pastorais (modalidades de formação de caráter operativo destinadas a agentes pastorais das diversas áreas, com vista ao aprofundamento da Mensagem de Fátima). A novidade para o ano pastoral de 2018-2019 é, precisamente, a oferta de três oficinas pastorais, desenvolvidas a partir dos santos Francisco e Jacinta Marto e assentes na infância, numa proposta destinada sobretudo a agentes de pastoral ligados à infância, congregações religiosas e missionários.
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Enfim, um Santuário vivo e ativo em termos da manifestação da fé, da interiorização de vida, da formação e da cultura – ao serviço dos crentes e de todas as demais pessoas de boa vontade!
2018.12.03 – Louro de Carvalho

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Centenário antunesiano Repensar Portugal, a Europa e a Globalização


Entre as várias iniciativas desencadeadas para assinalar o centenário do nascimento do Padre Manuel Antunes, destaca-se o Congresso InternacionalRepensar Portugal, a Europa e a Globalização: 100 anos do Padre Manuel Antunes SJ”, a decorrer desde o dia 2 de novembro – e que se encerrará a 6 de novembro – na Assembleia da República, na Fundação Calouste Gulbenkian e no Município da Sertã. É uma iniciativa da CMS (Câmara Municipal da Sertã), da Cátedra Infante Dom Henrique para os Estudos Insulares Atlânticos e a Globalização, sediada na UA (Universidade Aberta), do Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da FLUL (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa), da FCG (Fundação Calouste Gulbenkian) e do IECCPMA (Instituto Europeu de Ciências da Cultura Padre Manuel Antunes), em cooperação com outras instituições científicas e culturais nacionais e internacionais, como o IEAC-GO (Instituto de Estudos Avançados em Catolicismo e Globalização).  
Segundo a Organização (como se lê no site da FLUL), os seus objetivos são os seguintes:
- Aprofundar o conhecimento da vida e do magistério pedagógico, intelectual e espiritual do Padre Manuel Antunes;
- Revisitar, conhecer e compreender os grandes temas e problemas da obra do Padre Manuel Antunes;
- Situar a obra e o pensamento de Manuel Antunes na Companhia de Jesus e no quadro da sua herança espiritual, cultural e científica, no qual a Revista Brotéria se tornou uma referência em Portugal;
- Analisar os discursos em torno da identidade portuguesa, tendo por referência os textos antunesianos escritos sobre Portugal, a sua história, as derivas presentes e os desafios futuros;

- Analisar temas e problemas da cultura política em Portugal na perspetiva dos diagnósticos e caminhos apontados pelo Padre Manuel Antunes;
- Pensar a educação em Portugal e os desafios que a integração europeia e a globalização colocam, no quadro do esforço de adequação de conteúdos e de métodos, aos desafios da mentalidade e das sociedades tecnológicas hodiernas;
- Refletir sobre os grandes temas e problemas que se colocam em pleno século XXI a Portugal e à Europa, no contexto de uma globalização acelerada;
- Contribuir para pensar o mundo, a vida e os anseios psicológicos, mentais e espirituais da humanidade nos nossos dias, desafiada pelo cuidado da natureza, pela necessidade de lidar com os progressos tecno-científicos e pela emergência das sociedades digitais, nas quais a hiperinformação se tornou um capital decisivo;
- Pensar o processo de robotização do mundo e da emergência da dita era do pós-humano;
- Contribuir com reflexão crítica, no quadro dos Estudos Globais, para compreender o mundo globalizado em que vivemos e intervir com perguntas e respostas inovadoras.

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Do vasto programa – em que predominam os aspetos temáticos, mas em que estão presentes vários elementos culturais, de memória e conviviais – destacam-se, a seguir, os títulos da conferências, das comunicações a todo o auditório, das sessões plenárias e das sessões temáticas, dispensando-se as referências aos subtemas de cada sessão temática ou plenária, bem como aos presidentes de mesa e aos respetivos intervenientes. Assim:
No 1.º dia, realizou-se a Sessão de Abertura na Assembleia da República com Presidente da Assembleia da República, Reitor da Universidade Aberta (UAb), Reitor da Universidade de Lisboa (UL), Presidente da Câmara Municipal da Sertã, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Provincial da Companhia de Jesus, Presidente da Comissão Científica e Presidente da Comissão Organizadora. Seguiu-se a Conferência de Abertura sob os títulos “Pensamento global”, por Edgar Morin (Université Sorbonne Nouvelle – Paris 3), e “Ética, política & direito democrático. Tópicos para a atual crise”, por Paulo Ferreira da Cunha (UP – Universidade do Porto). Depois, realizaram-se duas Sessões Plenárias, com os debates subsequentes: uma, sob a presidência de Viriato Soromenho-Marques (UL), em torno do tema “Política, Fé e Sociedade”; e outra, sob a presidência de João Relvão Caetano (UAb), em torno do tema “Padre Manuel Antunes: Memória e Testemunho”.
E o 1.º dia terminou com uma comunicação sob o título “Qu’est-ce qu’être un écrivain jésuite au XXe siècle? L’exemple de Manuel Antunes”, por Pierre Antoine Fabre (École des Hautes Études en Sciences Sociales – Paris), seguida de Receção e Porto de Hora nos Paços do Concelho de Lisboa.
O 2.º dia abriu, na Sertã, com uma comunicação sob o título “A Filosofia como Espaço do Espírito”, por Miguel Real (UL), a que se seguiram duas Sessões Temáticas, com debates subsequentes: uma, com o tema “Padre Manuel Antunes: Trajetos, Vivências e Causas” nos dois Painéis Temáticos; e outra, com o tema “Política, Moral e Revolução: Temas e Problemas”, no Painel Temático 1, e “Temas e Problemas da Cultura Portuguesa”, no Painel Temático 2.
A tarde começou com uma comunicação sob o título “Repensar Portugal: A importância dos partidos na iniciação política à democracia segundo o Padre Manuel Antunes Antunes”, por José Rosa (UBI – Universidade da Beira Interior). Seguiram-se duas Sessões Temáticas, com debates subsequentes: uma, com o tema “Questões Atuais, Questões Globais”, no Painel Temático 1, e “Educação e Renovação Pedagógica em Chave Global”, no Painel Temático 2; e outra, com o tema “Empreendedorismo, Educação e Globalização”, num Painel Único.
E o 2.º dia encerrou com uma comunicação sob o título “A (tão) serena (quão firme) demanda da justiça social em Manuel Antunes”, por  Januário da Costa Gomes (UL).
O 3.º dia foi preenchido, na Sertã, por: Eucaristia em memória do Padre Manuel Antunes, Almoço-convívio e Percurso Literário Padre Manuel Antunes.
O 4.º dia decorre em Lisboa na Fundação Calouste Gulbenkian e abriu com a comunicação sob o título “Da matriz clássica ao devir moderno: Teoria, hermenêutica e crítica da arte literária em Manuel Antunes”, por José Carlos Seabra Pereira (UC – Universidade de Coimbra). Seguiram-se duas Sessões Temáticas, com debates subsequentes: uma, com os temas Os Desafios e as Oportunidades da Inteligência Artificial”, no Painel Temático 1, Globalização, Transdisciplinaridade e Educação Integral, no Painel Temático 2, e Europa, Democracia e Desafios Globais, no Painel Temático 3; e outra, com os temas Europa, Identidades e Pós-Identidades”, no Painel Temático 1, Antigos e Modernos: Visões Contrastantes, no Painel Temático 2, e Crítica Literária e Escritores Portugueses, no Painel Temático 3.
A tarde foi preenchida com duas Sessões Temáticas, com debates subsequentes: uma, com os temas Educação e Futuros Possíveis”, no Painel Temático 1, “Comunicação, Democracia e Globalização”, no Painel Temático 2, e “Desafios Éticos dos Novos Contextos do Humano”, no Painel Temático 3; e outra, com os temas “Fátima Global”, no Painel Temático 1, “Educação e Globalização”, no Painel Temático 2, e Temas Antunesianos”, no Painel Temático 3.
E o 4.º dia encerrará com “Jantar em homenagem ao Padre Manel Antunes no restaurante Chaminés do Palácio da Independência de Portugal”
O 5.º dia (e último) decorrerá também em Lisboa, na Fundação Calouste Gulbenkian e abrirá com uma comunicação sob o título Ville manifeste: Le porte voix de la globalisation”, por Valérie Devillard (Université de Paris II).
Seguir-se-ão quatro Sessões Temáticas, com debates subsequentes: a primeira, com os temas “Liberdade de Ensinar e Aprender: Condição de Igualdade, Garantia de Diversidade”, no Painel Temático 1, “Globalização: Propaganda e Conflitos”, no Painel Temático 2, e “Democratização e Globalização do Conhecimento: O Caso Paradigmático da Wikipédia”, no Painel Temático 3; a segunda, com os temas “Portugal e Cultura-Mundo”, no Painel Temático 1, “Conciliar Mundos: Entre Clássicos e Modernos”, no Painel Temático 2, e “Empreendedorismo, Inovação e Inclusão”, no Painel Temático 3; a terceira, com os temas “Magistério Pedagógico e Intelectual do Padre Manuel Antunes”, no Painel Temático 1, “Intercâmbios Globais, Ecologia e Revolução das Mundividências”, no Painel Temático 2, e “Intercâmbios Globais, Ecologia e Revolução das Mundividências”, no Painel Temático 3; e a quarta, com os temas Portugal Político: Diagnósticos, Desafios e Soluções”, no Painel Temático 1, Portugal: História, Língua e Identidades, no Painel Temático 2, e Escritas, Autores e Leituras”, no Painel Temático 3.
A Conferência de Encerramento sob o título “Manuel Antunes, SJ – História e Cultura” será proferida por Luís Filipe Barreto (UL). E a Sessão de Encerramento conta com a presença do Presidente da República, do Presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, do Ministro da Educação, do Presidente da Câmara Municipal da Sertã, do Diretor do CLEPUL, do Presidente da Comissão Científica e do Presidente da Comissão Organizadora – seguindo-se a Atuação de Rão Kyao.
O congresso regista contributos de académicos, escritores, sacerdotes, jornalistas, e de personalidades de várias instituições, designadamente: a Assembleia da República; várias universidades públicas portuguesas (Lisboa, Nova, Aberta, Porto, Coimbra, Minho, Trás-os-Montes e Alto Douro, Aveiro, Beira Interior, Madeira, ISCE – Instituto Universitário de Lisboa…); o Instituto Superior de Engenharia de Lisboa; a Universidade Lusófona, a Universidade Católica Portuguesa e a Universidade Europeia; o Instituto Europeu de Ciências da Cultura Padre Manuel Antunes; as revistas “Brotéria” e “Sábado”; o “Jornal de Letras”; a agência Ecclesia; o Santuário de Fátima; o Ministério da Educação e o da Cultura; a Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas; a Fundação Calouste Gulbenkian; os municípios de Sertã e de Lisboa; a Mobilidade PT; a Academia das Ciências de Lisboa; a Federação Nacional das Associações de Pais de Alunos do Ensino Católico; a Associação Portuguesa de Escolas Católicas; o Externato Frei Luís de Sousa; a Rede Cuidar da Casa Comum; a Fundação Gonçalo da Silveira; e a Fundação Vox Populi.
E são de destacar personalidades das seguintes instituições estrangeiras: Universidade Federal do Rio de Janeiro; Universidade do Estado de Santa Catarina; Universidade Presbiteriana Mackenzie; Universidad de Alcalá de Henares; Sorbonne Université; Universidade de Paris II; Université Sorbonne Nouvelle – Paris 3; École des Hautes Études en Sciences Sociales – Paris; European Council of National Associations of Independent Schools; e Wikimedia Espanha.
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O Padre Manuel Antunes, SJ (1918-1985), é um dos pensadores e pedagogos mais notáveis do  século XX português. Pelas disciplinas que lecionou na FLUL, ensinou várias gerações de estudantes (cerca de 15 mil), desde 1957 até à sua morte, em 1985. De acordo com os testemunhos disponíveis, é uma referência de pedagogo e de hermeneuta “arguto e prospetivo da cultura e das sociedades clássicas e contemporâneas”, sendo ainda hoje lembrado com saudade e como um modelo de pensamento e de sabedoria pelos que foram seus alunos e pelos que tiveram o privilégio de com ele privar. Também se destacou como diretor da Revista Brotéria (da Companhia de Jesus, onde escreveu centenas de artigos, sob 126 pseudónimos, “sobre os mais diversos temas de cultura histórica, religiosa e filosófica, assim como de atualidade política, social e literária”.
Legou-nos “um pensamento muito sagaz e avançado sobre Portugal e a Europa, na relação com o mundo em processo de globalização”. E os seus textos, ainda hoje muito lidos e citados, deram origem a diversos livros, tornados numa espécie de chave de leitura de aspetos relevantes do mundo contemporâneo, de que relevam “Indicadores de Civilização e Repensar Portugal.
A reflexão antunesiana está patente num número significativo de textos, alguns dos quais de caráter prospetivo, que podem ser lidos com grande proveito, pois mantêm uma significativa atualidade, visto que soube antecipar, nas décadas de 60 e 70 do século XX, com uma argúcia e lucidez extraordinárias, derivas, problemas e desfechos da vida portuguesa e internacional. Surpreendem-nos questões, reflexões e propostas que podem ajudar na urgência de repensar Portugal, a Europa e o nosso mundo atual, marcado por uma tremenda incerteza.
Realizado um primeiro Congresso, em 2005, sobre a sua vida e obra, na Fundação Calouste Gulbenkian e no Centro Cultural da Sertã, e concluída a preparação da sua Obra Completa, publicada pela Fundação Calouste Gulbenkian, em 2012, é pertinente assinalar os 100 anos do nascimento desta figura maior do pensamento avançado em Portugal com um evento científico internacional, para, sob os grandes tópicos da reflexão antunesiana, se pensarem os grandes temas e problemas do país em articulação com as grandes questões da Europa e do mundo globalizado em que vivemos (cf site da FLUL).
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Sirva o evento para fazer memória do sacerdote académico de larga visão e para reforçar o prestígio das nossas instituições, que dele bem necessitam em tempo de emergência da mediocridade!
2018.11.05 – Louro de Carvalho