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quarta-feira, 12 de junho de 2019

Uma mulher à frente do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais


É Isabel Figueiredo, que tem como primeira prioridade “conhecer a realidade”, como revelou ao portal da Santa Sé, e para quem “é uma lição diária ouvir e ver o Papa Francisco”.
Em entrevista ao VATICAN NEWS, a diretora do SNCS (Secretariado Nacional das Comunicações Sociais), órgão da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, da CEP (Conferência Episcopal Portuguesa) sublinhou ter acolhido “com um sentimento de gratidão” a sua nomeação para diretora do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais. Foi uma escolha dos bispos portugueses na assembleia plenária da CEP que terminou no passado dia 2 de maio, que nomearam, pela primeira vez, para estas funções uma mulher – escolha que recaiu na responsável pelos conteúdos religiosos das rádios do Grupo Renascença Multimédia onde trabalha desde 1990 e adjunta do presidente do Conselho de Gerência.
A novel diretora do SNCS, que mantém as demais funções e sucede no cargo Dom Américo Aguiar, Bispo Auxiliar de Lisboa, refere que um dos primeiros e-mails que recebeu depois de sair a nomeação recomendava que não se esquecesse das “periferias”, pelo que um dos seus primeiros trabalhos foi “visitar os secretariados diocesanos” para “os conhecer localmente”. E, reafirmando, neste contexto, o apelo de Francisco para a importância da linguagem e da comunicação digital onde a Igreja deve estar presente, deixa um alerta: “Não podemos perder nunca de vista o que é fundamental”, ou seja, a “comunhão local”.
Ao portal da Santa Sé, a também colaboradora regular da revista Mensageiro do Coração de Jesus e autora de várias obras (nomeadamente: “Vale a Pena Pensar nisto”, “Via Sacra com Maria”, “Advento para Crentes e Não Crentes” e “Linhas Tecidas com Tempo) realça ainda a importância dos pontificados de São João Paulo II, Bento XVI e Francisco para a valorização dos ‘media’ da Igreja. 
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Entretanto, a 24 de maio, Isabel Figueiredo deu uma entrevista à Renascença e à Ecclesia em que assegurou ter acabado “o tempo em que o trabalho de comunicação era feito em projetos isolados” e sublinhou a necessidade de prestar atenção ao público para quem se produzem os conteúdos. Dela se respigam alguns dados, em virtude da sua pertinência.         
A entrevista foi a propósito da sessão agendada para o dia 30 de maio, em Lisboa, em que foi apresentado o Dia Mundial das Comunicações Sociais que a Igreja Católica celebrou a 2 de junho, e em que foi entregue o prémio de jornalismo ‘Dom Manuel Falcão’.
E a questão de chofre incidiu sobre o facto de ser uma leiga e mulher a dirigir aquele organismo e sobre que mais-valia o caso traz à causa, replicando que não vê as coisas por esse prisma, pois, embora seja diferente o contributo de cada pessoa, não se pode pensar que os contributos de outros traga menos-valias. Por isso, é melhor esperar pelo que “o trabalho mostra”.
Quanto a expectativas para o desempenho do cargo, uma vez que se sente “orgulhosa, grata, tranquila”, entende que “as expectativas decorrem desta forma de estar”. E explica:
As expectativas que tenho são que possamos continuar o trabalho – por isso dizia que me sentia orgulhosa, porque vinha atrás de pessoas cujo trabalho e qualidade são reconhecidos por todos; quando digo que estou grata à Igreja, digo também que espero continuar a merecer essa mesma gratidão, fazer algo de diferente que mereça a confiança que é depositada; a tranquilidade, outra expressão que eu utilizei, também é engraçado misturá-la com isso – já tive oportunidade de dizer que tenho dias mais tranquilos e outros menos, à medida que o tempo passa. (…) Há alguns acontecimentos que já sabemos que aí vêm, que são claramente importantes. Vamos ver o que vai trazer.”.
No atinente a prioridades definidas ou a definir, atém-se à lição do pároco velhinho da paróquia onde cresceu, que ensinava ao grupo de jovens que, ao chegar-se a um novo cargo, “ durante um período de tempo não se deve fazer absolutamente nenhuma mudança, deve ficar-se quieto e observar, só depois é que se fazem as mudanças”. Assim, a sua postura atual “é observar o que se passa” para, depois, “conseguir trabalhar”.
Passando a aspetos substanciais da entrevista, pronunciou-se sobre a missão do SNCS de animar o setor na linha do Vaticano II equilibrando a prestação do dado religioso por meios próprios, a ajuda a que outros também o prestem e a abertura dos canais de comunicação da Igreja a temas mais abrangentes. E, em relação a esta matéria, vincou o “caminho feito pela Igreja Católica nos últimos anos”, sublinhou o facto de o Papa Francisco vir falando “quase todas as semanas para a Comunicação Social, de uma maneira ou de outra”, pensando que ele está a fazer o “trabalho de alargar horizontes”. Entende que temos de alargar cada vez mais os horizontes, mas num caminho “que tem de ser feito sem que pareça ser uma novidade, porque não é”. E ilustrou o seu pensamento com a diferença de atuação da Renascença e da Ecclesia em termos de trabalho de comunicação entre o que se faz hoje e o que se fazia dantes – um caminho que se percorre na dialética da continuidade e da inovação. Entretanto, identificou as redes sociais como “o desafio mais evidente”.
Questionada sobre como conseguirá essa relação com todos os meios de Comunicação Social equilibrando a tensão entre ter meios próprios e ajudar outros meios a comunicar o religioso, afirmou que essa questão “assenta num princípio que todos partilhamos, embora nem sempre o verbalizemos”, ou seja, em termos de comunicação de Igreja “temos de avançar sempre num caminho de comunhão”, pois “o tempo em que cada um fazia o seu trabalhinho de comunicação”, segundo a entrevistada, “pertence ao passado”. E, concedendo, adianta:
Foi rico, teve o seu caminho, fizeram-se as suas coisas, mas olhando para o presente e para o futuro, será sempre uma tentativa de alargarmos o trabalho e todos podermos estar uns com os outros. Julgo que conhecer os secretariados diocesanos, procurar fazer um trabalho a nível nacional, é precisamente com esse enfoque, é isso que a Igreja espera.”.
Estabelecendo que o agora dito “é uma prioridade”, passou à preocupação com a chamada comunicação institucional da Igreja Católica e aos alegados “problemas na forma como as dioceses reagem a determinadas notícias, como usam as redes sociais, como partilham informação nos seus sites, [sendo que] algumas nem sequer têm site…”. Disse que esta preocupação “decorre do momento que nós estamos a viver, que tem isto de bom e tem o lado menos bom”. E apontou:
O facto de, hoje em dia, termos praticamente uma comunicação instantânea – o efeito de um post no Facebook é replicado em muito pouco tempo, o efeito de uma notícia ou determinada abertura, sem se ler a notícia toda, ganha uma velocidade que escapa a toda a gente”.
Sabe que “é um problema de comunicação institucional”, que “a Igreja tem sempre de pensar o que é comunicar para dentro e o que é comunicar para fora, estar com outros órgãos de comunicação social”, não se podendo dizer que “está tudo feito nos dois campos”, mas “tem de se avançar”. Porém, afasta a preocupação com problemazinhos, porque “a vida se encarrega de nos mostrar que aquilo que hoje parece uma coisa, amanhã será outra”, devendo nós ter “a real consciência da dimensão das coisas, ir tateando e melhorando”.
No respeitante à formação e gestão mais profissional dos meios que a Igreja tem ao seu dispor, confessou sentimentos mistos: sabe que “já há profissionais a trabalhar em muitos” [meios de comunicação da Igreja], não tendo a situação atual “nada a ver com o que se vivia há 10 anos”; que “há trabalho profissional feito em muitos lados”, de modo que “não podemos dizer que estamos a trabalhar com amadores, em termos institucionais”; mas tem de se prestar grande “atenção a quem consome tudo aquilo que se faz”, pois, não se faz comunicação “só para comunicadores”, mas “para toda a gente”; e “é aí que as redes sociais dão uma dimensão enorme a tudo isto [de] que estamos a falar”. Isto, “para o bem e para o mal”. E vincou:
Portanto, quando se diz que a comunicação é feita para uma multidão de gente – que não fazemos a mais pequena ideia de como é que lê, quando é que vai ler, quando é que vai ver, como é que vai ouvir, se vai ouvir do princípio até ao fim – isto é que obriga os profissionais (…) a estarem permanentemente atentos a isto”.
Relativamente ao enquadramento empresarial dos Meios de Comunicação Social da Igreja, lembrou que já várias pessoas alertaram para a questão, inclusivamente Dom Américo Aguiar (anterior diretor do Secretariado das Comunicações Sociais), pois “estamos a viver um tempo especial e difícil (…) em termos de empresas de Comunicação”. E explicou recorrendo a uma das últimas palavras do Papa ao agradecer “o trabalho dos jornalistas e da Comunicação Social”, afirmando a importância da Comunicação Social numa sociedade livre, pois “nós precisamos de gente, de profissionais de Comunicação Social que saibam pôr o dedo nas feridas da sociedade atual”, inclusive nas feridas eclesiais, “porque sem esse trabalho nós não conseguimos, a sociedade não é verdadeiramente livre, nem é uma sociedade de comunhão a que todos aspiramos, e todos temos essa inquietação interior da comunhão”. E Francisco acrescentava:
Isto é tudo verdade, mas nós ao mesmo tempo precisamos de gente que seja completamente humilde no seu trabalho, e gente que seja completamente dedicada à verdade”.
Por isso, Isabel Figueiredo vê a dificuldade do que se passa em termos empresariais, mas sustenta a necessidade de toda a sociedade ter consciência de que precisa da Comunicação Social, avançando que a presença da Igreja nos media faz cada vez mais sentido. E alerta:
Não é um assunto que pense que se pode tornar menor, ou ao qual se pode dizer: vamos-lhe dar menos meios, vamos-lhe dar menos importância, porque há imensas notícias horríveis que correm, há imensas mentiras, há imensa coisa mal feita”.
Questionada sobre a presença da Igreja num espaço inter-religioso no âmbito do serviço público de rádio e televisão e sobre o contributo que nele vê para a informação na sociedade portuguesa sobre a dimensão religiosa e para a convivência e diálogo inter-religioso que marcam a nossa sociedade, respondeu com o orgulho que tem no trabalho da Ecclesia. E contou:
Ainda hoje me falavam de que no Brasil consultavam a Ecclesia diariamente, tinham o ecrã aberto e tinham a Ecclesia e o Vaticano, as notícias do Vaticano. E eu achei muito simpático, e claro que não tinham necessidade de dizer, portanto, se o disseram é porque é a pura das verdades.”.
Depois,  disse que um programa eclesial no serviço público de rádio e televisão acaba por ser mais abrangente e inter-religioso, com uma mais-valia nessa marca. E explanou:
A experiência da Ecclesia é a prova evidente disto. Sim, nós temos de caminhar para isso, caminhamos exatamente para isso. E eu acho que Portugal, aí também, dá muitas cartas, porque a nossa capacidade de estarmos ao lado das outras confissões religiosas e de fazermos um caminho é algo que tem muitos anos. Eu volto atrás, à história da minha pequena paróquia, onde eu cresci como adolescente, e há muitos, muitos anos já havia uma Missa que era celebrada em inglês e já tínhamos momentos de oração feita com outras comunidades religiosas.”.
Relativamente aos problemas dos media que preocupam as empresas, nomeadamente as ‘fake news’ e a tendência para o jornalismo-espetáculo ou o jornalismo de chicote, se isso se reflete no SNCS e como este organismo pode refletir e contribuir para enfrentar estas dificuldades, começou por defender o jornalismo da Rádio Renascença como “sinónimo de jornalismo de qualidade e de seriedade”, como atestam os muitos prémios recebidos pela estação. Quanto às ‘fake news’, disse que “vão continuar sempre”, pois “sempre existiram”, embora atualmente tenham um “impacto completamente fora do habitual porque elas se espalham com uma velocidade enorme e são incontroláveis”. E, em relação ao facto de o Papa as ter denunciado na sua mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais deste ano, comentou:
O Papa também dizia uma coisa muito interessante, dizia que nesta questão das ‘fake news’ e da comunicação de hoje em dia, já não é possível pôr a errata, que se punha antigamente nos livros: quando havia uma coisa que estava errada, punha-se uma errata e resolvia-se o problema. E hoje em dia já não é possível pôr erratas, portanto, as ‘fake news’ têm este problema muito real.”.
Em relação à predita sessão, aberta a todas as pessoas, no dia 30 de maio, pelas 17 horas, no auditório da Rádio Renascença, frisou o facto de o primeiro convite ser para os secretariados diocesanos de comunicação e o facto de se pôr a mensagem do Papa “a ser debatida por diversos olhares” e exemplificou: o olhar do diretor da Faculdade de Ciências Humanas (UCP), Nelson Ribeiro, antigo diretor da Renascença, e que ensina comunicação; o de uma antiga aluna da UCP, que neste momento trabalha numa televisão, essencialmente na questão das redes; e o de Nello Scavo, jornalista que tem escrito alguns livros, um dos quais sobre o Papa que se tornou mais conhecido, e agora este, que lançou em Portugal exatamente sobre as ‘fake news’ acerca do Papa, comentando também a mensagem papal. Depois, referiu que o tema da sessão ‘Esta é a rede que queremos’ inspirado nessa mensagem onde diz:
Nós queremos uma rede, mas não queremos a rede como dela se fala habitualmente, queremos uma rede que caminhe para a comunhão das pessoas, que cruze as pessoas de outra maneira”.
E explicou:
A imagem da rede é muito poderosa, porque a rede traz tudo com ela, o que entra dentro da rede, o que sai fora da rede, o que cai da rede, a rede cheia, a rede vazia, a rede que se lança, a rede que se recolhe. Portanto, esta é uma rede que toca claramente o coração das pessoas e eu acho que é por aí que nós podemos pegar na mensagem do Papa, olhar para ela de outra maneira e ir à procura do que é que ela tem a dizer a cada um dos profissionais de comunicação social.”.
Sobre o título da mensagem papal Das ‘Community’ às comunidades’, frisou que é “um desafio muito oportuno” e que o Papa dá exemplos concretos, enaltecendo o mérito da família que utiliza a rede para comunicar entre si, mas ao fim do dia se senta à volta da mesa e fala olhos nos olhos, e o da paróquia que usa a rede para comunicar o que faz e anunciar iniciativas, mas depois as pessoas, ao domingo estão na Missa todas juntas e fazem comunhão. Mas, se não é assim, segundo o Pontífice, “há aqui um sinal vermelho que tem de se abrir” e “as pessoas têm de pensar”. Obviamente, para Isabel Figueiredo, esta “é uma questão pertinente”.
E a nova diretora do SNCS acha que as redes sociais são muito relevantes antes e depois das JMJ (Jornadas Mundiais da Juventude) e um desafio a encarar e a aproveitar para a que se vai realizar em Portugal. Só esteve nas primeiras JMJ de Roma, mas afiança:
Nem nós, nem as pessoas que já estiveram em Jornadas Mundiais têm a consciência do que é o desafio de receber uma Jornada Mundial da Juventude, e de comunicar uma JMJ. Portanto, acho que é um enorme desafio, sendo que tenho sempre presente, a tocar cá na minha campainha que – e foi dito pelo senhor Cardeal-Patriarca – a JMJ é dos jovens, feita pelos jovens e para os jovens. E, portanto, nós temos de olhar, até para a comunicação, temos de olhar assim. Temos de saber o que é que eles querem ouvir, o que é que eles precisam de dizer, como é que eles entendem as coisas.”.
Por fim, fez referência ao prémio de jornalismo ‘Dom Manuel Falcão’. Concorreram os órgãos de comunicação social e o júri escolheu, na dúzia de trabalhos entrados, o trabalho que tem o título ‘É como se a Mãe descesse à terra’ – muito bom do ângulo da imagem (joga muito bem com a imagem, a fotografia, o texto e a música) – que nos situa “no universo da religiosidade popular” e com “a questão mariana”. É a grande reportagem da TVI, de Catarina Canelas, em cuja equipa trabalham João Franco, Tiago Donato, Rodrigo Cortegiano e João Pedro Ferreira. Também o prémio foi atribuído ao Diário do Minho em forma honorífica pelo seu centenário.
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Em suma, uma entrevista a reler por quem se preocupe com a Igreja e com a Comunicação.
2019.06.12 – Louro de Carvalho

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

As paróquias do Padre Justino Lopes fizeram-lhe genuína celebração jubilar


O reverendo Padre José Justino Lopes, pároco de Vila Nova de Paiva (paróquia de São Sebastião), Fráguas (paróquia de São Pelágio) e Alhais (paróquia de Nossa Senhora da Corredoura), foi ordenado de presbítero, na igreja paróquia de Touro, sua terra natal, a 17 de agosto de 1968, pelo então Bispo Coadjutor da diocese de Lamego, Dom Américo Henriques, com a presença participativa de Dom Alberto Cosme do Amaral, então Bispo Auxiliar de Dom Florentino Andrade e Silva, Administrador Apostólico da diocese do Porto, por força do exílio político do prelado diocesano, Dom António Ferreira Gomes.
O sacerdote que a equipa formadora do Seminário Maior de Lamego me habituou a tratar por reverendo Justino – frequentava ele o penúltimo ano de Teologia, quando eu passei para aquele seminário, provindo do de Resende, pelo que era um dos nossos prefeitos de estudo –, foi e tem sido para mim uma grande referência pela mescla da sua discrição e levantamento da voz desempoeirada, sempre que necessário, pelo empenho pastoral, pela integral dedicação ao Reino de Deus que a Igreja tenta concretizar entre os homens, sobretudo entre os mais carenciados, por mais que vozes malédicas e malévolas pretendam propalar o contrário, embora aqui e agora infelizmente não deixem de ter alguma razão, e pela proximidade com os outros padres e todas as demais pessoas, o que hoje é deveras apreciado, ao contrário de antanho em que alguns queriam ver o sacerdote arredado do meio dos homens e quase confinado à igreja paroquial e demais lugares de culto, visita aos enfermos e procissões.
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A 2 de setembro, as suas paróquias reuniram-se festivamente, junto da capela do Senhor da Boa Sorte (junto à Estrada Nacional 329 no troço que liga Touro e Vila Nova de Paiva), com o sacerdote em jubileu para agradecerem com ele ao Senhor os seus 50 anos de sacerdócio ministerial para que o sacerdócio comum dos fiéis seja mais estimulado e ganhe efetivamente foros de direito eclesial por força do Batismo que recebemos e pelo qual fomos incorporados em Cristo, Profeta, Sacerdote e Rei. Com efeito, o Padre Justino tudo tem feito para que todo o crente em Cristo se aproxime da pedra angular que é Cristo, “pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e preciosa aos olhos de Deus” e todos, como genuínas pedras vivas entrem “na construção de um edifício espiritual, em função de um sacerdócio santo, cujo fim é oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus, por Jesus Cristo” (cf 1Pe 2,4.5). Por outro lado, importa que as porções do povo de Deus que este sacerdote vem apascentando com a eficiência de quem trabalha bem e com a força que lhe vem do Alto se sinta linhagem escolhida, sacerdócio régio, nação santa, povo adquirido em propriedade, a fim de proclamar as maravilhas daquele que nos chamou das trevas para a sua luz admirável, a nós que outrora não éramos um povo, mas somos agora povo de Deus, nós que não tínhamos alcançado misericórdia e agora alcançámos misericórdia (cf 1Pe 2,9-10).
Acolheram-se todos, como diz o homenageado no seu blogue, “à sombra da Capela do Senhor da Boa Sorte, lugar emblemático para todos os Paivenses, onde todos acorrem a pedir ou a agradecer”.
O núcleo do predito ato de agradecimento coletivo foi a Celebração Eucarística presidida pelo venerando Bispo diocesano, Dom António José Rocha Couto e concelebrada pelo Bispo emérito, Dom Jacinto Tomás de Carvalho Botelho e por duas dezenas de sacerdotes, “vindos dos mais distantes lugares da diocese, até de França e com a participação de muito Povo”.
Ainda, segundo o Padre Justino, “os Grupos Corais de Alhais e Vila Nova de Paiva, num só coro, deram brilho excecional à Celebração”. Também os autarcas do concelho e das freguesias colaboraram e estiveram presentes”. E “todas as associações, culturais, humanitárias, sociais, recreativas marcaram presença com os seus estandartes”. No final, o sacerdote agradecido e emocionado, deixou falar o coração, que se exprimiu no dom de Deus e na ora força ora fraqueza da “humanidade”, que é o lastro onde assenta como uma luva a força de Deus.
Seguiu-se um convívio fraterno a partir da partilha de farnéis, que o Padre Justino diz “a dar para três dias”.
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Talvez não seja descabido recordar que, a 30 de agosto de 2009, o Diário de Notícias publicou um artigo de Amadeu Araújo sobre o Padre José Justino, que, nesse ano, perfazia 41 anos de sacerdócio. Nele se dá conta da perspetiva que o sacerdote tinha daqueles anos de início da sua ação de pároco como tempos “mais duros”, mas em que as pessoas eram “mais atentas e apegadas à Igreja”: falava-se e “via-se que o povo queria saber, queria ouvir”, pois tinha “fome da palavra da Igreja”.
Aos 66 anos, o sacerdote recordava-se do ano de 1968, quando acabou o curso do Seminário, em Lamego, e foi nomeado pároco de Nespereira, de Cinfães, “uma das maiores paróquias da diocese de Lamego”. Referia que “só havia uma estrada principal” e que “o resto era andar por aqueles povos da serra a pé ou de cavalo”. Em contrapartida, frisava que “eram uns tempos em que a Igreja estava na revolução provocada pelo Concílio do Vaticano” e que fora nesse ano que “começaram a surgir grupos de renovação da liturgia”: introduzam-se cânticos com “novas letras, mais bíblicas e litúrgicas”. E registava a existência, inclusive, de “grupos de jovens entusiasmados com o Concílio”, tendo surgido um acentuado “conceito de liberdade porque a Igreja estava toda posta em questão”, a ponto de alguns dizerem no princípio que “o Concílio abalou a Igreja”. Porém, “embora houvesse revolução na Igreja, em Portugal havia a ditadura”, que era uma condicionante ante a qual se tinham “cuidados especiais”, para que pudesse haver pregação. E contava: “Quando pregávamos éramos vigiados pela PIDE, mas conseguimos, levados pelo espírito do Concílio, incutir a liberdade de pensar no povo”.
Outra recordação do Padre Justino é a guerra de África. O Papa considerou o dia 1 de janeiro como Dia da Paz e os sacerdotes tinham de alterar a mensagem do Papa porque nas homilias tinham a polícia à perna. Apesar de tudo, considerava que “era um tempo em que as pessoas gostavam da liturgia porque para elas o Concílio era celebrar a missa em português”, o que para o povo constituía “uma abertura, uma novidade”.
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Também a 13 de julho do corrente ano, o Jornal do Centro, publicou uma breve entrevista em que nos é referido o receio da primeira abordagem para paroquiar, sendo que, ao invés do que lhe fora comunicado, foi nomeado para Nespereira, pelos vistos, dadas as objeções que outros puseram ao convite para suceder ao anterior pároco, conhecido pela sua austeridade espiritual. Porém, segundo o Padre Justino, o receio desvaneceu-se quando, no dia da entrada na paróquia, um grupo de homens se ofereceu para colaborar, pedindo que não tivesse medo e contasse com eles. Por outro lado, o Padre José Augusto Pereira Neto, então pároco de Alvarenga, que eu ainda conheci, desafiou-o a juntar o seu entusiasmo de jovem à experiência dos mais velhos, garantindo que todos fariam um bom trabalho. Além disso, continuou a consultar o antigo diretor espiritual, Dom Alberto Cosme do Amaral, então em funções no Porto e, depois, o cónego António José Rafael, que viria a ser Bispo de Bragança-Miranda.
Sempre se mostrou interessado pela Comunicação Social – sobretudo jornais e rádio – como instrumento de socialização e de evangelização. Fora diretor da “Estrela Polar”, no Seminário de Lamego e, em Nespereira, fundou “O Nespereirense”. Assim continuou em Vila Nova de Paiva, para onde foi transferido em 1986, por óbito do Padre Sílvio Pinto do Amaral. Ali fundou o jornal “Luz na Montanha”, que se apagou devido à supressão do porte-pago, mas passou a garantir uma página no mensário “Notícias do Paiva” e faz programas na “Rádio Escuro”, criada por um grupo de jovens e de que foi um dos primeiros a fazer parte dos órgãos sociais.
Como balanço, diz agradecer a Deus e a todos os mediadores a sua vocação sacerdotal e sente que tem ajudado os paroquianos a serem mais cristãos e a ele próprio a ser mais padre no dinamismo de um ajuda e entrega mútuas.
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O Padre José Justino bem merece esta celebração jubilar e os votos de continuação de profícua ação pastoral, combatendo o bom combate. E a Deus, o nosso louvor e gratidão pelo bem concedido à Igreja e ao mundo através deste sacerdote, aberto ao bem que Deus lhe tem concedido através das outras pessoas e da Igreja. Laus Deo!
2018.09.02 – Louro de Carvalho

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Esperar pelo tribunal para defender e repor o bom nome

O JN de 8 de agosto publicou um artigo de opinião de Eduardo Vítor Rodrigues, Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia sob o título “Teoria da conspiração”, que denuncia a tentação de alguns “fazedores de opinião” se arrogarem o direito de caluniarem os adversários na Comunicação Social, pretendendo que eles utilizem a mesma ágora para defenderem e reporem o seu bom nome e reputação.
O articulista tem razão na denúncia de tal pretensão da parte de muitos. Reconheço que muitas vezes alguns se sentem frustrados e esvaziados de objetivo quando chamam a terreiro aqueles com quem querem contender e eles se metem em copas. Eu próprio passei por isso.
Rodrigues pensa com afinada razoabilidade na relevância da liberdade de pensamento e da sua expressão e adverte que este é um dos pilares fundamentais da nossa democracia e, como tal, configura “um direito assegurado constitucionalmente a todos os cidadãos”. Com razão reaviva a memória dos tempos da censura ou do exame prévio – “para não relativizarmos a liberdade e, em particular a liberdade de pensamento e de expressão” – e lança o olhar para os países em que hoje a expressão do pensamento é considerada delito de opinião e muitos são presos, torturados e mortos por via do uso dessa prerrogativa. Sobre este tipo de países assegura:
“Para aqueles que preferem navegar nas geografias da contemporaneidade, não faltam exemplos de povos e países amordaçados, nos quais o pensamento é policiado e a expressão desse mesmo pensamento pode levar a castigos tão pesados como a pena de morte”.
E, na revisitação que faz à CRP (Constituição da República Portuguesa) fixa-se primeiro no seu art.º 37.º (Liberdade de expressão e informação), cujo n.º 1 transcreve:
“Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações”.
Depois, mencionando o art.º 26.º da CRP (outros direitos pessoais), que não cita, diz que a nossa Constituição, “logo a seguir aos artigos que garantem dimensões, aliás, intrínsecas à vida e à integridade pessoal, consagra o direito ao bom nome e reputação”. E sustenta que “este direito é defendido no já citado art.º 37.º”, especificamente no seu n.º 4:
A todas as pessoas, singulares ou coletivas, é assegurado, em condições de igualdade e eficácia, o direito de resposta e de retificação, bem como o direito a indemnização pelos danos sofridos”.
Vale, entretanto, a pena, atentarmos um pouco no n.º 1 do art.º 26.º, que estipula:
“A todos são reconhecidos os direitos à identidade pessoal, ao desenvolvimento da personalidade, à capacidade civil, à cidadania, ao bom nome e reputação, à imagem, à palavra, à reserva da intimidade da vida privada e familiar e à proteção legal contra quaisquer formas de discriminação”.
Está efetivamente em causa o bom nome e reputação, mas não só. Antes do bom nome e reputação, vem a referência à identidade pessoal, ao desenvolvimento da personalidade, à capacidade civil e à cidadania. O bom nome e reputação são significativos enquanto síntese daqueles predicados, os quais são vilipendiados quando o bom nome e reputação são postos em causa ou contraditados. Por seu turno, a imagem, a palavra, a reserva da intimidade da vida privada e familiar e postura legal contra quaisquer formas de discriminação são elementos que protegem e afirmam tudo aquilo que o bom nome e reputação significam.   
Por isso, os números seguintes do art.º 26.º vêm garantir a dignidade genética do ser humano e a dignidade das pessoas e das famílias e determinar que “a privação da cidadania e as restrições à capacidade civil só podem efetuar-se nos casos e termos previstos na lei, não podendo ter como fundamento motivos políticos”.
***
O articulista do JN sustenta que “este caminho virtuoso, entre o direito de expressão das minhas opiniões e o direito do outro ao seu bom nome e reputação, deve ser gerido com sensatez”. É óbvio que se concorda com a premissa, o antecedente, mas não com a inferência, o consequente.
Eu penso que nunca devo nem posso, “para defender o meu ponto de vista, caluniar ou difamar, mesmo tendo “a certeza de que o alvo da calúnia ou da difamação tem o direito constitucional de se defender desse ataque” nos órgãos de comunicação social e, segundo o articulista, apenas nos tribunais. Atacar alguém para que ele exerça o direito de se defender é uma provocação à pessoa, ao Direito e até à organização judicial. Em termos teológicos uma atitude similar contra Deus – ofendê-Lo porque Ele é bom e perdoa ou lançar-se dum precipício porque Ele tem pena e poder e salva – é tentar a Deus ou invocá-Lo em vão.
Dá-me a impressão de que Rodrigues tem a perceção de que o direito de expressão do pensamento é um direito absoluto e, consequentemente, superior ao direito ao bom nome – o que não é aceitável.
Primeiro, quando calunio, não exprimo pensamento; lanço uma atoarda. Segundo, pelo caráter intrínseco das coisas e pelo ordenamento constitucional, o direito à vida, com tudo o que o envolve em prol da vida condigna (identidade, personalidade, cidadania, nome, reputação…, liberdade, segurança, domicílio, família), precede a liberdade de expressão de pensamento. Lá diziam os filósofos: primum vivere, deinde philosophari. Quando muito estes dois conjuntos de direitos serão equipolentes.
Ora, o articulista entende que, “num Estado de direito, a definição deste caminho virtuoso só encontra um árbitro, o tribunal”. Critica o facto comum de “o caluniador citar abundantemente os seus direitos constitucionais ignorando que os mesmos se estendem a todos os cidadãos e instituições, incluindo os visados”. Diz ser “típico, sobretudo das mentes mais confusas, esperar que o alvo da calúnia se defenda no espaço público criando uma oportunidade ao caluniador de iniciar um pseudodebate no qual vai agravando o grau das invenções e das acusações, numa escalada que o faz sentir uma pessoa cada vez mais importante, um líder de opinião alimentado por uma microlegião de adeptos que o consolam nas redes sociais com comentários solidários”.
É verdade o que afirma, exceto no atinente ao tribunal enquanto árbitro exclusivo para dirimir conflitos. A este respeito, o art.º 39.º e o n.º 3 do art.º 37.º colocam em alternativa “os tribunais judiciais” e “uma entidade administrativa independente”:
“As infrações cometidas no exercício destes direitos ficam submetidas aos princípios gerais de direito criminal ou do ilícito de mera ordenação social, sendo a sua apreciação respetivamente da competência dos tribunais judiciais ou de entidade administrativa independente, nos termos da lei”.
Além da via alternativa de solução pela dita entidade administrativa independente, a CRP considera que “as infrações cometidas no exercício destes direitos ficam submetidas aos princípios gerais de direito criminal ou do ilícito de mera ordenação social” – não se sobrepondo assim a outros direitos fundamentais.
Quanto ao direito de resposta contemplado nos termos do n.º 4, parece-me temerário não o exercer quando necessário, tal como me parece necessário não banalizar o seu exercício por tudo e por nada ou quando outrem quer levar-nos intempestivamente ao seu exercício fazendo da Comunicação Social palco do teatro de conflitos desnecessário, ineficaz e inútil.
Algo similar se deve dizer em relação à defesa e recuperação do bom nome e reputação. Confiar exclusivamente nos tribunais pode acarretar processos judiciais que poderiam evitar-se através do exercício do direito de resposta ou pela arbitragem extrajudicial. O recurso ao tribunal – lento, caro e incómodo – por mais legítimo que seja, deve evitar-se, até porque os tribunais estão pejados de processos. Ademais, é de inteira justiça de medida que bom nome e reputação esvaziados, manchados ou denegridos na Comunicação Social sejam repostos na Comunicação Social, mesmo que tenha havido recurso aos tribunais ou à arbitragem extrajudicial.
Seja como for, aos detratores do bom nome e reputação de outrem não é lícito, como diz Rodrigues, “estranhar que os seus alvos não lhes respondam diretamente, descendo à sua imaginária ágora, que é quase sempre um pantanoso e doentio ecrã de computador onde são os heróis de um jogo que pensam dominar”. E não podem, ao serem “confrontados com a resposta dos visados pelas suas afirmações delirantes” através dos tribunais, “vitimar-se”, ou considerar-se “alvo de perseguição, chegando a comparar o recurso aos tribunais à censura fascista, numa clara violação do Estado de direito”.
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O que foi acima apontado sobre a relação entre os diversos conjuntos de direitos (pessoais e de expressão) não pretende minimizar o exercício da liberdade de expressão; apenas quer dizer que este não é um direito absoluto nem se sobrepõe aos direitos relativos à vida e à cidadania. Aliás, a redação do texto constitucional não muito díspar quer num caso quer noutro, mas é diferente e a diferença é significativa.
Assim, em relação aos direitos pessoais definidos no n.º 1 do art.º 26.º, apenas se preveem limites à “privação da cidadania” e “restrições à capacidade civil”, que “só podem efetuar-se nos casos e termos previstos na lei, não podendo ter como fundamento motivos políticos”. Não há pois, limites aos demais direitos pessoais. E, no respeitante à liberdade de expressão e de informação, reconhecida no art.º 37.º, o n.º 2 estabelece:
“O exercício destes direitos não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou forma de censura”.
Ademais, não posso concordar que “a censura da opinião e da liberdade de expressão seja tão lamentável e grave” como “o recurso livre à difamação e à calúnia”. Os limites à liberdade de expressão ou os seus impedimentos não podem decorrer de ato censório, nomeadamente com base em motivos políticos, mas estarão sujeitos aos ditames da dignidade da pessoa humana e de outros valores como segredo de Estado e a segurança das pessoas – ao passo que os direitos pessoais fundamentais não estão sujeitos a limites, exceto os atinentes à cidadania e à capacidade cívica; e estes, na estrita observância da lei, mas nunca por motivos políticos.
E o recurso ao tribunal para fiscalizar os direitos dos cidadãos não é o único no Estado de direito a funcionar em normalidade democrática”, que até criou uma ERC (Entidade Reguladora da Comunicação Social), que assegura “o respeito pelos direitos, liberdades e garantias pessoais (vd art.º 39.º/1 alínea d).
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Equilíbrio, bom senso e ética!
2016.08.09 – Louro de Carvalho

domingo, 24 de julho de 2016

A motivação do atirador de Munique

No passado dia 22 de julho, um jovem de 18 anos de nacionalidade alemã e iraniana atirou sobre os circunstantes, primeiro, na filial do McDonald's anexa ao Shopping Central Olympia, em Munique, e, a seguir, no próprio Centro Comercial. O atentado vitimou mortalmente 9 pessoas e deixou feridas 27, das quais 16 estão internadas e 3 a inspirar cuidados especiais.
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Devido ao elevado número de vítimas mortais adolescentes do referido tiroteio, a polícia está a investigar, com base em fundadas suspeitas, se Ali David Sonboly tinha como principal alvo pessoas jovens, pois, como refere a Sky News – citando o Ministro do Interior alemão – algumas pistas indicam que Sonboly sofria de “bullying” já há algum tempo na escola, o que pode ter induzido a perpetração do ataque. Com efeito, na filial do McDonald’s, local onde começou a disparar primeiro, 4 das pessoas que estavam sentadas a uma mesa e acabaram por morrer, foram 2 raparigas kosovaras de 14 anos e os seus 2 amigos turcos, de 14 e 15 anos; outra das vítimas, Hussein Daitzik, com 17 anos, era de nacionalidade grega e terá morrido a tentar proteger a irmã; e Guiliano Kollman, de 18 anos, morreu à porta do estabelecimento.
As autoridades acabaram por excluir a hipótese de o ataque estar ligado ao Estado Islâmico, mas relacionaram-no com o assassino Andreas Breivik, que matou 77 pessoas e feriu outras 51 na Noruega, no dia 22 de julho de 2011. Por outro lado, Buscas feitas ao quarto do jovem atirador revelaram que Ali David estava obcecado com mortes em grande escala. E o tabloide alemão Bild noticiou, no dia 23, que o rapaz tinha uma foto do norueguês no seu perfil do WhatsApp, uma aplicação de conversação instantânea por telemóvel – o que leva a concluir que a data escolhida para o ataque não foi uma coincidência (passam exatamente 5 anos e foi a 22 de julho).  
Entretanto, informações policiais, citadas pela BBC, indicam que Sonboly estava a planear o ataque há cerca de um ano – comportamento típico nestes casos, segundo vários especialistas. A arma, uma Glock de 9mm que tinha o número de série raspado, terá sido comprada pela Internet, no submundo da Internet conhecido como a Deep Web. E uma tese da investigação já validada pelas autoridades policiais defende que Sonboly, conhecido como “o filho do taxista”, terá colocado um post na rede social Facebook a oferecer comida gratuita no restaurante McDonald’s (onde viria a cometer o crime) – post feito em nome de um perfil falso, criado por Sonboly, de uma rapariga, Selima Akim. Segundo a Sky News, ainda antes do sucedido, um jovem terá respondido ao post de “Selima Akim”, alertando que “isto é uma conta falsa criada por um miúdo chamado Ali Sonboly” e que não criassem expectativas de que haveria comida grátis naquele McDonald’s às 16 horas. E acrescentou que o rapaz era “psicologicamente perturbado” e só queria “atenção”.
Ademais, a polícia alemã também revelou que Sonboly terá visitado a cidade de Winnenden – onde, em 11 de março de 2009, houve um tiroteio semelhante (um rapaz de 17 anos disparou sobre os estudantes de uma escola secundária, matando 16 pessoas) – e tirou fotografias visando preparar o massacre que viria a concretizar no passado dia 22 de julho. E, numa curta conferência de imprensa, a polícia forneceu detalhes sobre os tratamentos psiquiátricos a que Sonboly terá sido sujeito, de que ressalta que o jovem estivera internado durante dois meses numa clínica psiquiátrica, em 2015, e depois continuara a receber terapia enquanto paciente externo. E, ao invés do que era defendido a princípio, embora não haja evidências de ligações a grupos terroristas ou jhiadistas, o jovem atirador, que acabou por se suicidar, não terá agido sozinho. Assim, a polícia do estado da Baviera revela, em comunicado, que um jovem afegão de 16 anos, amigo do atirador, foi detido por suspeitas de conhecer os planos do ataque e que o pai do rapaz responsável pelo tiroteio reconheceu o filho pelas imagens divulgadas na internet e avisou as autoridades.

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O que se diz do rapaz? Os vizinhos adultos de Ali David Sonboly descreveram o atirador como um miúdo relativamente normal, ainda que muito resguardado e “um pouco nervoso” e até “pacato” e um “bom ser humano”. Telfije Dalpi, um vizinho da família oriundo da Macedónia, afirmou à Reuters:
 “Estou chocado, o que aconteceu ao rapaz? Só Deus sabe o que aconteceu” (…). “Não faço ideia o que aconteceu – mas ele era um bom ser humano. Não faço ideia se fez outras coisas más noutras ocasiões”.
Apesar de ser uma pessoa recatada e de não ser visto muitas vezes, foi facilmente reconhecido nos vídeos que surgiram na televisão e Internet logo após o incidente. “Eu via-o de vez em quando a passar. Era uma pessoa muito tímida e alta, quase 1,90m de altura”, notou o vizinho, que tem uma padaria na zona. “Não era muito virado para o desporto, era um pouco gordinho”.
Apesar de ser alto, o jovem não tinha um aspeto intimidante. “Tinha uma personalidade um pouco estranha, parecia sempre um pouco nervoso“, disse ao The Guardian o vizinho, Stephan Baumanns. Opinião distinta tem outro vizinho que falou com a televisão local Bayerischer Rundfunk. “O rapazinho foi sempre muito, muito simpático. Não tenho nada a dizer de negativo sobre ele”.
A descrição mais negativa que um deles sublinha que parecia ser “preguiçoso”, por ter tido um emprego a distribuir jornais gratuitos, nomeadamente o gratuito Münchener Wochenblatt, mas ter preferido colocá-los todos no caixote do lixo.
Contudo, descrição totalmente diferente é feita por quem partilhava os bancos da escola com o jovem, sustentando que ele era vítima de bullying e várias vezes avisou: um dia, mato-vos a todos”. Uma ex-colega afirmou ao Daily Mail que “Ele sempre disse que um dia nos ia matar”. Segundo ela, ele chamava-se a si próprio “o Psycho” nos jogos online de combate que frequentava. Uma outra colega, descrevendo-o como um solitário, obcecado por computadores e jogos de tiros, diz que terá sido várias vezes incomodado por alguns colegas e que “Ele não era uma pessoa bem vista na escola, só tinha dois ou três amigos que passavam algum tempo com ele”. E, ainda numa discussão recente com colegas de escola e vizinhos, o atirador deixou claro que tencionava, um dia, levar a cabo um massacre. “Um dia, mato-vos a todos”, terá dito, de acordo uma colega que, segundo o Daily Mail, chegou a ver Ali David horas antes do massacre e referiu que “ele estava sozinho de pé, a olhar para o chão; normalmente costumava dizer ‘olá’, mas nesse dia nem olhou para mim quando passei por ele”.
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O caso está a levar vários responsáveis políticos na Alemanha a exigir um controlo mais apertado. Sigmar Gabriel, vice-chanceler alemão, diz que se deve fazer “tudo o que for possível” para limitar o acesso a armas mortíferas. E Thomas de Maiziere, Ministro do Interior, disse já existirem planos para rever as leis associadas à posse de armas na Alemanha.
Talvez a estratégia estivesse escrita num dos vários livros sobre massacres que foram encontrados no quarto em que dormia. Horas antes de sair de casa para cometer o crime, Ali David quis assegurar que não faltariam jovens no restaurante para onde se dirigiu com uma Glock 9mm e cerca de 300 balas na mochila, para os atacar, embora sem ter especificado quem estaria sob a sua mira.
O seu corpo foi encontrado a um quilómetro de distância do local do crime. O corpo tinha uma bala alojada na cabeça e o facto de ser esquerdino ajudou a perícia a confirmar que ele se terá suicidado. Na noite do dia 22, chegou a admitir-se a possibilidade de o atirador ter sido baleado pela polícia e ter fugido, para morrer minutos mais tarde.
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Sonboly é descrito como um jovem viciado em jogos de computador em que o jogador veste a pele de um atirador. Ao contrário do que fora avançado inicialmente, Heimberger informou que nas buscas feitas à casa do jovem a polícia não encontrou o manifesto de Anders Breivik, o homem que cinco anos antes matara 77 pessoas em Utoya e Oslo, na Noruega. Na véspera, colocara-se a hipótese de Sonboly se ter inspirado nos atos do norueguês, tendo sido dado como certo que o jovem alemão era obcecado por assassínios em massa.
Era conhecido como “o filho do taxista” nasceu em Munique, mas só vivia na zona há cerca de dois anos, com os pais (alguma informação permitia sustentar que vivia sozinho) – e nunca deu aos vizinhos especiais razões para memorizarem o seu nome até ao dia 22 de julho. E a polícia diz que era um “obcecado” por massacres a tiro.
As autoridades fizeram saber, poucas horas após o massacre, que o autor não tem ligações com grupos terroristas ou jiadistas, como se suspeitou. E não é claro que o massacre tenha tido motivações políticas. Certo é que Sonboly sofria de depressão e “tinha medo de contactar com os outros”, afirmou Thomas Steinkraus-Koch, porta-voz do Ministério Público em Munique.
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O caso merece reflexão do ponto de vista da política, da pedagogia e da saúde. São cada vez mais conhecidos casos de bullying” na escola e fora da escola – o que parece passar bastante ao lado das autoridades escolares e policiais, começando por não valorizar pequenas amostras, pois as remetem para brincadeiras de crianças ou comportamentos próprios da idade. Daí pode resultar a via para o suicídio, como forma de evasão, ou o planeamento da vingança (afirmação de autossuperação) que pode dar em formas de violência que pode chegar a situações extremas, como foi o caso, que infelizmente é um entre tantos. Por outro lado, sabe-se como se tornam invasivos os filmes, os jogos (nomeadamente pela Internet), que respiram e transpiram obsessão e violência e criam dependências.
Aqui, é necessária a definição de políticas públicas de prevenção, acompanhamento e punição; é exigível o tratamento pedagógico dos comportamentos desviantes, prevenindo, debatendo, desmontando, vigiando, cuidando e sancionando; e as autoridades de saúde têm de estar mais atentas e reconhecer que o tratamento temporário e assente na adesão voluntária do paciente não basta e entregar posteriormente o paciente a terapia não acompanhada não resulta. Depois, o acesso fácil às armas facilita o aparecimento de tragédias que, depois, resolvemos com flores e declarações de repúdio e solidariedade. Coisa similar se diga da violência no namoro, muita da qual nasce na própria escola, se curte nela e a partir dela se exporta.
Não quero ser injusto para com a escola, pois a mentalidade empresarial e hedonista criada e alimentada pela sociedade traz mais malefícios. Mas a escola deve cultivar a maestria da vida.

2016.07.24 – Louro de Carvalho

domingo, 8 de maio de 2016

“Comunicação e Misericórdia: um encontro fecundo”

Celebra-se hoje, dia 8 de maio, o 50.º Dia Mundial das Comunicações Sociais, para o qual o Papa Francisco elaborou e fez divulgar uma pertinente mensagem, datada de 24 de janeiro, dia litúrgico de São Francisco de Sales, proclamado patrono dos escritores e jornalistas por Pio XI.
O tema da mensagem papal – comunicação e misericórdia: um encontro fecundo – parece um tanto surpreendente, já que muita da comunicação social hodierna, a coberto da propalada objetividade, marca distância, cria saturação e gera indiferença. Por outro lado, a sede do lucro, a arreigada obsessão da venda de papel ou da consecução de audiências e o protagonismo do exclusivo do preenchimento da cena pública são marcas da atividade empresarial no campo das comunicações chegando a espezinhar a liberdade, a dignidade, a privacidade e a sobrevivência de tantos. Tanto assim é que alguns, como Dom Pio Alves, Presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, afirmam que a misericórdia está muito ausente da comunicação social. Por outro lado, assistimos a fenómenos de intoxicação da opinião pública através da repetição e excesso de informação que levam à habituação ou à indiferença perante os dramas da humanidade que a comunicação social ostenta, tantas vezes, sem piedade, sem pena, compaixão e misericórdia – como dado inerente à sociedade ou aos poderes. Além disso, muitos repórteres perdem tempo a expor as vítimas, os sinistrados ou os simples “seres frágeis” ao incómodo de terem de expressar os seus sentimentos e as suas vivências, quando aquilo que que precisavam era tranquilidade, paz, acompanhamento e apoio.
Não obstante, Francisco tem razão ao olhar para as comunicações como fator e instrumento de misericórdia por várias razões. Antes de mais, comunicar é pôr em contacto pessoas, estabelecer pontes entre mundos iguais e diferentes. Conhecendo o outro e o seu mundo, temos a rampa de lançamento para a proximidade. Depois, comunicar é alimentar a relação dialógica diluindo o sofrimento e potenciando o gosto de viver. E comunicar é cair na realidade com os olhos, os ouvidos, o olfato, o sabor e o tacto. Ora, se a aguda lucidez da inteligência analisar a realidade e a força da vontade a quiser modificar em ordem à melhoria, a misericórdia acontecerá.
É que a misericórdia é cair na realidade com o coração, saboreando o gosto das coisas boas e a felicidade daquelas pessoas que são felizes e dinâmicas e, ao mesmo tempo e por maioria de razão, abeirar-se dos infelizes, dos que não sabem, não têm e sofrem os males do corpo ou do espírito – não têm vez nem voz, sofrem o descarte, não são livres, tiraram-lhes as condições de viver em dignidade.
E hoje a comunicação social passou de típica comunicação unilateral e difusão a efetivo espaço comunicação interativa e multilateral: muitos programas de rádio e de televisão dão vez e voz aos ouvintes e telespectadores; os jornais editados suporte de papel têm a secção do correio do leitor ou de cartas ao diretor; os jornais on line permitem comentários e artigos de opinião; foi instituído o mecanismo do exercício do direito de resposta; e multiplicam-se os debates, simpósios, fóruns e mesas redondas. Portanto, se a justa liberdade de expressão, o apreço pela insofismável dignidade da pessoa humana, o equilíbrio informativo com a objetividade possível e a capacidade discreta de formação pelos valores axiológicos se sobrepuserem aos objetivos meramente empresariais e ideológicos, fica aberto o campo para a misericórdia. Com efeito, conhecendo os bons ideais enunciados algures temos acesso à adesão a eles através das pontes de encontro criadas e facilitadas pela comunicação social. As mesmas pontes nos permitirão aderir às boas práticas que virmos em outras comunidades. As mesmas pontes de encontro nos abrirão ao mundo dos que mais precisam e mais sofrem, tornando-nos nós os seus próximos. E as mesmas pontes nos exporão naturalmente, com os nossos ideais, boas práticas e dores ao apelo à comunhão dos outros connosco.
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Francisco, na sua já mencionada mensagem, chama a atenção para o facto de o “Ano Santo da Misericórdia” nos convidar a “refletir sobre a relação entre a comunicação e a misericórdia”. Isto, porque “a Igreja unida a Cristo, encarnação viva de Deus Misericordioso, é chamada a viver a misericórdia como traço caraterístico de todo o seu ser e agir”. Assim, cada palavra ou gesto deveria expressar a compaixão, a ternura e o perdão de Deus para todos. E diz o Papa:
“O amor, por sua natureza, é comunicação: leva a abrir-se, não se isolando. E, se o nosso coração e os nossos gestos forem animados pela caridade, pelo amor divino, a nossa comunicação será portadora da força de Deus.”.
Porque na nossa condição de filhos de Deus e irmãos de todos, “somos chamados a comunicar com todos, sem exclusão”, torna-se “próprio da linguagem e das ações da Igreja” a transmissão da misericórdia, “para tocar o coração das pessoas e sustentá-las no caminho rumo à plenitude da vida que Jesus Cristo, enviado pelo Pai, veio trazer a todos”. É “acolher em nós mesmos e irradiar ao nosso redor o calor materno da Igreja, para que Jesus seja conhecido e amado”.
Porque “a comunicação tem o poder de criar pontes, favorecer o encontro e a inclusão” – “tanto no ambiente físico como no digital”, “enriquecendo assim a sociedade” – as nossas “palavras e ações hão de ser tais que nos ajudem a sair dos círculos viciosos de condenações e vinganças que mantêm prisioneiros os indivíduos e as nações”. Ao invés, “a palavra do cristão visa fazer crescer a comunhão e, mesmo quando deve com firmeza condenar o mal, procura não romper jamais o relacionamento e a comunicação”. Por isso, Francisco pretende “convidar todas as pessoas de boa vontade a redescobrirem o poder que a misericórdia tem de curar as relações dilaceradas e restaurar a paz e a harmonia entre as famílias e nas comunidades”.
Neste aspeto, a mensagem papal parte do dinamismo da comunicação para lançar o apelo para as palavras e atitudes de misericórdia a toda a Igreja, a cada um dos cristãos e às pessoas de boa vontade. Porém, não deixa de apelar a que “também a linguagem da política e da diplomacia se deixe inspirar pela misericórdia, que nunca dá nada por perdido” – apelo extensivo àqueles que têm responsabilidades políticas, institucionais e de formação da opinião pública, “para que estejam sempre vigilantes sobre o modo como se exprimem a respeito de quem pensa ou age de forma diferente e ainda de quem possa ter errado”.
E a mensagem de Francisco pretende lançar as bases da alteração do modo de comunicar e servir dos pastores na Igreja de forma a nunca expressarem “o orgulho soberbo do triunfo sobre um inimigo”, nem humilharem “aqueles que a mentalidade do mundo considera perdedores e descartáveis”.
A quem pense que “uma visão da sociedade enraizada na misericórdia seja injustificadamente idealista ou excessivamente indulgente”, recorda as primeiras experiências de relação no seio da família:
“Os pais amavam-nos e apreciavam-nos mais pelo que somos do que pelas nossas capacidades e os nossos sucessos. Naturalmente os pais querem o melhor para os seus filhos, mas o seu amor nunca esteve condicionado à obtenção dos objetivos. A casa paterna é o lugar onde sempre és bem-vindo (cf Lc 15,11-32).
Por analogia, o Papa encoraja todos a pensarem “a sociedade humana não como um espaço onde estranhos competem e procuram prevalecer, mas antes como uma casa ou uma família onde a porta está sempre aberta e se procura aceitar uns aos outros”. Por isso, lembra o essencial do ato de comunicar: comunicar é partilhar; e partilhar exige escuta e acolhimento para se poder responder em conformidade enriquecendo o que se escutou. É preciso escutar mais que ouvir: ouvir refere-se à informação; escutar refere-se à comunicação e postula a proximidade.
Falando de e-mails, sms, redes sociais, chats, sustenta que “podem ser formas de comunicação plenamente humanas, pois “não é a tecnologia que determina se a comunicação é autêntica ou não, mas o coração do homem e a sua capacidade de fazer bom uso dos meios ao seu dispor”.
Verificando que “a comunicação, os seus lugares e os seus instrumentos permitiram um alargamento de horizontes para muitas pessoas”, define este fenómeno como “um dom de Deus” e “uma grande responsabilidade”. E, finalmente, sintetiza o essencial da mensagem:
“Gosto de definir este poder da comunicação como proximidade. O encontro entre a comunicação e a misericórdia é fecundo na medida em que gerar uma proximidade que cuida, conforta, cura, acompanha e faz festa. Num mundo dividido, fragmentado, polarizado, comunicar com misericórdia significa contribuir para a boa, livre e solidária proximidade entre os filhos de Deus e irmãos em humanidade.”
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Hoje, após a oração do Regina Coeli, Francisco evocou o 50.º Dia Mundial das Comunicações Sociais celebrado neste Domingo da Ascensão do Senhor (nalguns países, a Ascensão celebrou-se passada quinta-feira, como é da tradição bíblico-litúrgica), enviando a todos quantos trabalham na comunicação uma cordial saudação e fazendo votos para que o modo de comunicar na Igreja tenha sempre um claro “estilo evangélico”, um estilo que una a verdade e a misericórdia.
É o recado que visa incutir na comunicação social o elemento fundante da comunicação – proximidade e partilha – possibilitador do ambiente da misericórdia e, o mesmo tempo, lançar as bases de uma comunicação mais misericordiosa e inclusiva em Igreja.
É óbvio que a Igreja, consciente da sua missão de evangelização, não se fica na função informativa e na de entretenimento da comunicação social; quer ir mais longe, fomentando o levar da proximidade solidária a quem festeja a vida e os seus valores, atender com alma e coração solidários os que sofrem lutando pela implantação da justiça e formando na doutrina e nos costumes.
Prosit.

2016.05.08 – Louro de Carvalho